Delicioso (opinião pessoal naturalmente) texto (parte dele) lido no blogue "DO" que com a devida vénia transcrevo.
António Cabral (AC)
"Na semana passada foi aqui que vi o eclipse solar. Num local que por vezes frequento, aprazível e ainda não devastado pela turistificação lisboeta – é um verdadeiro couto de “irredutíveis lusitanos” mas nada xenófobos. Tem a incomensurável vantagem de manter o nome na nossa língua – é perto, por exemplo, de um famoso Champalimaud Centre for the Unknown (as pessoas têm tanto medo do cancro que aceitam esta vilania afixada), isto para não recorrer a mais dados da disseminada toponímia “globalizada” que polui as cercanias do Tejo lisboeta.
Tem ainda o chamariz de apresentar um cardápio português, mesmo se nada fundamentalista, pois polvilhado com os víveres da “comida do mundo” – como é obrigatório na gastronomia de um povo que sempre se lambuza com o longínquo bacalhau enquanto carrega a honra de ter inventado o sarapatel e de o ter exportado quando galgou os mares em busca de condimentos. Pode-se (pude) petiscar uma meia-desfeita do tal bacalhau com grão (a qual por vezes leva outro nome mais popular). E de explicar a um jovem britânico, que há alguns anos fez por assomar na minha família nisso sendo bem-vindo, o que é um “arroz malandrinho” sem estar preocupado com a epidemia do imperialista e insuportável risoto.
Tudo isto na vizinhança do Padrão – esse que alguns alienados “intelectuais” querem eliminar por ser dedicado aos Descobrimentos e advir do “Estado Novo”. E também do Mosteiro – esse que alguns alienados “intelectuais” se esquecem de querer eliminar, apesar de ser dedicado aos Descobrimentos, àquela viagem de Gama, e de grande parte daquilo ser um muito tardio acrescento, um pastiche digno da “patrimonialização” do tal “Estado Novo”. E ainda da Torre, que também não abjuram mesmo tendo ela sido um enorme e longo investimento para defesa náutica, apesar de agora bramirem contra despesas desse tipo.
Enfim, detalhes desses à parte – que sempre me ocorrem quando por lá ando – ali decorreu o fim de tarde, naquele tão excêntrico, pois, interrupto ocaso (que os grunhos, até políticos empossados, agora chamam sunset).
"Na semana passada foi aqui que vi o eclipse solar. Num local que por vezes frequento, aprazível e ainda não devastado pela turistificação lisboeta – é um verdadeiro couto de “irredutíveis lusitanos” mas nada xenófobos. Tem a incomensurável vantagem de manter o nome na nossa língua – é perto, por exemplo, de um famoso Champalimaud Centre for the Unknown (as pessoas têm tanto medo do cancro que aceitam esta vilania afixada), isto para não recorrer a mais dados da disseminada toponímia “globalizada” que polui as cercanias do Tejo lisboeta.
Tem ainda o chamariz de apresentar um cardápio português, mesmo se nada fundamentalista, pois polvilhado com os víveres da “comida do mundo” – como é obrigatório na gastronomia de um povo que sempre se lambuza com o longínquo bacalhau enquanto carrega a honra de ter inventado o sarapatel e de o ter exportado quando galgou os mares em busca de condimentos. Pode-se (pude) petiscar uma meia-desfeita do tal bacalhau com grão (a qual por vezes leva outro nome mais popular). E de explicar a um jovem britânico, que há alguns anos fez por assomar na minha família nisso sendo bem-vindo, o que é um “arroz malandrinho” sem estar preocupado com a epidemia do imperialista e insuportável risoto.
Tudo isto na vizinhança do Padrão – esse que alguns alienados “intelectuais” querem eliminar por ser dedicado aos Descobrimentos e advir do “Estado Novo”. E também do Mosteiro – esse que alguns alienados “intelectuais” se esquecem de querer eliminar, apesar de ser dedicado aos Descobrimentos, àquela viagem de Gama, e de grande parte daquilo ser um muito tardio acrescento, um pastiche digno da “patrimonialização” do tal “Estado Novo”. E ainda da Torre, que também não abjuram mesmo tendo ela sido um enorme e longo investimento para defesa náutica, apesar de agora bramirem contra despesas desse tipo.
Enfim, detalhes desses à parte – que sempre me ocorrem quando por lá ando – ali decorreu o fim de tarde, naquele tão excêntrico, pois, interrupto ocaso (que os grunhos, até políticos empossados, agora chamam sunset).
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . (JPT)
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