DOMINGO,
REFLEXÕES, COGITAÇÕES, PROVOCAÇÕES
Um título saído da mistura da preguiça Domingueira com a leitura de um artigo da revista deste último Expresso (há meses que não o comprava).
O jornal semanal tido como o da democracia, tido como o de referência.
Jornal que, como muitos outros, com artigos interessantes, com outros que cheiram a encomenda que tresandam, e prenhe de jornalistas do sistema, como aliás quase todos senão mesmo todos.
Quando se olha atentamente o estado da sociedade política nacional pode dizer-se que, em grande parte, tudo tem sido uma mistura de vaidades, arrogância e aflições de espírito e aflições de dinheiro?
Quando se olha atentamente o estado da sociedade política nacional pode dizer-se que temos sofrido dos dislates e incompetência e inação de grupos vários e coloração diversa?
Quando se olha atentamente para o carrossel que tem sido a sociedade política nacional dos últimos 35 anos pode dizer-se que temos tido narrativas diversas, narrativas de poder, narrativas de subserviência, narrativas de aristocracia falida?
Se, como nas obras identificadas no dito artigo, cortássemos longitudinalmente a sociedade política nacional destes últimos 35 anos, que encontraríamos?
Derramamento e perda de oportunidades, situações as mais sombrias, padrinhos manhosos, paragens temporárias no desgraçado caminho para o abismo, aflições as mais dramáticas?
Tal como no artigo se refere, também a sociedade portuguesa devia acordar, e definitivamente aprender.
Mas continuam a iludir-nos com futebolês, telenovelas, entrevistas deprimentes, programas televisivos deprimentes, e a acenar-nos sempre de que Portugal é um sítio lindo, estável, cheio de Sol, seguríssimo, com turismo e turismo e turismo e turismo e turismo.
Portugal tem isso tudo, tem turismo de massas/ pé descalço em demasia, e se não tomarmos atenção aos políticos a breve prazo podemos perder liberdade.
Formal existe, muita, completa.
Na realidade da vida, hoje, é mentira, não temos condições materiais, culturais e organizacionais que permitam sermos de facto livres.
Como sempre, admito poder estar a ver tudo isto mal.
António Cabral (AC)