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quinta-feira, 19 de março de 2026

AGORA que TANTO se FALA de GUERRA . . . 
Apetece-me recordar um texto que encontrei nos meus arquivos. É salvo erro de Dezembro de 2019.
O autor é o Major-General Carlos Branco.
Os sublinhados são da minha responsabilidade
De DEZ 2019 a DEZ 2025 passaram 6 anos. SEIS!
2020, 2021, 2022, 2023 foram rosáceos anos geridos (???) por António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa.
2024 e 2025 foram anos MontesNegros e Marcelo. DOIS.
AC

Um novo Paradigma de Forças Armadas
OS MELHORES dos MELHORES


Apesar de serem os melhores dos melhores (Marcelo Rebelo de Sousa), muitos, assim que podem, "piram-se" da Instituição Militar, "piram-se" por exemplo para a GNR e PSP. Sempre foi assim, mas certos senhores nunca ligaram muito a isto. Agora esperneiam, um bocadinho.
O presidente da CN da AOFA (Associação dos Oficiais das Forças Armadas) diz que assim que passam para a GNR ganham logo mais 250 €.
Quando aumenta agora o alarme, concretamente quanto à carência de praças, a que é que assistimos, no presente? E olhando para trás, décadas atrás?
O actual Comandante Supremo das Forças Armadas, que é irmão gémeo do actual Presidente da República, nada diz em público, o que é uma coisa sempre interessante quando se verifica que comenta quase tudo da vida nacional, desde o importante e ao patético.
E os anteriores Comandantes Supremos e anteriores Presidentes da República?
E os anteriores Primeiro-Ministros, ministros da Defesa Nacional, e os anteriores governos?

A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) levou recentemente a cabo um inquérito aos oficiais das Forças Armadas (sócios e não sócios da AOFA), uma iniciativa meritória e extremamente bem acolhida pelos oficiais. Responderam 1.105 oficiais (55,41%), de um universo de 1.994.

As respostas deviam merecer a atenção dos sociólogos. Sem a pretensão de fazer uma análise sociológica dos resultados, dada a falta de qualificação na matéria, não posso deixar de sublinhar alguns aspetos extremamente pertinentes. Gostaria de salientar as respostas dadas no capítulo do inquérito dedicado ao “associativismo militar vs. sindicalismo militar”. As respostas foram bastante expressivas. O inquérito vem dar-nos nota da evolução registada no pensamento dos oficiais das Forças Armadas.

Há 30 anos era tabu falar de associativismo militar. Um inquérito feito nessa altura sobre este tema teria seguramente respostas muito diferentes. Ora, 72,85% dos inquiridos considera que as associações profissionais militares deveriam ter direito a participar na negociação coletiva. O inquérito não elabora mais sobre o tema. Mas o resultado a que se chegou não pode ser considerado despiciendo.

Esta e outras respostas sugerem abertura de espírito à transformação das associações profissionais em sindicatos. Essa é, aliás, a tendência verificada num número muito significativo de países europeus, alguns membros da NATO. Como se isso não bastasse, o direito dos militares a constituírem sindicatos encontra-se devidamente consagrado no espaço da União Europeia. 75,1% dos oficiais pronunciaram-se a favor da existência do sindicalismo militar em Portugal, enquanto uma larga maioria (61,65%) refutou o direito à greve.

Houve uma evolução significativa ao longo dos anos sobre o modo como os oficiais passaram a ver o associativismo militar. Não é mais percecionado como uma atividade sediciosa contra os chefes militares, um modo de subverter a ação de comando, uma forma de corroer a disciplina, ou um campo fértil para a luta político-partidária; mas sim, uma atividade exclusivamente associada à defesa de direitos dos militares, que escapam legalmente à intervenção das chefias militares, preenchendo um vazio.

Como já tive oportunidade de argumentar noutras ocasiões, a nomeação das chefias militares pelo poder político tem consequências. Os chefes ficam com a sua ação reduzida, não se podendo jamais arvorar em “chefes do sindicato”, recorrendo à frase do general Soares Carneiro enquanto CEMGFA, que ficou célebre.

Os chefes passaram a ter uma dupla lealdade, e a lealdade a quem os nomeia é muito forte. Sobre isso não há volta a dar. Ao contrário daquilo que muitos defendem, o confronto das chefias militares com a tutela não é a alternativa, sempre que surja matéria “corporativa” geradora de tensões. Num Estado democrático, as chefias e a Instituição militar sairão sempre a perder com o confronto. A convivência tem de ser cordata e pacífica.

É para os assuntos que caem fora do raio de ação das chefias militares que devem existir as associações profissionais. Por perverso que possa parecer, é o controlo democrático das Forças Armadas que justifica a sua existência. O relacionamento entre chefes militares e dirigentes associativos não deve ser visto como antagónico, mas sim cooperativo. A empatia deve prevalecer sobre a animosidade. O chefe militar e o dirigente associativo estão do mesmo lado da barricada. Não são opositores nem competidores, porque os seus domínios de intervenção, apesar de próximos e sinergéticos, não se sobrepõem.

Gostem ou não, os responsáveis políticos têm de se convencer que o controlo das Forças Armadas nas sociedades democráticas implica “checks and balances”. Têm de assumir na plenitude as dinâmicas sociais existentes nas democracias liberais do espaço geográfico onde se encontram, correndo o risco de assumirem posições retrógradas e arcaicas. A legitimidade democrática não lhes confere a prorrogativa do “autoritarismo democrático”. Têm de se adaptar e aprender a viver com isso.

Este inquérito promovido pela AOFA dá-nos conta de algo que, porventura, poucos se terão apercebido. Os oficiais das forças armadas foram de um modo progressivo e silenciosamente interiorizando os valores associados ao modelo ocupacional, acentuado com o fim do serviço militar obrigatório, afastando-se do modelo institucional que prevalecia quando ingressaram nas fileiras, em que por definição a vocação desempenhava um papel crucial.

O que não deixa de ser fantástico é ouvir quem fez a apologia do modelo ocupacional – provavelmente bem – vir agora justificar a falta de soldados nas Forças Armadas com a ausência de vocação, recorrendo aos argumentos que sustentam o modelo institucional para justificar a sua inépcia.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Militares das Forças Armadas ganham menos que todos os polícias.
Forças Armadas perderam 11 mil militares (um terço do efetivo) desde 2011. Guarda Prisional e PSP também são menos
.

Mas são os melhores dos melhores, ouve-se. 
Frase certamente proferida por algum papagaio descolorido!
AC

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

 1,5 % - 2 % - 5 % ou 5 % martelado 

ESTEJAM  DESCANSADOS . . . . 

Sobre defesa nacional (DN), forças armadas (FA), muito escrevi ao longo dos anos aqui e em dois blogues de pessoas amigas. E baseando-me no que fui procurando estudar e entender mas, sobretudo, na experiência de um almirante, já reformado, e que é o meu melhor amigo militar.

Este texto (a seguir) que li há tempos no sítio de Belém leva-me a voltar ao assunto, depois de telenovelas várias de que o título procura ser a síntese. (sublinhados da minha responsabilidade)


Visita à Base Aérea N.º4 da Força Aérea
31 de julho de 2025

O Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas visitou a Base Aérea N.º4, na ilha Terceira.
Nesta Unidade da Força Aérea contactou com os militares que diariamente estão em prontidão cumprindo com excelência missões de busca e salvamento e evacuações aeromédicas, entre outras.
Foram ainda visitadas as aeronaves atribuídas à Esquadra 752 e ao destacamento aéreo da Esquadra 502, respetivamente EH-101 e C-295.
O Presidente da República reafirmou a importância geoestratégica dos Açores e o papel fundamental que as Forças Armadas desempenham na região para apoiar as populações e cumprir as responsabilidades de Portugal numa vasta área do Atlântico.

