terça-feira, 28 de abril de 2026

Ainda os Discursos - 25 Abril 2026
Não segui a cerimónia de Sábado de manhã pela TV. Andei na rua.
Li depois o discurso do PR Seguro, que aqui já publiquei, de que gostei e comentei.

Li rapidamente e já aqui publiquei o discurso do Pr da AR, sem comentários com excepção de um, no final, a vermelho
Quando me apetecer lá irei procurar os discursos dos partidos políticos por ocasião do 52º aniversário da memorável data - 25 Abril 1974.

Este discurso do Pr da AR que na minha opinião refere algumas verdades que muitos políticos fingem não perceber a começar pela pérola rosa Delgado Alves, tenho-o como um texto estranho, e que comentarei agora.

Para isso o republico mas apenas as partes que inicialmente sublinhei a azul e com o meu único comentário na altura, a vermelho, na linha final.
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. . a esmagadora maioria dos portugueses quer este regime, gosta do regime. Mas isso não significa que ache que tudo está bem!
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. . Aparentemente, só não gosta, ou desconfia dos políticos.
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. . . deixem-me aproveitar, já que estamos a terminar estas celebrações para dizer estas coisas inconvenientes e pouco populares.
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. . . É altura de admitirmos a possibilidade do problema português não ser a Constituição, o capitalismo, o regime, as instituições ou funcionamento da democracia.
O problema pode estar também em nós. Os políticos.
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. . . Sim. Todos nós já cometemos o pecadilho de assumir que lá fora existe um país real, com portugueses verdadeiros e cá dentro temos um país “oficial” com portugueses de outra estirpe, casta ou elite.
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. . . Sim. De facto, temos cada vez mais políticos que começaram nas juventudes partidárias e continuaram a carreira sem nunca, diz-se, conhecer o dito “país real”.
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. . . Quero apenas lembrar que os portugueses podem ter mesmo razão para sentir desconfiança.
Ou que, pelo menos, devemos admitir essa possibilidade.
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. . . É preciso acabar com a pouca-vergonha das mordomias dos políticos.
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. . . que o serviço público, para atrair os melhores e para ser acessível a todos, ricos e pobres, deve remunerar bem.
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. . . E, de repente, temos outras portas giratórias. Entre gabinetes e Parlamento. Parlamento e governos. Governos e administração pública. Assessorias e órgãos do Estado.
Em Portugal, temos uma alternância quase plena. Nós alternamo-nos a nós próprios!
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. . . Mas, com os anos, passámos a olhar com suspeita quem escolhe trabalhar ao mesmo tempo que é deputado.
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. . . . O nosso trabalho, Senhoras e Senhores Deputados, é alargar o clube da política. Alargar tanto, que deixe de ser um clube.
Para reforço da qualidade da nossa democracia!
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O 25 de abril é presente e futuro.
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Porque o serviço público não pode dispensar os melhores.
Talvez este deva ser o foco da nossa sessão de hoje.
Ou, pelo menos, devemos admitir essa possibilidade.
Disse.

E acrescento Eu, viva o 25 de Abril, viva Portugal.


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Também estou convencido que a maioria dos portugueses se sente bem no actual regime mas, tal como eu, tristes e desiludidos pois está mal muita coisa.
Agravaram-se desigualdades por exemplo. 
Portugal continua a escorregar para o fundo da tabela olhando aos países todos da Europa, sejam ou não da UE.

De quem é a culpa?
É do 25 de Abril de 1974?
NÃO, NÃO É!

A culpa é de vários ou mesmo muitos dos que se serviram dos cargos para que foram eleitos e nomeados seja, titulares de órgãos de soberania, autarcas, chefias as mais diversas da pesada máquina do Estado.
E na esfera privada, na banca, em muitas instituições, houve muita gente que também têm ajudado a chegarmos onde desgraçadamente estamos.
Foi quem considerou Portugal a sua quinta, foram e continuam os donos disto e daquilo, os donos disto tudo, o que quiserem.

SERVIRAM-SE, em ver de SERVIREM a comunidade /sociedade portuguesa.

Tenho em péssima conta vários políticos. Presumo que não sou só eu. E não vou perder tempo agora a repetir o que tenho escrito inúmeras vezes (ainda o fiz de novo há poucos dias) sobre a importância da democracia, dos partidos políticos, da comunicação social etc.

Quando Aguiar-Branco afirma - É altura de admitirmos a possibilidade do problema português não ser a Constituição, o capitalismo, o regime, as instituições ou funcionamento da democracia. O problema pode estar também em nós, os políticos  - qualquer pessoa honesta reconhece que muitos políticos têm sido parte dos problemas.

