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sexta-feira, 15 de maio de 2026

RECORDAÇÕES

POLVO À PORTUGUESA

DO QUE NOS LIVRÁMOS!
(comentários a vermelho)
Em 2008, o BPN foi nacionalizado contra a vontade dos seus accionistas. Na altura, poucas vozes contrárias se fizeram ouvir, até porque a nacionalização tinha o aval do governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio.

Após este acto, o Governo designou como administrador do BPN Francisco Bandeira, um homem da confiança pessoal de Sócrates.

Entretanto, no ano seguinte, na sequência de convulsões internas, o BCP seria 'governamentalizado', entrando para a administração Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, notórios amigos de Sócrates.
O BES, por seu lado, era governado por Ricardo Salgado, cuja cumplicidade com Sócrates se tornou a partir de certa altura evidente, ao ponto de - quebrando a sua proverbial contenção nas referências ao poder político - elogiar por diversas vezes o primeiro-ministro em público.

Quanto à CGD, era tutelada pelo Governo.
Em conclusão, exceptuando o BPI (de Fernando Ulrich), a partir de 2009 toda a banca ficou 'nas mãos' de Sócrates ou dos seus amigos: CGD, BCP, BPN e BES - para não falar do BdP, onde pontificava Constâncio.

Na comunicação social a situação também não era famosa.
No início do consulado de José Sócrates, o grupo Controlinvest (DN, JN e TSF), de Joaquim Oliveira, foi logo identificado pelo primeiro-ministro como um potencial aliado (até pela sua dependência da banca).

O grupo Cofina (Correio da Manhã e Sábado), de Paulo Fernandes, também se mostrava cauteloso nas referências ao Governo.
O grupo Impresa (SIC, Expresso e Visão) mantinha-se na expectativa.
O grupo RTP (RTP e RDP) pertencia ao Estado e mostrava-se dócil.
O grupo Renascença não se metia em sarilhos.

Restava o quê?
A TVI e o Público - este dirigido por José Manuel Fernandes, considerado por Sócrates persona non grata.
O SOL só apareceria mais tarde.

Quando rebenta o caso Freeport, em 2009, as coisas vão aquecer.
A TVI estabelece um acordo com o SOL para a investigação daquele tema e torna-se para Sócrates um inimigo declarado.
Manuela Moura Guedes, a pivô do jornal televisivo de sexta-feira (que antecipa as notícias do Freeport), é o primeiro alvo a abater - e Sócrates empenha-se em afastá-la por todos os meios; mas tal não se mostra fácil, dado ser mulher do director da estação, José Eduardo Moniz.

Em desespero, Sócrates tenta usar a PT para comprar a TVI, mas o negócio borrega.
Também há tentativas para fechar o SOL, através do BCP (que era accionista de referência do jornal), comandadas por Armando Vara.

No que respeita à Impresa, apesar de não fazer grande mossa ao socratismo, sofre vários ataques, designadamente por parte de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, líderes da Ongoing e próximos de Sócrates, que tentam encostar Balsemão à parede.

Finalmente, sem se perceber porquê, Belmiro de Azevedo aceita a saída de Fernandes da direcção do Público, e Moura Guedes e Moniz deixam a TVI (indo este estranhamente para a Ongoing…).

O SOL fica isolado - e só se salvará por ser adquirido por accionistas não envolvidos na política interna.

Visto o controlo substancial de Sócrates sobre a banca e a comunicação social, olhemos para o poder político. 
Sócrates dominava naturalmente o Governo, de que era o chefe, e o Parlamento, onde o PS tinha maioria absoluta - só lhe escapando a Presidência da República.
Por isso, voltou contra Cavaco Silva todas as baterias.

O PS e o Governo tentaram tudo para implicar Cavaco no caso BPN, por deter acções do banco (embora as tenha vendido antes de ir para Belém). (BPN, um ninho enorme de PSD)
Esta campanha contra o Presidente da República ressuscitaria com estrondo nas eleições presidenciais de 2011, com a cumplicidade - diga-se - de muita comunicação social.

Outro momento alto da guerra contra Cavaco foi o aproveitamento de uma gafe (???) de um seu assessor, Fernando Lima - que tinha falado a um jornalista sobre a possível existência de escutas a Belém - para tramar o Presidente.
Usando uma técnica nele recorrente, Sócrates armou-se em vítima, virou os acontecimentos a seu favor e tentou destruir Cavaco Silva, acusando-o de montar uma cabala.

Outra vez com a ajuda de muitos jornalistas, os socratistas exploraram o caso à exaustão e o assunto foi objecto de intermináveis debates televisivos - onde se chegou a dizer que o PR tinha de renunciar ao cargo!
A campanha não matou Cavaco mas fez mossa, fragilizando o único bastião que não era dominado por Sócrates na esfera do poder político.

Talvez hoje alguns jornalistas percebam melhor o logro em que caíram.

Passando finalmente à Justiça, Sócrates tinha no procurador-geral da República, Pinto Monteiro, e no presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, não propriamente dois cúmplices, como alguns disseram, mas duas pessoas que pareceram sempre empenhadas em protegê-lo, fossem quais fossem as razões.

Nesta área, Sócrates contava ainda com um bom aliado: Proença de Carvalho, pessoa influente nos meios judiciais (incluindo junto de Pinto Monteiro).
E teve sempre o apoio do bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto.

