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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

. . . . . . 
E porque recordar é viver e, amiúde, ficar extra-deprimido, quem se lembra de todos aqueles “não-socialistas” que garantiam, em vésperas de eleições presidenciais, que um futuro Presidente Seguro jamais faria fretes ao PS uma vez que até era inimigo de António Costa e tudo? Aí têm o vosso Tozé, tonhós
!

(Thiago Dores)

AC

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Incêndios: Seguro pede mais prevenção e Neves diz que reparos são alerta para pensar e corrigir.
Primeiro, o Presidente da República falou, na Guarda, sobre incêndios, a seguir, o ministro da Administração Interna reagiu, em Mirandela. 

António José Seguro insistiu na necessidade de reforçar a prevenção e a capacidade de resposta das autoridades e dos meios de socorro perante os incêndios. 

Mas criticou, sobretudo, a inacção dos sucessivos governos desde 2017. Disse que “muito ficou por fazer” na sequência dos incêndios desse ano e defendeu uma acção mais eficaz na prevenção e na resposta a situações de emergência.

Oh Costa, já viste como ele é injusto sobretudo para contigo, que apenas governaste (??) entre início de 2016 e as eleições em 2024, ou estou enganado?

AC

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Presidente da República nomeou os Chanceleres das Ordens Honoríficas Portuguesas
16 de julho de 2026

Nos termos da Lei das Ordens Honoríficas Portuguesas, o Presidente da República nomeou os chanceleres das antigas ordens militares, das ordens nacionais e das ordens de mérito civil, respetivamente, o Professor Doutor Guilherme d'Oliveira Martins, o Dr. José Manuel Nunes Liberato e a Dra. Maria da Graça de Freitas.
A posse dos três chanceleres será no dia 20 de julho, pelas 11 horas, no Palácio de Belém
.

Esta coisa das Ordens Honoríficas Portuguesas tem muito que se lhe diga.
Para começar, as Ordens Honoríficas Portuguesas são as seguintes: 
a) Antigas Ordens Militares: 
Da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito; 
De Cristo; 
De Avis; 
De Sant'Iago da Espada; 

b) Ordens Nacionais: 
Do Infante D. Henrique; 
Da Liberdade; 
De Camões; 

c) Ordens de Mérito Civil: 
Do Mérito; 
Da Instrução Pública; 
Do Mérito Empresarial.

De acordo com o Artigo 3.º da lei das Ordens Honoríficas Portuguesas elas destinam-se a galardoar ou a distinguir, em vida ou a título póstumo, os cidadãos nacionais que se notabilizem por méritos pessoais, por feitos militares ou cívicos, por actos excepcionais ou por serviços relevantes prestados ao País. Não é coisa pouca.

De acordo com a referida lei o
 Presidente da República é o Grão-Mestre das Ordens Honoríficas Portuguesas (Artigo 4.º) e  superintende na organização, orientação e disciplina das Ordens, sendo coadjuvado pelos Chanceleres (3, já nomeados) e pelos Conselhos das Ordens (Artigo 40º).

Naturalmente, e como estabelece (
Artigo 54.º) a já referida lei, aos membros das ordens ou seja todos aqueles a quem são atribuídas e impostas as "caricas" como diz o povo, é exigido defender e prestigiar Portugal em todas as circunstâncias, regular o seu procedimento, público e privado, pelos ditames da virtude e da honra, acatar as determinações e instruções do Conselho da respectiva Ordem, dignificar a sua Ordem por todos os meios e em todas as circunstâncias e nunca prejudicar os interesses de Portugal.

Naturalmente, é da vida, uns quantos a quem foram impostas condecorações tiveram depois comportamentos criticáveis face ao que a lei estabelece.

Artigo 55.º da dita lei estabelece a Disciplina das Ordens, e define o que se deve fazer face a eventual violação de qualquer dos deveres a que os membros das ordens se obrigam.
E nesse artigo se fala de instauração de processo disciplinar, dos diferentes trâmites do processo, e se a acusação for julgada procedente, será imposta ao arguido, conforme a gravidade da falta e do desprestígio causado à Ordem, a sua admoestação ou irradiação da ordem. A irradiação significa que temeu devolver condecorações e perde tudo o que lhes era inerente.

Se se percorresse o estendal de agraciados desde 25 de Abril de 1974 (é melhor nem olhar lá mais para trás) o cidadão comum interrogar-se-à legitimamente quanto à outorga de certas condecorações.
Aliás, é bom recordar que em tempos andou sorrateiramente pelas notícias uma certa referência à análise de certos condecorados que tudo indicava dever haver lugar à sua irradiação das ordens que lhe tinham sido outorgadas.

Mas, lá está, como vem acontecendo neste Portugalinho, isso era chato, até porque podia questionar-se - o PR X agraciou Y quando era na altura mais que evidente que . . . 
É muito interessante consultar estas coisas no "sítio" da Presidência.

E quanto a chanceleres?
Provavelmente alguns se recordarão das peripécias do falecido general António de Spínola entre 25ABR1974 e 11MAR1975.
Provavelmente muito poucos se recordarão que um dia foi trazido para chanceler. Recordem-se lá qual foi o PR.

Bom, mas espera lá, o que é que isto interessa aos portugueses, quando  há futebol mundial, estão aí as questões envolvendo o Benfica, Sporting e Porto e a Federação Portuguesa de Futebol, o calor se calhar vai voltar, o tabloide nacional continua  com notícias escaldantes, a telenovela com Luís Neves prossegue, o Médio Oriente continua calmo, os incêndios prosseguem até na Noruega, o Ventura escreve cartas e auto-presume-se estadista patriota, etc?

Boa noite!
António Cabral (AC)

quarta-feira, 15 de julho de 2026

PASSAGEM  de  SERVIÇO


As semanas vão decorrendo e cada vez mais tenho a certeza de que a passagem de serviço foi rigorosa, clara, muito bem explicadinha. 

AC

sábado, 4 de julho de 2026

ESCOLHAS,    ESCOLHAS   REVELADORAS
No nosso começo não escolhemos, nem pais, nem local de nascimento, nem cor dos olhos, nem sexo, nem pigmentação da pele, etc.

A nossa vida tem diversas fases e em todas elas temos de fazer escolhas.
Escolhemos de mútuo acordo parceiro para casar (no meu caso parceira, a minha querida mulher).

Antes disso, escolhemos mais ou menos a meio do ensino secundário a área de ensino que queremos prosseguir e daí futura licenciatura, e para esta escolhe-se estabelecimento de ensino público ou privado. 
Ou não se escolhe e vai-se trabalhar.
Com alguma sorte escolhe-se emprego.

Escolhem-se amigos, escolhem-se lugares no comboio, autocarro, avião, no cinema, no pavilhão desportivo.
Escolhe-se restaurante e mesa onde sentar, supermercado, farmácia, pastelaria, papelaria, oficina para reparar carro, loja de electrodomésticos, sapataria, sapateiro, biblioteca, padaria, relojoeiro, lugar da praça, peixeiro, fornecedor de energia, telefones, etc.

Nas férias escolhe-se sair ou ficar em casa, onde ir, onde ficar, o que ver, o que ler, o que gastar, as estradas a percorrer, etc.

Na vida profissional escolhem-se ou não colaboradores, assessores, subordinados, chefias intermédias, etc.
Na vida política o mesmo se passa.

No nosso caso temos políticos que arrotam constantemente postas de pescada quanto à necessidade de transparência na vida pública, no serviço à República, mas depois . . . . . 

Por exemplo, o actual inquilino em Belém batalhou imenso nesta tecla da transparência bem antes de ganhar a eleição e depois tomar posse como Presidente da República.

Quanto a transparência eu gostava que o Presidente da República fosse bem transparente quanto à sua casa militar e casa civil.
Não me refiro ao quadro de pessoal que existe no Palácio de Belém, e em que a esmagadora maioria transita de PR para PR, como os funcionários administrativos, informáticos, jardineiros, condutores, pessoal de segurança, pessoal de manutenção do palácio, etc.

Não, refiro-me ao pessoal que é determinante.

Salvo melhor opinião, tal como sabemos quem são todos os deputados, todos os membros dos governos, e depois podemos perceber melhor certas coisas, devia estar no sítio da Presidência a identificação de quem é o chefe da Casa Civil (parece que finalmente é uma senhora), e quem são os diversos assessores. 

