Chapéus há muitos
Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
R E C O R D A ND O
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
1. Como sempre acontece em tudo na vida, há quem defenda ""as suas damas"", o que é natural e compreensível. Mas já custa muito aceitar que quem devia ser prudente e racional, ao legitimamente apoiar quem entende, não mantenha ainda assim uma postura de relativa equidistância.
Até porque, a colagem excessiva pode trazer problemas quanto à sua aparente capacidade de influência.
2. Quem conhece bem as posições assumidas ao longo dos últimos 34 anos pelos sucessivos Primeiros -ministros (PM) e ministros da defesa nacional (MDN), em que estes em Portugal são apenas ministros das FA não desconhece que, apesar de algumas aparentes "nuances", a postura CDS, PS e PSD é/ tem sido sempre exactamente a mesma, para a obtenção de resultados que hoje estão cada vez mais à vista. Só desbocados e tontos podem considerar que o quadro triste das FA se deve exclusivamente aos últimos quatro anos e meio. Como se tudo não viesse a ser, desde 1983, por um lado laboriosamente tecido e, por outro, lamentavelmente desprezado.
3. Ministros houve que assentaram arraiais no edifício do Restelo e tudo pareceu indicar que aí trataram (??) do seu ministério mas também dos negócios do partido; outros por lá pouco apareciam.
Das coisas engraçadas (??!!??) de ver é a fama com que alguns ficaram. Mas convém mesmo é olhar ás realidades concretas, aos factos.
4. O ministro do "hífen", a meu ver naturalmente, tratou sobretudo de fazer asneiras em cima de asneiras. Claro que com dossiers encontrados a arrastarem-se anos a fio a tarefa ficou-lhe facilitada. Porventura uma das maiores asneiras, o cancelamento da construção de patrulhas em Viana do Castelo.
5. Com um problema nas FA que é um caldeirão de imensos problemas, de recursos humanos financeiros e materiais, é interessante ver certos civis e militares cheios de esperanças com a nova governação. Naturalmente, a esperança deve ser a última coisa a perder-se. Mas esquecem-se de um pequeno detalhe: a postura política do actual governo é, DEVOLVER. Ora devolvendo, e não digo que isso seja indevido, essa devolução será um fardo orçamental muito pesado. Adicionalmente, crescendo a economia tanto como eu ser chinês, os recursos financeiros para as FA não irão aumentar. Ainda por cima com a intenção já manifestada de aumentar as despesas com as forças destacadas no exterior. Coisa que me parece cada vez discutível, quanto à KFOR (creio que é o acrónimo).
6. Do que se conhece, o ministro Azeredo Lopes anuncia dinamização da componente externa da defesa, a valorização do exercício de funções na área da defesa, a consolidação do processo de profissionalização das FA, o estímulo da indústria de defesa. Quando olho para os últimos 34 anos, a parte mais engraçada para mim é o reforço da ligação do sector aos portugueses. Belas palavras, mas.....aguardemos.
7. Por outro lado, e olhando para o passado, aos presidentes do passado (excepto Eanes) tivemos de tudo. Os presidentes PS (Mário Soares, Jorge Sampaio) ficaram famosos por várias coisas no que à defesa e FA respeita. Soares sempre manifestou um desprezo absoluto pelos militares em geral. Foi o famoso homem do "desapareça".
Sampaio creio que recebeu as então recém criadas associações militares sem que primeiro tivesse convencido as chefias militares de então a fazê-lo igualmente, e porventura antes dele. Do tempo de Sampaio ficou também, para mim, a enorme dúvida quanto ás decisões de envio de certos militares para o estrangeiro.
De Cavaco Silva, no segundo mandato, creio, conseguiu dar visibilidade aos ex-combatentes nas cerimónias de 10 de Junho É um exemplo. Mas da acção explícita dos três PR, melhor, dos três comandantes supremos das FA, o que de concreto resultou de melhoria, de proveitoso, de alteração real para a instituição militar? Na formação, na operacionalidade, na renovação?
8. Regresso ás FA e ao actual governo e actual MDN. As minhas terríveis "" S "" obrigaram-me a não conseguir ver de seguida a audição do ministro Azeredo Lopes na comissão parlamentar de defesa (CPD). Por razões profissionais, lembro bem CPD passadas, lembro e testemunhei presencialmente alguns discursos de MDN's, lembro-me de alguns secretários de estado da defesa. Quero vincar, que de todas as experiências guardo bem as memórias, e também por essa vivência tenho uma percepção muito diferente de muitos. Nem melhor, nem pior, só DIFERENTE.
