sábado, 11 de julho de 2026

EM  ALCOBAÇA . . . . 

Agora, ao chegar a casa depois de caminhada matinal de pouco mais de 5 Km  vejo num zaping rápido pelos canais TV que houve um trágico atropelamento.

Mais que trágico, um homem jovem foi atropelado e morreu.

Aparentemente, segundo noticiado, a alcolémia detectado no condutor era astronómica.

Um morreu, outro vai enfrentar a justiça à portuguesa.

Admito estar a ver mal as coisas, mas uma situação destas - alcolémia brutal - com resultado de morte que creio é homicídio eventualmente involuntário, mereceria a máxima pena de cadeia. 

Os 25 anos não restituem o falecido à família e à sociedade, mas o FDP não voltaria a matar.

AC

COITADO
Coitado do Aquário Vasco da Gama que agora até teve que levar com José Luís Carneiro.
Este político tem andado de férias pelas ilhas das regiões autónomas  e naquilo a que chamou a "Rota pela economia do mar"

A criatura resolveu ir até ao Aquário para encerrar a tal dita "Rota"!

A comunicação social nada referiu se Carneiro levou consigo também familiares pequenos para de deliciarem com o que o Aquário proporciona. 
E que é muito e extraordinário, bem o conheço, estive lá várias vezes, todos os meus netos o foram conhecer.

Coitado do Aquário vasco da Gama!

Bom dia, bom Sábado
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida
Boa sorte, felicidades

AC

 A  MENSAGEM

Com poemas sobre PORTUGAL, "Os Campos", "Os Castelos", "As Quinas", "A Coroa", "O Timbre", "O Mar Português", "Os Símbolos", "Os Avisos", "Os Tempos".
Este por exemplo:
AC
ABSOLUTAMENTE  DE  ACORDO
(sublinhados da minha responsabilidade)
Há também a sua entourage próxima, cujo deliberado descaso dos factos que não podiam desconhecer traduz uma maneira amoral de estar na política. Ainda andam muitos por aí, o mais saliente deles Costa, mestre de cerimónias do Conselho Europeu.

(José Meireles Graça)

AC

PREFIRO  UM  FIM  COM  HORROR, 

DO  QUE  UM  HORROR  SEM  FIM!

António Cabral (AC)

8  JULHO  2026
Este dia teve para mim significado especial.

Há décadas aliás que tem um significado especial para mim, e desde que criança já com raciocínio comecei a perceber a data e a dar-lhe  especial atenção. 
Dia de aniversário da minha muito idosa mãe (1925 - ?).

Mas certamente que por esse mundo fora haverá factos e eventos significativos a celebrar em 8 de Julho.

Por cá, por exemplo, a famosa EDP celebrou com um jantar os seus 50 anos. Com jantar e discursos naturalmente.
Conheço um dos discursos, o do actual inquilino em Belém. 

António José Seguro foi convidado, discursou, apontou ao futuro, recordou que quando a EDP começou a electricidade não era um bem existente em muitas partes do país. País atrasado.

Lembrou que a eletrificação do país exigiu investimentos em linhas, subestações e centrais para aproximar todo o território em termos do seu desenvolvimento e garantir a segurança do abastecimento elétrico.
Lembrou que a empresa está a crescer internacionalmente.

Recordou que não faltam desafios.
E referiu explicitamente a necessidade de energia mais sustentável, mais inteligente e mais resiliente, e ainda a necessidade de segurança no abastecimento, que a competitividade não pode ser feita à custa do poder de compra das famílias, e que é necessário preservar o meio ambiente, a biodiversidade, e ter tudo isso em conta em cada quilómetro de rede que se construa ou em cada central que seja erguida.

Claro que Seguro podia ter referido que é frequente a EDP apresentar aos consumidores facturas estranhas a roçar a ilegalidade.
Dou o meu caso mais recente.

Há décadas consumidor da EDP.
Fartei-me.
Desconfiado que não melhoraria muito, pois vivo nesta descarada Tugolândia que actua violenta e impunemente contra os cidadãos comuns, mudei para a MEO Energia.

Uma mudança de fornecer tem a seguinte questão prática: o novo e pretendido fornecedor alerta a E-Redes da projectada mudança, identifica data para entrar em vigor a mudança, a E-Redes nesse dia "corta o antigo fornecedor, abre a torneira para o novo"

A MEO Energia ficou activa para a nossa casa em 29 de Abril passado.

