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quinta-feira, 26 de março de 2026

No KOMENTARIADO  NACIONAL
Vejo pouquíssima TV.
Mas (já não sei se foi ontem ou dias antes) calhou entrar na sala onde o  televisor estava ligado e dei com um dos grandes "Komentadores" da actualidade palrando sobre o momentoso presente.

Estou a falar nisto porque vasculhando num dos meus muitos arquivos dei com o Komentador numa notícia de há anos, em que "presidia" à ERC, instituição que naquela altura primava em ser notícia! 
Tenham uma boa 5ª Feira.
Saúde e boa sorte.
AC

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024


O  COSTUME.
DEFESA NACIONAL. FORÇAS ARMADAS.




O GREI (carta de 15 Janeiro, em baixo reproduzida) entendeu alertar, mais uma vez, para problemas sentidos nas Forças Armadas (FA) nacionais, concretamente, desta vez com especial enfoque nos recursos humanos. Na crescente escassez de recursos humanos. 

A INSUSTENTÁVEL SITUAÇÃO DOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS
(sublinhados da minha responsabilidade)
I
O Grupo de Reflexão Estratégica Independente (GREI), oficialmente constituído em 2015, tem procurado ao longo da sua curta, mas preenchida existência, ser uma voz ativa nos temas da Defesa e da Segurança Nacionais e das Forças Armadas.

Constituído por Oficiais-generais da Marinha, do Exército e da Força Aérea, na situação de reserva e de reforma, que no decurso da sua extensa carreira desempenharam os mais variados cargos nacionais e internacionais, nas Forças Armadas, nas Forças de Segurança, nos serviços de Proteção Civil, bem como na Direção Superior da Administração Pública, considera-se um interlocutor privilegiado para, com a experiência vivida e o distanciamento temporal e funcional que a sua situação profissional permite, ser um parceiro credível nos domínios da Segurança e Defesa do País.

Neste contexto e, sempre, com uma postura de cidadania ativa, temos realizado reuniões de reflexão, almoços-debate, conferências, palestras, seminários e, sobretudo, elaborado textos e publicações sobre as temáticas indicadas e, em particular, as Forças Armadas (FFAA).

Estamos abertos ao meio militar, naturalmente, mas também à sociedade civil em geral, privilegiando o meio académico, científico, tecnológico, político, organizacional e comunicacional.

Os nossos interlocutores vêm das mais diversas áreas do conhecimento, instituições, tendências, e orientações políticas, sendo nesta diversidade que julgamos residir muito do capital de isenção granjeado.

A nível político temos propiciado contactos com os líderes partidários, as Comissões de Defesa e os Grupos Parlamentares da Assembleia da República, sempre que oportuno.

Não será despiciendo referir que no último seminário realizado, em abril passado, tivemos a presença dos mais elevados dignitários do País, como o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, e uma representação alargada de membros do Governo.

Pois bem, num momento em que o Mundo, a Europa e Portugal, em particular, vive uma situação complexa aos mais diversos níveis, com uma instabilidade política, social, económica e de segurança, e em que se vão realizar eleições nacionais a breve trecho, entendemos por oportuno fazer chegar aos Partidos Políticos, um conjunto de preocupações que pela sua pertinência e relevância devem, também elas, ser objeto de reflexão, debate e comprometimento político.

Os signatários não desconhecem os complexos problemas nacionais, a nível de educação, saúde, emprego, habitação, justiça, fiscalidade, administração pública, transportes, energia, e a importância que ocupam nas prioridades políticas de quem ambiciona ser governo.

Exatamente porque conhecem bem esses problemas, sentem-se obrigados a alertar os Partidos e a Classe Política para outros não menos importantes para o País e para a Soberania Nacional, mas que raramente ocupam a agenda política e, muito menos, a sua estrutura de pontos críticos.

Referimo-nos obviamente às FFAA e à situação grave, e que não é nova, em que se encontram e para a qual vimos alertando publicamente, pelo menos, desde 2020.

Assim sendo, por uma questão de prioridade e de economia de tempo e espaço, não iremos abordar, nesta fase, os Orçamentos da Defesa e das FFAA, a Lei da Programação Militar, as questões do Armamento, dos Equipamentos, das Infraestruturas, da Investigação Científica Militar, das Indústrias de Defesa, do Ensino Militar e outros.

Não iremos, igualmente, lembrar a necessidade de o País possuir umas FFAA bem preparadas, equipadas e motivadas, que respondam com eficiência e eficácia às necessidades nacionais, e às responsabilidades de Portugal no quadro internacional, e no âmbito das alianças de que faz parte.

Vamos, isso sim, focar o nosso alerta, primordialmente, no fator humano, melhor dizendo, nos Recursos Humanos (RH) das FFAA, o elemento por excelência do seu funcionamento e prontidão. Na realidade, são as pessoas (e é bom não esquecer) que, a todo o tempo, “convertem” a estrutura política e militar da defesa nacional em desempenho operacional eficiente e eficaz. E é aqui, no domínio do “Pessoal”, e ao nível da seleção, do recrutamento e da retenção que as dificuldades que se sentem são maiores e mais gravosas.

Os dados falam por si. Atente-se o número de militares em serviço, em 31 de dezembro último - 21 080 (cerca de 68 %), relativamente aos 30 840 autorizados pelo D.L. 6/2022, de 07 de janeiro, quantitativos esses bastante reduzidos, se se considerar o valor superior do intervalo (30 000 – 32 000) previstos na Reforma “Defesa 2020”, de 2013, e cujo estudo e racional que os sustentaram são desconhecidos.

Por outro lado, uma mais completa e pretendida profissionalização das FFAA, ao fazer substituir a conscrição e o Serviço Militar Obrigatório pelo regime de voluntariado e contrato, modificou, por completo, a matriz da relação individuo – Instituição, uma vez que esta passou a ser uma matriz de relação contratualizada e de interesse e não mais uma relação de dever e cidadania, e isso, não sendo aspeto despiciendo, tem vindo a ser esquecido.

É, sem dúvida - a falta de pessoal – o maior dos problemas. Um problema da mais alta importância e a que os portugueses em geral, os cidadãos, os partidos e os políticos, em particular, não se podem alhear.

Os efetivos (ou falta deles), a sua capacitação profissional, as questões do estatuto e da condição militar (CM), da carreira, da motivação, do regime de saúde e do apoio complementar, do reconhecimento e da integração social, moral e material, constituem as matérias com as quais pretendemos sensibilizar os partidos e o poder político que, num futuro breve, irá assumir responsabilidades de direção efetivas, seja na Assembleia da República, seja no Governo.

II

É inegável que tem vindo a crescer no seio das FFAA um clima geral de mal-estar e desmotivação, de insatisfação, de saturação e de injustiça relativa que tem levado um número crescente de militares dos Quadros Permanentes (QP) e dos Regimes de Voluntariado (RV) e de Contrato (RC) a abandonar precocemente as fileiras.

Não é apenas uma questão de quantidade é também, e principalmente, um problema de qualidade, agravada, inclusive, com o abate aos QP (e o que isso representa de negativo para o próprio militar) de muitos técnicos e quadros altamente qualificados; situação gravosa que a não ser encarada, decisivamente, tornará a sua reposição difícil, ou até mesmo irreversível, comprometendo de forma assaz significativa o funcionamento das FFAA, a sua prontidão e, até, o cumprimento da missão.

Mas nenhuma análise sobre o presente e o futuro das FFAA, sobre, inclusive, a sua motivação, pode ser devidamente enquadrado sem uma visão holística, mesmo que não aprofundada, sobre a CM e o que ela representa: o seu racional, significado, implicações e reflexos na vida daqueles que nas FFAA servem Portugal e os portugueses.

A CM é no fundo uma situação jurídica inerente aos militares das FFAA, que deriva da Constituição (CRP) e da Lei, encontrando-se plasmada na Lei no 11/89, de 01 de junho - Bases Gerais do Estatuto da CM (BGECM) -, consubstanciando-se em restrições aos direitos fundamentais, por parte dos militares, e numa imposição de especiais deveres e, em contrapartida, na atribuição de alguns direitos que o próprio Estatuto dos Militares das FFAA (EMFAR), a jusante, vem a regular.

O documento constituía, à época, (e já lá vão quase 35 anos), um compromisso equilibrado e aceitável entre deveres e direitos aplicados aos militares. Hoje em dia é mesmo o próprio conceito que vem sendo adulterado na sua aplicabilidade pela perda de coerência, ponderação e adesão à realidade.

Atualmente, os direitos foram sendo progressivamente eliminados, e/ou deturpados pelos sucessivos governos, uns por ação, ao terem aprovado as medidas restritivas aos direitos dos militares, outros por omissão, ao não terem a sensibilidade necessária para os corrigir e reverter, como seria justo e conforme ao espírito e letra da própria lei.