Quando se refere o "país real" parece-me uma evidência que há muita razão nessa ponderação.
Basta olhar para o indignado Delgado Alves e ir verificar como foi até agora a sua vida.

E para não referir apenas políticos, olhemos para o CEJ onde desde há anos se formam magistrados. 
Com que idadezinha ficam magistrados?
Pois . . . . . ficam magistrados quando já angariaram imensa experiência de vida . . . não é verdade ?

Portanto, aos indignados como Delgado Alves em vez de falarem para a Lusa e viraram as costas a quem discursa não faria mal nenhum admitir a possibilidade de muitos políticos serem há décadas parte dos problemas que até hoje se arrastam.

Já agora, porque que é que Delgado Alves não virou as costas também  ao PR Seguro pois falou também do tema ?
É porque é da cor e Aguiar-Branco é da direita?  

Muitos portugueses sabem de pouca-vergonhas e de mordomias de muitos políticos e designadamente de deputados. 

Será que o deputado Delgado Alves não ouviu falar nas viagenszinhas em económica depois de terem trocado o bilhetinho de avião a que tinham direito em Executiva/ 1ª classe? 
E que tal o actual e inarrável governador do Banco de Portugal e as suas acçõeszitas?

O serviço público é mal pago. Sabe-se há muito. 
É por isso que ao longo dos anos têm arranjado disfarçadamente umas atenuantes. Em vez de enfrentarem o problema, com dignidade, com racionalidade, com rigor e decência.

Muito bicho careto tem pópó oficial.
As ajudas de custo e as verbas para despesas de representação são uma ajuda, uma atenuante. E nem falemos na percentagem dos que, tadinhos, têm de receber uma grande ajuda pois vivem muito longe!

E toda a gente sabe que é verdade a existência das diferentes e diversas portas giratórias.

"Nós alternamo-nos a nós próprios" - disse Aguiar-Branco e aqui, Delgado Alves podia ter gritado - eu nunca mais fui "jotinha" e nunca mais voltei para uma junta de freguesia!

O Pr da AR disse outras coisas.
Uma que me parece adequada - O 25 de abril é presente e futuro

Porque o serviço público não pode dispensar os melhores - também afirmou, e concordo absolutamente.

Mas este discurso do nº 2 na hierarquia do Estado é para mim um pouco estranho.
E começo pelo final. Tal como o Presidente Seguro não terminou como creio seria adequado - viva o 25 de Abril, viva Portugal.

Demasiado paleio para referir o tema que decidiu escolher para o 52º aniversário da memorável data - 25 ABRIL 1974.

Mas será que o financiamento dos partidos políticos é o problema maior da nossa democracia, da nossa história recente?

É o financiamento dos partidos políticos a causa maior para,
- a questão da habitação, da saúde, da educação, 
- do emprego, da fuga de muitos para o estrangeiro, 
- do descontrolo da imigração, 
- o estado do sistema de justiça, 
- da continuação de nada se saber da ONU quanto ao nosso pedido de alargamento da plataforma continental feito em 2013, 
- das nossas fragilidades estruturais, da nossa indústria, 
- da nossa economia, 
- do estado das forças de segurança, ou das Forças Armadas, 
- das baixas pensões, do estado de muitas vias rodoviárias, 
- do desordenamento do território, 
- dos problemas da CP ou da TAP, 
- das carências no âmbito da cultura,
- dos problemas no âmbito de creches e lares para os nossos ascendentes,
- dos incêndios e da proteção civil, 
- do estado da comunicação social, ETC. 
- ETC. ETC. ETC. ETC. ETC ?

Obviamente (opinião pessoal, naturalmente) senhor Pr da Assembleia da República que o financiamento dos partidos políticos está longe de ser uma coisa clara. Decente.

E temos ainda muitas telenovelas como no âmbito da "Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), ou da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), ou decisões do Tribunal Constitucional, ou as (não) nomeações para diversos órgãos do Estado, ou legislação vária discutível ou até por regulamentar, para não falar no Código do Procedimento Administrativo que em Portugal serve para muita gente no Estado e fora dele limpar o rabo.

Senhor Doutor Aguiar-Branco disse que achei o seu discurso estranho.
Sabe porquê?

Porque sou medianamente educado.
E também por isso lhe digo que se eu tivesse estado no Parlamento quando discursou não me levantava e nem lhe virava as costas. 
Ficava sentado, e não aplaudia.

Depois, enviava-lhe uma carta pessoal a manifestar as minhas discordâncias.
Seria assim, não sou mal educado.

António Cabral (AC)

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