Mostrar mensagens com a etiqueta PREC. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta PREC. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de setembro de 2026

REPETINDO UM TEXTO MEU COM ALGUM TEMPO

LIDO  no  SAPO
(meus comentários no final)


Chega levou ao Parlamento uma proposta para desclassificar dados sobre FP-25Livre e BE alargaram a conversa à violência da extrema-direita, com o PCPPAN e JPP a acompanharem as iniciativas.

PS e PSD, durante o plenário de quarta-feira, 20 de maio, concordaram na ideia de que não se pode desclassificar os documentos relativos às Forças Populares 25 de Abril (FP-25) e à rede bombista de extrema-direita. O tema foi levado ao Parlamento pelo Chega, com uma iniciativa que recomendava a desclassificação de “todos os registos, documentos, dossiers e arquivos dos serviços de informações relativos à organização terrorista de extrema-esquerda FP-25”. No entanto, o debate foi alargado – com um projeto de lei do BE e com um projeto de resolução do Livre – a movimentos de extrema-direita, como o Exército de Libertação de Portugal (ELP), Movimento Maria da Fonte e Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP).

Em desacordo com a desclassificação destes documentos, o deputado socialista Pedro Delgado Alves, depois de atribuir ao debate um intuito "provocatório" por parte do Chega, assinalou um dever que todas as bancadas devem ter "perante todas as vítimas da violência política, da extrema-esquerda, da extrema-direita, de onde quer que ela venha, dos seus familiares e de todos aqueles que investigaram os crimes cometidos em vários momentos, e que foram, todos eles, objeto de repúdio e de condenação", de não instrumentalizar este debate "para abrir guerras culturais e para dividir aquilo que a democracia portuguesa teve a sabedoria de ser capaz de construir".

"A pergunta que devemos fazer é: 50 anos é tempo suficiente para não recearmos abrir os documentos?", perguntou, de forma retórica, o deputado do PS, respondendo: "Não sei. E na dúvida, perante as intenções declaradas de querer abrir uma guerra cultural, perante o momento de radicalização e de extremismo e de vontade de voltar a cavalgar estes temas, eu acho que não devemos fazer este exercício de viajar no tempo para fazer mal agora, em 2026, o que fizemos bem em 76, nos anos 80, nos anos 90. E, portanto, a razão, a primeira, pelas quais não acompanhamos os projetos é esta mesma: eles não são úteis à democracia em 2026. Mas mais do que isto, elas também oferecem problemas jurídicos", concluiu.

Com a justificação de que esta "desclassificação é muito mais complexa, muito mais grave e exige muito maior atenção que a própria classificação", o deputado do PSD António Rodrigues lançou dúvidas sobre a pertinência de se fazer este debate agora sugerindo que "alguns querem fazer contas com a história porque não estão satisfeitos com aquilo que aconteceu". 

"Nós não estamos satisfeitos, mas temos a noção daquilo que aconteceu. Mas aquilo que está em discussão é verdadeiramente uma questão de Estado. Estamos disponíveis para pôr em causa o Estado naquilo que é mais sagrado, naquilo que é o segredo de Estado, naquilo que nós nos importamos no Parlamento, naquilo que é feito por órgãos próprios que foram escolhidos para esta Assembleia, ou queremos tornar isto uma chicana política, uns contra os outros, a reviver a história que está à volta, que está à vista e que está a ser tratada?", interrogou o deputado social-democrata, vincando que "o que se quer com estas propostas, com estes projetos de resolução ou com este projeto de lei é voltar a criar a confusão e o caos político em Portugal".

A premissa do documento do Chega, apresentado por Diogo Pacheco de Amorim, assenta numa notícia com um ano, do Expresso, que dá conta de que o Serviço de Informações de Segurança (SIS) "está a considerar a desclassificação de centenas de documentos do seu espólio de entre 1985 e 1990, contanto que não seja colocada em causa a Segurança Nacional", explicou o deputado.

De acordo com Pacheco de Amorim, o Chega entende que "não é apenas o período final das FP-25" que "importa conhecer, mas, isso sim, todo o período decorrido entre abril de 1980, data da sua fundação, e 1 de março de 1996, data da aprovação parlamentar da amnistia dos condenados da FP-25".

"Pelo que o acesso a todos os documentos e a todos os factos compreendidos dentro desse espaço de tempo se torna essencial. Quanto à Segurança Nacional, não se vislumbra qualquer interesse superior nesse campo a salvaguardar", afirmou, observando que BE e Livre "estão certos" nas inicitivas que apresentam para "tornar extensivo este pedido a todos os movimentos acusados de utilização de violência desde o 25 de Abril de 1974 até à aprovação da amnistia parlamentar".

Por seu turno, o deputado único do BEFabian Figueiredo, alertou para um "silêncio que dura há meio século" em Portugal "sobre quem pôs a bomba que matou o padre Max e a jovem de 19 anos, na Cumieira, sobre quem armou as Forças Populares 25 de Abril. Sobre a contabilidade do terror que, dos anos 70 aos anos 80, fez mais de duas dezenas de mortos, da extrema-direita bombista à extrema-esquerda armada". 

Argumentando que "os documentos existem", mas "estão guardados", sem que ninguém possa consultá-los – como aconteceu , observou, com o jornalista Miguel Carvalho, quando escreveu o livro Quando Portugal Ardeu –, Fabian Figueiredo considerou que "as melhores obras sobre estes anos foram escritas por quem teve de procurar a verdade fora dos canais oficiais e há famílias que enterraram os seus sem nunca saberem por ordem de quem". 

Tendo em conta que o projeto de lei do BE propõe uma comissão multidisciplinar afeta ao Parlamento para desclassificar os documentos em causa, o deputado bloquista explicou que "este projeto faz uma coisa simples e uma coisa difícil. A simples: cria uma comissão independente que abre tudo, as FP25 e a rede bombista, sem exceção, sem escolher metades. A difícil: pede a esta câmara a coragem que meio século de democracia nos exige, com toda a disponibilidade de melhorar a proposta na especialidade".

Para o líder do Livre, Rui Tavares, "ser contra a violência política e que todos os partidos sejam é importante".

Com uma mensagem para o Chega, por só contemplar no projeto de resolução a desclassificação dos documentos relativos às FP-25, Rui Tavares considerou que "querer apenas dirigir os esforços da transparência para um lado é apenas utilizar a condenação da violência política para caricaturar adversários ou para fazer, digamos, gincanas políticas convenientes".

A líder parlamentar do PCPPaula Santos, confirmou que a bancada comunista está "de acordo com a desclassificação dos documentos, quer quanto ao terrorismo bombista das forças reacionárias contra o 25 de Abril, quer quanto às FP-25", argumentando que "haverá certamente muitas informações que ajudarão a compreender quem é quem e que poderão surpreender os mais incautos, mas também deixará cair a máscara a muitos que compactuaram, direta ou indiretamente, com as ações bombistas e terroristas".