Como é natural recebi em finais de Maio uma factura da EDP referente à energia consumida até 28 ABRIL inclusive.

Mas não é que os marmelos da EDP tiveram a lata de me enviar em 7 de Julho e cair na minha conta em 21 de Julho uma factura por serviços no valor de quase 9 Euros?
Serviços?
Claro que não os vão ver.

Finalmente, Seguro podia ter alertado para os postes de madeira pelo país fora, para a pouca vergonha dos cabos elétricos espetados nos prédios em vez de enterrados (lá se ia um bocadinho dos lucros), para o IMI e IVA das barragens, etc.

Mas não, assim não seria o Seguro habitual.
Lembrando o povo, tivemos basicamente o costume!

AC
11  JULHO  2026
Dia Mundial da População
Dia de S. Bento, Feriado Municipal S.Tirso
> 1822 - Aprovada a Constituição Política da Monarquia Portuguesa
> 1902 - Nasce Sérgio Buarque da Holanda
> 1972 - As Brigadas Revolucionárias atacam transportes do Exército em Cabo Ruivo, numa acção contra a guerra no Ultramar
> 1973 - O "The Times" acusa o governo português do massacre de Wiriyamu  
> 2001 - Faleceu Cândida Branca Flor
> 2002 - Parlamento aprova a norma de excepção para em Barrancos se prosseguir com a lide e morte de touros
> 2018 - Teatro da Trindade, a sua sala principal passa a chamar-se "Sala Carmen Dolores"
AC

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Da  CONVERSA . . .

Na conversa de ontem com o meu melhor amigo militar (almirante reformado) sobre a conjuntura internacional e também quanto à discursata do nosso querido líder perdão PM sobre as nossas despesas com defesa nacional, ele recordou-me que os militares:

Juram perante a Bandeira Nacional.
Não juram perante titulares de órgãos de soberania.
Reconhecem e praticam a subordinação, respeitam a CRP. 
Dignos e com coluna vertebral óssea recusam a submissão.
Não esquecem conceitos quando já não na vida activa.
São servidores do Estado, como é próprio da democracia e do regime em que, felizmente, vivemos.
Têm consciência das realidades do país.
Dispensam, insultos, desconsiderações, mentiras e o não cumprimento de legislação em vigor.

AC
OLHA  QUE  NOVIDADE
"A gastronomia portuguesa é riquíssima e todas as pessoas que vêm a Portugal adoram” (Álvaro Covões)

Oh sr diretor do NOS Alive, qual é a novidade ?
E também não é novidade que os políticos não põem ISTO a funcionar pois não ?

AC
ESTA  É  DE  GÉNIO

AC
O  PERFIL
Parece estar desenhado!

AC
UM BOCADO PATÉTICO e RIDÍCULO, NÃO ?
Gosto particularmente da indicação - aproxime o copo da boca!

Só falta como ensinar a urinar e defecar !

Estou até já a imaginar que um destes dias surgirá uma orientação deste tipo:

COMO DEFECAR
- Quando estiver a sentir vontade de defecar, 

- Dirija-se calmamente à casa de banho mais próxima,

- Se andar pelo campo, escolha uma moita para se esconder e assegure-se que tem lenços de assoar consigo para depois se poder limpar,

- Baixe as calças /levante a saia, e baixe as cuecas,

- Levante a tampa da sanita e sente-se com cuidado;
Se estiver no campo agache-se com cuidado tendo previamente observado o local atrás da moita assegurando-se que nada lhe possa vir a picar o rabo,

- Não faça força, deixe que o organismo actue por si,

- Depois de defecar limpe-se cuidadosamente e, estando em casa, lave-se no bidé com água fria e em seguida vista-se e lave as mãos; se estiver no campo, com o pé procure cobrir as fezes o melhor possível com terra e folhas; lave as mãos logo que lhe seja possível.

- Se notar alterações na periodicidade com que defeca ou nas fezes, consulte o seu médico.

Bom dia, tenham uma boa 6ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Bom início de fim de semana. Boa sorte, felicidades.

AC

"O  MEU  OLHAR  É  NÍTIDO  COMO  UM  GIRASSOL"

(Alberto Caeiro)

AC

FOTOGRAFIA

TO COLLECT PHOTOGRAPHIES IS TO COLLECT THE WORLD

(Susan Sontag)

AC

FATO  ENFIADO, PASSOU a . . . . . LÍDER 

Um dia terrorista, depois um salvador, agora um líder reverenciado, adorado pelo Ocidentais.
É preciso é comprar-lhes armamento.
É isso que Macron anda a tentar conseguir.

