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sábado, 2 de maio de 2026

REPUBLICANDO

MFADEMOCRACIAVASCO LOURENÇO

Senhor Presidente da República
Senhor Primeiro Ministro 
Senhora Ministra da Defesa Nacional e Senhor Ministro da Cultura
Senhor Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas e demais entidades militares
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo 
Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Alcáçovas
Senhora Comissária das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril
Minhas Senhoras e meus senhores
Camaradas de Abril

Permitam-me que comece por fazer simples, mas sentidos agradecimentos: a todos, por terem respondido ao nosso convite e nos presentearem com a vossa presença; aos autarcas, por nos receberem nesta terra alentejana, com lugar na História de Portugal, pelo motivo do que aqui se passou há precisamente 50 anos; aos proprietários deste Monte do Sobral, Annick Chef e seu marido David Achard, pela hospitalidade com que, mais uma vez, nos recebem.


Evocamos hoje o encontro que, há precisamente 50 anos, aqui tivemos para decidir sobre a melhor maneira de, enquanto militares e detentores da força, podermos discutir os problemas que então perturbavam o Exército, as Forças Armadas e a Sociedade portuguesa. Preocupava-nos em especial a guerra de África e as medidas que atingiam fortemente a carreira e a dignidade dos Oficiais do Quadro Permanente, oriundos da Academia Militar, que, ao longo de 13 anos, continuavam a bater-se em vão, em sucessivas comissões, numa guerra sem fim à vista

Aqui estivemos, num celeiro cheio de fardos de palha cedido pelo Celestino Garcia, que aqui evoco com um sentimento de gratidão e reconhecimento, que nos serviram de assento, 136 Capitães, Tenentes e Alferes. Desses, 38 já partiram, pelo que peço que, em sua memória e homenagem, juntando a eles todos os demais Militares de Abril que já nos deixaram, nos remetamos por alguns momentos ao silêncio, para eles erguendo os nossos pensamentos, com um Até Sempre!

SILÊNCIO

Éramos então jovens, mas com suficiente experiência da vida e da guerra, sonhávamos um país diferente, respeitado e ouvido entre os seus pares, éramos jovens suficientemente generosos e desapegados do poder, dispostos a correr todos os riscos, sem calculismos ou procura de vantagens.

Motivados por razões diversas – contrariamente ao que alguns continuam a afirmar, a melhor prova de que não eram apenas motivos de natureza corporativa esteve na presença aqui, neste encontro secreto, de um Capitão que seria beneficiado se os decretos contestados tivessem entrado em vigor: um abraço especial ao José Luís Cardoso, hoje novamente aqui, desta vez acompanhado por familiares. 

Aqui nos reunimos, aqui criámos um movimento, o Movimento dos Capitães, que se organizaria, evoluiria no seu pensamento e na sua convicção e que, passados menos de 8 meses, precisamente 227 dias depois, já como Movimento das Forças Armadas, o MFA, fez nascer “O dia inicial inteiro e limpo” celebrado por Sophia, Manuel Alegre, Ary e tantos outros notáveis poetas portugueses, mas também estrangeiros, de que destaco o Chico Buarque e o Moustaki. 

Naturalmente, este nosso encontro não nasceu do nada, não “caiu do céu, aos trambolhões”, foi o culminar de reações diversas que, em todo o território nacional – metrópole, ilhas adjacentes e colónias – os oficiais do Exército, desencadearam.

Nem todos tínhamos já consciência plena de que só os militares poderiam terminar com o flagelo de uma guerra sem sentido, desenvolvida há quase 13 anos em Angola, alastrada à Guiné e a Moçambique, respetivamente há 11 e há 10 anos, sem fim à vista. É certo que se as Forças Armadas fazem a guerra, estas nunca são declaradas por elas, mas sim pelo poder político. Que tem o dever de, aproveitando o esforço dos militares, encontrar soluções políticas para resolver os motivos que o levaram à declaração da guerra. Sempre assim foi, sempre assim será! Apenas a derrota total, como aconteceu com Nagasaki e Hiroshima, dispensa uma solução política para as guerras! Lamentavelmente, há quem continue a não ter presente esse princípio…

Mas, em 1973, os responsáveis políticos e os seus serventuários militares mantinham-se cegos, continuando a loucura do ditador mor que lançara o slogan de “Orgulhosamente sós”. Tudo era agravado pela evidência de que, face a uma derrota anunciada, os mesmos responsáveis políticos ou os seus herdeiros se preparavam para repetir a vergonhosa postura de 1961/62, quando transformaram os militares em bodes expiatórios da queda de Goa, Damão e Dio. 

E, aí, ouviram-se frequentes gritos de revolta dos jovens militares, não só do Exército, com o Movimento a estender-se rapidamente aos outros Ramos das Forças Armadas: “Bodes expiatórios, nunca mais!”

Foi uma caminhada longa, feita de forma acelerada, num curto espaço de tempo, e com um final extraordinário e feliz.

Assumida a convicção de que, como militares, tínhamos de servir a população em geral, isto é a Nação, e não uma qualquer clique minoritária, de que só assim recuperaríamos o prestígio das Forças Armadas, que humanamente todos ambicionávamos, fácil foi concluir que isso só seria alcançável se deixássemos de ser o suporte da ditadura, déssemos nesta o piparote final e, libertando a Liberdade, fazendo a Paz e construindo a Democracia, entregássemos o Poder aos portugueses democraticamente organizados.

Fizemo-lo, aproveitando as condições propícias que a nossa participação na guerra criara, mas aproveitando igualmente a situação resultante da luta de tantas e tantos portugueses, das mais diversas origens: trabalhadores, estudantes, intelectuais, muitos deles pagando com a sua Liberdade, e até com a vida, essa acção de luta por um pais mais livre, justo e em Paz.

Tivemos o saber suficiente e soubemos assumir a decisão para nos comprometermos, perante os portugueses e o mundo, com um Programa político – o Programa do MFA – onde dizíamos ao que vínhamos e ao que nos comprometíamos.

Fomos os imprevistos e improváveis libertadores do povo português. Ninguém acreditava que os militares pudessem ser autores de um acto de libertação como foi o 25 de Abril. O 28 de Maio não estava esquecido, o 11 de Setembro de Pinochet era bem recente, pairava o receio de que Kaulza de Arriaga conseguisse realizar o golpe que tentara em fins do ano de 1973, para reforçar a guerra, tentando arrastar para o seu lado precisamente aqueles Capitães que, livres da tutela de um Chefe, poucos meses depois, iriam surpreender tudo e todos.

De repente, Portugal saiu do isolamento e da apagada e vil tristeza em que vivia e tornou-se referência internacional, com os portugueses, vivendo no País ou no estrangeiro, a recuperar o orgulho de ser português. 

Naquele dia, para além da libertação, da abertura de portas para a Paz e da libertação dos povos colonizados, dando origem a uma nova etapa da nossa História, despertámos os melhores sentimentos e atitudes do povo que, espontaneamente e em todo o País, aderiu com imensa alegria e felicidade ao nosso 25 de Abril, transformando de imediato os acontecimentos num processo revolucionário de todos. 

Processo revolucionário de grandes transformações sociais, às vezes à beira da utopia e mesmo da ruptura violenta.

Mas, enquanto MFA, não abandonámos “a criança” a que demos vida, nunca nos alheámos nem afastámos das lutas nascidas numa revolução que cumpriu a máxima de Rosa Luxemburgo, fazendo-se “sem ensaio geral”.