Chefe de protocolo de Estado e secretária geral da Presidência parece manterem-se.
Quanto à Casa Militar devia estar identificado o chefe da Casa Militar (sim já apareceu na TV) e quem são os assessores militares e outros e a sua origem.

E tal como para a Presidência da República, devia estar claro e listado quem integra o Conselho de Estado, e quem integra o Conselho Superior de Defesa Nacional. E não me venham com a treta de que a lei já define a maior parte das personalidades integrantes.

Pode parecer uma chinesice.

Mas, por exemplo, se o assessor económico do Presidente for um conhecido economista que escreva periodicamente em jornais ou comente nas TV, eu posso formar uma opinião sobre o que Belém possa provavelmente vir a defender em termos de políticas económicas, etc.

Por exemplo quem é o assessor para a defesa nacional? Presumo que não se fique pelo general que actualmente chefia a Casa Militar.

Quanto a defesa nacional, e como creio que o PR escolheu por exemplo Nuno Severiano Teixeira para o Conselho de Estado, bom, pela minha parte não tenho ilusões sobre o que por aí virá.
Muito provavelmente virá mais do mesmo das últimas décadas, apesar de certas e muito longas discursatas e, claro, envolvo no linguajar da moda!
Mudam, mudarão a conversa mas o sumo sempre o mesmo.
Só que o mundo é outro.

E o assessor para a comunicação social?
E para a cultura?
E para as relações internacionais?
E para pensar no ordenamento do território?
E . . . . . 
E . . . . .

Bom dia, tenham um bom Sábado.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Cuidado com o Sol, apesar de hoje estar muito mais fresco (menos 1º C ?)
Boa sorte, felicidades-

António Cabral (AC)

segunda-feira, 22 de junho de 2026

. . . . . . . . . 
7. Repito, admito, como SEMPRE, poder estar a ver mal as coisas.

Mas não encontro argumentos de peso que me digam que, sem que possa sem qualquer restrição ser hasteada em qualquer edifício do Estado ou monumento uma qualquer bandeira de associação, grupo, clube desportivo, etc, o pluralismo de expressão, o direito à palavra à imagem e à reserva da vida privada e familiar não ficam 100 % garantidos.
E que só assim estará definitivamente afastada qualquer discriminação.
E que só assim estarão plenamente assegurados direitos vários, como os direitos humanos, mais a preservação do clima, etc.

AC

Escrevi umas linhas a propósito da proposta de legislação sobre bandeiras, o hastear de bandeiras em edifícios públicos, proposta que o actual inquilino de Belém devolveu ao Parlamento sem promulgação solicitando aos deputados que reponderem o assunto e justificando a coisa com argumentos à volta do que refiro nesse parágrafo 7. das minhas considerações, mas apetece-me acrescentar mais o seguinte:

Haja democrática paciência. 
Admito poder estar a ver mal as coisas e respeito, SEMPRE, as opiniões de outrem (concordo, discordo, comento se me apetecer) , mas, sinceramente, haja paciência para argumentação como esta do actual e crescentemente palavroso PR. Legitimamente, quis e quer estar de bem com os sim não talvez.

Sem hastear bandeirinhas quando e onde apetecer, credo que só assim se asseguram direitos. . . . . . . . POIS!

Apenas com muitos desfiles e muitas bandeirinhas em todo o lado é que se garante o direito à imagem e à reserva da vida privada e familiar. . . . . . . À RESERVA! . . . . . . POIS!
Vou ao dicionário verificar o significado de reserva!
Haja democrática paciência. 
AC 

sábado, 20 de junho de 2026

Presidente da República devolve sem promulgação Decreto da Assembleia da República
10 de junho de 2026 

O Presidente da República devolveu à Assembleia da República, sem promulgação, o Decreto que estabelece regras de utilização de bandeiras em edifícios públicos.
A devolução foi acompanhada da respetiva mensagem fundamentada, que será divulgada após a sua leitura pelo Parlamento.

Mensagem enviada ao Presidente da Assembleia da República:
(
sublinhados da minha responsabilidade)
“Palácio de Belém, 10 de junho de 2026

A Sua Excelência o Presidente da Assembleia da República,

Assunto: Decreto da Assembleia da República n.º 70/XVII - Regras de utilização de bandeiras em edifícios públicos

Nos termos do artigo 136.º da Constituição da República Portuguesa, devolvo à Assembleia da República, sem promulgação, o diploma que estabelece regras de utilização de bandeiras em edifícios públicos, o qual suscita
questões que convidam à sua reponderação.
Ao exercer este direito de veto não desconheço nem desvalorizo as
preocupações legítimas que terão presidido à iniciativa legislativa, nomeadamente a de preservar a dignidade e a neutralidade dos espaços institucionais do Estado.
Não obstante, não se pode ignorar que as
causas humanitárias com reconhecimento constitucional e convencional expresso se colocam numa posição distinta das posições político-partidárias, na medida em que o Estado assumiu já compromissos normativos relativamente a elas.

O direito interno incorpora os instrumentos de direito internacional que vinculam Portugal, entre os quais a Carta das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Acordo de Paris. Quando um titular de cargo político hasteia uma bandeira que simboliza a paz, os direitos humanos ou a proteção do clima, não está a imprimir ao Estado uma orientação que lhe seja estranha: está a expressar compromissos que a própria Constituição e o direito internacional vinculativo já incorporaram como valores da República.

Não existe, portanto, impedimento ao hastear de bandeiras que simbolizem causas humanitárias, desde que tal se faça em contexto adequado, com proporcionalidade e sem desvio dos fins próprios do cargo.
O hastear destas bandeiras encontra enraizamento nos nossos valores e princípios constitucionais e nos compromissos internacionais do Estado português, afastando qualquer leitura de instrumentalização político-eleitoral.
Aliás, é a própria Constituição que enquadra, no seu artigo 46.º, a liberdade de associação como uma manifestação de direitos, liberdades e garantias pessoais de que as bandeiras associativas são mera expressão.

Ademais, o Decreto da Assembleia da República n.º 70/XVII suscita ainda questões de outra ordem.
A primeira prende-se com a utilização de
conceitos indeterminados, que nada contribuem para a clareza da lei, bem como para a sua correta aplicação. Os conceitos de «bandeira ideológica» e de «bandeira associativa» não se encontram definidos, permitindo especulação e incerteza sobre o seu preenchimento e, naturalmente, sobre a aplicação, ou não, das disposições legais que se pretendem efetivar no ordenamento jurídico.

A segunda tem a ver com a
confusão jurídica entre entidade aplicadora e entidade fiscalizadora da lei. A redação do artigo 5.º do Decreto atribui a fiscalização do cumprimento das normas à mesma entidade que tem o poder de determinar que bandeiras são hasteadas, sem prever qualquer mecanismo externo de controlo, ou seja, coloca o potencial infrator na posição de fiscal de si mesmo.

Finalmente, a terceira respeita ao
n.º 4 do artigo 6.º, que comete ao juiz da comarca, em processo instruído pelo Ministério Público, a função de aplicação de coimas.
Trata-se de uma solução juridicamente atípica, porquanto o Decreto-Lei n.º 433/82, de 27 de outubro, que institui o regime geral dos ilícitos de mera ordenação social, e para o qual o n.º 5 do mesmo artigo remete subsidiariamente, prevê que o processamento das contraordenações e a aplicação das coimas competem às autoridades administrativas, com recurso posterior aos tribunais. Aliás, este diploma apenas admite o processamento da contraordenação pelas autoridades competentes para o processo criminal e a aplicação da coima por um juiz em caso de concurso de contraordenação e crime.

Devolvo, por conseguinte, sem promulgação o Decreto n.º 70/XVII, sobre “Regras de utilização de bandeiras em edifícios públicos”, para que a Assembleia da República possa, sendo esse o seu entendimento, proceder à sua reapreciação atendendo às objeções formuladas.
Apresento a Vossa Excelência os meus respeitosos cumprimentos,
António José Martins Seguro


*Nota alterada em 11 de junho de 2026, com a inclusão da mensagem enviada ao Presidente da Assembleia da República, após a leitura da mesma no Plenário
***************************************************************************
1. Com toda a legitimidade democrática constitucional e jurídica o PR devolveu à Assembleia da República o diploma referido supra.
Com o óbvio aplauso dos do costume. 
A concordar, ou a discordar. Mas a respeitar.

