quarta-feira, 10 de junho de 2026

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Mas precisamente porque espero pouco da condição humana, os períodos de felicidade do homem, o seu progresso parcial, os seus esforços para recomeçar e continuar, tudo isso me parece muitos prodígios que quase compensam a massa monstruosa de males e defeitos, de indiferença e erro.
Virá catástrofe e ruína; triunfará a desordem, mas também a ordem, de vez em quando. 
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(Marguerite Yourcenar)

Andamos há muito assim, ou não ?
E quantos períodos de desordem ?
Mais que os de ordem, certo?

AC
RECORDAÇÕES

Ao andar a vasculhar nos meus arquivos dei com várias fotografias saídas nos OCS e redes sociais ao longo dos anos. 
Algumas, verdadeiros tesourinhos deprimentes.

Bom dia.
Bom feriado.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida
Boa sorte, felicidades.
AC

VISTAS  da  VARANDA

AC
QUE  INJUSTIÇA
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Este embate entre José Sócrates e a Justiça não necessita só de um juiz, pede também um bate-chapas, pois envolve vários testas de ferro.
. . . . . . (José Diogo Quintela)

A criatura recorrer a testas de ferro ?
Que injustiça.

A herança da mãe tem dado para muita coisa e dará certamente para  pareceres de muitos €€€€.
E quando daqui a anos os €€€€ se acabarem lá estará a restante família para ajudar e nomeadamente um primo!

AC
Ao  FUNDO  a  GARDUNHA
Uma das minhas vistas
AC

NÃO É SÓ NAS CIDADES E VILAS

É TAMBÉM NAS ALDEIAS


Não há serviços camarários nem das juntas de freguesia que consigam suplantar o egoísmo e a falta de civismo de muita gente, o desprezo de muita gente pelo ambiente dos locais onde vivem.

Há imensa gente egoísta, preguiçosa, desleixada, que bem podia usar o telefone a combinar a recolha de monos, mas não, é assim que procedem. 

Desconfio que nem daqui a 100 anos muitos portugueses se tornem civilizados.

AC 

15.º Congresso Nacional das Misericórdias
Intervenção do Presidente da República

(MAIS UM EXTENSSÍSSIMO DISCURSO DE ANTÓNIO JOSÉ SEGURO)
(sublinhados da minha responsabilidade)

Começo com um testemunho pessoal.
Sei bem o vosso valor. Sei bem o que as Misericórdias representam, não em abstrato, mas na vida concreta de uma família.
A minha família é testemunha do apoio, do cuidado e do carinho que foi dado a um familiar nosso. E estamos eternamente gratos por isso.

Sei que este testemunho emocionado ecoa por todo o país.
Há milhares de vozes que expressam a mesma gratidão, com as mesmas palavras e com a mesma emoção.
E sei também que, em muitos casos, esse testemunho foi antecedido por um momento de aflição.
O desespero de quem procurou uma resposta para uma necessidade que nem a família nem o Estado conseguem assegurar.
A esse desespero junta-se, muitas vezes, a revolta.
A incompreensão de como o Estado, conhecendo os problemas, não preparou respostas adequadas.

E como o cidadão fica reduzido a duas alternativas: o apoio privado, inacessível para a maioria das famílias portuguesas, ou do setor social, onde as Misericórdias, há séculos, prestam essa ajuda.
É por isso que estou aqui. Com gratidão. Com respeito. E com a convicção de que este Congresso não é apenas um momento de celebração.
É igualmente um momento de responsabilidade partilhada.

Senhoras e Senhores,
A União das Misericórdias Portuguesas celebra este ano meio século de existência.
Cinquenta anos de coordenação, de representação, de defesa de uma causa que é, também, uma causa do Estado.

Ao Dr. Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias, dirijo uma palavra de reconhecimento pelo trabalho que tem feito e pela coragem com que tem nomeado, sem eufemismos, os problemas que o setor enfrenta.
A sua voz tem sido insubstituível neste debate. O Pacto da Saúde precisa vivamente do seu contributo e do contributo das Misericórdias portuguesas. Não é apenas o Pacto, o país precisa verdadeiramente do vosso contributo e da vossa experiência.