Estejam descansados, estejam descansados que estamos muito bem entregues, estamos em muito boas mãos. 

Desde logo este Comandante Supremo das Forças Armadas (CSFA) que sempre mais me tem parecido um Comandante Superficial das Forças Armadas. 

Estamos em muito boas Mãos!

A Ursula definiu há meses uma "Era do Rearmamento"

Deve ser uma Era émula da época em que ela foi ministra da defesa num governo alemão.  

António definiu uma "Mentalidade de Defesa Europeia".

Mentalidade certamente émula daquela com que António Costa sempre olhou embevecido e dedicado para a DN quando durante um pouco mais de oito anos foi PM. Lembram-se?

Estejam descansados, estamos em muito boas Mãos!

Aqui em Portugal estamos sempre em boas mãos, nas mãos de muitos, civis e militares, que ascendem ao poder sempre dobrando a espinha, sempre em conluios, colaboradores com "o que tem de ser" com o que "só pode ser isso". Mas sempre os melhores dos melhores.

Depois, tempos mais tarde, livres de responsabilidades formais, de cargos, tornam-se muito agitados. 

Palram, escrevem! Muito activos na reforma. Enquanto uns quantos, como o meu amigo almirante, nunca deixou de dizer o que pensava e foi escrevendo o que recomendava, nos sítios adequados, em tempo, nunca em público, nunca desbocado.

No caso da DN, civis e militares escrevem artigos, são muito doutos. Como digo acima também me fui tentando na escrita sobre estas matérias, mas com uma diferença, NUNCA me CURVEI, e tenho coluna vertebral ÓSSEA e não uma esponjosa!

Na passada/recente cimeira da NATO em Haia, o nosso PM garantiu ao seu amigo Rutte que Portugal teria os 2% até ao fim do ano. E comprometeu o país a chegar em 2035 aos tais 5% (obviamente martelados, 3,5% já martelados + 1,5 % engenharia financeira).

Logo agora, recentemente, Carneiro veio doutoralmente propor colaboração estratégica. E já falou com o nosso primeiro sobre estas coisas. 

Desconheço resultados concretos, mas sei que Carneiro tem vários peritos, vários espertos em DN e FA, que são coisas diferentes, mas que instilaram nos tugas durante décadas de que é a mesma coisa. Espertos como Augusto e Severiano. Deve aliás olhar-se embevecido para os excelentes resultados destes ex-ministros da pasta DN.

Será que Carneiro também se inspirou em cálculos multivariáveis ? Ora aqui está uma tirada erudita, catita.

Ignorante destas coisas, ainda assim, estou convencido de que para chegar aos 2 % até 31 de Dezembro próximo não será suficiente pura e simplesmente aumentar o orçamento do ministério chefiado (??) por Nuno Melo.  E retenho curiosamente as palavras do palrador mor e do PM de que não é necessário orçamento rectificativo. Temos estadistas!

Creio que em Portugal também no passado (2014) os responsáveis da altura se comprometeram com a NATO em atingirmos 10 anos depois (2024) os tais famosos 2 % do PIB para DN e, certamente com muito investimento em novas capacidades. Viu-se, particularmente as páginas viradas de 2016 a 2024 a cargo de um dos maiores aldrabões políticos da nossa história.

Sabe-se o que não podia fazer o governo de Passos Coelho, esmifrado pela Troika que nos impôs mum verdadeiro garrote na sequência do desastre organizado pelo execrável Sócrates.

Sabe-se o que fizeram os famosos governos pós 2015, de mais de 8 anos no poleiro, com o timoneiro António Costa. Sempre ajudado por Marcelo.

Aliás se houvesse rigor, honestidade intelectual e política séria neste tão maltratado país, haveria onde se poder encontrar os valores totais REAIS da % do PIB dedicada à DN. Lista rigorosa, detalhada e desde 1982. Pessoal, material, manutenção, investimento.

O sucessivos governantes passaram décadas a estrangular financeiramente as FA.

Mas sempre falando de emprego e preparação de forças, do brilhantismo de forças destacadas no exterior, e nos últimos anos um papaguear confrangedor de que somos os melhores dos melhores.

Naturalmente, mesmo um ignorante como eu entende que para se poderem designar de "Forças Armadas" e não outra coisa, é decisivo haver, 

- Lei, e Constitucional subordinação ao poder civil legal e legitimamente derivado do povo em eleições periódicas, 

- definição de que tipo e quantas FA Portugal deve ter, coisa há décadas nunca verdadeiramente enfrentada,

- estrutura, estatutos, hierarquia, disciplina, recursos humanos, carreiras dignas,

- carreiras dignificadas e respeitadas pela sociedade, e valorizadas,

- e com isto, as FA preparam-se e ficam aptas para, de acordo com a CRP, de acordo com as leis, cumprirem no quadro da sua missão prioritária e que é a militar, pelo país, e em cumprimento de tratados,

- e com isto, as FA ficam aptas a desempenhar-se activamente das suas missões complementares isto é, de cooperação e colaboração nas missões nacionais intra-muros, em apoio das mais diversas entidades nacionais civis, no âmbito do chamado duplo uso.

Certos civis e até algumas chefias militares do passado, passaram o tempo, décadas, particularmente desde 1995, com salamaleques, com periódicas loas de que somos os melhores dos melhores, com referências vazias aos compromissos internacionais, com publicação de livros aplaudidos por alguns civis que e eram à época os verdadeiros algozes da instituição militar, com proclamações sobre os objectivos de defesa nacionais, com proclamações bacocas sobre dissuasão, ou a defesa transatlântica, ou mesmo as preocupações sobre os Açores.  

Embora nos últimos anos alguma coisa tenha sido alterada, creio que se está ainda longe de ter distribuições orçamentais equilibradas, quer dentro da estrutura própria do designado ministério da defesa nacional (MDN) quer dentro das FA. 

Um dos aspectos que periodicamente é abordado é o quantitativo das FA. Há quem defenda 30000,00 homens. Como sempre, respeito as opiniões de outrem.

Isto dito, correndo o risco de estar a ver mal as coisas, é para mim óbvio que Portugal tem que ter FA. Agora, a questão nunca debatida nem seriamente nem sem ser seriamente, é - que FA Portugal deve ter?

Temos os três clássicos ramos das FA. 

Com a massa oceânica brutal sob nossa jurisdição, que meios devem ter a Força Aérea e a Marinha? Nunca se discute isto.  

Creio que ainda não existe uma distribuição equilibrada do orçamento destinado a rubricas de pessoal, operação e manutenção, e para investimento. E uma distribuição que não deve ser a dividir por três, mas a dividir pelo que deve ser, tendo em conta designadamente a nossa geografia. 

Seja na vertente puramente militar, seja na vertente de apoio de instituições civis do Estado, muito está estagnado. Como sempre, admito estar equivocado.

Além do mais, que ensinamentos a recolher da guerra na Ucrânia para olhar a meios e equipamentos, para olhar com seriedade para uma lei de programação militar? 

Continuam alguns a pensar em F-35, porta-aviões e esquadrões de carros de combate?

A Rússia vem aí, dizia há tempos a inarrável ex-MRPP.  Bom eles andam nos mares, nos oceanos, nas zonas sob nossa jurisdição. Que eu tenha notado, os dois únicos submarinos da Marinha estarão um pouco coxos. E o resto?

Enfim, isto é um tema sem fim. Uns querem plano estratégico abrangente e ajustável.

