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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

As AUDIÇÕES sobre o "CASO" TANCOS
Começam hoje.
Faz-me lembrar aquela "cena" do velhinho Juca Chaves, "o Congresso de Sexologia", em que depois de várias perguntas sobre a actividade /regularidade sexual de vários dos congressistas um, lá do fundo da sala, responde excitadíssimo "É HOJE, É HOJE".

O que sabemos no presente? POUCO.
O outro duvidava da própria sombra e, no "caso" Tancos, é capaz de ser bem avisado duvidar de quase tudo.
Mas, para começar, uma certeza tenho.
A democracia tem regras próprias, e na democracia existem instituições, e as instituições devem ser respeitadas.
Na democracia existem orgãos de soberania, e devem ser respeitados.
Os orgãos de soberania têm titulares, e devem ser respeitados.
Uma das instituições pilar da nossa democracia é a instituição militar, e a instituição militar integra os três ramos das Forças Armadas (FA) (Marinha/ MAR, Exército/ EXE e Força Aérea /FAP).
A instituição militar tem "cabeças", a saber: políticas, e que constitucionalmente são, Presidente da República (PR) / Comandante Supremo das FA (CSFA), Primeiro -Ministro (PM) e ministro da defesa nacional (MDN), e cabeças militares, que são os 4 chefes militares, chefe de Estado-Maior General das FA (CEMGFA) e chefes de Estado-Maior de cada um dos ramos (CEMA, CEME, CEMFA).
Tudo e todos devem ser respeitados.
Mas, os titulares dos orgãos de soberania, e as cabeças políticas e militares da Instituição Militar, também se devem dar ao respeito.
No "caso Tancos" foi assim, tem sido assim?
Tenho as maiores dúvidas, para não dizer que tenho a certeza de que vários não se deram ao respeito.

Foi considerado e parece que assim continua, que terá sido na madrugada de 27 para 28 de Junho de 2017 que aconteceu o aparente roubo de material militar dos paióis/ paiolins em Tancos, em que terão  "desaparecido" munições, granadas e explosivos e, talvez, algum armamento obsoleto.
De concreto, se bem me lembro, Marcelo, Costa, e Azeredo, sempre disseram que nada sabiam.
Marcelo queria apuramento de tudo, "doa a quem doer", "de cima a baixo". Pouco depois do "noticiado", foi de escantilhão a Tancos arrastando o atrapalhado MDN. O PM continuou durante uns dias a descansar!!
Azeredo Lopes e os então CEMGFA e CEME também declamavam não saber de nada.
Depois houve aquela palhaçada televisionadacom Costa e Azeredo e os 4 chefes militares de então, e ficou a saber-se que tinha havido uns murros no estômago!!!!! Lamentável!!!