Portanto, também aqui, o primeiro-ministro estava bem acolchoado.
Governo, Parlamento, Justiça, comunicação social, banca: Sócrates controlava os três poderes do Estado - executivo, legislativo e judicial - e estendia os seus tentáculos ao quarto poder (os media) e ao poder financeiro (os bancos).

Talvez muita gente não se tenha apercebido na época deste cenário aterrador.
Mas olhando para trás - e sabendo-se o que hoje se sabe - temos noção do perigo que o país correu: um homem sobre o qual pesam suspeitas tão graves chegou a deter um poder imenso, que se alargava a todas as áreas de influência.

Só de pensar nisto ficamos assustados - e é muito estranho que alguns dos que privavam com ele não se tenham apercebido de nada.

Foi lamentável ver pessoas como Ferro Rodrigues ou Correia de Campos fazerem tão tristes figuras, defendendo-o encarniçadamente até ao fim.
É certo que, como bem disse José António Lima, a democracia venceu-o, afastando-o do cargo.

Mas também foi a democracia que permitiu que um homem como este chegasse a reunir um poder tão grande em Portugal.
Isso mostra a vulnerabilidade do sistema democrático.

P. S. - No caso dos vistos gold, logo a seguir às detenções, deu-se por adquirido que os arguidos eram culpados, considerou-se “inevitável” a demissão de Miguel Macedo, e António Costa disse que o Governo ficava “ligado à máquina”. 
Uma semana depois, as mesmas pessoas contestam a prisão de Sócrates, invocam a “presunção de inocência” e acham “absurdo” falar na hipótese de demissão de António Costa.

Palavras para quê?

Editorial de José António Saraiva

AC

terça-feira, 12 de maio de 2026

RECORDAÇÕES

Ao andar a vasculhar nos meus arquivos dei com várias fotografias saídas nos OCS ao longo dos anos.

DEBATES   PARLAMENTARES
AC

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Republico texto de 30 de Janeiro de 2015, sobre o que por aqui se passava e designadamente sobre Cavaco Silva, BES, o edil de Lisboa, etc.








Falha de memória? Ausência de escrúpulos? E a honestidade intelectual?
FALTA DE MEMÓRIA? AUSÊNCIA DE ESCRUPULOS? E A HONESTIDADE INTELECTUAL?
Existem por aí uns defensores acerca de política que a retratam como a rainha das cambalhotas.

Mas descendo ás coisas terrenas, à realidade das pessoas, que vão envelhecendo desde que nasceram, valerá a pena recordar que, no ventre de nossa mãe estamos como um novelo.

Em gaiatos, contorcionismo, quedas, etc, parecemos de borracha, dobramos com a maior facilidade.
Com o avançar da idade, vai custando chegar com as mãos à ponta dos pés, a falta de "rins" vai sobressaindo.
Com a idade, a memória vai desvanecendo.
Mas que diabo, há limites para tudo.

Bom, isto vem a propósito do actual presidente da República, e das suas posturas acerca dos seus comentários quanto ao BES. O mínimo que se pode dizer é, LAMENTÁVEL.

Não terá nenhum assessor que lhe lembre antes de vir para a rua, o que ele tinha dito em Julho passado, e lhe recomendasse cuidado se fosse perguntado sobre a carta do tio Ricardo?


Que falta de pachorra para aturar esta decrepitude, que salta de todos os lados do colorido partidário, como do colorido de gestores, escritórios, etc.

Tal como quanto ao edil messias: uma coisa hoje, outra diferente manhã, depois meio à socapa, - eh pá cuidado, não quero levar com a porta logo na primeira ida a Bruxelas!

Uma continuada pouca vergonha. E não acaba!
AC

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Comentário: quanto a decência, dignidade, servirem-se em vez de servir a sociedade, probidade, honestidade, corporativismo, crescimento da economia, desenvolvimento do país, diminuição das inaceitáveis desigualdades sociais, etc. quanto se melhorou de 2015 até ao presente?
A resposta aos meus estimados leitores.

Recordo que tivemos o resto de Cavaco/PR, 10 anos do inarrável Marcelo /PR, agora António José Seguro /PR e com ele é que isto vai ao lugar não é?

Ah e tivemos os vários (des) governos de António Costa (brilhantes 8 anos e semanas), seguidos de dois (des) governos de Montenegro.

AC

sábado, 25 de abril de 2026

25 ABRIL 1974 - MUSEU

Não sei a data e/ ou momento em que nasceu a ideia de construir um Museu que registasse para memória futura esta inesquecível data que mudou a história de Portugal, que mudou para bem melhor a sociedade portuguesa.

Do que tenho lido, e não sei nem me interessa saber de quem partiu a ideia, parece ter havido uma pré decisão de localizar o futuro Museu no Terreiro do Paço e concretamente nas instalações que estão actualmente ocupadas pelo ministério da administração interna (MAI).

Por razões eventualmente pertinentes, o governo terá manifestado a impossibilidade de retirar o MAI das actuais instalações, pelo que não haverá ali Museu.

Pessoalmente não se me colocam os pelos eriçados por esta decisão recente do governo.

Mas já fico irritadíssimo com outras coisas.

