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quarta-feira, 10 de junho de 2026

15.º Congresso Nacional das Misericórdias
Intervenção do Presidente da República

(MAIS UM EXTENSSÍSSIMO DISCURSO DE ANTÓNIO JOSÉ SEGURO)
(sublinhados da minha responsabilidade)

Começo com um testemunho pessoal.
Sei bem o vosso valor. Sei bem o que as Misericórdias representam, não em abstrato, mas na vida concreta de uma família.
A minha família é testemunha do apoio, do cuidado e do carinho que foi dado a um familiar nosso. E estamos eternamente gratos por isso.

Sei que este testemunho emocionado ecoa por todo o país.
Há milhares de vozes que expressam a mesma gratidão, com as mesmas palavras e com a mesma emoção.
E sei também que, em muitos casos, esse testemunho foi antecedido por um momento de aflição.
O desespero de quem procurou uma resposta para uma necessidade que nem a família nem o Estado conseguem assegurar.
A esse desespero junta-se, muitas vezes, a revolta.
A incompreensão de como o Estado, conhecendo os problemas, não preparou respostas adequadas.

E como o cidadão fica reduzido a duas alternativas: o apoio privado, inacessível para a maioria das famílias portuguesas, ou do setor social, onde as Misericórdias, há séculos, prestam essa ajuda.
É por isso que estou aqui. Com gratidão. Com respeito. E com a convicção de que este Congresso não é apenas um momento de celebração.
É igualmente um momento de responsabilidade partilhada.

Senhoras e Senhores,
A União das Misericórdias Portuguesas celebra este ano meio século de existência.
Cinquenta anos de coordenação, de representação, de defesa de uma causa que é, também, uma causa do Estado.

Ao Dr. Manuel de Lemos, presidente da União das Misericórdias, dirijo uma palavra de reconhecimento pelo trabalho que tem feito e pela coragem com que tem nomeado, sem eufemismos, os problemas que o setor enfrenta.
A sua voz tem sido insubstituível neste debate. O Pacto da Saúde precisa vivamente do seu contributo e do contributo das Misericórdias portuguesas. Não é apenas o Pacto, o país precisa verdadeiramente do vosso contributo e da vossa experiência.

Estamos aqui a assinalar os cinquenta anos da União das Misericórdias Portuguesas, mas as Misericórdias têm uma história muito maior.
São uma das mais antigas e mais resistentes redes de solidariedade deste país. Nasceram com uma grande proximidade religiosa, mas o movimento fortaleceu-se através da iniciativa de leigos, enraizado nas comunidades, próximo das pessoas. Muito antes de existir Estado Social, muito antes de existirem políticas públicas de proteção.
E continuam a estar onde, por vezes, o Estado chega tarde, chega pouco ou simplesmente não está presente.

Os números falam por si e precisam de ser ditos, porque raramente são referidos juntos.
Menciono apenas alguns:
388 Misericórdias.
158 mil pessoas apoiadas por dia.
52 mil trabalhadores.
21 hospitais.
508 estruturas residenciais para idosos.
399 creches e estabelecimentos de pré-escolar.
192 unidades de cuidados continuados.


Não é uma rede de apoio social. É uma espinha dorsal da solidariedade do nosso país.
É o país que funciona onde, com frequência, as Misericórdias são a única instituição que tem uma política de proximidade.
E é, em muitas localidades do interior, a principal fonte de emprego. Quem apoia os nossos idosos, quem cuida das nossas crianças, quem assegura os cuidados continuados.

Senhoras e Senhores,
Não posso estar nesta sala sem nomear o que todos sabemos e que é o tema deste Congresso, "a atualidade de uma evolução segura", convoca com urgência.
O Dr. Manuel de Lemos chama de “tsunami social”. Eu tenho utilizado a imagem de bomba-relógio, mas ambos chamamos a atenção para os efeitos dramáticos das alterações demográficas no nosso país e para o aumento da pressão sobre os setores da saúde e da segurança social.

Em duas áreas que já vivemos situações críticas.
Centremos o nosso olhar na questão das residências para idosos.
Segundo a OCDE, 
Portugal é o terceiro país da União Europeia com menos camas por idoso em lares. No setor privado, sem comparticipação, uma cama custa 2,5 vezes o valor de uma reforma média.
Com as mensalidades dos lares a subirem entre 200 e 250 euros num ano.
Esta, é uma conta que não bate certo com os rendimentos das pessoas.
É uma conta que milhares de famílias portuguesas tentam fazer todos os meses, com angústia.

