R E C O R D A Ç Õ E S
Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
quinta-feira, 30 de abril de 2026
TRUMPICES, OCIDENTALICES . . . . .
Prorrogou o prazo ao mesmo tempo que a cabeça oxigenada garantia sucessivas coisas e designadamente que o acordo estava quase, que o Irão estava ansioso pelo acordo, etc.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
GREVE
Para variar, um dos meus netos (8 anos, 2º ano) amanhã não tem aulas.
Excepcionalmente não é colada a uma 6ª Feira ou a uma 2ª Feira, para terem um fim de semana mais catita . . . . . .
Espera . . . . sim de facto amanhã é 5ª Feira mas . . . . .
Ah, já percebi, não me estava a lembrar que 6ª Feira é feriado.
OK.
Continuem assim . . . . . Portugal do futuro agradece!
Deplorável, lamentável, que gentalha.
Sim, as questões laborais têm muito que se lhe diga, não tenho dúvida que por exemplo o caso do projecto de nova lei laboral tem muito provavelmente vários contornos lastimáveis, inaceitáveis etc.
Do que li até hoje e certamente por deficiência da minha parte, ainda não consegui perceber com clareza (do governo e das centrais sindicais) quais são os aspectos concretos na legislação ainda em vigor que provocam por exemplo, o mau desempenho da nossa economia, a sempre evidenciada falta de produtividade, etc.
Mas façam o protesto sem o colar a um fim de semana.
Pensem nos miúdos, pensem no que estão a fazer às crianças que são os futuros adultos.
O meu neto fica aborrecidíssimo sem as aulas, já não é a primeira vez que me diz - "oh avô, é outra vez sem aulas." Provavelmente não se vai esquecer disso. Aguardemos.
Mas, independentemente de CGTP e UGT terem quase certamente razão em algumas matérias, fica-me sempre muito a sensação de que gostam sobretudo é de falar e berrar para os da sua cor! Poderei estar a ser injusto, mas muitas vezes esta é uma sensação legítima.
AC
Transcrevo de novo um interessante (opinião pessoal naturalmente) artigo de opinião de que há mais de um ano tomei conhecimento, da autoria de um Coronel reformado do nosso Exército, David Martelo.
Tenho-o sempre presente para, em função das características enunciadas pelo autor para ponderar o que sensibilizaria os portugueses face a Gouveia e Melo (sondagens), nos tempos actuais me servir de guia para ponderar os resultados das actuais sondagens que, teoricamente, são indicador da acção dos actuais titulares de órgãos de soberania .
António Cabral (AC) (sublinhados e comentários da minha responsabilidade)
DO CAMINHO MARÍTIMO PARA BELÉM
Assim, em vez dos políticos de profissão, (a República) passará a governar pelo Exército, que é, de espírito, o contrário deles...
FERNANDO PESSOA, Da República, p. 243.
Apesar de ainda estarmos a pouco mais de um ano das próximas eleições para a Presidência da República, a recente passagem à reserva do almirante Gouveia e Melo e a elevada probabilidade de vir a ser um dos candidatos à suprema magistratura da Nação desencadearam um animado debate sobre a possibilidade de, passados cerca de quatro décadas sobre o final da presidência do general Ramalho Eanes, voltar a perfilar-se uma candidatura de um militar.
Ramalho Eanes – que, apesar da sua atribulada presidência, deixou uma recordação positiva na sociedade portuguesa – vinha sendo visto como um caso excepcional, decorrente do ambiente revolucionário que se vivera entre 1974 e 1976, na transição da ditadura para a democracia. Pela lógica dos costumes políticos europeus, seria expectável que uma candidatura de militar (fora da actividade de serviço) não voltasse a concretizar-se.
Dentro desta benevolente convicção, o caso da possível candidatura do almirante Gouveia e Melo veio abalar alguns espíritos detentores de postos de comentário político, alguns dos quais se precipitaram em alarmantes juízos, com notória escassez de cultura política e capacidade de análise relativamente ao momento actual do mundo em que vivemos.
Provavelmente, o factor mais desestabilizador desses bem-intencionados espíritos tem residido nos resultados das sondagens até agora publicadas, as quais insistem, umas atrás das outras, na colocação do almirante num primeiro lugar, bem destacado dos outros potenciais concorrentes.
É sobre esta assinalável preferência dos portugueses que pretendo adiantar algumas das reflexões que me ocorreram, reflexões essas cujos contornos não tenho vislumbrado nos numerosos textos que até agora me foram dados ler.
Assim, importa formular esta pergunta: que característica, ou características, identificaram os portugueses no almirante Gouveia e Melo para se disponibilizarem a levá-lo até Belém?
