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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

PERNAS

Nesta fotografia (que roubei) de outros tempos descortinam-se coisas diversas.

Pode escolher-se o que se quiser de cada um (Soares, Gama, Guterres, Seguro, Seixas) e deles recordar por exemplo, origens, trajectos, personalidades, posturas/ modo de encarar quer a vida quer a política.

Pode escolher-se os ombros e, curiosamente, os da fila de trás com eles simétricos, nem inclinados para a esquerda nem para a direita, enquanto nos dois da frente inclinados para a direita.

Pode escolher-se as pernas, Gama de pernas abertas, simétricas, Seixas e Soares perna direita cruzada, Seguro e Guterres perna esquerda.

Pode recordar-se as ligações políticas, todos socialistas, um ufano de não ter cartão do partido.

Pode escolher-se o rosto de cada um e eu, olhando-os, respeitosamente apetece-me dizer :

Soares - imperador, dono disto,  bonomia, 
Gama - atento, a tudo, sem transparecer o que lhe vai na alma
Guterres - sorrisinho plástico, sonso, atento, mas não está ali
Seguro - atento, calculista, planeando
Seixas - atento, distante, planeando, calculista.

É a vida, dizia o pastoso!

AC

sábado, 25 de abril de 2026

25 ABRIL 1974 - MUSEU

Não sei a data e/ ou momento em que nasceu a ideia de construir um Museu que registasse para memória futura esta inesquecível data que mudou a história de Portugal, que mudou para bem melhor a sociedade portuguesa.

Do que tenho lido, e não sei nem me interessa saber de quem partiu a ideia, parece ter havido uma pré decisão de localizar o futuro Museu no Terreiro do Paço e concretamente nas instalações que estão actualmente ocupadas pelo ministério da administração interna (MAI).

Por razões eventualmente pertinentes, o governo terá manifestado a impossibilidade de retirar o MAI das actuais instalações, pelo que não haverá ali Museu.

Pessoalmente não se me colocam os pelos eriçados por esta decisão recente do governo.

Mas já fico irritadíssimo com outras coisas.

Um governo (este, como os anteriores de esquerda, pródigos em coisas similares) que esbanja dinheiro para a Ucrânia, que esbanja dinheiro para apoios diversos mais que discutíveis em países diversos como recentemente noticiado pelo sr Rangel, NÃO TEM DINHEIRO PARA MANDAR CONSTRUIR UM MUSEU DO 25 DE ABRIL?

NÃO TEM DINHEIRO PARA ADAPTAR ADEQUADAMENTE UM QUALQUER PALÁCIO OU EDIFÍCIO DO ESTADO MAIS OU MENOS AO ABANDONO COMO ESTÃO QUASE TODOS?

CAMBADA DE MALANDROS, ESTES E OS ANTERIORES IDOLATRADOS PELA ESQUERDA MAS QUE TAMBÉM NADA FIZERAM.

A propósito, é recordar as acções de Soares (PM e depois PR) e sucessores para com os militares.

António Cabral (AC)

domingo, 8 de fevereiro de 2026

PARTIDO   SOCIALISTA

Estive a reler coisas de um velho Soarista dos primeiros tempos.
Aqui fica. (Sublinhados meus).

AC
. . . . . . 
Um partido político desligado dos problemas reais das pessoas, que se enredou em casos que só deram mais força à extrema-direita. É desta forma que António Campos, em declarações à TSF, lê o atual momento político. Considerado o braço direito de Mário Soares e secretário de Estado Adjunto no IX Governo Constitucional, garante que o fundador do PS “ficaria fulo e atirava-se a isto tudo porque o partido deu uma volta de 180 graus” sobre o que era a sua estratégia.

“A estratégia de Mário Soares foi sempre localizar o PS ao centro, ter a noção de que o perigo era a extrema-direita e, por isso, logo no segundo governo chegou ao pé de mim e disse: 'Vou fazer uma aliança com o CDS'”, conta. António Campos lembra que, na altura, chamou maluco a Mário Soares, mas que ele argumentou que precisava de fazer essa aliança porque o perigo em Portugal era a mentalidade de 48 anos de fascismo. Pediu ajuda a António Campos, na altura coordenador do partido, para trazer para o partido pessoas da ala esquerda, entre elas Jorge Sampaio. “Em 15 dias eles inscreveram-se no partido”, recorda.


António Campos é crítico das políticas de António Costa, que considera ser o responsável pelo crescimento do Chega. ”O Costa criou o Chega e este [Pedro Nuno Santos] pôs o Chega como líder da oposição em Portugal”, lamenta. 
O antigo deputado da Constituinte e Assembleia da República e governante nos I e II Governos constitucionais considera que Pedro Nuno Santos fez a campanha eleitoral do Chega “ligada aos pequenos casos”. ” Não se discutiu o país”, lamenta.

