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terça-feira, 14 de julho de 2026

DEPUTADOS,  o COSTUME 
Deputados, os colocados na Europa e por cá 

Li num dos jornais online afectos às esquerdas que deputados Europeus tendo à cabeça um conhecido deputado do PCP reclamam acções para proteger crianças palestinianas. 

Reclamam acções eficazes e consistentes para proteger as crianças palestinianas e o povo palestiniano face à brutal violência de Israel.
Reclamam das instituições europeias a adopção de medidas urgentes e eficazes que contribuam para pôr fim à agressão israelita contra o povo palestiniano.

Pela minha parte não tenho dúvidas que em várias situações as forças armadas de Israel actuarão à margem de tudo.

É interessante verificar a (legítima e fundada) preocupação para com as crianças palestinianas.
Ainda mais interessante verificar ao mesmo tempo a preocupação para com as crianças israelitas mortas e feridas há décadas sob os projécteis do Hamas e do Hesbolath.
Um NÃO FACTO. 
Como dizia o Sócrates quando era PM - isso não interessa para nada!
Não devem ser crianças, se calhar vermes desprezíveis.

Como de costume para a esquerdalhada a selectividade é um dos seus  dogmas.

E já agora mais uns exemplos da coerência dessa gente.

Para a esquerdalhada portuguesa e europeia e outros, as mortes e violências no Norte de Moçambique e na Nigéria onde nas duas zonas prosseguem as operações terroristas de inspiração islâmica, aí as mulheres e as crianças devem ser coisas certamente desprezíveis, pois não parecem merecer o olhar das esquerdas, a mesma indignação desses democratas. 

O que são essas "coisas" nessas partes de África comparado com os palestinianos?
VERMES certamente!

E assim continuamos.

AC 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

AINDA  a  RECENTE  GREVE  GERAL

A recente greve foi formalmente decretada pela CGTP e denominada geral embora, formalmente, não tenha sido geral pois a associação sindical UGT não acompanhou os seus companheiros de luta.

Portanto, formalmente, uma greve que só foi geral no paleio, não apenas mas basicamente vermelhusca.
E quanto à adesão real, certamente houve adesão fora do quadro CGTP mas creio que não tanta como a CGTP declarou. 
Mas mais do que o governo pateticamente desvalorizou. 

Além da greve dita geral, quer a CGTP quer os seus associados trataram de organizar mais umas greves e mais uns plenários. 
Os plenários não são greves mas, na prática, e por exemplo os professores, nesses dias não dão aulas.
Se forem os funcionários das escolas (os chamados não docentes) mas os professores estejam prontos para dar aulas não há aulas na mesma, pois os funcionários não abrem as escolas. Não é lindo?

Já aqui falei nas diferentes e diversas interrupções de aulas que tem atingido o meu neto que terminou há 8 dias o 2º ano de escolaridade.
Os professores voltaram a não dar aulas (Setúbal) várias vezes.
E o neto passou o tempo connosco nesses dias.

Relativamente a isto houve uma curiosidade, uma coisa que fiquei a saber.

A nossa mulher a dias (*), na realidade uma ou periodicamente duas vezes por semana (habitualmente ela vem só às 4ª F), uma senhora Moldava (está cá há 15 anos com o marido, um dos filhos e nora e os dois netos) de 60 anos, e que tem um jeito enorme para crianças, adora crianças, ficou espantada ao ver o nosso neto em casa sobretudo depois de perceber que se devia a greve/ não haver aulas.

"No meu país quase não há greves e as aulas não são interrompidas, há sempre outros professores para preencher faltas"

Vendo isto como "comprei"!

Apeteceu-me dizer-lhe - pois mas isto aqui é a Tugolândia, em que a greve e BEM tem proteção Constitucional mas, a par disto, por cá é tudo uma rebaldaria e uma palhaçada pegada, sem rei nem roque, fazem o que lhes aprouver, estão-se borrifando para as consequências a prazo para a sociedade.

Mas fiquei calado. 

AC

(*) o padreca diz que é a senhora que ajuda lá em casa)

terça-feira, 23 de junho de 2026

PROVA  de  VIDA

Apercebi-me por um "zaping" rápido pelas notícias (???) televisivas de que o PCP fez prova de vida.

Organizou uma pequena marcha em Lisboa para celebrar o chumbo do tosco pacote laboral que teve uma gestação de um pouco mais de 9 meses e de que surgiu um aborto.

Na frente da fila da manifestação lá estava, naturalmente, Don Raimundo e uns do costume um bocado com ar de frete quase emplastros, e entre os do costume o habitual e bem falante Eurodeputado (entre outros cargos) do PCP.

Caricato, não ?

AC 

terça-feira, 16 de junho de 2026

Resposta a Anselmo Crespo
Enquanto ao atravessar o Tejo de barco neste passado Sábado 13 de Junho passava os olhos pelas gordas no telemóvel, dei com um artigo da médica e sindicalista Joana Bordalo e Sá com o título supra.
Segue-se o artigo onde os sublinhados a vermelho são da minha responsabilidade.

A diferença entre duas horas por semana e duas horas por dia não é um detalhe. É precisamente a diferença entre comentar um tema e conhecê-lo.

Li com interesse a crónica de Anselmo Crespo sobre a greve geral (Uma greve geral que sabe a férias) de 3 de junho. 
Interessa-me particularmente porque fui uma das pessoas mencionadas no texto e porque, sendo oncologista médica, presidente do Sindicato dos Médicos do Norte e vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos, conheço razoavelmente bem a realidade laboral que motivou a mobilização de milhares de trabalhadores.

Permita-me, por isso, um convite à reflexão.

Quando se discutem horários, descanso, trabalho suplementar ou direitos laborais dos médicos, não estamos apenas a discutir condições de trabalho. Estamos também a discutir a segurança dos doentes. Um médico exausto toma decisões complexas em condições cada vez mais adversas, com consequências que podem atingir qualquer cidadão. É por isso que esta discussão diz respeito a todos.

O argumento central da crónica assenta numa perplexidade repetida ao longo de vários parágrafos: se a maioria das alterações ao Código do Trabalho não se aplica aos funcionários públicos, quais são as razões para tantos trabalhadores do Estado aderirem à greve geral?

A resposta é simples: porque a premissa está errada.

A chamada Reforma Laboral corresponde a um conjunto vasto de alterações ao Código do Trabalho que o governo pretende introduzir e cujos efeitos extravasam largamente o setor privado. Desde logo porque milhares de médicos trabalham com Contrato Individual de Trabalho no Serviço Nacional de Saúde. 
Mas também porque a própria Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas remete, em diversas matérias, para normas do Código do Trabalho, fazendo com que parte destas alterações tenha igualmente impacto sobre trabalhadores com Contrato de Trabalho em Funções Públicas.

Talvez por isso a questão relevante não seja perceber porque fizeram greve os médicos, mas antes perguntar se alguém considera aceitáveis algumas das mudanças propostas.

Considera razoável que um empregador possa opor-se à reintegração de um trabalhador ilicitamente despedido, substituindo esse direito por uma indemnização? 
Será aceitável que um despedimento considerado ilegal possa terminar, na prática, com a possibilidade de o empregador ‘comprar’ a saída do profissional?

Considera adequado alargar a subcontratação, permitindo substituir postos de trabalho permanentes por empresas externas, frequentemente associadas a vínculos mais frágeis, salários inferiores e menor proteção laboral?