Tínhamos um compromisso com os portugueses, e, por isso, tudo fizemos - incluindo lutas internas que também estiveram à beira da ruptura violenta – para o cumprir. Que se consumou quando em 2 de Abril de 1976 (menos de dois anos depois…) se aprovou, com esmagadora maioria dos eleitos nas eleições mais livres e mais participadas da História de Portugal, a Constituição da República.


Constituição que, sendo a maior das conquistas do 25 de Abril, tem sido o instrumento fundamental para garantir a Democracia, contra acções espúrias de que esta tem sido alvo.

Constituição que, ameaçada da hipótese de mais uma revisão, esperamos não seja destruída nesse seu papel de garantia da existência de um regime de Abril.

Acção complementada e completada quando, após um Período de Transição onde o MFA, através do Conselho da Revolução, foi o esteio da consolidação da Democracia, se extinguiu por vontade própria, pondo fim à intervenção dos militares que haviam libertado o país, enquanto tais, na vida política.

Depois disso, assumimos a simples condição de cidadãos, exigindo, às vezes com alguma dificuldade, o estatuto de cidadão de corpo inteiro, com todos os deveres, mas também com todos os direitos, nomeadamente o da participação cívica. 

É isso que fazemos, há quase 41 anos, através da Associação 25 de Abril.

Associação cujo mérito maior, o da defesa dos valores de Abril – Liberdade, Paz, Democracia, Justiça Social, Direitos Humanos – se alicerça na proeza de termos conseguido reunir e manter mais de 90% dos militares de Abril.

Não esquecendo que continua a haver coisas que nos dividem, mas valorizando apenas o que nos une, o essencial da defesa desses valores.

Por tudo isso, encaramos a evocação dos 50 anos do 25 de Abril, aceitando integrar-nos nas Comemorações Oficiais, imbuídos essencialmente de um sentimento prioritário: evocar os valores intemporais que nos moveram, para a concretização da epopeia histórica que protagonizámos, olhando essencialmente para o futuro.

Mas, como Memória é responsabilidade, impõe-se aproveitar estas comemorações para criar instrumentos que mostrem às gerações futuras que, em 1974 se iniciou um processo de transformação do regime em Portugal, que deitou para o caixote do lixo da História um regime opressor, repressivo de ditadura, beligerante e fortemente injusto para a maioria da população. E que gerou um outro regime, mais livre, mais democrático, mais justo, mais solidário e em Paz.

Que mostrem às gerações futuras o que aconteceu, como aconteceu, mas essencialmente porque é que aconteceu!

Como militares de Abril assumimos a honra e mesmo o orgulho de termos sido os principais protagonistas desse processo.

É por isso que propusemos algumas iniciativas concretas que atingirão esses objetivos.; Centro Interpretativo do 25 de Abril; Série documental sobre a Conspiração; grande exposição sobre o papel do MFA no 25 de Abril; abertura do Posto de Comando do MFA à população.

Como é evidente, outras iniciativas estão, e bem, a ser concretizadas.

A História do 25 de Abril, da sua génese e do seu desenvolvimento, não se resume, nem nós nunca o afirmámos, à acção do MFA.

Nada mais natural, portando, que outros eventos se organizem.

E, para além de outras iniciativas em curso ou previstas, porque não aproveitar para aumentar o esforço que sabemos já estar a ser desenvolvido, nomeadamente pela Liga dos Combatentes, para promover o regresso a Portugal dos restos mortais dos militares que, em consequência da guerra colonial aí perderam a vida e ficaram sepultados em África? É da maior justiça que o Estado que os mandou para a guerra, providencie o seu regresso à terra que os viu nascer

Resumindo, nós os militares de Abril, assumidos herdeiros do MFA, que continua a ser, acima de tudo, um estado de espirito, exigimos (há quanto tempo não proferia este termo?) que algo fique destas comemorações. O foguetório e o folclore, como até pode ser encarada esta iniciativa que hoje aqui estamos a protagonizar, não pode ser o essencial das comemorações.

Façamos tudo, para que estas comemorações resultem num novo Abril, uma jornada de afirmação e dignificação de Portugal, dos portugueses e das nossas Instituições democráticas. Onde os detentores do poder cumpram o dever de Servir e não o substituam pelo “direito” de Se Servirem! Postura onde consideramos, também aqui, ter inteira autoridade moral, face ao procedimento da generalidade dos militares de Abril, sempre que foram solicitados para servirem o Estado.

Comemorações que, confesso, gostaríamos eu e os meus camaradas de Abril, de viver em melhores condições.

Confesso interrogar-me, muitas vezes a mim próprio, sobre “que 25 de Abril vamos comemorar”?

Portugal está a atravessar momentos que parecem ter todas as condições para uma estabilidade democrática, mas que nos surpreende todos os dias com exemplos que teimam em dizer-nos o contrário. 

A democracia continua a praticar-se, mas às vezes, mais do que o desejável, os diferentes Órgãos de Soberania parecem atropelar-se uns aos outros. Assim criando espaço para que os saudosos do regime derrotado em 1974, possam pensar que chegou a hora deles, para o revanchismo.

Pior que isso, Portugal, está a caminhar para se envolver numa guerra, cujos interesses me parece não nos dizerem directamente respeito.

Confesso ter saudades dos tempos em que, assumindo a nossa pequenez no mundo dos poderosos, fizemos ouvir a nossa voz na Conferência de Helsínquia, em Julho/Agosto de 1975.

Dos tempos em que recusámos a solução da “Vacina da Europa” que Kissinger – hoje, sintomaticamente, mais moderado – quis aqui experimentar, tentando fazer de Portugal um qualquer laboratório farmacêutico. especializado em guerra bacteriológica

Permitam-me que termine com uma pequena reflexão e um apelo: 

Ao fazer o 25 de Abril, o MFA teve que enfrentar, como principal inimigo, as próprias Forças Armadas. Há mesmo quem, dentro do MFA, afirme que o movimento não deveria chamar-se Movimento das Forças Armadas, mas sim Movimento contra as Forças Armadas…

E até têm razão, pois a hierarquia das Forças Armadas foi o inimigo que protagonizou, ao longo do processo de transição e consolidação democrática, com tristes episódios, que não esquecemos, que continuam bem presentes na nossa memória, a luta contra o cumprimento do Programa do MFA.

Terminado o referido Período de Transição, considerámos, contra muitos militares, mas também contra muitos políticos, que o MFA tinha conseguido que as Forças Armadas estivessem imbuídas do espírito de servir o Pais, num regime democrático, e não uma qualquer minoria.

Hoje, as Forças Armadas portuguesas estão transformadas no quase único instrumento de que Portugal dispõe para a sua política externa, na defesa dos nossos interesses.


Porquê, então, a pouca consideração que o poder político tem para com as Forças Armadas, destratando-as, levando à sua quase paralisação e destruição?

Um dia, no fim dos anos 90, perguntava ao então Primeiro Ministro António Guterres o porquê de ele não ouvir as reivindicações dos militares, ao contrário do que fazia com outros grupos socioprofissionais, nomeadamente com os agricultores. Acrescentava eu, então, “será porque os militares não fazem cortes de estrada? Cuidado, os cortes de estrada dos militares, quando existem, são feitos com armas”.

Como sabemos, os militares não fizeram cortes de estrada, o desprezo pelos seus legítimos interesses, com a Condição Militar esquecida nas calendas do tempo, continua e a situação tem-se agravado de maneira assustadora. Pessoalmente - suspeito na matéria, é certo - considero que a atitude dos militares é ainda resultado da acção do MFA, ao transformar as Forças Armadas numa Instituição ao serviço do poder democrático.

