terça-feira, 3 de março de 2026

E  ASSIM  CONTINUA . . . . 

SE  TU  NÃO  FALA  COM  EU,

EU  NÃO  FALA  COM  TU !

António Cabral (AC)

A  PAZ  EM  QUE  VIVEMOS
Este apontamento é referente a 31 DEZ 2002
Progredimos imenso isto é, cada vez mais paz, não é verdade ?
AC
A  PROPÓSITO DE  TERRAS  BEIRÃS 
Como por diversas vezes ao longo do tempo confessei, por textos e por fotografias, sendo embora alfacinha de nascimento, nascido na então famosa S.Sebastião da Pedreira, e tendo vivido, 

* os primeiros 3 meses de idade em Paço de Arcos,
* depois praticamente 6 anos em Luanda,
* a seguir em Paço de Arcos até quase aos 14,
* até aos 23 na Parede, 
* daí para cá décadas com residência fiscal a Sul do Tejo mas pelo meio a profissão colocando-me 3 anos de EUA, praticamente 2 de Holanda, quase um ano de Bélgica, fora as reuniões de uma semana no estrangeiro (Noruega, Bélgica, Alemanha, Holanda, França, Inglaterra) ao longo de alguns anos, 

a realidade é que onde me sinto completamente bem é na aldeia Beirã, a qual em 1938 ficou crismada como a mais portuguesa.

"Sou" de Monsanto (concelho Idanha-a-Nova) desde finais de 1969.

Estou a recordar isto e a passar ao texto porque o tempo vai decorrendo.
Estou a escrever isto depois de ficar definitivo que a partir de 23 de Janeiro passado, passar-se-á a celebrar todos os anos nesse dia a primeira menção histórica a Idanha-a-Nova.

Foi há 820 anos que, pela mão de D. Sancho I, na Carta de Confirmação de Idanha-a-Velha à Ordem dos Templários, se escreveu pela primeira vez o nome de Idanha-a-Nova.
Assim nasceu uma identidade que desde então se desdobrou em duas: Idanha-a-Nova e Idanha-a-Velha (com, entre outras coisas, as pedras sepulcrais, os muros muitos deles visigóticos, alguns edifícios medievais, as muralhas, o pequeníssimo e destroçado castelo, um palácio inacabado/ abandonado, um património riquíssimo e, certamente, muito debaixo da terra tesouros de pedras enterrados por hectares e hectares) .

Como periodicamente sempre refere e recorda um homem da minha profissão que muito respeito, "o passado não é o que passou é o que vai ficando".

Bom dia, tenham uma boa 3ª Feira.
Saúde e boa sorte.

AC
SELOS  DE  PORTUGAL
AC 
AINDA SOBRE LUÍS NEVES e MAI
Respeito, SEMPRE, a opinião de outrem.
Depois concordo ou discordo e se me apetecer comento, argumento, dou a minha opinião.

O sururu sobre a nomeação (para mim também curiosa) de Luís Neves para MAI tem tido alguns contornos peculiares, isto para não classificar pior certos arautos.
Nomeadamente no âmbito de alguns "Komentariadores", e pés de microfone e jornalistas, desculpe-se o pleonasmo.

Uma das curiosidades (para mim naturalmente) que encontrei foi a invocação da quebra da regra democrática - separação de poderes.

Ora separação de poderes e recordando-me das aulas na Faculdade de Direito, refere-se à separação entre os três poderes: o legislativo, o executivo e o judicial, ou seja no nosso caso, a Assembleia da República, os governos e os tribunais. Ponto final parágrafo.

A expressão global judiciário não é tribunal, não é órgão de soberania.

Separação de poderes, respeito mútuo pelas competências constitucionais de cada um dos poderes, separação que deve ter em conta uma cooperação institucional leal, ao serviço do Estado, para que a sociedade e o Estado funcionem saudavelmente.

A nomeação de Luís Neves para MAI é (para mim também) discutível, mas não creio que em nada tenha a ver com separação de poderes. 
Luís neves não integrava o poder judicial.