Os dois deveres que caracterizam a CM (e que constam da Lei) consistem na renúncia a direitos, liberdades e garantias que a CRP atribui a todos os cidadãos, e a obrigação de dar a vida pela Pátria, na defesa de Portugal e dos portugueses.

São deveres exclusivos dos militares e não podem ser impostos a qualquer outro cidadão ou categoria profissional. Constituem mesmo um ónus muito pesado, assumido livre e conscientemente, em acto público, e na forma de Juramento de Bandeira e Compromisso de Honra.

Para além deste dever-limite, acrescem um sem número de outros tantos deveres, restrições, e condicionantes, de onde sobressaem, em particular:

A total e permanente disponibilidade para o serviço;

O desempenho de missões operacionais, quer em ambiente real, quer em treino e

exercícios, com elevado risco;

A exigência de uma profunda capacidade técnica, física e psicológica.

A este conjunto de critérios, somam-se sacrifícios de natureza diversa, como sejam o prolongado afastamento da família, em situações de perigosidade e de incerteza, do círculo social, dos amigos, e da designada zona de conforto, os quais, têm um elevado peso na difícil e, em certas circunstâncias, penosa, vida dos militares.

Alguns destes deveres também são imputados a elementos de outras categorias da Administração Pública (AP), pelos quais, como compensação, auferem subsídios, complementos, suplementos, situação que, na maioria dos casos, não é acompanhada na justa medida pelos militares.

Olhemos, então, um pouco mais, na especialidade, a toda esta problemática.

III

A CM agrupa os direitos dos militares em três áreas fundamentais e diferenciadas. A saber:

Carreiras profissionais;

Assistência médica;

Sistema remuneratório.

Em complemento registe-se, a título ilustrativo, e em breve súmula, a forma como o poder legislativo e o poder executivo têm, ao longo dos anos, gerido esta problemática.

• Carreiras Profissionais -
o Foi aumentado o número mínimo de anos de serviço em cada posto;

o Foram criados novos postos no início das carreiras, correspondendo a menor posição hierárquica e a menor vencimento;

o Foram retardadas as promoções muitos meses após a data devida e no menosprezo do disposto e regulado na Lei.

Destas medidas resultam dificuldades na progressão de carreira, no preenchimento de certos cargos e conteúdos funcionais, retardando a ascensão e o acesso aos postos cimeiros, num sentido inverso ao que ocorre na sociedade em geral, e com consequências que não se registam em outras profissões, e se traduzem numa redução salarial expressiva, o que é incompreensível.

• Assistência Médica -

Neste particular tudo tem sido, a nosso ver, degradado, com medidas avulsas que mais não fizeram do que perverter de certo modo o espírito e a letra das próprias BGECM, tratando de forma igual o que é genética e estruturalmente diferente. Assim:

o Os militares e seus familiares em vez de terem uma saúde gratuita, como acontecia até 2005, passaram a realizar desconto em igualdade de circunstâncias com a AP, cujo valor se cifra em 3,5 % da remuneração do militar ao longo de 14 meses ao ano.

o O subsistema de saúde - Assistência na Doença aos Militares (ADM) -, foi integrado no Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA), misturando âmbito e objeto, saúde com proteção social complementar, numa política de grande confusão, que teve e tem, a nosso ver, efeitos altamente lesivos para os militares, nestes dois pilares fundamentais que são a saúde e a ação social.

o Paralelamente, a junção dos diferentes hospitais dos três ramos das FFAA, medida que no plano conceptual e organizacional traria economia de escalas e valor acrescentado, resultou inadequada, face às expectativas acalentadas.

o As instalações, os equipamentos e as tecnologias em uso estão longe da modernidade e funcionalidades que se exige a um Hospital Central (HFAR), o que é incompreensível e não era expectável, face às verbas obtidas com a alienação do Hospital Militar Principal, da Casa de Saúde da Família Militar e do Hospital da Marinha.

o A agravar o cenário, os seus quadros de pessoal médico, de enfermagem, de técnicos auxiliares de diagnóstico, de assistentes técnicos e assistentes operacionais estão longe de responderem às necessidades da Saúde Operacional e da Saúde da cada vez mais, hoje, esquecida, Família Militar, assim como da de reservistas e reformados. E nestas degradas circunstâncias como será possível (ao que parece) equacionar abrir o HFAR a outros sistemas de assistência na doença?

Todos estes aspetos, já de si preocupantes, conjugados com uma deficiente aplicação das receitas dos descontos mensais efetuados aos militares (porventura, para encargos que deveriam ser do Serviço Nacional de Saúde (SNS), têm agravado a degradação do Sistema de Saúde Militar e, sobretudo, afetado a eficiência e as capacidades do Hospital das Forças Armadas.

• Sistema Remuneratório -

Neste âmbito, pode dizer-se que a vontade política dos Governos, limitando e colocando, até, em causa o cumprimento, ao mais alto nível, do dever de tutela, tem conduzido a uma situação que consideramos inadmissível, e que importa reverter tão breve quanto possível e antes que seja demasiado tarde e de consequências ainda mais gravosas para a Defesa Nacional (e sinais disso mesmo, convenhamos, já vão surgindo).

Vejamos, no entanto, alguns exemplos avulso, retirados de documentos oficiais:

o O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o militar de mais elevada hierarquia no seio das FFAA, aufere uma remuneração inferior a muitos, mesmo muitos, elementos da AP.

o Existe uma carreira profissional em que jovens licenciados/mestrados, com menos de 30 anos, a iniciam com uma remuneração base semelhante à de um Comodoro/Brigadeiro-general que só atinge este posto numa fase última da carreira (mais de 30 anos de serviço) e após a frequência de exigentes cursos de formação de carreira, de especialização e promoção.

o Em 1980, a remuneração dos oficiais das FFAA estava equiparada à dos magistrados, professores catedráticos e médicos. Hoje em dia, médicos e professores universitários têm um vencimento médio, 70 % superior ao dos militares e os magistrados têm uma remuneração média superior ao dobro da dos militares. Tudo indica que esta desigualdade se vai acentuar.

o Analisadas as pensões de reforma de todos os funcionários dos Ministérios da Defesa, da Justiça, da Saúde e da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, que transitaram para a situação de Reforma durante o ano de 2021, concluiu-se que na Defesa apenas 13% da totalidade desses reformados recebia pensões superiores a 3000 €, enquanto que na Saúde e Justiça esse valor era um pouco mais do dobro e no da Ciência era quase o quádruplo.

o Piores, neste âmbito, são os dados referentes a 2022. A percentagem na Defesa regrediu 4% e nos outros ministérios subiram, em média 5%. Mais uma prova de que a remuneração dos militares está, progressivamente, mais longe das atribuídas àquelas carreiras profissionais.

o E se a tudo isto acrescentarmos que atualmente existem 3 métodos diferentes para cálculo do valor das pensões de reforma concedidas aos militares, as preocupações avolumam-se, já que a situação de per-si é injusta, comprometedora do seu ethos e altamente inconveniente para a coesão das próprias FFAA.

o Mais, da análise do quadro estatístico “Remunerações base e ganhos médios mensais nas administrações públicas”, retiramos que, dos 26 grupos elencados, as FFAA encontram-se na 22a posição, sendo, por isso, o Corpo Especial de toda a AP que, menores rendimentos mensais médios recebe, o que é elucidativo.

o O Sistema Retributivo da AP de 2008 foi o último em que militares, magistrados, docentes e médicos integraram a mesma carreira, a dos Corpos Especiais. A partir de 2009, as duas últimas carreiras migraram para as Carreiras Especiais sem aplicação da Tabela Remuneratória Única, nome sugestivo, onde se mantiveram até à atualidade.

Os militares permaneceram, sempre, nos Corpos Especiais/Carreiras Especiais e os magistrados singraram por vários Regimes, até desaguarem nas Carreiras Especiais sem aplicação da Tabela Remuneratória Única. Estranha diferenciação esta que possibilita a gestão autónoma das três carreiras em causa.

E é o próprio Presidente da República e Comandante Supremo das FFAA que ao longo dos tempos, e a propósito, tem vindo a recordar que “houve atualização quanto a outras funções de soberania. Nomeadamente a Magistratura. Não houve no domínio das Forças Armadas, de forma equivalente”.

IV

É patente e claro que o poder político, e os políticos em termos mais genéricos, têm discriminado negativamente os militares, por razões que não se compreendem. O argumento presente em todas as suas decisões é a necessidade de aplicar aos militares a Lei Geral em tudo o que for redução dos direitos, esquecendo que a própria Lei determina que estes devem ser geridos de forma diferente da dos outros cidadãos, e no sentido positivo.