Sou mais modesto, só queria que começasse a haver seriedade e decência na política. E a definitivamente olharem a sério, com honestidade intelectual e rigor, para a administração adequada dos recursos disponíveis, para as prioridades nacionais. 

Cálculos multivariáveis? 

Não, seriedade, e decência, e acabarem de vez com a descarada ausência de vergonha na cara.

António Cabral

quinta-feira, 17 de abril de 2025

(apetece-me republicar, só para lembrar coisas do passado recente, mas várias com actualidade)


sábado, 8 de setembro de 2018
REFORÇAR  RETENÇÃO
Não, não sejam marotos, não é um problema de retenção de urina.

Acabei de ler o que vem nos OCS, e concretamente no "Público", acerca das forças armadas.
O sempre interessante ministro da tutela anunciou "importantes medidas socialistas".
Estou em crer que as associações dos militares não vão ficar exultantes, e não creio que seja apenas para estar contra. 
Aguardemos.

Anunciou o ex-ERC que, os contratados das FA ao chegar ao fim dos contratos têm a garantia de vir a ser bombeiros ou entrar para as forças de segurança (30% probabilidade).
Racional da medida ?
Para tentar inverter a situação actual em que quase ninguém quer ir para a tropa e, cheira-me, sobretudo para o Exército.
Porque será?

Claro que o inefável politiquinho nunca explicou direitinho aos portugueses (tal como todos os antecessores desde 25ABR74), porque razão a juventude portuguesa, desde a geração mais bem preparada (podem rir) à menos bem preparada, nem quer ouvir falar na possibilidade de andar a varrer paradas nas unidades do Exército, ou a enjoar nos navios da Marinha, ou a dar cabo dos ouvidos com barulho de aeronaves.

Que coisas nos podem vir à cabeça quando entramos nestas matérias ?
> Está bem clara, definida, a razão de ser das FA no Portugal do século XXI ?
> Está definitivamente afastada a perspectiva de que Portugal não deve ter FA, como algumas "prendas" defendem ?
> Está definitivamente aceite por todos os políticos e elites e partidos políticos, de que a defesa nacional (DN) não deve ser NUNCA MAIS tema de luta política/partidária ?
> Está claro nas cabecinhas iluminadas (??!!) que DN não é igual a FA, as quais são apenas um importante pilar, uma componente, a componente militar da DN ?
> Quando perceberão as criaturas políticas que apetrechar uma Marinha de Guerra, e uma Força Aérea, não é a mesma coisa que arregimentar pessoal? 
> Para que fique claro - "you have or not a Navy; you raise an Army. Period!!!!
> Acerca da DN e das FA, continuo a ter a percepção nítida, de que para a maioria dos farsantes que persistem em rebentar com o País, importa é conversa, palavras ocas, enaltecer instituições nos dias festivos, quando o que é urgente e vai muito atrasado, é conhecimento, visão estratégica, liderança, e equipas fortes, equipas em todos os sectores da vida nacional. Como sempre temos tido, não é verdade ?
> Quanto a incentivos, que tal ponderar os vencimentos dos militares das FA, no quadro de todos os servidores dos Estado ? (sim, outra falácia, é considerar os militares como funcionários públicos)
> E levar a sério a indispensável e insubstituível ligação FA - empresas - universidades ?
> E quanto à questão - condição militar - os actuais governantes bem como os anteriores não persistem em desprezar legislação variada, existente, legal ?
> Finalmente, serviço militar obrigatório (SMO) sim ou não, regime de contrato, e aspectos relacionados, deixarei para outro post.

Uma coisa me parece evidente, com as criaturas actuais e na senda das anteriores, medidas avulsas, desgarradas, "pour épater les Bourgeois".
Mas a isto, certos senhores, sempre muito inchados e que até há três anos tanto palravam, agora continuam caladinhos perante o que se vai passando.
É o que temos, mas poucos merecemos.
António Cabral

sábado, 12 de abril de 2025

DEVER  de  TUTELA

Regulamento de Disciplina Militar

TÍTULO I - Princípios fundamentais

CAPÍTULO II - Deveres militares

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Artigo 15.º - Dever de tutela


O dever de tutela consiste em zelar pelos interesses dos subordinados e dar conhecimento, através da via hierárquica, dos problemas de que o militar tenha conhecimento e àqueles digam respeito.


Como cidadão, olhando a isto, olhando (desde 1982) aos sucessivos CEMGFA (Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas), CEMA (Chefe do Estado-Maior da Armada), CEME (Chefe do Estado-Maior do Exército) e CEMFA (Chefe do Estado-Maior da Força Aérea), que devemos concluir?

António Cabral 

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

ESTÃO a VER, EU JÁ TINHA DITO.
ESTÁ TUDO BEM porque ACABOU BEM
TODOS AMIGUINHOS.
 
Assim dá gosto, ficar com a certeza de que o professor procurou informar-se com as Forças Armadas (terá sido porque a mana Mortágua o colocou em cheque publicamente?) sobre “o que se tinha passado” no incidente (não, nada de incidente, foi de certeza um equívoco, um mal entendido) entre militares e o ministro Paulo Rangel em Figo Maduro.

Claro que o PM também lhe comunicou o que se tinha passado.

E, portanto, nada de dramatização, eu já tinha dito, foi de certeza um momentâneo equívoco, de segundos.

Ah, de acordo com o que se lê por aí, Marcelo Rebelo de Sousa terá confessado que tudo é coincidente e que até corresponde a situações similares que já viveu no mesmo lugar.

Catita. Até porque os militares (quais?) quando questionados sobre se havia alguma razão de queixa, terão admitido que “houve equívocos” mas terão dito que não havia razões de queixa. 

"A mim o que me chegou foram versões muito coincidentes que minimizaram o problema. Eu fiquei esclarecido que não encontrei uma versão que fosse muito diferente uma da outra e que fossem muito graves.” Obrigadinho Presidente.

E é isto. Falta de chá, em pequeninos, depois na adolescência, depois na formação que sempre se tem no início das carreiras, dá nestas coisitas!

António Cabral (AC)

Adenda:
Como cidadão tenho péssima impressão do concidadão Paulo Rangel.

No presente, ele e outros, porque titulares de órgãos de soberania, estão momentaneamente numa posição social/ protocolar acima da minha.

Numa eventual situação em que eu estivesse na presença de um deles (Marcelo, Rangel, outros) nunca lhes estenderia a mão para os cumprimentar. Esperaria que o fizessem.

É que eu aprendi uma coisa há muitas décadas: espera-se que seja, o mais velho, o de maior posição social, uma senhora, a esticar a mão para cumprimentar.

Mas as pessoas educadas, cumprimentam sempre os outros.

E a este propósito conheço muito bem quem (oficial da Marinha, já com relevante antiguidade na altura), à porta dos Jerónimos, em 1996, no desempenho das suas funções, aguardava a chegada de dezenas de convidados para uma cerimónia, por ordem protocolar designadamente das principais figuras do Estado e, nomeadamente, presidentes de tribunais, primeiro-ministro, presidente da Assembleia da República e Presidente da República.

E a cada um deu as boas vindas e cumprimentou militarmente, com continência.

Jorge Sampaio, um Homem decente e educadíssimo, foi o único que se abeirou desse militar, parou na frente dele, e esticou-lhe a mão para o cumprimentar, com vigor, e um sorriso que acompanhou um sonoro - bom dia sr comandante! e recebeu de volta - bom dia sr Presidente.