9. Da audição do MDN, ontem à CPD, o que concluí?
> que foi escolhido para MDN porque tem algum pensamento inclusive escrito em áreas, da DN, de política externa, e por ter uma bagagem intelectual muito acima da média, e uma soberba oratória;
> Que tentará aumentar as verbas para as FND no exterior;
> que, aparentemente, pouco mudará mas, sobretudo, que não o fará sem critérios, e sem avaliação prévia bem sustentada, e com identificação de consequências/ custos, seja em que área for;
> que está já bem conhecedor do seu "negócio", embora sempre manifestando muita prudência, e nada quanto a orçamento para a DN e para as FA, o que não se pode criticar no plano formal;
> que não me pareceu hostil a privatizações, tanto mais que na área da defesa ela foram definidas em governo PS mas, e registei, em alguns casos como EID, mostrou-se adepto de revisitar o processo;
> falou bastante do IASFA e ADM e, pareceu-me claro, que já está bem ciente que o dossier IASFA deve ser uma embrulhada, referindo explicitamente estranheza por certos aspectos;
> obviamente, nada prometeu de substantivo;
> ah, .....registei que já recebeu um secretário regional dos Açores, por causa das Lajes, mas ainda não conseguiu receber as associações representativas dos militares.
10. Nesta audição falaram alguns deputados. E teceram muitos comentários e teceram muitos elogios e fizeram algumas perguntas. Nada me espantou. Saliento a vacuidade do deputado do PSD que falou em primeiro lugar, de uma elegância e educação de realçar mas, espremido, ZERO. Saliento o deputado do PCP que deixou, a meu ver naturalmente, a confrangedora cassete do costume, mas muito mal preparada. A condução dos trabalhos pelo deputado do BE foi interessante (!!) A tudo o MDN foi de uma superioridade esmagadora.
11. O que espero? Um orçamento escasso para as FA, a mesma demagogia de sempre, as mesmas intenções enaltecendo o papel das FA, e pouco mais. Gerir da melhor forma o explosivo caldeirão. que é explosivo sem rastilho. Para isso o PM tem um assessor militar, um para a PSP, outro para a GNR. Desconheço se vai ter um da PJ, outro do SIS, outro do SIED, outro do SEF.
12. Existe um PR eleito. O que esperar dele? Pouco. Não tenho dúvidas do seu sentido de Estado, que olhará para a instituição militar com a dignidade que se impõe, fará esforços para publicamente enaltecer o inestimável e insuperável papel da FA mas, olhando à CRP que nada de concreto e palpável na vida real reserva para o PR, e sobretudo lendo a legislação que enforma a DN e as FA, fácil é verificar que o PR pouco de efectivo pode fazer para alterar o ""status quo"". Sem dinheiro não há navios a construir em Viana do Castelo, não se melhora operacionalidade, sem dinheiro não há modernização de navios, por muito que o actual MDN tenha evidenciado saber o significado de MLU. Sem dinheiro não há palhaços. O PS, e sobretudo este PS, vai continuar o mesmo. Até porque para BE e PCP, que ainda suportam este governo, as FA não constituem qualquer prioridade. Como ficou na audição mais uma vez muito claro. E o PR terá a constituição da casa militar......como de costume!!!!!!
Depois de aprovado o OE, fico a aguardar pelos vozeirões que tanto se têm insurgido recentemente.
AC
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Hoje, como sempre, falo para todos vós.
Mas falo, em especial, para os que perderam familiares e próximos, os que ficaram sem casa ou sem casa com condições para nela viverem, os que perderam culturas agrícolas, lojas, oficinas, fábricas, os que ficaram dias e noites sem água, luz, telefone, os que viram florestas vergarem, os que sofreram e sofrem cheias imprevisíveis, os que desanimaram, tiveram medo, se sentiram isolados, angustiados ou desesperados.
Para essas centenas de milhares, em cidades, vilas, aldeias, lugares, casas perdidas nas serras.
A todos vós e a todos que vos têm dado o que podem e não podem, agradeço a resistência, a coragem, a determinação de não ceder, de não desistir, de não largar um centímetro do que é vosso.
A todos vós agradeço a resposta dada no dia 1, quatro dias apenas depois da calamidade de 28 de janeiro.
A vossa resposta foi votarem. Votarem em massa. E, também, nas áreas devastadas. Também no voto antecipado.