2. Começando pelo princípio, que tal olhar á Constituição (CRP) ?

a. Portugal, como República e Estado de direito democrático baseia-se na dignidade da pessoa humana (Art.1º). Além de Estado de direito democrático tem como um dos grandes princípios o pluralismo de expressão (Art. 2º).

b. Um dos símbolos nacionais é a Bandeira Nacional (Art. 11º). 
Todos têm direito à palavra, à imagem, à reserva da vida privada e familiar e proteção legal contra quaisquer formas de descriminação (Art. 26º).
A CRP estabelece a liberdade de expressão (Art.37º).

c. A CRP estabelece a liberdade de associação (Art.46º), a constituição de associações, mas diz muito claramente - desde que não se destinem a promover a violência e os respectivos fins não sejam contrários à lei penal. 
Mas também, e muito claramente, o nº 3 deste artigo Constitucional estabelece que ninguém pode fazer parte de uma associação.

3. O PR entendeu convidar os deputados a reponderarem o texto do diploma.
A mim parece-me que o que o PR António José Seguro seguramente quer é que toda e qualquer bandeira seja hasteada em qualquer edifício público, que qualquer edifício público possa ser iluminado ou pintado com as cores todas da paleta de um pintor.

4. Entenderá ele que, a prazo, qualquer edifício público/ edifício e monumento do Estado a começar pelo Palácio de Belém, Torre de Belém, Mosteiro dos Jerónimos, ministérios, Palácio de Cristal, edifícios das câmaras municipais de Lisboa, Porto etc,  S. Bento, possa, por um curto período de tempo (horas ?) ser iluminado com qualquer cor da paleta de um pintor ou até, no limite, lá se afixar temporariamente "placards" a uma fachada?

5. Fazer escolhas e não ceder a populismos, SIM sr Presidente da República, era importante que o fizesse e desse exemplo.
Mas não ceder a populismos deve ser em todos os sentidos, e não só em certos casos, venham os populismos e as demagogias de agremiações venturescas ou parecidas, ou venham de agremiações de extrema esquerda. Não ceder a nada.

6. Admito, como SEMPRE, poder estar a ver mal as coisas, mas não encontro argumentos de peso para que em SBento esteja arvorado mesmo que por pouco tempo algo mais que a Bandeira Nacional, a da UE e a do Presidente da Assembleia da República.
De modo equivalente para o Palácio de Belém.
Tal como para uma câmara municipal, mais do que a Bandeira Nacional, a da UE e a da câmara municipal.

7. Repito, admito, como SEMPRE, poder estar a ver mal as coisas.
Mas não encontro argumentos de peso que me digam que, sem que possa sem qualquer restrição ser hasteada em qualquer edifício do Estado ou monumento uma qualquer bandeira de associação, grupo, clube desportivo, etc, o pluralismo de expressão, o direito à palavra à imagem e à reserva da vida privada e familiar não ficam 100 % garantidos.
E que só assim estará definitivamente afastada qualquer discriminação.
E que só assim estarão plenamente assegurados direitos vários, como os direitos humanos, mais a preservação do clima, etc.
AC

terça-feira, 16 de junho de 2026

ESTOU  A  SER  INJUSTO ?
Esta a pergunta que a mim próprio venho colocando a propósito do actual inquilino em Belém, o Presidente da República António José Seguro.

Sobretudo a propósito dos discursos que até agora produziu, verdadeiros lençóis, muitooooooooooooo longoooooooos. 
E creio que pouco sumarentos.

Um bom amigo já se meteu comigo gabando a minha paciência para os ir lendo. Comentei alguns e assim tentarei prosseguir.
Concedo que lidos é uma coisa, ouvi-los presencialmente deve ser muito doloroso. Então agora no tempo quente, de certeza que muitos fecharão os olhos.

Não faço ideia quem é o principal escritor dos seus discursos mas sincera e respeitosamente, creio que o PR com tão longos discursos corre o risco das mensagens que tenciona passar ficarem um pouco difusas ou mesmo pouco ou nada perceptíveis.

A comparação dos seus discursos com o tempo em que as missas eram dadas em latim para ninguém perceber nada poderá parecer exagero, mas creio que há uma certa razão recordar isso. 

Mas além de discursos, há também declarações a propósito disto e daquilo.

Tal com aconteceu com Marcelo, Seguro recebeu a selecção portuguesa de futebol que partiu para os EUA, para o campeonato da bola que vai ser sobretudo o campeonato dos anúncios, dos anunciantes, dos milhões a escorrer!

Não repetiu a patética frase Marcelista - somos os melhores dos melhores - mas andou perto, sonha, e pediu que façam sonhar os portugueses cá e lá fora. Recordou a fibra e alma portuguesas.

Contrariamente a Marcelo, Seguro não se afigura maquiavélico, matreiro, astuto, velhaco, alguns andam a dizer que não passa de uma banalidade, que não é moderado mas apenas banal sem interesse, que acaba por não ser nada. De facto, a ver pelos discursos até aqui parece querer contentar tudo e todos, coisa que não existe na vida real.

É óbvio que isso não existe não é possível.
Tal e qual como a frase atribuída a Lincoln - Podeis enganar toda a gente durante um certo tempo. Podeis mesmo enganar algumas pessoas todo o tempo. Mas não vos será possível enganar sempre toda a gente!

Aliás, andamos há décadas com estes enganos com estes faz de conta, com estes agora é que vai ser, e o resultado está à vista.

Para além de algumas coisas óbvias e sensatas, onde está a mudança radical para enfrentar o duro presente e o terrível que se perspectiva?
Para começar a mitigar a pouca vergonha que subsiste há décadas e particularmente desde 1991?

E volto à minha pergunta: estou a ser injusto?

Bom dia.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

António Cabral (AC)

quinta-feira, 11 de junho de 2026

AÇORES, FA, SOBERANIA. . . a IMPORTÂNCIA 

O mundo está completamente do avesso.
Dizem alguns, está completamente maluco!

Assisti esta manhã pelo televisor às cerimónias na ilha Terceira, presididas pelo PR.

Uma militar da Força Aérea referiu (na resposta a jornalista sobre a importância dos Açores e se não devia haver mais militares das Forças Armadas (FA) nos Açores) haver ali cerca de 500 militares.

A esmagadora maioria dos portugueses foi habituada / mentalizada de que as Forças Armadas . . . . sim . . . . mas.
Passaram 52 anos sobre o 25 de Abril de 1974.
Passaram já 13 anos e continuamos a ter um super caduco CEDN (Conceito Estratégico de Defesa Nacional).
Passaram 50 anos sobre a estabilização da nossa Democracia, materializada com as várias eleições ocorridas em 1976.

Passaram décadas, passam anos, e continuamos a não ter em Portugal uma definição inequívoca sobre que FA Portugal deve ter.

O decrépito CEDN assistiu já, entre outras coisas, a acusações entre ministérios quanto à revisão do documento.
O decrépito CEDN assiste a projectados investimentos em material para as FA e a discussões sobre o substituto do velhinho F-16, como se não estivéssemos com guerras completamente diferentes do passado.

O decrépito CEDN assiste (provavelmente de olhos esbugalhados e estarrecidos) às loas do PR sobre as FA que em parte são mais do que justificáveis mas não passa muito de uma versão mais decente da patética frase do antecessor - "os melhores dos melhores"

Como sublinhou o primeiro orador nas cerimónias da manhã - o poder é importante.

E para ter alguma poder creio que era indispensável ponderar que decisões estratégicas devem ser tomadas.
E sim, quase nada do presente tem a ver com aquilo a que muitos generais e almirantes estavam habituados.
E sim, quase nada do presente tem a ver com aquilo a que muitos comentadores, muitos ditos especialistas e muitos políticos viam acontecer. 
Não digo habituados porque a maioria sempre se habituou a não olhar para o assunto.

O Improviso é um típico da tugolândia. A continuar-se assim o desastre há muito anunciado chegará mais rapidamente.