Luís Neves enquanto homem da PJ, tal como a Polícia Marítima, a Polícia de Segurança Pública e a Guarda Nacional Republicana, não integrou o poder judicial. 
A PJ e as outras polícias colaboram na investigação, habilitam o MP, e depois as coisas seguem para tribunal ou não.
Sim, a PJ é um dos muitos departamentos da máquina do Estado. Mas creio que dizer que se insere no poder judiciário parece-me mesmo que é só para dar peso à opinião - que a PJ/ Luís Neves está no lado dos tribunais.

A nomeação de Luís Neves não tem a ver com a separação de poderes, é a minha opinião.
O que a sua nomeação para MAI eloquentemente mostra é a ausência de pessoas com categoria, com decência, com espírito de servir, com honestidade, para servirem a sociedade nos sucessivos governos.

Nos primeiros anos a seguir ao 25 de Abril era ver o corrupio de malta dos partidos a frequentar o curso de Auditor de Defesa Nacional.
A pouco e pouco muitos foram saindo da política para as negociatas, para os negócios, para o crescente número de situações à mesa do orçamento de Estado, mas nada de lugares governamentais.
Resultados estão à vista.

Recordem-se por exemplo do D. Sebastião rosa que nunca largou nem larga os negócios, ou os doutores alaranjados que também só querem negócios e facilitar negócios.

Mas ainda quanto a sururu, porque é que quando Montenegro escolheu Lúcia Amaral para MAI não houve este sururu?
Lúcia Amaral, ex juíza do Tribunal Constitucional e ex Provedora de Justiça?

Já sei, agora dá jeito porque Luís Neves conhece os contornos todos sobre a casa de Montenegro e, dizem à esquerda do PSD e à sua direita - ah, queres é travar o processo.
 Enfim, embora, para mim evidentemente, Luís Neves vir-me dizer que nada sabe da coisa e como director só providenciava meios para a instituição PJ também pode ir dar várias voltas ao bilhar grande.
Farto de malandragem estou eu!

António Cabral (AC)
3  MARÇO  2026
DIA MUNDIAL DA VIDA SELVAGEM
> 1803 - Marechal António Teixeira Rebelo funda o Colégio Militar
> 1847 - Nasce Graham Bell
> 1851 - Faleceu Nikolai Gogol
> 1891 - Futebol, introduzida uma regra nova - o penalti
> 1915 - Portugal, crise do aumento do preço do pão, ocorrem assaltos a padarias 
> 1918 - Rússia capitula aos Alemães
> 1923 - Revista Time publicada pela primera vez
> 1963 - Nasce a banda desenhada com a Mónica
> 1971 - Faleceu António Silva
> 1989 - Futebol, sub-19, Portugal sagra-se campeão mundial
AC
MAIS  UNS  BALIDOS . . . .
Legitimamente repito, LEGITIMAMENTE, a utilização da base aérea PORTUGUESA nas Lajes, Açores, por parte dos EUA onde há décadas esse país aliado tem (nos últimos anos bastante menos) militares e infra-estruturas e periodicamente aviões de tipo diverso, é questionável isto é, se a utilização da base tem respeitado os acordos em vigor.

Apercebo-me que o actual líder do PS num tom doce manifestou-se acerca do tema e que vai pedir esta próxima 4º Feira a Montenegro que explique os “termos” da utilização da Base das Lajes

Repito, LEGITIMAMENTE, ele e qualquer outro e designadamente temos o direito de ser informados.
Não é coisa pouca o que se está a passar.

Agora, o que considero lamentável é o estilo de perguntas de algumas criaturas nas TV, particularmente algumas tidas por muito profissionais e que dão o corpo ao manifesto nos estúdios ou na Ucrânia.

Como mais lamentável ouvir estes balidos socialistas que foram os que redigiram legislação de 2017 sobre o assunto e que tiveram 8 anos e semanas para virar páginas.

Porque não revisitaram em 2022 e 2023 a legislação que produziram antes, e porque não passaram em revista o acordo de 1995 (salvo erro)? Lembram-se de quem era PM de JAN2016 até há dois anos?

Não saímos destas cenas socialistas e esquerdalhas.

Como não saímos das cenas de Rangel e Montenegro e Marcelo.
Curiosamente Rangel foi hoje (2ª F) à TV palrar. Fiquei a saber que Marcelo e os lideres dos partidos com assento parlamentar estavam informados do que o governo ia responder / autorizar aos EUA. 

