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quarta-feira, 6 de maio de 2026

25 de Abril de 1974
O 25 de Abril deu formalmente aos portugueses um dos valores maiores a que o ser humano pode aspirar: A  LIBERDADE.

Passados que são 52 anos, estou a lembrar-me de (a ordem é completamente aleatória; escrevi conforme me fui lembrando; aspectos institucionais, estruturas, instituições, pessoas  por boas e por más razões), e faltará mencionar muitos e muita coisa:
 
A - Abril, Assembleia da República, Agostinho da Silva, Álvaro Cunhal, Angola, Açores, Ambiente, Adelino Amaro da Costa, Acordo Alvor, António Costa, António Champalimaud, Alexandre Soares dos Santos, ADSE, António Mexia, António Costa e Silva, António Vitorino, Áreas protegidas, Amoreiras, Adriano Moreira, Aeroporto de Lisboa, Agustina Bessa Luís, Amália Rodrigues, Alpoim Calvão, Auditorias, AMI, Ausência de Sentido de Estado, AutoEuropa, Ausência de Sentido das Responsabilidades, André Jordan, António Ramalho, Angoche, António Damásio, Ausência de sentido das proporções, Apolo 70, António Lobo Antunes, Adriano Correia de Oliveira, Associações satélite de um partido, Armando Vara, Alçapões nas leis, Ana Catarina Mendes, Ana Paula Vitorino, Ascenso Simões, Artur Portela filho, Almeida Santos, Ana Mendes Godinho, Abandono de áreas do território, Autoridade Tributária e Aduaneira, ACP, AOFA, Américo Amorim, Autoridade Marítima, Alvaro Barreto, Aljube, Alberto João Jardim, ASAE, Artur Agostinho, António Lobo Xavier, Adelino Gomes, António Pires de Lima, Aldeias históricas, António José Seguro, Acionistas, Aterros sanitários. 

B - Bancarrotas (3, a 4ª a caminho?), BES, Bloco de Esquerda, Banco de Portugal, Barragens, BR, Bombistas, Bazuca, Blogues, Bolsa de valores, BIAL, BCP, Banco de Fomento, Belmiro de Azevedo, Biológico, Bastonários das ordens, BCE.

C - Constituição da República 1976, Costa Brás, Censura mas Democrática, Carmen Dolores, Costa Gomes, Corrupção, Cultura, Cova da Moura, Carlos Costa, Cabo Verde, Centros Interpretativos, Capitães de Abril, Crises Financeiras, Confederações, Cavaco Silva, Camilo Mortágua, Carlos Antunes, CMVM, CAP, CIP, Carlos Lopes, Catarina Martins, CGTP, CDS, Coligações, Covid-19, Cultura, Código Penal, Código civil, Código do Processo Penal, Corrupção, Centros Comerciais, Capoulas Santos, Criogenia, Conselho da Revolução, Carvalho da Silva, Cristiano Ronaldo, Carlos César, Carlos Moedas, Casa da Moeda, CGA, CGD, CEE, CMTV, CDU, Camarate, Caxias, Carlos Alexandre, Computadores Magalhães, Credores, Crise, Concessões, Confeitaria Nacional, Compras online, Casa da Música, Cativações, Comentadores políticos, Carteira de jornalista, Casa da Moeda, Cunha Rodrigues, Comissões parlamentares de inquérito, Café Gelo, Continente, Racismo, Computadores, Coliseu, Chiado, Cuidados Continuados, Cinema S.Jorge, Cinema Monumental, Cinema Condes, Cuidados Paliativos, Centros comerciais, Cimeiras, Comandos, Ciclovia. 

D - Democracia, Descolonização, Deveres (quase não se referem), Direitos, DGS (Direcção Geral de Saúde), Dívida Pública, Dívida Externa, Deficit, Defesa Nacional, Dinossauros Políticos, Despovoamento, Desertificação, Duarte Lima, Deflação, D.Manuel martins, D.José Policarpo, Devedores, Drones, Descentralização, Descarbonização, Delta. 

E - E depois do adeus, Eleições, Eleições presidenciais, Eleições legislativas, Eleições regionais, Eleições autárquicas, Eduardo Catroga, ELP, Eduardo Lourenço, Eurico de Melo, Elvira Fortunato, Enoturismo, Escritórios de Advogados, EDP, Euro, Extrema Esquerda, Extrema Direita, Epidemia, Edite Estrela, Energias renováveis, Evasões, Enriquecimento ilícito, ETAR, Escavações arqueológicas, Espuma dos dias, Estados de alma, Ecovia, Ecopista, Ecologia, Economia azul. 