Diferenças!

terça-feira, 20 de agosto de 2024

VIRTUDES   MILITARES

. . . . . 
"Sendo a coragem a primeira das virtudes militares, o que se espera do chefe militar de um país democrático é a assunção plena das suas responsabilidades. Estas, numa situação extrema, poderão tornar indispensável o pedido de DEMISSÃO, acompanhado da pública defesa dos seus pontos de vista. Mas terá que ficar claro que esse gesto equivale ao tombar no campo de batalha e não a uma retirada sem glória".

(30MAR1997, Jornal de Notícias, David Martelo, Coronel, Ref.)

(sublinhados da minha responsabilidade)


Se alguns tivessem atentado nisto . . . . . . . se alguns tivessem percebido a diferença abissal entre subordinação e submissão . . . . se alguns tivessem percebido que aos militares se exige, subordinação, lealdade, disciplina, mas que para a maioria dos militares é inaceitável a submissão e o respeitinho porque sim . . . . talvez . . . . 

António Cabral

sábado, 18 de março de 2023

Do PÚBLICO
Helena Pereira,
17MAR23

A primeira crise de Gouveia e Melo na Marinha ou a Revolta na Bounty.
. . . . . . . . 
. . . . . . . . (sublinhados da minha responsabilidade)

Foi o próprio chefe do Estado-Maior da Armada, Henrique Gouveia e Melo, que a fez no discurso que dirigiu na quinta-feira à guarnição do Mondego. É a nossa Revolta na Bounty porque se trata de um acontecimento inédito no Portugal democrático, sem dúvida.
. . . . . . . .
2. Como comandante supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa teria de ter tido uma palavra sobre essa vertente disciplinar. Neste caso, Marcelo optou por falar apenas na questão financeira da manutenção dos navios, ficando aquém daquelas que são as suas responsabilidades.
Se há caso em que pode ser apontado à crítica de que actua mais como comentador do que como Presidente, este foi claramente um deles.
3. As dificuldades de suborçamentação dos ramos militares, . . . .  são uma evidência. . . . . . Há vários anos que o orçamento de Defesa é alvo de cativações, e o maior campeão foi Mário Centeno, que conseguiu ter excedente orçamental em 2019 à custa de várias poupanças, e uma delas foi na Defesa. Nesse ano, cativou 150 milhões de euros e apenas descativou 20% desse valor. É desse tipo de “artimanhas” que se está a falar.
4. Há, por isso, responsabilidades políticas. O Governo aprovou nesta quinta-feira, em Conselho de Ministros, a proposta de Lei de Programação Militar (LPM), que estabelece o investimento público em meios e equipamentos para as Forças Armadas para os anos de 2023 a 2034. Segundo nota do executivo, “o montante global de investimento ascende a 5.570 milhões de euros, o que representa um crescimento de 17,5 por cento face à lei em vigor (mais 830 milhões de euros)”. Deste montante, quanto vai ficar disponível? Ou o acréscimo de 17,5 por cento corre o risco de ainda vir a ser anulado quando se perceber a execução orçamental?

5. Há também responsabilidades das hierarquias militares ao longo dos anos. Na ânsia de serem medalhados, os oficiais superiores vão pactuando com sucessivos cortes orçamentais para lá do limite do que seria razoável. O único chefe militar que teve coragem de chamar a atenção para o problema foi o almirante Vieira Matias, que ameaçou mandar parar todos os navios para poupar no combustível.
6. O que aconteceu no Mondego é uma humilhação para as Forças Armadas. Depois do triste espectáculo que o assalto a Tancos revelou sobre a segurança dos quartéis, torna-se difícil levar a sério a política de Defesa para o país. Afinal, quais são as prioridades e onde é que é possível efectivamente poupar sem atingir as áreas nevrálgicas da soberania?

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Neste artigo da jornalista Helena Pereira está muito do que se tem passado em Portugal quanto às Forças Armadas, e em que não há nenhum partido isento de culpas. Os que nunca foram governo apesar de declarações pomposas e gongóricas ou a apoiar por trás certos movimentos, foram sempre coniventes na AR apesar dos seus protestos tímidos.

A culpa maior é do PS, PSD e CDS, sendo o PS quem mais governou nos últimos 30 anos. O escrito em 3., 4. e 6. é eloquente e descreve de forma muito resumida a pouca vergonha nomeadamente do PS com que muitos pactuaram ao longo dos anos como educadamente se refere em 5., incluindo muitos que nos últimos anos têm confirmado a fórmula - sossegados no activo, muito agitados na reforma

António Cabral (AC)

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

ALTERAÇÕES na LEGISLAÇÃO MILITAR

O meu melhor amigo militar acabou de me enviar as fotografias que anexo em baixo. Diz ele que, a seguir às alterações que o governo socialista executou com o aplauso do PSD e do CDS e do Presidente da República e o silêncio cúmplice de todos os outros partidos, seguem-se as alterações de outra legislação complementar que ele diz serem os decretos regulamentares. 

Mas ele também me diz que a cor (prateada) das estrelas que identificam os oficiais generais nas Forças Armadas (almirantes e generais do Exército e Força Aérea) irão deixar de ser prateadas para passar a ser rosa. Se um próximo governo vier a ter maioria do PSD, então as estrelas passam para laranja.

AC  

terça-feira, 10 de agosto de 2021

INFRA-ESTRUTURAS  MILITARES. REALIDADES  NO  PRESENTE

É sabido, no 25 de Abril de 1974, por todo o país, se encontravam reflexos do passado, da nossa história, das guerras em África.

Com o decorrer do tempo, os poderes públicos e concretamente os sucessivos titulares de órgãos de soberania só começaram a olhar para a dimensão global das Forças Armadas (FA) a partir de 1982.

Com muito pouca seriedade, e sem nunca ponderar que FA o país necessitaria depois de ter perdido as possessões em África e na Ásia, e tendo presente os riscos e ameaças que o último quartel do século XX e o século XXI nos complicam a vida.

Houve, é certo, imposição gradual de diminuição de efectivos militares. Houve, é certo, sobretudo a partir de 1991 substituição de meios não só mas nomeadamente na Marinha e na Força Aérea. Houve e está a aumentar progressivo estrangulamento financeiro e cada vez menos adesão à profissão militar por culpa quase exclusiva dos políticos. E houve negociatas de vendas de património edificado e houve um desbaratar de verbas então conseguidas. Uma autêntica pouca vergonha.

Mas também houve bons exemplos de aproveitamento de infra-estruturas militares desactivadas. E estas linhas têm sobretudo a ver com isso.

Um caso que me parece muito positivo é o observável em Penamacor. As instalações vastas do antigo aquartelamento, que se situa numa zona sobranceira à vastidão que a vista percorre até ao monte onde está a aldeia de Monsanto, foram aproveitadas, muito bem aproveitadas.

Tudo no largo Tenente Coronel Júlio Rodrigues da Silva, onde está também o monumento aos mortos da grande guerra. E assim ali estão, Tribunal Judicial, Conservatória, Registo Civil, Financas, Registo Predial, departamentos e serviços camarários, Junta de Freguesia, Escola de Música, e um espectacular Museu cuja visita recomendo. 
Aguardemos para ver o que estes políticos, estes titulares de órgãos de soberania, e alguns militares, vão fazer a partir daqui. Os exemplos do presente nada de bom auguram.