Estamos aqui a assinalar os cinquenta anos da União das Misericórdias Portuguesas, mas as Misericórdias têm uma história muito maior.
São uma das mais antigas e mais resistentes redes de solidariedade deste país. Nasceram com uma grande proximidade religiosa, mas o movimento fortaleceu-se através da iniciativa de leigos, enraizado nas comunidades, próximo das pessoas. Muito antes de existir Estado Social, muito antes de existirem políticas públicas de proteção.
E continuam a estar onde, por vezes, o Estado chega tarde, chega pouco ou simplesmente não está presente.

Os números falam por si e precisam de ser ditos, porque raramente são referidos juntos.
Menciono apenas alguns:
388 Misericórdias.
158 mil pessoas apoiadas por dia.
52 mil trabalhadores.
21 hospitais.
508 estruturas residenciais para idosos.
399 creches e estabelecimentos de pré-escolar.
192 unidades de cuidados continuados.


Não é uma rede de apoio social. É uma espinha dorsal da solidariedade do nosso país.
É o país que funciona onde, com frequência, as Misericórdias são a única instituição que tem uma política de proximidade.
E é, em muitas localidades do interior, a principal fonte de emprego. Quem apoia os nossos idosos, quem cuida das nossas crianças, quem assegura os cuidados continuados.

Senhoras e Senhores,
Não posso estar nesta sala sem nomear o que todos sabemos e que é o tema deste Congresso, "a atualidade de uma evolução segura", convoca com urgência.
O Dr. Manuel de Lemos chama de “tsunami social”. Eu tenho utilizado a imagem de bomba-relógio, mas ambos chamamos a atenção para os efeitos dramáticos das alterações demográficas no nosso país e para o aumento da pressão sobre os setores da saúde e da segurança social.

Em duas áreas que já vivemos situações críticas.
Centremos o nosso olhar na questão das residências para idosos.
Segundo a OCDE, 
Portugal é o terceiro país da União Europeia com menos camas por idoso em lares. No setor privado, sem comparticipação, uma cama custa 2,5 vezes o valor de uma reforma média.
Com as mensalidades dos lares a subirem entre 200 e 250 euros num ano.
Esta, é uma conta que não bate certo com os rendimentos das pessoas.
É uma conta que milhares de famílias portuguesas tentam fazer todos os meses, com angústia.

Outro indicador, o 4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal, acrescenta mais um dado preocupante: a falta de lares e o aumento do número de idosos, além da pressão sobre os preços, estão também a aumentar as listas de espera.
Segundo o mesmo estudo, 70% das unidades estão totalmente ocupadas e com listas de espera, sendo que em 36% dos casos o tempo de espera ultrapassa os seis meses.
Agora juntemos a estes dados o agravamento da questão demográfica com o significativo envelhecimento da população.

Somos dos países mais velhos da Europa, e a situação vai agravar-se nas próximas décadas.
Em 2050, seremos o quarto país do mundo com maior proporção de população acima dos 65 anos.
Saúde e Segurança Social são sectores que vão estar fortemente pressionados.
São duas das principais áreas de atividade das Misericórdias portuguesas e já estão a ter uma experiência dramática do que vem aí.
A pressão agrava-se igualmente pela falta de mão de obra.

É bom que muita gente repare que, em muitas localidades, quem trata dos nossos idosos são imigrantes.
Li uma entrevista do Dr. Manuel de Lemos onde refere “no Alentejo, todas as misericórdias têm seis, sete nacionalidades diferentes”.
São elas e eles que, muitas vezes em silêncio, sustentam o que seria um colapso social sem a sua presença.
São estas pessoas, nacionais e imigrantes, a quem devemos também uma palavra de agradecimento e reconhecimento. Pelo seu trabalho, muitas vezes pouco reconhecido socialmente, mas também pela sua dedicação, pelo seu cuidado, pelo seu amor, e compromisso com os utentes, que vai muito para além do que se pode exigir num emprego.