Considera aceitável eliminar o luto gestacional, apagando da lei o reconhecimento de uma perda profundamente dolorosa para as famílias? Saberá o autor da crónica o que significa perder um filho antes mesmo de o poder conhecer?

Considera normal restringir o acesso ao horário flexível e permitir que profissionais com filhos menores de 12 anos possam ser obrigados a trabalhar à noite, aos fins de semana e em feriados? Conhecerá a realidade de uma médica que, depois de uma noite inteira de urgência, regressa a casa para cuidar e amamentar um bebé?

E, no caso concreto dos médicos, considera compatível com a segurança dos doentes a desregulação dos horários de trabalho?

Na sua crónica, Anselmo Crespo refere que o banco de horas obrigaria os médicos a trabalhar mais duas horas por semana. 
Permita-me uma correção factual. 
A proposta prevê a reintrodução do banco de horas individual, regressando a um modelo já conhecido do período da troika, permitindo aumentar unilateralmente o período normal de trabalho em até duas horas por dia, podendo atingir as 50 horas semanais.

A diferença entre duas horas por semana e duas horas por dia não é um detalhe. 
É precisamente a diferença entre comentar um tema e conhecê-lo.

Quando um médico termina uma noite de urgência, toma decisões clínicas complexas após muitas horas de trabalho consecutivo. Quando o mesmo médico regressa ao serviço no dia seguinte, acumulando fadiga física e desgaste emocional, a discussão sobre horários deixa de ser uma abstração ideológica para passar a ser uma questão de segurança clínica.

É por isso que os médicos aderiram à greve geral. 
Não para defender privilégios. Não por oportunismo. 
Não por estarem à procura de um fim de semana prolongado.

Fizeram greve porque sabem que a qualidade dos cuidados de saúde depende também das condições de trabalho de quem os presta. 
Porque um médico exausto é um risco para si próprio, para os seus colegas e, sobretudo, para os doentes que lhe confiam a sua saúde.

Anselmo Crespo termina a sua crónica lamentando a falta de capacidade reformista do país. 
Concordo que Portugal precisa de reformas. 
Mas reformas não são necessariamente boas apenas porque se apresentam como reformas. 
O verdadeiro reformismo exige conhecimento, debate informado e avaliação rigorosa das consequências concretas das medidas propostas.

Talvez seja precisamente isso que esta discussão mereça: menos perplexidade e mais análise. 
Porque quando se fala das condições de trabalho dos médicos, não se está apenas a falar dos médicos. 
Está-se a falar da qualidade e da segurança dos cuidados de saúde de todos nós.

Joana Bordalo e Sá
Oncologista médica, presidente da Comissão Executiva do SMN
SOL/ 12 Junho 2026
*********************************
Não sou médico. Sou de família de médicos e enfermeiros (2 senhoras, 1 homem, ainda no activo); antes de casar tinha 2 médicos na família, primos direitos da minha mãe.
Quando casei ficaram a ser salvo erro 18 (sogro, pai da sogra, vários tios, primos vários 1º e 2º grau).
Praticamente todos desaparecidos.

Médicos actualmente são apenas cinco, 2 primos, 2 sobrinhas, 1 cunhado.
Os enfermeiros estão no topo da carreira hospitalar.
E por aqui se pode avaliar que conhecemos muitos médicos, dentro e fora do SNS. Alguns são mais que médicos, são amigos.

Conheço alguma coisa do SNS e da saúde na privada. 
Sei poucachinho (Costa dixit) mas como a médica bem afirma isto respeita a todos, e por isso umas palavras.

Ah, tenho uma noção "poucochinha" (ai Costa) dos hospitais de Sintra, Santa Maria, Santa Marta, Castelo Branco, Cascais, Barreiro, Setúbal, Luz (Setúbal e Lx), Lusíadas, CUF Tejo, CUF Descobertas, e é não é só devido a consultas próprias e de familiares e de amigos.

Como afirma a sindicalista médica, isto respeita a todos nós.
Já aqui falei da reforma (??) laboral, não vou perder muito mais tempo com isso nem com algumas verdadeiras bacoradas por exemplo em relação aos filhos.

Mas a senhora sindicalista médica que se afirma pelo rigor poderia ter dito mais qualquer coisa sobre o tal banco de horas.
Posso ter lido mal e portanto aqui fica a reserva, mas creio que pelo  que está escrito, o banco de horas só pode entrar em vigor se o trabalhador anuir. Repito, creio ter lido bem.

Naturalmente que a sindicalista médica nunca explicita a sua ideologia/ filiação partidária (LEGÍTIMA) mas podia referir isso, em vez de se ficar pela referência formal da especialidade e cargos sindicais. 

Eu sempre fui centrista, votei sempre em todas as eleições desde o 25 de Abril, PS e PSD, na Constituinte, nas legislativas, nas autárquicas; quanto a PR, Eanes das duas vezes, branco nas eleições seguintes, Sampaio e branco, Cavaco e branco, Marcelo e branco, e branco na última presidencial.

Em meu entender a sindicalista médica tem absoluta razão quando refere que há que ter bem presente que isto de saúde respeita a todos, e que as decisões médicas têm consequências para os cidadãos. 
A tal segurança dos doentes.

Não li nem fui procurar o que o tal jornalista terá escrito ou dito. 
É criatura que nos escassos períodos em que faço curtos zaping pelos canais TV mudo logo de canal se me aparece pela frente o seu rosto.

Mas há pelo menos uma coisa em que ele ao falara de férias tem alguma razão, na minha opinião naturalmente.

Quanto a sindicalista médica e outros marcarem greves gerais ou parciais a meio de uma semana sem ficarem coladas a feriados ou fins de semana, nessa altura terão o meu respeito por, com legitimidade absoluta, recorrerem a um direito que tem respaldo constitucional. 
E que muitos esquecem ou fingem não saber que a greve tem proteção da constitucional.

E terão ainda mais respeito da minha parte quando fizerem greves sem ter em conta a cor do governo do momento.

A sindicalista médica e outros devem ter feito violentos protestos e muitas greves durante os extraordinários 8 anos e algumas semanas por as suas carreiras não terem sido revistas/ reformuladas, tal como as carreiras hospitalares e as carreiras dos enfermeiros e outro pessoal do SNS.

Violentos protestos e muitas greves devem ter feito por as maravilhosas cativações Costa / Centeno não terem permitido a  substituição de equipamentos hospitalares nem a reformulação das urgências.
Fizeram isso e muito mais certamente, não reparei porque sou muito distraído.

AC

domingo, 10 de maio de 2026

PORQUE  ME  TEREI  LEMBRADO ?


Porque me terei lembrado desta fotografia e do que ela demonstrava? 

Aparentemente ainda hoje em certos sectores vigora esse espírito, que o da esquerda da foto em baixo tão rigorosa e perseverantemente prosseguiu.

AC

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Lido por aí

CGTP: “O Presidente da República tem de ouvir a maioria dos trabalhadores”

Li e não consigo deixar de sorrir.

Mas antes de mais recordar o que já aqui escrevi antes, que não percebendo nada do assunto estou em crer que o projecto de lei laboral do governo é bem capaz de continuar a ter algumas normas discutíveis.

Exactamente, isto é tudo sobre o projecto de lei laboral.
Projecto que até Mário Centeno veio agora a público dizer que nem era assim nada de muito especial.

Mário Centeno deve estar já excomungado pela CGTP e partido suporte, por António Costa, pela esquerdalhada no PS liderada pelo regressado, etc.

Agora vamos ao que noticiam e que vou presumir terá sido mesmo formulado pela CGTP.