Um governo (este, como os anteriores de esquerda, pródigos em coisas similares) que esbanja dinheiro para a Ucrânia, que esbanja dinheiro para apoios diversos mais que discutíveis em países diversos como recentemente noticiado pelo sr Rangel, NÃO TEM DINHEIRO PARA MANDAR CONSTRUIR UM MUSEU DO 25 DE ABRIL?

NÃO TEM DINHEIRO PARA ADAPTAR ADEQUADAMENTE UM QUALQUER PALÁCIO OU EDIFÍCIO DO ESTADO MAIS OU MENOS AO ABANDONO COMO ESTÃO QUASE TODOS?

CAMBADA DE MALANDROS, ESTES E OS ANTERIORES IDOLATRADOS PELA ESQUERDA MAS QUE TAMBÉM NADA FIZERAM.

A propósito, é recordar as acções de Soares (PM e depois PR) e sucessores para com os militares.

António Cabral (AC)

sábado, 8 de novembro de 2025

CAVACO (e) SILVA  (CS)  e  a  HISTÓRIA

O actual governo, o PSD, entenderam homenagear o ex- Primeiro Ministro e ex- Presidente da República.

Como lembrou Francisco Pinto Balsemão no seu livro "Memórias" o homem que mais tempo esteve no poder público em Portugal perdeu há muitos anos o "e".

CS esteve 10 anos como PM, três governos. Foi PR 10 anos.

Como todos nós tem defeitos e qualidades.

Para muitos da esquerda, sobretudo avermelhados e os rosas tipo Leitão CS só tem defeitos e nada fez bem feito.

Para muitos à direita do PS só terá qualidades.

Salvo melhor opinião ambos estão errados.

CS não fez tudo bem como PM, e ele próprio o confessou, MAIS UMA VEZ.  Lembrou que os governos falham algumas vezes e cometem erros. Mas fez muitas coisas bem e, creio, Portugal começou nessa altura a ser olhado de forma diferente e respeitado. Sabe-se o que desenvolveu, sabe-se o que devia ter feito melhor, ou não ter feito.

CS não fez tudo bem como PR. Pessoalmente creio que foi demasiado rígido e distante, criou a sensação de isolamento e distanciamento das pessoas. Esfinge foi título bem aplicado.

CS não fez tudo bem como PM, e na cerimónia de homenagem que agora lhe prestaram afirmou que os erros e as falhas dos governos não devem ser escondidos.

Fez bem em lembrar isso.

Mas, até por uma questão de honestidade intelectual e como ensinamento para os presentes, quando falou do momento mais difícil que enfrentou como PM e que foi antes do Natal de 1990, podia ter elaborado um pouco mais sobre isso e, particularmente sobre a demissão repentina apresentada pelo então poderoso ministro da Defesa Nacional (MDN). Que o colheu de surpresa.

Esse importante político do PSD não está entre nós há vários anos. Se estivesse também nada diria publicamente sobre o assunto.

Mas sabem alguns que esse então MDN queria pôr ordem nas Forças Armadas, reorganizar, queria rever carreiras e vencimentos, e estava-se mais perto de chegarem meios modernos, designadamente para a Marinha.

Alguns sabem que CS não queria, e NÃO QUIS, dotar o ministério com o orçamento compatível e importante para reorganizar a instituição militar.

O orçamento requerido não foi contemplado, e o MDN disse-lhe imediatamente, fique com a sua que vou imediatamente embora. 

E foi! E CS, de súbito, ficou com um berbicacho enorme entre mãos, coisa que nunca lhe passou pela cabeça pudesse vir a acontecer por parte daquele importante dirigente do PSD, e antigo e forte aliado. 

Deu voltas à cabeça e pensou que o ministério de repente sem timoneiro poderia ser agarrado por um afável ex-governador civil do Porto (creio que não estou errado).

Creio que o homem nem 3 meses durou no lugar. Não recordo data exacta, mas algures em Fevereiro de 1991 já Fernando Nogueira era MDN. Tenho a certeza, fui por ele recebido nessa altura no seu gabinete do 7º andar do edifício ao Restelo, onde funciona o MDN e o EMGFA (Estado-Maior General das Forças Armadas).

Claro que esse demissionário ministro e homem forte do governo de então cortou relações com CS durante muitos anos. O apaziguamento chegou tarde.

Naturalmente, CS não iria contar estas coisas publicamente. Talvez tenha relatado alguns detalhes durante o beberete.

Mas é bom que muitas coisas se venham a saber na esperança, ainda que ténue, de que a política nacional possa gradualmente ser menos rançosa!

Bom dia
Tenham um bom Sábado.
Saúde e boa sorte.

AC

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

(R E P U B L I C O)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Até onde chega a desonestidade intelectual
O actual inquilino de Belém está a escassos dias de acabar o seu segundo mandato como PR.
Ao longo dos anos fui dos que escreveram várias e por vezes duras críticas acerca das suas acções e sobretudo das suas inações. Sinto-me portanto à vontade para dizer o que digo.
Há pessoas que, quando não gostam e estão tal como eu no seu legítimo direito, NÃO GOSTAM, e exprimem-no duramente. Fazem bem. É o que procuro fazer.

Pode por exemplo ter-se opinião negativa quanto ao facto de Cavaco Silva antes de ser PR se arvorar, quase, como o supra-sumo dos doutores económicos.
Mas, dizer por exemplo - ......"de alguém que evocou, como primeira qualidade para ser eleito, o facto de ser economista mas que não deixou de ter no seu mandato um pedido de auxílio externo por iminência de banca rota " - é que me parece fora de qualquer jeito.