António Cabral

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

PR, GOVERNO, PARTIDOS, MILITARES
De entre os meus amigos muito chegados tenho 4 grandes amigos militares. Um deles, o mais próximo de mim, é como meu irmão gémeo. Temos visões semelhantes sobre a vida, interesses similares etc.
Este amigo /irmão gémeo conta-me coisas que cada vez mais me fazem estarrecer, e pensar, mas que País é este?
De há muito que ele me refere por exemplo a degradação salarial dos militares, e a crescente dificuldade em atrair recursos humanos para as Forças Armadas. E muitas outras coisas com que não quero maçar os meus leitores e amigos.
Quanto à matéria salarial, explica-me o meu amigo, que a função pública recuperou no final de 2018 dos congelamentos dos tempos da Troika, e nomeadamente quanto a progressões nas carreiras. As progressões implicam, designadamente, subida de vencimento no final do mês, aumento do nº de euros a levar para casa.
De acordo com o meu amigo, com os militares isso continua por acontecer. E, segundo me diz, a inversão desta situação continua a ser barrada na Assembleia da República, terá acontecido há bem poucos dias, pelas mãos dos do costume, PS, PSD, CDS. Não fui verificar mas acredito.
Tenho de confessar que compreendo o meu amigo, sobretudo lembrando-me dos discursos de Marcelo, alguns bem patéticos (os melhores dos melhores), dos telefonemas de Marcelo, dos discursos de Costa e das deslocações deste PM ás nossas forças em África, etc.
Com estes senhores a bota nunca bate com a perdigota.
O meu amigo pergunta-me - já te deste conta que não existe sobre isto uma tomada de posição conhecida por parte das chefias militares (são quatro), nem de Marcelo que até há bem poucos dias recordou que é o comandante supremo das Forças Armadas?
Eu rematei-lhe, é como estamos, é a coerência desta gente, é a descarada ausência de vergonha na cara, é o que dá a desonestidade política e intelectual. A destruição da instituição militar em Portugal parece prosseguir lenta mas inexoravelmente.
sim, atente-se nos discursos grandiloquentes, periódicos mas estéreis como "virar o cabo Bojador", desconsideração concreta e diária na realidade das coisas, crescentes dificuldades operacionais e que a curto prazo se agravarão, cativações vergonhosas nas tristemente famosas leis de programação militar que programam muito há décadas mas de que pouco se concretizou/ concretiza.
Mas há sempre uns idiotas úteis que tentam justificar o cada vez mais injustificável. Idiotas úteis mas com carreiras bem amparadas, tá claro!!
AC

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

A PROPÓSITO da FALTA de TUDO
Vinha de carro de Lisboa a meia desta tarde, ouvi uma notícia no rádio do automóvel que não me surpreendeu, porque há vários anos que não me surpreendem.
Há anos que estou habituado a verificar que existem concidadãos das mais diversas e diferentes áreas da sociedade que se julgam donos de certas coisas enquanto estão por determinado período em determinados cargos, deles usufruindo as vantagens materiais e protocolares inerentes aos cargos onde temporariamente estão obrigados a servir, e não a servir-se.
Chegado a casa, fui verificar o Estatuto dos Militares das Forças Armadas (DL nº 90/ 2015 publicado no DR nº 104/ 2015, Série I de 29 de Maio). E, entre outros preceitos, fui concretamente verificar os deveres gerais e os deveres especiais que obrigam os militares das Forças Armadas.
Fui ainda verificar o Regulamento de Continências e Honras Militares e constatei que não teve alterações que contemplassem salvas e toques em festividades e outros momentos de lazer em sociedade.
E fui verificar estas coisas porque, ultimamente, acontecem coisas que, para este cidadão que periodicamente consulta leis verifica que algumas parecem estar a ser consideradas num modo - porque sim, porque eu quero assim.
Enfim, ao que chegámos.
Só falta agora aparecer alguém a classificar o que aconteceu na Madeira como uma farsa para denegrir as Forças Armadas.
A Instituição Militar deve ser respeitada, tem de ser respeitada, é uma instituição fundamental do País, é um pilar do Estado e da Democracia. Infelizmente muitos se esquecem disto.
Mas era bom que, políticos que directamente têm a ver com a Instituição Militar, titulares de orgãos de soberania, e obviamente os próprios militares e em especial chefias e oficiais generais, respeitassem a Instituição Militar, desde logo dando-se ao respeito.
LAMENTÁVEL.
AC

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

ALICERÇAR  a  CREDIBILIDADE
Como é sabido, a credibilidade de cada um constrói-se, sedimenta-se, alicerça-se, robustece-se com a postura de cada um ao longo da vida.
Para alicerçar a sua credibilidade, uma grande parte de, elites, políticos,  responsáveis na máquina do Estado, chefias militares, titulares de orgãos de soberania, esforçam-se (muito) por:
> falar sempre claro, nunca nada esconder.......
> colocar sempre o interesse do País à frente de tudo, nunca os interesses de partido, privados, familiares, de correligionários ou amigos............
> respeitar sempre a lei, nunca pedir pareceres para protelar situações embaraçosas, nunca fazer de conta que nada sabem, nada receberam, de nada foram informados.......
> pagar sempre os bilhetes de futebol ou de outros espectáculos, ou das viagens, para os quais forem convidados por, banqueiros, gestores, empresários, empresas privadas, e outras............
> não contratar empresas com ligações familiares, ou a quem ficaram a dever favores, ou pertencentes a conjugues de amigos e correligionários...............
> não aceitar convites para viagens de treta, apenas para lugares exóticos e distantes e, se possível, em trabalho político........
> comprar acções apenas existentes em bolsa, e nunca comprá-las por fora para, posteriormente, as poder devolver com boas mais valias acompanhadas de cordial carta de agradecimento ..........
> não fazer obras em casa privada com verbas do seu departamento estatal..............
> não contratar empresas à margem das regras e procedimentos estabelecidos, nomeadamente quando envolvidos fundos comunitários...............
> praticar a decência, (palavra de que também gosto muito e é glosada  sempre por outros que bebem só do fino), e que assim lhes granjeia admiração por parte de muitos; praticar a decência obviamente na causa pública, o que não significa automaticamente que a pratiquem também dentro de portas, por exemplo, com sobrinhos, com heranças.
AC

quinta-feira, 7 de março de 2019

AINDA TANCOS e a CPI
Muito se tem escrito sobre este desgraçado tema, infelizmente, eu próprio me atrevi por mais de uma vez a tecer algumas considerações e colocar-me a mim mesmo diversas interrogações.
Não vou repetir-me.
Tenho lido, algum tempo depois do acontecido, as declarações/ excertos do que se vem passando na CPI (comissão parlamentar de inquérito à telenovela Tancos). E ainda bem que não é à porta fechada. 
Praticamente tudo o que li até agora me estarreceu. 
Ou não é de estarrecer tudo o que tem saído das bocas de Generais, Coronéis, Tenentes -Coronéis? 
Tenho até pena que não tenham chamado para ser ouvidos outros militares que tenham servido em Tancos, como Sargentos e Cabos. Li agora no DN uma súmula da prestação do ex-CEME General Rovisco Duarte. 
Mais estarrecido fiquei (sublinhados a cores da minha responsabilidade).