A maioria dos trabalhadores.

1º - estou convencido que uma grande maioria não está sindicalizada

2º - os que a CGTP representa são apenas uma pequenina parte dos milhões de portugueses que trabalham

3º - os que a UGT representa são também apenas uma pequena parte dos portugueses que trabalham

4º - os representados pela UGT mais CGTP aposto que nem se aproxima de metade dos portugueses que trabalham

5º - Imaginemos que na última manifestação da CGTP em LISBOA, repito, em LISBOA,  estiveram 200 000,00 portugueses; obviamente que não são a maioria dos portugueses que trabalham.

Portanto, de que maioria estamos a falar?

Como sempre admito estar a ver mal as coisas!

Bom dia, tenham uma boa 5ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida. Boa sorte.

AC

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

António Filipe não fará campanha no dia da greve geral
Candidato presidencial diz que não se trata de fazer greve, porque "ser candidato a Presidente não é propriamente um posto de trabalho". Não terá ações de campanha, mas estará junto a piquete de greve
.

Muito bem, a seguir o exemplo do seu chefe partidário.
Nenhum deles fará campanha. POIS!

AC

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

25  NOVEMBRO  1975
Estive a ler notícias que atribuem ao coronel Vasco Lourenço várias afirmações a propósito do 25 de Novembro, declarações por ocasião do lançamento do seu livro "O 25 de Novembro - Memórias de um Capitão de Abril".

Este título lembra-me outros livros dos muitos que já li sobre o 25 de Novembro, por exemplo o do coronel Sousa e Castro intitulado - Capitão de Abril, Capitão de Novembro.

Entre as coisas que li retive as seguintes: 
1º- Governo deve envergonhar-se de comissão de "fachada" para o 25 de Novembro 
2º- lamenta ver o “amigo” Alípio Tomé Pinto à frente do organismo.
3º- a comissão para o 25 de Novembro é uma "palhaçada", não é apartidária e independente.
4º- o executivo que se envergonhe desta decisão
5º- não olho para a Assembleia da República como idónea e responsável 
6º- olhem para o espelho e envergonhem-se da cara que veem refletida no espelho. (…) Não são pessoas de bem
7º- Otelo Saraiva de Carvalho, na verdade, e ao contrário do que é muita vezes referido, foi traído pelo PCP no 25 de novembro.
8º- Quando nós criamos a Associação do 25 de Abril, de que ele (Mário Soares) é sócio de honra (…), ele contestava a nossa existência e dizia-me: "mas Vasco Lourenço, você no 25 de Novembro estava de um lado e os comunistas do outro e você agora está com eles na Associação"
E eu disse-lhe: "Mário, no 25 de Abril, você estava de um lado e os fascistas estavam do outro e você já fez um Governo com o partido mais à direita do espectro, um que, teoricamente, pelo menos estarão os fascistas”
9º- Ainda hoje, há muita gente, muitos comunistas, a chamarem traidor ao então secretário-geral Álvaro Cunhal, os próprios comunistas chamam, porque ele recuou a certa altura, depois de ter mandado avançar, recuou. E, como eu digo no livro, o Álvaro Cunhal justificou-se dizendo que ‘o Careca borregou’. O Careca era o Rosa Coutinho. Porquê? Porque eles fizeram mal a leitura da situação, contaram que iam ter a intervenção dos fuzileiros, avançaram, e depois isso não aconteceu
10º- escreveram que o 25 de Novembro foi um golpe dirigido pelo PCP através do Melo Antunes e do Ramalho Eanes nunca me tinha passado pela cabeça. 
+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Li até hoje muitos livros sobre o 25 de Novembro de 1975.
Li provavelmente todas as entrevistas e confissões ao longo dos anos vindas a público. 
Livros, entrevistas, discursos, curtas declarações, de Ramalho Eanes (uma das últimas posições é de 20 de Novembro de 2024), Sousa e Castro, Diniz de Almeida, Vasco Lourenço, Carlos de Matos Gomes, Melo Antunes, Vasco Gonçalves, Mário Tomé, Mário Soares, Gomes Mota, Edmundo Pedro, Otelo Saraiva de Carvalho, Álvaro Cunhal, M.M.Cruzeiro, J.P.Castanheira, Pinheiro de Azevedo, etc.

Voltando às declarações de Vasco Lourenço e concretamente da 1ª à 6ª e que acima reproduzo, também creio que nesta comemoração há palhaçada, há Nuno Melismo muito discutível.
Não tenho que me pronunciar sobre Vasco Lourenço designar Tomé Pinto como "amigo". 

Recordo apenas que dos muitos militares que andaram por aí desde 25 de Abril de 1974, vários acabariam mais tarde por ser promovidos a oficiais generais (Tomé Pinto um deles), enquanto uns outros não foram promovidos ao estrelato.
Recordo concretamente Salgueiro Maia que, curiosamente, creio nunca ter integrado o conselho dos 20 nem o Conselho da Revolução. Curioso!

Quanto à declaração que numerei como 7ª, quem traiu quem é para mim uma das muitas dúvidas sobre a controversa data. 
Mário Soares e Álvaro Cunhal já não estão entre nós. 
Se estivessem creio que continuariam a guardar segredos.
Nunca clarificaram isto com toda a crueza. Porquê?

Não tenho de comentar a 8ª. Ela e muitas outras coisas apenas confirmam ligações e preparações.

Quanto à 9ª, quem mandou avançar, quem mandou recuar, quem fez bem as contas, quem as fez mal, qual o papel real que estava destinado à Marinha nomeadamente para os fuzileiros, quem aparentemente foi à margem Sul tentar acalmar ânimos, que fez ou não fez Rosa Coutinho, a quem falou e com quem se reuniu Melo Antunes na semana anterior ao 25NOV, são várias das minhas interrogações.

Mas o que se passou entre 11 de Março de 1975 e 25 de Novembro de 1975? O que se passou verdadeiramente?
O que se passou entre 9 de Agosto e 25 de Novembro de 1975?
Quem se encontrou com quem na semana anterior a 25NOV75?
É mesmo verdade que Costa Gomes foi apanhado de surpresa quando os Nove e Ramalho Eanes lhe apresentaram o plano deles?
Quem corria/ correu em mais do que um tabuleiro de xadrez?

Alguns sintetizam os acontecimentos do 25 de Novembro de 1975, como um confronto entre forças militares antagónicas. 
Certamente que no terreno acabou por ter sido assim.
Certamente que esta data marcou o fim do trágico (opinião pessoal naturalmente) PREC. 
Creio que isto é consensual.

Estão ainda vivos muitos que sabem disto tudo. 
Porque não se esclarece tudo em vez de se continuar a ficar por acusações de palhaçada (justas, na minha opinião) e a continuar apenas com as verdades incompletas dos que se têm por donos disto?

Bom dia e boa sorte.
Cuidado com o tempo, por aqui desde as 0540 horas uma trovoada brutal.

António Cabral (AC)

terça-feira, 7 de outubro de 2025

INCÊNDIO

Não, não me vou referir a incêndios deste ano nem anteriores.

Em Setembro de 1975, a Embaixada de Espanha, o chamado Palácio Palhavã sofreu atentados e acabou por ser incendiada. Lembrei-me disto ao passar hoje por lá.

Eram tempos em que o PCP (que não controlava totalmente as ruas) e as várias franjas esquerdistas (esquerdalhada, como habitualmente designo) pululavam as ruas na maior complacência e passividade das forças policiais e do então existente COPCON ,em que Otelo Saraiva de Carvalho tinha papel determinante. 

