Começam hoje.
Faz-me lembrar aquela "cena" do velhinho Juca Chaves, "o Congresso de Sexologia", em que depois de várias perguntas sobre a actividade /regularidade sexual de vários dos congressistas um, lá do fundo da sala, responde excitadíssimo "É HOJE, É HOJE".
O que sabemos no presente? POUCO.
O outro duvidava da própria sombra e, no "caso" Tancos, é capaz de ser bem avisado duvidar de quase tudo.
Mas, para começar, uma certeza tenho.
A democracia tem regras próprias, e na democracia existem instituições, e as instituições devem ser respeitadas.
Na democracia existem orgãos de soberania, e devem ser respeitados.
Os orgãos de soberania têm titulares, e devem ser respeitados.
Uma das instituições pilar da nossa democracia é a instituição militar, e a instituição militar integra os três ramos das Forças Armadas (FA) (Marinha/ MAR, Exército/ EXE e Força Aérea /FAP).
A instituição militar tem "cabeças", a saber: políticas, e que constitucionalmente são, Presidente da República (PR) / Comandante Supremo das FA (CSFA), Primeiro -Ministro (PM) e ministro da defesa nacional (MDN), e cabeças militares, que são os 4 chefes militares, chefe de Estado-Maior General das FA (CEMGFA) e chefes de Estado-Maior de cada um dos ramos (CEMA, CEME, CEMFA).
Tudo e todos devem ser respeitados.
Mas, os titulares dos orgãos de soberania, e as cabeças políticas e militares da Instituição Militar, também se devem dar ao respeito.
No "caso Tancos" foi assim, tem sido assim?
Tenho as maiores dúvidas, para não dizer que tenho a certeza de que vários não se deram ao respeito.
Foi considerado e parece que assim continua, que terá sido na madrugada de 27 para 28 de Junho de 2017 que aconteceu o aparente roubo de material militar dos paióis/ paiolins em Tancos, em que terão "desaparecido" munições, granadas e explosivos e, talvez, algum armamento obsoleto.
De concreto, se bem me lembro, Marcelo, Costa, e Azeredo, sempre disseram que nada sabiam.
Marcelo queria apuramento de tudo, "doa a quem doer", "de cima a baixo". Pouco depois do "noticiado", foi de escantilhão a Tancos arrastando o atrapalhado MDN. O PM continuou durante uns dias a descansar!!
Azeredo Lopes e os então CEMGFA e CEME também declamavam não saber de nada.
Depois houve aquela palhaçada televisionada, com Costa e Azeredo e os 4 chefes militares de então, e ficou a saber-se que tinha havido uns murros no estômago!!!!! Lamentável!!!
De concreto sabemos ainda o seguinte:
> Azeredo Lopes era confiável/ tinha a confiança do PM que aliás a reiterou/ foi corrido/ pediu para sair/ foi remodelado;
> General Rovisco Duarte nada sabia, foi corrido só ao fim de muito tempo/ foi convidado a sair pelo sucessor de Azeredo Lopes/ pediu a exoneração, creio que 3 dias depois de novo MDN; não contente, disse uma coisa publicamente e outra dentro do Exército; não contente, suspendeu rapidamente creio que cinco coronéis havendo quase a certeza de que sem cobertura estatutária para isso, tanto que pouco tempo depois, foram "dessuspendidos" !!!!;
> A "coisa" foi noticiada a 29 de Junho de 2017;
> Procuradoria-Geral da República (PGR) falou em"suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional";
> Numa fase inicial depois de conhecida a bronca, Azeredo Lopes, admitiu que "no limite, pode não ter havido furto"; se calhar a realidade VERDADEIRA pode dar-lhe razão;
> Mais tarde a PJM dá conta de uma operação conjunta com a GNR de Loulé em que apareceu (??) na Chamusca o material roubado; veio a verificar-se, contudo, que continuaram a faltar munições de 9 m/m e algum outro material e que apareceu, "pro bono", uma caixinha que se desconhecia, aparentemente, e "pequenina", como gracejaria o general Rovisco Duarte;
> Suspeitas sobre a PJM aumentaram;
> O anterior diretor da PJM, coronel do Exército, foi detido, tendo sido televisionada a sua detenção, em moldes que considero despropositados; detidos ainda nessa altura outros três responsáveis da PJM, e mais três elementos da GNR de Loulé e um civil;
> Veio a ser também detido um major que prestara serviço na PJM, e que terá confessado certos encobrimentos;
> Recentemente foram detidos 8 suspeitos do roubo de material militar de Tancos, falando-se de "associação criminosa, furto, detenção e tráfico de armas, terrorismo internacional e tráfico de estupefacientes";
> Vão ser ouvidas na Assembleia da República (AR) dezenas de pessoas, civis e militares e, aparentemente, António Costa responderá por escrito ás perguntas dos deputados da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que hoje começa os trabalhos;
> Sabemos ainda, pois diariamente assim nos destratam, que esta gentinha nos considera a todos uns parvalhões, e estão como antigamente sedentos do velho respeitinho, só porque momentaneamente são titulares de orgãos de soberania e clamam - É preciso respeitar as instituições"- mas, continuamente não se dão ao respeito.