Esta desigualdade, resultante de medidas avulso, mas sempre penalizadoras, que os governos vão aprovando, tem levado, por razões básicas de sobrevivência, e como já referido, à saída extemporânea das fileiras não só de Praças, cuja situação é crítica, mas também de Sargentos e Oficiais, mesmo dos QP, particularmente em classes, armas, serviços e especialidades mais competitivas no mercado laboral, como médicos, engenheiros, pilotos e outras. Até parece que o objetivo prosseguido é depauperar as FFAA dos seus recursos humanos, deixá-las esgotarem-se e, assim, exauridas, chegarem à extinção.

Não acreditamos que seja este o desiderato em vista, acreditamos mais que seja antes uma falta de cultura de Defesa Nacional que trespassa transversalmente a sociedade portuguesa, e a que os Políticos (e os partidos) não têm querido ou sabido, até, pedagogicamente que fosse responder.

Neste ano de 2024, e a breve trecho, comemoramos o cinquentenário da revolução de abril.

Que excelente pretexto, ou melhor, que excelente oportunidade para, em complemento dos discursos de circunstância, olhar para as Forças Armadas com a dignidade, a importância e o espaço próprio, que lhes é devido na Sociedade Portuguesa.

Se não for esta a postura, então que mostrem coragem, assumam a responsabilidade por inteiro, e perguntem aos portugueses se desejam que Portugal tenha, ou não, FFAA. Continuar assim como se tudo estivesse bem é que não pode ser.

“Mais vale madrugar do que perder um tempo histórico” afirmou o Presidente e Comandante Supremo das FFAA em 11 de abril p.p., na sessão de encerramento do acima citado nosso seminário, e é bem verdade, porquanto se nada for feito o resultado será, por certo, uma perda de confiança na representação política e, mais grave, num regime democrático, nas próprias Instituições. E isso os militares não querem.

Como também não querem continuar a ser tratados como cidadãos e profissionais que não têm direitos, apenas, e só, deveres, e bem exigentes. Querem ter a remuneração, o respeito e o reconhecimento merecidos e devidos. Querem ver, finalmente, revertidas as situações negativas que sucessivos governos lhes foram infligindo, e voltar a ocupar, na sociedade e na AP, o lugar que a justiça lhes impõe, atento a tudo o que, ao longo de séculos, têm feito por Portugal e pelos Portugueses.

Finalmente, não podemos deixar de referir que o poder político deverá ter por imperativo a defesa dos justos interesses dos militares, por serem os únicos servidores públicos que, de acordo com a Lei, não têm capacidade reivindicativa, sob pena de, se tal não ocorrer, se virem a alterar as condições éticas e de vínculo do exercício da sua profissão.


Lisboa, GREI, 15 de janeiro de 2024 

Este documento terá sido remetido pelo menos aos titulares dos órgãos de soberania. Não tenho a certeza se foi endereçado aos partidos com assento na Assembleia da República e aos quatro actuais chefes militares. 

No momento em que escrevo desconheço reações, dos titulares dos órgãos de soberania, dos partidos políticos, ou de quaisquer outras entidades. 
Tomei conhecimento de algumas reações de alguns órgãos de comunicação social OCS).

Destes, para lá da habitual superficialidade com que normalmente abordam assuntos desta natureza, verifico:
- reprodução dos aspectos sobre a escassez de recursos humanos referidos pelo GREI,
- um OCS afirmar denunciar a situação, quando é reprodução do que tomaram conhecimento,
- reprodução de declarações de antigos chefes militares sobre o assunto, repetindo o que vinham dizendo há muito,
- reprodução das referências da carta ao mal estar nas FA,
- reprodução do constante na carta sobre as posturas dos sucessivos governos e muitos políticos.

Que hei-de dizer sobre isto? Que me apetece dizer? Apetece-me pouco.
Aqui no meu blogue, e em outros, muito escrevi sobre, 
- Defesa Nacional (DN),  FA, militares, a lei Freitas do Amaral de 1982 que começou a normalizar a instituição militar,
- as medidas e as políticas dos governos de Cavaco Silva sobre DN e FA,
- a crescente pouca vergonha dos governos que os sucederam, com particular ênfase para os de Guterres e os seus ministros da defesa e, a gestão de Aguiar hífen Branco e os MDN ao tempo de Sócrates,
- as leis de programação militar e de infra-estruturas, 
- que FA Portugal deve ter.

O que pensam no presente a generalidade dos homens, mulheres e adolescentes portugueses quanto aos militares que, por juramento para a vida, renunciam aos direitos, liberdades e garantias que a Constituição da República Portuguesa atribui a todos os outros concidadãos, e a que juntam ainda o compromisso de dar a vida em defesa do país e dos seus concidadãos?

Que pensam os titulares de órgãos de soberania (desde 2015) das cartas e alertas diversos do GREI e de alguns dos seus associados que a título individual têm alertado para os problemas na defesa nacional e na instituição militar?

O que eu penso desses titulares é muito claro e ao longo do tempo o escrevi. 
Alguns não concordarão comigo, legitimamente. 
Só me parece pouco coerente da parte desses que andem a insurgir-se quanto ao caos na instituição militar. Que não é de hoje. É pelo menos desde 1991.

Mas é Portugal, é o costume.
Voltarei ao assunto quando me apetecer, quanto não tiver mais nada que fazer.
António Cabral

sexta-feira, 27 de maio de 2022

VASCULHAR em ARQUIVOS

É sempre uma coisa para mim interessante, e saborosa. Encontram-se, relembram-se, coisas muito engraçadas. Umas são pitorescas, outras são ilustrativas, ou da pobreza da política em Portugal, ou da pobreza de espírito, ou de certas ascensões na vida, ou do carreirista, ou das ligações, ou das promiscuidades, ou das indecências, ou da descarada ausência de vergonha na cara.

Hoje deixo esta, que é curiosa se olharmos ao que se passou anos depois. Não a estou a catalogar, estou a repetir apenas o que foi publicado. E estou a recordar, apenas, coisas posteriores da história recente deste tão maltratado país.

Maltratado? Sim, é a minha opinião, e sabemos bem por quem, e há pelo menos 37 anos.

AC

segunda-feira, 1 de março de 2021

É SEMPRE IMPORTANTE.......

É sempre interessante, sobretudo importante, e muitos vezes decisivo, ir o mais atrás possível para se perceber melhor coisas mais recentes.

AC

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

TANCOS: Será que isto vai ficar interessante?

Tancos: Marcelo confirma pressões de Azeredo Lopes mas garante que nunca falou com director da PJM
Segundo a testemunha Marcelo Rebelou de Sousa, o ex-ministro Azeredo Lopes tentou que o Presidente tivesse uma reunião com o diretor da PJM, Luís Vieira, que queria convencê-lo de que tinha de ser esta polícia a investigar o assalto a Tancos. No depoimento enviado para o Tribunal de Santarém, o Presidente da República garante que nunca falou com o coronel e que só soube do achamento das armas pela comunicação social. (Expresso online)
É lá, será que isto vai ficar interessante? Oh Azeredo, você pressionou o Presidente da nossa República?
Oh ex-director da PJM, não vai esclarecer tudo?
António Cabral (AC)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

A Propósito de Tancos
Lembrei-me destas fotografias, ao longo dos anos e meses publicadas nos diferentes OCS e que, de certa maneira, quase parecem retratar a sucessão de acontecimentos e, talvez, um final feliz?
AC

segunda-feira, 8 de julho de 2019

TANCOS, MARCELO, COSTA, AZEREDO, GENERAIS
Não parece evidente que o cartoonista retratou muito bem aquilo que agora eles continuam a negar?
Inexplicável? Hummmmmm.......
Há aquela cena dos três macaquinhos.........
Aqui os macaquinhos são vários.
AC

quinta-feira, 4 de julho de 2019

AINDA TANCOS e COLATERAIS
Lêem-se coisas engraçadas (??!!??) acerca do relatório que está para ser aprovado a curto prazo na AR, pelos partidos das esquerdas.
Algumas pérolas concretas, por aí anunciadas em jornais (meus comentários a bold): 
- lavagem de «roupa suja» no seio do Exército (elucidativo da coisa, ou não?), 
- não ficou provado que, em algum momento, se tenha verificado qualquer interferência política na acção do Exército ou na actividade da PJM (para rir ou chorar?), 
- responsabilidades de sucessivos governos (ohh) na degradação do Exército e da coisa militar em geral, 
- processos de averiguação e de inquérito (ridículos?) abertos se limitaram a verificar o comportamento de um oficial, um sargento e um praça,  
- a hierarquia do Exército não foi sujeita a qualquer apuramento de responsabilidades de forma ampla, exigente e criteriosa (mas que enorme surpresa, não é?),
- que se faziam ouvir, na estrutura superior do Exército, muitas críticas em relação ao actual processo de nomeação das chefias militares por não contemplar o necessário envolvimento do Conselho Superior do Ramo,
- a displicência da estrutura superior do Exército na gestão e administração deste ramo das Forças Armadas, apesar de todos os chefes do Estado-Maior do Exército conhecerem a situação, nada foi reportado aos titulares da pasta da Defesa Nacional antes de 2016 (a sério?).