Irresponsabilidade e impunidade totais, nas ruas e não só, furor revolucionário absoluto.

Sabe-se hoje que os pedidos dos representantes espanhóis às autoridades nacionais para acautelarem a segurança das instalações espanholas (Embaixada e consulados) como era nosso dever caíram em saco roto.

Vivia-se em Lisboa um clima deplorável de agitação descontrolada nas ruas, por razões políticas internas, a que se somou durante esse mês de Setembro as reações violentas e manifestações orquestradas de recriminação pela grave e de facto criticável situação política em Espanha, particularmente depois do atentado a Carrero Blanco.

Protestos crescentes contra as representações espanholas, claramente organizadas. Alucinação completa nas ruas, num ambiente deplorável, basicamente incontrolável, crescente, particularmente depois dos moderados do MFA terem obtido a maioria no conselho da revolução na sequência da assembleia do MFA em Tancos.

Na região militar de Lisboa, a esmagadora maioria das unidades integrantes, era uma pura ficção, uma bandalheira monumental.

O COPCON começou a ser esvaziado com a criação do AMI. Paralelamente, e designadamente nos comandos, e para os comandos, começaram desde 8 da Agosto de 1975 a ser recrutados e angariados antigos combatentes da guerra em África. Começara a programação do que culminaria em 25NOV75.

O anti-Espanha, o antifascismo, a revolução, a euforia revolucionaria completamente tresloucada e alienada, protestos descontrolados, irresponsabilidade e vandalismo gratuitos e inqualificáveis, prosseguiram em crescendo pelo mês fora. 

Para gáudio absoluto de uma série de canalhas ligados a grupelhos sendo que, como acontece muitas vezes na história, alguns deles viriam mais tarde a ter notoriedade na cena política nacional. Para nossa desgraça, opinião pessoal, naturalmente.

O incêndio custou bem caro aos bolsos dos contribuintes, entre eles, eu.

Como de costume, os que na altura promoveram e capitanearam os deploráveis episódios e atentados às representações espanholas culparam estrangeiros pela barbárie. Eles, inocência absoluta, nem nunca haviam pegado em tochas. Nem existem fotografias de certos rapazolas a dirigir a maltosa!

O costume.

AC

domingo, 5 de outubro de 2025

Lembrei-me deste boneco depois de ler o artigo que me enviaram, de Pacheco Pereira, de Sábado 13 de Setembro, no "perdócio", e sobretudo pelo alarido que vai por aí sobre a decisão deste governo celebrar os 50 anos passados sobre o 25NOV75.

Uma celebração que devia ser o que, parece, vários não querem que seja, para que eventualmente venha a ser uma palhaçada. 
 
Salvo melhor opinião, este boneco é extraordinário, fala de muitas coisas reais dessa altura, basta reparar no tamanho de cada criatura, nos sorrisos de Cunhal, e sobretudo nas extraordinárias "falas" de alguns dos "bonecos". 
Deixa muitas interrogações e subentendidos, é a minha opinião.

Não tenciono perder tempo a ir ver o que diz a tal resolução ministerial sobre a coisa. 
Basta-me saber que, creio, é Nuno Melo que orienta a coisa e Tomé Pinto a organizar a operação, para eu ter reservas sobre a dita comemoração governamental.

Calhou ouvir outro dia no rádio do carro, na TSF, algumas afirmações e indignações sobre a dita programada comemoração, particularmente do coronel Sousa e Castro, um dos 9, um dos do Documento dos Nove. Fui rever algumas coisas da Associação 25 de Abril. 
Tenho vários livros sobre 25ABR74, e o que se lhe seguiu.

Não tive qualquer participação no 25 de Abril de 1974, nem no 25NOV75.

Sou muito amigo de um oficial dos que estavam na Guiné quando se deu o 25 de Abril de 1974. 
Conheci fugazmente Carlos de Matos Gomes quando esteve a bordo do navio (1972 e 1973) para onde eu fora mandado cumprir 21 meses na guerra, e conheço vários civis e militares de alguma forma ligados ao período 1973/ 1976. Sei de algumas coisas. 
Safei um amigo de uma quase certa forte enrascada pós 25 NOV.

O que adiante escrevo é opinião pessoal, naturalmente. 
Discutível certamente, a respeitar como respeito as opiniões de outrem. Sempre. Concorde ou discorde.

O 25 de Abril de 1974 foi uma acção inédita levada a cabo por militares. 
Por militares, . . . . . . não pela instituição militar do tempo. 

Provavelmente irrepetível. 
Não há guerra colonial, e as questões corporativas no presente são de outra natureza.
Indiscutivelmente, abriu as portas à liberdade e à paz em África.

O 25 de Abril deu-nos a Constituição e a Liberdade, sendo o inicial, decisivo e fundamental primeiro passo para as eleições para a Constituinte em 1975, onde os portugueses votaram em massa. 
Aí se viu a diferença entre o que se grita nas ruas e o que as urnas ditam. 
Tal como acontece hoje.

Creio que é correcto dizer que os principais militares do 25NOV75 foram dos principais em Abril de 1974.

O que em certos sectores, à esquerda e à direita, se continua a dizer sobre o verdadeiro espírito da democracia, mantém em mim a sensação de que, de um lado e outro, persistem incómodos que não querem confessar. Ou que não lhe convém confessar.

O grande espírito da democracia está, para mim naturalmente, no 25 de Abril de 1974. 
É dele que nasceu o país em que felizmente vivo.

O lamentável estado em que estamos? Isso é outra história.

A história mundial e Portugal não é excepção, continua a ser feita de recuos e avanços. Sempre assim foi e será, e há e haverá sempre ofensivas, de muitos sectores.
A mim não me encantam Nunos Melos e menos ainda Chegas!

Mas também nunca me encantaram amanhãs que cantam nem amplas liberdades.
Quanto a tentativas de reescrever a história portuguesa dos últimos 51 anos noto a insistência irracional de uns quantos, mas não creio que o monopólio esteja só à direita.

Do que conheço, e designadamente sobre o 25NOV75, a primeira figura a homenagear é, sem sombra de dúvidas para mim, o general Costa Gomes. 
O mais inteligente, sensato, equilibrado e visionário de todos. 
Logo na definição do líder da Junta de Salvação Nacional antes de aparecerem de madrugada na TV, se viu a sua lucidez e o ver longe.

Como disse acima, não perco tempo a ir ler a tal resolução governamental.
Comemore-se o 25NOV, com dignidade, com decência, com sobriedade, evocando antes de tudo e todos o nome do general Costa Gomes, recordando o grupo dos 9, o Documento dos Nove, Ramalho Eanes, Salgueiro Maia (nunca integrou o conselho da revolução), Mário Soares. 
Alguns outros nomes que alguns quererão glorificar são mais que questionáveis, na minha opinião naturalmente.

Mas não façam palhaçadas de desfiles militares, de salvas artilheiras de navios de guerra, de sobrevoo de aviões e helicópteros.
Tenham tento na língua. Tenham tento na língua, vergonha na cara.

Se Marcelo Rebelo de Sousa (que formalmente é o comandante supremo das forças armadas, na prática. . . ) tiver vergonha na cara, discordará liminarmente de palhaçadas que, ou muito me engano, ou Nuno Melo e outros quererão concretizar.

Deve ser por isto, por esta eventualidade, que aos microfones da TSF ouvi Sousa e Castro dizer - O 25 de Abril é que foi a operação militar que o Exército português devia comemorar. Mas não comemorando o 25 de Abril, ao menos que tenham tento e que pensem que o Exército português estava praticamente todo do lado do Grupo dos Nove - todo, todo o Exército estava do nosso lado.

