quinta-feira, 9 de julho de 2026

E  É  ISTO,  a Tugolândia

Um bom amigo acaba de me enviar esta delícia.

Três notas:

- eu tenho um blogue pessoal, vai para 13 anos, mas não tem nada a ver com o que neste delicioso texto se refere. Como expliquei diversas vezes e mais logo repetirei.

sublinhados da minha responsabilidade

- este texto recordou-me isto - um político honesto pergunta o que é que recomenda uma dada pessoa; um político corrupto quem.

António Cabral (AC)

*Confissões de um boy" - Pedro Santa Clara

Entrei para a política aos dezassete anos por convicção. A convicção de que não me apetecia trabalhar.
Sei o que estão a pensar, e é injusto. Trabalhei muito, trabalhei sempre — só que nunca trabalhei em nada. A minha carreira é feita de cargos, não de obras; e os cargos, ao contrário das obras, não se avaliam: sucedem-se. O Zagalo escreveu a vida do Conde de Abranhos por devoção ao amo; eu escrevo a minha por vaidade própria. Ao menos nisso sou moderno.

A vocação

Descobri o meu talento na juventude partidária, a que nós chamamos carinhosamente a Jota. Os outros discutiam ideologia; eu montava as cadeiras. Os outros escreviam moções; eu fotocopiava-as, distribuía-as e, sobretudo, sabia em que momento exato do discurso do líder se devia começar a bater palmas. É uma ciência subtil: cedo demais é bajulação, tarde demais é dissidência. Aos dezanove anos já ninguém batia palmas como eu em todo o distrito.
Na Jota aprende-se cedo a lição que sustenta tudo o resto: as ideias dividem, os lugares unem. Aprende-se também a competência nuclear da profissão — farejar quem vai subir e colar-se-lhe como um selo. Enganei-me uma vez, em noventa e tal, e custou-me dois anos numa comissão de revisão de estatutos. Nunca mais me enganei.

A licenciatura

Pelo caminho, licenciei-me em Direito. Regime pós-laboral, numa universidade privada que entretanto já não existe — o que confere ao meu diploma uma raridade de incunábulo. Demorei sete anos a fazer quatro, porque a política não espera, e o direito, pelo contrário, está sempre lá. Advogado nunca fui: a Ordem tem exame, e exames são para quem não tem alternativa. Mas o canudo cumpriu a sua única função, que é constar. Nos currículos oficiais sou jurista. Nos corredores, sou o Zé.

O assessor

Comecei como assessor. De quê, perguntam os ingénuos. De quem, corrijo eu — a preposição é tudo. Fui assessor de um vereador, depois de um deputado, depois de um secretário de Estado, numa progressão que nada devia ao mérito e tudo à fidelidade, que é o mérito verdadeiro. O trabalho era variado: escrever discursos que ninguém ouvia, marcar almoços que eram o verdadeiro trabalho, atender jornalistas para lhes dizer nada e transportar a pasta do chefe com a gravidade de quem transporta o país.
Um gabinete é uma corte em miniatura, e eu nasci cortesão. Para cima, sou veludo; para os lados, sou cimento armado. Vi cair três chefes e sobrevivi aos três, o que na nossa profissão é uma condecoração.

A escada

Depois vieram os degraus, por ordem litúrgica. Secretário de uma junta de freguesia — poder autárquico, dizem os manuais; eu digo: atestados, festas do pimento e a primeira lição de orçamento, que é haver sempre orçamento para quem o executa. Adjunto numa câmara municipal, onde aprendi que uma rotunda inaugura-se duas vezes: uma quando se faz, outra quando se refaz. Vice-presidente de uma CCDR — coordenação e desenvolvimento regional, duas expressões que, juntas, garantem que ninguém pergunte o que faço. E deputado suplente, que é a sala de espera do poder: substituo o titular quando ele é chamado ao Governo, ou seja, sou tecnicamente um efeito colateral. Sentei-me no hemiciclo tempo suficiente para fazer três perguntas ao Governo, escritas por um estagiário, e para aparecer atrás do líder nos planos de televisão, que é a verdadeira função do deputado moderno: cenografia com direito a voto.