A situação alterou-se, contudo, num aspecto que considero fundamental. Como Instituição nacional, as Forças Armadas são obrigadas à subordinação ao poder democrático.

Lamentavelmente, os responsáveis políticos, infelizmente acompanhados por grande número dos responsáveis militares, confundem subordinação com submissão e subserviência e isso transforma radicalmente a natureza das próprias Forças Armadas. Por isso, temo que, não sendo possível, nem necessário ou desejável – porque continuamos em Democracia, ainda que os seus defeitos se venham a acentuar drasticamente - fazer um outro 25 de Abril, como frequentemente ouvimos proclamar, alguém venha a pensar que, com as Forças Armadas neste estado, se possa fazer um outro 28 de Maio.

Não tenho dúvidas de que será muito mais difícil arrastar as Forças Armadas para atitudes não democráticas, se elas se sentirem respeitadas pelo poder político. Como considero que o inverso é também verdadeiro: umas Forças Armadas descontentes, sentindo-se injustiçadas e maltratadas pelo poder político, estarão sempre mais vulneráveis a serem arrastadas para aventuras, que não queremos se voltem a verificar em Portugal.

A minha esperança, a nossa luta, é criar condições para que isso jamais seja possível.

Que passa pela recuperação do prestígio das Forças Armadas, enquanto Instituição fundamental do Estado português, o que não se compadece de forma alguma com a hipótese da sua abertura à contratação de mercenários, como alguns iluminados ousam defender.

Passam 50 anos, sobre o arranque decisivo que os Capitães de Abril aqui protagonizaram. Dentro de dois dias passarão também 50 anos, sobre o criminoso golpe de Pinochet, onde Salvador Allende, democraticamente eleito, Homem digno e democrata decidiu, heroicamente, suicidar-se para não ser fuzilado pelas Forças Armadas fascistas do seu país.

Termino com um apelo, que é um Manifesto: 28 de Maio ou 11 de Setembro, nunca mais!
25 de Abril, sempre!
Viva Portugal!

Alcáçovas, 9 de Setembro de 2023
Vasco Lourenço
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No Sábado, 9 de Setembro, passaram 50 anos sobre a reunião de oficiais subalternos do Exército português realizada em Alcáçovas, reunião que foi passo decisivo para a revolta militar ocorrida em 25 de Abril de 1974, revolta essa que veio a ter uma grande adesão popular, e que foi o início do processo que culminou na elaboração e aprovação da nossa Constituição e na instauração e consolidação do regime em que, FELIZMENTE, vivemos e onde me sinto muito bem.

Os sublinhados são da minha responsabilidade.

Concordo com várias das afirmações de Vasco Lourenço.

Independentemente de erros, utopias, parece-me importante olhar o futuro e mostrar às gerações vindouras o que foi o 25 de Abril, e salientar que apesar de problemas vários, não existe, que eu saiba, nada superior à Liberdade e à Democracia.

Uma das vergonhas destes titulares de órgãos de soberania e dos que os antecederam é que continuam centenas ou milhares de portugueses falecidos em combate enterrados em África. 
Num país decente, com líderes decentes, ao fim de quase 50 anos todos estariam em Portugal a descansar. 
Mas o que temos é uma cambada de INDECENTES, há décadas. 

Vivemos em condições globalmente difíceis.

Vivemos com as palhaçadas contínuas de certos ou mesmo de muitos dos titulares de órgãos de soberania, nomeadamente com acções inarráveis do PR, do PM, e de uma série de seus apaniguados PS.

Como se viu mais uma vez, em Alcáçovas, no passado Sábado, tivemos o folclore e o fogueteiro Marcelo, e mais Costa e a inarrável Carreiras.
O foguetório e o folclore, sempre, nos discursos, nos dias festivos, dizendo que são os melhores militares do mundo, etc.
A realidade é outra. 

Acabam de sair os dados estatísticos da Direção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP), 2º trimestre de 2023. 
O que indicam? 
Continua a decrescer o número de Efetivos Militares.
Fora tudo o resto, tudo o que se passa no Exército, na Força Aérea e na Marinha.

Umas Forças Armadas cada vez mais desprezadas, e é bom lembrar que os responsáveis foram/ são maioritariamente actores e actrizes do PSD e do PS. Já agora recordar que o PS foi o partido que governou mais anos nestes quase 50 anos de regime democrático.

As Forças Armadas, a Instituição Militar, é um dos pilares da soberania, e é por definição instrumento de política externa.
Estes actuais titulares de órgãos de soberania (como muitos que os antecederam) olham para elas, sorriem, querem paradas com muitas tribunas para VIPs (very important potatoes!) e suas mulheres ou seus maridos, dias festivos, vários Falcon sempre prontos para as incontáveis viagens das criaturas, e prosseguem na submissão das chefias, com gozo supremo.
Basta olhar aos últimos.
 
Vasco Lourenço aponta no seu discurso e bem - Lamentavelmente, os responsáveis políticos, infelizmente acompanhados por grande número dos responsáveis militares, confundem subordinação com submissão e subserviência e isso transforma radicalmente a natureza das próprias Forças Armadas

Pois é, mas isto não aconteceu por acaso, aconteceu com o silêncio de anos de muitos. Tal como em relação à Condição Militar.
As associações dos militares das Forças Armadas há anos que se insurgem contra isto. Deviam ter sido ajudadas nomeadamente por quem se mostra "dono" disto.

O que se verifica é que SERVEM-SE, e não servem a sociedade portuguesa. 
Há anos que digo isto, que escrevo isto, aqui e sempre.

Vasco Lourenço parece esperar que cumpram o dever de servirem a sociedade portuguesa.

Tudo isto me faz lembrar aquela frase popular - "tarde piaste".
António Cabral

domingo, 5 de abril de 2026

AINDA o 25 NOV 1975

Sobre esta data e acontecimentos da nossa história pós 25 de Abril de 1975 escrevi alguns textos e recordei acontecimentos e envolvimentos vários designadamente em Novembro passado. 

É mais uma data, mais uns acontecimentos que nunca conhecerão a transparência completa.

Ainda estão vivos vários dos participantes mais envolvidos quer no 25ABR74 quer também no 25NOV75. Vários deles podiam clarificar definitivamente a realidade dos factos. 

Até agora têm-se ficado por alguma nebulosidade, com algumas pessoas como Pacheco Pereira por exemplo a referir / lembrar algumas coisas que incomodam as diferentes facções.

Respeitosamente mas sinceramente, depois de mais umas elucubrações de Vasco Lourenço e outros como Pezarat Correia, mais convicto continuo da persistência de algumas nebulosidades sobre esses tempos mais distantes.

Ao andar entre casa e garagem em mais arrumações e revirar prateleiras de livros e revistas, dei com este número da revista "História. 

É de Abril de 1984 e tem um texto de Varela Gomes, cujo passado e envolvimento políticos creio bem conhecidos de grande parte dos concidadãos com 60 ou mais anos. E sabe-se a quem estava ligado.


Para compreender este texto é necessário ter bem presente qual era o posicionamento de Varela Gomes.
Ainda assim, é para mim evidente e deste há muitos anos, que algumas coisas da nossa história dos últimos 52 anos foram e continuam muito mal contadas como já referi em cima. É a nossa sina, uma delas.
Isto não é preservar o passado, é esconder parte do que se passou.
É a minha opinião e, como sempre, admito obviamente poder estar algo enganado.