Outro indicador, o 4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal, acrescenta mais um dado preocupante: a falta de lares e o aumento do número de idosos, além da pressão sobre os preços, estão também a aumentar as listas de espera.
Segundo o mesmo estudo, 70% das unidades estão totalmente ocupadas e com listas de espera, sendo que em 36% dos casos o tempo de espera ultrapassa os seis meses.
Agora juntemos a estes dados o agravamento da questão demográfica com o significativo envelhecimento da população.

Somos dos países mais velhos da Europa, e a situação vai agravar-se nas próximas décadas.
Em 2050, seremos o quarto país do mundo com maior proporção de população acima dos 65 anos.
Saúde e Segurança Social são sectores que vão estar fortemente pressionados.
São duas das principais áreas de atividade das Misericórdias portuguesas e já estão a ter uma experiência dramática do que vem aí.
A pressão agrava-se igualmente pela falta de mão de obra.

É bom que muita gente repare que, em muitas localidades, quem trata dos nossos idosos são imigrantes.
Li uma entrevista do Dr. Manuel de Lemos onde refere “no Alentejo, todas as misericórdias têm seis, sete nacionalidades diferentes”.
São elas e eles que, muitas vezes em silêncio, sustentam o que seria um colapso social sem a sua presença.
São estas pessoas, nacionais e imigrantes, a quem devemos também uma palavra de agradecimento e reconhecimento. Pelo seu trabalho, muitas vezes pouco reconhecido socialmente, mas também pela sua dedicação, pelo seu cuidado, pelo seu amor, e compromisso com os utentes, que vai muito para além do que se pode exigir num emprego.

Outra situação tem a ver com a necessidade de se melhorarem estruturas que já têm várias décadas. Instalações de residência sénior e de prestação de cuidados de saúde. E, simultaneamente, de reforçar formas de apoio domiciliário.
Estas são realidades que o Estado conhece. Agora e no passado recente.
E é aqui que tenho de ser direto, sem dramatismo e sem ambiguidade: a solidariedade da sociedade civil não pode substituir a responsabilidade primeira do Estado.

Veja-se o último exemplo: a resposta ao internamento social nos hospitais só está a ser conseguida graças às camas disponibilizadas pelas Misericórdias.
É mais uma vez o setor social a suprir o que o Estado não tem.
E é uma situação que não pode ser aceite como um novo normal.
Eu sei que me repito, mas na verdade é a realidade que se repete, os mesmos problemas com o mesmo tipo de ausência de soluções.

É tempo, e já vamos tarde, para políticas estruturais que atenuem as consequências do envelhecimento populacional.
É tempo para se dar prioridade a iniciativas que permitam dar sustentabilidade às pressões que vamos sentindo na saúde e na segurança social.
Políticas que atravessem legislaturas, que não dependam do calendário eleitoral, que construam respostas para um problema que se vai agravar antes de melhorar.

Os problemas mais relevantes exigem planeamento que atravesse várias legislaturas. Precisam de estabilidade política e de convergência entre as principais forças políticas.
É tempo de olharmos com mais atenção para a qualidade de vida das pessoas com mais idade e para as suas famílias.
Hoje já é grave, e será muito pior quando chegar a nossa vez.

Senhoras e Senhores,
Quero terminar com duas notas que me parecem igualmente importantes.
Sabemos que as Misericórdias desenvolvem atividades com outros grupos etários, designadamente com os mais novos em creches e no pré-escolar, mas é sobre os idosos, que contam com o vosso apoio, que desejo continuar a falar-vos, porque, frequentemente, são esquecidos do discurso público.
E a referência deve-se ao facto de as Misericórdias, com a sua atividade, atenuarem de forma significativa algumas das mais graves diferenças sociais e económicas na sociedade portuguesa.

O principal grupo de beneficiários das Misericórdias são idosos com carreiras contributivas frágeis, reformas baixas, sem capacidade de pagar o mercado privado e sem retaguarda familiar suficiente.
São pessoas que trabalharam uma vida. Que contribuíram para o país que hoje somos. E que agora dependem de uma rede, a vossa rede, para viver com alguma dignidade.
A eles, e às suas famílias, Portugal deve uma resposta melhor do que aquela que tem sido dada.

A segunda nota é sobre o que as Misericórdias fazem, noutra área, e que não se conta nas estatísticas.
O património que preservam, mais de mil imóveis de interesse arquitetónico, oitenta e dois museus e núcleos museológicos.
É um tesouro cultural que, em muitos concelhos, só existe porque as Misericórdias o salvaram.
No património material, as práticas culturais e religiosas que mantêm vivas, muitas vezes através dos irmãos mais idosos, são outro fio de continuidade entre gerações, que políticas públicas não conseguiram replicar.
Estes contributos merecem ser reconhecidos e valorizados, porque, além do mais, têm potencial de promoção cultural e turística em muitos concelhos de escassos recursos.