O blog e a televisão

Nos anos dois mil tive um blog, como toda a gente que queria vir a ser alguém. Escrevia sobre a reforma do Estado, que era o que se usava, com hiperligações para relatórios que não tinha lido. O blog morreu, mas cumpriu: hoje os jornalistas apresentam-me como «pensador» e eu não os corrijo.
Da blogosfera saltei para os plateaus. Na televisão sou combativo, frontal, independente — os pontos de conversa chegam-me do partido à sexta-feira, mas a indignação é toda minha. Digo coisas como «o país precisa de reformas estruturais» e «é preciso coragem política», frases que o conselheiro Acácio acharia arrojadas. Dentro do partido sou uma carpete; diante das câmaras, um tigre. A carreira faz-se com os dois pelos, e ai de quem os troque: um tigre no congresso e uma carpete na televisão não chega a deputado suplente.

Os biscates e o primo

Convém dizer que o vencimento público, sendo certo, é modesto, e um homem tem despesas. Fui compondo: umas avenças de consultoria estratégica — «estratégica» quer dizer que não se percebe o que é — uns pareceres jurídicos ao abrigo do incunábulo, umas conferências sobre liderança em hotéis de aeroporto. E há o meu primo, empresário de reconhecido dinamismo, cuja firma tem a felicidade de ganhar adjudicações diretas com uma regularidade que só se explica pelo mérito — o mérito de existir no momento exato, com o alvará exato, no concelho exato.
Eu não decido nada, entenda-se. Apenas apresento pessoas: janto com A, telefono a B, digo ao C que o D é «dos nossos». Sou um facilitador. A palavra inglesa é networker; a portuguesa, mais antiga e mais exata, prefiro não usar. E nada disto é ilegal, sublinho. Li a lei com muita atenção. Ajudei a escrevê-la.

Diretor-Geral e Secretário de Estado

Quando o partido voltou ao Governo, fui nomeado Diretor-Geral. Houve concurso, claro, com entrevista e avaliação de competências; concorri contra dois candidatos que nunca ninguém viu e ganhou o melhor, que por coincidência era eu. Na direção-geral conheci o meu velho amigo burocrata — o das confissões anteriores — do outro lado da secretária. Entendemo-nos imediatamente: ele não queria decidir, eu não sabia. O serviço funcionou em perfeita harmonia durante dois anos, isto é, não funcionou, mas em harmonia.


Depois, a apoteose nacional: Secretário de Estado. Adjunto de um Ministro Adjunto — a redundância é a forma mais pura do poder. Durei dezassete meses, cortei nove fitas, anunciei quatro planos estratégicos com horizonte em duas legislaturas de distância e caí numa remodelação sem ter feito rigorosamente nada, o que em política se chama sair de cabeça erguida. No dia seguinte à queda, o telefone tocou. Era o Partido. O Partido nunca abandona quem nunca o abandonou: é uma agência de emprego com hino.

Bruxelas

E assim cheguei aonde tudo conflui: Bruxelas. O meu amigo burocrata sonha com ela como quem sonha com o céu — estuda para o concurso, decora regulamentos, reza. Eu cheguei de avião, em executiva, com o cartão do partido em vez de bilhete: um gabinete, um cargo com nome comprido em inglês, uma agenda de pequenos-almoços de trabalho. Cá estou, a coordenar a articulação de políticas cuja execução acompanho com elevado interesse e nenhuma consequência. O vencimento é europeu, o imposto é simpático, a escola dos miúdos é internacional e Lisboa fica à distância exata: perto para ir aos congressos, longe para não me pedirem nada.

