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As categorias especiais do vinho do Porto são o resultado de uma seleção rigorosa de uvas, vinificação criteriosa, envelhecimentos diversificados e - acima de tudo - da arte do "Blend".
Criar um lote equilibrado, com identidade, consistência e capacidade de envelhecimento é um trabalho que exige experiência e precisão. É este domínio técnico - o Blend - que permite ao vinho do Porto manter um estilo próprio e reconhecível em qualquer parte do mundo.
Late Bottled Vintage (LBV)
Designado por LBV, este tipo de vinho do Porto provém de uma única vindima, sendo engarrafado mais tarde do que o Vintage. É fruto de uma seleção de cuidadosa de uvas e representa uma alternativa acessível, pronta a consumir, mas com elevada complexidade.
Origem: Vinho de uma só colheita.
Estágio: A certificação no IVDP, IP, ocorre entre 01 de março a 31 dezembro do 4º ano após a vindima, mas pode ser engarrafado até 31 de Dezembro do 6º ano após a vindima.
O envelhecimento ocorre em madeira (normalmente de grandes dimensões) ou recipiente inerte.
Perfil: Cor intensa, aromas de frutos maduros e especiarias, corpo estruturado.
Classificação qualitativa mínima exigida na Câmara de Provadores: Elevada (Nota 8 em 10)
Estilos possíveis:
Filtrado: Pronto a consumir, não foi elaborado para envelhecer em garrafa, embora possa acontecer.
Não filtrado: Pode evoluir em garrafa; forma depósito. Poderá aparecer no rótulo “Unfiltered”.
Menções tradicionais associadas: "Bottle Matured", "Envelhecido em Garrafa" (facultativas, mas possíveis se estiverem cumpridos os requisitos).
Crusted
Uma das categorias menos conhecidas, mas com características únicas. Representa uma alternativa mais acessível ao Vintage, com estilo semelhante.Origem: Blend de diferentes colheitas, de elevada qualidade.
Estágio: Envelhecimento obrigatório em garrafa durante um mínimo de 3 anos.
Perfil: Vinho retinto, encorpado, com formação de depósito (“crosta”) característica.
Classificação qualitativa mínima exigida na Câmara de Provadores: Elevada (Nota 8 em 10)
Menções tradicionais associadas: "Bottle Matured", "Envelhecido em Garrafa".
Vintage
O Vintage é considerado o expoente máximo da qualidade num vinho do Porto. Resulta da escolha de uvas de excecional qualidade oriundas de uma só vindima.Origem: Proveniente de uma única colheita.
Estágio: A certificação no IVDP, IP, ocorre entre Janeiro e Junho do 2º ano após a vindima, mas pode ser engarrafado até 30 de Julho do 3º ano após a vindima. O envelhecimento prévio ao engarrafamento ocorre em madeira (normalmente de grandes dimensões) ou recipiente inerte. Após o engarrafamento estes vinhos podem evoluir lentamente durante décadas.
Perfil: Vinho retinto, encorpado, de estrutura sólida, com potencial de envelhecimento notável. Apresenta aromas intensos de fruta preta, notas florais, taninos robustos e grande concentração
Estilo de envelhecimento: Redutivo, em garrafa.
Classificação qualitativa mínima exigida na Câmara de Provadores: Excecional (Nota 9 em 10)Outras particularidades: Indicação obrigatória do ano da colheita; apenas pode ser comercializado a partir de 1 de maio do 2.º ano a contar da respetiva vindima.
Indicação de Idade (10, 20, 30, 40, 50, 80 anos e VVO)
São vinhos obtidos por lotação de vinhos de diversos anos que estagiaram em madeira, de forma a conseguir -se complementaridade de características organoléticas referentes à idade constate nos rótulos. Quanto maior a idade, maior a complexidade.Origem: Blend criterioso de vários vinhos envelhecidos em madeira (normalmente pipas)
Estágio: Prolongado em madeira (pipas), sob rigoroso controlo
Perfil: A complexidade e a profundidade aromática aumentam com a idade. Vinhos com 10 anos são mais vibrantes; vinhos com 30 ou 40 anos exibem notas intensas de nozes, café, toffee e figos secos.
Classificação qualitativa mínima exigida na Câmara de Provadores:
Elevada (Nota 8 em 10) para vinhos entre 10 e 50 Anos
Excecional (Nota 9 em 10) para 80 anos e VVO (Very Very Old).Designação VVO: Usada para vinhos com mais de 80 anos de envelhecimento em madeira (sem indicação da idade no rótulo).
Colheita
O Porto Colheita resulta igualmente de uma só vindima, envelhecendo durante longos anos em madeira, adquirindo assim características organoléticas semelhantes aos vinhos com indicação de idade.Origem: Única colheita.
Estágio: Mínimo de 7 anos em madeira (a partir de 1 de setembro do segundo ano após a vindima).
Perfil: Notas de frutos secos, casca de laranja, especiarias.
Classificação qualitativa mínima exigida na Câmara de Provadores: Elevada (Nota 8 em 10)
Menções tradicionais associadas:Para vinhos com mais de 30 anos de envelhecimento.
Rotulagem: Indicação obrigatória do ano da colheita e do ano de engarrafamento.
Garrafeira
Uma das categorias mais raras e singulares do Vinho do Porto. Este pode ser Tinto ou Branco.Origem: Proveniente de uma só colheita, de elevada qualidade.
Estágio:Em madeira: entre 4 a 8 anos.
Posteriormente em vidro: mínimo 15 anos.
Perfil: Notas oxidativas delicadas, complexidade aromática, taninos polidos, evolução singular.