A chegada à banca rota podia ser evitada por um presidente da República? Qualquer que fosse?
Duvido muito, tendo em conta a indispensável e constitucional separação de poderes.
Nas reuniões de 5ª feira, fez avisos a Sócrates? Se calhar fez. E se não fez? O resultado seria sempre o mesmo, perante um animal feroz.
Só falta mesmo dizer que a banca rota foi por culpa de Cavaco Silva.

Que muito do que hoje acontece, na banca, no funcionalismo público, no estraçalhar de equiparações entre os vários servidores do estado, começou em Mário Soares e Cavaco Silva e continuou alegremente com Guterres, ah, aí já concordo.
Agora, culpas económicas e financeiras enquanto PR, parece-me muito deslocado. Mas enfim, a honestidade intelectual é valor que anda de facto muito pelas ruas da amargura.

E eu não posso com o senhor, nem pintado.
Quer como PR quer como Comandante Supremo das Forças Armadas, função em que se esqueceu completamente do seu dever de tutela.
AC

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Cavaco e a falta de memória 
Eduardo Dâmaso, 7MAI2025

Quando Cavaco Silva vem falar, nas vestes de avaliador da idoneidade e ética alheias, não é só de Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa, Valentim Loureiro, Isaltino Morais e muitos outros que, automaticamente, nos lembramos. Estes são os símbolos óbvios de um tempo em que a ética e a idoneidade de quem governava não viveu o melhor dos tempos. Incluindo por causa daquele estranho negócio do próprio Cavaco, que estalou em cima das eleições presidenciais de 2006, com ações do BPN e a casa construída na algarvia praia da Coelha.

Todavia, para lá dos ditos símbolos, quando se fala de ética e idoneidade é essencial fazer um exercício de memória simples. Os Governos de Cavaco marimbaram-se para a ética, a integridade e a transparência. Só legislaram sobre o tema na reta final, pelos idos de 1994/95 em cima dos escândalos que quase todas as semanas fustigavam membros do seu Governo. O ambiente na relação com os órgãos de fiscalização do Estado, do Governo e dos titulares de cargos políticos era de guerra. O procurador-geral da República, Cunha Rodrigues, foi apontado como uma força de bloqueio, um inimigo do Governo, portanto.

O mesmo aconteceu com o Tribunal de Contas, então liderado por Sousa Franco. As inspeções-gerais foram desmanteladas ou enfraquecidas. Noutra frente, o ambiente dentro do partido não era só pastoso, era de guerra aberta. Quando foi aberta a porta da sucessão, em finais de 1993 e 94, com o célebre tabu que levou Cavaco a ir embora, farto do baronato laranja, como reconhece nas suas memórias, Fernando Nogueira, que ganhou o congresso do Coliseu, foi duplamente assassinado. Primeiro, pelos sequazes de Dias Loureiro, que mandavam ou tinham influências nas secretas, e que espalharam todo o tipo de veneno contra os homens do aparelho e do Governo que apoiavam Nogueira. 

Depois, em plena campanha eleitoral, quando o deixaram sozinho e Cavaco fez questão de dizer que o seu candidato era outro. Afinal, foi Cavaco quem levou Dias Loureiro para o Conselho de Estado, onde esteve até 2009, quando a sua ação no BPN, com Oliveira e Costa, compadre de Cavaco, era já insuportavelmente sulfurosa. Pela sua experiência, o líder histórico do PSD não tem direito à ingenuidade. E já deveria saber que falar de ética tem as suas exigências. Uma delas é ter legitimidade moral. Outra, é ser exemplar. E, na verdade, Cavaco Silva deixou um pântano político e ético atrás de si, no partido e no País.

Assino por baixo.

AC

quinta-feira, 6 de março de 2025


(REPUBLICO)
(texto de Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015)


Falha de memória ? Ausência de escrúpulos ?
E a honestidade intelectual ?
Existem por aí uns defensores acerca de política que a retratam como a rainha das cambalhotas.

Mas descendo ás coisas terrenas, à realidade das pessoas, que vão envelhecendo desde que nasceram, valerá a pena recordar que, no ventre de nossa mãe, estamos como um novelo.

Em gaiatos, contorcionismo, quedas, etc, parecemos de borracha, dobramos com a maior facilidade.

Com o avançar da idade, vai custando chegar com as mãos à ponta dos pés, a falta de "rins" vai sobressaindo.
Com a idade, a memória vai desvanecendo.
Mas que diabo, há limites para tudo.

Bom, isto vem a propósito do actual Presidente da República, e das suas posturas acerca dos seus comentários quanto ao BES. O mínimo que se pode dizer é, LAMENTÁVEL.
Não terá nenhum assessor que lhe lembre antes de vir para a rua, o que ele tinha dito em Julho passado, e lhe recomendasse cuidado se fosse perguntado sobre a carta do tio Ricardo?

Que falta de pachorra para aturar esta decrepitude, que salta de todos os lados do colorido partidário, como do colorido de gestores, escritórios, etc.

Tal como quanto ao edil messias: uma coisa hoje, outra diferente manhã, depois meio à sucapa - eh pá cuidado, não quero levar com a porta logo na primeira ida a Bruxelas!

