segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

RECORDANDO


O  exemplo
A indústria portuguesa produz por ano 35 000 toneladas de resíduos não recicláveis, que precisam de ser incinerados. O Governo deu por isso pela primeira vez no fim de 1985, quando Carlos Pimenta estabeleceu por decreto as bases de uma política nacional de resíduos. Passaram cinco anos até o Governo abrir concurso para a construção de uma incineradora em Sines. O "povo" protestou e o Governo fugiu. Passaram outros cinco anos e, em 1995, Teresa Gouveia lá convenceu Estarreja a engolir a incineradora. Estava o problema resolvido? Não estava. Em 1997, José Sócrates abandonou o projecto de Estarreja e resolveu entregar a incineração dos resíduos a um consórcio de cimenteiras. Em 1998, esse consórcio propôs quatro sítios possíveis para a co-incineração: Outão, Alhandra, Souselas e Maceira. Elisa Ferreira escolheu Souselas e Maceira. O "povo" protestou e o Governo fugiu. Em 1999, Sócrates, já ministro, removeu o sarilho para uma comissão científica independente, a CCI, como se coubesse a uma comissão científica tomar decisões políticas. Este ano - 2000 - a CCI recomendou, em vez de Souselas e Maceira, Outão e Souselas. O "povo" protestou. Com Manuel Alegre à frente, os deputados de Coimbra prometeram fazer coisas terríveis. Vários cientistas arrasaram as conclusões da CCI. A oposição exigiu em coro que o assunto fosse imediatamente revisto. E agora o Governo, como sempre, hesita. Entretanto, os resíduos não deixaram de se acumular ao acaso. Em 15 anos, 15 anos, não se avançou um milímetro. O Estado pede aos portugueses trabalho, eficiência, dinheiro e sacrifícios - em nome da "modernização". Mas sucede que o exemplo do Estado corrompe a sociedade e é sem dúvida o principal obstáculo à "modernização". 
Vasco Pulido Valente assina esta coluna ao sábado e domingo 

Recuperei este artigo de 2000, porquê?
Para lá do caso concreto, não é exemplo lapidar do muito que continua a acontecer neste tão maltratado País onde, em bom rigor, somos nós os maltratados?

Quando não votam estão à espera de quê?

Quando votam em boa parte dos salafrários anteriores estão à espera de quê?

Quando votam já não nos salafrários anteriores mas não ponderaram que estão a votar em seitas, em amigalhaços, em testas de ferro dos anteriores estão à espera de quê?

Deu-se o 25 de Abril de 1974.

Daí para cá e ainda que, FELIZMENTE, se tenha progredido em muitas áreas, o exemplo supra não está acompanhado de outros exemplos sem fim que fazem com que Portugal tenha os bloqueios actuais? Ou estamos quase no fim da cauda da Europa por acaso?

O que se passa no presente não tem nada a ver com, por exemplo, aqueles maravilhosos 8 anos e semanas de governação (??)  Costa, ou com esta governação (??) Montenegrina?

AC

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