Outra situação tem a ver com a necessidade de se melhorarem estruturas que já têm várias décadas. Instalações de residência sénior e de prestação de cuidados de saúde. E, simultaneamente, de reforçar formas de apoio domiciliário.
Estas são realidades que o Estado conhece. Agora e no passado recente.
E é aqui que tenho de ser direto, sem dramatismo e sem ambiguidade: a solidariedade da sociedade civil não pode substituir a responsabilidade primeira do Estado.

Veja-se o último exemplo: a resposta ao internamento social nos hospitais só está a ser conseguida graças às camas disponibilizadas pelas Misericórdias.
É mais uma vez o setor social a suprir o que o Estado não tem.
E é uma situação que não pode ser aceite como um novo normal.
Eu sei que me repito, mas na verdade é a realidade que se repete, os mesmos problemas com o mesmo tipo de ausência de soluções.

É tempo, e já vamos tarde, para políticas estruturais que atenuem as consequências do envelhecimento populacional.
É tempo para se dar prioridade a iniciativas que permitam dar sustentabilidade às pressões que vamos sentindo na saúde e na segurança social.
Políticas que atravessem legislaturas, que não dependam do calendário eleitoral, que construam respostas para um problema que se vai agravar antes de melhorar.

Os problemas mais relevantes exigem planeamento que atravesse várias legislaturas. Precisam de estabilidade política e de convergência entre as principais forças políticas.
É tempo de olharmos com mais atenção para a qualidade de vida das pessoas com mais idade e para as suas famílias.
Hoje já é grave, e será muito pior quando chegar a nossa vez.

Senhoras e Senhores,
Quero terminar com duas notas que me parecem igualmente importantes.
Sabemos que as Misericórdias desenvolvem atividades com outros grupos etários, designadamente com os mais novos em creches e no pré-escolar, mas é sobre os idosos, que contam com o vosso apoio, que desejo continuar a falar-vos, porque, frequentemente, são esquecidos do discurso público.
E a referência deve-se ao facto de as Misericórdias, com a sua atividade, atenuarem de forma significativa algumas das mais graves diferenças sociais e económicas na sociedade portuguesa.

O principal grupo de beneficiários das Misericórdias são idosos com carreiras contributivas frágeis, reformas baixas, sem capacidade de pagar o mercado privado e sem retaguarda familiar suficiente.
São pessoas que trabalharam uma vida. Que contribuíram para o país que hoje somos. E que agora dependem de uma rede, a vossa rede, para viver com alguma dignidade.
A eles, e às suas famílias, Portugal deve uma resposta melhor do que aquela que tem sido dada.

A segunda nota é sobre o que as Misericórdias fazem, noutra área, e que não se conta nas estatísticas.
O património que preservam, mais de mil imóveis de interesse arquitetónico, oitenta e dois museus e núcleos museológicos.
É um tesouro cultural que, em muitos concelhos, só existe porque as Misericórdias o salvaram.
No património material, as práticas culturais e religiosas que mantêm vivas, muitas vezes através dos irmãos mais idosos, são outro fio de continuidade entre gerações, que políticas públicas não conseguiram replicar.
Estes contributos merecem ser reconhecidos e valorizados, porque, além do mais, têm potencial de promoção cultural e turística em muitos concelhos de escassos recursos.

Dr. Manuel de Lemos, Provedores, Irmãos das Misericórdias,
O tema deste Congresso é "a atualidade de uma evolução segura".
É uma formulação sábia. 
Porque reconhece que evoluir é necessário e que a segurança dessa evolução depende de todos: das Misericórdias, do Estado, das famílias, da sociedade.
Contem com o Presidente da República como aliado nesse caminho.
Como uma voz que amplifica as vossas causas, que nomeia as vossas dificuldades e lembra ao Estado o cumprimento das suas obrigações.
Há cinquenta anos, a União das Misericórdias nasceu para coordenar e representar o que a solidariedade portuguesa tinha de mais organizado e mais consistente.