O histórico socialista, que recusou estar presente nas comemorações dos 50 anos do partido celebradas há dois anos, acusa António Costa, “com quem teve guerras e chegou a cortar relações”, de também ter conseguido destruir a esquerda. “O doutor Cunhal considerava que o PS era o inimigo, mas com ele conseguimos criar o Serviço Nacional de Saúde e Mário Soares foi eleito Presidente da República”, afirma. “O que o Costa fez foi acabar com isso tudo e passar os eleitores do PCP para o Chega”.


Quanto aos cenários de governabilidade, António Campos espera “que o PS se porte bem“ e acredita que quem for eleito secretário-geral do partido será uma questão de tempo até chegar a primeiro-ministro. ”Mas se tiver cabeça, pensar no país e pensar na democracia em Portugal”, adverte.


Vale a pena reflectir.
Claro que, como todos nós, também Campos não foge à regra - ninguém tem 100% de culpa ou 100& de razão.
Mas creio que tem muita razão.
O execrável sempre e só tratou da vidinha.
AC

sábado, 13 de dezembro de 2025

RECORDANDO
Na campanha (que oficialmente ainda não há) e nos debates na TV  ainda não houve tentativas de agressão física. Mas do que me têm contado sobre os debates televisivos (não vi, não vejo, nem verei) só tem havido picardias e alguma má educação designadamente por parte de ventura. Sobre as deambulações pelo país, creio que nenhum putativo candidato à corrida até Belém foi até agora molestado.
AC

domingo, 19 de outubro de 2025

R E C O R D A Ç Õ E S
. . . . . . . . . . . . . 
. . . . CHENEY FOI À UCRÂNIA, onde tentou também dividir os dirigentes políticos, estimulando a primeira-ministra, Iúlia
Timoshenko, anti-russa, contra o Presidente, Victor Yushchenko, mais apaziguador. 

Tudo em nome da NATO. 
Isto é: a NATO, criada como organização defensiva, no início da «guerra fria», está a tornar-se, por pressão dos neo-cons americanos, uma ameaça à paz. 

Cuidado União Europeia! Moratinos, o ministro espanhol dos Estrangeiros, bem advertiu, numa entrevista ao El País: «A Rússia actual não é a soviética, mas também não é a de Ieltsin. Devemos evitar que nos imponha uma agenda do tempo da guerra fria.» 

E eu acrescento: não ameaçar a Rússia, negociar, com firmeza, com ela.

Enquanto isto, a ONU esteve estranhamente ausente e silenciosa. 

Que diferença entre este secretário-geral, Ban Ki-moon, um homem, até agora, apagado e quase invisível, mais burocrata do que político, e o seu antecessor, o saudoso, prudente e corajoso Kofi Annan… 

A ONU vai ter de se reestruturar e democratizar, após as eleições americanas, para desempenhar o seu tão decisivo papel na construção de uma nova ordem internacional e da paz, neste nosso novo século tão conturbado.

(Mário Soares, Visão, 11SET2008) (Sublinhados meus)

Bom dia.
Tenham um bom Domingo.
Saúde e boa sorte.

António Cabral (AC)

quarta-feira, 23 de abril de 2025


Recebi de um amigo. 
Não fui investigar mas, conhecendo o que publicamente se conhece, não me admira que sintetize eloquentemente o havido entre estas criaturas

AC

terça-feira, 8 de abril de 2025

8 de Abril 

. . . . o meu camarada Mário Soares não pode de maneira nenhuma recriminar ou criticar-me por eu ser aquilo que sempre fui, isto é, um democrata, um socialista democrático que na sua conduta e no seu comportamento não deve obediência a ninguém, a não ser à sua própria concepção de democracia e do socialismo democrático.

(Salgado Zenha, 8 de Abril de 1981, Diário de Lisboa)

AC

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

……P O I S………….

A oratória, dele e de muitos, foi sempre excelente!…….

Como curiosidade, esta fotografia tem por legenda - 
Brasão e fachada do edifício do EMGFA no Restelo.  
Curiosidade adicional, a fotografia integra um livro de 1989, do EMGFA (Estado-Maior General das Forças Armadas), com o título - Normas e Orientações para a Actuação das Forças Armadas. 

De recordar que a chamada Lei de Freitas do Amaral é de 11 de Dezembro de 1982, (Lei 29/ 82/ 11 Dezembro), e neste edifício continuava a não estar - Ministério da Defesa Nacional.  