Em teoria, essa preferência poderia resultar de um ou mais dos seguintes atributos:
Da sua notoriedade pessoal
Das suas ideias políticas
Da sua não-ligação a partidos políticos
Da recordação de outros militares em cargos políticos, em democracia
Da preparação para liderar, própria dos militares de carreira
Como é amplamente sabido, a notoriedade pessoal do almirante Gouveia e Melo no meio civil foi conquistada pela forma eficaz como reorganizou o sistema de vacinação, aquando da pandemia de Covid-19. Foi um feito importante e com grande impacto mediático, pelo que admito que tenha algum peso na preferência que lhe é dedicada.
Das suas ideias políticas pouco sabemos. Sendo, até há poucos dias, militar no activo, estava-lhe vedada a actividade política. Este aspecto, tem sido exageradamente mencionado pelos comentadores assustados por este fenómeno, como se para ser eleito não tivesse que haver, previamente, uma campanha justamente adequada a esclarecer as dúvidas sobre a provável acção dos candidatos no caso de serem eleitos. De qualquer modo, fica claro que, dado o natural silêncio do almirante, não é no campo das ideias políticas que se deve buscar a explicação para o seu relevante sucesso nas sondagens até agora publicadas.
A sua não-ligação aos partidos políticos também não parece explicar grande coisa. Já tivemos várias eleições presidenciais a que concorreram figuras independentes dos partidos – Fernando Nobre (2011) e Sampaio da Nóvoa (2016) – e não lograram destacar-se das figuras com antecedentes partidários.
Poderia ter algum fundamento na preferência a recordação do desempenho de outros militares em cargos políticos, em democracia, nos quais a história nos recorda Winston Churchill, Charles de Gaulle ou Dwight Eisenhower, grandes figuras do século XX, todos eles formados nas Academias Militares dos respectivos países. Assim como Ramalho Eanes.
Mas, exceptuando este, ainda vivo, não vejo que as restantes figuras pudessem influenciar tantos portugueses. É preciso reconhecer que poucos deles saberão quem foram aquelas ilustres personagens. Mas cabe aqui recordar o que, em 1932, o futuro presidente da República Francesa, Charles de Gaulle, publicou, numa interessante obra de conteúdo ético-militar, na qual, a certo ponto, afirmava:
O político e o militar levam (...) para os empreendimentos comuns caracteres, procedimentos e preocupações diferentes. Aquele atinge os objectivos por caminhos abrigados; este chega a eles em linha recta. Um, que vê à distância de modo enevoado, julga as realidades complexas e dedica-se a apreendê-las pela astúcia e pelo cálculo; o outro, que vê com clareza, mas para o imediato, acha-as simples e acredita que se podem vencer desde que se esteja decidido a tal. Perante um acontecimento grave o primeiro pensa no que os outros irão dizer, enquanto o segundo consulta os princípios (1)
Ficou para o fim a preferência por quem provém de uma carreira que confere preparação para liderar, função para a qual se não exige uma forte inclinação para comentar publicamente tudo o que se passa no país e no mundo.
E, se estas características são importantes em tempo de paz, é sensato deduzir que aumentam muito de valor quando sinais inquietantes de guerra se perfilam no horizonte e o ocupante do cargo é, por inerência, o comandante supremo das Forças Armadas.
David Martelo – 16 de Janeiro de 2025
(1) Le Fil de l’épée, Librairie Plon, Paris, 1932, p. 167. 2
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida, boa sorte.
AC
ESTOU a CUMPRIR MAIS
Recebi esta recomendação de um bom amigo, que é médico. Para a seguir o mais possível. Já não vamos nada para novos, disse-me ele!Estou a começar conseguir algum domínio sobre o "stress", as preocupações com familiares. A tentar pensar menos no que o horizonte parece anunciar.
Estou a olhar diariamente para estas "normas".
Algumas já o fazia como por exemplo caminhar, caminhadas diurnas e as vezes noturnas, quase nada de TV, pouco sentado, sempre ocupado a ler e fazer coisas, fotografar, cozinhar, etc.
Também, há muito que não me dou com uma série de criaturas, não estou para os aturar. Tenho polidamente declinado muita coisa, com afazeres e compromissos vários mas também com mentiras piedosas como - os netos - trabalho de avô. Que aliás só me faz bem esta terapia ocupacional.
Tenho que aumentar exercícios físicos, por exemplo regressar ao pedalar na garagem, elásticos, etc.
E vou-me resignando. Estou a aceitar as coisas em Paz.
O espelho mostra-me continuamente uma cara e físico de quase menos 20 anos mas a realidade é que os anos têm passado. Estou decididamente consciente de que já tenho uma certa idade . Talvez mais rigorosamente, uma idade que começa a entrar na classificação - idade avançada.
Cuidado, mais cuidado, um dia de cada vez. O médico hoje ficou mais satisfeito comigo. Eu também.
AC
terça-feira, 28 de abril de 2026
Não segui a cerimónia de Sábado de manhã pela TV. Andei na rua.