O professor Monjardino afirmou que é preciso coragem, capacidade para compreender e reconhecer que está tudo imensamente mudado.

Questiono-me: os actuais titulares dos órgãos de soberania estarão mesmo a entender o mundo, o que se passa, será que têm capacidade para compreender e, em consequência, olhar seriamente para os nossos problemas e que papel para Portugal? E decidirem?

Como posso ter confiança em relação ao futuro? Com esta gente?

Fico por aqui, pensarei mais seriamente nisto mais à frente.

Ah, já me esquecia de uma outra e rápida nota.

Quando ouço jornalistas (a maioria verdadeiros pés de microfone) colocar questões sobre os meios militares alocados aos Açores dada a importância das ilhas, fico sem saber se hei-de rir, chorar ou ir vomitar.

Quer os papagaios militares quer os jornalistas quer certos especialistas quer uns quantos inarráveis políticos podiam explicar aos cidadãos como se mede a importância dos Açores.

Podiam começar por dizer que, relativamente a FA, uma medida da importância que os sucessivos Presidentes da República e os sucessivos governos e os sucessivos deputados sempre atribuíram aos Açores assenta por exemplo no facto de, em permanência no arquipélago, a Marinha ter apenas um meio naval, embora normalmente dizendo que se for necessário outros acorrerão.
Quanto à Força Aérea a situação pouco mais é que equivalente.

Não é preciso ter mais que o 4º ano de escolaridade para, olhando à extensão das ZEE e à jurisdição que temos sobre elas e à cobiça internacional, poder meditar sobre a realidade apontada no parágrafo anterior. 
E ir depois ao dicionário procurar o significado das palavras patético e ridículo.

Mas os discursos grandiloquentes como o de hoje do PR ficam sempre bem. 
E no fim houve certamente em Angra do Heroísmo um bom almoço, com os do costume. 
Aposto que o "farol" Carneiro também papou.
AC

quarta-feira, 10 de junho de 2026

15.º Congresso Nacional das Misericórdias
Intervenção do Presidente da República

(MAIS UM EXTENSSÍSSIMO DISCURSO DE ANTÓNIO JOSÉ SEGURO)
(sublinhados da minha responsabilidade)

Começo com um testemunho pessoal.
Sei bem o vosso valor. Sei bem o que as Misericórdias representam, não em abstrato, mas na vida concreta de uma família.
A minha família é testemunha do apoio, do cuidado e do carinho que foi dado a um familiar nosso. E estamos eternamente gratos por isso.

Sei que este testemunho emocionado ecoa por todo o país.
Há milhares de vozes que expressam a mesma gratidão, com as mesmas palavras e com a mesma emoção.
E sei também que, em muitos casos, esse testemunho foi antecedido por um momento de aflição.
O desespero de quem procurou uma resposta para uma necessidade que nem a família nem o Estado conseguem assegurar.
A esse desespero junta-se, muitas vezes, a revolta.
A incompreensão de como o Estado, conhecendo os problemas, não preparou respostas adequadas.

E como o cidadão fica reduzido a duas alternativas: o apoio privado, inacessível para a maioria das famílias portuguesas, ou do setor social, onde as Misericórdias, há séculos, prestam essa ajuda.
É por isso que estou aqui. Com gratidão. Com respeito. E com a convicção de que este Congresso não é apenas um momento de celebração.
É igualmente um momento de responsabilidade partilhada.

Senhoras e Senhores,
A União das Misericórdias Portuguesas celebra este ano meio século de existência.
Cinquenta anos de coordenação, de representação, de defesa de uma causa que é, também, uma causa do Estado.

Ao Dr. Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias, dirijo uma palavra de reconhecimento pelo trabalho que tem feito e pela coragem com que tem nomeado, sem eufemismos, os problemas que o setor enfrenta.
A sua voz tem sido insubstituível neste debate. O Pacto da Saúde precisa vivamente do seu contributo e do contributo das Misericórdias portuguesas. Não é apenas o Pacto, o país precisa verdadeiramente do vosso contributo e da vossa experiência.

Estamos aqui a assinalar os cinquenta anos da União das Misericórdias Portuguesas, mas as Misericórdias têm uma história muito maior.
São uma das mais antigas e mais resistentes redes de solidariedade deste país. Nasceram com uma grande proximidade religiosa, mas o movimento fortaleceu-se através da iniciativa de leigos, enraizado nas comunidades, próximo das pessoas. Muito antes de existir Estado Social, muito antes de existirem políticas públicas de proteção.
E continuam a estar onde, por vezes, o Estado chega tarde, chega pouco ou simplesmente não está presente.

Os números falam por si e precisam de ser ditos, porque raramente são referidos juntos.
Menciono apenas alguns:
388 Misericórdias.
158 mil pessoas apoiadas por dia.
52 mil trabalhadores.
21 hospitais.
508 estruturas residenciais para idosos.
399 creches e estabelecimentos de pré-escolar.
192 unidades de cuidados continuados.


Não é uma rede de apoio social. É uma espinha dorsal da solidariedade do nosso país.
É o país que funciona onde, com frequência, as Misericórdias são a única instituição que tem uma política de proximidade.
E é, em muitas localidades do interior, a principal fonte de emprego. Quem apoia os nossos idosos, quem cuida das nossas crianças, quem assegura os cuidados continuados.

Senhoras e Senhores,
Não posso estar nesta sala sem nomear o que todos sabemos e que é o tema deste Congresso, "a atualidade de uma evolução segura", convoca com urgência.
O Dr. Manuel de Lemos chama de “tsunami social”. Eu tenho utilizado a imagem de bomba-relógio, mas ambos chamamos a atenção para os efeitos dramáticos das alterações demográficas no nosso país e para o aumento da pressão sobre os setores da saúde e da segurança social.

Em duas áreas que já vivemos situações críticas.
Centremos o nosso olhar na questão das residências para idosos.
Segundo a OCDE, 
Portugal é o terceiro país da União Europeia com menos camas por idoso em lares. No setor privado, sem comparticipação, uma cama custa 2,5 vezes o valor de uma reforma média.
Com as mensalidades dos lares a subirem entre 200 e 250 euros num ano.
Esta, é uma conta que não bate certo com os rendimentos das pessoas.
É uma conta que milhares de famílias portuguesas tentam fazer todos os meses, com angústia.

Outro indicador, o 4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal, acrescenta mais um dado preocupante: a falta de lares e o aumento do número de idosos, além da pressão sobre os preços, estão também a aumentar as listas de espera.
Segundo o mesmo estudo, 70% das unidades estão totalmente ocupadas e com listas de espera, sendo que em 36% dos casos o tempo de espera ultrapassa os seis meses.
Agora juntemos a estes dados o agravamento da questão demográfica com o significativo envelhecimento da população.

Somos dos países mais velhos da Europa, e a situação vai agravar-se nas próximas décadas.
Em 2050, seremos o quarto país do mundo com maior proporção de população acima dos 65 anos.
Saúde e Segurança Social são sectores que vão estar fortemente pressionados.
São duas das principais áreas de atividade das Misericórdias portuguesas e já estão a ter uma experiência dramática do que vem aí.
A pressão agrava-se igualmente pela falta de mão de obra.

É bom que muita gente repare que, em muitas localidades, quem trata dos nossos idosos são imigrantes.
Li uma entrevista do Dr. Manuel de Lemos onde refere “no Alentejo, todas as misericórdias têm seis, sete nacionalidades diferentes”.
São elas e eles que, muitas vezes em silêncio, sustentam o que seria um colapso social sem a sua presença.
São estas pessoas, nacionais e imigrantes, a quem devemos também uma palavra de agradecimento e reconhecimento. Pelo seu trabalho, muitas vezes pouco reconhecido socialmente, mas também pela sua dedicação, pelo seu cuidado, pelo seu amor, e compromisso com os utentes, que vai muito para além do que se pode exigir num emprego.

Outra situação tem a ver com a necessidade de se melhorarem estruturas que já têm várias décadas. Instalações de residência sénior e de prestação de cuidados de saúde. E, simultaneamente, de reforçar formas de apoio domiciliário.
Estas são realidades que o Estado conhece. Agora e no passado recente.
E é aqui que tenho de ser direto, sem dramatismo e sem ambiguidade: a solidariedade da sociedade civil não pode substituir a responsabilidade primeira do Estado.