Uma continuada pouca vergonha. E não acaba!
AC

ADENDA de 6 MARÇO 2025:
Quão diferentes estamos, hoje?

quarta-feira, 27 de março de 2024

DEFESA NACIONAL e FORÇAS ARMADAS
Socorrendo-me do que tenho conversado e aprendido com o meu melhor amigo militar que é Almirante reformado da Marinha, recordo hoje duas coisas
A primeira é uma repetição do que aqui já escrevi em outras ocasiões.
A segunda é um discurso marcante.

1º - As Forças Armadas (FA) constituem tão somente um dos pilares da defesa nacional. 
As FA não são a defesa nacional (DN), embora a "praxis" da esmagadora maioria dos políticos desde o 25 de Abril tenha incutido nos cidadãos essa confusão. Políticos e jornalistas.

2º - Vou colocar a seguir o discurso proferido pelo então Primeiro-ministro no então Instituto de Altos Estudos Militares, em 25 de Maio de 1990. Permito-me chamar à atenção para os sublinhados.
António Cabral (AC)

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

CONDECORAÇÕES  e  CONDECORADOS

Este assunto é periodicamente "glosado" e "gozado", e refiro-me concretamente às decisões de todos os Presidentes da República desde 1976. Naturalmente, é sempre difícil e discutível avaliar os critérios dos vários PR incluindo o actual inquilino em Belém. Olha-se ao que está descrito para requisitos de cada uma das comendas e condecorações e, em vários casos e desde há anos, que não se pode deixar de ficar surpreso com alguns nomes alcandorados e condecorados.

Uma das coisas mais interessantes neste tema, para mim naturalmente, é por vezes ver invocar como justificação para certas "prebendas" a expressão - espírito patriótico! Ainda vamos ver Eduardo Cabrita na lista.

Sendo certo que todas as pessoas têm defeitos e qualidades (até Al Capone tinha uma ou, talvez, duas qualidades) quando olho para os milhares de nomes desde 1976 com coisas penduradas ao pescoço fico estarrecido com alguns dos exemplares contemplados! 

Pessoalmente há pessoas que sempre me pareceu da maior justiça terem sido condecoradas, pelo trabalho encetado e realizado, pelo caminho aberto. Há muitos. Um exemplo claro: Mariano Gago. 

Não vou referir nenhum dos (para mim) trastes que sempre considerei uma ofensa aos cidadãos comuns o terem sido agraciados pelos PR Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo Sousa. Os factos vieram demonstrar quão estranho e vergonhoso foi um determinado e razoável número de condecorações atribuídas. E, por isso, há aquela graçola que diz que, séculos atrás, penduravam ladrões na cruz, enquanto nos tempos actuais colocam cruzes ao pescoço de certa gentalha (Vitorino dixit)!

AC

terça-feira, 14 de setembro de 2021

AINDA o "FORA DA AGENDA"

Escrevi há dias umas palavras sobre este tema, em parte motivado pelo falecimento de Jorge Sampaio e em parte por outros eventos recentes (por exemplo um bem nojento), e outros mais afastados no tempo.
No que se refere a Jorge Sampaio, escrevem e dizem por aí que este antigo Chefe de Estado era um homem muito indeciso. Alguns, para mim os decentes, afirmam que não é exactamente indecisão mas, antes, querer ouvir imensas e diferentes opiniões sobre assuntos muito importantes. Independentemente do seu círculo de amigos, de elementos do seu partido, de outros partidos, gente diversa. Como eu tenho conhecimento que assim foi em certas ocasiões, e pelo menos assim foi em 2003 e 2004.

Agora que faleceu, as loas foram imensas, muitas e, no meu entender e como antes escrevi, justas. Mas Sampaio cometeu erros, como todos nós.  Alguns, e concretamente um socialista encartado e muito habituado a convencer e certamente ás vezes a enganar na barra dos tribunais com aquela sua voz melíflua e que pelos vistos o tratava por Jorge, pretendem que o então Presidente da República, depois de muita ponderação, ao tomar a decisão de dissolver a Assembleia da República nunca lhe passou pela cabeça que essa decisão tinha como grande objectivo conseguir que o PS voltasse ao poder executivo.
Adiante!!!

Uma coisa é certa, Sampaio ouviu antes disso muitas pessoas  incluindo o grande inimigo do "padreca" e seus sicários e dos que gritam à porta de casa de certas pessoas distintas da sua cor política.
Sampaio, homem decente, com muitas qualidades e alguns defeitos como todos nós, sempre soube a diferença entre inimigo e adversário político, cultura que muitos que para aí andam abominam. Para essa gentinha, adversários políticos serão todos, eventualmente, do PS para a esquerda. Inimigos todos os outros. Por isso estamos como estamos.
Jorge Sampaio recebeu para o consultar esse seu grande adversário político, por mais de uma vez, "fora da agenda", e pela porta do cavalo, como se costuma dizer. E não, não estou a falar do que não sei.
AC

terça-feira, 9 de março de 2021

9MAR2021 - Posse do Presidente da República

O Professor Marcelo Rebelo de Sousa tomou hoje posse na Assembleia da República, iniciando o seu seu 2º mandato.

Como é da praxe institucional a cerimónia de posse impõe um sem número de questões regimentais, procedimentais, protocolares, etc.