De qualquer forma, pouco realismo, meias verdades, muita gaguez.
Tudo isto é triste tudo isto é o nosso fado!
AC

segunda-feira, 2 de março de 2026

DOÇARIA  CASEIRA
Bolo caseiro, de mirtilos e framboesas. Estava óptimo.

AC
LICENCIATURAS

Em certos casos, e mesmo para cargos políticos e diferentes estruturas no Estado, não creio que seja indispensável ter uma licenciatura.

Importante é servir, não mentir, nem aldrabar, nem servir-se do cargo.

Contudo, em determinadas profissões, pode ser dramática a falta de licenciatura, e alguma experiência, pois os resultados podem ser trágicos!
Bom dia.
Bom início de semana.
Saúde e boa sorte.

AC
Do  TEMPO  das  SERINGAS  de  VIDRO
Do avô da minha mulher, médico; agora, guarda "clips".
AC
EXACTAMENTE
". . . . um país em que toda a gente é a favor de mudanças, desde que essas mudanças não impliquem mudar alguma coisa relevante".
(Henrique Pereira dos Santos)

E acrescento eu - "tudo bem, desde que não seja no meu quintal"

AC

Repetindo-me, depois deste Domingo solarengo


AS  MÃOS

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema - e são de terra.
Com mãos se faz a guerra - e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedra estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

(Manuel Alegre)

AC

PERESTRELO OOO OOO OOO ooo . . .

Não, não me parece que a progressiva baixa de nível na vida parlamentar em Portugal que em quase todas as sessões está na zona RASCA se deva apenas aos extremos nas bancadas parlamentares.

A arrogância, a falta de educação generalizada para não dizer mais, explicam muito porque se chegou ao deplorável estado em que estamos.

Depois admiram-se do desinteresse de muitos cidadãos comuns pelas instituições democráticas.

Como sempre, admito estar a ver mal as coisas.

AC

Sócrates é o maior aliado de Ventura (e com a cumplicidade do PS e da restante esquerda)

Luís Rosa, 25 Fev. 2026 (sublinhados a cores da minha responsabilidade)

A esquerda e a extrema-esquerda afastaram-se dos anseios e das preocupações do povo - vivem num mundo de fantasia. E preferem defender José Sócrates, a defender a Justiça.

1. O Estado de Direito tem vários princípios estruturantes, como a legalidade (o Governo, a administração e os tribunais só podem atuar nos termos da lei), a segurança jurídica (as leis devem previsíveis e estáveis), a separação de poderes (o poder político e o poder judicial escrutinam-se mutuamente para evitar o poder absoluto e a arbitrariedade), a tutela jurisdicional efetiva (os tribunais são independentes e imparciais) e a igualdade dos cidadãos perante a lei.

Acresce que uma das principais funções do Estado de Direito é a administração da Justiça em nome da comunidade. O Estado deve exercer a sua ação repressiva com o respeito por um processo equitativo e justo e pelas liberdades e garantias de defesa dos arguidos. Mas a realização da Justiça é o último objetivo, as garantias de defesa não são um direito absoluto face à necessidade de dar uma resposta à comunidade sobre a inocência ou a culpabilidade do arguido. Isto é, tem de existir uma decisão final transitada em julgado.

Se tudo isto for assegurado, então a comunidade confia no Estado (o que significa dizer que, no caso atual de Portugal, confia na Democracia) e aceita submeter-se ao seu poder punitivo.

O problema começa quando alguns dos princípios estruturantes acima descritos não são assegurados. É verdade que todos eles são fundamentais mas há um que todos os leitores não juristas (como eu) perceberão de forma mais imediata: a igualdade dos cidadãos perante a lei.

2. Vem isto a propósito de mais uma ‘rodelhice’ de José Sócrates e dos seus advogados na tramitação do processo da Operação Marquês. Porque há um ponto prévio no caso de Sócrates que a comunidade se apercebe muito facilmente: os cidadãos não são todos iguais perante a lei. Ou seja, a José Sócrates e aos seus advogados (Pedro Delille, nomeadamente) são permitidos direitos, comportamentos e atitudes que não são permitidos aos restantes cidadãos e advogados.