Para a deputada comunista, o Chega, com esta iniciativa para desclassificar os documentos, apresenta-se com o único propósito de "ocultar a ação terrorista bombista entre 1975 e 1977, desencadeada contra o processo de institucionalização do regime democrático". 

"Sobre isto, nem uma palavra do Chega, mas já agora, também, nem uma palavra do CDS. O terrorismo bombista das organizações de extrema direita, que não se conformavam com Abril e que ambicionavam o regresso à ditadura, o MDLP, o ELP, o Movimento Maria da Fonte, a FLA [Frente de Libertação dos Açores], a FLAMA [Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira], elegeram o PCP como alvo político principal a liquidar", sustentou Paula Santos numa nota dirigida ao líder parlamentar do CDSPaulo Núncio, que criticara numa intervenção o PS e PCP por terem votado favoravelmente a amnistia às FP-25, afirmando que foi algo que "contribuiu para o branqueamento político e moral do terrorismo de extrema-esquerda".

Sobre a rede bombista, Paula Santos lembrou que "estas organizações terroristas foram responsáveis por 566 ações, de entre as quais 310 atentados bombistas, 136 assaltos, 58 incêndios, 36 espancamentos, 16 atentados a tiro, mais de 10 pessoas foram assassinadas".

Comentários:

1º - Segundo se lê por aí PS e PSD estão contra a desclassificação dos documentos. E há certamente muitos documentos, relativos à criminalidade das FP 25 de Abril, relativos aos personagens que integraram esse tumor da democracia, relativos à criminalidade do ELPMDLPMaria da Fonte e outros, verdadeiros tumores da democracia.

2º - É legítimo eu ponderar: porquê esta recusa destes dois partidos?

3º - É legítimo concluir que não querem que se venha a saber certas coisas. Certas ligações a personagens do passado desses dois partidos. É por demais evidente que sabem que existem coisas muito incómodas e muito provavelmente desmentiriam muitas narrativas.

4º - Fica para mim claro que não querem que se venha a saber muito do que tragicamente aconteceu, muitos dos apoios que tiveram e que nunca assumiram.

 - Era bom por exemplo desmascarar as vergonhosas negociações por baixo da mesa que levaram à amnistia concedida aos dirigentes das  FP 25 de Abril.

 - Era muito importante desmascarar o que a extrema direita fez incluindo a bombista.

 - E as pouca vergonhas acontecidas nas ilhas?

 - Há muito para esclarecer, explicar, mas não querem que se saiba. O Chega gostaria que se soubesse apenas sobre  extrema esquerda.

 - Não, há muito por explicar, esclarecer, de uma ponta a outra ponta. Existiram bombas, sedes partidárias destruídas sobretudo do PCP, assassinatos, roubo de dinheiro, assaltos, e houve muita cumplicidade e a todos os níveis, institucional, político (de todos os quadrantes) militar (aqui então ficava-se a perceber muita coisa) religioso e quase certo com o envolvimento de certas embaixadas em Lisboa.

Não querem trazer a podridão à luz do dia. Mas não me venham com a treta de que era a revolução, não foi só a revolução. 
Já bem basta o que não está registado, escrito, gravado, como certas fugas para Norte, ou o que veio buscar um célebre "importante", etc.

Bom dia.
Saúde, o Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

António Cabral (AC)

terça-feira, 30 de junho de 2026

SÓ  PARA  RECORDAR . . . . 
Que a par de muitas coisas boas algumas houve lamentáveis.
E isto não é nenhum ataque.

Vivo e sinto-me muito bem neste regime de direito democrático.

Mas lamento muito as crescentes desigualdades sociais, e ver muitos a servirem-se dos cargos, em vez de servirem a sociedade, pois para isso foram/ são eleitos.

AC

domingo, 21 de junho de 2026

COISAS  da  DEMOCRACIA

A democracia, o menos mau dos sistemas segundo Churchill, tem coisas óptimas e outras . . . . . . muito . . . . . . curiosas.

Uma delas e das mais importantes, é que devemos respeitar os outros, mesmo deles discordando.

Estas palavras a propósito de ter descoberto que um dos piores SUV do tempo PREC se vem transformando qual crisálida em quase senador da República 😡😡😡😡😡😡😡😡

AC

sábado, 23 de maio de 2026

LIDO  no  SAPO
(meus comentários no final)

O Chega levou ao Parlamento uma proposta para desclassificar dados sobre FP-25. Livre e BE alargaram a conversa à violência da extrema-direita, com o PCP, PAN e JPP a acompanharem as iniciativas.

PS e PSD, durante o plenário de quarta-feira, 20 de maio, concordaram na ideia de que não se pode desclassificar os documentos relativos às Forças Populares 25 de Abril (FP-25) e à rede bombista de extrema-direita. O tema foi levado ao Parlamento pelo Chega, com uma iniciativa que recomendava a desclassificação de “todos os registos, documentos, dossiers e arquivos dos serviços de informações relativos à organização terrorista de extrema-esquerda FP-25”. No entanto, o debate foi alargado – com um projeto de lei do BE e com um projeto de resolução do Livre – a movimentos de extrema-direita, como o Exército de Libertação de Portugal (ELP), Movimento Maria da Fonte e Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP).

Em desacordo com a desclassificação destes documentos, o deputado socialista Pedro Delgado Alves, depois de atribuir ao debate um intuito "provocatório" por parte do Chega, assinalou um dever que todas as bancadas devem ter "perante todas as vítimas da violência política, da extrema-esquerda, da extrema-direita, de onde quer que ela venha, dos seus familiares e de todos aqueles que investigaram os crimes cometidos em vários momentos, e que foram, todos eles, objeto de repúdio e de condenação", de não instrumentalizar este debate "para abrir guerras culturais e para dividir aquilo que a democracia portuguesa teve a sabedoria de ser capaz de construir".

"A pergunta que devemos fazer é: 50 anos é tempo suficiente para não recearmos abrir os documentos?", perguntou, de forma retórica, o deputado do PS, respondendo: "Não sei. E na dúvida, perante as intenções declaradas de querer abrir uma guerra cultural, perante o momento de radicalização e de extremismo e de vontade de voltar a cavalgar estes temas, eu acho que não devemos fazer este exercício de viajar no tempo para fazer mal agora, em 2026, o que fizemos bem em 76, nos anos 80, nos anos 90. E, portanto, a razão, a primeira, pelas quais não acompanhamos os projetos é esta mesma: eles não são úteis à democracia em 2026. Mas mais do que isto, elas também oferecem problemas jurídicos", concluiu.