Nos anos 60 e 70 do século passado, a França foi fornecedora de muitos aviões Mirage para Israel. Foram os Mirage que arrasaram as forças aéreas dos vários países à volta de Israel na guerra dos 6 dias.

Depois de 1973, a França ficou muito irritada pois Israel virou-se definitivamente para material americano. 
Isso, creio eu, explica parte do actual posicionamento da França/ Macron face a Israel.
A outra parte, estou convencido, é para ver se os milhões de muçulmanos que a França tem dentro de casa não fazem muitos mais atentados. 
Creio que o tempo mostrará quão errados estão os dirigentes franceses.
Como aliás quase todos os dirigentes Europeus.

Admito, como sempre, estar a ver mal estas coisas, mas estou absolutamente convencido de que França, a Europa Ocidental toda, não querem perceber que não há volta a dar.

Grande parte da Irmandade Muçulmana expulsa do Egipto encontrou poiso em vários países do Golfo, tem o Irão como patrono, e está muito confortável com Erdogan.

Erdogan que eliminou qualquer último resquício de Ocidentalização da Turquia criada pelos jovens Turcos liderados por Ataturk. 
Turquia que logo integrou a NATO para se conter a URSS.
Agora amanhem-se. 
Na Alemanha por exemplo e não há muito tempo, a comunidade turca constituía como que a 2ª cidade turca em número de habitantes!

Muitos séculos lá para trás as hostes incentivadas pelo Papado andaram até Jerusalém. Fizeram o que fizeram.

Nós andámos pelo Norte de África depois de os expulsarmos da Península. Deu no que deu.
Aqui na Europa não querem perceber que há décadas que se passa o inverso. 

Saladino ri-se de gozo dentro do caixão!
Mas claro, devo estar completa e redondamente enganado.

António Cabral (AC)
TÍPICO  da  TUGOLÂNDIA
. . . . . . . . 
A alternativa à decisão não é uma decisão melhor, a alternativa à decisão é a não decisão.
. . . . . . . . . 
. . . . . . . . .
a única maneira de não cometer erros é nunca decidir nada.

AC

10  Julho  2026

> 1654 - Tratado de Westminster, que se traduziu numa mais que lamentável supremacia sobre Portugal, no tocante a comércio, acesso ao Brasil, etc.

> 1859 - Inauguração do Big Ben

> 1871 - Nasce Marcel Proust

> 1900 - No âmbito da Exposição Universal, abre ao público o metropolitano de Paris

> 1902 - Inauguração do elevador de Santa Justa

> 1961 - Angola, operação Viriato

> 1973 - Saem as notícias sobre o massacre de Wiriyamu 

> 2016 - Portugal sagra-se campeão Europeu de futebol, fazendo com que em toda a França se tenham esgotado nas farmácias as pastilhas para a azia

AC

quinta-feira, 9 de julho de 2026

"As nuvens são como os chefes. quando desaparecem fica um dia lindo".

"97% da população não acredita nos políticos, e os outros 3% são os políticos."

Lembrei-me disto!

AC

E  É  ISTO,  a Tugolândia

Um bom amigo acaba de me enviar esta delícia.

Três notas:

- eu tenho um blogue pessoal, vai para 13 anos, mas não tem nada a ver com o que neste delicioso texto se refere. Como expliquei diversas vezes e mais logo repetirei.

sublinhados da minha responsabilidade

- este texto recordou-me isto - um político honesto pergunta o que é que recomenda uma dada pessoa; um político corrupto quem.

António Cabral (AC)

*Confissões de um boy" - Pedro Santa Clara

Entrei para a política aos dezassete anos por convicção. A convicção de que não me apetecia trabalhar.
Sei o que estão a pensar, e é injusto. Trabalhei muito, trabalhei sempre — só que nunca trabalhei em nada. A minha carreira é feita de cargos, não de obras; e os cargos, ao contrário das obras, não se avaliam: sucedem-se. O Zagalo escreveu a vida do Conde de Abranhos por devoção ao amo; eu escrevo a minha por vaidade própria. Ao menos nisso sou moderno.

