IRÃO. QUE PAÍS É ?
Não vou olhar aos aspectos tradicionais de análise como PIB, emprego, desemprego, cultura, economia, indústria, turismo, moeda, língua, clima, etc. etc.
Fico-me pela geografia, que mostra ser um país com imensas áreas montanhosas mais que propícias a esconder o que se quiser, e outras desérticas.
Se não estou enganado, no tão falado estreito de Ormuz o lado iraniano é bastante alto. Olham do alto para quem passa.
Além de um rosário de ilhas, duas ou três grandes e depois uma série de ilhotas, todas proporcionando vantagens militares.
Fico-me por etnias (pardos, medos, persas, azeris, curdos, etc.), o Irão-Pérsia tem milhares de anos e no tempo recente, concretamente 1946, foram brutalmente esmagadas revoltas de curdos e azeris com algum apoio soviético.
Na República Islâmica actual devem ser centenas de milhares as pessoas mortas e enclausuradas nas prisões que já vinham do tempo do Xá.
Fico-me pela população que em 2003/ 2005 andaria por volta de 65 a 70 milhões e na actualidade é capaz de ter pelo menos 90 milhões. Crescimento demográfico galopante.
Fico-me pela tentativa de nacionalizações nos anos 50 do século passado em que agências americanas conseguirem o afastamento do então PM. Mistérioooooo!
Fico-me pelo regime, que mudou em 11 de Fevereiro de 1979. Instalou-se a República Islâmica do Irão. Que esteve em guerra 8 anos com o Iraque (do Sadam sunita), que a desencadeou.
Fico-me pela geopolítica, sendo certo que a política externa do Irão teve variados desenvolvimentos, desde fases de tentar boas relações com todo o mundo islâmico, golfo Pérsico e Eurásia, fases de maliciosamente tentar o enfraquecimentos de Estados na região, fases de política mais pragmática e realista com outras nem tanto, fases de aproximações e afastamentos com a União Soviética e depois Rússia e China.
Fico-me pela geopolítica, sendo certo que antes de 2001 o Irão estava basicamente rodeado de regimes sunitas. A partir desse ano parte dessa muralha sunita caiu.
É conhecido que o Irão /República Islâmica do Irão não reconhece a existência de Israel e quer um dia riscá-lo do mapa.
Clarinho, borrifa-se para o facto de que a ONU reconhece a existência de Israel. Este por sua vez vai fazendo o que se sabe quanto à Palestina.
Fico-me essencialmente pelo nuclear. Ponto longo.
* o Irão tem poder militar convencional muito relevante. Grande parte dos seus meios navais estarão presentemente destruídos, mas é bem provável que mantenha dezenas e dezenas de lanchas com capacidade de infligir grandes danos a navegação mercante e mesmo à naval/ militar.
* o programa nuclear do Irão iniciou-se na década de 70 do século XX, monarquia, com o Xá ainda no poder.
Quando Khomeini assume o poder em Fevereiro de 1979 o programa é abandonado/ suspenso.
Sairam do país muitos cientistas iranianos e muito técnicos alemães. Ficaram dois reactores nucleares inacabados.
* depois do fim da guerra com o Iraque o Irão reconsiderou o programa nuclear. E certamente considerou importante para a sua segurança dotar-se de armas químicas, radiológicas, biológicas e nucleares.
* desde 1988 o Irão tem aumentado o seu potencial militar.
Do que se sabe o Irão virou-se muito para a União Soviética para os mais diferentes tipos de armamento.
* durante a administração americana Clinton houve algumas tentativas de normalização das relações norte-americanas-iranianas.
* do que se sabe, na década de 90 do século XX o apoio soviético e também chinês foi determinante no programa nuclear do Irão.
* o Irão montou há muitos anos uma estratégia indireta violenta contra Israel, municiando os Houtis, os Hamas e os Hezbollah.
* em 14 de Agosto de 2002 ficou-se a saber da existência de mais duas instalações nucleares, Natanz (enriquecimento de urânio) e Arak (produção de água pesada).
* Depois desta descoberta o Irão notificou a AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica) do projecto nuclear em curso.
* em Dezembro de 2002 ficou confirmado por imagens satélites que o Irão trabalhava activamente para desenvolver capacidades nucleares militares.
* em 2003 o Irão confirmou a intenção de explorar as minas de Urânio na região de Savand.
* as subsequentes visitas / inspeções pela AIEA confirmaram um estado muito avançado do programa nuclear e foram-se confirmando violações várias do Irão quanto aos acordos firmados com a AIEA.
* entre 2000 e 2003 o Irão importou muito armamento da Rússia e China.
* terá começado sobretudo nessa data o empenho e incremento do desenvolvimento de mísseis balísticos de tipos diversos.
* em 2003 França, Alemanha e Reino Unido tentam manter um acordo com o Irão.
* aparentemente em 2003 o mundo Ocidental terá ficado meio convencido que o referido programa militar nuclear estaria ou iria ser interrompido.
* no Ocidente manteve-se em épocas diferentes incerteza quanto aos reais progressos Iranianos no seu programa nuclear.
* a partir de 2004 a estratégia do Irão foi claramente de não cooperação, quanto ao nuclear, mas sobretudo quanto a uma estratégia visando a derrota geopolítica dos EUA na região Médio Oriente/ Golfo Pérsico.
Foi notório o inerente incremento de relações com a China e Rússia.
* em 13 de Março de 2005 as denúncias da AIEA quanto à falta de cooperação do Irão escalaram.
O Irão confirmou prosseguir o seu programa nuclear.
* ao longo de todo o século XXI tem sido evidente por parte do Irão um jogo diplomático de avanços e recuos numa clara tentativa de ganhar tempo. Como por exemplo quando de uma reunião em Londres em 16 de Janeiro de 2006.
* em Junho de 2006 o Irão confirmou ter alcançado níveis de enriquecimento de urânio na ordem de 5%.
Em Julho deste ano o Conselho de Segurança da ONU dá um novo e inequívoco apoio às inspeções da AIEA face às crescentes dificuldades sentidas nas idas ao Irão.
* O Irão nunca cedeu perante pelo menos duas resoluções da ONU sobre esta matéria.
* em 2007 um estudo americano dava a entender que face às pressões, às sanções e ameaças o Irão estaria eventualmente com intenção de parar o projecto militar nuclear.
* a realidade dos anos seguintes mostrou ser séria a crescente ameaça nuclear Iraniana, nunca pararam, sendo certo que a vida da AIEA foi decisivamente e crescentemente dificultada. Passou a nada resultar.
A minha conclusão:
* Quem quer desenvolver um programa nuclear para fins pacíficos e industriais certamente que NÃO PRECISA de estabelecer infra-estruturas a 90 metros de profundidade.
* Quem quer desenvolver capacidades militares nucleares e o mais depressa possível obter armas nucleares prontas e operacionais, PRECISA de ter muitas infra-estruturas para esse fim e muitas delas enterradas a 90 metros de profundidade.
António Cabral (AC)