RELENDO NOTÍCIAS . . . . .
Relendo notícias de há dias ou semanas, reparo com mais atenção para aspectos a que pouco liguei na primeira leitura, umas vezes apressado, outras cheio enojado pelo fedor que exalam.
Uma delas agora relida foi à volta dos aviões de combate da nossa Força Aérea (FAP), os F-16, que estão velhinhos e sobre os quais, há anos, um conhecido meu e elemento desse ramo das Forças Armadas (FA) me dizia com tristeza - "nem os rebites para eles fabricamos"!
À volta sobretudo dos substitutos dos F-16!
Antes de continuar, e ainda que não fosse preciso, esclareço que não percebo nada do assunto.
Mas penso pela minha cabeça e, além disso, tenho umas ténues luzes sobre Defesa Nacional (DN) e FA (que não são a DN, apenas um dos seus pilares, concretamente o militar) que advém do que ao longo do tempo fui absorvendo do meu melhor amigo militar (almirante reformado, que por seu lado tinha amigos em políticos e militares).
Uma coisa é certa, existe um documento que é o Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN) que data de há 13 anos e continua sem ser actualizado.
A par disto e como se não bastasse, o mundo está virado de pernas para o ar.
A nossa Constituição é clara (creio eu, mas há quem a interpreta de forma diversa) ao entregar a responsabilidade de política de defesa nacional aos governos.
Portanto, a compra ou substituição (por compra ou eventual empréstimo) de meios militares aos governos cabe definir.
Estou a recordar-me da telenovela da compra/ substituição dos submarinos e lembrar-me:
* que inicialmente deveriam comprados ser três (3 eram os então existentes) e acabaram por ser só dois tal o brutal encargo financeiro,
* do degladiar por baixo da mesa e publicamente entre dois estaleiros (um francês, e um alemão que acabou por ganhar),
* do feroz combate jurídico, de marketing, de assessoria, e de captação de apoiantes entre dois dos mais poderosos consórcios de advocacia nacionais,
* que o processo se iniciou no final de governo socialista (PM Guterres, MDN Pena) mas que o assunto acabou por ser decidido estando no 7º andar do edifico ao Restelo Don Portas.
E recordando-me desta telenovela da qual desapareceram documentos, de onde muitos terão sido escondidos e/ ou destruídos (parece que as máquinas de triturar papel naquele famoso 7º andar quase estoiraram de tanto triturar) e outros levados para casa, a substituição dos F-16 tem trazido a Lisboa representantes e decisores muito importantes dos diferentes fabricantes de aviões de combate, americanos e vários europeus.
Como aconteceu na altura com os submarinos, é evidentemente natural que numa primeira fase os futuros utilizadores de armas sejam os primeiros a olhar para o assunto, neste caso dos aviões é a FAP.
Creio que, quer agora quer como aconteceu com os submarinos, a decisão/ substituição já vem tarde.
Tipicamente português, tipicamente de quem não tem dinheiro.
Andam por aí os importantes representantes dos vários fabricantes de aeronaves. Presumo que esses fabricantes andem já em companhia de poderosas sociedades de advogados, como é usual.
Mover-se-ão junto da FAP e dentro dela junto de determinados oficiais. Mover-se-ão junto do governo, particularmente junto do gabinete do PM, do MDN Melo, do homem das finanças.
E no MDN andarão de certeza nos corredores do edifício de 7 andares ao Restelo, e junto dos principais conselheiros do MDN Melo, civis e militares, de que destes o actual Chefe do Estado -Maior General das Forças Armadas e ex chefe da FAP é o mais importante.
Uma das coisas para mim mais curiosas é, para além dos vários critérios para avaliação / comparação dos caças existentes a questão do dinheiro, do encargo financeiro. Do brutal custo destes brinquedos e de como os pagaremos.
E na área do encargo brutal para o país as semânticas são deliciosas.
Estou convencido de que, para a esmagadora maioria dos portugueses é igual ao litro falar-lhes em LPM (lei de programação militar, raramente cumprida), orçamento próprio da FAP, etc.
Face às notícias, às declarações de Nuno Melo, estou até convencido de que para a maioria pode ficar a ideia de que haverá maneiras diversas de pagar o brinquedo fora do OE ou melhor, que haverá vários sacos de dinheiro.
NÃO HÁ, HÁ SÓ O NOSSO DINHEIRO, O ESMIFRADO /COHIDO EM IMPOSTOS.
DEPOIS INVENTAM ENGENHARIAS FINANCEIRAS.
NÃO HÁ MILAGRES.
Vamos aguardar.
Bom dia, cuidado com o calor.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.
AC