Desse texto do DN retive o seguinte:
> 
... acabou por tornar público uma realidade do Exército marcada pela inação, passividade, resistência e mesmo desobediência ao longo da cadeia de comando.
> ....que acabaram também por ser um ajuste de contas com os dois tenentes-generais (do seu curso de 1976) que se demitiram em protesto contra a exoneração dos comandantes responsáveis pela segurança dos paióis - revelaram um "homem de ação" e com uma longa carreira em funções de comando que se mostrou incapaz de aceitar um ambiente de "deixa andar" em que um dos seus cultores era, segundo o ex-chefe do Exército, o então comandante das Forças Terrestres, Faria Menezes,
> .....Preparar o envio para o Afeganistão de um regimento diferente daquele que o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) tinha determinado
>....garantir ao CEME que não tinham sido nomeados para a República Centro-Africana (RCA) militares alvo de processos (devido à morte de dois recrutas dos comandos) que afinal estavam nomeados - e acabaram por ser retirados à última hora da força, 
>....ter de "dar um murro na mesa" porque oficiais queriam implementar medidas diferentes das aprovadas para o antigo Instituto de Altos Estados Militares, em Pedrouços
> ...A vontade do comandante de uma unidade em querer ter um paiol próprio para os operacionais na inativação de engenhos explosivos - que exigia 300 mil euros - quando tinha um "a 300 metros"
>... havia graves falhas no apoio a essas tropas, que eram reportadas pelo comando das Forças Terrestres (CFT) como sendo menores e resolúveis - mas que levaram o CEME a ir ao terreno e declarar, perante o que viu e ouvir, que iria "haver sangue quando chegar a Portugal",
>....o levaram a dizer que a lealdade e solidariedade corporativas - alegadamente presentes nas ações de Faria Menezes - só são aceitáveis se "dentro da legalidade e da legitimidade".
> .....O melhor retrato dessa realidade resultou do estado a que chegaram os paióis de Tancos, tanto em termos de segurança como das instalações e que poderiam ter sido resolvidas pelos comandantes das unidades locais e pelos comandantes das Forças Terrestres e da Logística: ausência de telefones (quando bastava uma meia hora para estender fios), torre de vigia com vidros partidos e sem lâmpadas a funcionar, falta de desmatação, vedação com buracos, ausência de rondas....
>.......Quis provocar um choque e acabar com a cultura do deixa andar" no Exército, pois mesmo podendo ser injusto com alguns dos visados beneficiava-se o ramo.

Depois de ler isto, não é compreensível que qualquer cidadão comum fique estarrecido?

Das duas uma: ou o que o General Rovisco Duarte disse na CPI corresponde à dura realidade como por exemplo - uma cultura e ambiente de deixa andar - ou - desobediência a ordens superiores - ou não corresponde.
Retrata ou não o Exército? Convinha apurar.
Será que depois das declarações do ex-CEME os deputados vão requerer uma acareação entre os generais que já compareceram na CPI?
Aposto que tal não vai acontecer.

O Exército é um dos três ramos das Forças Armadas.
A instituição militar é uma instituição pilar do País, tem que ser respeitada, MERECE ser respeitada. 
Mas também convinha muito que alguns dos seus servidores se dessem ao respeito.
Pelo que parece, há anos que é capaz de já não ser assim.
LAMENTÁVEL. Um quadro que é assim difícil de defender.

AC


sábado, 12 de janeiro de 2019

O "Estado" a que chegámos
"Recomeça........se puderes, sem angústia e sem pressa, e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcançares não descanses, de nenhum fruto queiras só metade." MIGUEL TORGA, 

1. Lutar contra ventos e marés. Por meios legais. É uma obrigação cívica. Mas tarefa muito ingrata, sobretudo se, ao longo dos anos, alguns com as maiores responsabilidades actuaram como se nada se passasse de gritante e desequilibrado e não tivesse consequências para quase todos. Se esses alguns que são bastante mais que "alguns", privilegiaram a submissão à subordinação. 
Se periodicamente pressionaram alguns dos que, com retidão e lealmente, em privado, se atreveram a colocar dúvidas e a chamar à atenção para a necessidade de resolver situações. Se, no meio civil e no meio militar, as mais das vezes preferiram o cinzentismo dos "yes boys de olhos azuis".

2. Parece-me lastimável o "ESTADO" geral a que chegámos. Está, a meu ver, à beira de explosão social. Uns dirão que não. Alguns brandem números em antagónicas demonstrações, aliás na AR viu-se exactamente este indecoroso espectáculo.
Outros fingem-se amnésicos, quanto a erros e desvios do passado. Para vários, como sempre gostaram de fazer, só conta a sua redoma, tomam-se de Pilatos. Lançam alertas, depois de objectiva e decisivamente terem ajudado a talhar o caminho para o precipício à beira do qual estamos. Mas brandem sempre o rigor, a excelência, e a elevada competência dos seus desempenhos, em todos os cargos públicos e privados por onde se espraiaram. Civis e militares.

3. Como outros, e contrariamente à perspectiva de dois dos meus melhores amigos, fui infelizmente acertando no descambar do nosso País, particularmente de 1991 para cá, e à progressiva desconsideração de certos meios civis e das Forças Armadas (FA) no seio da nossa sociedade, e particularmente à inexorável deterioração das FA a partir do início da 2ª maioria absoluta de Cavaco Silva. Para espanto e "aparente" desgosto de uns quantos que, agora, provavelmente, esqueceram a sua colaborante atitude de pesporrente passividade e  de como por vezes olharam os discordantes, ponderados e leais.

4. Sempre me enojou o blasfemar inócuo e não sustentado. 
E o tolo brandir intimidatório do poder formal das hierarquias civis e militares. Sempre me enojaram os que criam emprego aos berros ou por decreto. Também os que interna e externamente criaram e participam na teia da progressiva descredibilização se não mesmo destruição das FA, apesar das arengas pouco credíveis de Marcelo Rebelo de Sousa. 
Enoja-me os que procuram arrasar actores secundários fingindo desconhecer os responsáveis primeiros dos buracos nacionais. Buracos, sejam eles monstruosamente financeiros ou de índole estrutural de uma sociedade que devia ser saudável. 
Não deve ser esquecido que, alguns desses responsáveis primeiros, pisam as alcatifas dos actuais poderes formais.

5. Quando uns, com muita responsabilidade cívica, integraram certas organizações, quando o tráfico de influências passou a ser crime apenas desde há pouco mais de duas décadas, quando se permitem sucessivos pedidos de aclaração de sentenças, quando um assaltante de multibanco poderá ter uma condenação mais pesada que alguém que possa ter contribuído para o descalabro financeiro a
que nos conduziram, quando é "delicioso" olhar o grau de acatamento concreto de certas decisões de tribunais superiores, quando se apregoa o mar mas com portos cada vez mais caros e sem construção naval ou frota de pesca que se vejam e, em cima disso, a despudorada luta entre centrais sindicais, quando se recebem ameaças de multas por fraca fiscalização, quando os que insultam instituições e desprezam valores superiores se consideram e permanecem de facto intocáveis, é nesta sociedade que desde 1991 em movimento uniformemente acelerado se maltratam os cidadãos incluindo aqueles que um dia decidiram ser militares.

6. Uma sociedade assim, sem memória ou escarrando na memória, em que a esmagadora maioria de responsáveis políticos quando alternadamente está no poder espezinha há décadas, quer os desaparecidos em combate, quer os estropiados, quer a dor dos que ficaram, quer os traumas que advieram, quer os anos longe da família em ambientes hostis, e que desdenha de um dos pilares de qualquer estado saudável, é uma sociedade em decomposição acelerada. Por isso, acho encantador o espanto, a indignação, de alguns, perante o estado actual das coisas. Tanto mais encantador quanto me recordo de quando e de quem lhes conferiu poder, e do que podiam ter reformado e proposto que fosse reformado e não o fizeram. 
Quanto aos militares, particularmente muitas das sucessivas chefias cometeram, a meu ver, vários erros de 1991 até hoje, e de toda a ordem. Mas isso, para mim, é justificação insuficiente para aquilo a que se assiste. Porque antes dos militares, acima dos militares, estão os políticos, estão os sucessivos titulares de orgãos de soberania, que se esgotam a dizer que é preciso respeitar as instituições quando, na vida corrente, tudo fazem para as não respeitar, para as descredibilizar, para as denegrir.