O segredo

Perguntar-me-ão qual é, afinal, o meu talento. Respondo sem falsa modéstia: a disponibilidade. Dizem que a política atrai os piores; é injusto. A política atrai os disponíveis — os melhores estavam ocupados. Enquanto os meus colegas de curso estudavam para a Ordem, eu montava cadeiras; enquanto faziam carreira, eu fazia congressos; e quando o país precisou de gente para os lugares, quem é que lá estava, pronto, testado, leal? A fila era eu. A fila sou eu. A fila, meus caros, somos nós — e não abrimos exceções.
O custo disto não aparece em nenhum orçamento: é toda a gente capaz que olhou para a política, viu a fila, e foi embora. Chamam-lhe seleção adversa; eu chamo-lhe segurança no emprego.

O que me estragaria a carreira

Há quem fale em reformas, e confesso que algumas me tiram o apetite. Reduzir os gabinetes e os cargos de nomeação política a um décimo. Concursos verdadeiramente competitivos para dirigentes, com júris independentes e atas públicas. Transparência total nas adjudicações — cada contrato, cada beneficiário, cada primo, pesquisável em dois cliques. Declaração obrigatória de filiação e de avenças para quem comenta política na televisão. Limites a saltar de um regulador para o setor regulado e de um gabinete para o fornecedor do gabinete. Nada disto exige génio; exige apenas vontade de fechar a agência de emprego.
Felizmente, quem teria de aprovar estas reformas fui eu, os meus, e os que hão de vir a ser eu. Durmo descansado.

Post scriptum

Preparo as minhas memórias, que sairão em breve com o título «Servir Portugal». O prefácio é de um Ministro que eu fiz; a revisão, de um assessor que herdei; a impressão foi adjudicada, por ajuste direto, à gráfica do meu primo. O lançamento será numa fundação pública, com vinho de honra pago por uma câmara.

Entretanto, o meu afilhado político acaba de entrar na Jota. Tem dezassete anos e já sabe exatamente quando bater palmas.

O país está entregue.
O  1640 . . . . PERDÃO,  2026 
Se exportássemos piadas e cartoons tínhamos não só crescimento da economia a pelo menos 3% como excedentes orçamentais !

AC
POLÍTICOS,  SUBVENÇÕES,  DECÊNCIA
(lido no Sapo Online; sublinhados da minha responsabilidade)

António Guterres continua a receber uma subvenção vitalícia atribuída pela Caixa Geral de Aposentações, no valor bruto de 4.138,77 euros mensais. O antigo primeiro-ministro, atualmente secretário-geral da ONU, tem a prestação ativa e sem redução em 2026, apesar de exercer um cargo internacional.

De acordo com a Sábado, a subvenção foi atribuída a António Guterres em 9 de abril de 2002, pouco depois de ter deixado funções públicas em Portugal. Em termos líquidos, o gabinete do secretário-geral das Nações Unidas confirmou à revista que Guterres recebe 2.925,06 euros por mês, valor que considera ter direito a auferir pelo trabalho desempenhado como primeiro-ministro de Portugal.

O caso contrasta com o de António Costa, que também foi primeiro-ministro e exerce atualmente um cargo internacional, como presidente do Conselho Europeu. Costa tem uma subvenção vitalícia atribuída desde 1 de abril de 2024, no valor de 3.113,71 euros, mas decidiu suspendê-la por iniciativa própria.

A subvenção vitalícia foi criada para antigos titulares de cargos políticos que, até 2005, reuniam mais de oito anos de exercício em funções como Governo, Parlamento, Presidência da República ou Tribunal Constitucional. Em 2005, uma alteração legislativa impediu novos beneficiários de acumularem tempo de serviço para aceder a este regime, mas salvaguardou os direitos de quem já cumpria os requisitos.

Segundo a Sábado, a lei prevê a suspensão da subvenção quando o beneficiário exerce determinados cargos públicos ou políticos remunerados, como deputado, eurodeputado, embaixador, juiz do Tribunal Constitucional ou gestor público. No entanto, os cargos internacionais não surgem abrangidos por essa regra, o que permite que a subvenção de Guterres continue ativa.