Hoje, esse papel é mais necessário do que nunca.
O tsunami social que aí vem não se enfrenta com improvisação.
Enfrenta-se com o contributo e com a força de quem tem meio século de experiência e um enraizamento comunitário e de compromisso com as pessoas de vários séculos.
Essa força é a vossa. E Portugal precisa muito dela.
Muito obrigado
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Mais um discurso do actual Presidente da República de uma extensão que diria sonolenta para quem o escutou.

O PR toca em aspectos que serão cada vez mais dramáticos na sociedade portuguesa.
Portugal, lembrou, é um dos países mais envelhecidos e a tendência é para piorar.

Salvo melhor opinião o papel das Misericórdias é de muito aplaudir senão mesmo agradecer. Além das Misericórdias há outras instituições do género que prestam igualmente apoio a idosos. Não me refiro a lares manhosos que infelizmente, alguns, ainda não foram encerrados.

Mas quem ler este discurso e outros do género é capaz de ficar convencido que os custos/ encargos inerentes ao apoio inestimável que fornecem a muitos milhares de portugueses é exclusivamente suportado pelas Misericórdias.
Nem as Misericórdias nem outras instituições de apoio social suportam sozinhas os custos inerentes ao seu apoio.

Por cada utente o Estado via governos apoia num determinado montante em Euros, pelo menos isso.
Estou a falar disto apenas por uma questão de rigor.

O Lar em que a minha mãe está, com uma mensalidade bastante elevada, recebe uma certa quantia por cada utente ali residindo.

A terminar sei bem o que a CRP estabelece. Mas a realidade é que os sucessivos deputados e os sucessivos governos e os sucessivos inquilinos do Palácio de Belém, passam décadas com discursos comoventes como este, do OE e depois via ministério com a responsabilidade directa das questões sociais enviam uns Euros para subsidiar Misericórdias e outras instituições. E ficam contentinhos.

Fiscalizações a sério, a doer, às Misericórdias e outras instituições, não permitir um único lar com instalações e serviços degradantes como periodicamente aparece na comunicação social, ISSO É QUE É MAIS DIFÍCIL. Enfim.

AC
10  JUNHO  2026
DIA de PORTUGAL, de CAMÕES e das COMUNIDADES PORTUGUESAS
FEIRA MUNICIPAL ÁGUEDA
> 1692 - EUA, Salem, caça às bruxas, várias condenadas e enforcadas por acusação de bruxaria
> 1752 - Benjamin Franklin em plena trovoada sai à rua com um papagaio de papel de onde pendia uma chave ligada a uma espécie de bateria, e a bateria carregou, concluindo que o raio é electricidade
> 1829 - Primeira edição da regata Cambridge-Oxford
> 1880 - Republicanos aproveitam o tricentenário do falecimento de Camões e manifestam-se contra a monarquia
> 1882 - Lisboa, Chiado, inauguradas cabines públicas de telefones
> 1891 - Nasce a Sociedade Companhias Reunidas de Gás e Electricidade
> 1926 - Faleceu Antoni Gaudi
> 1944 - Inaugurado o Estádio Nacional no Jamor
> 1969 - Primeira reunião do Grupo de Estudos de História Marítima, que em 1970 passou a Centro de Estudos de Marinha e em 1978 a Academia de Marinha
> 1993 - CCB, acolheu a presidência portuguesa da CEE em 1992, abre nesta data, mas inauguração oficial ocorre apenas em 10 de Agosto de 1993
> 2011 - Última edição do "News of the World"
> 2026 - As cerimónias principais deste 10 de Junho decorrem na ilha Terceira, Açores, tendo em 6 e 7 de Junho passado havido cerimónias no Luxemburgo
AC

terça-feira, 9 de junho de 2026

AC

RESTAURAÇÃO

Restaurante "O Hespanhol", em Idanha-a-Nova, a que agora o António e irmão deitaram mãos à obra, comida simples, típica, caseira, preços mais que módicos.

Gente simples, muito afável, simpática.