Li depois o discurso do PR Seguro, que aqui já publiquei, de que gostei e comentei.
Para isso o republico mas apenas as partes que inicialmente sublinhei a azul e com o meu único comentário na altura, a vermelho, na linha final.
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. . a esmagadora maioria dos portugueses quer este regime, gosta do regime. Mas isso não significa que ache que tudo está bem!
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. . Aparentemente, só não gosta, ou desconfia dos políticos.
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. . . deixem-me aproveitar, já que estamos a terminar estas celebrações para dizer estas coisas inconvenientes e pouco populares.
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. . . É altura de admitirmos a possibilidade do problema português não ser a Constituição, o capitalismo, o regime, as instituições ou funcionamento da democracia.
O problema pode estar também em nós. Os políticos.
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. . . Sim. Todos nós já cometemos o pecadilho de assumir que lá fora existe um país real, com portugueses verdadeiros e cá dentro temos um país “oficial” com portugueses de outra estirpe, casta ou elite.
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. . . Sim. De facto, temos cada vez mais políticos que começaram nas juventudes partidárias e continuaram a carreira sem nunca, diz-se, conhecer o dito “país real”.
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. . . Quero apenas lembrar que os portugueses podem ter mesmo razão para sentir desconfiança.
Ou que, pelo menos, devemos admitir essa possibilidade.
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. . . É preciso acabar com a pouca-vergonha das mordomias dos políticos.
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. . . que o serviço público, para atrair os melhores e para ser acessível a todos, ricos e pobres, deve remunerar bem.
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. . . E, de repente, temos outras portas giratórias. Entre gabinetes e Parlamento. Parlamento e governos. Governos e administração pública. Assessorias e órgãos do Estado.
Em Portugal, temos uma alternância quase plena. Nós alternamo-nos a nós próprios!
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. . . Mas, com os anos, passámos a olhar com suspeita quem escolhe trabalhar ao mesmo tempo que é deputado.
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. . . . O nosso trabalho, Senhoras e Senhores Deputados, é alargar o clube da política. Alargar tanto, que deixe de ser um clube.
Para reforço da qualidade da nossa democracia!
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O 25 de abril é presente e futuro.
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Porque o serviço público não pode dispensar os melhores.
Talvez este deva ser o foco da nossa sessão de hoje.
Ou, pelo menos, devemos admitir essa possibilidade.
Disse.
E acrescento Eu, viva o 25 de Abril, viva Portugal.
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Também estou convencido que a maioria dos portugueses se sente bem no actual regime mas, tal como eu, tristes e desiludidos pois está mal muita coisa.
Quando se refere o "país real" parece-me uma evidência que há muita razão nessa ponderação.
Muitos portugueses sabem de pouca-vergonhas e de mordomias de muitos políticos e designadamente de deputados.
O serviço público é mal pago. Sabe-se há muito.
O Pr da AR disse outras coisas.
Porque o serviço público não pode dispensar os melhores - também afirmou, e concordo absolutamente.
Dia Mundial da Prevenção e Segurança no Trabalho
segunda-feira, 27 de abril de 2026
REALIDADES ou IMAGINAÇÃO ?
De vez em quando noticia-se que a GNR e a PSP fizeram uma mega operação aqui ou acolá e apanharam muitas armas brancas e armas de fogo e munições e armas de caça e granadas e etc. muitos etc.
De cada vez que isso acontece remete-me para várias coisas como, bandos, criminalidade, candonga, negócios debaixo da mesa e também resquícios do passado.
Desse passado podemos lembrar as FP 25 de Abril, ELP, MDLP, e outros à extrema esquerda e à extrema direita, podemos lembrar o PREC e aqueles que de um lado e de outro hoje fazem por esquecer o que fizeram, o arranjar armamento para arranjar "fundos", depois talvez pensar em assaltar o poder com recurso a violência.
Pouco/ nenhum recurso a urnas de voto pois os resultados então já obtidos para um e outro lado estavam longe do desejado!
E por isso ainda hoje continuo a imaginar se os esconderijos de armamento enterrado pelos de um extremo e pelos do outro extremo terão sido passados a quem de confiança ou se algum deles eventualmente ficou na cabeça de quem escondeu porque entretanto morreu sem passar testemunho.
Continuo a imaginar quanto locais em Portugal Continental, ou nos Açores e Madeira continuam a ter armas lá enterradas. Enterradas por seguidores e fanáticos de todos os tipos, de uma ponta a outra.
E quantos sacos com armas foram por exemplo deitados ao Tejo designadamente junto dos pilares da ponte 25 de Abril, para assim salvar um pouco a pele a certos personagens?
Pois, é só imaginação, nada disto se passou. Imaginação!
Os assaltos, as mortes infligidas, os atentados a sedes de partidos nada disso ocorreu. Nem a ninguém passou pele cabeça o assalto ao poder, ou entreter-se a andar a dar tiros a portões e casas, e etc.