Em 2019, quando a lista voltou a ser publicada depois de uma interrupção, o Ministério do Trabalho e da Segurança Social, então tutelado por José António Vieira da Silva, justificou a manutenção da subvenção de Guterres precisamente com o facto de o exercício de cargos internacionais não ser uma das situações previstas para travar o pagamento.

A legislação também passou a limitar, desde 2014, o valor da subvenção quando existem rendimentos de atividades privadas superiores a três vezes o Indexante dos Apoios Sociais. Atualmente, esse patamar corresponde a 1.611,39 euros.

Mas a atividade desempenhada na ONU dificilmente poderá ser enquadrada como setor privado. A Sábado questionou o gabinete do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, que tutela a Caixa Geral de Aposentações, para perceber se é esse o fundamento jurídico que permite a manutenção da subvenção sem redução, mas não obteve resposta até ao fecho da edição.

O salário base do secretário-geral da ONU é estimado em 238.375 dólares anuais, cerca de 208.299 euros. Com ajustamentos adicionais, o rendimento de António Guterres em 2025 terá atingido 418.348 dólares por ano, equivalentes a 365.565 euros, além de outros benefícios associados ao cargo, como casa de função, segurança e motorista. Estes valores são líquidos, uma vez que os funcionários da ONU, tal como os de outros organismos internacionais, não pagam impostos.

A lista divulgada mensalmente pela Caixa Geral de Aposentações mostra que há atualmente 285 beneficiários de subvenções vitalícias. Destes, 230 recebem a prestação por inteiro e 14 têm redução parcial.

Há ainda 41 beneficiários com subvenção suspensa ou com redução total. Essa situação pode resultar de iniciativa própria, do exercício de funções políticas ou públicas remuneradas, ou de atividade privada remunerada acima do limite legal.

Entre os políticos que decidiram suspender a subvenção por iniciativa própria estão António Costa, Luís Marques Mendes, António Vitorino e Rui Gomes da Silva. Outros beneficiários têm a prestação suspensa por aplicação do regime legal.

Guterres é o quarto nome com valor mais elevado

António Guterres surge como o quarto beneficiário com a subvenção mais elevada na lista conhecida. O valor mais alto pertence a Jorge Rangel, atual presidente do Instituto Internacional de Macau e antigo membro do Governo de Macau, que recebe 6.633 euros mensais.

A seguir surgem José de Sousa e Brito e José Manuel Cardoso da Costa, ambos juízes conselheiros do Tribunal Constitucional. Guterres aparece depois, com os 4.138,77 euros brutos mensais.

Na lista constam ainda nomes como José Sócrates, que recebe 2.372 euros, Bagão Félix, Assunção Esteves, Miguel Relvas e Jerónimo de Sousa, entre outros antigos titulares de cargos políticos.

Menos beneficiários do que em 2005

Apesar dos casos que continuam ativos, há hoje menos beneficiários do que em 2005. Nesse ano, a lista contava com 318 pessoas. Atualmente, são 285, menos 33.

Nos últimos dez anos, apenas 17 beneficiários entraram no regime, devido ao facto de a lei ter deixado de permitir a acumulação de tempo de serviço para novas subvenções, mantendo apenas direitos adquiridos antes da alteração legislativa.

Ficam fora desta lista os antigos presidentes da República e os ex-titulares de cargos políticos da Região Autónoma da Madeira, uma vez que essas subvenções são atribuídas e pagas, respetivamente, pela Presidência da República e pela Região Autónoma
.

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As decisões individuais ficam com cada um, mostram um pouco do que cada um é realmente, para lá das suas proclamações ou das dos seus seguidores/ sequazes.

A diferença entre Costa e Guterres nesta matéria é curiosa! 
O pântano não apareceu por milagre!

Bom dia, tenham uma boa 5ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

"DÓI-ME  A  IMAGINAÇÃO  NÃO  SEI  COMO,  MAS  É  ELA  QUE  DÓI"

(Álvaro de Campos)

AC

Oh Shor VENTURA, Atão, não diz nada ?
Um amigo enviou-me esta delícia.

