terça-feira, 18 de agosto de 2026

AS  TRÊS  FRAGATAS

Já tencionava escrever umas linhas sobre este assunto que tanto tem eriçado "Don populista mor", uns certos jornalixos, certos políticos, e certos convidados que, como de costume, as TV nunca com rigor informam os portugueses sobre as ligações de quem convidaram e estão a entrevistar (ligações a partidos, a associações, a instituições, a empresas, etc.).

Vou escrever uma linhas sobre este assunto, necessariamente superficiais pois sou ignorante destes assuntos, embora ao longo do tempo o meu melhor amigo militar (almirante reformado) me tenha instruído bastante sobre Marinha, Forças Armadas (FA), Defesa Nacional (DN). 

Escrevo depois de, usando a tecnologia ter andado para trás, para ver com toda a atenção a entrevista do Chefe do Estado-Maior da Armada que passou na TVI na noite de 2ª Feira 17 de Agosto. Entrevista para a qual um bom amigo me chamou à atenção.

Creio que o actual Chefe da Marinha e de uma forma elegante educada e "soft" deu explicações suficientes para, quem seja sério e isento nas análises, poder colocar no devido lugar certos comentadores e certos convidados das televisões que por aí têm aparecido alguns pateticamente com um certo ar angelical.

Antes de ir às fragatas uma nota sobre uma questão geral que periodicamente aqui abordo.

E que é esta: FA.
Esqueçamos 1974 e 1975 e boa parte de 1976.
Recordemos que o actual regime onde felizmente vivo, Estado de Direito Democrático, começa a estabilizar apenas com a aprovação da Constituição (CRP) e com as várias primeiras eleições de 1976.

Em 1976, no plano geográfico, Portugal era já o que é hoje, Portugal Continental e duas Regiões Autónomas. ZERO Império.
As FA eram em 1976 o que eram em 25 de Abril de 1974.
E fazendo as contas, de ABR 1976 a 29 DEZ 1982 passaram um pouco mais de 6 anos.

29DEZ1982 é tão só a data da primeira Lei de Defesa Nacional e (lamentavelmente lhe chamaram) das Forças Armadas. 
E foi difícil conseguir esta lei. 

Estão vivos vários dos que tentaram evitar a sua aprovação.
Tal como estão vivos alguns dos que tentaram evitar a primeira revisão  Constitucional que Balsemão suscitou e Mário Soares apoiou, e que acabou por exemplo com o Conselho da Revolução.

O meu ponto final é este, e que tantas vezes já apontei: passados 50 anos os partidos políticos, os ex e actuais titulares de órgãos de soberania, continuam a não definir que FA deve Portugal ter.

Continuamos nesta palhaçada de olhar a DN como se ela fosse FA, quando as FA são tão só o pilar militar da DN.

Continuamos como se não houvesse guerra na Ucrânia (desde a anexação da Crimeia), ou no Médio Oriente mas, sobretudo, como se não existisse uma revolução brutal no fazer da guerra desde os últimos 6 anos.

As fragatas em discussão, como bem explicou o actual chefe da Marinha, encaixam perfeitamente no mundo contemporâneo e no expectável, olhe-se na perspectiva NATO, UE, bilateral, e sobretudo tendo em conta a realidade geográfica do país, que tem jurisdição e interesses importantíssimos numa área oceânica descomunal.

Como ficou claro na exposição do entrevistado, não lhe cabe comentar decisões e decisores políticos, não lhe cabe nada mais do que cumprir no âmbito das suas competências.

Tal como o entrevistado elegantemente referiu "en passant", na Marinha há conhecimento e saber qb e, como diz o meu amigo, os comentadores e certos entrevistados, na maioria, não passam de uns seres de pacotilha!

Claro que este programa de rearmamento é complexo.

Claro que o ministro da DN é do CDS e nessa medida vem logo à memória a história dos submarinos nunca explicada a fundo (cuja decisão para o programa foi de Rui Pena/ Guterres), de Paulo Portas (CDS), das lutas entre dois célebres escritórios de advogados, as eventuais luvas que possam ter existido aqui e ali, etc.
Negócios eventualmente escuros, portanto.

Mas, volto ao que acima disse, que FA deve Portugal ter? Mas não me tomem por parvo.
Posso ter cara de parvo, mas sobre isso têm de pedir explicações aos meus pais! Não quer dizer que seja parvo.

Claro que este programa naval suscita irritações corporativas. 
Claro que suscita irritações políticas.
Mas sendo ignorante, é para mim claro que, sendo Portugal o que é no plano geográfico, as FA do país deviam ter uma ênfase muito grande na Marinha e na Força Aérea. "Period"!

Para terminar, por agora, acho sempre engraçado ver nas TV os "proxies" de certas instituições, de certas associações, de certas ideologias. Engraçado como as TV nunca  referem as ligações, todas!

AC

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