Imaginação fértil, NÉ ?
Bom início de semana.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida
Boa sorte
AC
Discurso do Presidente da Assembleia da República na
Sessão Solene Comemorativa do 52.º Aniversário do 25 de Abril de 1974
Palácio S.Bento, 25ABR2026
Senhor Presidente da República,
Senhor Primeiro‑Ministro e demais Membros do Governo,
Senhoras e Senhores Presidentes dos Tribunais Superiores,
Senhor Presidente Marcelo Rebelo de Sousa,
Senhora Presidente Assunção Esteves,
Senhora Dra. Manuela Ramalho Eanes,
Autoridades Civis, Militares e Religiosas,
Senhoras e Senhores Embaixadores,
Caros Capitães de Abril,
Ilustres Convidadas e Convidados,
Senhoras e Senhores Deputados,
Portuguesas e Portugueses,
Estamos quase a encerrar um ciclo de celebrações. Meio século do 25 de abril, do 25 de novembro e da Constituição.
50 anos de democracia, que têm sido assinalados nesta Casa.
E não só nesta Casa. Nas redes sociais, na televisão, na rádio e mesmo à mesa das refeições, os portugueses discutiram as efemérides históricas com uma estranha atualidade.
O que assistimos nestes meses não foi só um debate sobre passado.
Foi, também, uma reflexão sobre o presente e o futuro da nossa democracia. E isso é, a todos os títulos, extraordinário.
Mais revisão constitucional, menos revisão constitucional. Mais palavras inflamadas, menos palavras inflamadas, a verdade é que, 50 anos depois, a esmagadora maioria dos portugueses quer este regime, gosta do regime. Mas isso não significa que ache que tudo está bem!
Se analisarmos os números da participação eleitoral e os estudos de opinião, até conseguimos concluir que a maioria dos portugueses gosta de política. Aparentemente, só não gosta, ou desconfia dos políticos.
Dito assim, pode parecer estranho! Mas deixem-me aproveitar, já que estamos a terminar estas celebrações para dizer estas coisas inconvenientes e pouco populares.
Há um discurso fácil, contra a política e contra o sistema, que pode pendurar-se na desconfiança e fazê-la crescer.
Senhoras e Senhores Deputados,
É altura de admitirmos a possibilidade do problema português não ser a Constituição, o capitalismo, o regime, as instituições ou funcionamento da democracia.
O problema pode estar também em nós. Os políticos.
A começar por esta ideia… de que há eleitos e eleitores. Governantes e governados. Gente que manda e gente que é mandada.
Esta ideia, tão propagada e generalizada em discursos mais populistas (ou populares), de que há uma casta. Às vezes chamada de elite.
E que nós, aqui hoje sentados, somos essa casta ou elite.
Nada de novo. A ideia atravessou diferentes séculos, diferentes contextos políticos, países e ideologias. Mas aqui está, bem viva.
E materializa-se naquela malfadada expressão que, num momento ou noutro, todos aqui já utilizámos: o país real.
Sim. Todos nós já cometemos o pecadilho de assumir que lá fora existe um país real, com portugueses verdadeiros e cá dentro temos um país “oficial” com portugueses de outra estirpe, casta ou elite.
Hoje está mais na moda dizer que vivemos numa bolha. Mas o princípio é o mesmo.
Com a franqueza de quem já utilizou, várias vezes, a expressão “país real”, permitam-me que faça de advogado do diabo:
Sim. De facto, temos políticos que dedicaram a vida inteira ao serviço público.
Temos ministros que passaram a deputados. Deputados que passaram a ministros. Às vezes, com uma paragem como gestores públicos.
Sim. De facto, cinquenta anos depois, já temos os filhos dos políticos a fazer política.
Sim. De facto, temos políticos cada vez mais profissionais.
E um regime de incompatibilidades que obriga à profissionalização dos políticos.
Sim. De facto, temos cada vez mais políticos que começaram nas juventudes partidárias e continuaram a carreira sem nunca, diz-se, conhecer o dito “país real”.
Sim. De facto, temos cada vez mais dificuldades em atrair talento para a política.
Não quero com isto provocar ninguém em particular, mas todos em geral.
Quero lembrar que estes factos, ou padrões, correspondem à definição exata de casta. E de bolha.
Quero apenas lembrar que os portugueses podem ter mesmo razão para sentir desconfiança.
Ou que, pelo menos, devemos admitir essa possibilidade.
Nos últimos anos, para combater os problemas reputacionais da política, fomos repetindo chavões:
É preciso combater os conflitos de interesses;
É preciso acabar com as portas giratórias;
É preciso exigir transparência;
É preciso acabar com a pouca-vergonha das mordomias dos políticos.