Veja-se o último exemplo: a resposta ao internamento social nos hospitais só está a ser conseguida graças às camas disponibilizadas pelas Misericórdias.
É mais uma vez o setor social a suprir o que o Estado não tem.
E é uma situação que não pode ser aceite como um novo normal.
Eu sei que me repito, mas na verdade é a realidade que se repete, os mesmos problemas com o mesmo tipo de ausência de soluções.

É tempo, e já vamos tarde, para políticas estruturais que atenuem as consequências do envelhecimento populacional.
É tempo para se dar prioridade a iniciativas que permitam dar sustentabilidade às pressões que vamos sentindo na saúde e na segurança social.
Políticas que atravessem legislaturas, que não dependam do calendário eleitoral, que construam respostas para um problema que se vai agravar antes de melhorar.

Os problemas mais relevantes exigem planeamento que atravesse várias legislaturas. Precisam de estabilidade política e de convergência entre as principais forças políticas.
É tempo de olharmos com mais atenção para a qualidade de vida das pessoas com mais idade e para as suas famílias.
Hoje já é grave, e será muito pior quando chegar a nossa vez.

Senhoras e Senhores,
Quero terminar com duas notas que me parecem igualmente importantes.
Sabemos que as Misericórdias desenvolvem atividades com outros grupos etários, designadamente com os mais novos em creches e no pré-escolar, mas é sobre os idosos, que contam com o vosso apoio, que desejo continuar a falar-vos, porque, frequentemente, são esquecidos do discurso público.
E a referência deve-se ao facto de as Misericórdias, com a sua atividade, atenuarem de forma significativa algumas das mais graves diferenças sociais e económicas na sociedade portuguesa.

O principal grupo de beneficiários das Misericórdias são idosos com carreiras contributivas frágeis, reformas baixas, sem capacidade de pagar o mercado privado e sem retaguarda familiar suficiente.
São pessoas que trabalharam uma vida. Que contribuíram para o país que hoje somos. E que agora dependem de uma rede, a vossa rede, para viver com alguma dignidade.
A eles, e às suas famílias, Portugal deve uma resposta melhor do que aquela que tem sido dada.

A segunda nota é sobre o que as Misericórdias fazem, noutra área, e que não se conta nas estatísticas.
O património que preservam, mais de mil imóveis de interesse arquitetónico, oitenta e dois museus e núcleos museológicos.
É um tesouro cultural que, em muitos concelhos, só existe porque as Misericórdias o salvaram.
No património material, as práticas culturais e religiosas que mantêm vivas, muitas vezes através dos irmãos mais idosos, são outro fio de continuidade entre gerações, que políticas públicas não conseguiram replicar.
Estes contributos merecem ser reconhecidos e valorizados, porque, além do mais, têm potencial de promoção cultural e turística em muitos concelhos de escassos recursos.

Dr. Manuel de Lemos, Provedores, Irmãos das Misericórdias,
O tema deste Congresso é "a atualidade de uma evolução segura".
É uma formulação sábia. 
Porque reconhece que evoluir é necessário e que a segurança dessa evolução depende de todos: das Misericórdias, do Estado, das famílias, da sociedade.
Contem com o Presidente da República como aliado nesse caminho.
Como uma voz que amplifica as vossas causas, que nomeia as vossas dificuldades e lembra ao Estado o cumprimento das suas obrigações.
Há cinquenta anos, a União das Misericórdias nasceu para coordenar e representar o que a solidariedade portuguesa tinha de mais organizado e mais consistente.

Hoje, esse papel é mais necessário do que nunca.
O tsunami social que aí vem não se enfrenta com improvisação.
Enfrenta-se com o contributo e com a força de quem tem meio século de experiência e um enraizamento comunitário e de compromisso com as pessoas de vários séculos.
Essa força é a vossa. E Portugal precisa muito dela.
Muito obrigado
.
************************************************

Mais um discurso do actual Presidente da República de uma extensão que diria sonolenta para quem o escutou.

O PR toca em aspectos que serão cada vez mais dramáticos na sociedade portuguesa.
Portugal, lembrou, é um dos países mais envelhecidos e a tendência é para piorar.

Salvo melhor opinião o papel das Misericórdias é de muito aplaudir senão mesmo agradecer. Além das Misericórdias há outras instituições do género que prestam igualmente apoio a idosos. Não me refiro a lares manhosos que infelizmente, alguns, ainda não foram encerrados.

Mas quem ler este discurso e outros do género é capaz de ficar convencido que os custos/ encargos inerentes ao apoio inestimável que fornecem a muitos milhares de portugueses é exclusivamente suportado pelas Misericórdias.
Nem as Misericórdias nem outras instituições de apoio social suportam sozinhas os custos inerentes ao seu apoio.

Por cada utente o Estado via governos apoia num determinado montante em Euros, pelo menos isso.
Estou a falar disto apenas por uma questão de rigor.

O Lar em que a minha mãe está, com uma mensalidade bastante elevada, recebe uma certa quantia por cada utente ali residindo.

A terminar sei bem o que a CRP estabelece. Mas a realidade é que os sucessivos deputados e os sucessivos governos e os sucessivos inquilinos do Palácio de Belém, passam décadas com discursos comoventes como este, do OE e depois via ministério com a responsabilidade directa das questões sociais enviam uns Euros para subsidiar Misericórdias e outras instituições. E ficam contentinhos.

Fiscalizações a sério, a doer, às Misericórdias e outras instituições, não permitir um único lar com instalações e serviços degradantes como periodicamente aparece na comunicação social, ISSO É QUE É MAIS DIFÍCIL. Enfim.

AC

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Sr PRESIDENTE da REPÚBLICA,

Permita que eu sublinhe algumas partes de textos/ leis que enquadram o seu desempenho enquanto Presidente da República, e enquanto Comandante Supremo das Forças Armadas, e sem esquecer que deve zelar pelo regular funcionamento das instituições.
Ora vamos lá. 
Sublinho a bold colorido aquilo que não deve ser esquecido!!!!!!

Da Constituição da nossa mal tratada República:
Artº 134º - Competência para prática de actos próprios:
a) Exercer as funções Comandante Supremo das Forças Armadas

Do, Diário da República, 1ª série-Nº 166-29 de Agosto de 2014, republicação da Lei Orgânica n.º 1-B/2009, de 7 de Julho depois de alterações em 2014, referendada em 21 de Agosto de 2014 pelo Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, em vigor após publicação:

CAPÍTULO II
Política de defesa nacional
Artigo 4º
Componentes da política de defesa nacional

1 - A política de defesa nacional integra os princípios, objetivos, orientações e prioridades definidos na Constituição, na presente lei, no programa do Governo e no conceito estratégico de defesa nacional.
2 - Para além da sua componente militar, a política de defesa nacional compreende as políticas setoriais do Estado cujo contributo é necessário para a realização do interesse estratégico de Portugal e cumprimento dos objetivos da defesa nacional.

Artigo 5º
Objetivos permanentes da política de defesa nacional

A política de defesa nacional visa assegurar, permanentemente e com carácter nacional:
a) A soberania do Estado, a independência nacional, a integridade do território e os valores fundamentais da ordem constitucional;
b) A liberdade e a segurança das populações, bem como os seus bens e a proteção do património nacional;
c) A liberdade de ação dos órgãos de soberania, o regular funcionamento das instituições democráticas e a possibilidade de realização das funções e tarefas essenciais do Estado;
d) Assegurar a manutenção ou o restabelecimento da paz em condições que correspondam aos interesses nacionais; 

e) Contribuir para o desenvolvimento das capacidades morais e materiais da comunidade nacional, de modo que possa prevenir ou reagir pelos meios adequados a qualquer agressão ou ameaça externas.

CAPÍTULO III
Responsabilidades dos órgãos do Estado

Artigo 8º
Órgãos responsáveis em matéria de defesa nacional

1 - São diretamente responsáveis pela defesa nacional:
a) O Presidente da República;
b) A Assembleia da República;
c) O Governo;
d) O Conselho Superior de Defesa Nacional; 

2 - Além dos órgãos referidos no número anterior, são diretamente responsáveis pelas Forças Armadas e pela componente militar da defesa nacional:

a) (Revogada.)
b) O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Arma- das;
c) Os Chefes do Estado-Maior da Armada, do Exército e da Força Aérea.