De entre outras, são convidados para assistir à cerimónia os antigos chefes de Estado. Destes, estão vivos o General Ramalho Eanes, o Dr Jorge Sampaio (que não compareceu por razões de idade e precaução face à pandemia, é a minha presunção, e fez bem) e o Prof Cavaco Silva. No final da cerimónia há a tradicional e protocolar sessão de cumprimentos ao Presidente empossado. Sabe-se que Cavaco Silva esteve na cerimónia de posse e a seguir foi para casa. Parece que circula por aí uma informação de que o senhor tinha de ir para casa.

Não tenho que avaliar os outros mas, como cidadão incomoda-me muito certas coisas. Concretamente, era muito mais digno não ter ido à cerimónia. Na eventualidade de ter tido uma emergência intestinal, o que não deve ter sido o caso, ele próprio deveria ter telefonado a Marcelo - "sr Presidente, queira desculpar mas os meus intestinos"......

Se isto se tivesse passado, Marcelo no Porto teria respondido de maneira diferente daquela que foi registada. Resposta elegante e certeira.

No mínimo, prof Cavaco Silva, perdeu uma excelente oportunidade para ficar em casa e calado. Lamentável, tanto mais num homem com 10 anos de PM e 10 anos de PR. Com estas bacoradas destrói a parte boa do que fez. Assim, só anda a amontoar porcarias nas que também fez e protagonizou. LAMENTÁVEL.

AC

sábado, 6 de julho de 2019

CASA  e  DESCASA
Este é o governo de Portugal, esta é a banca de Portugal, esta é a gente deste Portugal século geringôncico XXI
> CGD - vou guardar os juros..........não, já não vou guardar os juros.....
> Governo, Saúde, ARS, vamos encerrar maternidades à vez................................
Não, é melhor não, já não vamos encerrar,......ponham lá o sr Pisco da ARS a dizer que não se trata de ser caro ou barato,.....mas apenas de assegurar o habitual e bom nível de tratamento às nossas grávidas........
> Não, não houve ingerências no Exército..........sempre houve da parte dos governos um mau tratamento da coisa militar......pois....
> Não, nunca li isso,.....nunca falei disso com ele.......nunca...
> Toca a investigar o Cavaco por causa dos dinheiros que de certeza o BES e o tio Ricardo directa ou indirectamente lhe deram para as campanhas eleitorais, sim, porque com Mário Soares, dada a amizade de Mitterrand e do Credit Lyonnais, nunca as campanhas presidenciais de Soares receberam favores deles quanto mais dinheiro, obviamente.
> Sim, sim, ....fui convidado...eh...eh....mas ganhou o impulso de serviço público.............e lá vem o artigo de favor.
AC

segunda-feira, 8 de abril de 2019

CAVACO SILVA
Todos os políticos nacionais, gestores, autarcas, as ditas elites, mais dia menos dia dão tiros nos próprios pés. Mário Soares, Cavaco Silva, Marcelo, Eduardo Cabrita, António Guterres, Sampaio, Constâncio, tantas e tantas dezenas dos bem conhecidos em toda a escala colorida/ partidária.
Cavaco Silva, do alto da sua vaidade, resolver voltar a furar os sapatos, desta vez com tiros de caçadeira municiada com os proibidos zagalotes.
Tenho visto por aí muitos escritos acerca das últimas intervenções deste ex-PR e procurei reler tudo o que disseram, escreveram, gritaram. Salvo melhor opinião, a maioria na "mouche", sem sombra de dúvida.
Aliás, quem consegue acções que não estão em bolsa está tudo dito. Não vale a pena perder mais tempo. 
Acrescentar apenas que alguns artistas, que lhe realçam (e bem) a raiva, deviam comprar espelho para observar bem a cara de alarve que ostentam, pois é gentalha da mesma laia que Cavaco, embora com algumas outras nuances.
Desgraçados dos portugueses comuns.
AC

segunda-feira, 4 de março de 2019

SERVIÇO PÚBLICO 
e  COMUNICAÇÃO SOCIAL
O exercício de cargos públicos, o serviço à comunidade, implica muitas coisas, de que muitos se esquecem ou esquecidos se fazem.
Uma delas, a meu ver, é exactamente a periódica prestação de contas pelo serviço prestado. Obviamente no final de cada ciclo nomeadamente eleitoral mas, manda a vida contemporânea, é importante que a sociedade seja regularmente mantida a par do que vai sendo realizado ou não, relativamente a um dado programa anteriormente sufragado.
Cumulativamente, exige-se um exercício dos cargos com inquestionáveis, respeito pela leis, isenção política, transparência, honestidade intelectual, honestidade e hombridade, respeito pelos cidadãos, e religioso respeito pelos meios financeiros materiais e humanos ao seu dispor para o exercício desses cargos.

Naturalmente, todas as pessoas são diferentes, todas têm defeitos e qualidades, todas têm características experiência de vida e formação diferentes.
O que se vive hoje, pouco tem a ver com o início do século passado.
O mundo gira, avança, certamente com muitos tropeções, mas cada vez mais as pessoas têm o direito a ser mantidas informadas.
O papel da comunicação social é importantíssimo nas sociedades contemporâneas, civilizadas, democráticas, num estado de direito. Não só é importantíssimo como indispensável numa sociedade que se queira, livre, equilibrada, civilizada, evoluída.
E, como consagra a nossa CRP, mas que na prática está muito longe disso, a comunicação social deve ser independente dos poderes político e económico, deve respeitar os direitos liberdades e garantias das pessoas. A titularidade dos meios OCS não deve estar concentrada (como se verifica, não é.....).