Tal como há cinco anos foi votarem em pandemia, em todo o País, sem vacinas, com hospitais a transbordarem, com mortes a subirem, com contágios a galoparem.
Somos assim há novecentos anos. E por isso somos das Pátrias, das Nações, mais antigas da Europa e do Mundo.
Nascemos para resistirmos e resistirmos até vencermos. Somos um país de lutadores.
Votar amanhã é como votar na pandemia, em estado de emergência, ou, agora, quatro dias depois da tragédia.
Votar amanhã chama-se vencer a calamidade e refazer o nosso futuro.
Votar amanhã chama-se liberdade.
Votar amanhã chama-se Democracia.
Votar amanhã chama-se, acima de tudo, Portugal!"
A PROPÓSITO
Ver o contínuo papaguear de encomendações bizarras as quais nem devem entender, observar anos a fio retóricas indecorosas, leva-me a gritar socorro. Mas não há quem me/ nos valha.
Passam décadas e persiste este anacronismo de martelar as pessoas com mentiras sobre quase tudo o mais em sociedade.
Cada um de nós, conscientemente, devia fazer o possível para se informar como se vive no país, TODO, como e de que vivem as suas classes sociais, quais os objectivos de cada grupo no contexto da sociedade. O que nos foi brutalmente recordado pela natureza devia ser um bom guias, para olhar o nosso mapa e contar as localidades em cada um dos 308 concelhos. E interrogar-se, sobre o que está vazio, em muitos casos de pessoas. Vazio de multibanco, mercearia, talho, papelaria, sapateiro, barbearia, farmácia, lojas, escola, GNR, etc.
Certeiro, António Aleixo por exemplo afirmava,
“Coitado do Mentiroso, mente uma vez, mente sempre. Mesmo que fale verdade todos lhe dizem que mente”,
ou
“prá mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade”.
Como Agostinho da Silva, eu também já - “não corro como corria, nem salto como saltava, mas vejo mais do que via, e sonho mais que sonhava”.
Sonho, tenho esperança, de ainda em vida começar a ver menos pantomineiros nos poderes públicos.
Cada vez mais convicto estou: "Homens de poucas e coerentes palavras são muito provavelmente os melhores homens".
E não mentem.
Nem com reizinhos que por aí vão continuando, se vão substituindo.
AC
Estive a reler coisas de um velho Soarista dos primeiros tempos.
“A estratégia de Mário Soares foi sempre localizar o PS ao centro, ter a noção de que o perigo era a extrema-direita e, por isso, logo no segundo governo chegou ao pé de mim e disse: 'Vou fazer uma aliança com o CDS'”, conta. António Campos lembra que, na altura, chamou maluco a Mário Soares, mas que ele argumentou que precisava de fazer essa aliança porque o perigo em Portugal era a mentalidade de 48 anos de fascismo. Pediu ajuda a António Campos, na altura coordenador do partido, para trazer para o partido pessoas da ala esquerda, entre elas Jorge Sampaio. “Em 15 dias eles inscreveram-se no partido”, recorda.
António Campos é crítico das políticas de António Costa, que considera ser o responsável pelo crescimento do Chega. ”O Costa criou o Chega e este [Pedro Nuno Santos] pôs o Chega como líder da oposição em Portugal”, lamenta.
O histórico socialista, que recusou estar presente nas comemorações dos 50 anos do partido celebradas há dois anos, acusa António Costa, “com quem teve guerras e chegou a cortar relações”, de também ter conseguido destruir a esquerda. “O doutor Cunhal considerava que o PS era o inimigo, mas com ele conseguimos criar o Serviço Nacional de Saúde e Mário Soares foi eleito Presidente da República”, afirma. “O que o Costa fez foi acabar com isso tudo e passar os eleitores do PCP para o Chega”.
Quanto aos cenários de governabilidade, António Campos espera “que o PS se porte bem“ e acredita que quem for eleito secretário-geral do partido será uma questão de tempo até chegar a primeiro-ministro. ”Mas se tiver cabeça, pensar no país e pensar na democracia em Portugal”, adverte.
sábado, 7 de fevereiro de 2026
Centro do Montijo, Sábado, 7 de Fevereiro, cerca das 0930 da manhã.
Há várias rotundas e partes de ruas da cidade e estradas exteriores cheias de água.
Sendo embora resultado de chuva intensa que aqui cai há horas, é coisa ligeiríssima sem importância alguma comparando com as tragédias em tantos locais do país. Por aqui se pode imaginar a catástrofe.
António Cabral (AC)