Toalha de pano, toalha de papel por cima, guardanapo de papel, louça típica, não sei se aos das bolhas e "vernissages" agradaria. 


Começando do fim para o princípio:

Para o casal foi café, doce de bolacha, lagartinhos, batatas fritas (o sabor das batatas não tem nada a ver com as que se compram nos supermercados da grande Lisboa), sopa creme de courgete com ovo cozido, pão da região e bocados de "bica", azeitonas e manteiga, um jarro pequenino de vinho tinto da casa, uma imperial.

26,00 € pagou o casal.

 AC

E OS OUTROS FICAM COM AS PERNINHAS A TREMER

"Tragam a taça que nos falta." Seguro entrega bandeira de Portugal à seleção para ser usada na final do Mundial
9 de junho, 2026 às 08:25




António José Seguro com a seleção nacional de futebol antes da partida para o Mundial 2026

Créditos: António Cotrim/Lusa

Decididamente Seguro não absorveu bem a passagem de serviço.
Atão, sr Presidente, esqueceu a frase?
Somos os melhores dos melhores.
Mas não está lá o Eder!
Aguardemos
AC
FLORES  NA  ALDEIA
AC

 FLORES  na  ALDEIA

AC

ROSMANINHO  NA  ALDEIA

AC 
Portugal e o desafio da maturidade industrial na Defesa
(Fernando Figueiredo, Coronel, Consultor de Defesa, SAPO, 20MAI2026)
(sublinhados  da minha responsabilidade)

O momento geopolítico é de uma clareza rara. A Europa rearma-se. O EDIP está operacional. O SAFE disponibiliza financiamento sem precedentes. A NATO aumenta as exigências sobre os aliados europeus. E Portugal está a renegociar compromissos e a tentar afirmar-se como parceiro fiável no flanco sul e no Atlântico.

Portugal gasta em Defesa. Não tanto quanto deveria, e a meta NATO dos 2% do PIB não é totalmente uma realidade consolidada, mas de facto gasta. O problema não é quanto se gasta. O problema é em quê: a esmagadora maioria do investimento em equipamento militar sai do país, financia a indústria de terceiros e não deixa capacidade produtiva instalada em território nacional.

Esta não é, contudo, uma originalidade portuguesa. É a condição crónica de países europeus que compram sistemas acabados em vez de construírem a capacidade de os produzir.

Por mais “defense & innovation, hackathons, summits” ou nomes em inglês que inventem, a verdade é simples: depois das fotografias, dos painéis e dos momentos B2B, se não existir um investidor com capacidade financeira e vontade real de assumir risco, estes encontros acabam muitas vezes por servir apenas para aumentar listas de contactos, alimentar expectativas e produzir mais apresentações do que capacidade real, mas por mais paradoxal que pareça, a diferença entre os programas de Defesa que têm sucesso e os que falham não está exclusivamente nos recursos financeiros. Está na articulação sistemática entre maturidade tecnológica e maturidade produtiva, entre os Technology Readiness Levels (TRL) e os Manufacturing Readiness Levels (MRL) ou em português Níveis de Prontidão Tecnológica e Níveis de Prontidão de Manufatura.

Os TRL medem se uma tecnologia funciona. Vão de TRL 1, observação de princípios básicos em laboratório, até TRL 9, sistema plenamente demonstrado em combate. Os MRL medem algo fundamentalmente diferente: se essa tecnologia pode ser fabricada de forma fiável, económica e em escala. Vão de MRL 1 até MRL 10, sendo que MRL 9 corresponde à capacidade de produção inicial a baixo ritmo e MRL 10 à produção plena com práticas de lean manufacturing (sistema de gestão que visa aumentar a eficiência e a produtividade reduzindo erros e redundâncias na produção industrial).

Um exemplo concreto: imagine uma empresa portuguesa que desenvolve um sistema eletrónico de comunicações táticas de última geração. Os engenheiros constroem um protótipo que funciona de forma excelente, TRL elevado, mas o protótipo exigiu seis meses de trabalho manual, componentes importados de um único fornecedor alemão e três técnicos que são os únicos a saber montá-lo. Se as Forças Armadas pedirem 200 unidades em 18 meses, a empresa não consegue responder. Tecnologia madura, capacidade industrial inexistente. MRL baixo.