Se no plano, dos interesses, da lei, dos deveres, dos direitos, quer para os OCS quer para os servidores públicos como, os titulares de orgãos de soberania, os autarcas, etc, as coisas parecem claras, vai ver-se a prática e verifica-se que, imensas vezes, nada se passa como era requerido.

Frequente ouvir-se defender que cada um talha o cargo à sua maneira. Sendo certamente em boa parte verdade, a noção que tenho é que ao longo dos anos, por exemplo, nem todos os Presidentes da República se comportaram exactamente dentro dos limites constitucionais, coisa que naturalmente é difícil de provar em tribunal. Até porque, em Portugal continua o velho respeitinho (embora digam que isso era no tempo do Botas....), e ninguém se quer atrever a colocar em causa um PR.
O mesmo se pode dizer de PM's, ministros, autarcas, etc, embora para estes todos já as coisas estejam ligeiramente diferentes!.

No caso dos PR, uma das figuras mais singulares é capaz de ser Cavaco Silva.
Como nota prévia antes de continuar, nunca gostei do senhor, reconhecendo-lhe que globalmente desempenhou um bom papel de PM entre 1987 e 1991, mas depois muito estragou e permitiu a uma cambada de malandros. 
Como PR mantive a mesma opinião global, e os dez anos na sua qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas não ajudaram nada a desfazer a opinião. Admito que a casa militar que constituiu/ aceitou durante esses anos não tenha ajudado nada.

Numa coisa concordo com Cavaco Silva: os cargos públicos devem ser exercidos com dignidade. 
Nem sempre terá sido assim. No presente continua a ser assim em vários casos, com várias "criaturas".
E concordo também que deva existir -"independência total em relação a todos os grupos, incluindo a comunicação social”.
Cavaco Silva defende - que “faz parte da dignidade do exercício das funções manter um distanciamento em relação à comunicação social”, uma“relação de respeito”, sim, mas não de proximidade" .

Não desejo ser injusto, mas visto à distância, o ex-PR Cavaco Silva pouco ou nada fez pela instituição militar, o seu relacionamento com a banca terá sido tudo menos o aconselhável bastando para isso recordar declarações suas sobre o BES e para já não falar de coisas privadas, e quanto à comunicação social o seu desdém foi notório
Se concordo com CS quanto ao distanciamento e à relação de respeito perante os OCS, a sua postura desde PM creio que não é bom exemplo para qualquer servidor do Estado.
Fico por aqui.
AC

terça-feira, 20 de novembro de 2018

BUROCRACIA,  SIM,  MAS ALGO MAIS
E o que é o algo mais?
A impunidade absoluta, a descarada ausência de vergonha na cara.
Em 1996 foi publicado um decreto assinado por António Guterres e que tinha a ver com uma "pequenina coisa" no nosso mundo administrativo das entidades públicas, nos organismos do Estado.
Tinha a ver com o regabofe.
E o que era o regabofe?
Ao tempo do PM Cavaco Silva tinha sido aprovada uma resolução do Conselho de Ministros, tornando obrigatória, para todos os organismos do Estado, a publicação anual de planos de atividades e relatórios e contas.
Isto em 1987, em que então se considerava imperativo enquadrar a atividade das entidades públicas com esses dois documentos.
Por palavras mais corriqueiras, chegou-se então à conclusão que era necessário obrigar os pedantes que estavam á cabeça dos organismos do Estado a prestar contas e com base nesses documentos tentar controlar o descalabro financeiro.
Como bem se sabe, o descalabro continuou até hoje.
Entre 1987 e 1996, parece que pouco se fez.
Cavaco mandou fazer mas, depois, borrifou-se na coisa?
E de 1996, ano em que começou o desvario absoluto, até hoje?
O que temos?
Claro que se sabe o que temos. TODOS SABEM BEM.
O compadrio, o comportamento execrável da maioria dos organismos públicos, o desaparecer dinheiro como areia entre os dedos, dívidas brutais, colocação de queridos do PSD, do CDS e do PS à frente dos organismos.
Opacidade na coisa pública.
Quem se preocupa?
Falam nas gorduras do Estado, mas nunca se pedem responsabilidades aos gordurosos que estão à frente dos organismos.

AC

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

CAVACO SILVA
Vai por aí uma onda de indignação acerca de Cavaco Silva, concretamente sobre mais um livro de memórias.
Indignação "à esquerda", ainda que muitos de outras áreas incluindo actuais titulares de orgãos de soberania venham a ler o livro e o considerem desprezível, livro e autor.
Do que superficialmente vejo, atiram-lhe com falta de sentido de Estado e outros mimos.
Antes de continuar, um alerta em jeito de nota prévia para os meus ilustres visitantes e amigos que possam não ter a noção genérica do que penso sobre o senhor.
Desde que me iniciei na "bloga", há mais de 9 anos se a memória não me falha, começando por escrever num blogue que, por inesquecível consideração, acolhia algumas coisas razoáveis que eu ia escrevendo e também muitas outras coisas provavelmente a roçar o disparate, desde essa altura que muitas vezes me atirei ao então Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas. E daí para cá periodicamente continuei a zurzir!. 