Artigo 9º
Presidente da República

1 - O Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, o Comandante Supremo das Forças Armadas.

2 - Sem prejuízo de outras competências que lhe sejam atribuídas pela Constituição ou pela lei, compete ao Presidente da República, em matéria de defesa nacional:
a) Exercer as funções de Comandante Supremo das Forças Armadas;
b) Declarar a guerra, em caso de agressão efetiva ou iminente, e fazer a paz, sob proposta do Governo, ouvido o Conselho de Estado e mediante autorização da Assembleia da República, ou, quando esta não estiver reunida, nem for possível a sua reunião imediata, da sua Comissão Permanente;
c) Assumir a direção superior da guerra, em conjunto com o Governo, e contribuir para a manutenção do espírito de defesa;
d) Declarar o estado de sítio e o estado de emergência, ouvido o Governo e mediante autorização da Assembleia da República, ou, quando esta não estiver reunida, nem for possível a sua reunião imediata, da sua Comissão Per-manente;
e) Ratificar os tratados internacionais em que o Estado assume responsabilidades internacionais no domínio da defesa, nomeadamente os tratados de participação de Portu- gal em organizações internacionais de segurança e defesa, bem como os tratados de paz, de defesa, de retificação de fronteiras e os respeitantes a assuntos militares;
f) Presidir ao Conselho Superior de Defesa Nacional;
g) Nomear e exonerar, sob proposta do Governo, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, bem como, ouvido o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, os Chefes do Estado-Maior da Armada, do Exército e da Força Aérea;
h) Nomear e exonerar, sob proposta do Governo, os comandantes ou representantes militares junto das organizações internacionais de que Portugal faça parte, bem como os oficiais generais, comandantes de força naval, terrestre ou aérea, designados para o cumprimento de missões internacionais naquele quadro.

Artigo 10.o
Comandante Supremo das Forças Armadas


1 - As funções de Comandante Supremo das Forças Armadas, atribuídas constitucionalmente por inerência ao Presidente da República, compreendem os seguintes direitos e deveres:
a) Dever de contribuir, no âmbito das suas competências constitucionais, para assegurar a fidelidade das Forças Armadas à Constituição e às instituições democráticas;
b) Direito de ser informado pelo Governo acerca da situação das Forças Armadas;
c) Direito de ser previamente informado pelo Governo, através de comunicação fundamentada, sobre o emprego das Forças Armadas em missões que envolvam a colaboração com as forças e os serviços de segurança contra agressões ou ameaças transnacionais;
d) Dever de aconselhar em privado o Governo acerca da condução da política de defesa nacional;
e) Direito de ocupar o primeiro lugar na hierarquia das Forças Armadas;
f) Consultar o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e os Chefes do Estado-Maior da Armada, do Exército e da Força Aérea, em matérias de defesa nacional;
g) Conferir, por iniciativa própria, condecorações militares.


Queira desculpar a maçada, mas era só para lembrar estes "piquenos" detalhes, como diria a Dra Manuela Ferreira Leite.

António Cabral (AC)

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Como já referi e ainda conservando alguma paciência estou calmamente a reler discursos agora com atenção.
Aqui fica o da,

Intervenção do Presidente da República 
e Comandante Supremo na Cerimónia de apresentação das Forças Armadas
28 de março de 2026

(comentários meus, sublinhados meus)

É para mim uma honra presidir a esta cerimónia, aqui na cidade de Santarém, berço de tantas tradições e palco de momentos históricos que moldaram Portugal. Santarém é, por excelência, uma cidade que acolhe, que abraça e que valoriza os seus acontecimentos cívicos e militares. Neste dia, como em tantos outros, demonstra a sua capacidade singular de unir património, memória e identidade nacional ao serviço das causas maiores do nosso país.

Santarém recebe por mérito próprio esta cerimónia, onde ecoa a lembrança de uma figura singular da nossa História recente: o Capitão Salgueiro Maia.

Daqui partiu uma força militar, comandada por este homem cuja determinação, coragem e liderança contribuíram decisivamente para mudar o rumo de Portugal.

Assim, recordar hoje Salgueiro Maia é celebrar a liderança virtuosa, a integridade sem concessões e o sentido de dever absoluto que caracteriza a excelência do nosso povo e das nossas Forças Armadas.

Dirijo por isso uma palavra de profundo agradecimento à família de Salgueiro Maia, na pessoa da Senhora Professora Natércia Maia, bem como à Associação Salgueiro Maia que continuam a avivar o legado daquele que é um dos maiores símbolos da liberdade.

Agradeço igualmente à Associação 25 de Abril, guardiã da memória daqueles que, com sacrifício e abnegação, devolveram ao povo português o direito de ser livre.

Quero também prestar homenagem aos Antigos Combatentes que em momentos difíceis da nossa história serviram Portugal com coragem, sacrifício e sentido de dever. A sua entrega, muitas vezes marcada por sofrimento e perda, permanece como um exemplo de dedicação à Pátria e serviço a Portugal.

Com este desígnio, expresso a profunda consideração pelas Forças Armadas Portuguesas, instituição que há quase nove séculos tem afirmado o seu espírito de bem servir o nosso país, dentro e fora das nossas fronteiras. É graças ao vosso profissionalismo, competência, dedicação e disciplina que Portugal continua a ser um exemplo de credibilidade internacional, de solidariedade, de capacidade de resposta e de cooperação multilateral.

E é a vós, aqui hoje, em Santarém, nesta cerimónia de apresentação das Forças Armadas, que, enquanto Comandante Supremo, vos dirijo as minhas próximas palavras de reconhecimento.

As nossas Forças Armadas representam um pilar (podia ter referido que é o pilar militar da defesa nacional mas que não é a defesa nacional) fundamental da nossa democracia e uma das instituições mais nobres enquanto comunidade nacional.

Numa sociedade livre, as Forças Armadas são, antes de mais, uma instituição ao serviço do povo, subordinada à Constituição da República e ao poder democrático legitimo. A vossa força não reside apenas na capacidade operacional.
Reside também na condição militar (e aqui podia ter referido que grande parte da legislação que respeita à condição militar tem sido desprezada pelos sucessivos titulares de ´órgãos de soberania), na neutralidade política e no compromisso absoluto com os valores do Estado de Direito Democrático. Esta fidelidade à democracia é um dos maiores patrimónios das Forças Armadas de Portugal.

Ser militar em democracia impõe, por isso, um equilíbrio exigente: cumprir com determinação todas as missões, mantendo sempre o respeito pelas instituições, pelos direitos fundamentais e pela vontade soberana dos cidadãos. Exige também uma consciência clara de que a vossa autoridade decorre da confiança do povo. Uma confiança que se constrói todos os dias, com profissionalismo, integridade e sentido de serviço.

Soldados de Portugal

Vivemos hoje um contexto internacional particularmente exigente, marcado por incertezas e novas ameaças. A comunidade internacional atravessa um período de mutações profundas, de uma potencial fragmentação política, de erosão do Direito Internacional, de tentativas de esvaziamento das organizações multilaterais e de uma preocupante reemergência de conflitos armados de alta intensidade, com expressão mais recente na Europa e no Próximo e Médio Oriente.

Desde o início do conflito na Ucrânia, a Europa despertou para uma realidade que muitos julgavam ultrapassada.

A perceção do valor inquestionável da segurança coletiva alterou-se de forma abrupta, obrigando os Estados a tomarem medidas compatíveis com a missão de defesa e salvaguarda da soberania nacional e do nosso Povo.

Os compromissos internacionais que assumimos bem como a evolução dos sistemas e a necessidade de maior interoperabilidade com os nossos Aliados na União Europeia e na NATO, exige-nos o investimento, a modernização e o reforço das capacidades militares. Não, exige-se em primeiro lugar ponderar com urgência (e já estamos atrasados) que Forças Armadas deve Portugal ter; continuamos com o modelo de sempre, sem atendermos ao que a nossa dimensão Oceãnica e inerente jurisdição que sobre ela temos impõe; não param para pensar, ponderar, fica/ ficam-se pelos chavões habituais)

A estes desafios somam-se outros de natureza global como: as alterações climáticas e as catástrofes naturais associadas, a emergência de tecnologias disruptivas, com impacto direto na economia e no domínio militar, as pressões demográficas e os fluxos migratórios significativos, bem como a crescente competição por recursos energéticos e naturais críticos.