Com a justificação de que esta "desclassificação é muito mais complexa, muito mais grave e exige muito maior atenção que a própria classificação", o deputado do PSD António Rodrigues lançou dúvidas sobre a pertinência de se fazer este debate agora sugerindo que "alguns querem fazer contas com a história porque não estão satisfeitos com aquilo que aconteceu".

"Nós não estamos satisfeitos, mas temos a noção daquilo que aconteceu. Mas aquilo que está em discussão é verdadeiramente uma questão de Estado. Estamos disponíveis para pôr em causa o Estado naquilo que é mais sagrado, naquilo que é o segredo de Estado, naquilo que nós nos importamos no Parlamento, naquilo que é feito por órgãos próprios que foram escolhidos para esta Assembleia, ou queremos tornar isto uma chicana política, uns contra os outros, a reviver a história que está à volta, que está à revista e que está a tratada?", interrogou o deputado social-democrata, vincando que "o que se quer com estas propostas, com estes projetos de resolução ou com este projeto de lei é voltar a criar a confusão e o caos político em Portugal".

A premissa do documento do Chega, apresentado por Diogo Pacheco de Amorim, assenta numa notícia com um ano, do Expresso, que dá conta de que o Serviço de Informações de Segurança (SIS) "está a considerar a desclassificação de centenas de documentos do seu espólio de entre 1985 e 1990, contanto que não seja colocada em causa a Segurança Nacional", explicou o deputado.

De acordo com Pacheco de Amorim, o Chega entende que "não é apenas o período final das FP-25" que "importa conhecer, mas, isso sim, todo o período decorrido entre abril de 1980, data da sua fundação, e 1 de março de 1996, data da aprovação parlamentar da amnistia dos condenados da FP-25".

"Pelo que o acesso a todos os documentos e a todos os factos compreendidos dentro desse espaço de tempo se torna essencial. Quanto à Segurança Nacional, não se vislumbra qualquer interesse superior nesse campo a salvaguardar", afirmou, observando que BE e Livre "estão certos" nas inicitivas que apresentam para "tornar extensivo este pedido a todos os movimentos acusados de utilização de violência desde o 25 de Abril de 1974 até à aprovação da amnistia parlamentar".

Por seu turno, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, alertou para um "silêncio que dura há meio século" em Portugal "sobre quem pôs a bomba que matou o padre Max e a jovem de 19 anos, na Cumieira, sobre quem armou as Forças Populares 25 de Abril. Sobre a contabilidade do terror que, dos anos 70 aos anos 80, fez mais de duas dezenas de mortos, da extrema-direita bombista à extrema-esquerda armada".

Argumentando que "os documentos existem", mas "estão guardados", sem que ninguém possa consultá-los – como aconteceu , observou, com o jornalista Miguel Carvalho, quando escreveu o livro Quando Portugal Ardeu –, Fabian Figueiredo considerou que "as melhores obras sobre estes anos foram escritas por quem teve de procurar a verdade fora dos canais oficiais e há famílias que enterraram os seus sem nunca saberem por ordem de quem".

Tendo em conta que o projeto de lei do BE propõe uma comissão multidisciplinar afeta ao Parlamento para desclassificar os documentos em causa, o deputado bloquista explicou que "este projeto faz uma coisa simples e uma coisa difícil. A simples: cria uma comissão independente que abre tudo, as FP25 e a rede bombista, sem exceção, sem escolher metades. A difícil: pede a esta câmara a coragem que meio século de democracia nos exige, com toda a disponibilidade de melhorar a proposta na especialidade".

Para o líder do Livre Rui Tavares, "ser contra a violência política e que todos os partidos sejam é importante".

Com uma mensagem para o Chega, por só contemplar no projeto de resolução a desclassificação dos documentos relativos às FP-25, Rui Tavares considerou que "querer apenas dirigir os esforços da transparência para um lado é apenas utilizar a condenação da violência política para caricaturar adversários ou para fazer, digamos, gincanas políticas convenientes".

A líder parlamentar do PCP, Paula Santos, confirmou que a bancada comunista está "de acordo com a desclassificação dos documentos, quer quanto ao terrorismo bombista das forças reacionárias contra o 25 de Abril, quer quanto às FP-25", argumentando que "haverá certamente muitas informações que ajudarão a compreender quem é quem e que poderão surpreender os mais incautos, mas também deixará cair a máscara a muitos que compactuaram, direta ou indiretamente, com as ações bombistas e terroristas".

Para a deputada comunista, o Chega, com esta iniciativa de desclassificar os documentos, apresenta-se com o único propósito de "ocultar a ação terrorista bombista entre 1975 e 1977, desencadeada contra o processo de institucionalização do regime democrático".

"Sobre isto, nem uma palavra do Chega, mas já agora, também, nem uma palavra do CDS. O terrorismo bombista das organizações de extrema direita, que não se conformavam com Abril e que ambicionavam o regresso à ditadura, o MDLP, o ELP, o Movimento Maria da Fonte, a FLA [Frente de Libertação dos Açores], a FLAMA [Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira], elegeram o PCP como alvo político principal a liquidar", sustentou Paula Santos numa nota dirigida ao líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio, que criticara numa intervenção PS e PCP por terem votado favoravelmente a amnistia às FP-25, afirmando que foi algo que "contribuiu para o branqueamento político e moral do terrorismo de extrema-esquerda".

Sobre a rede bombista, Paula Santos lembrou que "estas organizações terroristas foram responsáveis por 566 ações, de entre as quais 310 atentados bombistas, 136 assaltos, 58 incêndios, 36 espancamentos, 16 atentados a tiro, mais de 10 pessoas foram assassinadas".

Comentários:

1º - Segundo se lê por aí PS e PSD estão contra a desclassificação dos documentos. E há certamente muitos documentos, relativos à criminalidade das FP 25 de Abril, relativos aos personagens que integraram esse tumor da democracia, relativos à criminalidade do ELP, MDLP, Maria da Fonte e outros, verdadeiros tumores da democracia.

2º - É legítimo eu ponderar: porquê esta recusa destes dois partidos?

3º - É legítimo concluir que não querem que se venha a saber certas coisas. Certas ligações a personagens do passado desses dois partidos. É por demais evidente que sabem que existem coisas muito incómodas e muito provavelmente desmentiriam muitas narrativas.

4º - Fica para mim claro que não querem que se venha a saber muito do que tragicamente aconteceu, muitos dos apoios que tiveram e que nunca assumiram.

Era bom por exemplo desmascarar as vergonhosas negociações por baixo da mesa que levaram à amnistia concedida aos dirigentes das  FP 25 de Abril.