AC
INCÊNDIOS  À  PORTUGUESA

A propósito do que depois de 1974 ano após ano nos "assalta" cada vez mais, Henrique Pereira dos Santos (HPS) voltou a dar uma opinião sobre o assunto.

Dizem-me décadas de experiência de vida que é difícil alguém ter 100 % de razão em determinado assunto.
Salvo melhor opinião estou convencido de que HPS tem razão em muitos aspectos inerentes ao "mundo" dos incêndios.

Uma das vertentes que aborda é a história das ignições noturnas. Poderá ser exagerada a culpabilidade deles para todos os incêndios, mas o historial dos últimos anos mostra que incêndios nocturnos ocorreram com ignições separadas, pouco espaçadas no tempo e espaço, passado pouco tempo de se estar a começar a combater num local. 

Sublinho a vermelho outros aspectos em que me parece HPS tem alguma razão.

António Cabral (AC)


A COLIGAÇÃO (HPS), 08 jul. 2026
É a coligação entre poder autárquico, associações de bombeiros, protecção civil e jornalismo que tem mantido um conjunto de mitos inúteis sobre a gestão de fogos

Imaginemos que um Ministro da Administração Interna, de qualquer governo ou partido, olhando para as previsões meteorológicas, se estava nas tintas para o esquizofrénico esquema de alertas que usamos e, falando com quem sabe do assunto, resolvia dirigir-se ao país, dizendo qualquer coisa deste tipo:

Dentro de dois dias entra vento forte de Nordeste e Leste que está associado a condições especialmente favoráveis à progressão do fogo, de maneira que nas regiões tal e tal, onde o FWI previsto é tal e tal,
qualquer incêndio que ocorra, havendo combustível, rapidamente está para lá da capacidade de extinção.

Pedimos especial cuidado para evitar o uso do fogo, quer intencional, quer resultando do trabalho normal que vai havendo,
mas sabemos que não há maneira de eliminar todas as ignições.

Assim sendo, e durante X dias em que se prevê que o vento esteja forte a muito forte e estas condições se mantenham,
haverá, inevitavelmente, fogos incontroláveis, provavelmente de grandes dimensões.

Durante esta crise de incêndios, que provavelmente será muito séria, os instrumentos de gestão que temos são muito escassos, exigindo informação, preparação, disciplina e, em muitas circunstâncias, a consciência de que o essencial não é atacar frentes de fogo que estão para lá da capacidade de extinção, mas trabalhar as laterais e oportunidades de redução de combustível no percurso previsível do fogo.

Estas oportunidades podem estar a vários quilómetros das frentes de fogo, para dar tempo para se executarem as operações de redução de combustível que permitam, quando a frente aí chega, reduzir a sua intensidade e permitir o ataque, tentando controlar projecções.

Nem sempre será possível ter êxito e é provável que haja incompreensão das populações afectadas pela progressão da frente de fogo ao verificar a ausência de combate imediato e a concentração dos recursos em áreas que, aparentemente, estão longe dos locais em que parece que seriam necessários, mas este tipo de actuação é o único passível de gerar resultados em condições meteorológicas e de acumulação de combustível como as que se verificam, havendo instruções muito claras de evacuação de todas as pessoas que se prevê que possam ficar em risco com a progressão das frentes de fogo.


O ministro teria dito o que deveria ser dito, mas nas semanas seguintes deixaria de ser ministro, tal seria o clamor que se levantaria contra um ministro que em vez de dizer inanidades sobre ignições nocturnas, comportamentos das populações, posicionamento de meios, reforço de meios aéreos, heroicidade dos bombeiros, esforço altruísta de tantos homens e mulheres, aumento dos milhões alocados aos fogos, resolvesse descrever a realidade com a consciência de que o fogo, em algumas circunstâncias, progride de uma forma que está para lá na nossa capacidade de o controlar, quaisquer que sejam os meios que tenhamos à nossa disposição.

A oposição política, o poder autárquico, as associações de bombeiros e o meio mediático cairiam em cima do ministro com o argumento de que aos ministros não cabe arranjar desculpas para o falhanço do Estado na gestão de incêndios, cabe é resolver os problemas das pessoas.