Dr. Manuel de Lemos, Provedores, Irmãos das Misericórdias,
O tema deste Congresso é "a atualidade de uma evolução segura".
É uma formulação sábia. 
Porque reconhece que evoluir é necessário e que a segurança dessa evolução depende de todos: das Misericórdias, do Estado, das famílias, da sociedade.
Contem com o Presidente da República como aliado nesse caminho.
Como uma voz que amplifica as vossas causas, que nomeia as vossas dificuldades e lembra ao Estado o cumprimento das suas obrigações.
Há cinquenta anos, a União das Misericórdias nasceu para coordenar e representar o que a solidariedade portuguesa tinha de mais organizado e mais consistente.

Hoje, esse papel é mais necessário do que nunca.
O tsunami social que aí vem não se enfrenta com improvisação.
Enfrenta-se com o contributo e com a força de quem tem meio século de experiência e um enraizamento comunitário e de compromisso com as pessoas de vários séculos.
Essa força é a vossa. E Portugal precisa muito dela.
Muito obrigado
.
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Mais um discurso do actual Presidente da República de uma extensão que diria sonolenta para quem o escutou.

O PR toca em aspectos que serão cada vez mais dramáticos na sociedade portuguesa.
Portugal, lembrou, é um dos países mais envelhecidos e a tendência é para piorar.

Salvo melhor opinião o papel das Misericórdias é de muito aplaudir senão mesmo agradecer. Além das Misericórdias há outras instituições do género que prestam igualmente apoio a idosos. Não me refiro a lares manhosos que infelizmente, alguns, ainda não foram encerrados.

Mas quem ler este discurso e outros do género é capaz de ficar convencido que os custos/ encargos inerentes ao apoio inestimável que fornecem a muitos milhares de portugueses é exclusivamente suportado pelas Misericórdias.
Nem as Misericórdias nem outras instituições de apoio social suportam sozinhas os custos inerentes ao seu apoio.

Por cada utente o Estado via governos apoia num determinado montante em Euros, pelo menos isso.
Estou a falar disto apenas por uma questão de rigor.

O Lar em que a minha mãe está, com uma mensalidade bastante elevada, recebe uma certa quantia por cada utente ali residindo.

A terminar sei bem o que a CRP estabelece. Mas a realidade é que os sucessivos deputados e os sucessivos governos e os sucessivos inquilinos do Palácio de Belém, passam décadas com discursos comoventes como este, do OE e depois via ministério com a responsabilidade directa das questões sociais enviam uns Euros para subsidiar Misericórdias e outras instituições. E ficam contentinhos.

Fiscalizações a sério, a doer, às Misericórdias e outras instituições, não permitir um único lar com instalações e serviços degradantes como periodicamente aparece na comunicação social, ISSO É QUE É MAIS DIFÍCIL. Enfim.

AC

segunda-feira, 11 de abril de 2022

OCASO  da  VIDA

Nenhum de nós, nenhuma família, escapa à inexorável marcha da vida.
Refiro-me a várias coisas.
Refiro-me à inevitável realidade da vida que é, nascermos por vontade de outrem, os nossos pais, vivermos melhor ou pior (milhões, infelizmente, horrivelmente mal), envelhecemos (muitos não chegam a isso), ficamos dependentes, falecemos um dia.

Mais. Há dois aspectos que demonstram bem o subdesenvolvimento ou o desenvolvimento de uma sociedade/ um país, e são: 
- como a sociedade trata e cuida das crianças e dos jovens, 
- e como cuida dos idosos, dependentes e dos deficientes.

Quanto às crianças, hoje apenas uma nota, pois quero focar-me sobretudo no que respeita ao título deste opinativo. 
Fiquei a saber, no decurso de recente assembleia-geral da IPSS onde a minha mãe (97 em Julho) vive, que haverá uma determinação governamental para que em 2025 nenhuma criança (ou melhor, os pais) pague seja o que for nas creches, por todo o país, independentemente do IRS dos pais. Ou seja, mais uma conta que alguém pagará.

Mas, voltando à questão principal que já diversas vezes aqui partilhei, e que hoje de novo quero abordar, há IPSS e IPSS. E há instituições privadas neste âmbito, muitas, várias com capacidades decentes, várias com deficiências face às normas, e muita clandestinidade que, periodicamente, vem à luz do dia, como aconteceu durante as fases mais agudas da pandemia Covid.