Era muito importante desmascarar o que a extrema direita fez incluindo a bombista.

E as pouca vergonhas acontecidas nas ilhas?

Há muito para esclarecer, explicar, mas não querem que se saiba. O Chega gostaria que se soubesse apenas sobre  extrema esquerda.

- Não, há muito por explicar, esclarecer, de uma ponta a outra ponta. Existiram bombas, sedes partidárias destruídas, assassinatos, roubo de dinheiro, assaltos, e houve muita cumplicidade e a todos os níveis, institucional, político (todos os quadrantes) militar (aqui então ficava-se a perceber muita coisa) religioso e quase certo com o envolvimento de certas embaixadas em Lisboa.

Não querem trazer a podridão à luz do dia. Não me venham com a treta de que era a revolução. 
Já bem basta o que não está registado, escrito, gravado, como certas fugas para Norte, ou o que veio buscar um célebre "importante", etc.

António Cabral (AC)

quinta-feira, 30 de abril de 2026

segunda-feira, 27 de abril de 2026

REALIDADES ou IMAGINAÇÃO ?

De vez em quando noticia-se que a GNR e a PSP fizeram uma mega operação aqui ou acolá e apanharam muitas armas brancas e armas de fogo e munições e armas de caça e granadas e etc. muitos etc. 

De cada vez que isso acontece remete-me para várias coisas como, bandos, criminalidade, candonga, negócios debaixo da mesa e também resquícios do passado.

Desse passado podemos lembrar as FP 25 de Abril, ELP, MDLP, e outros à extrema esquerda e à extrema direita, podemos lembrar o PREC e aqueles que de um lado e de outro hoje fazem por esquecer o que fizeram, o arranjar armamento para arranjar "fundos", depois talvez pensar em assaltar o poder com recurso a violência. 

Pouco/ nenhum recurso a urnas de voto pois os resultados então já obtidos para um e outro lado estavam longe do desejado!

E por isso ainda hoje continuo a imaginar se os esconderijos de armamento enterrado pelos de um extremo e pelos do outro extremo  terão sido passados a quem de confiança ou se algum deles eventualmente ficou na cabeça de quem escondeu porque entretanto morreu sem passar testemunho.

Continuo a imaginar quanto locais em Portugal Continental, ou nos Açores e Madeira continuam a ter armas lá enterradas. Enterradas por seguidores e fanáticos de todos os tipos, de uma ponta a outra.

E quantos sacos com armas foram por exemplo deitados ao Tejo designadamente junto dos pilares da ponte 25 de Abril, para assim salvar um pouco a pele a certos personagens? 

Pois, é só imaginação, nada disto se passou. Imaginação!

Os assaltos, as mortes infligidas, os atentados a sedes de partidos nada disso ocorreu. Nem a ninguém passou pele cabeça o assalto ao poder, ou entreter-se a andar a dar tiros a portões e casas, e etc.

Imaginação fértil, NÉ ?

Bom dia.
Bom início de semana.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida
Boa sorte

AC

quinta-feira, 16 de abril de 2026

PRESUMIA-SE DEBATE,  SAIU UMA CENA

Cada cabeça sua sentença, dito popular inquestionável.

Mas em "cima" dele pode, e deve-se, procurar colocar serenidade, seriedade, rigor, verdade, honestidade intelectual e reconhecer o bom, o sofrível, e o mau de todas as coisas, de todas as pessoas, da história, do passado e do presente.

É minha opinião que o 25 de Abril de 1974 mudou completamente Portugal, e para bem melhor.
É minha opinião que a sociedade portuguesa foi ficando diferente e bem melhor em imensos aspectos, embora no presente haja muita coisa mal, persista muita coisa mal, persistam e até tenham aumentado desigualdades inaceitáveis.

Inteligentemente promoveu-se a adesão à Europa e, aparentemente, continua a manter-se e bem a noção e a importância da nossa posição Atlântica.

Continuo a pensar que é perfeitamente compreensível a alegria, a explosão social dos primeiros meses a seguir ao que os militares promoveram. 
Ao que os militares promoveram, não foi nenhum oposicionista dos vários que, LEGITIMAMENTE, se opunham ao Estado Novo!

Com as felizmente realizadas eleições em 1975 para a Constituinte e depois em 1976 as diferentes eleições começou-se a estabilizar o regime, e entrou-se progressivamente na normalidade democrática.
As revisões Constitucionais de 1982 e 1989 sedimentaram o quadro Constitucional.

Lamentavelmente, durante anos e já com o regime perfeitamente estabelecido, estabilizado, sedimentado, a funcionar normalmente, uns 
sacripantas FP 25 Abril resolveram durante anos fazer atentados e matar pessoas. Lamentável, inqualificável.

A cereja em cima do bolo é que, depois de jogos de bastidores que tenho por deploráveis e urdidos entre as almoçaradas e jantaradas num conhecido hotel e os palácios, as criaturas acabaram depois por ser amnistiadas.
Lamentável, na minha opinião naturalmente.

Mas voltando atrás ao tristemente famoso PREC, depois de 28 de Setembro de 1974 e até aos inícios de 1976 praticaram-se desmandos vários, prisões muitas delas certamente arbitrárias e, creio, terá havido coisas bem piores feitas a vários detidos.

Há dias Rui Moreira ex-presidente da câmara municipal do Porto publicou um artigo relativamente ao qual não detectei que tivesse havido qualquer contraditório, qualquer comentário por parte de alguns que estão sempre a defender a sua honra e da de outros amigalhaços. 

O filósofo Pacheco Pereira que há décadas se dedica a história (li vários dos seus livros e tenho-os por meritórios) desafiou o insuportável deputado e chefe do Chega para um debate essencialmente sobre presos políticos, antes e depois de 25ABR74. Tudo por causa de declarações proferidas por Ventura na Assembleia da República.

Enchi-me de coragem e paciência e abri mais uma excepção e estive na sala sentado a ouvi-los, afastado do televisor para não os ver, enquanto ia arranjando uma coisa cá de casa que se tinha partido. 
Ouvi tudo.

Na minha opinião, pretendeu-se debate mas, esclarecimento, rigor e verdade estiveram muito afastados daquela hora de berraria Venturesca.
Presumia-se debate, saiu uma CENA. Nada será de espantar face aos interlocutores.

Pacheco Pereira, nominalmente militante PSD, usou sempre de tom relativamente sereno mas não deixou de evidenciar claramente o fundo imutável de esquerdalho maoista! Quer sempre ficar de bem com a esquerdalhada extrema e com a esquerda moderada e decente.

André Ventura foi basicamente igual a si próprio, nas interrupções, na voz irada, na agressividade, na pouca documentação apresentada. Insuportável, embora na minha opinião tenha razão em algumas coisas.