Uma complexidade de temas que exige uma resposta refletida e coordenada. Foi com este objetivo que convoquei o Conselho de Estado para o próximo dia 17 de abril, exclusivamente para analisar Segurança e Defesa (a política de defesa cabe constitucionalmente aos governos, está a começar a seguir as más pisadas de Marcelo, só lhe falta dizer - são/ somos os melhores dos melhores).

Trata-se de um quadro complexo, dinâmico e de risco acrescido, que exige dos Estados uma atitude mais assertiva das Forças Armadas um nível de prontidão e modernização sem precedentes.

Por isso, quero deixar claro: as Forças Armadas podem contar com o meu total apoio num reforço que se pretende sério e equilibrado de modernização. Podem contar com o meu apoio, mas importa frisar que esta necessidade de modernização ocorre em simultâneo, num quadro de urgências nacionais em particular nas áreas sociais (e aqui lá começou a travar o entusiasmo!).

Este investimento tem de ser um investimento inteligente. (continuou a travar)
Um investimento que envolva e valorize a indústria nacional, que ajude a criar mais riqueza e melhores empregos no nosso país. Um investimento que estimule a inovação tecnológica e reforce um sistema científico nacional capaz de servir tanto a economia como a defesa do nosso país. Um verdadeiro sistema de aplicação dual ao serviço de Portugal e que permita posicionar o nosso país como referência em determinadas áreas tecnológicas.

Nesta matéria, importa reconhecer que a indústria de defesa nacional e europeia, apesar das evoluções verificadas no passado recente, enfrenta ainda limitações. A velocidade de resposta industrial está a crescer, no sentido de uma resposta articulada às necessidades prementes de reequipamento, inovação e investigação. Esta realidade tem impactos, não apenas na modernização das Forças Armadas, mas também no processo da atratividade da profissão militar e na permanência de militares ao serviço de Portugal.

Modernizar não é apenas adquirir meios. É cuidar das nossas mulheres e homens ao serviço de Portugal.

É melhorar condições, valorizar carreiras, garantir previsibilidade e dignidade a quem serve o nosso país com tanta dedicação. É assegurar que cada militar tem os meios, a formação e o apoio necessários para cumprir a sua missão com segurança e com defesa.

Minhas senhoras e meus senhores

Hoje, mais do que nunca, precisamos de tornar a carreira militar atrativa para os nossos jovens (blá, blá, blá, blá).

O pleno reconhecimento da condição militar, distintiva e única no espetro nacional (não esteve em governo, não foi chefe de partido, não foi líder parlamentar, o que fez 
então para isto?), bem como das pensões e incentivos associados, a par da resposta na qualidade da formação técnica de alta qualidade e a ampliação de capacidades tecnológicas, constituem medidas essenciais, quer para o incremento de talentos nacionais, quer para garantir que os nossos quadros permaneçam motivados, empenhados e capacitados para enfrentar os desafios do presente e do futuro.

Não há Forças Armadas sem recursos humanos, e por esta razão é imperativo afirmar, com ações consequentes, que as “pessoas” continuam a ser o principal pilar das Forças Armadas.

A profissão militar continua a ser uma das mais nobres que um cidadão pode abraçar. Requer disciplina, sacrifício, disponibilidade permanente, lealdade e um profundo sentido de missão. Impõe um compromisso diário com Portugal, com o bem comum e com os valores que nos definem como nação. Cada militar, independentemente do seu posto ou função, é um exemplo vivo do serviço (pessimamente remunerado) a Portugal.

Militares de Portugal

Como vosso Comandante Supremo das Forças Armadas, assumo hoje perante vós, o compromisso de promover a valorização da cidadania nacional, essencial no reforço da coesão e prestígio das Forças Armadas. Desenvolver os esforços adequados no sentido de elevar a prontidão, a capacidade operacional e a interoperabilidade das Forças Armadas, que são um imperativo nacional.

Defendo uma modernização que não se limite aos equipamentos, mas que vá mais longe. Que integre os diferentes vetores de desenvolvimento nacionais e que fortaleça a cultura organizacional. (pois)

Esta transformação deve continuar a abranger outras dimensões, como o contributo das Forças Armadas para a inovação nacional. Hoje, mais do que nunca, a cooperação com a indústria, com os centros de investigação e com as universidades, é decisiva. É desta colaboração que nascem novas soluções, novas capacidades e novos conhecimentos que fortalecem o nosso país.

Este trabalho conjunto gera impacto real: impulsiona a economia, promove o desenvolvimento nacional e afirma Portugal como um país moderno, atrativo e referencial no quadro europeu e internacional.

É com esta visão integrada que continuaremos (continuaremos pressupõe que já vinha sendo feito, certo?) a construir Forças Armadas capazes de atuar com credibilidade em todo o território nacional e nos espaços interterritoriais, sempre harmonizadas com os nossos aliados e parceiros internacionais.

Quero ainda aproveitar este momento para dirigir uma palavra de sentido agradecimento aos nossos militares que integram missões fora das nossas fronteiras e respetivas famílias que constituem o seu apoio incondicional de retaguarda.

Como Comandante Supremo das Forças Armadas quero que saibam que valorizo o vosso papel único e essencial na promoção e desenvolvimento da segurança e estabilidade internacional. Enquanto vetor fundamental da política externa portuguesa, as nossas Forças Nacionais Destacadas, afirmam todos os dias os nossos compromissos internacionais cumprindo as mais variadas missões no âmbito da NATO, da União Europeia, da ONU e da CPLP. O vosso sentido de missão, amplamente apreciado pelos nossos parceiros internacionais, robustece, a fiabilidade, a credibilidade e a responsabilidade de Portugal na defesa coletiva e na promoção da paz e dos direitos humanos.

Sei que por detrás de cada missão há famílias, há ausências, há riscos assumidos com coragem. Sei o que significa partir sem saber exatamente quando se regressa, cumprir longe de casa, muitas das vezes em contextos difíceis, perigosos e exigentes. E sei também que, muitas das vezes, o vosso trabalho não é visível, mas é sempre essencial. Repito: essencial.

Além de tudo o que já referi, quero enaltecer, de forma muito clara, o contributo absolutamente determinante das Forças Armadas para a resposta nacional em situações de emergência. Os acontecimentos deste inverno demonstraram-no de forma inequívoca. Obrigado em nome de Portugal.

Marinha, Exército e Força Aérea atuaram lado a lado – mesmo enfrentando danos nas suas próprias infraestruturas – garantindo segurança, apoio humanitário e capacidade de resposta onde ela era mais urgente.

Fizeram-no, apesar de simultaneamente enfrentarem esses danos nas suas próprias infraestruturas.

Quer perante catástrofes naturais, quer em falhas nas infraestruturas críticas, ou ainda em ocorrências que continuam a afetar diversas regiões, a capacidade de comando e controlo, o treino especializado e os recursos de duplo uso revelam-se, sistematicamente, um valor inestimável para Portugal. As Forças Armadas estiveram – e continuam a estar – onde o país mais precisa delas: ao lado das populações, garantindo segurança, apoio e esperança nos momentos mais difíceis.

A vossa experiência, o vosso conhecimento, a vossa capacidade de organização e de planeamento são ativos nacionais que devem ser plenamente aproveitados.

Militares de Portugal

Apesar dos desafios, mantenho uma convicção profunda: a força de Portugal está assente na Segurança, na observância dos nossos compromissos, na afirmação e defesa da nossa soberania e no apoio permanente ao povo português.

Portugal tem todas as condições para garantir a segurança, o progresso e a liberdade das futuras gerações. Temos história, temos valores, temos instituições sólidas e temos mulheres e homens que, todos os dias, dão o melhor de si pela nossa bandeira.

Militares de Portugal

Como Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas e em nome do povo português, agradeço profundamente o vosso serviço, a vossa lealdade e a vossa dedicação a Portugal. Sei que o vosso empenho diário é feito de coragem, de dedicação e de sacrifício.