E é a mesma coligação entre poder autárquico, associações de bombeiros, protecção civil e jornalismo, que tem permitido o crescimento impressionante dos recursos que todos os anos o país dedica ao assunto, sem qualquer evidência de que esse aumento de recursos tenha qualquer relação com os resultados que vão sendo obtidos.

É esta coligação que tem mantido, quase sem alterações, um conjunto de mitos inúteis sobre a gestão de fogos e que se poderia ilustrar com uma história cuja veracidade e rigor não sei aferir, mas que, se for inventada, terá sido por quem conhece bem o meio.

Proporcionou-se uma viagem de troca de experiências com bombeiros canadianos na gestão de fogos, esperando-se que as chefias portuguesas dos bombeiros conseguissem absorver conhecimento e técnica de combate a fogos florestais num dos países com melhores desempenhos nessa matéria, até por ter, incêndios de dimensões inimagináveis em Portugal.

Quando perguntados sobre o seu grau de satisfação com o que teriam aprendido com os canadianos, a resposta foi lapidar: havia uma satisfação muito grande com a quantidade de coisas que tinham ensinado aos canadianos.

Como não avaliamos o suficiente e temos a certeza de ser os melhores do mundo (“nunca um incêndio ficou por apagar”, nas imorredoiras palavras de Jaime Marta Soares), vai mesmo demorar muitos anos antes que seja possível outra doutrina, outro modelo político, de gestão de fogos florestais em Portugal.
PERFIL . . . 
Pois, . . . . o perfil . . . . 

AC
9  JULHO  2025
DIA MUNDIAL DO DESARMAMENTO
> 1832 - Tropas liberais cercam o Porto
> 1870 - A abolição da pena de morte é alargada ás nossas colónias
> 1877 - Primeira edição do torneio de ténis de Wimbledon
> 1949 - Fundação da Sociedade Portuguesa de Cardiologia
> 1972 - Nasce Ziggy Stardust alter ego de David Bowie
> 2001 - Restos mortais de Amália Rodrigues transladados para o Panteão Nacional
AC 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

A  SAGRES
O navio escola Sagres da Marinha está nos EUA.
Salvo melhor opinião esta fotografia merece elogios.

AC

 1 0 1

Para muitas pessoas será, como se vê lá no lar, uma coisa extraordinária.

Em grande medida é de facto extraordinário, chegar a esta idade com uma cabeça fantástica atendendo à idade.

Mas há o reverso da medalha, a cabeça tem plena consciência da grande degradação física, mobilidade, quase cegueira, quase surdez.

Imagino que seja terrível, é de certeza terrível, e isso apenas comigo Ela o confessa. Para todos os outros a fachada, disfarça, sorri e conversa, conversa muito, e pergunta, e deseja saber e perceber por exemplo - este mundo em que está tudo maluco - uma das suas clássicas expressões.

Sim, sorrimos, foi o dia o melhor possível, atentas as circunstâncias, muito penosas. É viver sem qualidade, injusto como ela diz. 

E de hoje para amanhã dia ainda mais difícil, aniversário (9JUL) do meu irmão (mais novo que eu) falecido em 27 de Agosto de 2009 depois dum sofrimento atroz de 8 meses e 8 dias.

Somar a isso, 9JUL, ser o dia em que o meu pai faleceu (2011). Faleceu no dia em que o 2º filho nascera; a vida tem cada uma.

É a vida, já dizia o pastoso, mas não é fácil.

A saúde é o verdadeiro Euromilhões da vida.

Hoje, aqui, 8 Julho de 2026

AC

AINDA  a  RECENTE  GREVE  GERAL

A recente greve foi formalmente decretada pela CGTP e denominada geral embora, formalmente, não tenha sido geral pois a associação sindical UGT não acompanhou os seus companheiros de luta.