Algumas breves observações:

* Caricato para não dizer mais Ventura dizer que nenhum PM no Estado Novo mandou prender, etc. 
Não era preciso, o "sistema" estava bem oleado, a PIDE e depois DGS, com GNR e PSP e governadores civis tratavam bem dos "assuntos".

* Ventura tem obviamente razão quando afirma que os primeiros anos a seguir ao 25ABR75 não foram apenas cravos e rosas, e basta serenamente recordar o PREC e depois os anos deploráveis com as FP 25ABRIL no terreno.
No auge do PREC, no Continente, houve imensos presos políticos, com prisões de duração variável. 

* Pacheco Pereira e Ventura divergiram quanto a comparações, sobre o que é ou não é comparável.
A mim parece-me legítimo comparar quantos presos políticos havia em 24ABR74 no Continente mais os do Tarrafal com os presos todos durante o PREC (11MAR-25NOV75), sendo certo além disso que de 28SET74 a 11MAR75 houve também muita gente que foi presa. 
Os tais muitos mandatos em branco existiram.

* Ainda quanto a comparações, creio difícil categorizar com absoluta  segurança todos os que estiveram e estavam presos em Angola, Moçambique, Guiné, Cabo verde, S.Tomé e Príncipe, Macau e Timor.
Certamente houve presos por se manifestarem contra os poderes de então, coloniais, mas por exemplo também certamente houve ao longo dos anos muitos presos por delitos comuns e criminalidade.

* Não tenho por outro lado dúvidas que deve ter havido imensas arbitrariedades e selvajarias praticadas pelas diferentes hierarquias dos poderes, e muito particularmente pelas mais baixas, para "mostrarem serviço". E deve ter havido execuções, desaparecimentos.

* Tenho dúvidas se no contexto em apreço se pode/ deve ponderar o que aconteceu nas nossas colónias/ províncias ultramarinas entre os cessar fogo acordados ou tácitos e os dias da independência formal. Angola sobretudo é um caso paradigmático. 
E houve imensas situações inqualificáveis. 
E creio que houve por exemplo muitas execuções incluindo dos africanos que lutaram pelo estado português.

* Que a descolonização foi trágica parece-me difícil de contestar. Mas também creio que seria difícil ter sido muito diferente face ao que se herdou e à concreta e unilateral paragem dos nossos militares.

* A corrupção não é um fenómeno exclusivo da democracia. 
Existia/ existiu e muita no Estado Novo.

* Quanto a André Ventura não vale a pena perder mais tempo.
Quando a Pacheco Pereira esperava mais seriedade.
Do que lhe ouvi a minha conclusão é simples, claramente procurou relativizar o que aconteceu designadamente no PREC.
Dizer que houve meia dúzia de casos é no mínimo desprezível.

* Além disso tinha-lhe ficado bem lembrar que Portugal não foi diferente de vários outros Estados Europeus, tinha-lhe ficado bem recordar (já que é "historiador") todo o século XIX e o XX até 1945, e recordar os erros enormes e o meter a cabeça na areia por parte de Salazar quando todos MENOS NÓS começaram a descolonizar.
Tinha-lhe ficado bem mas, lá está, maoista uma vez . . . . 

* Como tenho referido amiúde em textos diversos continuamos mal, pessimamente Ventura embora tenha razão em várias coisas.
Mal Pacheco Pereira e outros da esquerda à direita decentes incluindo alguns militares. Esquerdalhada incoerente e inconsequente mal continua. 
Verdade e rigor e reconhecer o passado TODO dos primeiros anos de vida democrática continuam afastados da realidade política nacional, afastados das "bolhas" e dos donos disto e daquilo. Lamentável.

* 52 anos é mais do que tempo suficiente para sanar feridas, desfazer dúvidas, e ACABAR com OS DONOS DISTO e DAQUILO, sendo certo que em democracia haverá sempre uns quantos pantomineiros que gostariam de regressar a várias coisas do Estado Novo (onde não foi tudo mau)  e outros pantomineiros gostariam de continuar a dar tiros em portões e etc.

* Não, o 25 de Abril de 1974 não foi MAU, mudou Portugal completamente e para bem melhor. É a minha opinião.

* Sim, houve muitos desmandos e coisas inqualificáveis sobretudo depois de 11MAR75 e prosseguiram a espaços tragicamente com as FP 25ABRIL já com o regime mais que estabilizado.

* Infelizmente a esquerda, e é preocupante para mim que isso se passe com a esquerda moderada e decente, continua a não querer perceber  que é falacioso e errado continuar a querer justificar dificuldades e problemas do presente apenas com o Estado Novo.

Infelizmente continuam a defender que a descolonização foi perfeita quando não foi, mas é para mim certo que podia ter sido um pouco diferente embora difícil.

Infelizmente é minha opinião que a esquerda moderada e decente prossegue num caminho de descredibilização. O que se passa por exemplo com a UGT parece-me exemplo eloquente.

E para mim, assistir à progressiva descredibilização da esquerda moderada e decente preocupa-me bastante, e creio que é muito mau para a sociedade portuguesa.

Aguardemos pelos próximos capítulos.

António Cabral (AC)

quarta-feira, 15 de abril de 2026

PORTUGAL,  a  propósito  de  MEMÓRIA 
Como escreveu um dia José Mattoso sobre "Fazer História", e de que repesco várias afirmações suas e que reproduzo, outrora fazer história era contar os feitos gloriosos dos que exerciam poder.

Mais tarde, foi contar o que era importante, contar o que de importante se passara num país ou numa época, considerando-se importante designadamente o que havia provocado maiores transformações, ou envolvido mais gente, ou acções de poder. 

Também se considerou história mostrar-nos o mal praticado por uns e o bem realizado por outros. Exaltar os progressos da Liberdade, da Democracia ou da Ciência.

Mais recentemente a história dos grandes movimentos sociais e económicos, procurando aí  a explicação mais profunda  do dever humano ou a sua compreensão global.

Depois, sucedeu a preocupação com maior rigor, a verdade, iniciou-se a crítica das fontes, chamou-se o auxílio da estatística e de muitas outras ciências, e a história alargou o seu campo de observação. 

Estudar-se a evolução dos factos sociais, os sentimentos, rituais e crenças, família, espaço e tempo, linguagem, escrita etc.
Tudo portanto o que é humano ou ajuda a compreender o homem nos seus mais variados aspectos.

Naturalmente, o alargamento dos campos de pesquisa criou alguma relativização da noção da verdade histórica ou de objectividade do discurso histórico.

Mattoso referia que se a história pretende responder à insaciável curiosidade do homem pelo seu próprio passado como forma privilegiada da compreensão do presente, não pode renunciar à busca da objectividade e do rigor.