De concreto sabemos ainda o seguinte:
> Azeredo Lopes era confiável/ tinha a confiança do PM que aliás a reiterou/ foi corrido/ pediu para sair/ foi remodelado;
> General Rovisco Duarte nada sabia, foi corrido só ao fim de muito tempo/ foi convidado a sair pelo sucessor de Azeredo Lopes/ pediu a exoneração, creio que 3 dias depois de novo MDN; não contente, disse uma coisa publicamente e outra dentro do Exército; não contente, suspendeu rapidamente creio que cinco coronéis havendo quase a certeza de que sem cobertura estatutária para isso, tanto que pouco tempo depois, foram "dessuspendidos" !!!!;
> A "coisa" foi noticiada a 29 de Junho de 2017;
> Procuradoria-Geral da República (PGR) falou em"suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional";
> Numa fase inicial depois de conhecida a bronca, Azeredo Lopes, admitiu que "no limite, pode não ter havido furto"; se calhar a realidade VERDADEIRA pode dar-lhe razão;
> Mais tarde a PJM dá conta de uma operação conjunta com a GNR de Loulé em que apareceu (??) na Chamusca o material roubado; veio a verificar-se, contudo, que continuaram a faltar munições de 9 m/m e algum outro material e que apareceu, "pro bono", uma caixinha que se desconhecia, aparentemente, e "pequenina", como gracejaria o general Rovisco Duarte;
> Suspeitas sobre a PJM aumentaram;
> O anterior diretor da PJM, coronel do Exército, foi detido, tendo sido televisionada a sua detenção, em moldes que considero despropositados; detidos ainda nessa altura outros três responsáveis da PJM, e mais três elementos da GNR de Loulé e um civil; 
> Veio a ser também detido um major que prestara serviço na PJM, e que terá confessado certos encobrimentos;
> Recentemente foram detidos 8 suspeitos do roubo de material militar de Tancos, falando-se de "associação criminosa, furto, detenção e tráfico de armas, terrorismo internacional e tráfico de estupefacientes";
> Vão ser ouvidas na Assembleia da República (AR) dezenas de pessoas, civis e militares e, aparentemente, António Costa responderá por escrito ás perguntas dos deputados da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que hoje começa os trabalhos;
> Sabemos ainda, pois diariamente assim nos destratam, que esta gentinha nos considera a todos uns parvalhões, e estão como antigamente sedentos do velho respeitinho, só porque momentaneamente são titulares de orgãos de soberania e clamam - É preciso respeitar as instituições"- mas, continuamente não se dão ao respeito.
> A propósito desta coisa do ter que se respeitar as instituições, sobretudo Marcelo clama por isso, acerca da instituição militar, sabendo-se que existe esta mania e ele insiste muito nisso, de confundir o Exército com a instituição militar. Claro que na Marinha e na Força Aérea também aconteceram/ acontecem coisas de bradar aos céus, mas este martelar confuso e quase parece propositado, no mínimo, irrita quem não é bronco.

Continuamos a não saber, por exemplo:
> Que tensões houve de facto entre Marcelo e Costa e que concordâncias existem de facto entre eles sobre esta matéria.
> O que é que eles (PR, casa militar do PR, o PM o seu assessor militar e o seu chefe de gabinete, MDN e o seu chefe de gabinete, CEMGFA, CEME), sabiam de facto ?
> Eles andaram e andam a mentir aos portugueses ?
> Que responsabilidades políticas?
> Que consequência jurídicas, judiciais, penais ?
> Quando é que o Exército soube de facto da coisa, e porque fez aquele comunicado ?
> Quando soube a PJM ? A "28JUN2017 ?
> Quando soube a PJ) ?
> Quando soube o MP ?
> Que conversa houve entre PGR de então e CEMGFA?
> O actual MDN tem a noção do que são inventários? Lembrar-se-á que por exemplo na banca existia e deve continuar, uma coisa que se chamava "quebras", pois ao fim do dia na caixa podia haver uma diferença (pequena) entre registo/existências em caixa e entradas e saídas de dinheiros?
> Houve roubo?
> É tudo uma farsa, como sempre declarado por uns pândegos, mas agora que algumas coisas menos nebulosas vão sendo conhecidas, talvez a "coisa" não seja afinal para atingir/ denegrir a geringonça como garbosamente clamavam?
> Se a questão inventários é de de facto desde Junho de 2017 ou se é de muito detrás, como quem conhece o meio bem sabe que é verosímil?

Finalmente, essa coisa do só saber/ ter conhecimento perante um documento formal que lhe seja apresentado pela via hierárquica, previamente registado em todo o seu trajecto burocrático /administrativo, versus um papelinho transmitido em mão por estafeta confiável, informação verbal, sussurro ao ouvido, "parece que houve" em conversa de cocktail, telefonema seja a que horas for, não passa tudo de uma descarada ausência de vergonha na cara para "épater les bourgeois et les pauvres citoyens".
Ao longo do tempo já aqui no blogue escrevi tanta coisa sobre este lamentável assunto que fico por aqui. 
Vamos aguardar a palhaçada na AR.
António Cabral (AC)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