Ou melhor, José Sócrates não se quer submeter ao poder da administração da Justiça — e, até agora, tem tido (algum) sucesso.

A Sócrates é permitido que, de forma impugne, apresente mais de 100 recursos e incidentes processuais — sendo que muitos deles têm como objetivo entorpecer e impedir o andamento normal do processo. E com um desplante ainda maior: a Sócrates é permitido uma hiper litigância que já deve ter custado várias centenas de milhar de euros em advogados (aos que se assumem e aos que ajudam na sombra) e a Sócrates é permitido que ande a contratar escritórios de advogados internacionais e pareceres jurídicos sem que os seus rendimentos conhecidos permitam sequer pagar uma pequena parte desses custos.

Como é que Sócrates paga a sua defesa de rutura com o Estado — assumido pelo próprio numa recente entrevista à CNN Portugal? Com que fundos?

Se um cidadão apresentasse os sinais exteriores de riqueza que Sócrates apresenta (e há outros, além dos fundos para financiar a sua defesa), há muito que tinha problemas com o Fisco e com a Justiça.

Como já disse várias vezes, José Sócrates é um privilegiado, não é uma vítima. O que está a ser permitido a José Sócrates é de uma iniquidade, de uma desigualdade face a qualquer outro cidadão com problemas com a Justiça que no final desta história só há um binómio possível:ou ganha Sócrates e a Democracia perde a sua credibilidade;
ou perde Sócrates e a Democracia reforça a sua credibilidade.

E, já agora, o ganhar e o perder mede-se apenas por um ponto: o processo chegar ao fim com uma decisão (seja ela qual for) transitada em julgado.

Seja como for, e para já, uma coisa é certa: sempre que José Sócrates fala com o seu habitual despudor de meias verdades e de mentiras completas e a sua habitual cassete rançosa de vitimização, André Ventura ganha votos de forma clara. Sempre que Sócrates entra com uma manobra dilatória, o Chega fica mais perto do poder. Memorize este ponto, caro leitor, que já vou regressar ao mesmo mais à frente.

3. Sobre o carrossel de renúncias que José Sócrates e o seu advogado Pedro Delille começaram a tecer em novembro de 2025. Qualquer cidadão comum não jurista — graças a Deus que são a esmagadora maioria da população! — olha para este triste espetáculo e fica perplexo: “então basta arranjar um advogado aceita defender Sócrates, que a seguir cria um conflito artificial com a juíza, renuncia a seguir, vai-se embora do tribunal e o processo fica suspenso?!”

É uma perplexidade mais do que justificada porque obviamente que Sócrates não descobriu a pólvora. Este tipo de manobra dilatória já foi tentada noutros processos e a administração da Justiça conseguiu sempre encontrar uma solução. Basta ler este trabalho do Observador para percebermos que há varias soluções ao dispor do tribunal. 

Até porque este carrossel de renúncias tem um problema grave de base: Pedro Delille, José Preto e Sara Leitão Moreira renunciaram porque discordaram de uma decisão da juíza Susana Seca. E isso não é motivo para uma renúncia.

Pior, e esse é o principal indício de que estamos perante uma manobra dilatória e não perante uma renúncia genuína: Delille, Preto e Moreira eram obrigados deontologicamente a ficar no tribunal e a esperar 20 dias para que o seu cliente indicasse um cliente. E não o fizeram. ‘Piraram-se’ do processo e do tribunal para provocar a suspensão. No caso de Preto e Moreira, foram pagos para fazer o papel de figurantes numa peça de teatro do absurdo.

O que nos convoca para outra questão, que não é menor: a credibilidade da Ordem dos Advogados e a credibilidade dos advogados enquanto classe profissional. Já foi aberto algum processo disciplinar a Pedro Delille, José Preto e Sara Leitão Moreira? A Ordem dos Advogados já anunciou algo? Então os senhores advogados que são tão afoitos a criticar os procuradores e os juízes, afinal, não exercem a sua própria ação disciplinar?

É conhecido há muito a incompetência dos órgãos disciplinares da Ordem dos Advogados em deixar prescrever processos disciplinares  — até já houve acusações (da advogada Paula Lourenço, não de um procurador ou juiz) de que os processos disciplinares pura e simplesmente desapareciam. De uma acusação original de 495 processos, constatou-se que desapareceram 25 processos. Isto foi constatado em 2022, não foi em 1979 ou em 1988 — quando a digitalização era uma utopia.