São ou não são verdadeiras pérolas, estas produzidas pelo relator socialista, o PS, o PCP e o BE?
Mas alguém acredita que um ministro nunca tenha dito nada ao PM durante basicamente um ano?
Mas alguém, intelectualmente honesto, com coluna vertebral verdadeira, acredita nestas patranhas todas?
E a cobertura do PCP e BE ao PC e concretamente a António Costa?
E não é lamentável que exista gentalha que em vez de subordinada seja submissa e dê cobertura ao comportamento de tais políticos?
Claro que não é caso virgem.
Lembram-se de um outro governo socialista em que um certo chefe de gabinete fez um determinado trabalho, de que resultou uma bronca dos diabos e o ministro ter ido à vida enquanto, mais tarde, esse chefe de gabinete não ficou muito mal na vida?
Lembram-se? ........

E depois venham-me falar de governamentalização das forças armadas. 
É que me parece cada vez mais, com mais este lamentável exemplo,  que os governos não precisam de se esforçar nessa vertente, basta deixarem actuar certas pessoas, em auto-flagelação.
Pois venham agora mais escritos sobre farsas e outras argumentações, para demonstrar que a democracia funciona, e que até se deixam publicar vozes discordantes nos principais jornais.
O governo agradece.
Ah, e TÁ CLARO, que com isto ficou tudo, mas tudo apurado, doesse a quem doesse. Doeu?

Recordar as atitudes passadas e colocá-las agora lado a lado com as atitudes silenciosas, faz lembrar o quê? Eu digo:
Faz lembrar o maior respeito por estes titulares de orgãos de soberania!!!!!

Não, não me peçam respeito.
Dêem-se ao respeito, ........se forem capazes, evidentemente.

Talvez que para alterar este lamentável estado de coisas, seja de  perguntar ao Montenegro se, lá na estranja para onde ele vai para aprender a dirigir, se não haverá também uns cursilhos de boas maneiras para titulares de orgãos de soberania.
AC 



quarta-feira, 29 de maio de 2019

Marcelo e Tancos
Ah, .......e alguns pândegos, e....... alguns militares
Há dias li online comentários/ notícias relativas ás últimas cenas na AR a propósito de TANCOS. E concretamente acerca das respostas escritas do actual PM.
Várias conclusões possíveis.
- entre gabinetes ministeriais/ governamentais, parece ser normal em assessores e chefes de gabinete, aceitarem e partilharem e encaminharem, sempre sem qualquer registo formal administrativo,  documentos apócrifos, sem assinatura, sem data, sem carimbos, etc.
Não há um jornalista que corajosamente diga - que pouca vergonha é esta? Mas acham que somos todos estúpidos?
- alguns documentos relacionados com um dado evento chegam ao PM meses depois (ou muito mais) do acontecimento; também terá sido assim quando dos incêndios?
- o que escreveu o PM em resposta à AR parece que bate certinho, mas mesmo 100%  certinho vejam lá, com as declarações de generais e chefes de gabinete. Discrepâncias ZERO, não é giro?
Assim é que é bonito, assim é que se defende a lisura de procedimentos, a transparência, e se protege o PM.
O mesmo PM, o mesmo político de sempre que trata como se sabe as Forças Armadas, a mesma criatura que, parece poder concluir-se,  os militares protegem. Assim é que é bonito.
Talvez daqui a uns tempos até o convidem para apresentar mais uma obra escrita de algum general ou almirante, como parece continuar a ser moda. 
É tão curioso ver alguns a zurzir e bem nos que ofendem desprezam vilipendiam as Forças Armadas, e ver depois convidá-los para certos eventos. Enfim, passivos no activo, activos na reforma.

Quanto a Marcelo:
Que logo depois de Tancos saltou até lá, perorou, perorou, perorou, perorou, perorou, e em dada altura até António Costa lhe  recomendou calma, estará agora a pensar no assunto, a sério?
Agora que tudo certamente vai ficar sem culpados nenhuns (excepto mais algum tarata), se calhar a legislatura vai mesmo acabar com certa gentalha a rir de tudo isto.
Azeredo Lopes demitiu-se, se percebi bem, logo depois de António Costa lhe mostrar um papelinho, papelinho que António Costa ficou perfeitamente convencido que Azeredo nunca vira, o tal papelinho. Adorável. E Marcelo calado.
O general que era chefe do Exército demitiu-se cinco dias depois de Azeredo ser despedido. Que lhe terá dito o sr Cravinho júnior?
E Marcelo calado.
Marcelo calado também, a assistir a movimentações de generais que foram ouvidos na AR. Claro que a gestão é do governo, e é também gestão militar. Claro.
Depois de ler sobre as declarações escritas de António Costa remetidas à CPI da AR, lembrei-me que este senhor, tempos atrás tinha vociferado (é o termo, tal foi então o tom empregue) - “Ainda havemos de saber o que cada um sabia sobre esta história de Tancos”. Ele pelos vistos nunca soube de nada. Talvez os amigos que lhe sopram - Toni, isto foi tudo uma farsa, o Passos Coelho está por trás da coisa. Não, esses também não.
Ah, e Tancos nunca teve problemas de redes e etc, NUNCA.
Tudo inventado. E Marcelo calado.

TANCOS ?
O que é isso?
hum....Tancos.......ninguém sabe nada, ninguém comunicou nada fosse verbalmente, cara a cara, ou sussurrado ao ouvido, ou sms, por documento com hieróglifos,......Tancos, ...hum.....isso é alguma marca de carro nova? E Marcelo calado.

No meio disto tudo o Ministério Público, investigará?
Ou já percebeu que este processo é mais um dos imensos, daqueles  que é para deixar morrer? A legislatura irá acabar e Marcelo calado.

Claro que Tancos também pode ter sido uma grande trama para tentar derrubar a geringonça. Certo.
É o que lojas e escritórios e grupelhos, e amigalhaços de certos clubes apontaram, certo? 

Marcelo é, Presidente da República, chefe de Estado, comandante supremo das Forças Armadas. Só..........
Ah, ....e, constitucionalmente, é o garante do funcionamento das instituições. Certo.
Ou, afinal,  é outra coisa ?
Quando por exemplo uma vez disse publicamente - parece que uma acusação estaria por dias - isso queria dizer o quê, saberia o quê, ou era mais um soundbyte patético?

Desgraçado País.
AC

quarta-feira, 22 de maio de 2019

SAI UMA RISADA À BERARDO
Ah, Ah, Ah, Ah.....
Costa só soube do memorando de Tancos no dia da demissão de Azeredo
AC

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

As AUDIÇÕES sobre o "CASO" TANCOS
Começam hoje.
Faz-me lembrar aquela "cena" do velhinho Juca Chaves, "o Congresso de Sexologia", em que depois de várias perguntas sobre a actividade /regularidade sexual de vários dos congressistas um, lá do fundo da sala, responde excitadíssimo "É HOJE, É HOJE".

O que sabemos no presente? POUCO.
O outro duvidava da própria sombra e, no "caso" Tancos, é capaz de ser bem avisado duvidar de quase tudo.
Mas, para começar, uma certeza tenho.
A democracia tem regras próprias, e na democracia existem instituições, e as instituições devem ser respeitadas.
Na democracia existem orgãos de soberania, e devem ser respeitados.
Os orgãos de soberania têm titulares, e devem ser respeitados.
Uma das instituições pilar da nossa democracia é a instituição militar, e a instituição militar integra os três ramos das Forças Armadas (FA) (Marinha/ MAR, Exército/ EXE e Força Aérea /FAP).
A instituição militar tem "cabeças", a saber: políticas, e que constitucionalmente são, Presidente da República (PR) / Comandante Supremo das FA (CSFA), Primeiro -Ministro (PM) e ministro da defesa nacional (MDN), e cabeças militares, que são os 4 chefes militares, chefe de Estado-Maior General das FA (CEMGFA) e chefes de Estado-Maior de cada um dos ramos (CEMA, CEME, CEMFA).
Tudo e todos devem ser respeitados.
Mas, os titulares dos orgãos de soberania, e as cabeças políticas e militares da Instituição Militar, também se devem dar ao respeito.
No "caso Tancos" foi assim, tem sido assim?
Tenho as maiores dúvidas, para não dizer que tenho a certeza de que vários não se deram ao respeito.