Portanto, formalmente, uma greve que só foi geral no paleio, não apenas mas basicamente vermelhusca.
E quanto à adesão real, certamente houve adesão fora do quadro CGTP mas creio que não tanta como a CGTP declarou. 
Mas mais do que o governo pateticamente desvalorizou

Além da greve dita geral, quer a CGTP quer os seus associados trataram de organizar mais umas greves e mais uns plenários. 
Os plenários não são greves mas, na prática, e por exemplo os professores, nesses dias não dão aulas.
Se forem os funcionários das escolas (os chamados não docentes) mas os professores estejam prontos para dar aulas não há aulas na mesma, pois os funcionários não abrem as escolas. Não é lindo?

Já aqui falei nas diferentes e diversas interrupções de aulas que tem atingido o meu neto que terminou há 8 dias o 2º ano de escolaridade.
Os professores voltaram a não dar aulas (Setúbal) várias vezes.
E o neto passou o tempo connosco nesses dias.

Relativamente a isto houve uma curiosidade, uma coisa que fiquei a saber.

A nossa mulher a dias (*), na realidade uma ou periodicamente duas vezes por semana (habitualmente ela vem só às 4ª F), uma senhora Moldava (está cá há 15 anos com o marido, um dos filhos e nora e os dois netos) de 60 anos, e que tem um jeito enorme para crianças, adora crianças, ficou espantada ao ver o nosso neto em casa sobretudo depois de perceber que se devia a greve/ não haver aulas.

"No meu país quase não há greves e as aulas não são interrompidas, há sempre outros professores para preencher faltas"

Vendo isto como "comprei"!

Apeteceu-me dizer-lhe - pois mas isto aqui é a Tugolândia, em que a greve e BEM tem proteção Constitucional mas, a par disto, por cá é tudo uma rebaldaria e uma palhaçada pegada, sem rei nem roque, fazem o que lhes aprouver, estão-se borrifando para as consequências a prazo para a sociedade.

Mas fiquei calado. 

AC

(*) o padreca diz que é a senhora que ajuda lá em casa)

HISTORIETA

historietas que exemplificam lindamente a canalhice, aldrabice, vigarice, a descarada ausência de vergonha na cara.

Um muito conhecido responsável (???) governamental andando um dia por uma vila do interior abandonado foi abordado por uma idosa:

- Sr Dr, a gente aqui tem dois problemas muito graves

- Qual é o primeiro ?

- Não temos médico.

O dr afastou-se, pegou no telemóvel e enquanto ia caminhando para um lado e outro ia falando, e ao fim de uns minutos abordou a idosa.

- Pronto, amanhã chega um médico! Qual é o segundo problema ?

- Sr dr, aqui não temos rede móvel !


Bom dia, boa 4ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da Vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

NÃO   É   NADA  DE  ADMIRAR

Não é de admirar que a criatura se ria do Estado, se ria dos ex e actuais titulares de órgãos de soberania, se ria dos tribunais (onde tem pelo menos um grande amigo) e se ria do MP em particular.


Então com este a quase decidir a sua inocência e com colega que manda pagar uns milhares à criatura sem ter havido provas firmes e identificação de culpado na máquina do estado, como não se há-de rir a criatura.

AC

AGÊNCIAS   REGULADORAS
Em Portugal, à semelhança do que se passa em outros países, as agências reguladoras regulam de facto . . . . Ooops !
A independência dos Reguladores por cá é um facto . . . Ooops !

Eu não percebo nada destas coisas, como cidadão limito-me a observar a acção positiva . . . . dos reguladores, como por exemplo nos combustíveis . . . . Ooops !

Como nada percebo destas coisas, admito que fosse necessário reformar o modelo de supervisão, das várias agências reguladoras, combustíveis, comunicações, financeiras, seguradoras, etc. 

Mas reparei há dias num artigo de Carlos Tavares em que defendia a reforma da regulação financeira e em que dizia uma série de palavrões técnicos como, supervisão microprudencial, macroprudencial e estabilidade financeira.

Pareceu-me que o senhor estava de acordo com o actual governo quanto à necessidade de reforma do sistema de regulação financeira mas vi imensas críticas e preocupações.