T A N C O S
E o tempo vai passando.............e nada!
Já o escrevi e volto a repetir, cada vez mais me parece que se está à espera de uma teoria emanada do MP para salvar a face de muita gente. 
De todos os que - nunca souberam de nada, nunca viram nada, (Marcelo deve ter ficado arrepiado com o estado brilhante "daquilo" quando foi de supetão a Tancos), nunca foram informados de nada, nunca receberam nada formalmente, FORMALMENTE!
Alguns dizem, e com uma parte de razão, que Tancos tem servido para guerra política.
Não admira, das esquerdas às direitas nunca em Portugal decidiram as áreas onde não podia haver jogatanas políticas. E uma delas é a das Forças Armadas e outra a Defesa Nacional, coisa que vai muito para lá de Forças Armadas.
E assim vai continuar por muitos anos, pois são muito maus os protagonistas, e só pensam na carreira política e no assegurar das benesses ao fim do mês. Tenham a forma de vencimento, ou subsídios pelo que fazem e pelo que dizem que fizeram (!!).
Nos mediáticos informativos, a descarada ausência de vergonha na cara também tem sido marca da casa.
Populismos, encenadores de farsas, demagogos e, sobretudo, ausência completa de sentido de Estado, pesporrência a jorros, protagonistas serôdios.
Quem roubou?
Foi mesmo roubado?
Não terá sido uma mistura do acumular de registos errados/ material à carga, mais alguns desvios maldosos, tudo ao longo dos anos, até que alguém resolveu não pactuar mais?
SE CALHAR...................!!
Ah não, não senhor, o ministro da tutela diz que nas Forças Armadas não há problemas de inventários!
Deficiência minha, certamente, mas não cheguei a perceber se a ausência de problemas de inventários era devido à inexistência dos mesmos, ou à inexistência de papel para os garatujar, ou à inexistência de computadores e folha EXCEL, ou porque sim!
Como bons políticos, saiu mais uma comissão parlamentar de inquérito para a mesa do canto. 
POIS CLARO, e agora é que vai ser. 
Trabalho político, muito e ÁRDUO.
Pelo que se lê por aí, a lista dos que terão que ser ouvidos é imensa.
Iremos provavelmente assistir ás palhaçadas do costume - eu nunca soube de nada - nunca fui informado de nada - o meu antecessor nunca me falou em nada - eu já disse tudo o que sabia - era uma caixinha tão pequenina que nem quase dávamos por ela!
Provavelmente, quase certo, irão uns quantos atirar-se ao governo anterior quando, obviamente, nenhum governo está isento de nada no que respeita ao descalabro a que chegou a instituição militar.
Mas para esse descalabro muito foram contribuindo ao longo de muitos anos várias das sucessivas chefias militares, politicamente escolhidas desde 1991. Governamentalização.
1991, ano em que depois de terem tido que engolir um chefe militar  quando desejavam outro, alteraram a lei respectiva.
E quanto a governamentalização, basta ler atentamente a lei actual, e olhar para a fita de tempo de substituição do CEMGFA. Minudências?
E hoje temos o fofo protagonismo mediático de certos senhores, que construíram paulatinamente  a vidinha, fazendo jus à frase - o que custa é saber viver.
A coluna ser de colagénio é detalhe sem importância.
E de facto, no meio desta farsa toda (não a farsa apontada pelos amigos) a realidade do que aconteceu é que continua escondida, no meio do - há que respeitar as instituições (sussurram sem se ouvir, "mesmo que tenha que se esconder muita coisa"), eu nunca soube de nada.
Portugal é pequenino mas é um torrãozinho de açúcar, dizia o Queiroziano Brigadeiro.
AC

terça-feira, 13 de novembro de 2018

CANDIDATO ao PRÉMIO "GRANDE LATA"
"Não, as Forças Armadas não têm problemas de inventário."(actual MDN).
Lamento muito, mas mesmo muito, profundamente, e por variadas razões, mas não posso deixar de dizer que discordo a 100% deste senhor diplomata político.
AC