Este recurso a algumas considerações históricas e passadas nomeadamente de José Mattoso vem a propósito de certos tiques na sociedade portuguesa das últimas décadas.
E não me refiro aos praticamente 52 anos de regime de direito democrático. Falo de várias décadas da sociedade portuguesa, desde nomeadamente 1940/ 1945.

Na sociedade portuguesa e em particular quanto aos tempos mais recentes, os das "Bolhas" (esquerdalha extrema, esquerda moderada e decente, direita moderada e decente, direitola extrema e retrógrada) persistem as narrativas e o teimarem que a história é como eles dizem que foi e não como aconteceu na realidade, em todas as dimensões.

E refiro sem grandes detalhes mas com clareza por onde quero começar: pelo Estado Novo. 

Antes do 25 de Abril de 1974, não só mas sobretudo através de acções armadas/ terroristas da ARA (braço armado do PCP), da LUAR e dos operacionais de Carlos Antunes e associados, foram executados diversos ataques a instalações, a infra-estruturas, desvio de avião da TAP e assalto ao Sta Maria onde criminosamente assassinaram um dos oficiais. Criminosos que vieram a ser considerados democratas.

Mas além disto acima superficialmente indicado e que assentou essencialmente em luta política contra o regime ditatorial do Estado Novo, a execrável polícia política, mais a GNR e mais a PSP executaram ao longo do tempo diversas pessoas. Não tenho presente se a Legião também teve este deplorável cadastro.

Depois do 25 de Abril de 1974, adquirida felizmente a liberdade e começada a construção do Estado de direito democrático, houve uns primeiros meses de inicial e compreensível e legítima explosão social, a que se seguiu um período em que Spínola e associados não quiseram perceber que tínhamos de largar (e já íamos atrasadíssimos, opinião pessoal naturalmente) os territórios em África e, depois, um lastimável período de alucinação quase geral (PREC) de 11 de Março a 25 de Novembro de 1975.

Em 25 de Abril de 1975 realizaram-se felizmente as eleições para a Assembleia Constituinte, eleições que alguns queriam pelo menos adiar, mas que agora os seus seguidores e defensores dos de então fingem que nada disso foi tentado. 
Os resultados dessas eleições deram a primeira forte derrota à esquerda ortodoxa e extrema esquerda, que nunca o engoliram, e por isso desenvolveram o PREC. É a minha opinião, naturalmente.

Neste período (PREC) ocorreram infelizmente coisas inaceitáveis, designadamente assaltos a sedes de partidos políticos e nomeadamente às do PCP. INACEITÁVEL a todos os títulos.
Assaltaram e incendiaram a embaixada de Espanha. DEPLORÁVEL.
Outros colocaram bombas e mataram pessoas. DEPLORÁVEL.

ELP, MDLP, FP 25 de Abril e outros grupelhos e indivíduos são (opinião pessoal naturalmente) nódoas na nossa história recente.
Como nódoas na nossa história ficaram (opinião pessoal, naturalmente) certas amnistias.

Em 1976 prosseguiram os bombistas, de origens diversas.

No PREC prenderam pessoas sem mandato, etc.

Para uns o 25 de Novembro de 1975 foi redentor. !?!?!?!

No PREC e ainda uns largos tempos depois houve de tudo, bombas, atentados, mortes como em Vila Real e não só.

E a mortandade das FP 25 Abril por anos, incrivelmente, já com o regime mais que estabilizado.

Enfim, um período maravilhoso (opinião pessoal naturalmente) a seguir a 25ABR74, seguido de bastante loucura, seguido de atentados. Nódoas imensas da nossa história.

Mas vivo no regime onde me sinto bem.

O que me incomoda é não esclarecerem de uma vez por todas o que nebuloso continua. Da esquerda à direita. Permitindo demagogia, deturpações.

Ontem ( a isso dedicarei poucas palavras noutro texto) enchi-me de coragem e assisti à "cena" entre o filósofo há décadas dedicado à história (Pacheco Pereira) e o insuportável deputado de extrema direita (Ventura).

O que dali saiu foi . . . . basicamente nada quanto a, esclarecimento, rigor, verdade. É a minha opinião admitindo, COMO SEMPRE, poder estar a ver mal isto tudo.

AC

segunda-feira, 13 de abril de 2026

NO  TERRAMOTO  de  1975

Já se passaram vários dias sobre a publicação deste texto do ex-presidente da câmara municipal do Porto, Rui Moreira, onde sublinhei algumas partes a vermelho.

Curiosamente, que me tenha apercebido, da esquerdalhada extrema à extrema direita ninguém comentou o que aqui Rui Moreira recorda.
Curiosamente ou não, que eu tenha reparado, também mudos continuam alguns dos que costumam vir publicamente defender a sua "honra", como há dias vi.

Sem explicar Tim por Tim o Verão de 1975 e o 25 de Novembro, reconhecer que algumas coisas acontecidas dificilmente poderiam ter sido contidas no decurso do processo revolucionário mas, também, assumir que houve desmandos inqualificáveis, que houve atentados da esquerda à direita, que houve detenções sem nenhuma base legal incluindo mandatos estranhos, nunca a sociedade portuguesa estará definitivamente sossegada.

Enquanto à esquerda e à direita se continue com as posições extremadas de donos disto e daquilo, Portugal não recupera.
O texto aqui fica.

Bom dia, bom início de semana, saúde e boa sorte.
AC  

O epicentro de No terramoto de 1975 - a notável obra do meu irmão Tomás que Rui Ramos considerou «o mais importante e interessante livro escrito sobre a revolução por ocasião dos seus 50 anos» - é um episódio que, apesar de noticiado à época, não mereceu atenção. Em resumo - porque tudo está relatado e bem documentado no livro -, em 1975 os trabalhadores metalúrgicos da Molaflex, assistindo à degradação da empresa desde que o seu patrão - o meu Pai, Ruy Höfle de Araújo Moreira - fora preso há mais de cem dias por Eurico Corvacho - o gauleiter do Conselho de Revolução para o Norte - pronunciaram-se pacificamente contra a detenção à porta do Quartel de Santo Ovídio, no Porto.


Convocada pela comissão de trabalhadores da empresa, a manifestação foi violentamente reprimida pelos militares. O meu Pai, que estava em isolamento e não poderia conhecer ou tampouco incentivar o protesto, foi transferido para Lisboa pela calada da noite. Durante dias, a família não soube do seu paradeiro. Os partidos democráticos, que se opunham ao jugo gonçalvista, ficaram em silêncio.

