MUITO ANTES
DURANTE ANOS COMENTOU, COMENTOU, COMENTOU, e DIZIA QUE NÃO DORMIA.
Sabedor do que é a sociedade portuguesa, o povão, nada de essencialmente diferente do povão de antes do 25 de ABRIL, sabia que o anestesiava. ANESTESIOU!
Ciente que Guterres não queria Belém, AVANÇOU!
Os 10 A N O S como Presidente
Ao ENTRAR
Tinha feito dois discursos (na noite de vitória, no acto de posse) que apreciei e me convenceram da justeza de nele ter votado em 2016. Entrou com alegria, entusiasmo, com preocupação em trazer os portugueses para a vida comunitária, para confiarem nas instituições.
Nos primeiros anos assim foi no essencial, ainda que com uma parvoíce aqui ou ali.
A começar a deteriorar a sua imagem e, pior, a apalhaçar o orgão de soberania de que é/era titular.
A comentar tudo e mais alguma coisa, a mudar ou não de facto de banho, a roubar batatas fritas, a matraquear o passeio com a máquina do calceteiro, a comentar alguém que por acaso é filho, etc.
Ao SAIR
Na minha opinião, discutível naturalmente, mas a respeitar (como respeito SEMPRE opiniões de outrem, quer discorde quer concorde), e como fui escrevendo ao longo do tempo, a minha apreciação é de cerca de 4 anos muito positivos, 2 anos e pouco a estoirar o "capital" justamente granjeado, e o restante tempo a cada vez mais apalhaçar o cargo.
Qualidades invejáveis, inteligência superior, um trajecto de vida valioso. Bagagem cultural notável.
Pergaminhos infelizmente desbaratados particularmente nos últimos tempos.
Marcelo Rebelo de Sousa demonstrou mais uma vez porque não me deixa grande saudade. Votei nele (a alternativa era para mim horrível) para o primeiro mandato, votei branco para o segundo (alternativas para mim desprezíveis).
Creio que houve quem dissesse - Marcelo Rebelo de Sousa precisava que alguém o ajudasse a terminar o seu mandato com um mínimo de dignidade. Esqueceram-se do EGO dele!
Provavelmente, nunca se saberá, Marcelo Rebelo de Sousa atirou-se para Belém para coroar a sua vida. Sempre um EGO desmesurado.
Falhou completamente como "chefe" do PSD e isso deve tê-lo desgostado. Não conseguiu ser PM.
Vingou-se de certa forma com décadas de comentador, saltando entre canais TV e assim anestesiou milhões de portugueses.
Curiosamente, ganhou os dois mandatos com votações relativamente frouxas. A distância do que obteve Seguro.
Como acima já referi, indiscutivelmente muito inteligente, culto, fluente em línguas e por vários considerado brilhante, mas como ele próprio disse (acima recordei) não o fazia automaticamente bom Presidente da República.
Às suas indiscutíveis qualidades juntou, imprudentemente, vaidade exacerbada, mania da infalibilidade, ausência de noção do ridículo, e um ego não domesticado.
No seu desempenho, em diferentes ocasiões abusou do poder borrifando-se para o que a CRP estabelece como competências do PR quanto a outros órgãos. Como eloquentemente e com rigor Constitucional, Vital Moreira denunciou.
Pessoalmente, a par com Costa, considero-o o garante do imobilismo em que permanecemos. Muita retórica, muito populismo bacoco, Portugal na cepa torta de sempre. O por ele dito "o melhor país do mundo". Patético.
Em síntese, dissolveu a autoridade moral. A sua liderança pelo exemplo foi, quanto a mim naturalmente, má.
Um popularucho que em boa parte acabou por mostrar ao povão que afinal se calhar é de desconfiar de algumas instituições sobretudo quando lá estão certas criaturas como titulares.
Sai de Belém tendo contribuído com Costa e Rio para o aparecimento do execrável Chega.
Pronunciando-se, instantaneamente sobre tudo por mais caricato que fosse, pronunciando-se de manhã, à tarde, à noite, de madrugada.
A sua prioridade sempre foi - gostem de mim, amem-me. É pouco.
A sua maior originalidade é de facto surpreendente, é a minha opinião. Mas, tragicamente creio eu, o retrato acaba por ser um bom resumo do que é e sempre foi Marcelo Rebelo de Sousa, uma errática criatura, saltitante e inconstante, feita de colagens ansiosas. Mas sempre, SEMPRE, com o arpão na cauda pronto a ser espetado em alguém!
9 de Março de 2026 . . . . . . . Ufff . . . . . . .
Infelizmente, creio que não erro muito nesta síntese.
Nem as inúmeras idas ao Vaticano o puderam salvar.
Artur Portela Filho, Vasco Pulido Valente e outros bem o topavam.

Naturalmente, como sempre, admito estar a ver mal as coisas.
Mas por exemplo, não me consigo recordar de nada - ideia, proposta ou outra coisa - razoável, racional, brilhante, consistente, saída da sua esfuziante cabeça!
Mas, sinceramente, destratar publicamente um filho, selfies sem fim, beijinhos sem fim incluindo na barriga de grávida, mudar de fatos de banho em frente de toda a gente, quase parecendo querer rivalizar com ídolos Pimba ou celebridades, ou passar discursos a dizer que os militares portugueses são os melhores entre os melhores, é muito pobre para exercício de órgão de soberania, para não dizer confrangedor.
António Cabral (AC)