Foi considerado e parece que assim continua, que terá sido na madrugada de 27 para 28 de Junho de 2017 que aconteceu o aparente roubo de material militar dos paióis/ paiolins em Tancos, em que terão  "desaparecido" munições, granadas e explosivos e, talvez, algum armamento obsoleto.
De concreto, se bem me lembro, Marcelo, Costa, e Azeredo, sempre disseram que nada sabiam.
Marcelo queria apuramento de tudo, "doa a quem doer", "de cima a baixo". Pouco depois do "noticiado", foi de escantilhão a Tancos arrastando o atrapalhado MDN. O PM continuou durante uns dias a descansar!!
Azeredo Lopes e os então CEMGFA e CEME também declamavam não saber de nada.
Depois houve aquela palhaçada televisionadacom Costa e Azeredo e os 4 chefes militares de então, e ficou a saber-se que tinha havido uns murros no estômago!!!!! Lamentável!!!

De concreto sabemos ainda o seguinte:
> Azeredo Lopes era confiável/ tinha a confiança do PM que aliás a reiterou/ foi corrido/ pediu para sair/ foi remodelado;
> General Rovisco Duarte nada sabia, foi corrido só ao fim de muito tempo/ foi convidado a sair pelo sucessor de Azeredo Lopes/ pediu a exoneração, creio que 3 dias depois de novo MDN; não contente, disse uma coisa publicamente e outra dentro do Exército; não contente, suspendeu rapidamente creio que cinco coronéis havendo quase a certeza de que sem cobertura estatutária para isso, tanto que pouco tempo depois, foram "dessuspendidos" !!!!;
> A "coisa" foi noticiada a 29 de Junho de 2017;
> Procuradoria-Geral da República (PGR) falou em"suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional";
> Numa fase inicial depois de conhecida a bronca, Azeredo Lopes, admitiu que "no limite, pode não ter havido furto"; se calhar a realidade VERDADEIRA pode dar-lhe razão;
> Mais tarde a PJM dá conta de uma operação conjunta com a GNR de Loulé em que apareceu (??) na Chamusca o material roubado; veio a verificar-se, contudo, que continuaram a faltar munições de 9 m/m e algum outro material e que apareceu, "pro bono", uma caixinha que se desconhecia, aparentemente, e "pequenina", como gracejaria o general Rovisco Duarte;
> Suspeitas sobre a PJM aumentaram;
> O anterior diretor da PJM, coronel do Exército, foi detido, tendo sido televisionada a sua detenção, em moldes que considero despropositados; detidos ainda nessa altura outros três responsáveis da PJM, e mais três elementos da GNR de Loulé e um civil; 
> Veio a ser também detido um major que prestara serviço na PJM, e que terá confessado certos encobrimentos;
> Recentemente foram detidos 8 suspeitos do roubo de material militar de Tancos, falando-se de "associação criminosa, furto, detenção e tráfico de armas, terrorismo internacional e tráfico de estupefacientes";
> Vão ser ouvidas na Assembleia da República (AR) dezenas de pessoas, civis e militares e, aparentemente, António Costa responderá por escrito ás perguntas dos deputados da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que hoje começa os trabalhos;
> Sabemos ainda, pois diariamente assim nos destratam, que esta gentinha nos considera a todos uns parvalhões, e estão como antigamente sedentos do velho respeitinho, só porque momentaneamente são titulares de orgãos de soberania e clamam - É preciso respeitar as instituições"- mas, continuamente não se dão ao respeito.
> A propósito desta coisa do ter que se respeitar as instituições, sobretudo Marcelo clama por isso, acerca da instituição militar, sabendo-se que existe esta mania e ele insiste muito nisso, de confundir o Exército com a instituição militar. Claro que na Marinha e na Força Aérea também aconteceram/ acontecem coisas de bradar aos céus, mas este martelar confuso e quase parece propositado, no mínimo, irrita quem não é bronco.

Continuamos a não saber, por exemplo:
> Que tensões houve de facto entre Marcelo e Costa e que concordâncias existem de facto entre eles sobre esta matéria.
> O que é que eles (PR, casa militar do PR, o PM o seu assessor militar e o seu chefe de gabinete, MDN e o seu chefe de gabinete, CEMGFA, CEME), sabiam de facto ?
> Eles andaram e andam a mentir aos portugueses ?
> Que responsabilidades políticas?
> Que consequência jurídicas, judiciais, penais ?
> Quando é que o Exército soube de facto da coisa, e porque fez aquele comunicado ?
> Quando soube a PJM ? A "28JUN2017 ?
> Quando soube a PJ) ?
> Quando soube o MP ?
> Que conversa houve entre PGR de então e CEMGFA?
> O actual MDN tem a noção do que são inventários? Lembrar-se-á que por exemplo na banca existia e deve continuar, uma coisa que se chamava "quebras", pois ao fim do dia na caixa podia haver uma diferença (pequena) entre registo/existências em caixa e entradas e saídas de dinheiros?
> Houve roubo?
> É tudo uma farsa, como sempre declarado por uns pândegos, mas agora que algumas coisas menos nebulosas vão sendo conhecidas, talvez a "coisa" não seja afinal para atingir/ denegrir a geringonça como garbosamente clamavam?
> Se a questão inventários é de de facto desde Junho de 2017 ou se é de muito detrás, como quem conhece o meio bem sabe que é verosímil?

Finalmente, essa coisa do só saber/ ter conhecimento perante um documento formal que lhe seja apresentado pela via hierárquica, previamente registado em todo o seu trajecto burocrático /administrativo, versus um papelinho transmitido em mão por estafeta confiável, informação verbal, sussurro ao ouvido, "parece que houve" em conversa de cocktail, telefonema seja a que horas for, não passa tudo de uma descarada ausência de vergonha na cara para "épater les bourgeois et les pauvres citoyens".
Ao longo do tempo já aqui no blogue escrevi tanta coisa sobre este lamentável assunto que fico por aqui. 
Vamos aguardar a palhaçada na AR.
António Cabral (AC)

domingo, 28 de outubro de 2018

VERBA VOLANT,  SCRIPTA MANENT *
É isto que vai explicar o encerramento do caso/ telenovela Tancos, a bem de todos, a bem do regime, a bem das instituições, a bem da Nação (ups)
Posso enganar-me, mas..........
A encenação está montada, para que o desfecho seja, o desejado pela necessidade política de estabilidade, o desejado pelo Presidente da República que tem porfiado em dizer periódica e enfaticamente - investigue-se, investigue-se, averigue-se, apurem-se os factos e as responsabilidades, doa a quem doer.
Bem, nos últimos dias ele tem confessado que sempre teve umas IMPRESSÕES.........
Como digo, a coisa está montada, está apurada, averiguada, esclarecida. Repito, a bem da Nação (ups)

É assim:
> a PJM através dos directos intervenientes no caso, parece que efectivamente reuniu com o ex-chefe de gabinete do ex-ministro Azeredo Lopes,
> o ex-chefe de gabinete parece que já confirmou ter informado o então ministro, e até lhe ter entregue papelada sobre o tal encobrimento,
> parece que Azeredo Lopes já confessou que afinal sim, foi informado, recebeu papel, mas não valorizou a coisa, ou não percebeu completamente,
> provavelmente, Azeredo Lopes, que desvalorizou a coisa, informou António Costa mas dizendo-lhe, provavelmente, que não lhe parecia ser nada de especial, 
> António Costa, ao ouvir Azeredo dizer-lhe que não seria nada de especial, nada valorizou a coisa, ainda por cima não recebendo documento algum, só palavras vagas, que voam para longe,
> António Costa, leal como sempre para com o Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, informou-o superficialmente sobre o que Azeredo lhe contara mas dizendo que o ministro da tropa não valorizara a questão, portanto não devia ser nada importante, nem havia qualquer documento sobre o assunto,
> Marcelo Rebelo de Sousa, nada recebendo formalmente, quer de António Costa, quer de Azeredo Lopes, e ainda por cima tendo-lhe sido dito que nada de importante havia, ficou com a impressão de que nenhum sabia efectivamente nada de concreto e importante sobre o material aparecido na Chamusca,
> o actual ministro da defesa nacional, já afirmou que se vai registar as lições aprendidas de tudo o que se tem passado.
Como o seu antecessor, não esclareceu quem está a fazer auditoria à PJM.