Tenham um bom Domingo de Páscoa.
Saúde e boa sorte.

António Cabral (AC)

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

25  NOVEMBRO  1975
Estive a ler notícias que atribuem ao coronel Vasco Lourenço várias afirmações a propósito do 25 de Novembro, declarações por ocasião do lançamento do seu livro "O 25 de Novembro - Memórias de um Capitão de Abril".

Este título lembra-me outros livros dos muitos que já li sobre o 25 de Novembro, por exemplo o do coronel Sousa e Castro intitulado - Capitão de Abril, Capitão de Novembro.

Entre as coisas que li retive as seguintes: 
- Governo deve envergonhar-se de comissão de "fachada" para o 25 de Novembro 
- lamenta ver o “amigo” Alípio Tomé Pinto à frente do organismo.
- a comissão para o 25 de Novembro é uma "palhaçada", não é apartidária e independente.
- o executivo que se envergonhe desta decisão
- não olho para a Assembleia da República como idónea e responsável 
- olhem para o espelho e envergonhem-se da cara que veem refletida no espelho. (…) Não são pessoas de bem
- Otelo Saraiva de Carvalho, na verdade, e ao contrário do que é muita vezes referido, foi traído pelo PCP no 25 de novembro.
- Quando nós criamos a Associação do 25 de Abril, de que ele (Mário Soares) é sócio de honra (…), ele contestava a nossa existência e dizia-me: "mas Vasco Lourenço, você no 25 de Novembro estava de um lado e os comunistas do outro e você agora está com eles na Associação"
E eu disse-lhe: "Mário, no 25 de Abril, você estava de um lado e os fascistas estavam do outro e você já fez um Governo com o partido mais à direita do espectro, um que, teoricamente, pelo menos estarão os fascistas”
- Ainda hoje, há muita gente, muitos comunistas, a chamarem traidor ao então secretário-geral Álvaro Cunhal, os próprios comunistas chamam, porque ele recuou a certa altura, depois de ter mandado avançar, recuou. E, como eu digo no livro, o Álvaro Cunhal justificou-se dizendo que ‘o Careca borregou’. O Careca era o Rosa Coutinho. Porquê? Porque eles fizeram mal a leitura da situação, contaram que iam ter a intervenção dos fuzileiros, avançaram, e depois isso não aconteceu
10º- escreveram que o 25 de Novembro foi um golpe dirigido pelo PCP através do Melo Antunes e do Ramalho Eanes nunca me tinha passado pela cabeça. 
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Li até hoje muitos livros sobre o 25 de Novembro de 1975.
Li provavelmente todas as entrevistas e confissões ao longo dos anos vindas a público. 
Livros, entrevistas, discursos, curtas declarações, de Ramalho Eanes (uma das últimas posições é de 20 de Novembro de 2024), Sousa e Castro, Diniz de Almeida, Vasco Lourenço, Carlos de Matos Gomes, Melo Antunes, Vasco Gonçalves, Mário Tomé, Mário Soares, Gomes Mota, Edmundo Pedro, Otelo Saraiva de Carvalho, Álvaro Cunhal, M.M.Cruzeiro, J.P.Castanheira, Pinheiro de Azevedo, etc.

Voltando às declarações de Vasco Lourenço e concretamente da à e que acima reproduzo, também creio que nesta comemoração há palhaçada, há Nuno Melismo muito discutível.
Não tenho que me pronunciar sobre Vasco Lourenço designar Tomé Pinto como "amigo". 

Recordo apenas que dos muitos militares que andaram por aí desde 25 de Abril de 1974, vários acabariam mais tarde por ser promovidos a oficiais generais (Tomé Pinto um deles), enquanto uns outros não foram promovidos ao estrelato.
Recordo concretamente Salgueiro Maia que, curiosamente, creio nunca ter integrado o conselho dos 20 nem o Conselho da Revolução. Curioso!

Quanto à declaração que numerei como , quem traiu quem é para mim uma das muitas dúvidas sobre a controversa data. 
Mário Soares e Álvaro Cunhal já não estão entre nós. 
Se estivessem creio que continuariam a guardar segredos.
Nunca clarificaram isto com toda a crueza. Porquê?

Não tenho de comentar a . Ela e muitas outras coisas apenas confirmam ligações e preparações.

Quanto à, quem mandou avançar, quem mandou recuar, quem fez bem as contas, quem as fez mal, qual o papel real que estava destinado à Marinha nomeadamente para os fuzileiros, quem aparentemente foi à margem Sul tentar acalmar ânimos, que fez ou não fez Rosa Coutinho, a quem falou e com quem se reuniu Melo Antunes na semana anterior ao 25NOV, são várias das minhas interrogações.

Mas o que se passou entre 11 de Março de 1975 e 25 de Novembro de 1975? O que se passou verdadeiramente?
O que se passou entre 9 de Agosto e 25 de Novembro de 1975?
Quem se encontrou com quem na semana anterior a 25NOV75?
É mesmo verdade que Costa Gomes foi apanhado de surpresa quando os Nove e Ramalho Eanes lhe apresentaram o plano deles?
Quem corria/ correu em mais do que um tabuleiro de xadrez?

Alguns sintetizam os acontecimentos do 25 de Novembro de 1975, como um confronto entre forças militares antagónicas. 
Certamente que no terreno acabou por ter sido assim.
Certamente que esta data marcou o fim do trágico (opinião pessoal naturalmentePREC
Creio que isto é consensual.

Estão ainda vivos muitos que sabem disto tudo. 
Porque não se esclarece tudo em vez de se continuar a ficar por acusações de palhaçada (justas, na minha opinião) e a continuar apenas com as verdades incompletas dos que se têm por donos disto?

Bom dia e boa sorte.
Cuidado com o tempo, por aqui desde as 0540 horas uma trovoada brutal.

António Cabral (AC)

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

ELEIÇÕES  PRESIDENCIAIS  2026
Vasco Lourenço declarou público apoio a António José Seguro e apelou à desistência de António Filipe e de Catarina Martins.
Percebe-se.

Vasco Lourenço sempre esteve perto do PS.

Mas, sobretudo, está a imaginar que, com a pulverização de candidaturas, a probabilidade de entre Marques Mendes e todos à sua esquerda nenhum passar à 2ª volta é forte.
Realismo, portanto.

Mas Catarina Martins desistirá?
E quanto a Filipe, o PCP vai nisso?

Vai pesar mais a vaidade pessoal, a vaidade partidária, ou vai pesar mais o realismo?
Presumo que as vaidades. Aguardemos.
AC

domingo, 5 de outubro de 2025

Lembrei-me deste boneco depois de ler o artigo que me enviaram, de Pacheco Pereira, de Sábado 13 de Setembro, no "perdócio", e sobretudo pelo alarido que vai por aí sobre a decisão deste governo celebrar os 50 anos passados sobre o 25NOV75.

Uma celebração que devia ser o que, parece, vários não querem que seja, para que eventualmente venha a ser uma palhaçada. 
 
Salvo melhor opinião, este boneco é extraordinário, fala de muitas coisas reais dessa altura, basta reparar no tamanho de cada criatura, nos sorrisos de Cunhal, e sobretudo nas extraordinárias "falas" de alguns dos "bonecos". 
Deixa muitas interrogações e subentendidos, é a minha opinião.

Não tenciono perder tempo a ir ver o que diz a tal resolução ministerial sobre a coisa. 
Basta-me saber que, creio, é Nuno Melo que orienta a coisa e Tomé Pinto a organizar a operação, para eu ter reservas sobre a dita comemoração governamental.