Até que lá fosse colocado - Ministério da Defesa Nacional, que o Art. 34º da referida lei estipulava - foi um episódio interessante, entre duas personalidades, já falecidas. 

Enfim, coisas da história recente/ democrática que, ainda assim, nada justifica coisas do presente/ dos últimos 35 anos.

Coisas de que me vou lembrando contadas pelo meu melhor amigo militar.
António Cabral

sábado, 14 de dezembro de 2024

PRENDAS  de  NATAL
Parece que alguns que são menos "Pedrão" (aglutinação de Pedro e Leitão) andam nos alfarrabistas do Norte à procura de edições desta preciosidade para oferecer a alguns socialistas, os que vão actuando em Portugal, e os que agora se passeiam por Bruxelas e Estrasburgo.
AC

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

7  DEZEMBRO  1924
Já escrevi no próprio dia em que faria 100 anos a minha opinião sobre o que genericamente penso de Mário Soares, de forma relativamente resumida. 
Referi o bom e o criticável (opinião pessoal, naturalmente), realcei o mais importante, o que de decisivo fica para a história democrática do nosso Portugal: a sua decisiva acção para a conquista da liberdade, para a manutenção da liberdade em Portugal.
E por isso lhe estou muito reconhecido.

Mas apetece-me acrescentar mais qualquer coisa, pois continuei a observar, quer azia em relação a ele da parte de vários à esquerda do PS (o que me dá um certo gozo), quer apenas loas no PS, quer apenas loas nos ortodoxos que se converteram ao PS e assim arranjaram boa vidoca, e até loas em quem na direita (na decente, e na intragável) lá no fundo sempre o detestou (o que irrita).

Como referi antes, como aprendi, primeiro o bom, depois o criticável, sempre por esta ordem.
Poderão dizer-me - isso agora não interessa para nada - e eu respeito, SEMPRE, as opiniões de outrem. 
Mas, desculparão, procuro ser minucioso, rigoroso, e até por uma questão de decência prefiro olhar a tudo, olhar à história. 
Mas sem nunca esquecer o mais importante, e decisivo.

Se temos a Constituição, não é só a ele que o devemos, mas muito a ele.
Na adesão à CEE, ele liderou o processo e creio que teve decisiva ajuda particularmente em Medeiros Ferreira.

Já quanto ao progresso social, ao SNS, a isso voltarei particularmente ao SNS, mas creio inquestionável que foi sempre uma das suas grandes preocupações.

Já quanto à alteração da Constituição em 1982, creio que para lá da procura de um equilíbrio institucional, de poderes, alguma coisa foi ditada pelo pó que ele e Balsemão tinham a Ramalho Eanes. 

Repito, sempre em primeiro lugar realçar a sua luta pela liberdade, a obtenção da Constituição, a sua acção no erguer do Estado de direito democrático.

Isso não invalida que me recorde de muita coisa, e para lá do mau processo de descolonização no qual foi um dos responsáveis mas não o único, ficou associado a histórias nunca esclarecidas podendo falar-se em teias de cumplicidades discutíveis.

Creio que nunca equacionou, por exemplo, depois de PM, candidatar-se a presidente da AR. Isso era pouco. Belém.

Alguns recordam, sugerem, dizem, algumas coisas sobre o regresso de vários empresários portugueses exilados no estrangeiro.
Disse-se e escreveu-se muita coisa.
Mas o que é completamente diferente saber de um amigo (banqueiro francês) como as coisas de facto se passaram.
Como é diferente (completamente diferente da narrativa) saber da fonte segura como começou de facto a Fundação Luso Americana.
Adiante.

Como alguns referem, a sua bonomia era mais aparente que real.
Ficam para sempre os seus berros - saia daqui, não queremos cá polícias.

Portanto, a ele muito devemos, mas eu não esqueço as imperfeições (??), que aliás todos temos, sem excepções. Por exemplo certos indultos!

A terminar, claro que muitos nunca lhe perdoarão, entre outras coisas, a sua contribuição para que o V governo provisório estoirasse, tal como a fonte luminosa, etc. Recomendo pastilhas Rennie!

Esta coisa de em morte passarmos a anjos sempre me irritou.
Tudo farei para que um dia, oxalá esteja longe, nada digam de mim senão a realidade de forma justa, e que está por exemplo sintetizado no cimo, quanto se abre o blogue.

Mais uma vez, o meu sentido tributo.