Repetimos os chavões e fomos tomando medidas. Medidas dos políticos contra os próprios políticos são sempre muito populares.
Ou populistas, como hoje se diz!
E, de repente, discutir o aumento da remuneração dos políticos passou a ser um assunto proibido. Um tema de que não falamos, porque não é popular.
Esquecemos um velho princípio democrático, que vem desde os tempos de Péricles: que o serviço público, para atrair os melhores e para ser acessível a todos, ricos e pobres, deve remunerar bem.
Quisemos acabar com as portas giratórias. Porque, imagine-se, era inadmissível que alguém fosse trabalhar para o setor privado depois de ter estado no serviço público!
E, de repente, temos outras portas giratórias. Entre gabinetes e Parlamento. Parlamento e governos. Governos e administração pública. Assessorias e órgãos do estado.
Em Portugal, temos uma alternância quase plena. Nós alternamo-nos a nós próprios!
Quisemos acabar com os conflitos de interesse, e criámos um regime de incompatibilidades que, na prática, impossibilita alguém de tutelar a área que conhece e em que trabalhou toda a vida.
Desconfiamos de empresários a tutelar a Economia, de polícias na Administração Interna, de médicos na pasta da Saúde, de professores na Educação.
Quisemos, e bem, dar condições aos portugueses para desempenharem as funções de deputados com dedicação plena.
Mas, com os anos, passámos a olhar com suspeita quem escolhe trabalhar ao mesmo tempo que é deputado.
É claro que um deputado médico ainda pode dar consultas, claro que um advogado ainda pode advogar e um quadro intermédio de uma empresa ainda pode ir ao escritório.
O estatuto dos deputados permite-o. A lei permite-o. Mas deixou de ser “politicamente correto”.
Como se um deputado, por trabalhar numa empresa ou num setor de atividade, contraísse automaticamente um conflito de interesses.
Pode votar um louvor a um rancho folclórico de Vilar de Perdizes, mas é automaticamente suspeito de tráfico de influências, se participar num debate sobre a área que domina.
Como se o facto de conhecer um setor lhe retirasse autoridade, em vez de a acrescentar.
Quisemos transparência. E fizemos por isso.
Não bastava declarar os rendimentos. Era preciso declarar publicamente se a mulher ou marido é rico, se o primo é pobre, se o enteado é empresário.
Se a casa tem elevador, quantas casas de banho, se tem empréstimo, se o empréstimo é com taxa fixa, se é bonificado.
Se o filho anda no colégio, se é o sogro que paga o colégio, se vai ao hospital privado ou ao público e, indo ao hospital, que tipo de pulseira lhe dão.
Tornámos, tantas vezes, a vida política num reality show. E fomos aceitando a ideia de que os políticos estão sempre a esconder qualquer coisa.
Senhoras e Senhores Deputados,
Os políticos que defenderam e advogaram a presunção de inocência para os cidadãos do dito país real, são os mesmos que defendem e advogam a presunção de culpabilidade para todos os políticos.
Somos culpados até prova em contrário.
O resultado de tudo isto não é uma política mais aberta à sociedade. É o entrincheiramento da política.
A política fechada sobre si mesma. A política, a conversar consigo mesma.
Os remédios populistas não abrem a política. Fecham-na.
Os remédios populistas não popularizam a política. Fazem-na mais elitista.
Conhecerão, certamente, a frase de Groucho Marx. Que não queria pertencer a um clube que aceitasse como membros pessoas como ele.
O nosso trabalho, Senhoras e Senhores Deputados, é alargar o clube da política. Alargar tanto, que deixe de ser um clube. Para reforço da qualidade da nossa democracia!
Temos a responsabilidade de trazer para esta sala, e outras de representação democrática, mais pessoas talentosas, competentes e motivadas para servir o país.
Pessoas de áreas diferentes. Com experiências, percursos e origens diferentes. Porque a nossa democracia sempre foi interclassista!
O que me leva a uma história final.
Há dias, fui contactado por um grupo de professoras da Escola Secundária das Palmeiras, na Covilhã.
Queriam obter, da Assembleia da República, um reconhecimento à aluna Lua Afonso. E explicavam, no seu texto, as razões do pedido.
A Lua Afonso tem 18 anos. É uma aluna brilhante, com 20 valores a todas as disciplinas e exames nacionais.
É também pianista e atleta de competição. Integra a Seleção Nacional de Skyrunning e venceu o Concurso Nacional de Leitura.
Além de tudo isto, estará, no próximo verão, nos Estados Unidos, a representar a Europa na final mundial da International Space Design Competition, uma iniciativa da NASA.
A Lua Afonso não pôde estar nesta Sessão Solene. Está em Ponte de Sor, num projeto da Agência Espacial Portuguesa.
Mas escreveu-me, a falar de tudo isto. Do seu percurso, desde a serra da Estrela à descoberta do Espaço.