Faz parte da vida haver muitas pessoas que nada se preocupam seja com o que for, que só dão valor a certas coisas quando de repente delas precisam, que nunca se interrogam porque acontece isto e aquilo, ou como se suporta/ financia isto e aquilo. É assim, é a triste realidade, apesar da propagandeada sucessão de gerações o mais bem preparadas de sempre.

Comecei a preocupar-me mais com esta faceta da vida (lares, apoio a idosos) sobretudo a partir de 1987. Creio que conheço alguma coisa do assunto.

São colocadas em lares as pessoas idosas com deficiência, as pessoas que não têm familiar que os ampare (conheço dois casos). Também pessoas que se encontram com saúde ainda muito razoável para a idade física e que no seu completamente lúcido discernimento assim o decidem por, após a viuvez, já não terem força física para continuar a viver sozinhas nas suas casas, como aconteceu com a minha mãe (2011-2019).

Por óbvias razões, se de há anos já tinha uma percepção razoável desta área da sociedade, fiquei mais ciente ainda dos problemas envolvidos a partir de 2000 e sobretudo a partir do início de 2019 devido à situação da minha mãe.

Que questões?
Como é a infra-estrutura assistencial, em que estado de conservação se encontra o imóvel, que manutenção vai tendo, que valências tem, capacidade/ quantos utentes alberga, quadro de pessoal (médico, enfermeiros, assistentes operacionais, pessoal de manutenção, pessoal de limpeza), confecção de alimentação "in situ" ou "catering", visitas, saídas, apoio médico, apoio à saúde mental dos utentes, mensalidade a pagar, que subsídio por parte do estado/ governos, etc.

A realidade é que em Portugal ao longo das últimas 4 décadas foram encerradas muitas instituições incluindo unidades para tratamento e acompanhamento de pessoas com débil saúde mental ou mesmo sem ela. Para onde passaram essas pessoas a ser "descarregadas" (sim, é termo violento, mas real) ? Para IPSS e etc.

Que acompanhamento, que inspeções por parte dos governos, quer no âmbito social, quer no âmbito do trabalho e emprego, quer no âmbito saúde? Que meios para isto?

Creio que nem todas as IPSS e outras associações de solidariedade social têm também infra-estruturas para cuidados continuados, mas muitas têm. E nesses cuidados continuados ficam pessoas por algum tempo, outras por muito tempo, outras só de lá saem ao falecer. Quanto custa isto? Já pensaram? Que paga o Estado/ governos?

Todos os governos, de origem PSD ou PS pois são na essência basicamente iguais, os subsídios são sempre por baixo. Se as dificuldades financeiras para as instituições daí resultantes não são rápida e adequadamente equilibradas (nunca são), a algum lado as instituições/ associações vão buscar o diferencial. 
Corta-se na qualidade da alimentação? Corta-se nas limpezas? 
Corta-se no aquecimento? Corta-se na manutenção de equipamentos de aquecimento e outros?  Etc.?

E que pensar de governos que nada fazem quando pantomineiros deixam por exemplo, em 2017, um buraco de 11 milhões numa dada associação? Será porque o dirigente era da clique? Que justiça?

Que genuína preocupação têm tido designadamente os ministérios da saúde e da Solidariedade Social e do Trabalho para com as dificuldades que enfrentam misericórdias e outras instituições de solidariedade social?

Esta área da sociedade é complexa. A manta é sempre curta, mas é pena que muitas pessoas se iludam com propaganda e não cuidem de observar a realidade. 
É preciso interessarmo-nos por tudo, mesmo não tendo momentaneamente interesse directo. 
Nesta área, como em todas da sociedade em que vivemos. 
O interesse da generalidade das pessoas pode medir-se pela assistência a assembleias -gerais das diferentes instituições de solidariedade social. Portugal desenvolvido? POUCO!
António Cabral (AC)


quinta-feira, 29 de outubro de 2020

TRANSPARÊNCIA,  RIGOR,  INFORMAÇÃO, versus

SIGILO,  DISCRIÇÃO,  COMPADRIO


É sabido, existem Estados democráticos e existem ditaduras as mais diversas. Nos primeiros, o primado da lei é factor identificativo. No nosso caso, e bem claro na nossa CRP, Portugal é formalmente um estado de direito democrático, onde a transparência deve ser uma norma constante designadamente em tudo o que é máquina do Estado, serviços públicos, servir os cidadãos.