A assimetria entre TRL e MRL cria o que a comunidade de aquisições de Defesa chama de Valley of Death, o cemitério de tecnologias que funcionam em laboratório, mas nunca chegam ao campo.

O F-35, por exemplo, é o caso de estudo negativo mais documentado: mais de 990 aeronaves fabricadas antes de concluída a avaliação operacional inicial. Custo total do ciclo de vida estimado em mais de 2 biliões de dólares. O responsável máximo pelas aquisições do Pentágono classificou a decisão de apressar a produção como acquisition malpractice. Outro exemplo, o destroyer Zumwalt começou com um objetivo de 32 navios a 700 milhões cada, construíram-se três, a 7,5 mil milhões cada, o primeiro entregue com 320 deficiências significativas. E quem não se lembra do caso português na participação do NH90? Muito anúncio, muita ambição estratégica, muita fotografia institucional… e no fim ficaram os custos, os recuos, a indeminização e a sensação recorrente de que, na Defesa como em tantas áreas, o entusiasmo político costuma chegar muito antes da sustentabilidade técnica e financeira.

No lado oposto, o Iron Dome israelita foi aprovado em fevereiro de 2007, testado em março de 2009 e ficou operacional em março de 2011. Quatro anos do conceito ao campo. A chave foi o design for manufacturing desde o primeiro dia: o interceptor Tamir custa 40 a 50 mil dólares em produção, ordens de magnitude abaixo dos equivalentes ocidentais. A filosofia da agência central de investigação e desenvolvimento de tecnologia de Defesa de Israel (MAFAT) resume-se à fórmula Capacidade × Disponibilidade = Eficácia, ou seja, uma arma razoavelmente boa, disponível 80% do tempo, é mais eficaz do que uma arma perfeita, disponível 10% do tempo. Isto não é um axioma tecnológico. É um axioma industrial: a eficácia depende da capacidade de produção em massa a baixo custo, ou seja, de MRL elevados.

A Coreia do Sul aplica o princípio do design for mass production desde a fase de conceção. A entrega de carros de combate K2 Black Panther à Polónia concluiu-se em três meses após contrato, prazo impensável sem maturidade industrial MRL 9-10 pré-existente. A Turquia, partindo de 25% de produção nacional em 2000, atingiu 80% e 7,15 mil milhões de dólares em exportações de Defesa em 2024, seguindo precisamente a lógica TRL-MRL: primeiro produção licenciada, depois coprodução, finalmente conceção e fabrico integralmente nacionais.

A União Europeia criou um pipeline implícito TRL→MRL através do Fundo Europeu de Defesa (EDF) e do Programa Europeu de Indústria de Defesa (EDIP). O EDF financia investigação e desenvolvimento até TRL 8; o EDIP, aprovado em dezembro de 2025 com 1,5 mil milhões de euros, financia industrialização, escalonamento de produção e aquisições conjuntas. O programa SAFE disponibiliza empréstimos até 150 mil milhões de euros para aquisições de defesa com pelo menos 65% de componentes europeus.

Mas há um problema estrutural: a Europa não adotou um quadro formal de avaliação MRL. Nos Estados Unidos, desde 2011, a lei impõe a avaliação paralela de TRL e MRL em cada marco de qualquer grande programa de aquisição de Defesa. Na Europa, o termo MRL aparece nos documentos de trabalho do EDF de 2026 exclusivamente como abreviatura de… Multiple Rocket Launcher. A Estratégia Industrial de Defesa Europeia de 2024 reconhece explicitamente um "défice de comercialização" entre investigação e produção, mas não propõe nenhum instrumento de medição.

Isto cria uma assimetria competitiva: uma empresa que conclui um projeto EDF em TRL 6 não tem forma padronizada de demonstrar maturidade industrial para financiamento EDIP. A primeira nação europeia que institucionalizar a acoplagem TRL-MRL adquirirá vantagem estrutural dentro da Base Tecnológica e Industrial de Defesa Europeia (EDTIB).