Do valor que dá à liberdade, ao trabalho e à responsabilidade. E do desejo que tem, de contribuir para a participação pública dos jovens.
Acredito que o 25 de abril, a data maior da nossa democracia, não deve perder-se em debates sobre o passado. Em balanços e comparações, juízos e opiniões.
O 25 de abril é presente e futuro. Cumpre-se, quando jovens como a Lua Afonso, que terá um futuro e uma carreira brilhante pela frente, encontram espaço para participar na política.
Porque o serviço público não pode dispensar os melhores.
Talvez este deva ser o foco da nossa sessão de hoje.
Ou, pelo menos, devemos admitir essa possibilidade.
Disse.
domingo, 26 de abril de 2026
Intervenção do Presidente da República na Sessão Solene Comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974
25 de abril de 2026
A Liberdade é tão natural como a nossa vida.
A Democracia, a Justiça Social, a Igualdade são valores que fazem parte da nossa identidade coletiva.
São os elos que dão coesão à nossa sociedade, como se fossem uma segunda Terra Mãe, o nosso chão comum.
O ponto de partida, o 25 de Abril de 1974, é de valor inquestionável.
Reúne um apoio esmagador, intergeracional e, de tão virtuoso, que o assumimos como natural.
Tão natural como o ar que respiramos.
É o caso desta sessão solene.
O que ouvimos hoje nesta Assembleia, é Abril.
Todas e todos podem manifestar as suas opiniões devido à liberdade de pensamento e de expressão conquistadas em Abril.
Todos podem escolher livremente os seus representantes na Assembleia da República, como sucedeu há exatamente 50 anos com as primeiras eleições Legislativas.
Somos iguais e livres, no pensar, agir, criar, no ser e no amar.
Esta é a liberdade que o 25 de Abril nos deu.
Cito José Gil, quando diz que “o discurso que pretende fundar a igualdade refere-se a um acontecimento universal, o nascimento”, com o princípio de que ‘todos os homens nascem livres e iguais’.
Ou, nas palavras de Eugénio de Andrade, poeta e voz de uma geração que nunca desistiu da liberdade: “Não nascemos para ser servos. Nascemos para ser cidadãos”.
De certa forma, o 25 de Abril, em termos coletivos, foi isso: um nascimento, o “dia inicial inteiro e limpo” de Sophia.
Onde todos nos sentimos livres e iguais. Infelizmente há imensos portugueses que não estão assim. Não é culpa de Abril, é culpa de donos disto e daquilo, de demagogia e mentira e de vários terem (e continuam a servir-se dos cargos para que foram eleitos e nomeados em vez de servirem a comunidade, a sociedade portuguesa
Na história portuguesa não há muitos momentos assim.
Por isso, nunca é demais a evocação e o agradecimento aos Capitães de Abril, a quem dirijo hoje uma saudação emocionada e um reconhecimento que nunca poderá ser suficiente: deram-nos mais do que o fim da ditadura. Deram-nos a liberdade de sermos nós próprios, de escolhermos o nosso caminho.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
Isaiah Berlin lembrava-nos que a liberdade tem pelo menos duas dimensões: a liberdade “de” – a ausência de coerção – e a liberdade “para” – a capacidade de cada um realizar o seu potencial.
John Stuart Mill ensinava que “sobre si mesmo, sobre o seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano”. E Hannah Arendt via na liberdade não apenas uma condição individual, mas uma prática coletiva: a capacidade de agir em conjunto no espaço público.
A liberdade é, assim, mais do que um conceito abstrato.
É a possibilidade concreta de escolher, de falar, de criar, de discordar – sem medo.
É a dignidade de cada pessoa reconhecida e protegida.
Numa democracia, a liberdade não é um acessório: é o seu fundamento. Sem liberdade de expressão, não há debate; sem liberdade de imprensa, não há escrutínio; sem liberdade de associação, não há participação.
E, na vida de cada pessoa, a liberdade traduz-se em oportunidades reais: estudar, trabalhar, amar, pensar, acreditar ou não acreditar, sonhar e construir.
Mas a liberdade não vive isolada. Está profundamente ligada à paz.
Num tempo em que assistimos, com inquietação, a guerras que devastam países e destroem vidas, compreendemos melhor esta ligação.
A liberdade é também inseparável da cultura.
Uma sociedade livre é uma sociedade que cria. A cultura floresce onde há liberdade de pensamento e de expressão. Sem liberdade, a cultura empobrece; com liberdade, ela torna-se um espaço de encontro, de diversidade e de imaginação.
A liberdade é igualmente condição indispensável para o progresso científico. Onde não há liberdade académica, o conhecimento estagna e a inovação esmorece. Sociedades livres são aquelas que permitem aos seus investigadores pensar sem medo, errar, testar e descobrir, e é assim que se constrói o futuro de um país.