> A propósito desta coisa do ter que se respeitar as instituições, sobretudo Marcelo clama por isso, acerca da instituição militar, sabendo-se que existe esta mania e ele insiste muito nisso, de confundir o Exército com a instituição militar. Claro que na Marinha e na Força Aérea também aconteceram/ acontecem coisas de bradar aos céus, mas este martelar confuso e quase parece propositado, no mínimo, irrita quem não é bronco.
> Sabemos ainda, pois diariamente assim nos destratam, que esta gentinha nos considera a todos uns parvalhões, e estão como antigamente sedentos do velho respeitinho, só porque momentaneamente são titulares de orgãos de soberania e clamam - É preciso respeitar as instituições"- mas, continuamente não se dão ao respeito.
> A propósito desta coisa do ter que se respeitar as instituições, sobretudo Marcelo clama por isso, acerca da instituição militar, sabendo-se que existe esta mania e ele insiste muito nisso, de confundir o Exército com a instituição militar. Claro que na Marinha e na Força Aérea também aconteceram/ acontecem coisas de bradar aos céus, mas este martelar confuso e quase parece propositado, no mínimo, irrita quem não é bronco.
Continuamos a não saber, por exemplo:
> Que tensões houve de facto entre Marcelo e Costa e que concordâncias existem de facto entre eles sobre esta matéria.
> O que é que eles (PR, casa militar do PR, o PM o seu assessor militar e o seu chefe de gabinete, MDN e o seu chefe de gabinete, CEMGFA, CEME), sabiam de facto ?
> O que é que eles (PR, casa militar do PR, o PM o seu assessor militar e o seu chefe de gabinete, MDN e o seu chefe de gabinete, CEMGFA, CEME), sabiam de facto ?
> Eles andaram e andam a mentir aos portugueses ?
> Que responsabilidades políticas?
> Que consequência jurídicas, judiciais, penais ?
> Quando é que o Exército soube de facto da coisa, e porque fez aquele comunicado ?
> Quando soube a PJM ? A "28JUN2017 ?
> Quando soube a PJ) ?
> Quando soube o MP ?
> Que conversa houve entre PGR de então e CEMGFA?
> O actual MDN tem a noção do que são inventários? Lembrar-se-á que por exemplo na banca existia e deve continuar, uma coisa que se chamava "quebras", pois ao fim do dia na caixa podia haver uma diferença (pequena) entre registo/existências em caixa e entradas e saídas de dinheiros?
> Houve roubo?
> É tudo uma farsa, como sempre declarado por uns pândegos, mas agora que algumas coisas menos nebulosas vão sendo conhecidas, talvez a "coisa" não seja afinal para atingir/ denegrir a geringonça como garbosamente clamavam?
> Se a questão inventários é de de facto desde Junho de 2017 ou se é de muito detrás, como quem conhece o meio bem sabe que é verosímil?
Finalmente, essa coisa do só saber/ ter conhecimento perante um documento formal que lhe seja apresentado pela via hierárquica, previamente registado em todo o seu trajecto burocrático /administrativo, versus um papelinho transmitido em mão por estafeta confiável, informação verbal, sussurro ao ouvido, "parece que houve" em conversa de cocktail, telefonema seja a que horas for, não passa tudo de uma descarada ausência de vergonha na cara para "épater les bourgeois et les pauvres citoyens".
Ao longo do tempo já aqui no blogue escrevi tanta coisa sobre este lamentável assunto que fico por aqui.
Vamos aguardar a palhaçada na AR.
António Cabral (AC)
> Que conversa houve entre PGR de então e CEMGFA?
> O actual MDN tem a noção do que são inventários? Lembrar-se-á que por exemplo na banca existia e deve continuar, uma coisa que se chamava "quebras", pois ao fim do dia na caixa podia haver uma diferença (pequena) entre registo/existências em caixa e entradas e saídas de dinheiros?
> Houve roubo?
> É tudo uma farsa, como sempre declarado por uns pândegos, mas agora que algumas coisas menos nebulosas vão sendo conhecidas, talvez a "coisa" não seja afinal para atingir/ denegrir a geringonça como garbosamente clamavam?
> Se a questão inventários é de de facto desde Junho de 2017 ou se é de muito detrás, como quem conhece o meio bem sabe que é verosímil?
Finalmente, essa coisa do só saber/ ter conhecimento perante um documento formal que lhe seja apresentado pela via hierárquica, previamente registado em todo o seu trajecto burocrático /administrativo, versus um papelinho transmitido em mão por estafeta confiável, informação verbal, sussurro ao ouvido, "parece que houve" em conversa de cocktail, telefonema seja a que horas for, não passa tudo de uma descarada ausência de vergonha na cara para "épater les bourgeois et les pauvres citoyens".
Ao longo do tempo já aqui no blogue escrevi tanta coisa sobre este lamentável assunto que fico por aqui.
Vamos aguardar a palhaçada na AR.
António Cabral (AC)
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