Portugal confia (confia mas através dos ex e actuais titulares de órgãos de soberania pouco vos tem ligado) em vós. Confia na vossa preparação, na vossa lealdade e na vossa dedicação a Portugal.

Enquanto Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, quero que saibam que estarei sempre ao vosso lado, com exigência, com respeito e com sentido de responsabilidade.

Conto convosco como sempre o país contou: com profissionalismo, com sentido de dever e com espírito de missão.

E quero que saibam que podem contar comigo.

Sempre por Portugal!

Bom dia
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida. 
Boa sorte e bom inicio de fim de semana
AC

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Quando no presente vejo certas decisões sobre meios para as Forças Armadas, 

quando me recordo que Portugal com os "sabichões" (??) de então (civis e militares) redigiu em 2013 um chamado Conceito Estratégico de Defesa Nacional, 

quando verifico um mundo completamente às avessas e que praticamente nada tem a ver com 2013, 

quando vejo ideias (???difíceis de adjectivar para colmatar questões de efectivos, 

ah, apetece-me muita coisa e muito por exemplo olhar ao que Eça considerava da nossa Marinha em 1900.

E o que diria hoje Eça sobre o oferecer a carta de condução, ou convidar juventude para ver noites estreladas dentro de um
quartel como uns tontos propuseram não há muitos anos?

António Cabral (AC)

A Marinha, segundo Eça de Queirós:

(...)

Mas, meus senhores, antes de tudo, nós não temos marinha! Singular coisa! Nós só temos marinha pelo motivo de termos colónias — e justamente as nossas colónias não prosperam porque não temos marinha! Todavia a nossa marinha, ausente dos mares, sulca profundamente o orçamento. Gasta 1159 000$000!

Que realidade corresponde a esta fantasmagoria das cifras? uns poucos de navios defeituosos, velhos, decrépitos, quase inúteis, sem artilharia, sem condições de navegabilidade, com cordame podre, a mastreação carunchosa, a história obscura. E uma marinha inválida. A D. João tem 50 anos, o breu cobre-lhe as cãs: o seu maior desejo seria aposentar-se como barca de banhos.

A Pedro Nunes está em tal estado, que, vendida, dá uma soma que o pudor nos impede de escrever. O Estado pode comprar um chapéu no Roxo com a Pedro Nunes — mas não pode pedir troco.

A Mindelo tem um jeito: deita-se. No mar alto, todas as suas tendências, todos os seus esforços são para se deitar. Os oficiais de marinha que embarcam neste vaso fazem disposições finais. A Mindelo é um esquife — a hélice.

A Napier saiu um dia para uma possessão. Conseguiu lá chegar; mas exausta, não quis, não pôde voltar. Pediu-se-lhe, lembrou-se-lhe a honra nacional, citou-se-lhe Camões, o Sr. Melício, todas as nossas glórias. A Napier insensível, como morta, não se mexeu.

Das 8 corvetas que possuímos são inúteis para combate ou para transporte — todas as 8. Nem construção para entrar em fogo, nem capacidade para conduzir tropa. Não têm aplicação. Há ideia de as alugar como hotéis. A nossa esquadra é uma colecção de jangadas disfarçadas! E este grande povo de navegadores acha-se reduzido a admirar o vapor de Cacilhas!

Têm um único mérito estes navios perante uma agressão estrangeira: impor pelo respeito da idade. Quem ousaria atacar as cãs destes velhos?

Já se quis muitas vezes introduzir nas fileiras destes vasos caducos — alguns navios novos, ágeis, robustos. Tentou-se primeiro comprá-los.

Sucedeu o caso da corveta Hawks. Era esta corveta uma carcaça britânica, que o Almirantado mandava vender pela madeira — como se vende um livro pelo peso. Por esse tempo o Governo português — morgado de província ingénuo e generoso — travou conhecimento com a Hawks, e comprou a Hawks. E quando mais tarde, para glória da monarquia, quis usar dela, a Hawks, com um impudor abjecto — desfez-se-lhe nas mãos!

Estava podre! Nem fingir soube! Tinha custado muitas mil libras.

Tentou-se então construir em Portugal. Sabia-se que o Arsenal é uma instituição verdadeiramente informe: nem oficinas, nem instrumentos, nem engenheiros, nem organização, nem direcção. Tentou-se todavia — e fez-se nos estaleiros a Duque da Terceira. Foi meter máquina a Inglaterra. E aí se descobre que a tenra Duque da Terceira, da idade de meses, tinha o fundo podre! Foi necessário gastar com ela mais cento e tantos contos.

Nova tentativa. Entra nos estaleiros a Infante D. João. 87 contos de despesa. Vai meter máquina a Inglaterra. Fundo podre! O Arsenal perdia a cabeça! Aquela podridão começava a apresentar-se com um carácter de insistência verdadeiramente antipatriótica! Os engenheiros em Inglaterra já se não aproximavam dos navios portugueses senão em bicos de pés — e com o lenço no nariz. As construções saídas do Arsenal sucumbiam de podridão fulminante. A Infante D. João custou em Inglaterra, mais cento e tantos contos!

O Arsenal, humilhado no género navio, começou a tentar a especialidade lancha.

Fez uma a vapor. Lança-se ao Tejo, alegria nacional, colchas, foguetes, bandeirolas... E a lancha não anda! Dá-se-lhe toda a força, geme a máquina, range o costado — e a lancha imóvel! Mas de repente faz um movimento... Alegria inesperada, desilusão imediata! A lancha recuava. Era uma brisa que a repelia. Em todas as experiências a lancha recuava com extrema condescendência: brisa ou corrente tudo a levava, mas para trás. Para diante, não ia. Pegava-se! O Arsenal tinha feito uma lancha a vapor que só podia avançar — puxada a bois. O País riu durante um mês. O Arsenal roeu a humilhação, encetou a espécie caíque. Ainda o havemos de ver, no género construção em madeira, cultivar — o palito!

A nossa glória, inquestionavelmente, é a Estefânia. Parece que poucas nações possuem um vaso de guerra tão bem tapetado! O orgulho daquele navio é rivalizar com os quartos do Hotel Central. E um salão de Verão surto no Tejo. E no Tejo realmente dá-se bem. No mar alto, não! Aí tem tonturas. Não nasceu para aquilo: um navio é um organismo, e como tal pode ter vocações: a vocação da Estefânia era ser gabinete de toilette. E pacata como um conselheiro. E uma fragata do Tribunal de Contas! Por isso quando a quiseram levar a Suez, quantos desgostos deu à sua Pátria! quantas brancas fez à honra nacional! É verdade que os cabos novos, da Cordoaria Nacional (sempre tu, ó terra do nosso berço!) quebraram como linhas, e ninguém lhes pode contestar que tivessem esse direito. A marinhagem também não quis subir às vergas (opinião respeitável, porque a noite estava fria). Alguns aspirantes choraram de entusiasmo pela Pátria. O capelão quis confessar os navegadores.

O caso foi muito falado nesse tempo. Mais celebrado que a descoberta da Índia.

Essa só teve Camões que naufragou; — a viagem da Estefânia teve o Sr. O. Vasconcelos que arribou! Tanto é semelhante o destino dos que cultivam o ideal! O facto é que desde então brilha no Tejo, tranquila, reluzente e vaidosa — a Estefânia, corveta mobilada pelos Srs. Gardé e Raul de Carvalho.

(…)

Eça de Queirós, «A Marinha e as Colónias», em Uma campanha alegre (1890-1891)

sábado, 9 de maio de 2026

sexta-feira, 8 de maio de 2026

JORNALISTAS

A  propósito de jornalistas, quando Marcelo estava em Belém dizia-se que ele tinha preferências por certos jornalistas.

Dizia-se mais (vários factos e textos sempre o foram confirmando), que havia uma criatura que era a principal fornecedora de certos recados de Marcelo, certas preocupações, certas intenções, certos quase desvarios.

Agora que se vai observando que o actual PR segue pisadas do seu antecessor em certos domínios (basta ler com atenção o sítio de Belém) essa criatura continuará a ter acesso privilegiado a informação fidedigna lá no palácio?

Substituída por outra criatura?

Sou estou a perguntar, mais nada!

Bom dia, e bom início de fim de semana.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida. Boa sorte.

AC