A conclusão é muito simples: os oficiais da PJM envolvidos no encobrimento sobre o caso Chamusca, não souberam escrever as coisas como deve ser, não alertaram com vigor e rigor o então ministro da defesa nacional sobre a gravidade do que se tinha passado e sobre a gravidade dos seus actos, e desta maneira, o ex-ministro da defesa nacional nunca se poderia ter apercebido da gravidade de todos os factos e, em consequência, obviamente que não valorizou uma coisa tão mal explicada, e ficou assim impedido de informar com rigor o PM António Costa que, por sua vez, se viu assim impedido de correctamente informar o Presidente da República.

Haverá em tempo útil uma declaração de António Costa a explicar a sequência do que acima indico como plausível, declaração que será obviamente consertada com Marcelo, que depois fará a sua.
Em suma, os da PJM sofrerão as consequências, dos seus actos e da falta de rigor a escrever documentos, Azeredo também oferece a cabeça, e assim Costa e Marcelo ficam chamuscados mas por agora salvam-se.
E ficam as lições aprendidas. Até uma próxima telenovela.
António Cabral (AC)

* - As palavras voam, mas permanecem quando escritas; 
se quiserem, as palavras faladas, os comentários aos microfones dos jornalistas no meio da rua voam para longe, enquanto as palavras escritas permanecem.

Ps: e duvido que alguma vez a chamem, queiram ouvir Joana Marques Vidal, não fosse ela complicar a coisa com as suas revelações

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

A  DEFESA  do  CLUBE
Não, não é sobre futebol. 
Política, é sobre política que me refiro e concretamente acerca do ex-MDN Azeredo Lopes.
Lê-se por aí coisas várias e que transpiram a clubite, como por exemplo esta - quem está de boa-fé percebeu que o ministro da Defesa foi alvo de uma pulhice jornalística. Um ministro com currículo incomparável na forma como fez respeitar a Constituição e o Estado de direito democrático na relação entre o Governo e o Exército.
Já tinha lido que era tudo uma farsa e uma congeminação para enxovalhar a geringonça.
Ao ler agora esta frase - Respeitar a CRP e o estado de direito democrático na relação entre o governo e o Exército - devem estar a referir-se à interferência directa na gestão dos recursos humanos do Exército aquando dos casos no Colégio Militar, casos que, evidentemente, tinham muito de reprovável. 
Adicionalmente, adoro os comentários da ministra da justiça!!
AC
IMPRESSÕES.........E IMPRESSÕES......
Impressão - acto ou efeito de imprimir; marca ou sinal que fica ao imprimir; sensação; abalo; comoção; influência produzida no organismo por agente estranho.

Designadamente isto, é retirado do dicionário.
Está bem de ver, a impressão que eu tenho é que a sociedade está podre, as instituições idem, o regime, estou rodeado de malandragem que está há meses, e agora desesperadamente, em "modo" de emergência e de "controlo de danos". 
Estamos nitidamente numa questão de regime, e tal como no antigamente, estão a puxar ao "respeitinho", porque os "Senhores" nunca mentem, nunca encobrem, nunca enganam as pessoas!!!!
E é importantíssimo, desesperadamente, arranjar diariamente telenovelas e futebóis e outras trampas para distrair o povão, e assim a coisa ir passando - "enquanto a justiça prossegue o seu caminho" - ou como disse o director da PJ - "estamos sempre na expectativa de atingir os objectivos".
VAI UMA APOSTA?
Não vai doer a ninguém importante.
Todos inocentes, sempre com impressões.
Isto já nem impressão me faz, só me dá vómitos.
AC

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

PUMMM !!! (1)
Esta tarde tomou posse a nova PGR, passava das 1500 horas em Lisboa, Palácio de Belém. Eu assisti pela TV, SIC notícias.
Acabada a cerimónia, seguiram-se os habituais e longos cumprimentos, sendo Marcelo, Ferro e Costa os primeiros a beijar a senhora.
Pela voz da jornalista, em minha casa fui informado que quer Marcelo quer Costa sairam logo de Belém, não conseguindo os jornalistas quaiquer comentários sobre a cerimónia.
Vem isto a propósito daquilo que evidentemente haveria de acontecer, e que a falta de honestidade política e intelectual de todos os principais responsáveis políticos protelou meses a fio.
Não encontro a carta de demissão do MDN.
Tenho que partir do princípio que o que vou lendo corresponde à realidade. Coisa perigosa, mas vou arriscar.
Começo pela nota da Presidência, que faz crer que esta tarde o PM informou o PR da demissão em causa.
Tal como aconteceu com a nomeação da PGR, temos aqui mais uma palhaçada, mas não faz mal. Passemos à frente.
O PR, ao abrigo da competência Constitucional relativamente a outros orgãos, a de nomear e exonerar os membros do governo sob proposta do PM, despachou Azeredo Lopes.
Como eu dizia no meu post anterior, sobre competências do actual inquilino de Belém, lá se deve ter metido a ler melhor as suas competências e sinalizou a Costa………..”atão”!!!!
Do que se lê por aí retiro os tópicos seguintes que Azeredo Lopes terá escrito na carta:

> nega ter conhecimento “direto ou indireto” da operação de encobrimento do roubo das armas, 
> a decisão de se afastar pretende evitar que as Forças Armadas sejam “desgastadas pelo ataque político” de que está a ser alvo - "Não podia, e digo-o de forma sentida, deixar que, no que de mim dependesse, as mesmas Forças Armadas fossem desgastadas pelo ataque político ao ministro que as tutela"
> A decisão de abandonar o governo, anunciada esta sexta-feira, teve como objetivo “não perturbar” as negociações do Orçamento do Estado para 2019
> sublinhou que, sobre essas acusações, António Costa acreditou na sua palavra e “nunca pôs em causa” a sua honorabilidade.

Recordo que António Costa tinha dito sobre Azeredo Lopes “ é um ativo importante" no Governo, e hoje terá dito que aceitou a sua demissão (certamente muito pesaroso e lacrimoso) em respeito pela sua "dignidade" e "honra" e para a preservação da "importância fundamental" das Forças Armadas.
É rir para não chorar.

Até o “tio” Jerónimo afirma com clareza - a polémica do furto de armas de Tancos e consequente demissão do responsável pela tutela, Azeredo Lopes, "passou a ser problema" do chefe do Governo. Mas discordo de Jerónimo, sempre foi um problema de Costa, como é também um problema de Marcelo.

Não vale a pena perder mais tempo com a criatura, é até feio dar pontapés em quem está arrumado, caído no chão. 

Mas acrescento só mais umas palavras que revelam bem a desfaçatez da criatura, para não dizer mais.

> Forças Armadas fossem desgastadas pelo ataque político ao ministro que as tutela- Talvez devesse ter pensado nisto há vários meses, NÃO?

> Objetivo “não perturbar” as negociações do Orçamento do Estado para 2019 - e nem vai à reunião de ministros amanhã, onde o ponto único é a aprovação da proposta de OE 2019? Vai certamente o boy Perestrello.

Mais palavras para quê?
AC
PUMM !!!!
Ouviu-se esta tarde em Lisboa um forte estoiro.
Os sismógrafos estão baralhados, não descortinam se o epicentro foi em Belém, no Restelo, no Rato ou em S.Bento.
Mas foi forte. 
Não se sabe ainda se vem aí Tsunami!!!!
De qualquer forma a Proteção Civil anda já à procura de náufragos, desgraçados, para caçar um que vá para o Restelo.
É a vida.
António Cabral

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Activo
António Costa disse numa base aérea que Azeredo Lopes era um activo do governo!!!!! Ouvi isto no rádio do carro.
Activo?
Bem, existem vários tipos de activo:
- desde logo o que tem actividade, que exerce acção, hum...
- que opera com rapidez, hum....
- que tem influência, hum....
- ou que é diligente, hum...
- ou débito de uma conta,
- ou valor de empresa,
- ou indivíduo geralmente enérgico, alegre e optimista, hum....
- ou conjunto de bens, valores ou certos direitos passíveis de conversão em dinheiro, e propriedade de alguém,
- ou.................. activo tóxico. !!!!!
A qual se quereria o Sr Costa de facto referir?
À última hipótese?  O tempo dirá.
AC