E o Estado, que delegou na Ordem dos Advogados o poder disciplinar (que é público), nada faz.

Concluindo: ouvi ontem, finalmente, vários advogados a criticarem a sua colega Sara Leitão Moreira. É um pequeno passo, mas não chega. Tal como ouvi o bastonário João Massano a colocar-se do lado da solução, e não da crítica pela crítica (que é o normal na classe). O facto de José Sócrates ter criticado duramente Massano e os advogados que ousaram criticar Sara Leitão Moreira na sua entrevista à CNN Portugal também é um bom sinal.

Mas, repito, isso não chega. O silêncio cúmplice dos advogados e dos órgãos disciplinares da Ordem levará ao descrédito de toda uma classe e de um órgão como a Ordem dos Advogados.

E esse descrédito fará com que, inevitavelmente, o poder político tenha de deixar de contar com os advogados como agentes com contributos credíveis para uma reforma da Justiça — uma das questões fulcrais neste momento do nosso regime democrático. Os senhores penalistas, particularmente as super estrelas que andam nas televisões e no espaço público, não estão a ver bem o filme. Mas isso é normal porque apenas olham para o umbigo (leia-se o seu processo) — e não para o sistema democrático.

4. Se os nossos penalistas sofrem de distopia — o que dizer dos deputados da esquerda e extrema-esquerda parlamentar? Na última 6.ª feira, assisti ao debate parlamentar sobre o início de uma reforma da justiça. O Governo propôs cerca de 20 medidas concretas (e cirúrgicas) para reforçar a celeridade processual. A proposta de lei baseou-se num relatório técnico produzido pelo Conselho Superior da Magistratura, nomeadamente por juízes de direito e um procurador com grande experiência de processo penal. Esse grupo identificou um conjunto de patologias processuais (as tais manobras dilatórias) e propôs um conjunto muito concreto de soluções.

O Conselho, que é o órgão de gestão da magistratura judicial e no qual o poder político tem maioria na respetiva composição, aprovou o relatório e enviou para o Governo — que o acolheu e aprovou em Conselho de Ministros uma proposta de lei que visa promover uma maior celeridade processual, nomeadamente dos processos do crime económico-financeiro.

Enfatizo um ponto: a proposta de lei tem mais de 20 propostas concretas.

Numa questão que não é ideológica — não me parece que o equilíbrio entre uma Justiça eficiente a as garantias de defesa possa ser classificado de esquerda ou de direita — assistimos a… uma divisão ideológica.

Ou seja, o
PS, o PCP e o Bloco de Esquerda (com o apoio do Livre e do PAN) fizeram algo que é costume: auto-intitularam-se como os únicos defensores da Constituição e acusaram o Governo de fazer uma proposta inconstitucional e de querer regressar a 24 de Abril de 1974 e às trevas da ditadura.

Logo, vimos um debate entre uma direita que se diz “reformista” que recordou algo que é óbvio e do conhecimento de todos: os tempos médios de conclusão dos processos do crime económico-financeiro estão entre os 8 e o 12 anos quando os processos do crime comum são inferiores a um ano; isso é algo que tem de ser combatido. E as bancadas parlamentares do PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal recordaram a Operação Marquês e outros processos semelhantes que se arrastam nos tribunais.

E o que fizeram os deputados da esquerda e da extrema-esquerda? Ignoraram olimpicamente que estávamos perante uma proposta do Governo que tinha por base propostas técnicas do Conselho Superior da Magistratura e apenas falaram das multas para manobras dilatórias (que podem atingir um valor máximo de 10.200 euros) que serão aplicadas a sujeitos processuais que tentem entorpecer o andamento do processo — multas que só serão aplicadas após a respetiva produção de prova e têm direito a recurso.

Ou seja, pegaram na bandeira dos advogados e fizeram destes o único agente judiciário credível. Para o PS, PCP, Bloco de Esquerda, Livre e PAN o Conselho Superior da Magistratura — para o qual o Parlamento elege sete membros — não tem credibilidade. Só e apenas os advogados.