Vivemos também numa era em que algoritmos e sistemas de inteligência artificial influenciam cada vez mais as nossas escolhas. A liberdade, neste contexto, exige transparência, responsabilidade e escrutínio democrático sobre estas tecnologias. Não podemos aceitar que decisões com impacto na vida das pessoas sejam opacas ou incompreensíveis. A liberdade implica garantir que a tecnologia serve o ser humano – e não o contrário.
A liberdade também exige responsabilidade e instituições íntegras. Não há verdadeira liberdade sem transparência no exercício dos cargos públicos. Os cidadãos têm o direito de saber como são tomadas as decisões que afetam as suas vidas.
A transparência nos donativos políticos é essencial para garantir uma democracia saudável e justa. Quando o financiamento é claro e acessível, os cidadãos conseguem compreender quem apoia quem e com que interesses.
Tornar públicos os donativos não é uma questão administrativa, é um compromisso com a ética e respeito pelos portugueses.
Porque onde há opacidade, cresce a suspeita; onde há clareza, fortalece-se a legitimidade.
A liberdade exige justiça a tempo e horas.
Quando os processos e os julgamentos se arrastam indefinidamente, a confiança dos cidadãos é corroída e a própria liberdade fica comprometida.
O combate à corrupção é outra prioridade inadiável.
A corrupção distorce a vontade democrática, desvia recursos que pertencem a todos e mina os alicerces do Estado de direito.
Combater a corrupção é defender a igualdade, a justiça e, em última análise, a liberdade.
E não podemos esquecer: a liberdade é inseparável da dignidade material das pessoas. A pobreza limita escolhas, condiciona oportunidades e, muitas vezes, silencia vozes. Quem vive na precariedade extrema não é plenamente livre para decidir o seu caminho. Combater a pobreza, reduzir desigualdades e garantir condições de vida dignas não são apenas objetivos sociais – são exigências fundamentais de uma sociedade verdadeiramente livre.
Livre e justa. E confesso, mais uma vez, a este propósito: que tenho muita dificuldade, tenho mesmo muita dificuldade, em compreender que mulheres ganhem menos do que os homens no desempenho da mesma atividade, pelo facto de serem mulheres.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
Dirijo-me agora, em particular, aos jovens portugueses.
Sei que vários dos desafios que enfrentam são duros.
É verdade que é a geração com mais instrumentos, mais conhecimento (???) e mais conexões do que qualquer outra na história deste país.
No entanto, o presente está a hipotecar o futuro dos mais jovens.
Não é justo, não é aceitável que continuemos a tratar as alterações climáticas como um problema de amanhã. Com as intempéries que atingiram várias regiões de Portugal, recebemos o alerta de que o amanhã já chegou.
O clima não espera pelo calendário político, pela conveniência egoísta de algumas gerações ou pelos interesses de alguns sectores económicos.
E os jovens de hoje são os que melhor compreendem esta urgência e os que estão mais capacitados para a enfrentar.
Todos nós temos a obrigação de deixar um legado de qualidade de vida aos nossos filhos e o Estado tem a obrigação de corresponder ao desejo das novas gerações de combater o desafio das alterações climáticas.
Também não podemos esquecer ou deixar no silêncio outros fenómenos que surgem com maior incidência nas gerações mais novas, como é o caso da saúde mental.
Um sofrimento de silêncios: nas estatísticas, nas salas de aula, no emprego, nas famílias.
O sofrimento de uma geração que está a crescer nas incertezas de uma pandemia, do clima, das guerras ou do trabalho precário.
Os governos não podem desprezar novas valências no Serviço Nacional de Saúde e é imperativo reforçar a formação e o investimento na saúde mental.
A liberdade de hoje, em particular dos mais jovens, é também a liberdade de ter uma habitação digna, sem a qual o projeto de vida das novas gerações fica suspenso.
Temos hoje jovens que trabalham e aos 30 anos ainda vivem na casa dos pais por impossibilidade de adquirirem ou arredarem uma habitação. Isto não é apenas um problema de mercado. É um direito que o Estado tem de salvaguardar (CRP Art. 65º ). É uma exigência de liberdade.
Temos hoje jovens licenciados, com mestrados e doutoramentos, cujas competências são valorizadas no mundo inteiro e em Portugal ganham salários que não chegam para terem uma vida minimamente confortável.
Quando o talento não é recompensado em Portugal, não é só uma injustiça económica, é uma perda irreparável para o país.
Nenhum país se constrói assim.
E nenhum Presidente pode aceitar isso em silêncio. Eu não o aceito.
Tudo devemos fazer para que os jovens encontrem em Portugal o lugar onde querem construir as suas vidas.
Se Portugal deu novos mundos ao mundo, hoje temos a obrigação de dar novos mundos aos portugueses – aqui em Portugal.
Caros jovens,
Eu não venho pedir-vos que amem o 25 de Abril.