TENHAM TENTO, é um excelente resumo!

Lamentavelmente, o 25NOV75 continua a ser um dos episódios mais polémicos e, em alguns aspetos, nebulosos do chamado Processo Revolucionário Português, e concretamente quanto ao tristemente famoso PREC.

DATAS, porventura com interesse:
Não inscrevo aqui as datas das reuniões principais do Movimento dos Capitães, do Movimento de Oficiais das Forças Armadas depois, do MFA depois, nem de várias outras intermédias e de menor participação em casa deste e daquele oficial, tudo desembocando no 25 de Abril de 1974.

- 31DEZ68 - Vigília na igreja S. Domingos, até 0600 horas 1JAN69
- 12OUT72 - Ribeiro dos Santos assassinado nas instalações do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras
- 30DEZ72 - Vigília na Capela do Rato
- 31DEZ72 - Invasão policial da Capela do Rato
- 4-8 ABR73 - Aveiro, III Congresso Republicano 
- 19ABR73 - Fundação do PS na Alemanha
- 1-3 JUN 73 - Porto, I Congresso de Combatentes
- 28AGO73 - Oficiais em serviço na Guiné enviam uma exposição aos poderes de então
- 17DEZ73 - denunciada tentativa de golpe de Estado liderada por Kaulza de Arriaga
- 16MAR74 - Golpe das Caldas da Rainha
- 27ABR74 - Chegada de Mário Soares a Lisboa
- 30ABR74 - Chegada de Álvaro Cunhal a Lisboa
- 8JUL74 - Criação do COPCON
- 28SET74 - Manifestação da maioria silenciosa 
- 12OUT74 - Penalva do Castelo, primeira explosão de origem criminosa
- 19OUT74 - Henry Kissinger oferece um almoço a várias personalidades, entre elas Costa Gomes e Mário Soares
- 31OUT 74 - lei sobre os partidos
- JAN75 - Frank Carlucci chega a Lisboa para chefiar a embaixada dos EUA
- 19JAN75 - MFA reafirma assegurar a realização de eleições para a Constituinte
- 24FEV75 - Penalva do Castelo, segunda explosão de origem criminosa
- 11MAR75 - Tentativa de golpe militar de Spínola
- 24MAR75 - Spínola e outros 18 oficiais expulsos das FA
- 14MAR75 - Criação do Conselho da Revolução
- 11ABR75 - CDS, FSP, MDP/CDE, PCP, PPD, PS, assinam Pacto com o MFA
- 1MAI75 - Mário Soares impedido de entrar na tribuna durante as comemorações do 1º de Maio
- 19MAI75 - Início do conflito entre trabalhadores e direcção do jornal República
- 20MAI75 - Kissinger reune-se com Melo Antunes
- 30MAI75 - Em Helsínquia, Kissinger e Gerald Ford têm conversações com Vasco Gonçalves
- 2JUN75 - Abertura solene da Assembleia Constituinte
- 8JUL75 - Institucionalizados, comissões de moradores, comissões de trabalhadores e outros organismos de defesa da revolução
- 11JUL75 - Em conferência de imprensa, Mário Soares afirma - estamos para saber como foram escolhidas as pessoas que compõem a Assembleia do MFA
- 19JUL75 - Comício do PS na Alameda em Lisboa
- 22JUL75 - Carlucci encontra-se com Melo Antunes
-7AGO75 - Comunicado de Melo Antunes e outros contra a facção radical do MFA no Conselho da Revolução
- 8AGO75 - Defendem alguns que é nesta data que começou a ser preparado o 25NOV75 
- 9AGO75 - Franco Charais, Pezarat Correia, Vitor Alves, Melo Antunes, Vitor Crespo, Vasco Lourenço, Sousa e Castro, são suspensos do Conselho de Revolução
- 5SET75 - Assembleia do MFA em Tancos, onde moderados obtêm maioria no Conselho de Revolução
- 5SET75 - II Conselho da Revolução
- SET75 - Depois da criação do AMI (Agrupamento militar de intervenção), o COPCON fica gradualmente esvaziado
- 27SET75 - Embaixada e consulado espanhóis destruídos na sequência de manifestação antifranquista de extrema esquerda liderada por conhecidas e proeminentes figuras públicas do sistema político nacional
- 7NOV75 - Por ordem do Conselho de Revolução destruído à bomba o emissor da Renascença na Buraca
- 11NOV75 - Palácio de S.Bento cercado por uma manifestação de trabalhadores da construção civil, sequestrando deputados e membros do governo
- 16NOV75 - Lisboa invadida por manifestação organizada pelas comissões de trabalhadores da cintura industrial de Lisboa e por UCP alentejanas
- 20NOV75 - Otelo é substituído por Vasco Lourenço no comando da Região Militar de Lisboa
- 23NOV75 - PS enche de novo a Alameda em Lisboa com manifestação de apoio ao VI governo provisório
- 25NOV75 - Presidente Costa Gomes declara o estado de emergência, assume o comando directo das unidades militares da Região Militar de Lisboa, e declara o estado de sítio em Lisboa
- 29NOV75 - Em conferência de imprensa Sá Carneiro acusa o PCP de ser responsável pela insubordinação militar verificada
- FEV76 - II Pacto MFA - partidos políticos
- 2ABR76 - Aprovação da Constituição da República Portuguesa
- 14MAI76 - Ramalho Eanes anuncia a sua candidatura à Presidência da República
- 18MAI76 - PCP anuncia a candidatura de Octávio Pato à Presidência da República
- 18MAI76 - Pinheiro de Azevedo anuncia a sua candidatura à Presidência da República
- 27MAI76 - Otelo anuncia a sua candidatura à Presidência da República

25NOV75. 
- Que 25NOV75?
- Quantos planos militares? Quem os dirigia, quem fazia parte deles?
    - 25NOV do grupo dos 9?
    - grupo militar de Ramalho Eanes?
    - plano dos coronéis?
    - grupo Maria da fonte?
    - grupo CODECO?
- Quantos golpes? 

- Como defende Pacheco Pereira (PP), um 25NOV da ala esquerdista  das Forças Armadas (FA), e o de 26NOV tentando ilegalizar  o PCP?
- Plano de contenção? Que plano de contenção? 
- Quem fazia parte dele?
- Tudo começou porque os pára-quedistas sairam?
- Quem os mandou sair?
- Sairam por razões apenas corporativas?
- Havia quase guerra civil? Poderia vir a haver?

- O grande risco do 25NOV75 como defende Pacheco Pereira, foi o choque (possível? provável?) com os militares esquerdistas, ligados ao COPCON e a alguns mas não todos os sectores gonçalvistas que, se tivesse expressão armada significativa teria provocado  um conflito grave ?
- Comportamento e decisões de Otelo Saraiva de Carvalho?
- Posicionamentos do PCP? E dos grupelhos à sua esquerda?

Não sei, mas há quem sabe e continua a não dizer tudo. 
PORQUÊ?
Interpretações? E que tal a verdade, finalmente ? 
Já passaram 50 anos!

Sem OTELO teria havido o 25ABR74?
Não sei. 
Mas creio que foi determinante para a sua preparação e   concretização.
 
"Conhecer a verdade implica ir à procura  da história das "coisas".
É uma verdade indesmentível, é a minha opinião também, desde há décadas. 
Porque continuam alguns, que se arvoram "donos", a não nos dizerem TODAS as COISAS que se passaram, vir explicar meandros?