AC

sábado, 7 de dezembro de 2024

7 DEZEMBRO 1924
Nasce.
A liberdade foi ansiada, desde muito novo.
A liberdade foi formalmente adquirida no dia 25 de Abril de 1974.
E a liberdade não foi perdida em 25 de Novembro de 1975.
Ele, depois de 25ABR74, creio, foi dos que mais contribuiu para solidificar a liberdade em Portugal. 
Não foi o único, mas a sua acção foi decisiva.

Continuamos, FELIZMENTE, em liberdade embora (opinião pessoal naturalmente), às vezes, aqui e ali, me fique a sensação de que está a ser apenas formal.

Respeito, SEMPRE, a opinião de outrem, concordo ou discordo. 

No caso dele, que faria hoje 100 anos (a minha mãe com 99 para lá está a caminhar), há fervorosos adeptos, há quem o deteste, mas também há muitos que lhe realçam o muito bom, o bom, mas que não se esquecem de apontar o reprovável. E assim deve ser, por esta ordem, como eu aprendi.
Não creio que o reprovável deva ser excessivamente valorizado, mas não deve ser atirado para debaixo do tapete, como se vê por aí. 
É a minha opinião.

Retenho as facetas que me encantaram nele, mas não esqueço quase nada do que tomei conhecimento, pelos OCS e por amigos que bem sabiam de certas "podas". 

Adjectivação muito apontada e com a qual concordo: combativo, visionário, coragem física, enérgico, optimista, contador de histórias, humanista, negociador, realista, muito culto, bom político, homem da "realpolitik" e, portanto, pragmático.  

Alguns afirmam que "era um homem de coragem marcada por uma vontade assumida de apontar um caminho  (concordo) e convidar os portugueses a segui-lo. 
Nunca foi um homem que se deixasse levar pelo calculismo, pela carreira, mas sempre procurou servir o seu país." (aqui tenho dúvidas em alguns aspectos).

Terá sido o mais sofisticado dos políticos nacionais do século XX e XXI.
Visionário, sabia que um dia o Estado Novo cairia e, nessa altura, deveria existir já uma alternativa política, democrática, de direito. 

Podemos recordar da nossa história o - Antes quero asno que me leve do que cavalo que me derrube. - ou o - antes rainha por um mês que duquesa toda a vida. 
Aplica-se-lhe?

Creio que ao longo do tempo Mário Soares seguiu as posturas e posicionamentos dos seus "companheiros" na esfera da Internacional Socialista, e nomeadamente Helmut Khol. 
Depois do 25ABR74, e nomeadamente de meio do PREC para a frente, ficou mais do que evidente que mereceu a confiança / o apoio incondicional dos EUA designadamente via Carlucci. 

A fazer fé em muitos relatos, como a recente entrevista de Carlos Matos Gomes à TSF, pela via da Internacional Socialista o PS de Mário Soares terá recebido enormes somas de dinheiro, designadamente para apoiar o combate político-eleitoral. 
Assunto que Rui Mateus certamente dominaria!

Bom intérprete da vida, das realidades, com bons dons de oratória, creio que Mário Soares nunca se ligou a ideologias embora se proclamasse do socialismo democrático. 
Obteve apoios diversos dos EUA o que, é minha convicção sobretudo olhando às instituições / organizações americanas que materializaram esses apoios, ao PS de então e as direcções seguintes a Mário Soares não convinha/ não convirá mexer nesse tema.
Mário Soares era pragmático.

Apreciar a sua conduta política, institucional, pessoal, à luz de valores como ética e moral, do que devia ter sido feito ou não, é um exercício complexo.

Desde logo a partir de finais de 1974.
Mário Soares liderou, creio, o processo de descolonização; em algumas das viagens nesse âmbito foi acompanhado por militares do MFA o que, creio, não lhe agradou, porque lhe terá sido imposto nomeadamente por Spínola. 
Curiosamente ou não, Spínola viria a ser Chanceler das Ordens Honoríficas quando Soares foi Presidente.

Quer quisesse ou não, o processo de descolonização não foi nada brilhante, e Mário Soares nunca se pôde furtar a essa polémica, e o seu nome não pode obviamente ser desligado do que correu muito mal e do que correu bem.
Vale a pena ir ler algumas das declarações de Carlos Matos Gomes sobre este tema.

É bem conhecido o trajecto de vida e político de Mário Soares até ao 25ABR74. A sua luta pela liberdade.
Esteve preso, foi deportado para São Tomé, é certo.
Nunca o Estado Novo o encarou como um grande perigo.
É a minha opinião.
Entre as coisas nunca esclarecidas, há a saída de militante do PCP segundo ele e os seus, ou a expulsão do partido segundo o PCP.