O livro faz justiça aos que desmentiram a ‘luta de classes’, contextualizando as circunstâncias históricas em que se deu a detenção arbitrária do meu Pai e descrevendo as tentativas vãs de o envolverem numa conjura em que nunca participou. Sim, o meu Pai fez parte dos que bem cedo denunciaram que a revolução havia sido capturada por quem tinha como missão oferecer Angola aos soviéticos, coletivizar a economia e controlar os movimentos sociais. Mas essa denúncia não constituía crime

E, quando ficou claro que era inocente, mantiveram-no preso com o objetivo de atingir a sua empresa. À libertação tardia seguir-se-ia um incêndio na Molaflex por fogo posto, que interrompeu a produção por largos meses e coincidiu com um atentado bombista à casa de família.

Cinquenta anos depois, a história oficial só nos fala da rede bombista de direita, só nos narra histórias em que os trabalhadores se revoltaram contra os patrões capitalistas e só nos faz crer que, por seremos livres, temos uma dívida para com militares que traíram e envergonharam a farda. Mas, na verdade, somos livres apesar deles e graças aos que combateram os seus desmandos.

Os piores ‘orientaram-se’: Corvacho e Rosa Coutinho montaram um chorudo negócio de import/export com Angola, cobrando ao MPLA pelos serviços prestados. 
Já o esbirro que ainda hoje se vangloria de ter detido o meu Pai, de seu nome Boaventura Ferreira, acabaria condecorado por Marcelo com a Ordem da Liberdade
Esse ‘herói’ entrou no gabinete do meu Pai para o prender sem mandado de captura e com capangas armados até aos dentes. Encontrou-o a trabalhar, pois recusara-se a fugir mesmo sabendo que a canalha o ia prender.

Os empresários do antigo regime que fugiram, e viram as suas grandes empresas nacionalizadas, refizeram os negócios à custa de indemnizações compensatórias e de novos privilégios corporativos, enquanto o meu Pai e tantos outros tiveram de resgatar as suas empresas intervencionadas ou sabotadas por comunistas e pela soldadesca a soldo. Não beneficiaram de apoios e foram esmagados pela falta de crédito, dada a má vontade e incompetência dos bancários da banca nacionalizada, que depois se converteram ao capitalismo e se transformaram em banqueiros de sucesso.

Ao nosso Pai nem sequer lhe pediram desculpa pelo cativeiro, pelo dano físico e moral, pelo insulto, pelo impacto na família, pela destruição patrimonial. Os trabalhadores, que o acolheram com foguetes no dia em que regressou, mantiveram o seu emprego, mas a empresa nunca recuperou a pujança do passado. E o meu Pai nunca mais voltou a ser o mesmo: perdeu a saúde e o otimismo mas uniu-nos a todos, de dentes cerrados, até ao fim.

Agora, o Tomás faz-lhe justiça, com sobriedade e sem comiseração. Na apresentação do livro revi muitos dos antigos trabalhadores, que encontro quando vou a São João da Madeira ou à nossa quinta em Milheirós, ali ao lado. 
Para eles, serei sempre, e com orgulho, ‘o filho do senhor Ruy’. 
Os netos e bisnetos do meu Pai, que não o conheceram, e os que lerem o livro perceberão por que razão será sempre o nosso querido herói. 
Cinquenta anos depois, quando tudo parece esquecido neste país anestesiado pelos supostos brandos costumes, é importante que haja pessoas como o Tomás para tratar da amnésia

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

NÃO . . . . 
Não, isto não foi inventado por Marciano, Australopiteco, Furão, Inca, Araucanio, Cafre, Zulu, Bechuano, Papu, Caledonio, Suakin, Brahmane, Mahrata, Japonês, Turco, Vizir, Osmanli, Kirghi, Turcomano, Esquimó, Samoyedo, Lapónio, Circassiano, Georgiano, Russo, Mongol, Ossete, Arménio, Afegão, Curdo, Persa, Druso, Judeu, Árabe, Sírio, Maronita, Copta, Egípcio, Berbére, Grego, Albanês, Magiar, Eslavo, Polaco, Lituano, Alemão, Espanhol, Druida, Franco, Ibero, Celta, Fenício, Gaulês, Flamengo, Frisão, Escandinavo. . .

Não, . . . . foi cá, foi real.
Só para recordar.
AC

sábado, 10 de janeiro de 2026

NÃO . . . .

. . . . . . .

- Nós em Portugal estamos a acabar com os ricos . . .

- Ai sim ? Curioso, nós aqui na Suécia estamos a tentar acabar com os pobres . . . . 

. . . . .

Não, não foi uma "fake news", não foi parábola, hipérbole, metáfora, ou diálogo criado por IA.

Só para recordar!

AC

sábado, 22 de novembro de 2025

RECORDAÇÕES 

Uma das coisas que periodicamente faço é reler livros.

Reler também artigos de opinião, declarações, entrevistas, discursos em cerimónias solenes ou por ocasião de datas marcantes.

Acabei de reler um discurso, interessante, discurso longo, proferido no Alentejo fez em Setembro passado dois anos, discurso em que me revejo bastante.

Mas o final tem uma afirmação curiosa e que é esta - 28 de Maio ou 11 de Setembro, nunca mais!

Quando o li na altura achei curioso e ao mesmo tempo estranho.

Agora que o voltei a ler e quando andam por aí tantas e diferentes afirmações e defesas de data importante mas não a mais importante (opinião pessoal naturalmente) voltei a cogitar sobre esta frase e sobretudo uma ausência. A ausência é o 11 de Março de 1975.

Porque será que não foi referido naquele discurso?

Como sempre admito poder estar enganado, poder estar a ver mal as coisas, mas este detalhe, esta ausência, junta-se a outras coisas que, na minha opinião, poderão explicar porque razão alguns tidos por donos disto persistem em manter escondido certos factos e passados.

AC

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

 Recordações dos tempos do PREC

Uma das última fotos do gabinete do PM do V governo provisório.

AC

terça-feira, 7 de outubro de 2025

INCÊNDIO

Não, não me vou referir a incêndios deste ano nem anteriores.

Em Setembro de 1975, a Embaixada de Espanha, o chamado Palácio Palhavã sofreu atentados e acabou por ser incendiadaLembrei-me disto ao passar hoje por lá.

Eram tempos em que o PCP (que não controlava totalmente as ruas) e as várias franjas esquerdistas (esquerdalhada, como habitualmente designo) pululavam as ruas na maior complacência e passividade das forças policiais e do então existente COPCON ,em que Otelo Saraiva de Carvalho tinha papel determinante. 

Irresponsabilidade e impunidade totais, nas ruas e não só, furor revolucionário absoluto.

Sabe-se hoje que os pedidos dos representantes espanhóis às autoridades nacionais para acautelarem a segurança das instalações espanholas (Embaixada e consulados) como era nosso dever caíram em saco roto.