Por outro lado (Art. 46º CRP) os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover violência e os respectivos fins não sejam contrários à lei penal.

Por outro lado, todos temos direito a tomar parte na vida política e na direcção dos assuntos públicos do país, directamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos (CRP, Art. 48º).

Por outro lado, no plano social, cabe ao Estado apoiar e fiscalizar, nos termos da lei, a actividade e o funcionamentos instituições particulares de solidariedade social (IPSS) bem como outras de interesse público sem interesse lucrativo.

De entre as várias instituições que se propõem ter como actividade ajudar os outros e particularmente os mais desfavorecidos da sociedade portuguesa, destacam-se as misericórdias e as IPSS.

As misericórdias têm como que um topo, a União das Misericórdias Portuguesas (UMP), e as IPSS têm também como que um topo a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS).

É sabido que o Estado ou seja, o nosso dinheiro, apoia as misericórdias e as IPSS.

É sabido que o Estado ou seja, o nosso dinheiro, deixa escorregar também muitos euros para outras entidades como sejam por exemplo as fundações. Não serão todas as múltiplas fundações mas são certamente muitas. No caso das fundações e, provavelmente, no caso também de IPSS e misericórdias e, eventualmente, muitas outras associações, confederações, federações, ligas, clubes, banca, etc. a quem o Estado atribui o "selo" de interesse público, haverá facilidades, isenções, etc.

Não é estranho que não se consiga saber com rigor a listagem completa/ total de todas as múltiplas entidades apoiadas, subsidiadas, subvencionadas, apadrinhadas pelo Estado ou seja, que comem o nosso dinheiro? Saber com rigor a listagem e os euros exactos e as facilidades que vão para fundações, misericórdias, IPSS, federações disto e daquilo, confederações, ligas, clubes, banca, etc.

Não é estranho que há décadas estejam à frente de certas instituições sempre as mesmas pessoas? 

Bom, devo ser eu que parvamente olho também para estas coisas do rigor e transparência, e que gostava de saber quem recebe, se recebe, se distribui, como gasta, etc. Só para perceber.

António Cabral (AC)

terça-feira, 26 de junho de 2018

MISERICÓRDIAS, TOURADAS, BARBÁRIE, mas também,
FINGIR que NÃO SABIA, POLITICAMENTE CORRECTO
Oh, não sabia destes negócios, não sabia destes investimentos e realidades das Misericórdias, Oh.............
Misericórdia, perdoai-lhes senhor que são uns inocentes, uns crédulos, uns arrependidos tão tardios!
E cada vez mais politicamente correctos!

É assim, desde sempre. 
Nada sabiam sobre as pouca vergonhas na Banca. 
Também não devem conhecer o causídico que garante pensões pornográficas, aliás isso nem os deve incomodar nada. Enfim.

Resido na mesma zona vai para quase 45 anos. 
Onde existe uma praça de toiros, propriedade da Misericórdia local.
Como acontece em outros locais do País, mas uns quantos pantomineiros descobrem a novidade ..........agora! Pois!
Praça patrocinada também por outras entidades e empresas da região. Desconheço se a autarquia lá tem metido dinheiro ou não.

Não aprecio touradas. Não gasto dinheiro em touradas. 
É, de facto, uma barbárie para os toiros, ainda que muito menos do que em Espanha.
Como gastam as Misericórdias os dinheiros que estão ao seu dispor? É uma excelente questão, e não deve pensar-se nisso apenas por causa das touradas, mas por tudo. Veja-se o que se estará a passar em Lisboa.
A questão da benemerência tem muito que se lhe diga. E temo que muitos ganhem com isso, directa e indirectamente.


Voltando ás touradas, repito, não gosto, e não dou nem nunca até agora dei dinheiro para isso.
Um dos meus melhores amigos, médico, tem periodicamente ofertas de 2 ou 3 bilhetes para touradas. De vez em quando convida-me pois sobra-lhe um bilhete. Já declinei várias vezes mas também já fui. Posso estar enganado, mas creio que nestes quase 45 anos fui à tourada 5 vezes. Não pelo espectáculo taurino. Vou porque conversamos, encontro pessoas que vejo poucas vezes e............disparo muito a NIKON!!!

E posso assim mostrar que há de facto uma certa barbárie.
Mas é curioso certos críticos virem agora dizer que desconheciam o envolvimento de Misericórdias. 
Portugal e certas elites sempre como de costume. 
Doutorados, de mérito muitos deles, mas também com valentes pós graduações tipo - "Ver se engana o pagode"
Entretanto ERC parece que não discorda da continuação das transmissões de touradas pelas TV
AC