Não tenho esse direito.
Ninguém ama por decreto ou procuração aquilo que não viveu.
Quero apenas dizer-vos de um modo simples:
Quando deixaste de ser obrigado a combater, ir para a guerra – foi Abril.
Quando conduzes um carro e não precisaste de autorização do teu marido ou da família – foi Abril.
Quando és mulher e viajas sem ter de pedir autorização ao teu companheiro – foi Abril.
Quando optas por uma carreira de magistrada ou diplomata e és mulher – foi Abril.
Quando a tua mãe e o teu pai foram à urgência e não lhes pediram que pagasse antes de ser tratada – foi Abril.
Quando a tua liberdade apela a propor, participar ou assinar uma petição – foi Abril.
Quando leste ou partilhaste uma notícia crítica do poder e ninguém bateu à tua porta – foi Abril.
Quando votaste, ou decidiste não votar, sem medo de represálias – foi Abril.
Abril está nos gestos. Faz parte da tua vida, porque tens liberdade.
Mas há uma coisa que a minha geração aprendeu: a liberdade não desaparece de uma só vez.
Desaparece aos poucos.
Primeiro é uma lei que parece razoável.
Depois uma instituição que se esvazia por dentro.
Depois uma voz que deixa de se ouvir.
Depois outra.
O perigo para a democracia raramente chega como nos filmes.
É mais frequente afirmar-se com argumentos que parecem inofensivos e, nos dias de hoje, também com algoritmos.
Sei que muitos de vós desconfiam da política.
Percebo as razões.
Sim, a democracia tem falhas, às vezes desilude. Mas ainda é o único lugar onde a nossa voz conta de verdade.
Fora dela não há mais justiça nem mais liberdade.
Há silêncio, há medo e imposição.
E se queremos uma política melhor, não é afastando-nos da política que a mudamos – é participando, tendo coragem para a transformar por dentro. ( mas os partidos políticos pouco permitem )
Por isso, o meu apelo: estejam atentos.
Quando virem um direito fundamental a ser anulado, denunciem alto o que viram.
Quando a intolerância esmaga a cidadania, espalhem o alerta – porque rapidamente a noite se apodera do dia.
Quando ouvirem a palavra liberdade a ser usada para a restringir – defendam-na.
Quando sentirem que o insulto substitui o diálogo – continuem a dialogar.
Quando sentirem que a vossa voz não conta, não se calem – falem mais alto.
Abril não precisa de guardiões solenes.(nem donos disto e daquilo)
Precisa de cidadãos atentos, livres e com capacidade crítica.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados,
A liberdade sente-se quando podem falar sem medo – quando os nossos jovens podem falar sem medo – mas perde-se quando o silêncio se instala por conveniência ou indiferença.
A liberdade vive quando participam – mas enfraquece quando se afastam.
A liberdade constrói-se quando escolhem – mas desaparece quando outros passam a escolher por vós.
Está nas vossas mãos defendê-la nos gestos concretos do dia a dia: quando recusam a desinformação e procuram a verdade; quando enfrentam o discurso de ódio com coragem; quando participam na vida democrática, votando, debatendo, exigindo; quando não aceitam a corrupção como inevitável; quando lutam por igualdade de oportunidades – para vós e para os outros.
Não sejam espectadores da democracia. Sejam protagonistas. Não se resignem. Não se calem. Não desistam.
Cada geração tem o seu teste. Este é o vosso: garantir que a liberdade não enfraquece, não recua, não se perde.
Cuidar da liberdade é exercê-la com coragem. É defendê-la com determinação. É transmiti-la inteira – e mais forte – à geração seguinte.
A liberdade que hoje vivem foi conquistada com coragem, sacrifício e, em muitos casos, com vidas interrompidas. Não a tratem como garantida. Não a aceitem como algo que “sempre existiu” e, por isso, sempre existirá. A história ensina-nos o contrário – e o presente, em tantas partes do mundo, confirma-o todos os dias.
Hoje, quando vemos a democracia ser testada dentro e fora das nossas fronteiras, não podemos hesitar: ou a defendemos com coragem, ou arriscamo-nos a perdê-la em silêncio.
Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhoras e Senhores Deputados,
Tenho 64 anos. Tinha 12 quando o 25 de Abril aconteceu.
Não o compreendi nesse dia. Fui compreendendo ao longo da minha vida – nas utopias onde me envolvi, nos direitos que conquistei, nas batalhas que ganhei e que perdi, nas pessoas que vi sofrer quando as promessas de Abril não chegaram a tempo.
Sou Presidente porque esse dia existiu.
Exercerei os meus poderes e tudo farei de forma que valha a pena ter acontecido.
É tudo isso o que vos posso prometer. E é tudo o que Abril pede.
Muito obrigado.




























