CATÁSTROFEPACOTE de APOIOS, RESULTADOS
Onde estão os Resultados?
A 28 de Janeiro passado começou a desabar sobre Portugal uma catástrofe das piores até hoje.
Começou a desabar sobre centenas de milhar de portugueses uma TRAGÉDIA incalculável.
Creio que a 26 de Janeiro se estimava já com segurança a chegada de horríveis tempestades, comboios de chuva, e outras coisas com nomes estranhos.
Explicações científicas várias, que pouco ou nada dizem a 99,5 % dos portugueses.
A partir dessa data desabaram realidades brutais, como inundações brutais, cheias brutais, destruições brutais, desabamentos e desmoronamentos vários por todo o lado, mortes trágicas de vários portugueses, telhados desaparecidos, telhados parcialmente destruídos, casas arrasadas, empresas/ fábricas/ armazéns/ edifícios diversos arrasados ou parcialmente destruídos, animais mortos, estradas parcial ou completamente destruídas, bens das pessoas totalmente destruídos, etc. etc. etc. etc.
A 2 de Fevereiro passado ou seja 7 dias depois, o governo formalmente em exercício de funções anunciou um pacote de apoios para pessoas e empresas no valor de 2,5 mil milhões de Euros.
O governo anunciou também a criação da uma Estrutura de Missão liderada pelo autarca Paulo Fernandes.
Uma estrutura a juntar às anteriores, a juntar a estudos, a juntar a grupos de trabalho, a juntar a comissões, a juntar a "task forces", a juntar ao esterco habitual. O costume!
No dia 8 de Fevereiro António José Seguro passou de cidadão candidato a Presidente da República eleito.
Na noite vencedora, no seu discurso de vitória, que globalmente me pareceu um discurso equilibrado, o Presidente eleito declarou que logo que empossado irá ver se os apoios começaram de facto a chegar às pessoas.
Nas vésperas de 8 de Fevereiro, Luís Montenegro anunciou o número de empresas que já tinha acedido / que já se tinham inscrito para os apoios.
Em 11 de Fevereiro o Presidente eleito começou a trabalhar em Queluz certamente com pelo menos dois objectivos:
- fazer convites, construir/ estruturar as suas casas civil e militar,
- ir anotando tudo o que se está a passar no país, com o governo, com os partidos de oposição, com as instituições, e delinear as suas acções designadamente para as primeiras semanas como Presidente, e lá para 6 de Março começar a esboçar o discurso de posse.
Em 11 de Fevereiro, todos os políticos excepto os do PSD, começaram a clamar - onde estão os apoios passados que estão 9 dias sobre o anúncio do pacote de apoios?
Em 11 de Fevereiro, todos os políticos excepto os do PSD se regozijaram com o pedido de demissão da inarrável ministra da administração interna.
Todos eles se regozijaram com a evidência por eles detectada de que o governo falhou, está a falhar.
Quanto a alguns quase me fica a sensação que se regozijaram com as desgraças alheias e o falhanço do Estado/ governo/ proteção civil.
Em 11 de Fevereiro, começaram a ser mais verbalizados na praça pública as iras as zangas e as perguntas como, onde estão os resultados?
Quem é que já recebeu os apoios prometidos, qual o valor pago e executado?
Quantas casas já foram reconstruídas?
Ou quantas empresas já aderiram ao lay off simplificado?
Quantos empregos foram preservados?
Estas respostas são necessárias, dizem alguns. Serão.
Perguntas certamente legítimas vindas até de pessoas usualmente moderadas (incluindo jornalistas como Luís Rosa) na apreciação das coisas, pondo de lado ideologias e sectarismos.
Esta é a cronologia até 11 de Fevereiro, dia em que um dique no Mondego colapsou.
De 11 de Fevereiro até ao presente houve a angústia em Coimbra e para jusante, que não se concretizou, começou a chover menos, as populações angustiadas a confirmar as enormes perdas.
Agora alguma observações.
Já o escrevi aqui antes, creio que o governo reagiu tarde, e presumo que sobretudo por responsabilidade directa da senhora ex-MAI, mas Luís Montenegro devia ter tido mais "olho". É formalmente o primeiro responsável. Parece que se esquece muito disso.
Outras observações:
* Marcelo e governo nitidamente atarantados com a dimensão da tragédia a que os acontecimentos em Alcácer do Sal Leiria Coimbra e Montemor-o-Velho deram acrescida dimensão; daí, também, distribuir garrafas de vinho com "obrigado".
* a presidente da Câmara de Coimbra mostrou-se nesses momentos avassaladores uma competente dirigente, sem papas na língua, moderada, assertiva, pragmática.
* os seus camaradas de partido, Carneiro, Delgado Alves, Brilhante, e outros devem ter ficado irritadíssimos com o que ela disse, com frontalidade, acerca da acção e colaboração do governo.
* os seus camaradas de partido como um certo Pinto ainda mais irritados devem ter ficado quando ela disse que o Exército e os fuzileiros a contactaram directamente logo de início.
* a fazer fé em dois ex-bastonários da ordem dos engenheiros em que um deles foi até dirigente máximo do importante mas esvaziado LNEC, e se não me engano em reproduzir o que ouvi da boca deles, em 2001 a extinção do Instituto da Água é capaz de ter sido errada.
* mais errado ainda outra coisa, que a "obra" do Mondego (dezenas e dezenas de Km de diques e outras infra-estruturas), não tenha uma gestão idêntica à existente por exemplo em Alqueva; pior ainda, que rupturas de 2021 não tenham originado uma avaliação séria de todo esse sistema.
* eloquente que no "sistema" muitos dos ditos sifões estejam basicamente inoperacionais porque entupidos!
* pelas notícias, há já uma lista imensa de pedidos de ajuda no âmbito dos apoios para já definidos; mas a realidade é que as coisas demoram tempo. As seguradoras a fazer a análise da activação dos seguros, demora desesperante mas creio que não deve ser fácil fazer esses relatórios, pois por exemplo, um telhado destruído porque era antigo suportado em vigas de madeira, é razoável que seja recuperado com estrutura de metal leve como actualmente se faz em muitos casos e, portanto, é necessário quantificar custos e verificar se a casa aguenta a nova estrutura.
* O que quero dizer com o exemplo acima é que é forçosamente demorado fazer a avaliação técnica para recuperar com os materiais actuais casas, armazéns, estufas, fábricas, muros etc.
* A destruição (nada comparável com as tragédias que são triste notícia há mais de 15 dias nas TV) que tenho observado em partes dos concelhos de Castelo Branco e Idanha-a-Nova é elevada, em muros, postes, sinalética diversa, cablagens de comunicações, linhas de transporte de energia, danos e buracos em ruas e estradas, arvoredo, propriedades agrícolas.
* A contabilização final/ total dos prejuízos do Minho ao Algarve será certamente monstruosa.
Finalmente e por agora, a burocracia no Estado é de facto coisa terrível, tremenda mas, por outro lado tem ensinamentos curiosos: houve quem estivesse em calamidade há pouco mais de 15 dias, mas a calamidade já passou.
Não levem a mal, mas não por ser Carnaval, não levem a mal porque é Portugal
António Cabral (AC)