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O Sr Presidente da República, o Comandante Supremo das FA, e a Democracia
Ou devia escrever, Marcelo e algumas das suas teorias?
Vem este atrevimento da minha parte a propósito do discurso que o PR proferiu no passado 5 de Outubro, na CMLisboa, onde entre outras coisas se expressou dizendo que a democracia impõe que se olhe para instituições estruturantes, como é o caso das FA (Forças Armadas).
A expressão concreta foi....."não há verdadeira democracia sem atenção a entidades estruturantes como as Forças Armadas".
Antes, na parte inicial da alocução, disse - ....."tratamento errado das Forças Armadas"......
A propósito, deixem meter aqui uma colherada tipo dano colateral, e que advém de ter ouvido o pequenino comentador de Domingo da SIC dizer coisas acerca de Tancos e do ministro Azeredo Lopes, a quem chamou - "o ministro que não é um ministro qualquer, é o ministro das FA".
Pois é............estamos nisto.......continuamos.............
- O ministro não é das FA, da tropa, como muita gente diz; é o ministro da defesa nacional, embora de facto acabe por não o ser, como aliás todos os seus antecessores. A triste realidade da democracia dá direito a que os Marques Mendes, os Jorge Coelhos, os Mários Soares, os Cavaco Silva, os António Guterres e muitos outros assim considerem a coisa;
- tratamento errado das FA é uma constante da nossa história, basta começar em 1800;
- é uma evidência, e fiquemo-nos por 1800 até hoje, muitos chefes militares trataram da vidinha à custa do País, por violento que considerem esta afirmação;
- nenhum país se desenvolve e progride, sem de facto tratar adequadamente da estrutura do Estado, sem olhar a instituições estruturantes, fundadoras, diria eu; andam sempre a fazer "poucachinhas" coisas;
- afirmar que não há verdadeira democracia sem atenção a entidades estruturantes é para mim completamente verdadeiro; acrescentar as FA, já merece ponderação;
- em Portugal, como em muitos outros países, as FA são efectivamente uma entidade estruturante e, nessa medida, apoucar a instituição militar, não a modernizar na sua estrutura, não a adaptar sem demora aos tempos contemporâneos, não a dotar de meios humanos, materiais e financeiros, é indicador seguro de que alguma coisa não andará muito bem na democracia formal;
- mas países existem que não têm FA; não são verdadeiras democracias, presidente Marcelo?
- Marcelo falou assim no 5 de Outubro, porque o seu irmão gémeo chamado comandante supremo das FA lhe sussurrou ao  ouvido - Tancos foi uma vergonha e continua uma vergonha, muitas coisas mais estão altamente degradadas na instituição militar, como o estado comatoso do hospital das FA, como o desinvestimento ao longo dos anos em material e infra-estruturas - ou Marcelo falou assim apenas para fazer mais uma pressãozita em António Costa, para que rapidamente se corra com Azeredo Lopes e Rovisco Duarte ou, por outras palavras, para sobretudo mudar de varejeiras o mais rápido possível, ficando tudo mais ou menos como dantes com quartel general em Abrantes?
Fica a minha dúvida. AC

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

SE DÚVIDAS HOUVESSE

Bastava ter ouvido o que foi apresentado nas TV, bastava ter ouvido as palavras do sr Azeredo Lopes para as dissipar.
Para confirmar, mais uma vez, a falta de quase tudo que este ministro demonstra. Trapalhadas é dizer pouco.
Para uma criatura que tem a mania que é erudito, falar em proposta do CEMGFA quando a nomeação e dependência é clara na lei?
Qualquer pessoa decente sabe que um ministro, qualquer que fosse, não conhece os oficiais dentro dos Ramos.
É, para mim e certamente para todas as pessoas decentes, natural que o ministro diga aos chefes dos Ramos das Forças Armadas -  indiquem-me nomes para potenciais directores da PJM.
Natural que ele depois conversasse com o almirante CEMGFA, seu principal conselheiro militar e lhe perguntasse - dê-me a sua opinião.
Agora, no discurso de posse dizer que houve proposta do CEMGFA quando a lei não o refere, evidencia a estirpe da criatura.
Não vale a pena perder tempo com este ex-ERC.
Apenas salientar que, como bom velhaco que cada vez mais parece ser, quis publicamente amarrar o almirante CEMGFA a esta nomeação.
Lamentável, muito feio.
AC

terça-feira, 2 de outubro de 2018

TANCOS
Desde que se iniciou esta lamentável telenovela tem havido de tudo. Uma das suas melhores fases está resumida numa frase “extraordinária”, de qualquer perspectiva  que se encare - "Não especulemos mais com acontecimentos que todos vemos terem sido inventados!”. Que se descubra quem montou a farsa."Sejamos honestos"
Que conclusão tirar disto? Bem, a conclusão foi logo na altura tirada: "andam a gritar contra o descalabro do Exército, das Forças Armadas, do Governo, da Geringonça!”. "Mas, não vale tudo, não pode valer tudo”! Ora aí está.

E dentro da “moda” de tratar assuntos de Estado através de redes sociais, tivemos de assistir à desfaçatez - "o Governo fez o que lhe cabia e era seu dever, respondeu de forma célere e competente ao furto de Tancos….. quando, para se tentar ir “fazendo” oposição, se atacam ferozmente as Forças Armadas e, como no caso, o Exército, não se hesitando em tentar a todo o custo a sua partidarização…….Depois, fazer chacota com as Forças Armadas ….Na política, como noutras esferas da vida, não devia valer tudo".
De facto é lamentável que ande a valer tudo, a começar neste governo. 
Quando se afirma “andam a gritar contra o descalabro do Exército” é impressão minha ou na frase está explícita a existência de um descalabro do Exército? Adiante.

O que temos nisto tudo, para lá de tolas afirmações de uns quantos cidadãos em lugares proeminentes?
Em 29 de Junho de 2017 o Exército veio a público confessar o que se passara, melhor, o que terão detectado na véspera!!!.
Pode dizer-se que até ao presente tudo evoluiu numa forma que nem de surrealista se poderá catalogar? Creio bem que sim.
Infelizmente, é também provável que, paralelamente, exista quem procure denegrir a instituição Forças Armadas o que é deplorável, intolerável, inaceitável
Jornalistas fazendo trabalho honesto, certamente, mas também muita gente que quer atingir propósitos outros.
E, claramente, políticos mas sobretudo os actuais governantes, e outros titulares de soberania, a terem um comportamento lastimável.

O que vemos na actualidade?
Como os próprios não desmentiram ainda, estou a inclinar-me para o que vem nos OCS deste últimos dias corresponder, de facto, ao que dois oficiais da PJM terão já confessado, que montaram uma farsa (cá esta a farsa, mas falta saber do roubo) para, no maior interesse nacional (!!!!), o material que havia sido roubado ser colocado numa mata na zona da Chamusca, utilizando para o efeito, suponho eu, meios materiais e humanos da GNR, da PJM e, digo eu ainda, com a colaboração louvável do homem que aparentemente praticou o roubo em Junho de 2017. O tal facto que, no limite, NÃO EXISTIU! LEMBRAM-SE ??
Mas pouco se pode afirmar com segurança.
O que se passou ao certo teoricamente está a ser investigado e saber-se-á. Na realidade, porque estamos em Portugal, alguma coisa pelo menos ficará por ser contada, ficará escondida

Nos jornais noticiam-se coisas como - Entre os elementos da PJM havia a noção de que o assunto ia aquecer. No relato a Brazão, Vieira diz ter recordado ao vice-CEME que os louros pela descoberta dos caixotes de Tancos seria da sua instituição e que, depois disso, todos teriam de ter nervos de aço para aguentar os acontecimentos seguintes
Noticiam que - o diretor da PJ Militar está indiciado por não só “permitir” como “incentivar” os seus inspetores a dificultar o trabalho da PJ civil. Luís Augusto Vieira terá dado orientações para a sua equipa “não cooperar” com quem quem titulava a investigação, “nem fornecer qualquer informação útil” - e que - oresponsável máximo da PJM também terá chegado a “acordo” com quem tinha na sua posse o material de Tancos, permitindo-lhes devolver as caixas “sem que as suas identidades fossem reveladas” e ficando “imunes a qualquer responsabilização criminal”.
Ah, mas todos estão de consciência tranquila!!!!!

Para lá de "sintomáticas" declarações no facebook, de que "só cumprem ordens (mas ordens de quem?) e estão de consciência tranquila", prevejo que os homens da PJM ficarão daqui para a frente o mais calados possível não agravando o inacreditável de tudo isto. 
As referências que aparecem quando às chefias máximas do Exército nunca serão esclarecidas. Se me parece recomendável que um chefe militar não se coloque numa posição complexa começando a fazer desmentidos sobre coisas que aparecem nos OCS, também me assiste o direito da suspeita de que o ficarem calados e não desmentirem os oficiais da PJM será a contrapartida de não deixar cair esses homens que são oficiais do Exército, e que não aceitarão ser imolados isoladamente, quando as suas acções podem ter assente em convencimentos adquiridos em conversas informais. 
A experiência de vida diz-me - conversas informais e vontades de superiores políticos e militares que nunca são passadas a escrito ou telefonadas, acontecem muito !!!!!