Calhou ouvir outro dia no rádio do carro, na TSF, algumas afirmações e indignações sobre a dita programada comemoração, particularmente do coronel Sousa e Castro, um dos 9, um dos do Documento dos Nove. Fui rever algumas coisas da Associação 25 de Abril. 
Tenho vários livros sobre 25ABR74, e o que se lhe seguiu.

Não tive qualquer participação no 25 de Abril de 1974, nem no 25NOV75.

Sou muito amigo de um oficial dos que estavam na Guiné quando se deu o 25 de Abril de 1974. 
Conheci fugazmente Carlos de Matos Gomes quando esteve a bordo do navio (1972 e 1973) para onde eu fora mandado cumprir 21 meses na guerra, e conheço vários civis e militares de alguma forma ligados ao período 1973/ 1976. Sei de algumas coisas. 
Safei um amigo de uma quase certa forte enrascada pós 25 NOV.

O que adiante escrevo é opinião pessoal, naturalmente. 
Discutível certamente, a respeitar como respeito as opiniões de outrem. Sempre. Concorde ou discorde.

O 25 de Abril de 1974 foi uma acção inédita levada a cabo por militares. 
Por militares, . . . . . . não pela instituição militar do tempo. 

Provavelmente irrepetível. 
Não há guerra colonial, e as questões corporativas no presente são de outra natureza.
Indiscutivelmente, abriu as portas à liberdade e à paz em África.

O 25 de Abril deu-nos a Constituição e a Liberdade, sendo o inicial, decisivo e fundamental primeiro passo para as eleições para a Constituinte em 1975, onde os portugueses votaram em massa. 
Aí se viu a diferença entre o que se grita nas ruas e o que as urnas ditam. 
Tal como acontece hoje.

Creio que é correcto dizer que os principais militares do 25NOV75 foram dos principais em Abril de 1974.

O que em certos sectores, à esquerda e à direita, se continua a dizer sobre o verdadeiro espírito da democracia, mantém em mim a sensação de que, de um lado e outro, persistem incómodos que não querem confessar. Ou que não lhe convém confessar.

O grande espírito da democracia está, para mim naturalmente, no 25 de Abril de 1974. 
É dele que nasceu o país em que felizmente vivo.

O lamentável estado em que estamos? Isso é outra história.

A história mundial e Portugal não é excepção, continua a ser feita de recuos e avanços. Sempre assim foi e será, e há e haverá sempre ofensivas, de muitos sectores.
A mim não me encantam Nunos Melos e menos ainda Chegas!

Mas também nunca me encantaram amanhãs que cantam nem amplas liberdades.
Quanto a tentativas de reescrever a história portuguesa dos últimos 51 anos noto a insistência irracional de uns quantos, mas não creio que o monopólio esteja só à direita.

Do que conheço, e designadamente sobre o 25NOV75, a primeira figura a homenagear é, sem sombra de dúvidas para mim, o general Costa Gomes
O mais inteligente, sensato, equilibrado e visionário de todos. 
Logo na definição do líder da Junta de Salvação Nacional antes de aparecerem de madrugada na TV, se viu a sua lucidez e o ver longe.

Como disse acima, não perco tempo a ir ler a tal resolução governamental.
Comemore-se o 25NOV, com dignidade, com decência, com sobriedade, evocando antes de tudo e todos o nome do general Costa Gomes, recordando o grupo dos 9, o Documento dos Nove, Ramalho Eanes, Salgueiro Maia (nunca integrou o conselho da revolução), Mário Soares. 
Alguns outros nomes que alguns quererão glorificar são mais que questionáveis, na minha opinião naturalmente.

Mas não façam palhaçadas de desfiles militares, de salvas artilheiras de navios de guerra, de sobrevoo de aviões e helicópteros.
Tenham tento na língua. Tenham tento na língua, vergonha na cara.

Se Marcelo Rebelo de Sousa (que formalmente é o comandante supremo das forças armadas, na prática. . . ) tiver vergonha na cara, discordará liminarmente de palhaçadas que, ou muito me engano, ou Nuno Melo e outros quererão concretizar.

Deve ser por isto, por esta eventualidade, que aos microfones da TSF ouvi Sousa e Castro dizer - O 25 de Abril é que foi a operação militar que o Exército português devia comemorar. Mas não comemorando o 25 de Abril, ao menos que tenham tento e que pensem que o Exército português estava praticamente todo do lado do Grupo dos Nove - todo, todo o Exército estava do nosso lado.

TENHAM TENTO, é um excelente resumo!

Lamentavelmente, o 25NOV75 continua a ser um dos episódios mais polémicos e, em alguns aspetos, nebulosos do chamado Processo Revolucionário Português, e concretamente quanto ao tristemente famoso PREC.

DATAS, porventura com interesse:
Não inscrevo aqui as datas das reuniões principais do Movimento dos Capitães, do Movimento de Oficiais das Forças Armadas depois, do MFA depois, nem de várias outras intermédias e de menor participação em casa deste e daquele oficial, tudo desembocando no 25 de Abril de 1974.