Portugal tem a sua indústria de Defesa Nacional muito fragmentada, muito dependente de PME, mas apesar de todos os problemas conhecidos nos grandes programas de defesa internacionais, a realidade é que Portugal conseguiu, nos últimos anos, uma integração relevante em consórcios europeus e NATO ligados à defesa, espaço, drones, sistemas autónomos, software crítico e inteligência artificial.

Só entre EDF, PESCO e NATO Innovation Fund, empresas e entidades portuguesas como TEKEVER, Critical Software, GMVIS Skysoft, Visionspace, INESC TEC, INEGI, N3O ou OptimalSatellite participam em dezenas de projetos avaliados em mais de mil milhões de euros. Portugal está hoje presente em 17 projetos EDF selecionados em 2025, participa em 17 projetos PESCO, liderando três, e tornou-se um dos principais beneficiários do NATO Innovation Fund, incluindo o investimento na TEKEVER e no fundo da Faber Venture Capital.

Portugal tem ainda vantagens estruturais difíceis de replicar: posição geoestratégica atlântica, as Lajes, a ligação ao espaço lusófono e competências reais em manutenção aeronáutica, sistemas eletrónicos, comunicações, naval e CBRN (Química, Biológica, Radiológica e Nuclear).

O problema português não é a ausência de talento, investigação ou participação internacional. O verdadeiro problema é Valley of Death: existe capacidade científica e algum desenvolvimento tecnológico, mas raramente se transforma isso em capacidade industrial sustentada e autónoma. Na prática, muitos destes programas acabam por colocar Portugal nas margens da cadeia de valor: montagem final, subcomponentes ou integração limitada, o chamado screwdriver assembly. E o mesmo aconteceu com os offsets das grandes aquisições militares: recebemos trabalho temporário, mas não transferência duradoura de capacidade produtiva. A diferença é fundamental: o trabalho termina quando o contrato acaba; a capacidade fica, gera indústria, exportações e soberania tecnológica.

O roteiro proposto para o que Portugal deveria fazer é o seguinte:

O primeiro passo é conceptual: Portugal precisa de adotar internamente a lógica da dupla avaliação TRL-MRL em todos os contratos de I&D de defesa. Não é necessária legislação nova, basta alterar os cadernos de encargos. Cada contrato de desenvolvimento deveria definir não apenas um TRL exit mas um MRL exit simultâneo: se o objetivo é um protótipo em TRL 6, o contrato deve exigir simultaneamente MRL 5, ou seja, cadeia de fornecimento preliminar identificada, estimativa de custo de produção em escala, pessoal técnico formado.

O segundo passo é institucional: o Ministério da Defesa Nacional através da DGAPDN (Direção-Geral de Armamento e Património da Defesa Nacional) e o Estado-Maior General das Forças Armadas deveriam incorporar avaliações MRL nos processos de aprovação de programas de aquisição, à semelhança do que o Pentágono faz por imposição legal desde 2011. Portugal participará em programas EDIP e utilizará financiamento SAFE, mas sem capacidade de demonstrar maturidade industrial MRL 7+, o risco é acabar como "simples financiador": pagar por sistemas sem participação industrial substantiva, exatamente como aconteceu em tantos offsets anteriores.

O terceiro passo é estratégico: Portugal não pode nem deve ambicionar autossuficiência industrial em Defesa. A geografia, a dimensão da economia e a estrutura das Forças Armadas não o permitem, mas pode, e deve, identificar os seus nichos de excelência e tornarem-se nó especializado e insubstituível dentro da EDTIB. Manutenção e modificação de aeronaves? Sistemas de vigilância marítima? Comunicações táticas? Veículos não tripulados de superfície? A escolha estratégica dos nichos, documentada e fundamentada por avaliações MRL rigorosas, é o que transforma intenção política em capacidade industrial.