A Cunhal e muitos outros o Estado Novo nunca que eu saiba lhes deu alternativa como deu a Soares - ou vais lá para fora ou vais preso - e assim Soares partiu para França.

Depois de PM e Presidente da República foram vários os casos direi, melindrosos, que ensombraram Soares. 
Nunca esclarecidos cabalmente, como sempre convém nestas coisas.
Por exemplo, que relações havia realmente com a UNITA e particularmente Jonas Savimbi, o (arrisco dizer) vergonhoso caso "Emaudio", a célebre Fundação de Relações Internacionais do PS.

Pessoalmente considero que Soares fez bem em criticar certas coisas aos governos de Cavaco Silva, por exemplo quanto a barracas e outras desgraças sociais.
Na minha opinião, exorbitou em muitas alturas, sempre me pareceu interessar-lhe sobretudo deitar abaixo o PSD, e muito conspirou contra Cavaco Silva em termos que pessoalmente considero ultrapassaram em muito o normal relacionamento institucional.

Durante o PREC, depois do PREC, durante os governos constitucionais até à revisão da Constituição, o relacionamento de Soares com a instituição militar é uma das áreas que nunca se esclarecerão. 
Porque ele nunca o esclareceu, e porque da parte de vários militares do 25ABR74 isso tem sido mantido pouco ou nada claro.
É interessante ler certos livros, reler certas entrevistas como por exemplo as mais recentes à TSF à volta do 25NOV75.
Creio que, jogador hábil como sempre foi, engoliu vários do grupo dos Nove e não só, porventura separadamente, serviu-se e deitou fora! Pragmático!
Nunca será esclarecido completamente o pó que tinha a Ramalho Eanes.

Não se retirou em tempo devido da política activa. Sendo visionário, não percebeu que não se sairia bem no Parlamento Europeu.
Lamentavelmente, usou da sua conhecida deselegância verbal quando ali perdeu. 
Deselegância que, opinião pessoal, era uma das suas grandes características mas que bem disfarçava na maioria das vezes.
Mas contrariado, vinha logo ao de cima.
E por isso discordo das afirmações de que não era tacticista, calculista, etc.
Pessoalmente creio que serviu Portugal, foi sempre esse o seu desígnio.
Mas não se terá servido um pouco dos seus últimos anos de político activo? Fica a minha dúvida, legítima.

Claro que o processo a seguir ao 25ABR74 foi muito complexo, que a vida nacional foi complicada pelos menos até 1982.
Mário Soares mostrou-se sempre muito hábil.

Levou FELIZMENTE a bom porto e com a grande ajuda de Medeiros de Ferreira o seu desígnio de integração nas Comunidades Europeias.
Promoveu várias alterações sociais, sendo uma delas o SNS em boa hora alinhavado por Arnaut.

Como digo acima, recordo e registo para sempre agradecido, o muito bom e o bom que Mário Soares protagonizou.
Mas não esqueço muita coisa.
Li, e não esqueci.
Mário Soares, sobretudo a partir de 1986, sempre se comportou como um rei de Portugal. 
Compreendi em parte, não esqueço certas coisas, algumas para mim  perto de imperdoáveis.

Mas presto o meu indiscutível tributo a Mário Soares. 
Como cidadão estou-lhe muito reconhecido, pela liberdade para a obtenção da qual Ele foi decisivo. 

Obrigado Mário Soares, descanse em paz.
António Cabral (AC)

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

domingo, 16 de junho de 2024

 RECORDAÇÕES
- É tocante vermos hoje o Dr Mário Soares chorar lágrimas sentidas por estar a fugir-lhe debaixo dos pés esse mexicanismo serôdio que lhe passou pela cabeça.  
(Marcelo Rebelo de Sousa, 22 Junho 1985, "Semanário")

- Por Belém, Soares venderia a alma ao diabo.
(Álvaro Cunhal, 22 Junho 1985)

- Não é meu irmão, nunca foi, nunca virá a ser.
(Salgado Zenha sobre Mário Soares, 2 Janeiro 1986, RTP)
AC

sábado, 15 de junho de 2024

RECORDAÇÕES
- Nada há de mais oposto à mentalidade de Sá Carneiro que o grupo de Marcelo. O Marcelo, o José Miguel Júdice e Pedro Santana Lopes nada têm a ver com a democracia. 
(Francisco Sousa Tavares, 23 Junho 1983).

- Escolher entre Mário Soares e Lurdes Pintassilgo é como escolher entre o ponto morto e a marcha-atrás.
(Francisco Lucas Pires, 5 Novembro, "A Tarde")
AC