AINDA SOBRE LUÍS NEVES e MAIRespeito, SEMPRE, a opinião de outrem.
Depois concordo ou discordo e se me apetecer comento, argumento, dou a minha opinião.
O sururu sobre a nomeação (para mim também curiosa) de Luís Neves para MAI tem tido alguns contornos peculiares, isto para não classificar pior certos arautos.
Nomeadamente no âmbito de alguns "Komentariadores", e pés de microfone e jornalistas, desculpe-se o pleonasmo.
Uma das curiosidades (para mim naturalmente) que encontrei foi a invocação da quebra da regra democrática - separação de poderes.
Ora separação de poderes e recordando-me das aulas na Faculdade de Direito, refere-se à separação entre os três poderes: o legislativo, o executivo e o judicial, ou seja no nosso caso, a Assembleia da República, os governos e os tribunais. Ponto final parágrafo.
A expressão global judiciário não é tribunal, não é órgão de soberania.
Separação de poderes, respeito mútuo pelas competências constitucionais de cada um dos poderes, separação que deve ter em conta uma cooperação institucional leal, ao serviço do Estado, para que a sociedade e o Estado funcionem saudavelmente.
A nomeação de Luís Neves para MAI é (para mim também) discutível, mas não creio que em nada tenha a ver com separação de poderes.
Luís neves não integrava o poder judicial.
Luís Neves enquanto homem da PJ, tal como a Polícia Marítima, a Polícia de Segurança Pública e a Guarda Nacional Republicana, não integrou o poder judicial.
A PJ e as outras polícias colaboram na investigação, habilitam o MP, e depois as coisas seguem para tribunal ou não.
Sim, a PJ é um dos muitos departamentos da máquina do Estado. Mas creio que dizer que se insere no poder judiciário parece-me mesmo que é só para dar peso à opinião - que a PJ/ Luís Neves está no lado dos tribunais.
A nomeação de Luís Neves não tem a ver com a separação de poderes, é a minha opinião.
O que a sua nomeação para MAI eloquentemente mostra é a ausência de pessoas com categoria, com decência, com espírito de servir, com honestidade, para servirem a sociedade nos sucessivos governos.
Nos primeiros anos a seguir ao 25 de Abril era ver o corrupio de malta dos partidos a frequentar o curso de Auditor de Defesa Nacional.
A pouco e pouco muitos foram saindo da política para as negociatas, para os negócios, para o crescente número de situações à mesa do orçamento de Estado, mas nada de lugares governamentais.
Resultados estão à vista.
Recordem-se por exemplo do D. Sebastião rosa que nunca largou nem larga os negócios, ou os doutores alaranjados que também só querem negócios e facilitar negócios.
Mas ainda quanto a sururu, porque é que quando Montenegro escolheu Lúcia Amaral para MAI não houve este sururu?
Lúcia Amaral, ex juíza do Tribunal Constitucional e ex Provedora de Justiça?
Já sei, agora dá jeito porque Luís Neves conhece os contornos todos sobre a casa de Montenegro e, dizem à esquerda do PSD e à sua direita - ah, queres é travar o processo.
Enfim, embora, para mim evidentemente, Luís Neves vir-me dizer que nada sabe da coisa e como director só providenciava meios para a instituição PJ também pode ir dar várias voltas ao bilhar grande.
Farto de malandragem estou eu!
António Cabral (AC)