O momento geopolítico é de uma clareza rara. A Europa rearma-se. O EDIP está operacional. O SAFE disponibiliza financiamento sem precedentes. A NATO aumenta as exigências sobre os aliados europeus. Portugal está a renegociar compromissos e a tentar afirmar-se como parceiro fiável no flanco sul e no Atlântico.

É precisamente neste momento que a ausência de uma política industrial de Defesa coerente, ancorada na acoplagem TRL-MRL, se torna mais dispendiosa. Não apenas em termos económicos: em termos de soberania estratégica, de credibilidade junto dos aliados, e de capacidade real de contribuir para a segurança coletiva com algo mais do que as Lajes e a boa vontade.

O que falta a Portugal não é dinheiro, não é talento, não é motivação geopolítica. É o tecido conjuntivo — a articulação mensurável, institucionalizada e rigorosamente documentada entre o que se investiga e o que se fabrica, entre o laboratório e o campo de batalha, entre a excelência académica e a capacidade industrial.

Como escreveu o General Platias sobre a Grécia no Roteiro para a Indústria de Defesa Grega, Revista Aérea Helénica, abril de 2026, palavras que se aplicam com igual precisão a Portugal: "O custo da inércia não se limita à ineficiência económica. Exprime-se como prolongamento da dependência estratégica, numa época histórica em que essa dependência evolui rapidamente de fraqueza para ameaça existencial."

A janela está aberta. Por quanto tempo, ninguém sabe!
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Respeito, SEMRE, a opinião de outrem. 
Depois, concordo, discordo, argumento/ comento se me apetecer.

Considero interessante este artigo.
A propósito do tema, a propósito do momento internacional, a propósito do inarrável Nuno Melo, escreverei umas linhas.

Bom dia, boa 3ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

"LIBERTO  EM  DUPLO,  ABANDONEI-ME  DA  PAISAGEM  ABAIXO . . . . "

(Fernando Pessoa)

AC

DAMASCOS
Na traseira da casa 😎😎
AC
DESCARADA AUSÊNCIA de VERGONHA na CARA
Foi dia mundial dos oceanos e vai daí, o chefe do PS vai numa de rota pela economia do mar.
Como é seu apanágio, descobriu agora os oceanos, e vai daí vai indicar caminhos ao governo quanto a este tema.

Vai começar o seu périplo pelos Açores, talvez mandado pelo seu presidente Carlos César.

Como é seu apanágio, Carneiro que esteve no rebanho socialista de Costa promete agora ouvir toda a gente, empresários, pescadores, gentes várias.

Como é seu apanágio, Carneiro irá 
apresentar o desenho de políticas públicas capazes de reforçar a competitividade, a inovação e a sustentabilidade da economia azul portuguesa. É bonito.

A par do anúncio da iniciativa Carneiro cuidou hoje de salientar a falta de visão do governo e a sua falta de planeamento ( parcialmente concordo com Carneiro).

E Carneiro descobriu que o mar/ os oceanos é um dos principais recursos do país e que não está a ser aproveitado.
Claro que Carneiro lembrou os grandes esforços de Costa nesta matéria, esforços notórios e notáveis que toda a gente viu!
Ah, Costa estava a dar "centralidade ao tema"

Carneiro afirmou que enquanto líder do PS, quer é dar centralidade política ao tema, que é uma área que mobiliza amplos sectores.
Carneiro propõe-se portanto ser "farol" para Luís Montenegro.

Portanto, temos mais uma vez  Carneiro a apontar rumos ao governo.
Carneiro, porque farol, passará a ser incluído nos livros de ajudas à navegação marítima.

Quem quiser que se dê ao trabalho de pesquisar nos 8 anos e algumas  semanas que decisões estrondosas foram tomadas e que fabulosos sucessos foram obtidos no que se refere à brutal massa oceânica sobre a qual Portugal tem jurisdição. Não me refiro a anúncios!

A descarada ausência de vergonha na cara continua a ser uma marca.
Patético.
AC
Na  ALDEIA,  OLHANDO  os  ASTROS
AC
FINAL de DIA, GARDUNHA  ao  FUNDO

AC