Chapéus há muitos
Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
A liberdade de escolha constituiu o elemento a partir do qual os debates tradicionais sobre a liberdade e a necessidade começaram na Grécia há mais de dois mil e quinhentos anos. O problema da liberdade de escolha reside na contradição resultante do facto de podermos decidir contra o bem essencial, transformando a liberdade em servidão.
O que está a ser imposto como “democracia” é a apropriação do direito de voto por uma elite.
A liberdade humana é o risco humano. A possibilidade de ultrapassar uma qualquer situação implica a possibilidade de não o conseguir.
Os debates-espetáculo que nos são servidos como ração democrática e integral querem que vejamos lutadores em competição e não os empresários e os que manipulam os resultados.
O êxito dos demagogos assenta na cobardia. Os demagogos orgulham-se da sua arte de arrastar cobardes. Os grandes meios de manipulação elegem e legitimam a cobardia como um valor cívico. A discussão da pré-campanha tem sido centrada no lugar a dar num futuro governo aos demagogos que têm a arte de arrastar cobardes.
A adesão de grandes massas aos demagogos é antiga, é uma servidão trágica que ao longo da história tem levado a situações de brutais e irracionais ruturas, em que a humanidade se pode reduzir à situação do indivíduo isolado à beira do abismo, insignificante e incapaz de se aperceber da ameaça para ele próprio e da aniquilação ao seu redor. Julgo ter sido essa a situação de muitos alemães durante o nazismo e de ser essa a situação de muitos israelitas perante o genocídio de palestinianos. Duas situações em que foram os cidadãos que elegeram, que votaram os que os governaram e governam, que participaram em comícios, em ações de esclarecimento, que ouviram ou viram debates.
O que podem fazer os que sentem a angústia da servidão para evitar a tragédia que anteveem como inevitável resultado da demagogia nas horríveis das experiências do passado?
A demagogia é um atentado à dignidade humana e o mais reles e eficaz argumento dos demagogos é o aproveitamento do sentimento de insegurança, que eles próprios criam e que prometem resolver a troco da integração no seu bando.
Outro dos sentimentos explorados pelos demagogos é o do desespero, entendido como o conflito entre a vontade de se manter a si mesmo e o de se perder a si mesmo, o desejo, ou a vontade de obter o mundo completo (a realização), e o desejo ou a vontade de se acolher à servidão, abdicando da da liberdade.
As ações a que assistimos durante uma campanha eleitoral são a repetição do negócio da compra e venda da alma a troco de promessas, as encenações tecnológicas nas televisões não alteram o essencial do logro do mito de Fausto, apenas o embrulham e o disfarçam com luzes faiscantes.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
RECORDANDO
O exemplo
A indústria portuguesa produz por ano 35 000 toneladas de resíduos não recicláveis, que precisam de ser incinerados. O Governo deu por isso pela primeira vez no fim de 1985, quando Carlos Pimenta estabeleceu por decreto as bases de uma política nacional de resíduos. Passaram cinco anos até o Governo abrir concurso para a construção de uma incineradora em Sines. O "povo" protestou e o Governo fugiu. Passaram outros cinco anos e, em 1995, Teresa Gouveia lá convenceu Estarreja a engolir a incineradora. Estava o problema resolvido? Não estava. Em 1997, José Sócrates abandonou o projecto de Estarreja e resolveu entregar a incineração dos resíduos a um consórcio de cimenteiras. Em 1998, esse consórcio propôs quatro sítios possíveis para a co-incineração: Outão, Alhandra, Souselas e Maceira. Elisa Ferreira escolheu Souselas e Maceira. O "povo" protestou e o Governo fugiu. Em 1999, Sócrates, já ministro, removeu o sarilho para uma comissão científica independente, a CCI, como se coubesse a uma comissão científica tomar decisões políticas. Este ano - 2000 - a CCI recomendou, em vez de Souselas e Maceira, Outão e Souselas. O "povo" protestou. Com Manuel Alegre à frente, os deputados de Coimbra prometeram fazer coisas terríveis. Vários cientistas arrasaram as conclusões da CCI. A oposição exigiu em coro que o assunto fosse imediatamente revisto. E agora o Governo, como sempre, hesita. Entretanto, os resíduos não deixaram de se acumular ao acaso. Em 15 anos, 15 anos, não se avançou um milímetro. O Estado pede aos portugueses trabalho, eficiência, dinheiro e sacrifícios - em nome da "modernização". Mas sucede que o exemplo do Estado corrompe a sociedade e é sem dúvida o principal obstáculo à "modernização".
Vasco Pulido Valente assina esta coluna ao sábado e domingo
Para lá do caso concreto, não é exemplo lapidar do muito que continua a acontecer neste tão maltratado País onde, em bom rigor, somos nós os maltratados?