Classificação qualitativa mínima exigida na Câmara de Provadores: Elevada (Nota 8 em 10)
Menções adicionais:"Velho"/"Old": se tiver mais de 20 anos.
"Muito Velho"/"Very Old": se tiver mais de 30 anos.
Rotulagem: Deve indicar o ano da colheita e o ano de engarrafamento final.
Reserva Ruby, Reserva Tawny e Reserva Branco
Categoria aplicável aos estilos Ruby, Tawny e Branco, que apresentem qualidade superior.
Origem: Blend de vinhos de diferentes colheitas.
Estágio: Mínimo de 6 anos em madeira para as designações Reserva Tawny ou Reserva Branco.
Sem obrigatoriedade mínima para Reserva Ruby, mas sujeito a aprovação qualitativa por parte do IVDP.
Perfil:Ruby Reserva: cor intensa, fruta madura, taninos presentes.
Tawny Reserva: notas oxidativas suaves, frutos secos, compotas e especiarias.
Branco Reserva: complexidade aromática, equilíbrio entre frescura e doçura.
Classificação qualitativa mínima exigida na Câmara de Provadores: Muito Boa (Nota 7 em 10)
Menções adicionais permitidas: "Special", "Finest" (uma apenas, e se aplicável)
No que respeita a beber, estas são as indicações profissionais.
Antes da refeição
As amêndoas torradas, o salmão fumado, ameixas ou tâmaras secas servidas antes de uma refeição, combinam na perfeição com Porto Branco, servido fresco.
O Porto Branco Seco, quando servido com água tónica, gelo e uma rodela de limão num copo alto, o “PORTONIC”, é um fantástico aperitivo!
Se a opção for servir um paté, os Tawnies 10 anos, são uma excelente escolha! Estes também, assim como os Tawnies Reserva podem ser servidos frescos ou com uma pedra de gelo, em convívio com amigos ou durante o verão.
Durante a refeição
Enquanto saboreamos pratos magníficos, podemos acompanhá-los com uma variedade de estilos de Vinho do Porto.
Se as refeições forem leves, à base de saladas ou peixes gordos grelhados como o salmão, o Porto Branco continua a ser uma excelente escolha. Este vinho combina ainda com sopas à base de natas.
Se as entradas incluírem queijos fortes ou patés, os Tawnies 10 anos refrescados devem ser escolhidos, assim como se os frutos secos, como as nozes também fizerem parte do prato.
Nos assados e bifes com molhos intensos com pimentas ou algumas especiarias, o LVB é opção ideal para o acompanhamento, equilibrando a intensidade de sabores.
No final da refeição
À sobremesa, momento de excelência para saborear Vinho do Porto, sucedem-se as oportunidades de harmonia com frutas, doces e queijos. Os bolos e mousses de chocolate ligam harmoniosamente com LBV ou Vintages jovens e frutados.
Os sabores intensos da doçaria conventual (com açúcar e ovos na sua base) são realçados pelos sabores delicados dos Tawnies 10 e 20 anos.
Escolher uma salada de frutas, leite creme ou uma tarte de amêndoas, sobremesas menos intensas, requer uma harmonização com um Tawny mais jovem como o Reserva Tawny ou o Tawny 10 anos, assim como gelados de baunilha ou frutos secos. Neste caso os vinhos devem servir-se frios, para acompanhar as temperaturas dos gelados.
Se a opção na sobremesa for um cheesecake, ou queijos de pasta mole e intensidade média, então a escolha deve recair sobre um Ruby Reserva ou um LBV.
Se os queijos forem mais intensos ou de pasta mais dura, então a opção deve recair em vinhos do estilo Tawny mais velhos como o 20 anos.
Depois da refeição
Prova que os vinhos do Porto acompanham todos os momentos de uma refeição, quando se concentrar no seu charuto acompanhe-o com um Vintage velho.
Estes vinhos também são excelentes para se apreciarem sozinhos, após uma decantação cuidadosa.
Para o café, um Tawny 20 anos ou mais velho é a harmonia perfeita. Estes vinhos de lote, como os 30 anos e mais de 40 anos, proporcionam, por si sós, experiências intensas quando servidos ligeiramente frescos, para que possa apreciar os aromas plenamente.
Os Colheita, embora possam ser apreciados sós, podem combinar com as sobremesas recomendadas para os Tawnies, dependendo da sua idade.
Conservação
Depois de aberta a garrafa de Vinho do Porto, a sua conservação dependerá da categoria de Vinho do Porto e do local onde será guardada.
Os tempos abaixo sugeridos servem como orientação, pelo que não se pretende afirmar que o vinho se deteriora completamente, mas que vai havendo uma lenta evolução que leva à perda das características sensoriais originais.
Vintage - 1 a 2 dias
LBV - 4 a 5 dias
Crusted - 4 a 5 dias
Ruby / Ruby Reserva - 8 a 10 dias
Tawny / Tawny Reserva - 3 a 4 semanas
Tawny com Indicação de Idade (10/20/30/40) - Entre 1 a 4 meses (os mais novos menos tempo, os mais velhos mais tempo)
Brancos com indicação de idade (10/20/30/40) - Entre 1 a 4 meses (os mais novos menos tempo, os mais velhos mais tempo)
Colheita - Entre 1 a 4 meses (os mais novos menos tempo, os mais velhos mais tempo)
Brancos “standard” dependente do estilo:
Moderno (frescos e frutados) - 8/10 dias;
Tradicionais (estilo oxidativo) - 15/20 dias
Temperaturas de serviço
Porto Rosé 4ºC
Porto Branco 6-10ºC
Porto estilo Ruby 12-16ºC
Porto estilo Tawny 10-14ºC