Como pessoa, como cidadão, nunca me despertou simpatia.
Como cidadão eu continuo a considerar que ele fez muitas coisas meritórias pelo nosso País enquanto primeiro ministro, mas bem podia ter feito melhor, pois para isso teve tempo, oportunidade e dinheiro. Para em grande parte resolver por exemplo o problema da interioridade mas não, foi um dos que puxou para o litoral. Outros se lhe seguiram, designadamente vários socialistas.
Mas ao longo da sua vida profissional e política fez também várias coisas que me repugnam. 
Só para lembrar, como cidadão eu continuarei a ter as maiores dúvidas sobre, a legalidade das suas casas e obras no Algarve, as aventuras de compra e venda de acções não cotadas em bolsa. Eu, imaginando que as quereria ter comprado, não o podia ter feito.
Só para lembrar, continuarei a manter as maiores dúvidas do porquê  dos seus relacionamentos com certos dos seus antigos colaboradores como ministros e secretários de Estado ou com certos pantomineiros ligados à esfera BPN e banditagem correlacionada.

Voltando ao folclore do momento, e à revolta dos socialistas proeminentes que por aí circulam.
O que se lê e é capaz de corresponder à realidade, parece que vários dirigentes socialistas se manifestaram de diversas formas, e são unânimes em criticar a "falta de sentido de Estado" do antigo Presidente da República pelas considerações negativas que faz dos políticos com quem privou nos seus mandatos presidenciais.
Fica desde logo a pergunta: se fossem positivas ficavam caladinhos, ou diriam na mesma, que não devia estar a escrever sobre os políticos com quem privou? Adiante.
Não comprei o livro ou livros anteriores deste autor, nem vou comprar o que é agora comentado, não perco tempo a ler certas coisas.
Pelo que se lê nos OCS, parece que Cavaco Silva tem no livro "mimos" como - António Costa, é um "hábil profissional da política", "um artista da arte" que empurra os problemas de fundo da economia para a frente.
Mas, não me digam que afinal é mentira? 
Ah e que - o ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes era pessoa desagradável
Pessoalmente não o conheço, mas pelas aparições, postura e declarações nas diversas vezes que foi chamado à AR as quais fui seguindo pela TV, não me parece que Azeredo Lopes seja de facto criatura simpática. Adiante.

Deve haver respeito nas relações institucionais, dizem que Edite Estrela assim terá comentado.
É coisa com que concordo, e até recordo as excelentes relações institucionais que, dizem, sempre existiram entre o então presidente Mário Soares e o "gajo", perdão, o então PM Cavaco Silva.
Edite Estrela, é uma daquelas criaturas que periodicamente defende bons princípios, mas só de vez em quando, para não maçar as pessoas. 
Quando dizem que Cavaco Silva se manifesta de forma pouco elegante, eu concordo INTEIRAMENTE e mais, até acho que se é condescendente ao dizer só isso. E neste caso não estou a fazer ironia, é mesmo o que penso.
Mas o que mais me vai deliciando são as críticas vindas de Carlos César.
Fala por ele, apenas, mas também pelo seu amigo de Faculdade?
Nunca será confessado - Conversas privadas, sobretudo envolvendo titulares de órgãos de soberania e líderes partidários, não devem ser trazidas a público.
Mas uma das maiores delícias das indignações de Carlos César, a fazer fé nos OCS, é a referência que faz ao actual Presidente da República, lembrando que ele (PR) já disse que não escreverá este tipo de livros - com revelações dessa índole e com comentários dessa natureza e estaríamos numa situação muito difícil. Os mais altos dignatários do Estado, os primeiros-ministros ou líderes partidários, nunca mais poderiam falar com um Presidente da República sobre assuntos que considerassem do mais elevado interesse nacional, porque seriam objeto da devassa e da delação presidencial. Veneno Puro, à César.

A terminar, e já gastei tempo demais com o autor criticado e com estes politiqueiros indignados que nenhuma consideração suscitam, por esse mundo fora o que conheço é políticos escreverem memórias e deixarem correspondência e documentos vários que mais tarde contribuam para a clarificação da história dos respectivos países. E por isso Torre do Tombo, Bibliotecas e arquivos nacionais por esse mundo fora.
Como não conheço nem virei a conhecer o todo do livro e dos anteriores, desconheço se Cavaco Silva escreveu e escreve sobretudo na perspectiva que atrás refiro. Duvido.
A última nota que deixo é que, concordando que quase de certeza a elegância não enforma o "escrito", por outro lado, a irritação de certos meninos agora muito indignados tem a ver com a brutalidade com que Cavaco Silva, provavelmente de acordo com o sangue de homem do povo de origem simples e modesta que lhe corre nas veias, imprime ás considerações negativas sobre vários pantomineiros, mas relativamente aos quais o cidadão comum ao olhar a vida nacional nomeadamente nos últimos 30 anos pensa, coçando a cabeça - o homem deve ter grande parte de razão no que diz deles.
Última frase - Cavaco devia, definitivamente, comprar um espelho lá para casa.
António Cabral (AC)

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Em COERÊNCIA
Critica directa a Cavaco Silva; atenção, ao PM em 1992, e não ao seu antecessor Cavaco Silva
...."O Presidente da República classificou esta segunda-feira de “falta de senso e falta de gosto” o veto governamental, em 1992, da candidatura da obra de José Saramago O Evangelho segundo Jesus Cristo ao Prémio Literário Europeu".....
AC