segunda-feira, 20 de julho de 2026

Presidente da República nomeou os Chanceleres das Ordens Honoríficas Portuguesas
16 de julho de 2026

Nos termos da Lei das Ordens Honoríficas Portuguesas, o Presidente da República nomeou os chanceleres das antigas ordens militares, das ordens nacionais e das ordens de mérito civil, respetivamente, o Professor Doutor Guilherme d'Oliveira Martins, o Dr. José Manuel Nunes Liberato e a Dra. Maria da Graça de Freitas.
A posse dos três chanceleres será no dia 20 de julho, pelas 11 horas, no Palácio de Belém
.

Esta coisa das Ordens Honoríficas Portuguesas tem muito que se lhe diga.
Para começar, as Ordens Honoríficas Portuguesas são as seguintes: 
a) Antigas Ordens Militares: 
Da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito; 
De Cristo; 
De Avis; 
De Sant'Iago da Espada; 

b) Ordens Nacionais: 
Do Infante D. Henrique; 
Da Liberdade; 
De Camões; 

c) Ordens de Mérito Civil: 
Do Mérito; 
Da Instrução Pública; 
Do Mérito Empresarial.

De acordo com o Artigo 3.º da lei das Ordens Honoríficas Portuguesas elas destinam-se a galardoar ou a distinguir, em vida ou a título póstumo, os cidadãos nacionais que se notabilizem por méritos pessoais, por feitos militares ou cívicos, por actos excepcionais ou por serviços relevantes prestados ao País. Não é coisa pouca.

De acordo com a referida lei o
 Presidente da República é o Grão-Mestre das Ordens Honoríficas Portuguesas (Artigo 4.º) e  superintende na organização, orientação e disciplina das Ordens, sendo coadjuvado pelos Chanceleres (3, já nomeados) e pelos Conselhos das Ordens (Artigo 40º).

Naturalmente, e como estabelece (
Artigo 54.º) a já referida lei, aos membros das ordens ou seja todos aqueles a quem são atribuídas e impostas as "caricas" como diz o povo, é exigido defender e prestigiar Portugal em todas as circunstâncias, regular o seu procedimento, público e privado, pelos ditames da virtude e da honra, acatar as determinações e instruções do Conselho da respectiva Ordem, dignificar a sua Ordem por todos os meios e em todas as circunstâncias e nunca prejudicar os interesses de Portugal.

Naturalmente, é da vida, uns quantos a quem foram impostas condecorações tiveram depois comportamentos criticáveis face ao que a lei estabelece.

Artigo 55.º da dita lei estabelece a Disciplina das Ordens, e define o que se deve fazer face a eventual violação de qualquer dos deveres a que os membros das ordens se obrigam.
E nesse artigo se fala de instauração de processo disciplinar, dos diferentes trâmites do processo, e se a acusação for julgada procedente, será imposta ao arguido, conforme a gravidade da falta e do desprestígio causado à Ordem, a sua admoestação ou irradiação da ordem. A irradiação significa que temeu devolver condecorações e perde tudo o que lhes era inerente.

Se se percorresse o estendal de agraciados desde 25 de Abril de 1974 (é melhor nem olhar lá mais para trás) o cidadão comum interrogar-se-à legitimamente quanto à outorga de certas condecorações.
Aliás, é bom recordar que em tempos andou sorrateiramente pelas notícias uma certa referência à análise de certos condecorados que tudo indicava dever haver lugar à sua irradiação das ordens que lhe tinham sido outorgadas.

Mas, lá está, como vem acontecendo neste Portugalinho, isso era chato, até porque podia questionar-se - o PR X agraciou Y quando era na altura mais que evidente que . . . 
É muito interessante consultar estas coisas no "sítio" da Presidência.

E quanto a chanceleres?
Provavelmente alguns se recordarão das peripécias do falecido general António de Spínola entre 25ABR1974 e 11MAR1975.
Provavelmente muito poucos se recordarão que um dia foi trazido para chanceler. Recordem-se lá qual foi o PR.

Bom, mas espera lá, o que é que isto interessa aos portugueses, quando  há futebol mundial, estão aí as questões envolvendo o Benfica, Sporting e Porto e a Federação Portuguesa de Futebol, o calor se calhar vai voltar, o tabloide nacional continua  com notícias escaldantes, a telenovela com Luís Neves prossegue, o Médio Oriente continua calmo, os incêndios prosseguem até na Noruega, o Ventura escreve cartas e auto-presume-se estadista patriota, etc?

Boa noite!
António Cabral (AC)

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