Vivia-se em Lisboa um clima deplorável de agitação descontrolada nas ruas, por razões políticas internas, a que se somou durante esse mês de Setembro as reações violentas e manifestações orquestradas de recriminação pela grave e de facto criticável situação política em Espanha, particularmente depois do atentado a Carrero Blanco.

Protestos crescentes contra as representações espanholas, claramente organizadas. Alucinação completa nas ruas, num ambiente deplorável, basicamente incontrolável, crescente, particularmente depois dos moderados do MFA terem obtido a maioria no conselho da revolução na sequência da assembleia do MFA em Tancos.

Na região militar de Lisboa, a esmagadora maioria das unidades integrantes, era uma pura ficção, uma bandalheira monumental.

O COPCON começou a ser esvaziado com a criação do AMI. Paralelamente, e designadamente nos comandos, e para os comandos, começaram desde 8 da Agosto de 1975 a ser recrutados e angariados antigos combatentes da guerra em África. Começara a programação do que culminaria em 25NOV75.

O anti-Espanha, o antifascismo, a revolução, a euforia revolucionaria completamente tresloucada e alienada, protestos descontrolados, irresponsabilidade e vandalismo gratuitos e inqualificáveis, prosseguiram em crescendo pelo mês fora. 

Para gáudio absoluto de uma série de canalhas ligados a grupelhos sendo que, como acontece muitas vezes na história, alguns deles viriam mais tarde a ter notoriedade na cena política nacional. Para nossa desgraça, opinião pessoal, naturalmente.

O incêndio custou bem caro aos bolsos dos contribuintes, entre eles, eu.

Como de costume, os que na altura promoveram e capitanearam os deploráveis episódios e atentados às representações espanholas culparam estrangeiros pela barbárie. Eles, inocência absoluta, nem nunca haviam pegado em tochas. Nem existem fotografias de certos rapazolas a dirigir a maltosa!

O costume.

AC

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

PREC  II

Há pouco, em conversa telefónica com um amigo, a dada altura da conversa disse-lhe que estamos em força no PREC II.

Retorquiu - eh pá, não exageres.

Eu insisti - espera mais umas semanas e lá pelo fim de Janeiro próximo me dirás quão exagerado estou.

Por mim não tenho dúvidas, estamos já no PREC II.

Também como no PREC I, quer-me parecer que PS e PCP já não "comandam" grande coisa.

No PREC I, entre muitas coisas, cercaram a AR.

No PREC II quase que cercam a AR, e usam petardos, a coisa mais legítima e democrática dos tempos modernos.

Faltará muito para ameaçarem os membros do governo com facas e pistolas?

Aguardemos.

AC

domingo, 26 de novembro de 2023

TÍPICO  MILAGRE  PORTUGUÊS
Basílio Horta: Nunca se soube de onde vinham as armas, mas vieram.

Nunca se soube de onde vieram as armas que foram parar ás mãos de gentes como, um tido por famoso pela sua estadia forçada em ilhas de África, ou a outros bem mais à sua esquerda, como a outros bem mais à sua direita e deste palrador entretido como autarca.

Tudo milagres, desde as rosas no regaço da rainha, à Cova da Iria, e a milagres de Beirolas e outras paragens. Ainda recentemente houve o milagre de Tancos.

Tenham um bom Domingo. 
Está um céu feíssimo. Pelo que vejo na previsão meteorológica, só por grande milagre aparecerá Sol, hoje e próximos dias. Saúde.
António Cabral (AC)

sábado, 25 de novembro de 2023

NÃO  ACONTECEU ?
. . . . mandados de captura em branco. . . . . . 
É só uma pergunta, ciente de que perguntar não é ofender.
AC

terça-feira, 18 de julho de 2023

A DESTRUIÇÃO das FA PORTUGUESAS

Estive a reler com mais cuidado a recente entrevista do Coronel Sanches Osório ao Expresso, que está intitulada - Os políticos têm-se entretido em destruir as Forças Armadas (FA). 

Concorde-se ou discorde-se, como sempre, as opiniões devem respeitar-se.

Pessoalmente não encontrei novidade nenhuma na entrevista em que o entrevistado é caracterizado designadamente por revolucionário desiludido.

Nada de novo encontrei quanto ás divergências ou tendências que existiam no seio dos oficiais do Exército ( como diz a entrevistadora - não estavam a cantar no mesmo coro), oficiais que mesmo no meio de pouca organização, sobressaltos etc., lograram (e ainda bem) concretizar uma revolta militar que acabou com o anterior regime.

Nada de novo encontrei quanto a tudo o que respeitou a Spínola.

Nada de novo encontrei quanto à igreja católica, 11 de Março, MDLP, ELP, Rio Maior, atentados, Vasco Gonçalves, Costa Gomes, Norte e Centro do Portugal Continental.

Nada de novo encontrei sobre Salgueiro Maia e Vasco Lourenço.

Curiosamente não detectei referência a Ramalho Eanes.

Quanto ao título da entrevista - Os políticos têm-se entretido em destruir as Forças Armadas - é uma afirmação que a realidade confirma plenamente.

Creio compreensível que até 1982 não fosse possível ou adequado encarar de frente a questão Defesa Nacional e concretamente o seu pilar militar - as FA.

Mas, como em muitas outras áreas do país (ordenamento territorial, fiscalidade, sistema de justiça, saúde, ensino, economia, indústria, mar/ZEE, cultura, património edificado, habitação, agricultura, agro-pecuária, energia, lei da nacionalidade, imigração, cidades/ vilas/ freguesias, etc.) a realidade é que estamos perto de celebrar 50 anos decorridos sobre o 25 de Abril e tem sido um "encanar a perna à rã"; e a única coisa que foi feita foi uma gradual mas substancial redução dos quadros/ recursos humanos sobretudo a partir de 1991, e um crescente estrangulamento de recursos financeiros.

A realidade mostra que os poderes públicos se comprazem e o PS em particular ainda mais, em estrangular, ao mesmo tempo que apregoam loas, sempre cientes que as chefias militares fazem umas queixinhas por ocasião dos dias de celebrações o que passa rapidamente e, desde que os Falcon voem ininterruptamente, e o Marcelo apregoe variadas vezes que são os melhores dos melhores, e se consiga manter umas tropas do Exército em países Africanos sob bandeira ONU, está tudo catita.

Definir se Portugal deve ter (entendo que DEVE) ou não FA e, tendo-as, qual a sua dimensão e em que tipos de missões externas e no âmbito de alianças podem ser empregues, isso é coisa que não interessa aos portugueses, não é sr António Costa? Não é srs deputados? Não é srs partidos políticos? Não é sr prof Marcelo?

É Portugal, é como estamos, e continuamos.

António Cabral (AC)