31DEZ68 - Vigília na igreja S. Domingos, até 0600 horas 1JAN69
- 12OUT72 - Ribeiro dos Santos assassinado nas instalações do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras
- 30DEZ72 - Vigília na Capela do Rato
- 31DEZ72 - Invasão policial da Capela do Rato
- 4-8 ABR73 - Aveiro, III Congresso Republicano 
- 19ABR73 - Fundação do PS na Alemanha
- 1-3 JUN 73 - Porto, I Congresso de Combatentes
- 28AGO73 - Oficiais em serviço na Guiné enviam uma exposição aos poderes de então
- 17DEZ73 - denunciada tentativa de golpe de Estado liderada por Kaulza de Arriaga
- 16MAR74 - Golpe das Caldas da Rainha
- 27ABR74 - Chegada de Mário Soares a Lisboa
- 30ABR74 - Chegada de Álvaro Cunhal a Lisboa
- 8JUL74 - Criação do COPCON
- 28SET74 - Manifestação da maioria silenciosa 
- 12OUT74 - Penalva do Castelo, primeira explosão de origem criminosa
- 19OUT74 - Henry Kissinger oferece um almoço a várias personalidades, entre elas Costa Gomes e Mário Soares
31OUT 74 - lei sobre os partidos
- JAN75 - Frank Carlucci chega a Lisboa para chefiar a embaixada dos EUA
- 19JAN75 - MFA reafirma assegurar a realização de eleições para a Constituinte
- 24FEV75 - Penalva do Castelo, segunda explosão de origem criminosa
- 11MAR75 - Tentativa de golpe militar de Spínola
- 24MAR75 - Spínola e outros 18 oficiais expulsos das FA
- 14MAR75 - Criação do Conselho da Revolução
- 11ABR75 - CDS, FSP, MDP/CDE, PCP, PPD, PS, assinam Pacto com o MFA
- 1MAI75 - Mário Soares impedido de entrar na tribuna durante as comemorações do 1º de Maio
- 19MAI75 - Início do conflito entre trabalhadores e direcção do jornal República
- 20MAI75 - Kissinger reune-se com Melo Antunes
- 30MAI75 - Em Helsínquia, Kissinger e Gerald Ford têm conversações com Vasco Gonçalves
- 2JUN75 - Abertura solene da Assembleia Constituinte
- 8JUL75 - Institucionalizados, comissões de moradores, comissões de trabalhadores e outros organismos de defesa da revolução
- 11JUL75 - Em conferência de imprensa, Mário Soares afirma - estamos para saber como foram escolhidas as pessoas que compõem a Assembleia do MFA
- 19JUL75 - Comício do PS na Alameda em Lisboa
- 22JUL75 - Carlucci encontra-se com Melo Antunes
-7AGO75 - Comunicado de Melo Antunes e outros contra a facção radical do MFA no Conselho da Revolução
- 8AGO75 - Defendem alguns que é nesta data que começou a ser preparado o 25NOV75 
- 9AGO75 - Franco Charais, Pezarat Correia, Vitor Alves, Melo Antunes, Vitor Crespo, Vasco Lourenço, Sousa e Castro, são suspensos do Conselho de Revolução
- 5SET75 - Assembleia do MFA em Tancos, onde moderados obtêm maioria no Conselho de Revolução
- 5SET75 - II Conselho da Revolução
- SET75 - Depois da criação do AMI (Agrupamento militar de intervenção), o COPCON fica gradualmente esvaziado
- 27SET75 - Embaixada e consulado espanhóis destruídos na sequência de manifestação antifranquista de extrema esquerda liderada por conhecidas e proeminentes figuras públicas do sistema político nacional
- 7NOV75 - Por ordem do Conselho de Revolução destruído à bomba o emissor da Renascença na Buraca
- 11NOV75 - Palácio de S.Bento cercado por uma manifestação de trabalhadores da construção civil, sequestrando deputados e membros do governo
- 16NOV75 - Lisboa invadida por manifestação organizada pelas comissões de trabalhadores da cintura industrial de Lisboa e por UCP alentejanas
- 20NOV75 - Otelo é substituído por Vasco Lourenço no comando da Região Militar de Lisboa
- 23NOV75 - PS enche de novo a Alameda em Lisboa com manifestação de apoio ao VI governo provisório
- 25NOV75 - Presidente Costa Gomes declara o estado de emergência, assume o comando directo das unidades militares da Região Militar de Lisboa, e declara o estado de sítio em Lisboa
- 29NOV75 - Em conferência de imprensa Sá Carneiro acusa o PCP de ser responsável pela insubordinação militar verificada
- FEV76 - II Pacto MFA - partidos políticos
- 2ABR76 - Aprovação da Constituição da República Portuguesa
- 14MAI76 - Ramalho Eanes anuncia a sua candidatura à Presidência da República
- 18MAI76 - PCP anuncia a candidatura de Octávio Pato à Presidência da República
- 18MAI76 - Pinheiro de Azevedo anuncia a sua candidatura à Presidência da República
- 27MAI76 - Otelo anuncia a sua candidatura à Presidência da República

25NOV75. 
- Que 25NOV75?
- Quantos planos militares? Quem os dirigia, quem fazia parte deles?
    - 25NOV do grupo dos 9?
    - grupo militar de Ramalho Eanes?
    - plano dos coronéis?
    - grupo Maria da fonte?
    - grupo CODECO?
- Quantos golpes? 

- Como defende Pacheco Pereira (PP), um 25NOV da ala esquerdista  das Forças Armadas (FA), e o de 26NOV tentando ilegalizar  o PCP?
- Plano de contenção? Que plano de contenção? 
- Quem fazia parte dele?
- Tudo começou porque os pára-quedistas sairam?
- Quem os mandou sair?
- Sairam por razões apenas corporativas?
- Havia quase guerra civil? Poderia vir a haver?

- O grande risco do 25NOV75 como defende Pacheco Pereira, foi o choque (possível? provável?) com os militares esquerdistas, ligados ao COPCON e a alguns mas não todos os sectores gonçalvistas que, se tivesse expressão armada significativa teria provocado  um conflito grave ?
- Comportamento e decisões de Otelo Saraiva de Carvalho?
- Posicionamentos do PCP? E dos grupelhos à sua esquerda?

Não sei, mas há quem sabe e continua a não dizer tudo. 
PORQUÊ?
Interpretações? E que tal a verdade, finalmente ? 
Já passaram 50 anos!

Sem OTELO teria havido o 25ABR74?
Não sei. 
Mas creio que foi determinante para a sua preparação e   concretização.
 
"Conhecer a verdade implica ir à procura  da história das "coisas".
É uma verdade indesmentível, é a minha opinião também, desde há décadas. 
Porque continuam alguns, que se arvoram "donos", a não nos dizerem TODAS as COISAS que se passaram, vir explicar meandros?

O 25NOV75 não foge à regra da história, a nacional e internacional: na história "oficial" que anda em Portugal há muito, obviamente que foram criadas personalidades segundo certas conveniências.

Um dos busílis está porventura aqui, a criação de personalidades, e  certas conveniências.
Por exemplo, no comentário que há tempos ouvi na TSF e já supra referido, na parte final desse comentário saiu . . . . Eanes pôs-se a jeito!

Não faço ideia.

Quando alguns dizem e escrevem que o 25ABR74 - foi obra de um movimento estritamente militar e apartidário sem qualquer componente civil e influências ideológicas determinantes - respeito, e sorrio.

Quem assim escreve e o mantém ao longo de décadas toma-nos por tontos e desmemoriados. 
Demonstram, na minha modesta opinião naturalmente, desonestidade intelectual pura.

É sabido que, particularmente nos últimos anos da guerra em África/ guerra colonial/ guerra do Ultramar, a presença de centenas e centenas de milicianos nas fileiras militares (13 anos de guerra) teve gradual e determinante influência em muitos oficiais, sobretudo do Exército. 

E também houve quem tivesse ligações a certos partidos, como também houve quem lesse muitos livros e publicações, em 1971 por exemplo, até finais de 1974. LEGITIMAMENTE!

Como houve e há, desde 25ABR74, ligações a partidos políticos.
Legitimamente para os fora do activo.

É sabido, mas muitos fingem desconhecer, e infelizmente muitos mais continuam a acreditar que os bebés chegam de Paris embrulhados numa fralda pendurada no bico de uma cegonha, que os tempos contemporâneos nas democracias ocidentais estão muito complicados e que, sorrateiramente, o Estado exerce violência sobre os cidadãos comuns. De maneira sofisticada, já não à antiga.

Os meios de manipulação das opiniões públicas são numerosos, cada vez mais sofisticados, levando multidões a acreditar nas coisas que para muitos, como eu, espanta. Exemplos não faltam.
No PREC, no 25NOV75, houve algo dessa natureza? Manipulações?

Entre muitas outras coisas, para o processo que levou ao 25ABR74 e o que se desenrolou entre 25ABR74 e 1976, creio ter sido determinante isto:

1º - crescente consciência em vários sectores das Forças Armadas, particularmente no seio de oficiais mais jovens, de que a guerra em África devia ser solucionada politicamente,

2º - a acção de Spínola na tentativa (gorada) de convencer Marcelo Caetano e os ultra do regime a resolver politicamente o conflito nomeadamente na Guiné,

3º - crescente politização de vários oficiais e presumo que sargentos e praças nos três ramos das Forças Armadas porventura mais na Marinha de Guerra ( actualmente designada apenas por Marinha), por um lado por vontade própria e LEGÍTIMA de cada militar, e a convivência com milicianos por outro lado,

4º - a questão corporativa no Exército, concretamente a partir do deplorável Decreto-lei nº 353/73, de 13 de Julho,

5º - o 25ABR74 ocorre quando, na cena internacional, se estava em plena guerra fria, quando durante quase dois anos (até ao Verão de 1975) decorreu o processo de Helsínquia em que os dois blocos - Ocidental e Soviético - definiram e acordaram, questões de segurança, questões de alguma cooperação e, naturalmente, a divisão das áreas de interesse e influência. "Détente"!