A vocação

Descobri o meu talento na juventude partidária, a que nós chamamos carinhosamente a Jota. Os outros discutiam ideologia; eu montava as cadeiras. Os outros escreviam moções; eu fotocopiava-as, distribuía-as e, sobretudo, sabia em que momento exato do discurso do líder se devia começar a bater palmas. É uma ciência subtil: cedo demais é bajulação, tarde demais é dissidência. Aos dezanove anos já ninguém batia palmas como eu em todo o distrito.
Na Jota aprende-se cedo a lição que sustenta tudo o resto: as ideias dividem, os lugares unem. Aprende-se também a competência nuclear da profissão — farejar quem vai subir e colar-se-lhe como um selo. Enganei-me uma vez, em noventa e tal, e custou-me dois anos numa comissão de revisão de estatutos. Nunca mais me enganei.

A licenciatura

Pelo caminho, licenciei-me em Direito. Regime pós-laboral, numa universidade privada que entretanto já não existe — o que confere ao meu diploma uma raridade de incunábulo. Demorei sete anos a fazer quatro, porque a política não espera, e o direito, pelo contrário, está sempre lá. Advogado nunca fui: a Ordem tem exame, e exames são para quem não tem alternativa. Mas o canudo cumpriu a sua única função, que é constar. Nos currículos oficiais sou jurista. Nos corredores, sou o Zé.

O assessor

Comecei como assessor. De quê, perguntam os ingénuos. De quem, corrijo eu — a preposição é tudo. Fui assessor de um vereador, depois de um deputado, depois de um secretário de Estado, numa progressão que nada devia ao mérito e tudo à fidelidade, que é o mérito verdadeiro. O trabalho era variado: escrever discursos que ninguém ouvia, marcar almoços que eram o verdadeiro trabalho, atender jornalistas para lhes dizer nada e transportar a pasta do chefe com a gravidade de quem transporta o país.
Um gabinete é uma corte em miniatura, e eu nasci cortesão. Para cima, sou veludo; para os lados, sou cimento armado. Vi cair três chefes e sobrevivi aos três, o que na nossa profissão é uma condecoração.

A escada

Depois vieram os degraus, por ordem litúrgica. Secretário de uma junta de freguesia — poder autárquico, dizem os manuais; eu digo: atestados, festas do pimento e a primeira lição de orçamento, que é haver sempre orçamento para quem o executa. Adjunto numa câmara municipal, onde aprendi que uma rotunda inaugura-se duas vezes: uma quando se faz, outra quando se refaz. Vice-presidente de uma CCDR — coordenação e desenvolvimento regional, duas expressões que, juntas, garantem que ninguém pergunte o que faço. E deputado suplente, que é a sala de espera do poder: substituo o titular quando ele é chamado ao Governo, ou seja, sou tecnicamente um efeito colateral. Sentei-me no hemiciclo tempo suficiente para fazer três perguntas ao Governo, escritas por um estagiário, e para aparecer atrás do líder nos planos de televisão, que é a verdadeira função do deputado moderno: cenografia com direito a voto.

O blog e a televisão

Nos anos dois mil tive um blog, como toda a gente que queria vir a ser alguém. Escrevia sobre a reforma do Estado, que era o que se usava, com hiperligações para relatórios que não tinha lido. O blog morreu, mas cumpriu: hoje os jornalistas apresentam-me como «pensador» e eu não os corrijo.
Da blogosfera saltei para os plateaus. Na televisão sou combativo, frontal, independente — os pontos de conversa chegam-me do partido à sexta-feira, mas a indignação é toda minha. Digo coisas como «o país precisa de reformas estruturais» e «é preciso coragem política», frases que o conselheiro Acácio acharia arrojadas. Dentro do partido sou uma carpete; diante das câmaras, um tigre. A carreira faz-se com os dois pelos, e ai de quem os troque: um tigre no congresso e uma carpete na televisão não chega a deputado suplente.

Os biscates e o primo

Convém dizer que o vencimento público, sendo certo, é modesto, e um homem tem despesas. Fui compondo: umas avenças de consultoria estratégica — «estratégica» quer dizer que não se percebe o que é — uns pareceres jurídicos ao abrigo do incunábulo, umas conferências sobre liderança em hotéis de aeroporto. E há o meu primo, empresário de reconhecido dinamismo, cuja firma tem a felicidade de ganhar adjudicações diretas com uma regularidade que só se explica pelo mérito — o mérito de existir no momento exato, com o alvará exato, no concelho exato.
Eu não decido nada, entenda-se. Apenas apresento pessoas: janto com A, telefono a B, digo ao C que o D é «dos nossos». Sou um facilitador. A palavra inglesa é networker; a portuguesa, mais antiga e mais exata, prefiro não usar. E nada disto é ilegal, sublinho. Li a lei com muita atenção. Ajudei a escrevê-la.