7. De facto, só há debate de ideias e reformas dignas desse nome quando as pessoas querem debater seriamente.
Dê-se-lhe espaço. 
Que inimigos de quaisquer reformas, no campo civil e no campo militar? 
Que rumo estratégico para Portugal? 
Que Estado? Que defesa nacional? 
Lembrando que a instituição militar não é a defesa nacional, apenas um dos pilares, que FA? 
Por agora fica só, outra vez, o meu desabafo.

António Cabral


VERBA VOLANT, SCRIPTA MANEN

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

T A N C O S
E o tempo vai passando.............e nada!
Já o escrevi e volto a repetir, cada vez mais me parece que se está à espera de uma teoria emanada do MP para salvar a face de muita gente. 
De todos os que - nunca souberam de nada, nunca viram nada, (Marcelo deve ter ficado arrepiado com o estado brilhante "daquilo" quando foi de supetão a Tancos), nunca foram informados de nada, nunca receberam nada formalmente, FORMALMENTE!
Alguns dizem, e com uma parte de razão, que Tancos tem servido para guerra política.
Não admira, das esquerdas às direitas nunca em Portugal decidiram as áreas onde não podia haver jogatanas políticas. E uma delas é a das Forças Armadas e outra a Defesa Nacional, coisa que vai muito para lá de Forças Armadas.
E assim vai continuar por muitos anos, pois são muito maus os protagonistas, e só pensam na carreira política e no assegurar das benesses ao fim do mês. Tenham a forma de vencimento, ou subsídios pelo que fazem e pelo que dizem que fizeram (!!).
Nos mediáticos informativos, a descarada ausência de vergonha na cara também tem sido marca da casa.
Populismos, encenadores de farsas, demagogos e, sobretudo, ausência completa de sentido de Estado, pesporrência a jorros, protagonistas serôdios.
Quem roubou?
Foi mesmo roubado?
Não terá sido uma mistura do acumular de registos errados/ material à carga, mais alguns desvios maldosos, tudo ao longo dos anos, até que alguém resolveu não pactuar mais?
SE CALHAR...................!!
Ah não, não senhor, o ministro da tutela diz que nas Forças Armadas não há problemas de inventários!
Deficiência minha, certamente, mas não cheguei a perceber se a ausência de problemas de inventários era devido à inexistência dos mesmos, ou à inexistência de papel para os garatujar, ou à inexistência de computadores e folha EXCEL, ou porque sim!
Como bons políticos, saiu mais uma comissão parlamentar de inquérito para a mesa do canto. 
POIS CLARO, e agora é que vai ser. 
Trabalho político, muito e ÁRDUO.
Pelo que se lê por aí, a lista dos que terão que ser ouvidos é imensa.
Iremos provavelmente assistir ás palhaçadas do costume - eu nunca soube de nada - nunca fui informado de nada - o meu antecessor nunca me falou em nada - eu já disse tudo o que sabia - era uma caixinha tão pequenina que nem quase dávamos por ela!
Provavelmente, quase certo, irão uns quantos atirar-se ao governo anterior quando, obviamente, nenhum governo está isento de nada no que respeita ao descalabro a que chegou a instituição militar.
Mas para esse descalabro muito foram contribuindo ao longo de muitos anos várias das sucessivas chefias militares, politicamente escolhidas desde 1991. Governamentalização.
1991, ano em que depois de terem tido que engolir um chefe militar  quando desejavam outro, alteraram a lei respectiva.
E quanto a governamentalização, basta ler atentamente a lei actual, e olhar para a fita de tempo de substituição do CEMGFA. Minudências?
E hoje temos o fofo protagonismo mediático de certos senhores, que construíram paulatinamente  a vidinha, fazendo jus à frase - o que custa é saber viver.
A coluna ser de colagénio é detalhe sem importância.
E de facto, no meio desta farsa toda (não a farsa apontada pelos amigos) a realidade do que aconteceu é que continua escondida, no meio do - há que respeitar as instituições (sussurram sem se ouvir, "mesmo que tenha que se esconder muita coisa"), eu nunca soube de nada.
Portugal é pequenino mas é um torrãozinho de açúcar, dizia o Queiroziano Brigadeiro.
AC

sábado, 7 de abril de 2018

QUEM OS CONHEÇA QUE FIQUE COM ELES
Estou cheio de curiosidade para ver se, no seio dos militares e por exemplo entre todos aqueles já reformados que andam por aí em várias organizações, as coisas se irão continuar a passar tão calmas como aparentemente parecem estar há anos. "Calmas", e isto apesar de periódicas patéticas declarações de certas chefias militares, apesar de certos ministros designados como da defesa nacional que nem patéticos conseguiram ser,  com ou sem palavras sagradas, apesar de certas posturas de todos os anteriores presidentes da república e comandantes supremos das FA (excepto Eanes) e do actual que, para não variar de discurso, afirma que os militares portugueses são os melhores dos melhores, ou coisa parecida.
Gosto de polémicas, mas gosto sobretudo de me ater a factos, concretos, e respaldados na Lei
Que a maioria finge não existir.

Vem isto a propósito do que está a ser noticiado acerca de declarações atribuídas nos OCS ao actual "patrão" militar das forças armadas, o chefe do estado-maior general das forças armadas. Oficial que é oriundo da Marinha de Guerra e, segundo se ouve em certos bastidores, causando azia em certas pessoas. 
Parece que existe por aí quem já lembre incoerências! 
Só se espantam os desatentos!
Nestas coisas, e como referi já, deve sempre começar-se pelo princípio. O que a maioria normalmente recusa fazer.
E, no tocante à defesa militar da República, a CRP no seu artigo 275º é claríssima. 
Até a minha velhota vizinha lá na aldeia não teria dúvidas  nenhumas depois de ler o referido artigo.
Como ela também não teria dúvidas nenhumas depois de ler mais à frente no mesmo artigo o seu nº 6 que estabelece: "as Forças Armadas podem ser incumbidas, nos termos da lei, de colaborar em missões de protecção civil, em tarefas relacionadas com a satisfação de necessidades básicas e a melhoria da qualidade de vida das populações, e em acções de cooperação técnico-militar no âmbito da política nacional de cooperação".

Como é evidente para qualquer cidadão intelectualmente honesto, e que saiba o que diz a Constituição da República Portuguesa, e que tenha presente que Portugal é um País pobre de recursos e esfrangalhado por cliques várias desde há décadas, no plano interno e em determinadas circunstâncias definidas em lei e se assim for entendido adequado pelos poderes políticos em determinados momentos, as Forças Armadas deverão estar ao serviço do País e das populações nos exactos termos que a CRP define. 
Cooperando, com a ANPC, com forças de segurança, etc. 
A palavra chave é "cooperando, repito, COOPERANDO" isto é, indo fazer o que for determinado pelo executivo em acções complementares e de apoio a todas as estruturas e organizações que existem no país para assegurar a segurança e bem estar das populações. E naturalmente que em condições normais, sem ser de emergência ou de estado de sítio.

Como estamos neste paroquial e patético Portugal das capelinhas, haverá tolos que quererão agora mandar sobre tudo e todos no mais estrito e ridículo sentido da palavra, porventura para mandar virar o camião azul do Exército na estrada nº tal e à hora X, ou mandar lançar 10 pára-quedistas no quintal Z ou floresta Y.
Como haverá tolos que se regozijam com o esmagar dos militares ou mesmo a sua extinção, como haverá tolos que se regozijam em não aceitar o que a CRP determina, como haverá políticos desde Belém a SBento a terçar armas por baixo da mesa, ou a fingir que está tudo bem. E não está.
Desgraçado país.