O 25NOV75 não foge à regra da história, a nacional e internacional: na história "oficial" que anda em Portugal há muito, obviamente que foram criadas personalidades segundo certas conveniências.

Um dos busílis está porventura aqui, a criação de personalidades, e  certas conveniências.
Por exemplo, no comentário que há tempos ouvi na TSF e já supra referido, na parte final desse comentário saiu . . . . Eanes pôs-se a jeito!

Não faço ideia.

Quando alguns dizem e escrevem que o 25ABR74 - foi obra de um movimento estritamente militar e apartidário sem qualquer componente civil e influências ideológicas determinantes - respeito, e sorrio.

Quem assim escreve e o mantém ao longo de décadas toma-nos por tontos e desmemoriados. 
Demonstram, na minha modesta opinião naturalmente, desonestidade intelectual pura.

É sabido que, particularmente nos últimos anos da guerra em África/ guerra colonial/ guerra do Ultramar, a presença de centenas e centenas de milicianos nas fileiras militares (13 anos de guerra) teve gradual e determinante influência em muitos oficiais, sobretudo do Exército. 

E também houve quem tivesse ligações a certos partidos, como também houve quem lesse muitos livros e publicações, em 1971 por exemplo, até finais de 1974. LEGITIMAMENTE!

Como houve e há, desde 25ABR74, ligações a partidos políticos.
Legitimamente para os fora do activo.

É sabido, mas muitos fingem desconhecer, e infelizmente muitos mais continuam a acreditar que os bebés chegam de Paris embrulhados numa fralda pendurada no bico de uma cegonha, que os tempos contemporâneos nas democracias ocidentais estão muito complicados e que, sorrateiramente, o Estado exerce violência sobre os cidadãos comuns. De maneira sofisticada, já não à antiga.

Os meios de manipulação das opiniões públicas são numerosos, cada vez mais sofisticados, levando multidões a acreditar nas coisas que para muitos, como eu, espanta. Exemplos não faltam.
No PREC, no 25NOV75, houve algo dessa natureza? Manipulações?

Entre muitas outras coisas, para o processo que levou ao 25ABR74 e o que se desenrolou entre 25ABR74 e 1976, creio ter sido determinante isto:

1º - crescente consciência em vários sectores das Forças Armadas, particularmente no seio de oficiais mais jovens, de que a guerra em África devia ser solucionada politicamente,

2º - a acção de Spínola na tentativa (gorada) de convencer Marcelo Caetano e os ultra do regime a resolver politicamente o conflito nomeadamente na Guiné,

3º - crescente politização de vários oficiais e presumo que sargentos e praças nos três ramos das Forças Armadas porventura mais na Marinha de Guerra ( actualmente designada apenas por Marinha), por um lado por vontade própria e LEGÍTIMA de cada militar, e a convivência com milicianos por outro lado,

4º - a questão corporativa no Exército, concretamente a partir do deplorável Decreto-lei nº 353/73, de 13 de Julho,

5º - o 25ABR74 ocorre quando, na cena internacional, se estava em plena guerra fria, quando durante quase dois anos (até ao Verão de 1975) decorreu o processo de Helsínquia em que os dois blocos - Ocidental e Soviético - definiram e acordaram, questões de segurança, questões de alguma cooperação e, naturalmente, a divisão das áreas de interesse e influência. "Détente"!

Salvo melhor opinião, a partir do golpe militar de 25ABR74 que, em escassas horas, se transformou em revolução dada a enorme adesão popular, a questão que se colocava/ colocou, foi a da construção do Estado democrático, dotá-lo de uma Constituição, com as inerentes e óbvias questões da liberdade, de direitos e deveres, do poder e organização do Estado nas suas diversas dimensões, sempre presente que o poder de um  Estado deve ser justo, legítimo.

No 25NOV75 esteve em jogo a questão da dependência de Portugal, para que lado cair, manter-se no bloco Ocidental liderado pelos EUA ou integrar o bloco Leste liderado pela URSS.

O PS teve papel determinante na escolha  das alianças e no caminho a percorrer, e isso garantiu-lhe papel principal na nossa história recente, democrática.

Há quem defenda que do lado URSS terá havido algures manifestação de alguma preocupação junto de alguns dos principais protagonistas políticos moderados dessa altura pelo rumo que se seguia, e que Portugal se deveria manter no bloco NATO, Ocidental.
Não faço ideia se isso aconteceu, mas mesmo tendo sido real, não vejo que isso impedisse que, no terreno, cá, alguns tentassem efectiva  mudança.

Uma coisa é certa: depois do 25NOV75, começou a ser estabelecida uma ordem política, económica, social.

Parece-me que, 
- Costa Gomes comandou as operações a partir de Belém, 
- manteve em Belém junto de si o conselho da revolução, 
- o comandante da região militar de Lisboa nada terá comandado  na prática,
- Otelo Saraiva de Carvalho terá contido nervosismos nos seus fiéis, e que a sua imediata deslocação para Belém esvaziou por completo inconfessáveis desejos de outrem.
 
Continuo a não perceber, 
- porque saíram os pára-quedistas e quem os mandou sair,
- quem mandou os comandos (que creio em grande número recrutados entre elementos que tinham feito a guerra) arrombar os portões do regimento da polícia militar que calmamente (creio) se mantinha dentro de muros cumprindo as ordens de Belém de prevenção rigorosa.
.

Este "brainstorming" vai longo.
Para uns, o 25NOV75 foi uma maquinação para desviar o "processo" da sua pureza inicial.

Para outros, com o 25NOV75 tratou-se de resolver a questão de poder no país, entre facções políticas, e depois distribuir . . . . . e pouco importando o real interesse dos cidadãos comuns, da sociedade, do país.

Para mim, a questão essencial permanece: A verdade toda do 25NOV75 continua por contar.

PORQUÊ ?

António Cabral (AC)

segunda-feira, 30 de junho de 2025

OBJECTIVOS ?
António Filipe é o candidato presidencial apoiado pelo PCP
Ex-deputado é o candidato presidencial apresentado pelo secretário-geral do PCP. Paulo Raimundo apresenta António Filipe como o candidato da defesa da Constituição.

E prontossssss, LEGITIMAMENTE, porque estamos em Democracia, aí está mais um candidato para a corrida presidencial, com meta algures em Janeiro de 2026.

O que diz a nossa Constituição?
Diz que são elegíveis os cidadãos eleitores, portugueses de origem, maiores de 35 anos (Art. 122º). 
António Filipe cumpre os requisitos formais.

António Filipe, foi anunciado pelo PCP, concretamente pelo líder Raimundo, será o candidato à Presidência da República e conta com o apoio do PCP. 

Lê-se por aí que Filipe discursará a 14 de Julho, certamente anunciando (??) a sua candidatura!

Isto faz-me voltar a Jorge Sampaio.
Não sei se Sampaio decidiu lançar-se na corrida presidencial para a sucessão a Mário Soares por não suportar Guterres. 
Mas creio que em parte se deveu a isso, pois não lhe passou cartão. 

Foi, aliás, um caso concreto demonstrativo da categoria de Sampaio!

Voltando ao caso PCP / António Filipe, temos mais uma vez a cassete do PCP, e o mesmo modo de actuar.

Decidem quem deve ou pode ser candidato à presidência.

De certo modo até não deixa de ser mais honesto.

Imaginam possível, António Filipe (como no passado os outros candidatos comunistas) a convocar uma conferência de imprensa e anunciar que se candidatava ás eleições de Janeiro de 2026?