5. Divertido, divertido foi assistir a alguns argumentos dessas bancadas. Por exemplo, o deputado Fabian Figueiredo (Bloco Esquerda) fez a defesa do “liberalismo” judiciário — que, como sabemos, é uma velha bandeira do Bloco, nomeadamente na Venezuela de Hugo Chávez, com prisões arbitrárias e as garantias de defesa de primeiro mundo.

Já a deputada Isabel Moreira (PS), como é apanágio na sua ortodoxia ideológica, passou logo para o insulto. Vale a pena colocar a citação completa:

“Imaginem que um sindicato [sic] propunha ao Governo que uma boa ideia para acelerar a Justiça era esquecer o Estado de Direito e transformar o processo penal em processo civil. Imaginem que o Governo achava a ideia belíssima, que não lhe ocorria que nem nos tribunais plenários [da ditadura] havia tal equiparação e fazia entrar no Parlamento uma proposta de lei tão problemática que o Presidente da Assembleia da República, um proeminente jurista e deputado eleito nas listas do PSD, António [sic] Aguiar Branco, fazia um despacho por dever de ofício em defesa da Constituição, dando uma saída tranquila ao Governo — a de retirar a proposta.”

Portanto, um órgão constitucional que é o Conselho Superior da Magistratura é um “sindicato”. E esse órgão constitucional, perdão, “sindicato”, no qual o poder político tem a maioria dos seus membros, apresentou uma proposta ao Governo que consubstancia um regresso à ditadura e aos tribunais plenários. Uma ideia partilhada pelos deputados Paulo Muacho (Livre), Paula Santos (PCP) e Inês Sousa Real (PAN).

E para a deputada Isabel Moreira (PS) as propostas do Conselho Superior da Magistratura, que se baseiam num outro estudo técnico sobre mais de 130 processos na comarca de Lisboa (os chamados megaprocessos) é “uma proposta que assenta na perceção daquilo que os cidadãos podem ter sobre este ou aquele processo”

Tamanha desonestidade intelectual e miopia parece impossível — mas, ao fim e ao cabo, não é de estranhar. Estamos a falar de uma deputada do PS que apoiou Catarina Martins como candidata presidencial. Ou seja, preferiu apoiar uma candidata que teve 2,06% dos votos em vez de apoiar um socialista chamado António José Seguro. Mas é a porta-voz do PS para a área da Justiça… É por esta e por outras que o PS arrisca-se a não se ficar pelo patamar mínimo da terceira força parlamentar.

A esquerda e a extrema-esquerda parlamentar enchem a boca com a “ditadura” com o “fascismo” sempre que se tenta reformar algo neste país mas parecem ignorar algo que a ciência política tem demonstrado de forma clara à escala europeia (e que está a verificar-se também em Portugal): os seus eleitorados tradicionais estão a migrar para a direita e, em alguns casos, para a extrema-direita. Porquê? Porque a esquerda e a extrema-esquerda afastaram-se dos anseios e das preocupações do povo. Vivem num mundo de fantasia.

E preferem defender José Sócrates, a defender a Justiça. E é por isso que serão cúmplices de uma eventual tomada de poder por parte de André Ventura
.

Este artigo mostra várias coisas:

* o estado deplorável a que levaram a justiça certos deputados conluiados com certos advogados e certos juízes  e certos magistrados do MP e certos catedráticos.

* que a ordem dos advogados não merece respeito algum.

* que Portugal é basicamente um Estado exíguo com tendências para Estado falhado.

AC
2  MARÇO  2026
> 1793 - Nasce Sam Houston 
> 1801 - Início da Guerra das Laranjas de que, entre outras coisas, resultou a perda de Olivença
> 1810 - Nasce o futuro Papa Leão XIII
> 1898 - Nasce Amélia Rey Colaço
> 1919 - Moscovo, início do Komintern, de que sairá a Terceira Internacional
> 1933 - EUA, estreia do filme King Kong
> 1969 - Primeiro voo do avião Concorde
> 1987 - Marinha Grande, horrendo crime da praia do Osso da Baleia
> 2020 - Confirmação da existência (detecção em 1 Março) de casos de Covid-19 em Portugal
AC

domingo, 1 de março de 2026