sábado, 21 de julho de 2018

AINDA SOBRE TANCOS
Uma inefável e conhecida criatura continua a afirmar que em substância se trata de FARSA. 
Estou a voltar a este mais que lamentável assunto depois de ler isto:
....."O ministro da Defesa afirmou não saber que parte do material roubado em Tancos ainda não foi recuperado. Revelada em todos os momentos do processo, a coerência do homem impressiona. Começou por não saber a dimensão do roubo, prosseguiu a não saber se existira roubo e agora não sabe se o produto do roubo apareceu ou não. De caminho, é provável que também não saiba o que é Tancos, a função que ele próprio desempenha no governo e o nome de baptismo. O facto de o dr. Azeredo regressar a casa todos os dias sem se perder é, no mínimo, um milagre". Alberto Gonçalves, Observador)
e ler mais isto:
Tancos ou «Onde Está Wally?»
jornal Abril Abril
19 DE JULHO DE 2018 (bold da minha responsabilidade)
O ministro da Defesa, ao não confirmar nem desmentir o anúncio da recuperação do material roubado em Tancos, permite concluir que apenas um cabo, um sargento e um capitão serão responsabilizados.
Deu uma nova «brisa à vela» do caso de Tancos. Não é a primeira vez e talvez não seja a última. Tudo o que importa já foi escrito: 
> do não se saber exactamente o que tinha sido surripiado até ao aparecimento de uma lista; 
> do estado das instalações até à mudança de instalações; 
> da suspensão de comandantes (figura estranha) até à sua reconfirmação e recente nomeação para o curso para oficial general; 
> do conhecimento há muitos anos do estado das instalações a que anteriores responsáveis políticos e militares não passaram cartão
> da falta de efectivos para cuidar das guardas e da existência de efectivos para irem frequentar formação para combater incêndios; > do gravoso desaparecimento (com informação aos aliados e tudo) até à conclusão de que afinal não era assim tão grave porque era material com defeito; 
> do milagroso telefonema a dar conta do achado, com prémio, e o natural regozijo – sim, porque ninguém quer que material daquela natureza, mesmo com defeito, ande por aí ; 
> do incompreensível resgate do material por parte das Forças Armadas sem «passar cavaco» ao Ministério Público, que tinha aberto processo e constituído equipa para investigar o crime; 
> da dificuldade deste mesmo Ministério Público e da Policia Judiciária em acederem ao referido material localizado, até às noticias recentes que dizem que, afinal, parece haver material em falta; 
> das declarações que, perante tal questão, dizem que compete ao Ministério Público esclarecer já que o processo está em segredo de justiça.
> Por fim, o décimo apelo do Presidente da República para que tudo seja esclarecido e mais uns soundbites do PSD e do CDS-PP que, quando no Governo, nada fizeram para cuidar do estado de degradação das instalações, já para não falar (não vem aqui ao caso) do seu contributo para a degradação mais geral das Forças Armadas, em vários planos.
Como se verifica, sem sermos exaustivos, de tudo já se escreveu e disse. A única coisa que falta referenciar é quem levou o material do paiol de Tancos, havendo, contudo, quem desde o início tenha dito, com convicção, que tudo não passaria de um problema de inventário.
O apuramento do que ocorreu e de quem praticou o crime em nada bule com o apuramento dos responsáveis que, ocupando determinado tipo de cargos ao longo dos anos e tendo conhecimento das debilidades nada fizeram, potenciando o que veio a ocorrer. Teria sido pedagógico. 
Mas esta é, porventura, uma opinião estranha nos tempos que correm. Instalou-se a política de uma mão lava à outra. A frontalidade deu lugar à frugalidade. Os valores propiciadores da coesão passaram a ser de geometria variável.
Daí que, a partir das afirmações do ministro da Defesa Nacional na Comissão parlamentar de Defesa, não confirmando nem desmentido, antes pelo contrário, as afirmações feitas pelo chefe do Estado-Maior do Exército na conferência de imprensa em que anunciou a recuperação do material roubado, e refugiando-se na investigação do Ministério Público, possamos concluir que todas responsabilidades ficarão nos ombros dos militares já castigados: um cabo, um sargento e um capitão!
O assunto é sério mas a época da silly season não ajuda. Até lá o melhor é redescobrir os livros de «Onde está Wally?».

AC