terça-feira, 21 de julho de 2026

O REGIME e a CAPTURA do REGIME
No passado 9 de Julho publiquei aqui um post com o título - E  É  ISTO,  a Tugolândia, em que depois de uns breves comentários reproduzi um texto que um bom amigo me enviou (lido no FB), e que tinha por título - "Confissões de um boy".
Nos meus curtos comentários recordei a frase - um político honesto pergunta o que é que recomenda uma dada pessoa; um político corrupto quem.

O mesmo amigo enviou-me agora um outro texto interessante (opinião pessoal, naturalmente) que viu no FB.
E enviou-mo por, de alguma maneira e eu concordo inteiramente, entender que se encaixa lindamente nas questões subjacentes/ por trás do meu texto sobre condecorações e as nomeações de Seguro para chanceleres das ordens portuguesas. 

E de facto, opinião pessoal naturalmente, discutível mas a respeitar, estas nomeações para chanceleres das ordens confirmam (como já em certos discursos e comentários se visionava) a linha que Seguro está a seguir e não augura nada de muito bom.

Este post, mais o das condecorações, e o tal do "Boy" abordam alguns dos porquês do estado a que chegámos. Com Seguro segue-se mais ou menos o mesmo, um Marcelo ligeiramente diferente, mas a linha  é semelhante. A dita realimentação!

(sublinhados a vermelho, e comentários (vermelho bold) da minha responsabilidade)

António Cabral (AC)

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Todos sabem da polémica que foi a eleição de António José Seguro para Presidente da República.

O apoio aberto de figuras de direita e centro-direita, com destaque para Cavaco Silva e outros nomes influentes do espectro político tradicional, criou a perceção generalizada de que o novo inquilino de Belém teria de retribuir a gentileza.

Essa retribuição já começou. (como esperado pelos que olham para as coisas com rigor, isenção, sem ideologia e partidarismos)

Ao nomear Graça Freitas, Guilherme d’Oliveira Martins e Nunes Liberato para as chancelarias das ordens honoríficas, Seguro não realizou um acto administrativo banal.

Executou o primeiro grande gesto de pagamento de dívidas políticas, blindando com o selo da República as figuras que representam a continuidade do poder que o sustentou.

Quando três figuras com décadas de poder nas instituições portuguesas se reúnem numa mesma equipa, uma tecnocrata que coordenou o Programa Nacional de Vacinação durante quase trinta anos e liderou a resposta sanitária à COVID-19, um político de carreira que foi ministro da Educação, Finanças e Presidência, presidiu ao Tribunal de Contas e transitou para fundações de peso, e um ex-secretário-geral do PSD que se posicionou em fundações influentes, o que se pode concluir com base nos factos e nas trajetórias documentadas?

A resposta, sem filtros nem narrativas tranquilizadoras, é esta: esta equipa representa a elite permanente portuguesa.

Uma rede experiente na navegação do poder, coesa na defesa do status quo institucional, habituada a portas giratórias entre governo, fiscalização e fundações, e estruturalmente resistente a rupturas reais ou a responsabilização efetiva. (responsabilização, NUNCA)

António José Seguro chegou à Presidência da República com a aura de um renovador, a promessa de um novo ciclo e a esperança de quem pretendia ver o poder político ao serviço da transparência. (pour épater les bourgeois)

A realidade, é uma desilusão devastadora: Seguro não é o motor da mudança, é o fiel depositário do status quo.

Ao nomear Graça Freitas, Guilherme d’Oliveira Martins e Nunes Liberato para as chancelarias das ordens honoríficas, o Presidente da República não realizou um ato administrativo trivial.

Executou uma operação de blindagem institucional.

O que estamos a assistir é a criação de um escudo humano de figuras ligadas ao passado recente, uma elite de poder que se retroalimenta e se protege, ignorando os danos causados por políticas que, em nome de uma segurança sanitária discutível, atropelaram direitos e dignidades.

Graça Freitas: A tecnocrata da saúde e o legado da autoridade sanitária

Maria da Graça Gregório de Freitas foi, durante décadas, a coordenadora do Programa Nacional de Vacinação e presidente da Comissão Técnica de Vacinação. Como Diretora-Geral da Saúde entre 2018 e 2023, tornou-se o rosto da resposta portuguesa à pandemia, com conferências diárias e coordenação do rollout vacinal massivo.

Embora sem filiação partidária formal conhecida, exerceu as suas funções de topo durante governos do Partido Socialista, nomeadamente sob o executivo de António Costa.

A escolha de Graça Freitas, especificamente, é o golpe final na esperança de justiça das milhares de vítimas das reações adversas da vacinação.

Ao condecorar com relevância institucional a ex-diretora-geral da Saúde, Seguro ignora o rasto de perguntas sem resposta, a subnotificação escandalosa dos efeitos secundários e o silêncio cúmplice perante os protocolos de vigilância que falharam. Ele legitima, com a chancela de Belém, uma gestão que a sociedade ainda aguarda ver julgada, não no tribunal da política, mas no tribunal da verdade.(julgamento que não ocorrerá)

A sua trajetória expõe o modelo tecnocrático que concentra poder decisório, alinha-se com orientações internacionais e tende a marginalizar debate plural sobre negocios obscuros da vacinação, imunidade natural, estratificação de risco e efeitos adversos. Os danos colaterais em confiança pública, saúde mental e coesão social permanecem.

