O CIRCO de S. BENTO
Durante conversa telefónica ao fim da tarde de ontem um amigo recomendou-me que fosse ao canal TV da Assembleia da República e andasse para trás usando a tecnologia, começando a visualizar a "sessão" ás 1430 horas.
Lá fui e o mínimo que se pode dizer é que o espectáculo a que assisti nem consegue ser classificado como deplorável ou nojento.
A bancada do Chega é qualquer coisa cada vez mais "inadjectivável".
Ventura e o careca a seu lado são qualquer coisa inarrável.
No plano dos princípios, em que procuro sempre colocar-me, o partido Chega tem que ser democraticamente respeitado, pois um número muito relevante dos meus concidadãos entendeu que devia votar neste partido.
Respeitosamente considero que esses meus concidadãos não ponderaram suficientemente. Trata-se naturalmente de um partido legalmente instituído. É um partido que tem andado às voltas com aspectos estatutários - burocrático - administrativos - jurídicos que têm sido avaliados pelo Tribunal Constitucional.
Posso estar enganado mas ia jurar que esses assuntos não estão resolvidos.
Como resolvido não está o tristemente famoso caso do assalto e vandalismo no gabinete do Chega na AR, caso que cada vez mais cheira a encenação dos próprios. Os próprios, do Chega, que se refugiam em prerrogativas legais que recordam uma completa ausência de coerência e princípios.
Mas voltando ao que fui visualizar e nisso gastei 25 minutos do meu precioso tempo, o que assisti foi só mais um passo no sentido da degradação e tentativa de destruição da dignidade e do bom funcionamento das instituições.
Respeitar democraticamente o partido não inibe que o critique.
E, assim, Ventura e sequazes demonstram à saciedade estarem apenas interessados em deploráveis espectáculos, estarem apenas interessados que os "pés de microfone" estejam constantemente a correr para junto deles e ouvir-lhes as gritarias e apreciar os vómitos, dar-lhes permanente presença nos canais televisivos. A toda a hora.
Com é público e notório, Ventura tem alguma razão quando recorda a quantidade de problemas em autarquias onde o PS tem papel relevante, relevante em muitas autarquias e relevante no âmbito dos inúmeros casos de justiça e poucas vergonhas.
Ventura tem razão quando diz que a causa dos problemas actuais na nossa sociedade resultam da acção política particularmente de PSD e PS. Lamentavelmente (opinião pessoal naturalmente) Ventura e sicários não demonstram com rigor e em concreto como realisticamente resolver os nossos problemas.
Se Ventura fosse politicamente honesto e isento e rigoroso e não o espalha brasas politicamente ordinário, apontava em concreto todos os tristes casos envolvendo pessoas do PS mas também do PSD, e do seu próprio partido, mas nominalmente. Não o faz.
Ventura parece estar interessado em destruir a PJ como interessado parece estar em destruir muito mais coisas.
Ventura continuará assim convencido que mantém votos.
Para democraticamente o derrotar era necessário que, não só eles mas principalmente, PSD e PS regressassem a partidos sérios e a servirem Portugal.
Infelizmente, é a minha opinião, não estamos aí. Quer no PS, PSD, IL, Livre, CDS, BE, PCP, muitos dos que por lá esbracejam e gritam, servem-se dos cargos para que foram eleitos. Não servem a sociedade. Oxalá eu esteja enganado.
AC