Salvo melhor opinião, a partir do golpe militar de 25ABR74 que, em escassas horas, se transformou em revolução dada a enorme adesão popular, a questão que se colocava/ colocou, foi a da construção do Estado democrático, dotá-lo de uma Constituição, com as inerentes e óbvias questões da liberdade, de direitos e deveres, do poder e organização do Estado nas suas diversas dimensões, sempre presente que o poder de um  Estado deve ser justo, legítimo.

No 25NOV75 esteve em jogo a questão da dependência de Portugal, para que lado cair, manter-se no bloco Ocidental liderado pelos EUA ou integrar o bloco Leste liderado pela URSS.

O PS teve papel determinante na escolha  das alianças e no caminho a percorrer, e isso garantiu-lhe papel principal na nossa história recente, democrática.

Há quem defenda que do lado URSS terá havido algures manifestação de alguma preocupação junto de alguns dos principais protagonistas políticos moderados dessa altura pelo rumo que se seguia, e que Portugal se deveria manter no bloco NATO, Ocidental.
Não faço ideia se isso aconteceu, mas mesmo tendo sido real, não vejo que isso impedisse que, no terreno, cá, alguns tentassem efectiva  mudança.

Uma coisa é certa: depois do 25NOV75, começou a ser estabelecida uma ordem política, económica, social.

Parece-me que, 
- Costa Gomes comandou as operações a partir de Belém, 
- manteve em Belém junto de si o conselho da revolução, 
- o comandante da região militar de Lisboa nada terá comandado  na prática,
- Otelo Saraiva de Carvalho terá contido nervosismos nos seus fiéis, e que a sua imediata deslocação para Belém esvaziou por completo inconfessáveis desejos de outrem.
 
Continuo a não perceber, 
- porque saíram os pára-quedistas e quem os mandou sair,
- quem mandou os comandos (que creio em grande número recrutados entre elementos que tinham feito a guerra) arrombar os portões do regimento da polícia militar que calmamente (creio) se mantinha dentro de muros cumprindo as ordens de Belém de prevenção rigorosa.
.

Este "brainstorming" vai longo.
Para uns, o 25NOV75 foi uma maquinação para desviar o "processo" da sua pureza inicial.

Para outros, com o 25NOV75 tratou-se de resolver a questão de poder no país, entre facções políticas, e depois distribuir . . . . . e pouco importando o real interesse dos cidadãos comuns, da sociedade, do país.

Para mim, a questão essencial permanece: A verdade toda do 25NOV75 continua por contar.

PORQUÊ ?

António Cabral (AC)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

PÚBLICO, 23DEZ2024
No jornal Público acima indicado saiu um artigo/ notícia que se transcreve parcialmente. Sublinhados da minha responsabilidade.

Vasco Lourenço
“Continua a haver muita coisa para dizer”


No dia 25 de Abril de 1974 centenas de jovens militares, a maioria deles com idades abaixo dos 30 anos, uniram-se para derrubar o regime. E houve um homem que esteve no centro desse furacão: Vasco Lourenço.

Nascido em 1942 na Lousa, em Castelo Branco, . . . . .. . 
. . . . . . . . . .
Foi o momento de perceber que tudo valera a pena. Todos os riscos tomados foram premiados com uma vitória no momento mais importante da História do Portugal contemporâneo. Logo após a Revolução, surgiram as publicações editoriais com variadas perspectivas dos acontecimentos. “Algumas dessas publicações são pouco tratadas, pouco trabalhadas, vê-se que foram escritas sob pressão, mas tiveram grande importância”, refere o actual presidente da Associação 25 de Abril.

As dúvidas daqueles que planearam a queda do regime foram-se esbatendo à medida que passos mais sólidos iam sendo dados, mesmo que a politização dos militares fosse, nalguns casos, bastante insípida. “Estávamos absolutamente convencidos de que íamos fazer aquilo que a generalidade dos portugueses queria que zéssemos. E, portanto, questionávamos pouco. A politização era muito fraca, havia ausência de politização na maior parte de nós.”

O amparo que depois sentiram nas ruas, a euforia entrelaçada com o agradecimento popular validou toda a acção contra o poder instituído.

Os livros desta colecção avivam estas memórias, mas existem ainda assuntos que, passados 50 anos, estão por revelar, sublinha Vasco Lourenço: “Continua a haver muita coisa para dizer e muitos mitos criados”, que a História ainda haverá de desfazer.

Não por acaso, o militar de Abril tem em mãos a conclusão de um livro de memórias que se dedicará ao assunto. “O livro está praticamente pronto. Conto episódios que colocarão em causa alguns mitos que foram criados. Tenho andado num conito pessoal porque sei que, quando o publicar, vou dar desgostos a algumas pessoas. Vou desfazer alguns mitos. No mínimo, ca escrito para memória futura.”

Se dúvidas existissem, sobre o 25 de Abril ainda não se disse tudo. Fica aqui a prova dada por um dos maiores e mais legítimos protagonistas da Revolução. “Por vezes revolta-me ver situações concretas, pessoas a aceitarem protagonismo de coisas de que não foram protagonistas. Desgosta-me ver a hipocrisia que é, por exemplo, as forças que foram vencidas no 25 de Novembro quererem comemorar a data como se tivessem sido elas as vitoriosas.

Sem se escusar à polémica, Vasco Lourenço refere, sem rodeios, que o grande vencedor dos acontecimentos do 25 de Novembro foi “a Constituição da República Portuguesa”, um documento que “só foi possível aprovar e pôr em vigor porque houve” este contragolpe.

. . . . . . . . . o 25 de Abril, por contraste, é um símbolo de liberdade. Foi e continua a ser”.
. . . . . . . .

Será que vai ser desta que acabam com mitos e sobretudo com certos mistérios? Vai mesmo ser tudo dito? Hummm . . . 
Aguardemos.
AC

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

REVOLUÇÃO do 25 de ABRIL
Ideologia
Como se sabe, o 25 de Abril não tinha ideologia. E exactamente na medida em que não tinha ideologia, os oficiais que o fizeram não se propunham construir um "regime novo" - mas apenas acabar com o velho . . . . . 
Porém, dez anos depois do movimento militar, o país verifica também que existe afinal uma "ideologia do 25 de Abril".
. . . . . . . .
Ela é a de um grupo de oficiais e civis que tem como símbolo o major Vasco Lourenço. Por que é que isto aconteceu não se sabe ao certo.
Por que é que . . . . . foi Vasco Lourenço . . . . . que ficou para a história como o depositário do "verdadeiro espírito do 25 de Abril e o seu capitão por excelência", é coisa que provavelmente nunca se apurará.
O que se sabe é que o 25 de Abril, que há dez anos não tinha ideologia, hoje tem.
Ela situa-se claramente na área da esquerda, entre o Partido Socialista e o Partido Comunista.
(José António Saraiva, 28.04.84)

AC 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

FORÇAS ARMADAS. ÓRGÃOS de SOBERANIA.

O presidente da Associação 25 de Abril, Coronel Vasco Lourenço, acusou mais uma vez o Estado de não respeitar as Forças Armadas e de contribuir para a destruição daquela que considera que devia ser vista como uma instituição basilar.

Vasco Lourenço como muitos outros, teima em falar em Estado em vez de dizer claramente os titulares dos órgãos de soberania.