Guilherme d’Oliveira Martins: Portas giratórias e nepotismo familiar

Guilherme d’Oliveira Martins acumulou cargos de topo: Secretário de Estado da Administração Educativa, Ministro da Educação, Ministro da Presidência e das Finanças, Presidente do Tribunal de Contas e do Conselho de Prevenção da Corrupção, e depois administrador da Fundação Calouste Gulbenkian e papéis em cultura. Iniciou o percurso político na Juventude Social Democrata (JSD) e no PSD, mas aproximou-se depois do Partido Socialista, tendo sido deputado eleito pelo PS e ministro no XIV Governo Constitucional liderado por António Guterres (PS).

A sua rede familiar ilustra o mecanismo de reprodução de poder:

- Filho: Guilherme Waldemar d’Oliveira Martins — Secretário de Estado das Infraestruturas no XXI Governo Constitucional.
- Cunhada: Margarida Salema d’Oliveira Martins — ex-presidente da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos.
- Cunhado: António Capucho — ex-Ministro da Qualidade de Vida e ex-Presidente da Câmara de Cascais.
- Irmão: Afonso d’Oliveira Martins — Professor de Direito.
- Antepassado: Joaquim Pedro de Oliveira Martins — ministro histórico. (eloquente equipa)

Esta rede atravessa poder executivo, fiscalização de financiamento político, poder local e instituições culturais. Não é apenas portas giratórias institucionais — é também transmissão familiar de influência e proteção.

José Nunes Liberato: Do partido às fundações

José Nunes Liberato foi Secretário-Geral do PSD entre 1992 e 1995, durante o último governo de Cavaco Silva (PSD).

Posteriormente posicionou-se como figura de influência em fundações. O seu percurso reforça o mesmo circuito: poder partidário direto no PSD seguido de influência em espaços não eleitos que decidem recursos e narrativas com impacto público, mas com menor escrutínio.
(creio não estar enganado, foi chefe da casa civil do PR Cavaco Silva)

A equipa conjunta: O que se conclui ?

Uma estrutura que inclui estes três perfis será:

- Altamente coesa operacionalmente, com conhecimento acumulado em saúde, educação, finanças, fiscalização e cultura
.

- Orientada para soluções de cima para baixo e tecnocráticas, com baixa tolerância a dissidência ou debate aberto. (arrisco, tolerância ZERO)

- Resistente a autocrítica profunda, porque as carreiras foram construídas dentro do sistema que agora se protege.

- Portadora de risco elevado de conflitos de interesse estruturais e captura institucional.

- Focada em estabilidade e continuidade incremental, não em rutura ou responsabilização real.

Seguro transformou a magistratura de influência num escritório de advocacia para o regime.

Ele protege a casta que negociou contratos opacos, que coagiu a população e que hoje se esconde atrás de burocracias diluentes para não assumir o nexo de causalidade entre as suas decisões e o sofrimento humano.

Ele é o homem que garante que a roda da fortuna política não para, assegurando que, independentemente de quem governa, as mesmas caras, as mesmas ligações e a mesma opacidade continuam a ditar as regras do jogo.

O Presidente abandonou o seu dever de ser o último reduto do cidadão contra o abuso do poder.

Em vez de exigir o apuramento de responsabilidades sobre o crime de coação, sobre a negligência farmacovigilante e sobre a gestão danosa dos dinheiros públicos investidos na solução que se revelou um pesadelo para muitos, ele premiou os seus arquitetos. (não lhe convém . . . ?)

A sua presidência, desta forma, fica marcada pela capitulação moral.

Ao fechar os olhos à realidade das vítimas e ao acolher no seu círculo de confiança quem as ignorou, António José Seguro não está apenas a falhar perante o povo.

Ele está a confirmar que o sistema político português é um círculo fechado, impermeável à justiça e surdo ao grito de quem foi deixado para trás.

António José Seguro, histórico dirigente e antigo secretário-geral do Partido Socialista, ao nomear estas figuras para as chancelarias das ordens honoríficas, reforça o padrão de proteção da elite que atravessou governos do PS e do PSD ao longo de décadas, sem nunca ter visto corrupção (outro que apesar do paleio nunca notou nada . . . . .)

Quem votou em Seguro à espera de uma rutura encontra agora a consolidação de um regime que se auto-absolve de todas as culpas. Esta é a traição definitiva: usar o selo da República para validar uma elite que, há muito, perdeu o direito à confiança dos governados. (quem votou nele sendo PS, PSD, IL, Chega ou seja do PS incluído para a sua direita está confortável pois tudo se mantém mais ou menos na mesma; para a esquerda do PS estão satisfeitos porque é de esquerda)

A história não perdoa este tipo de silêncios, nem o povo esquece a negligência de quem, tendo o poder de mudar o rumo das coisas, optou por proteger o mecanismo que oprime.

Sob António José Seguro, o regime não se regenerou. Apenas se fechou mais, garantindo que o muro entre o poder e a verdade se torne, cada vez mais, intransponível.

A equipa formada por Graça Freitas, Guilherme d’Oliveira Martins e Nunes Liberato, agora elevada e protegida pela mais alta magistratura da República, não representa renovação.

Representa a continuidade de um sistema que prioriza a blindagem da casta sobre a justiça para os cidadãos.

Os factos estão públicos.

As trajetórias estão documentadas.

As consequências estão e estarão à vista de quem quiser ver.

WHISTLEBLOWER.Pt

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