Às ordens do politicamente correcto, às ordens dos zangados com as instituições a que pertenceram, às ordens do estalar de dedos de uns quantos, não tardará muito que venhamos a estar outra vez às ordens de troikas e companhia.
Com troika ou sem troika, com falso virar de página, com a continuação da austeridade ainda que dita não existente, com a escassez de recursos evidente há décadas, continuamos com estes tristes e degradantes espectáculos, rodeados de pavões arrogantes recém chegados ao poder, com enguias que sempre pensaram só em si e foram jogando com estes e aqueles, com ministros incompetentes, com lamentáveis chefias em quase toda a estrutura  do Estado, e com um beijoqueiro que finge nada se passar de especial. 
E o que é trágico é que continuamos sem arrumar a casa, quando a CRP é tão clara
Neste domínio, como infelizmente em muitos outros.
Lamentável, é o mínimo a dizer.
Não são só os pirotécnicos em mau estado que rebentam de repente.
António Cabral

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

ORA TOMEM LÁ..........UM MURRO NO ESTÔMAGO
...........Azeredo Lopes também deixa claro que não cabe aos ramos definir que missões Portugal realiza ou deixa de realizar. “As missões, não são os militares que as definem, é o Estado” português.....................(retirado dos on-line)
AC

Ps: colocam-se a jeito....................
Diria o diácono Remédios - não havia necessidade deste reparo, pois não, chefes?

domingo, 4 de fevereiro de 2018

A BANDEIRA NACIONAL
Segundo se lê nos jornais, os quatro chefes (achei curioso dizerem que foram mesmo os quatro, custa-me a acreditar) militares terão enviado um papelinho ao senhor que formalmente os tutela.
Também segundo se lê, já terá havido logo outro papelinho a esclarecer que não estão zangados, não senhor, tudo se cumprirá. 

Parece, também, que o 2º papelinho foi na sequência de um comentário do ministro que, dizem as más línguas, lhes terá feito chegar um comentário do tipo "amanhem-se".
Isto, também no seio das fardas, anda cada vez mais curioso. Mas lamentável.
E por esta ordem:
- como os políticos encaram a defesa nacional e nesta, a sua componente militar que são as FA,
- as sucessivas chefias militares, com poucas excepções.
É o que temos, mas poucos merecemos.
António Cabral
(Será que gradualmente estamos a caminho do que a fotografia sugere?)

("fotografia "roubada")


Adenda 1 - AGORA que li o EXPRESSO, a notícia diz que o chefe da Marinha não esteve na tal reunião de conselho de chefes, mas sim o seu nº 2.
Pois "tá" claríssimo.!!!!

Adenda 2 - Acabo de ouvir o comentador especialista Marques Mendes. Entre outras coisas, que a escolha do Chefe da Marinha é uma excelente escolha para substituir o general Pina Monteiro, o tal dos murros no estômago.
Será. Mas o que sabe ele para dizer isto? É só porque sabe que o Presidente Marcelo tem essa decisão tomada há muito tempo?
O que diz a lei não interessa nada. Refiro-se à questão da continuação do mandato de recondução. Mas como isto é cada vez mais uma palhaçada não vale a pena perder mais tempo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Os titulares de órgãos de soberania + chefias militares
Nos últimos tempos, de entre outros "entreténs" para distrair os "tugas" e desviar as atenções dos problemas prementes do Portugal contemporâneo, dei conta de ter sido desenvolvido um certo rebuliço à volta das chefias militares, das que estão, das futuras, das que deviam ter sido, das que não foram, e por aí fora.
Dei-me à paciência de paulatinamente recolher informação, de recolher os artigos sobre a questão, e designadamente uns quantos saídos no DN (que cheiram a encomenda que tresandam), do Expresso, e um artigo do Observador onde um almirante reformado, com uma argumentação  superior, destrói por completo a pouca vergonha que parece escorrer desse processo.
Para quem não está a par, nada está legislado em bom rigor sobre quem (oriundo de onde) deve ser promovido a Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), mas existe uma espécie de combinação de cavalheiros para que seja, à vez, um oficial oriundo da Marinha, depois do Exército e depois da Força Aérea. Claro que, com os cavalheiros que abundam nas elites civis e militares, esse acordo de cavalheiros já foi ás urtigas.
Existe legislação que define o que devem fazer o CEMGFA, o Ministro da Defesa Nacional (na história destes 42 anos mais não é que o ministro da tropa), o Primeiro-Ministro (PM) e o Presidente da República (PR, que acumula com comandante supremo das FA) no processo de escolha e nomeação das chefias militares (chefias militares são o CEMGFA, e os comandante dos ramos, Marinha, Exército e Força Aérea).
Olhando aos últimos escritos, e ás afirmações atribuídas a titulares de órgãos de soberania e, salvo melhor opinião naturalmente, a sensação que dá é de uma grande confusão, uma grande palhaçada e, certamente, muito "jogo" escondido.
Depois, parece que há quem queira fazer crer que na Marinha anda/andava muita irritação, porque o almirante que foi agora há poucos dias substituído no cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), pouco tempo depois de ter assumido o cargo que terminou há pouco devia ter ido logo para CEMGFA, e não o oficial do Exército que lá está. E que dizem vai ser reconduzido por dois anos. A tal rotação que foi ás urtigas. 
Li mais que uma vez o tal artigo do Observador e a conclusão popular que se pode tirar é: que grande marosca deve haver.
Mas o mais engraçado, é que lendo-se a lei sobre o caso em questão, verifica-se que o que anda a ser propalado nos "media" (por encomenda, certo?) não tem suporte na lei. E eu não sou jurista, mas como bem diz um amigo que consultei - o que refere é correto e mantém-se na lei atual, sendo que o legislador expressamente nada refere quanto à suspensão ou adiamento no caso de se atingir a idade de passagem à reforma, situações já verificadas no passado - ou seja, parece-me, a história que anda a ser contada matreiramente nos "media" é, de que o actual CEMGFA vai ser reconduzido por dois anos mas, como antes do fim desse mandato atinge a idade de passagem à reserva, tem de sair e, aí, iria para lá o actual CEMA, ficando assim a Marinha contentinha, o PR contentinho, e contentinhos o PM e MDN por terem satisfeito o desejo do contentinho PR.
Enfim. 
Claro que estou a contar isto tipo redação da Guidinha, pois mais não merece, sem ofensa para a Guidinha. 
E porquê? Porque de facto olhando à lei (já com a emenda de 2014) - Aos militares propostos para os cargos de Chefe do Estado - Maior - General das Forças Armadas e de Chefes de Estado - Maior dos ramos, a que corresponda o posto de almirante ou general de quatro estrelas, é, desde a data da proposta do Governo, suspenso o limite de idade de passagem à reserva, prolongando -se a suspensão, relativamente ao nomeado, até ao termo do respetivo mandato - ou seja, eu se fosse o actual CEMA (há poucos dias no cargo), só iria para CEMGFA depois de terminados os dois anos da recondução do actual CEMGFA, para ter mais tempo para resolver os problemas que, segundo se vê escrito por aí, são de grande aflição na Marinha.
E se eu fosse o CEMGFA reconduzido, não largava o posto antes dos dois anitos da recondução, ora essa, queria lá saber de combinações e banho-maria da Marinha. Tá na lei!!
E assim espero ter ajudado alguns dos meus concidadãos a distraírem-se um pouco, com mais uma análise superficial a um premente problema do meu País, problema sempre olhado com o mais apurado sentido de Estado por parte dos..................do ..........costume,..............................já perceberam, não é?
AC