CULTURA
Encontrei uma pretaque estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
(António Gedeão)
EU SEI QUE SOU MUITO DISTRAÍDO . . .
Sei que sou muito distraído, e só isso justifica que eu tenha perdido as notícias das televisões daquelas meninas que andaram aqui há tempos numa flotilha, e que agora andam pressurosas em botes dos fuzileiros a auxiliarem populações nas várias das zonas alagadas como em Alcácer do Sal, Leiria, etc.
AC
Recuperando graçola antiga
Um frango atravessou a rua. Porque terá sido ?
Eis a Opinião de uma criança e de alguns Ilustres do Passado e do Presente em resposta à professora primária que perguntou:
"Porque é que o frango queria chegar ao outro lado da rua?"
"Porque sim."
"Porque queria alcançar o Bem."
Aristóteles:
"Porque é da natureza do frango atravessar a rua."
"O frango pensou antes de atravessar a rua, logo, existe."
"O frango, por natureza, é bom; a sociedade é que o corrompe e o leva atravessar a rua."
Freud:
"A preocupação com o facto de o frango ter atravessado a rua já é um sintoma de insegurança sexual."
"Ao longo dos tempos, os frangos vêm sendo seleccionados de forma natural, de modo que, actualmente, a sua evolução genética fê-los dotados da capacidade de cruzar a rua."
"Se o frango atravessou a rua ou se a rua se moveu em direcção ao frango, depende do ponto de vista... Tudo é relativo."
Martin Luther King:
"Eu tive um sonho. Vi um mundo no qual todos os frangos livres podem cruzar a rua sem que sejam questionados os seus motivos. O frango sonhou."
"Sabemos que o frango atravessou a rua para poder dispor do seu arsenal de armas de destruição massiva. Por isso tivemos de eliminar o frango."
"Porque é que o frango atravessou a rua, não é importante. O que o país precisa de saber é que, comigo, o frango vai dispor de uma conjuntura favorável. Não colocarei entraves para o frango atravessar a rua."
José Sócrates:
"O meu governo foi o que construiu mais passadeiras para frangos! Aliás, se não fosse eu e a minha eficiência, não haveria frangos. Quando for reeleito, vou construir galinheiros de cada lado da rua para os frangos não terem de a atravessar."
"O frango atravessou a rua desvairado com um coelho que o anda a lixar! É urgente que o povo me oiça e se movimente para dar-mos caça ao coelho."
"O frango é livre, é lindo, é uma coisa assim... com penas! Ele atravessou, atravessa e atravessará a rua, porque o vento cala a desgraça, o vento nada lhe diz!"
Jerónimo de Sousa:
"Se o frango atravessa a rua, a culpa é das elites dominantes, imperialistas e burguesas que pretendem dominar os frangos, usurpar os seus direitos e aniquilar a sua capacidade de atravessar a rua, na conquista de um mundo socialista melhor e mais justo!"
"Porque é preciso dizer, olhos nos olhos, que só por uma questão racista o frango necessita de atravessar a rua para o outro lado. É claramente uma mesquinhice obrigar o frango a atravessar a rua!"
"Desafio alguém a provar que o frango atravessou a rua. É mentira! Tudo mentira! Foooo---se!!"
Paulo Bento:
"O frango atravessou a rua tranquilamente... Era isso que esperávamos e foi isso que aconteceu, com muita naturalidade. O frango ainda é muito jovem e estas coisas pagam-se caro, com tranquilidade!!!"
"O frango atravessou a rua porque foi ao engate! É um verdadeiro macho, viu uma franga camone do outro lado da rua e não perdoou! Ganda frango!!!”
"Porque se queria juntar aos outros mamíferos."
domingo, 1 de fevereiro de 2026
Marinha de Guerra / Marinha
A 1 de Fevereiro de 1317, por Carta Régia de D. Dinis, foi criada a Marinha de Guerra de Portugal. Foi iniciado o caminho para criar uma instituição militar que atendesse ao desenvolvimento inerente às crescentes actividades marítimas.
Nesse documento o genovês Manuel Pessanha é nomeado para o comando da frota real.
Foram-lhe dadas as condições para ele organizar uma armada militarmente eficaz, e a Marinha passou a ser e como gradualmente aconteceu uma instituição com papel determinante desde então.
A decisão de D.Dinis mostrou bem a dinâmica que tinha adquirido o comércio marítimo na vida de Portugal.
AC
BANDEIRA NACIONAL, representações diversas,
incluindo uma modificação que pretende significar o momento doloroso subsequente à catástrofe que atingiu a parte Continental do país com trágicas consequências para centenas de milhares de portugueses e destruição brutal de habitações e infra-estruturas.
António Cabral