"O prestígio das Forças Armadas, embora bastante razoável junto da população portuguesa, não merece grande atenção junto do Estado", afirmou Vasco Lourenço, acrescentando que "apesar das inúmeras declarações de louvor proferidas pelos membros do poder político, tudo parece cheirar a hipocrisia".

Vasco Lourenço discursava na sessão comemorativa dos 50 anos da reunião conspirativa de Óbidos, em que então membro do Movimento dos Capitães, que levou a cabo a revolução de 25 de Abril, foi moderador, do encontro em que participaram mais de 180 militares.

O presidente da Associação 25 de Abril deixou claro que nem ele, nem os seus "camaradas militares" acreditam que "os agentes do poder político considerem importantes ou precisas as Forças Armadas e tenham por elas o respeito que apregoam".

Se respeitassem as Forças Armadas, "apesar de alguns bons progressos positivos que se vêm verificando, teriam muito mais cuidado com elas e não estariam a conduzir, desde há muito, a sua quase destruição", sustentou.

Lembrando que o país não vive em ditadura, como em 1973, quando os capitães conspiraram contra o regime, Vasco Lourenço vincou que "os militares já demonstraram defender os valores de Abril e que não há o perigo do nova utilização da força contra o poder".

Contudo, concluiu, há ainda a necessidade de "proclamar bem alto: o poder político tem o dever de respeitar e proteger as suas Forças Armadas, como instituição basilar que são de um Estado democrático".

Questionado à margem da sessão sobre as críticas de Vasco Lourenço, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reafirmou o elogio anteriormente proferido durante o seu discurso, de que as Forças Armadas portuguesas "tem um grande prestígio no mundo, têm realmente missões únicas lá fora e são mioto admiradas por todos".

"Proporcionar aos militares e ao papel que desempenham os meios necessários para o fazerem" é um desafio constante, porque também aí a democracia e o espírito do 25 de Abril não se podem perder", concluiu o Presidente
.


Interessante!
Acrescento, se de antes já havia muitos indícios preocupantes, nestes últimos oito anos (8) tem sido um fartar vilanagem. 
8 anos de governos de esquerda! 
A direita já tinha feito das "boas", algumas INQUALIFICÁVEIS, mas agora os oito anos de esquerda explicaram definitivamente.

A minha sensação é de que Vasco Lourenço e muitos outros não tomaram atenção, por exemplo, às declarações relativamente recentes do último presidente da comissão parlamentar de defesa Perestelo de seu nome, e que já foi responsável na área do chamado ministério da defesa nacional.

Quanto ao tagarela, as suas palavras valem ZERO como o demonstram, a vacuidade das reuniões do CSDN, o entreter com medalhas todos os chefes militares cessantes, como as vacuidades de muitos dos seus discursos, o medalhar constante de tudo o que mexa, o  "carinho" devotado por exemplo ao Arsenal do Alfeite que visitou há não sei quantos anos enquanto visitou o ISN várias vezes, etc.

Um desafio constante é alinhar as vacuidades que muitos deitam cá para fora com as suas acções concretas.
O tagarela deve estar muito satisfeito com o aumento de 70 Euros anunciada pela tal que era a mais bem preparada de sempre para o cargo.

O estado das Forças Armadas é bem exemplificativo do legado de Costa que agora tantos elogiam.

O estado quase comatoso das Forças Armadas deviam corar de vergonha todos aqueles que a esta gente se encostou ao longo de anos e anos, e teimou em desqualificar os que sempre se insurgiram contra a destruição lenta e inexorável da instituição militar, e teimou em não  perceber o que iria acontecer.

Há décadas que sei que os agentes do poder político não consideram importantes ou precisas as Forças Armadas e não têm por elas o respeito que apregoam nos discursos. 
Concretamente os titulares dos sucessivos órgãos de soberania e especificamente os ditos mais altos, os governantes e vários dos sucessivos deputados.

Nada que alguns não dissessem, sem tibiezas, logo desde 1991, apontando o que PSD e PS estavam gradualmente a concretizar e onde o PS ainda mais se especializou.
Agora bramam que o poder político tem deveres.

Como diz o povo, tarde piaste!

António Cabral (AC)

segunda-feira, 11 de abril de 2022

CONDECORAÇÕES

O Presidente da República, na senda dos seus antecessores, TODOS, condecora a metro ou ao Kilo.

A propósito das comemorações dos 50 anos passados sobre o 25 de Abril de 1974, que terão certamente o seu ponto alto em 2024, de acordo com os OCS e nada desmentido, o PR vai superar em muito as milhares de condecorações de todos os seus antecessores. Fica-me até a dúvida se Marcelo quer apenas ficar como o que mais condecorou de todos os PR do regime democrático ou, quer condecorar mais do que o somatório de condecorações dadas por todos os anteriores inquilinos de Belém.

No meio de mais uma telenovela em que Marcelo sempre se deleita, e depois de insinuações surgidas nos OCS de que Marcelo assinava de cruz a lista de pessoas a serem condecoradas elaborada Vasco Lourenço, surgiu a notícia de que Marcelo concordando com Vasco Lourenço queria condecorar os falecidos, Almirante Rosa Coutinho, General António de Spínola e General Costa Gomes.

Creio que pouco demorou a sair notícia complementar ao assunto em que, não, não seriam condecorados só esses mas, toda a Junta de Salvação Nacional (JSN), cujos rostos nos entraram em casa pelos televisores logo que consumada a revolta militar que abriu caminho à Democracia.

Como sempre acontece, haverá quem esteja contra estas condecorações e haverá quem com elas concorde.

Uma parte da "trupe" que com assiduidade dá prova de vida seja sobre o que for mas querem é dizer que estão vivos, veio agora dar à luz do dia mais uma das suas cartas. Esta, para se insurgir contra a intenção de Marcelo querer condecorar todos os membros da dita JSN e designadamente condecorar Spínola.

Nessa condenação recordam factos imputáveis ao General Spínola como, não teria querido a libertação imediata de todos os presos políticos, aparentemente não teria querido acabar de imediato com a PIDE, teria algumas reservas ao fim imediato da guerra em África. Tanto quanto julgo saber, factos com suporte na realidade e a que se podem juntar outros, como a cena MDLP.

Pessoalmente não dou para este peditório das condecorações. Mas não tenho nenhumas dúvidas de que justiça devia ter sido feita em devido tempo a muitos militares envolvidos no 25 de Abril de 1974, julgando que parte do que por aí se noticia agora tem um pouco a ver com uma justiça tardia. Mas 5000............

Voltando à carta da "trupe", mais uma vez me delicio com a coerência desta gente. Que eu saiba, vários dos signatários tiveram uma proximidade pessoal e política muito grande com o falecido Presidente da República Mário Soares. 

Será que se revoltaram junto do então PR para que ele não designasse Spínola Chanceler das Ordens Honoríficas?

Será que também se revoltaram para que o então PR não promovesse discretamente junto do governo de então o regresso à vida militar e a alto cargo de um anterior candidato presidencial ?

Ou, será que se revoltaram nos dois casos mas o então PR, na sua sabedoria, lhes explicou o sentido dessas suas decisões,  que seriam passos mais para a pacificação da sociedade portuguesa? Estas criaturas continuam a não perceber certas coisas. Sinceramente, é o que me parece.

Continuo com a convicção de que, se Mário Soares não tem escrito o seu livro, e Spínola não tem também publicado o seu, a revolta militar demoraria mais tempo a chegar. Nunca se saberá.

AC