Diretor-Geral e Secretário de Estado

Quando o partido voltou ao Governo, fui nomeado Diretor-Geral. Houve concurso, claro, com entrevista e avaliação de competências; concorri contra dois candidatos que nunca ninguém viu e ganhou o melhor, que por coincidência era eu. Na direção-geral conheci o meu velho amigo burocrata — o das confissões anteriores — do outro lado da secretária. Entendemo-nos imediatamente: ele não queria decidir, eu não sabia. O serviço funcionou em perfeita harmonia durante dois anos, isto é, não funcionou, mas em harmonia.


Depois, a apoteose nacional: Secretário de Estado. Adjunto de um Ministro Adjunto — a redundância é a forma mais pura do poder. Durei dezassete meses, cortei nove fitas, anunciei quatro planos estratégicos com horizonte em duas legislaturas de distância e caí numa remodelação sem ter feito rigorosamente nada, o que em política se chama sair de cabeça erguida. No dia seguinte à queda, o telefone tocou. Era o Partido. O Partido nunca abandona quem nunca o abandonou: é uma agência de emprego com hino.

Bruxelas

E assim cheguei aonde tudo conflui: Bruxelas. O meu amigo burocrata sonha com ela como quem sonha com o céu — estuda para o concurso, decora regulamentos, reza. Eu cheguei de avião, em executiva, com o cartão do partido em vez de bilhete: um gabinete, um cargo com nome comprido em inglês, uma agenda de pequenos-almoços de trabalho. Cá estou, a coordenar a articulação de políticas cuja execução acompanho com elevado interesse e nenhuma consequência. O vencimento é europeu, o imposto é simpático, a escola dos miúdos é internacional e Lisboa fica à distância exata: perto para ir aos congressos, longe para não me pedirem nada.

O segredo

Perguntar-me-ão qual é, afinal, o meu talento. Respondo sem falsa modéstia: a disponibilidade. Dizem que a política atrai os piores; é injusto. A política atrai os disponíveis — os melhores estavam ocupados. Enquanto os meus colegas de curso estudavam para a Ordem, eu montava cadeiras; enquanto faziam carreira, eu fazia congressos; e quando o país precisou de gente para os lugares, quem é que lá estava, pronto, testado, leal? A fila era eu. A fila sou eu. A fila, meus caros, somos nós — e não abrimos exceções.
O custo disto não aparece em nenhum orçamento: é toda a gente capaz que olhou para a política, viu a fila, e foi embora. Chamam-lhe seleção adversa; eu chamo-lhe segurança no emprego.

O que me estragaria a carreira

Há quem fale em reformas, e confesso que algumas me tiram o apetite. Reduzir os gabinetes e os cargos de nomeação política a um décimo. Concursos verdadeiramente competitivos para dirigentes, com júris independentes e atas públicas. Transparência total nas adjudicações — cada contrato, cada beneficiário, cada primo, pesquisável em dois cliques. Declaração obrigatória de filiação e de avenças para quem comenta política na televisão. Limites a saltar de um regulador para o setor regulado e de um gabinete para o fornecedor do gabinete. Nada disto exige génio; exige apenas vontade de fechar a agência de emprego.
Felizmente, quem teria de aprovar estas reformas fui eu, os meus, e os que hão de vir a ser eu. Durmo descansado.

Post scriptum

Preparo as minhas memórias, que sairão em breve com o título «Servir Portugal». O prefácio é de um Ministro que eu fiz; a revisão, de um assessor que herdei; a impressão foi adjudicada, por ajuste direto, à gráfica do meu primo. O lançamento será numa fundação pública, com vinho de honra pago por uma câmara.

Entretanto, o meu afilhado político acaba de entrar na Jota. Tem dezassete anos e já sabe exatamente quando bater palmas.

O país está entregue.
O  1640 . . . . PERDÃO,  2026 
Se exportássemos piadas e cartoons tínhamos não só crescimento da economia a pelo menos 3% como excedentes orçamentais !

AC