Imaginem, nesse discurso de apresentação de candidatura, ele dizer por exemplo - disponibiliza-me por me considerar capaz de lutar pelos democratas, trabalhadores e juventude, e serei um agregador de todos aqueles que se revêem na Constituição, e que lutarei pelos interesses da larga maioria do nosso povo.

Imaginem, no final da apresentação, Filipe dizer - não consultei o partido, nem nenhum dos camaradas do comité central, mas estou disponível se o partido assim decidir, está aqui, portanto, a minha candidatura para servir o povo português!

Imaginem por fim, no dia seguinte:
 - PCP, Raimundo - fomos completamente apanhados de surpresa, mas desde já declaro, embora vá reunir o comité central que tem a última palavra, que o nosso camarada António Filipe tem as melhores qualidades e todas as condições para poder vir a ser o próximo Presidente da República. Confiamos como sempre no povo português!

Naturalmente, como é fácil de ver, estou a brincar um pouco com a situação, com respeito democrático pelas decisões do PCP.

Aguardarei pelos resultados das eleições para ver quantos portugueses votarão em António Filipe.
Das duas uma, terá maior votação da que o PCP teve em 18 de Maio passado, ou terá menos.
Se for este o caso, será mais um prego no caixão. Mas a cassete é que parece contar.
AC

sábado, 10 de maio de 2025

Sindicato considera "muito estranho" serviços mínimos na greve da CP e critica Governo: "É vergonhoso"
À TSF, Luís Bravo diz que "a pressão mediática" criada pelo Governo levou ao decreto de serviços mínimos e diz que "é a primeira vez" que existem numa greve parcial
.

Para esta gentalha, os milhares de portugueses, trabalhadores, idosos, humildes, crianças, doentes, valem zero, ZERO.

Cada vez mais me parece que na CGTP seguem o conselho de Maria Antonieta (Comam brioches) naturalmente adaptado aos tempos de hoje ou seja - Serviços Mínimos? Era o que faltava, vão a pé!

AC

segunda-feira, 21 de abril de 2025

A NOTÍCIA DO "PERDÓCIO"

Mário Nogueira. O mais antigo líder da Fenprof já não regressa à escola.
Controverso. Duro. Preparado. Os ministros sucediam-se, ele perdurava. O histórico da Fenprof sai de cena ao fim de 18 anos. Ao PÚBLICO recorda as maiores guerras. Quem com ele negociou, também
.

O PERDÓCIO é impagável.
Escreveram - já não regressa à escola 😂😂😂😂😂.

Mesmo para lá dos 18 anos de dirigente principal da Fenprof quantas aulas, durante quantos anos, e a que disciplinas deu aulas?
Serviço público seria explicar isso. Ou não?

Depois admiram-se, e vem a seguir a Susana Peralta perguntar - já comprou o jornal?

Bom dia, saúde, boa sorte, boa semana.
AC

segunda-feira, 3 de março de 2025

A PROPÓSITO DO FOLHETIM
Chamo-lhe folhetim para não escrever mais duro.
Não, vou carregar, é um folhetim mais rasca que aqueles folhetins radiofónicos do tempo da outra senhora.

Não é Spinumviva, é um virote de spins.
Alguns comentadores creio que dizem verdadeiras asneiras sobre o caso. Muitos outros creio que apontam bem à coisa e aos contornos.

Há muita coisa nisto.
O legítimo direito a vida própria profissional, a ganhar dinheiro que é coisa que ao BE por exemplo causa repulsa a menos que seja alguém próximo a vender andares.
Há vários aspectos legais, jurídicos, Constitucionais, há que respeitar os direitos da senhora casada com Luís Montenegro.

Há muita coisa. Há lisura e ética ou falta delas.

Pessoalmente, como cidadão, o que me chateou e chateia neste caso quanto às sucessivas posturas do actual PM é a sua irritação arrogante mas, sobretudo, que no Sábado passado, rodeado dos ministros em S.Bento não tenha começado por me pedir desculpa por este caso se estar a arrastar e a desgastar-nos a todos.

Devia ter pedido desculpa e informar que ia resolver rapidamente o assunto das avenças. MATAR este assunto.

Estou farto da vitimização dele e dos sucessivos titulares de órgãos de soberania desde 1976, todos sempre de consciência tranquila, muito éticos e sempre prontos a colaborar com as autoridades.
Não saímos disto.

Entretanto, Luís e Pedrinho e Marcelo devem estar ajoelhados a  agradecer a moção de censura do PCP. 
Pedrinho deve estar a pedir aos santinhos todos para que depois da censura do PCP, Luís não decida afinal atirar com a moção de confiança. Cheira-me que vai acontecer.
Aguardemos.
AC

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

A PROPÓSITO de SALÁRIOS, EMPREGO

Emprego, imigração, dignidade, qualificações são algumas das coisas que me assaltaram o espírito depois de me aperceber que houve
associações de pescadores do Norte que exigiram, um "pedido de desculpa" dos deputados António Filipe (PCP) e José Soeiro (BE), por terem considerado profundamente graves declarações daqueles deputados, que as proferiram acerca de mão-de-obra estrangeira a laborar no setor das pescas.

Essas associações insurgiram-se com esses deputados e consideraram que eles desconhecem o setor, e desconsideraram o esforço de centenas de armadores que lutam diariamente para manter as suas empresas em funcionamento. Li centenas! 
Serão centenas os armadores portugueses no sector das pescas?
Adiante!

Tudo se passou na AR durante um debate sobre uma proposta governamental para alterar os requisitos de acesso à profissão da atividade profissional dos marítimos bem como as regras quanto à nacionalidade dos tripulantes a bordo dos navios de pesca.

O representante comunista referiu que - "se os armadores pagassem bons salários, tinham trabalhadores nacionais e estrangeiros interessados". E abordou a velha questão da mão-de-obra barata.
Independentemente desta afirmação, a realidade é que parece haver muitos estrangeiros interessados.

O bloquista proferiu as coisas do costume.

Do que me apercebo, do lado dos armadores vieram afirmações diversas e particularmente referência a de que os trabalhadores imigrantes são pagos acima do salário médio nacional. 

Referiram ainda - a verdade é que não há portugueses interessados em trabalhar na pesca". Bem, isto não é novidade, nas pescas, na restauração, na hotelaria, etc.

Portanto, há vários anos que nas pescas recorrem a muitos trabalhadores / pescadores indonésios pois há escassez de mão-de-obra de trabalhadores portugueses.
E creio que li afirmações como - os indonésios têm por cá "condições dignas" de trabalho, mais o pagamento de viagens de ida e volta, mais alojamento e alimentação, e ainda uma remuneração nunca inferior ao salário mínimo nacional.

Posso ter estado distraído mas não vi posteriores posições/ comentários /esclarecimentos dos ditos deputados.

Gostava de saber o que pensam os ditos deputados e outros sobre isto.

Gostava particularmente que houvesse investigação séria sobre isto.
Mas não há, nem do ministério do Trabalho, nem de deputados, nem do fisco, nem de jornalistas (???). 

Temos, como sempre, umas atoardas breves na AR, ou umas atoardas para jornalista ouvir, e quanto às realidades concretas nada se aprofunda, esclarece.
É Portugal.
AC

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

PREC  II

Há pouco, em conversa telefónica com um amigo, a dada altura da conversa disse-lhe que estamos em força no PREC II.

Retorquiu - eh pá, não exageres.

