Chapéus há muitos
Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
terça-feira, 16 de junho de 2026
Esta a pergunta que a mim próprio venho colocando a propósito do actual inquilino em Belém, o Presidente da República António José Seguro.
Não repetiu a patética frase Marcelista - somos os melhores dos melhores - mas andou perto, sonha, e pediu que façam sonhar os portugueses cá e lá fora. Recordou a fibra e alma portuguesas.
Contrariamente a Marcelo, Seguro não se afigura maquiavélico, matreiro, astuto, velhaco, alguns andam a dizer que não passa de uma banalidade, que não é moderado mas apenas banal sem interesse, que acaba por não ser nada. De facto, a ver pelos discursos até aqui parece querer contentar tudo e todos, coisa que não existe na vida real.
E volto à minha pergunta: estou a ser injusto?
SERÁ ?
Será que um dia destes o SMN vai decretar uma greve não por causa das urgências, ou do INEM, ou porque Joana Bordalo e Sá está irritada como de costume porque nunca mais volta uma geringonça, ou porque a rede informática do SNS foi abaixo, ou porque Seguro não pára de nos adormecer com discursos bíblicos, mas porque o safado do estetoscópio afastou o método que a figura recorda?
AC
Li com interesse a crónica de Anselmo Crespo sobre a greve geral (Uma greve geral que sabe a férias) de 3 de junho.
Permita-me, por isso, um convite à reflexão.
Quando se discutem horários, descanso, trabalho suplementar ou direitos laborais dos médicos, não estamos apenas a discutir condições de trabalho. Estamos também a discutir a segurança dos doentes. Um médico exausto toma decisões complexas em condições cada vez mais adversas, com consequências que podem atingir qualquer cidadão. É por isso que esta discussão diz respeito a todos.
O argumento central da crónica assenta numa perplexidade repetida ao longo de vários parágrafos: se a maioria das alterações ao Código do Trabalho não se aplica aos funcionários públicos, quais são as razões para tantos trabalhadores do Estado aderirem à greve geral?
A resposta é simples: porque a premissa está errada.
A chamada Reforma Laboral corresponde a um conjunto vasto de alterações ao Código do Trabalho que o governo pretende introduzir e cujos efeitos extravasam largamente o setor privado. Desde logo porque milhares de médicos trabalham com Contrato Individual de Trabalho no Serviço Nacional de Saúde.
Talvez por isso a questão relevante não seja perceber porque fizeram greve os médicos, mas antes perguntar se alguém considera aceitáveis algumas das mudanças propostas.
Considera razoável que um empregador possa opor-se à reintegração de um trabalhador ilicitamente despedido, substituindo esse direito por uma indemnização?
Considera adequado alargar a subcontratação, permitindo substituir postos de trabalho permanentes por empresas externas, frequentemente associadas a vínculos mais frágeis, salários inferiores e menor proteção laboral?
Considera aceitável eliminar o luto gestacional, apagando da lei o reconhecimento de uma perda profundamente dolorosa para as famílias? Saberá o autor da crónica o que significa perder um filho antes mesmo de o poder conhecer?
Considera normal restringir o acesso ao horário flexível e permitir que profissionais com filhos menores de 12 anos possam ser obrigados a trabalhar à noite, aos fins de semana e em feriados? Conhecerá a realidade de uma médica que, depois de uma noite inteira de urgência, regressa a casa para cuidar e amamentar um bebé?
E, no caso concreto dos médicos, considera compatível com a segurança dos doentes a desregulação dos horários de trabalho?
Na sua crónica, Anselmo Crespo refere que o banco de horas obrigaria os médicos a trabalhar mais duas horas por semana.
A diferença entre duas horas por semana e duas horas por dia não é um detalhe.
Quando um médico termina uma noite de urgência, toma decisões clínicas complexas após muitas horas de trabalho consecutivo. Quando o mesmo médico regressa ao serviço no dia seguinte, acumulando fadiga física e desgaste emocional, a discussão sobre horários deixa de ser uma abstração ideológica para passar a ser uma questão de segurança clínica.
É por isso que os médicos aderiram à greve geral.
Fizeram greve porque sabem que a qualidade dos cuidados de saúde depende também das condições de trabalho de quem os presta.
Anselmo Crespo termina a sua crónica lamentando a falta de capacidade reformista do país.
Talvez seja precisamente isso que esta discussão mereça: menos perplexidade e mais análise.
Oncologista médica, presidente da Comissão Executiva do SMN
> 1723 - Nasce Adam Smith
> 1912 - I República, Duarte Leite torna-se o 4º presidente do Ministério, vai aguentar-se no cargo 207 dias
AC
segunda-feira, 15 de junho de 2026
BEM LEMBRADO
Como bem lembrado por uma pessoa que muito respeito, Timothy Garton Ash entende que o continente europeu está sob ataque militar da Rússia, económico da China e político dos Estados Unidos.
Concordo com Timothy Garton Ash.
Mas, respeitosamente, Timothy esqueceu-se de referir outra importante decisiva e lamentável coisa: que a Europa está há décadas e décadas sob constante ataque por parte de imbecis e incompetentes que têm estado à frente dos governos e parlamentos europeus.
Muitos só se têm servido dos cargos que ocuparam.
AC
A propósito de várias aspectos do Portugal actual começo com esta fotografia por mim tirada com telemóvel na tarde deste Sábado 13 de Junho, na R. do Ouro em Lisboa, pouco passava das 15 horas.