E uma das coisas que Tavares apontava dizia respeito à escolha das pessoas sendo isso ainda mais importante do que o que estiver escrito em letra de lei. Falava o senhor em concursos internacionais e audições prévias de selecionados na Assembleia da República.

E Tavares afirmou-se incrédulo (minha interpretação)  por ver afastados concursos públicos.

Tavares escreveu assim:
1ª perplexidade - se é difícil definir os critérios de seleção, com base em quê vai o Governo escolher os reguladores? 

2ª perplexidade - o facto de uma decisão poder ser legalmente contestada justifica uma via menos adequada por não estar sujeita a contestação? 

Remate delicioso de Tavares - Não faz sentido que a nomeação dos dirigentes dos serviços públicos em geral exija – e bem – um concurso público e a dos reguladores independentes continue a ser feita por livre arbítrio dos governos.
. . . . . . . 
De tudo isto, resulta um apelo simples: que o Governo siga o seu programa eleitoral sobre as Entidades Reguladoras (está lá o essencial ...), reformule a governação das Autoridades e promova uma reforma do modelo de supervisão financeira bem pensada por especialistas. Para que não demos passos em volta ou, pior, passos atrás…


Como disse acima, não percebo nada destas coisas.
Como comum cidadão, o que verifico é que a vida em Portugal está pela hora da morte e a eficácia dos reguladores . . . . . Ooops !

Verifico, também e a fazer fé em Carlos Tavares, que o programa da AD falava no assunto e parecia estar bem delineada a coisa.
Aparentemente, olhando bem as palavras de Tavares, estará a ser preparada uma cagada (perdoem o vernáculo)

O costume, portanto.
AC
8  JULHO  2026
Dia da Alfabetização
Feriado Municipal, Amarante, Chaves
> 1497 - Parte de Lisboa a expedição de Vasco da Gama
> 1809 - Lord Byron chega a Lisboa
> 1832 - Portugal, guerra civil, tropas liberais desembarcam no Mindelo a Norte do Porto
> 1839 - Nasce John D. Rockefeller
> 1879 - EUA, nasce a Bell Telephone Company
> 1899 - Nasce George Cukor
> 1988 - Banco Totta Açores e a UNICER são privatizados
AC

terça-feira, 7 de julho de 2026

E N T E R N E C E D O R

AC 

 O  TRUMP  NÃO  VAI  GOSTAR  DISTO

AC

IMPORTA-SE  de  REPETIR ?
Operação Marquês. Julgamento de José Sócrates será presidido por juiz com menos de quatro anos de carreira
O magistrado assume o coletivo que vai julgar o processo secundário da Operação Marquês, depois de o anterior juiz-presidente ter sido nomeado vogal do Conselho Superior da Magistratura.

Presumo que isto corresponderá à realidade.

Pela minha parte não precisava de mais "ISTO" para ficar com a certeza do "TRÁGICO" em que há muitos anos transformaram o sistema de justiça de Portugal.

Do trágico que é dia a dia confirmar que se vive na TUGOLÂNDIA e não no regime que a CRP estabelece, DEMOCRÁTICO e de DIREITO.

AC

VACAS  a  VOAR

Terá sido aqui que o sem vergonha na cara se inspirou no passado para mais uma das suas patéticas tiradas ?


AC

WHEN  I  WAS  YOUNG  I  DECIDED  TO  GO  TO  MEDICAL  SCHOOL.


AT  THE  ENTRANCE  EXAM  WE  WERE  ASKED  TO  REARRANGE  THE  LETTERS

P N E I S


AND  FORM  THE  NAME  OF  AN IMPORTANT  HUMAN  BODY  PART,  WHICH IS  MOST  USEFUL  WHEN  ERECT.


THOSE  WHO  ANSWERED  SPINE  ARE  DOCTORS  TODAY,  WHILE  THE  REST  ARE  ON  FACEBOOK  AND  MANY  OTHER  SO   CALLED  SOCIAL  NETS


Divinal, creio eu.

AC