Eu insisti - espera mais umas semanas e lá pelo fim de Janeiro próximo me dirás quão exagerado estou.

Por mim não tenho dúvidas, estamos já no PREC II.

Também como no PREC I, quer-me parecer que PS e PCP já não "comandam" grande coisa.

No PREC I, entre muitas coisas, cercaram a AR.

No PREC II quase que cercam a AR, e usam petardos, a coisa mais legítima e democrática dos tempos modernos.

Faltará muito para ameaçarem os membros do governo com facas e pistolas?

Aguardemos.

AC

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

25NOV75, MÁRIO TOMÉ na TSF
27NOV2024 
"A extrema-direita estava escondida à espera do seu momento. O 25 de Novembro abriu-lhe o espaço todo"
. . . . . . 
Nós estávamos de prevenção rigorosa às ordens do Presidente da República. Nesse dia eu estava no COPCON [Comando Operacional do Continente] e, quando lá estava, recebe-se a notícia de que os paraquedistas tinham ocupado as bases aéreas. Aquilo pareceu-me um bocado estranho e resolvi imediatamente ir para o Regimento. Aliás, eu disse: "Isto cheira-me a 'golpaça'." Falei com o comandante e chegámos à conclusão de que íamos estar do lado dos paraquedistas, sem saber exatamente o que era. . . . . . . . 
. . . . . . . 
E ele: "Ó pá, quem disparou primeiro?" E eu respondo: “Quem mandou cercar a unidade militar por outra unidade militar foi quem disparou primeiro." Aquilo já não havia nada a fazer, não é? E eu, o Campos Andrada e o Cuco Rosa fomos por aqui abaixo, nas calmas para Belém, a pé. Em Belém, almoçámos um bacalhau com batatas, muito bem feito. Era para Presidente e companhia, com aquela malta toda, os atacantes e os atacados... Agora a questão fundamental aqui é: como é que eles conseguem explicar a tese de que havia um golpe contra o Estado ou contra o poder instituído dos “esquerdistas”? Daqui a Belém são 150 metros. Nós aqui tínhamos quase dois mil armados de G3. Eu uma vez, aliás, num debate na RTP com o Vasco Lourenço, perguntei-lhe assim: "Olha lá, então a gente estava a fazer um golpe? Qual era a força que vocês tinham para defender o Presidente da República?” Ficou a olhar para mim, sem resposta. E eu disse-lhe assim: “Tinham lá um sentinela, não era?” Portanto, o golpe foi deles. Foi preparado a partir de Tancos que definiu politicamente isto.
. . . . . . . . .
Eu tenho a minha opinião. Os pára-quedistas foram tramados. 
. . . . . . . . . . . .
Portanto, tínhamos um Governo bombista como os bombistas que o apoiavam e com quem ele se entendia bem e o próprio Conselho da Revolução entendeu-se bem com os bombistas. Estavam dispostos a tudo, por quê? Porque não eram capazes de aguentar politicamente o movimento popular que sai do 25 de Abril. Um movimento popular é a única coisa com força transformadora.
. . . . . . . . 
A partir dai, a gente não se pode esquecer que os soldados já tinham assumido a ação política, acompanhavam o movimento popular e manifestavam-se. Aquilo de que as portas que o 25 de Abril abriu, nunca mais ninguém fecha é mentira. Foi fechada por estes gajos. 
. . . . . . . . 
Acho que o Otelo, sabendo o que sabia, que sabia mais que eu, com certeza acho que se portou bem. Fez aquilo que tinha a fazer. Não aceitou um confronto militar.
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O confronto militar levava uma guerra civil?

Não. Isso é a atoarda do Mário Soares. Eu pergunto: guerra entre quem? As unidades chamadas revolucionárias eram quatro ou cinco. As outras estavam todas feitas com o travar do movimento popular, impedir que ele se desenvolvesse. Qual era a guerra? Eles tinham os aviões todos. Não havia guerra civil nenhuma e até a UDP caiu um bocado nisso. Não havia guerra civil nenhuma. Eles tinham tudo, tudo, tudo. Toda a força militar era deles.
. . . . . . .
Sim, a extrema-direita estava escondida e estava à espera do seu momento. O 25 de Novembro abriu-lhe o espaço todo. O grande herói do 25 de Novembro é o Jaime Neves. Ele não participou no 25 de Abril, fingiu que participou. Jaime Neves não cumpriu as missões que lhe estavam distribuídas que era prender os comandantes daqui e dali que era onde estava a força que se podia opor ao Salgueiro Maia. Ele não fez isso, passou a noite nas calmas e depois apareceu a mostrar-se. Aliás, ele tinha dito ao Otelo que se soubesse que era para sair de África, não tinha alinhado. Ele foi obrigado a alinhar, sem alinhar, depois contemporizou, digamos assim, com balanço. 


E o PREC acaba mesmo no 25 de Novembro ou acaba antes, em setembro, em Tancos?
Em Tancos, há uma transformação política em que a esquerda militar ficou com a sua capacidade de intervenção diminuída, a sua capacidade de intervenção. A capacidade de intervenção da esquerda militar era fundamentalmente o povo em movimento, o movimento popular e a participação dos soldados. Mas depois havia os oficiais que compatibilizavam com isso ou que apoiavam isso, etc. Isso tudo levou uma machadada grande em Tancos. Mas o movimento continuava muito diminuído, porque, por mais que a gente ache que o movimento era fundamental e foi, tinha o guarda-chuva do MFA e, portanto, a independência do movimento popular - que era grande, era forte - contava muito com o MFA bonzinho, não é? Entretanto, isto reduziu-se bastante, partiu-se tudo. Aliás, o MFA partiu-se e isso teve consequências também no ímpeto revolucionário.

Quando é que sentiu que o golpe estava a ser preparado?
O meu pensamento era mais político do que militar. A participação militar era no apoio ao movimento popular. Podia ser um bocado ingénuo, mas, do meu ponto de vista, a revolução popular tinha de ser assumida pelos soldados e pelo povo, pela malta da reforma agrária. Isso é que era interessante. O resto eram as conspirações de corredor. E soube que eles fizeram uma lista dos malandros a prender. Isso mostra que eles é que foram os golpistas.

E estava na lista?
Claro, então não havia de estar? Se não estivesse é que eu desconfiava de mim próprio. Aquilo foi mesmo uma 'golpaça' urdida com os apoios da CIA, do Carlucci, dos alemães, dos franceses.
. . . . . 


Isto ajuda a esclarecer o 25NOV75?

AC
REVOLUÇÃO do 25 de ABRIL
Ideologia
Como se sabe, o 25 de Abril não tinha ideologia. E exactamente na medida em que não tinha ideologia, os oficiais que o fizeram não se propunham construir um "regime novo" - mas apenas acabar com o velho . . . . . 
Porém, dez anos depois do movimento militar, o país verifica também que existe afinal uma "ideologia do 25 de Abril".
. . . . . . . .
Ela é a de um grupo de oficiais e civis que tem como símbolo o major Vasco Lourenço. Por que é que isto aconteceu não se sabe ao certo.
Por que é que . . . . . foi Vasco Lourenço . . . . . que ficou para a história como o depositário do "verdadeiro espírito do 25 de Abril e o seu capitão por excelência", é coisa que provavelmente nunca se apurará.
O que se sabe é que o 25 de Abril, que há dez anos não tinha ideologia, hoje tem.
Ela situa-se claramente na área da esquerda, entre o Partido Socialista e o Partido Comunista.
(José António Saraiva, 28.04.84)

AC