Se aquilo a que se vem assistindo é inaceitável, inacreditável, ontem tivemos uma sessão televisiva (1OUT) onde surgiram mais elementos curiosos. Alguns de fazer estarrecer o comum cidadão.
Salvo melhor opinião, o Major-General que foi director da PJM prestou um péssimo serviço à instituição militar. Contradisse-se, e entendeu dizer alto e bom som por mais de uma vez, que o Chefe do Estado-Maior do Exército e o Vice-Chefe nada tiveram a ver com o que o ex-director da PJM terá confessado acerca de conversas informais. 
Mas falou com eles, e trouxe recado? 
É que isto faz-me lembrar aqueles que batem no peito violentamente gritando muitas vezes SOU HONESTO. 
Vai-se a ver depois.............

Quanto ao outro militar, que tenho por pessoa ponderada e conhecedora, e com experiência internacional, também me pareceu que não esteve muito bem. 
Falar-se de certos detalhes ao mesmo tempo que se enfatiza desconhecer o processo não ajuda nada ao assunto. 
E não conhecendo o processo, designadamente acerca das declarações dos que estão em prisão preventiva, como pode dizer-se o que quer que seja sobre medidas estabelecidas pelo juiz? 
Foi um mau momento, e teve que ouvir uma polida rabecada de jurista.
Por outro lado, esgrimir a questão de armas ou não nos paióis, ou serem artefactos apenas quando, numa tristíssima conferência de imprensa televisiva do passado em que se confessaram murros no estômago, foi afirmado que as armas estavam obsoletas. Portanto a questão também podia ter sido evitada. Adiante.
De estarrecer ainda as declarações do ex-director da PJM acerca dos locais onde comprar armas e munições. 
Imagino como se terá sentido o actual CEMGFA.

Para mim, o que ontem foi importante esclarecer, e que eu conhecia, mas a maioria não saberá, foi a explicação clara das responsabilidades do Ministério Público e das diferentes instituições de investigação criminal, de que a PJM é uma. E claro ficou o que a lei confere ao MP mas que, adivinho, muitos em certas instituições não aceitam no terreno. No fim do texto deixo uma pequena indicação legislativa.
Conhecendo bem o que se passa em certos círculos militares, obviamente que algumas coisas no terreno “casam” completamente com o que vem aparecendo/ sugerido nos OCS.
Uma coisa que é lastimável é querer manter a teoria de que a questão de fundo é uma guerra entre instituições de investigação criminal, a PJ e a PJM. Que certamente existe, de há muito, e  alimentada ao longo dos anos por  jornalistas, políticos, militares e agentes.
Como lastimável é o desplante de afirmar que o que importava era ter recuperado o material e que as munições não devolvidas, ah isso não interessa nada. Lamentável, mas explica muita coisa.

Os sucessivos governantes e outros titulares de orgãos de soberania, sempre decidiram deixar apodrecer as várias situações ao nível do Estado. Permanece se é que não aumenta uma confrangedora ausência de autoridade do Estado, a todos os níveis, em que os sucessivos governantes são dos principais culpados. 
Gradualmente querem "o respeitinho" de antigamente, como se tudo vindo dos governantes, deputados, juízes ou presidente da República é tudo automaticamente verídico e transparente. Cada vez mais temos casos que demonstram o contrário. 

No meio desta trapalhada confrangedora várias coisas podem assaltar o cidadão comum; o que é verdadeiramente e absolutamente essencial, como gosta de constantemente dizer António Costa?

O que é absolutamente essencial dizer, creio eu:
> O ministro Azeredo Lopes foi sabendo de certas coisas? Tem mentido?
> E tem mantido a par o PM ou, como é sugerido sobre os militares, tem sido tudo conversa fiada informal, e portanto, o PM nunca foi informado de nada?
> E quanto ao Presidente Marcelo e ao seu irmão gémeo, de nome Comandante Supremo das Forças Armadas?
> Nunca se irá saber com rigor absoluto o que aconteceu, em Tancos em Junho de 2017, na farsa da recuperação de parte do material, das decisões da PJM quase de certeza à margem da lei, das combinações por baixo da mesa, das "perseguições" de uns a outro e vice-versa, do que o PR, o MDN, o PM e a chefia do Exército foram sabendo de facto.
> Certamente que todos estão desejosos de prestar declarações perante o juiz e esclarecer os equívocos o mais rápido possível, nunca tendo havido a prática de nenhuns ilícitos da parte dos detidos, havendo eventualmente desfasamentos entre instituições, mas nenhuma atividade criminosa. COISA POUCA, acrescento eu.
> Em síntese, terá sido feito tudo, mas mesmo tudo, terá sido apurado tudo mas tudo, em dias e não meses e no fim, o respeito pelas instituições ficará incólume, irão todos para casa felizes e contentes, e o Comandante Supremo das Forças Armadas muito satisfeito ficará. Ouvi dizer que andam vários soldados e furriéis fugidos para não pagarem as favas desta telenovela.

Nesta desgraçada telenovela claro que se invocam, desinformação, manipulação, desinvestimento nas FA, desrespeito e fragilização da Instituição Militar. Haverá de tudo um pouco. 
E é intolerável a lama que por causa de uns senhores está a ser atirada para cima das Forças Armadas.
Mas é bem capaz de haver práticas contrárias à legislação em vigor. É ler o que vem a seguir. 
Quanto ao interesse nacional, tudo começa na CRP, mas pelos vistos existem umas pessoas que se julgam detentoras desse poder. Lastimável.
António Cabral

PGR
Artigo 10.º
Competência
Compete à Procuradoria-Geral da República:
a) ..........
h) Fiscalizar superiormente a actividade processual dos órgãos de polícia criminal;
................
Procurador-Geral da República
Artigo 12.º
Competência
1 - Compete ao ...........
e) Fiscalizar superiormente a actividade processual dos órgãos de polícia criminal;
..............

MDN
Artigo 4.º
Administração direta do Estado
1 - As Forças Armadas integram-se na administração direta do Estado, através do MDN,................
2 - Integram ainda a administração direta do Estado, no âmbito do MDN, os seguintes serviços centrais:
.........................................................
f) A Polícia Judiciária Militar.
..........................................................
Artigo 16.º
Polícia Judiciária Militar
1 - A Polícia Judiciária Militar, abreviadamente designada por PJM, é um corpo superior de polícia criminal auxiliar da administração da justiça que tem por missão coadjuvar as autoridades judiciárias na investigação criminal, desenvolver e promover as ações de prevenção e investigação criminal da sua competência ou que lhe sejam cometidas pelas autoridades judiciárias competentes.
2 - A PJM está organizada hierarquicamente na dependência do Ministro da Defesa Nacional ........................

PJM
Natureza, missão e atribuições
Artigo 3.º
Missão e atribuições
1 - A PJM tem por missão coadjuvar as autoridades judiciárias na investigação criminal, desenvolver e promover as acções de prevenção e investigação criminal da sua competência ou que lhe sejam cometidas pelas autoridades judiciárias competentes.
2 - A PJM prossegue as seguintes atribuições:
a) Coadjuvar as autoridades judiciárias em processos relativos a crimes cuja investigação lhe incumba realizar ou ...........
b) Efectuar a detecção e dissuasão de situações propícias à prática de crimes estritamente militares, em ligação com outros órgãos de polícia criminal e com as autoridades militares, bem como dos crimes comuns ocorridos no interior de unidades, estabelecimentos e órgãos militares;
c) Realizar a investigação dos crimes estritamente militares e de crimes cometidos no interior de unidades, estabelecimentos e órgãos militares, nos termos previstos no Código de Justiça Militar (CJM).
3 - Para efeitos do disposto na alínea a) do número anterior, a PJM actua no processo sob a direcção das autoridades judiciárias e na sua dependência funcional, sem prejuízo da respectiva organização hierárquica e autonomia técnica e táctica.
.......................
Artigo 4.º
Competência em matéria de investigação criminal
1 - É da competência específica da PJM a investigação dos crimes estritamente militares.
2 - A PJM tem ainda competência reservada para a investigação de crimes cometidos no interior de unidades, estabelecimentos e órgãos militares, sem prejuízo da possibilidade de se aplicar ao caso o procedimento previsto no n.º 3 do artigo 8.º da Lei n.º 49/2008, de 27 de Agosto.
3 - Os demais órgãos de polícia criminal devem comunicar de imediato à PJM os factos de que tenham conhecimento, relativos à preparação e execução de crimes da competência da PJM, apenas podendo praticar até à sua intervenção, os actos cautelares e urgentes para obstar à sua consumação e assegurar os meios de prova.
......................