F - FP 25 de Abril, Freitas do Amaral, Fernando Namora, Fundação Champalimaud, Francisco Louçã, Ferraz da Costa, Fernando Nogueira, Fundos da UE, Fernanda Ribeiro, Ferraz da Costa, Ferro Rodrigues, Francisco Balsemão, FNAC, Francisco George, Fernanda Fragateiro, Francis Obikwelu, Fátima, Função pública, Fundações, Fuzileiros, Fundo de Resolução, Fundações,  Filipe La Féria, Fundação Luso Americana, FMI, Fraudes, Franco Charais. 

G - Guerra Colonial, Gravuras Foz Côa, Carlos Santos Ferreira, Graça Freitas, GES, Grândola Vila Morena, Grandela, Gambrinus, Galeto, Gentil Martins, G 5, G 7, G 8, G 10, G 20, Guerra do Ultramar, Gonçalo Ribeiro Teles, GALP, Garcia dos Santos, Guerra colonial, GNR, Governos civis, Ginginha, GPL. 

H - Henrique Granadeiro, Hospitais privados, Hospitais públicos, Hidrogénio verde, Hermínio Loureiro, Helder Bataglia, Hortense Martins, Híbridos. 

- Isabel do Carmo, Incêndios, Ivo Rosa, Incompetência, Isabel Moreira, Isabel Oneto, INEM, IMI, Inseminação artificial, Imposto complementar, IRS, IRC, Isabel Vaz, Isabel Mota, Impostos, Intermarché, Impunidade, Isaltino Morais, Inflação, Insolvência, INFARMED, IPSS, Indústria conserveira, INE. 

- Justiça à Portuguesa, Justiça para os poderosos, José Miguel Júdice, Jorge Coelho, Jardim Gonçalves, João Mota, Joana Carneiro, João Lobo Antunes, José Sócrates, José Manuel de Melo, João Lourenço, Eunice Munhoz, João Galamba, José Medeiros Ferreira, João Salgueiro, Joaquim Furtado, Jorge Sampaio, Joaquim Aguiar, Júlio Pomar, Jornalismo, João Duque, João Cutileiro, Joana Marques Vidal, João Manso Neto, José Mourinho, José Saramago, João Cravinho, João Cravinho jr, Jornal Expresso, Julião Sarmento, Jornal público, José Sá Fernandes, Joaquim Morão, Jerónimo de Sousa, Jorge Lacão, José Silvano, José Magalhães, Jaime Nogueira Pinto, Jaime Marta Soares. 

K - Kaulza de Arriaga, Krus Abecassis. 

L - LEI, Liberdade, Louçãs, Luís Amado, Lojas Maçónicas, Litigação, Luís Filipe Vieira, Lídia Jorge, Luís Campos e Cunha, Luís Raposo, Livrarias, Lavagem de dinheiro, LED,  Lares, Livraria Bertrand, Luís Portela, Lei eleitoral, Leonor Beleza, Lota digital.

M - MFA, Miguel Torga, Madeira, Ministério Público, Mário Soares, Melo Antunes, Mário Centeno, Manuela Ferreira Leite, Mortalidade Infantil (descida), Martinho da Arcada, Marcelo Rebelo de Sousa, Moçambique, Miguel Cadilhe, Miller Guerra, Marinho Pinto, Mórtaguas, MRPP, Manuela Medeiros, Murro no estômago, Ministério Público, Março (11), Miguel Guilherme, Maria do Céu Guerra, Maria Emília Correia, Morais Leitão, Maçonaria, Marta Temido, Manuel Alegre, Museus, Maria José Morgado, Manuel Salgado, Miguel Poiares Maduro, Megaprocessos, Multibanco, Maria José Nogueira Pinto, Maluda, Menez, Melícias, Megacentros, Manuel Gargaleiro, Martins Guerreiro, Marques Júnior, Medina Carreira, Miguel Galvão Teles, Mobilidade eléctrica, Modelo, Maria Lamas.

N - Novembro (25), Nélson Évora, Nuno Portas, Nuno Teotónio Pereira, Novo Banco, Natália Correia, Naide Gomes, Nicolau Breyner, Nicola, Noite e Dia, Nespresso, Neutralidade carbónica. 

O - Otelo Saraiva de Carvalho, Observatórios, Opus Dei, OCS, Offshores, Ordens profissionais, Oposição, Organizações satélite de um partido. 

P - Peniche, Politicamente Correcto, PCP, PREC, PEV, Partidos políticos, Portas Giratórias Política/ Negócios/ Banca/ Privados, Pobreza, Pobreza extrema, Pandemia, Paulo Portas, PPP, Passos Coelho, Procurador Geral da República, Procuradoria Geral da República, PT, PSD, PAN, Paula Rego, Pastelaria Suíça, Pandemia, Paulo de Carvalho, Património material, Pinto Monteiro, Património imaterial, Pedro Queirós Pereira, PEC, Pinto da Costa, Pastelaria Benard, Pastelaria A Brasileira, Pedro Siza Vieira, Pastelaria Versailles, Promiscuidade, Pacheco Pereira, Polícia Judiciária, Polícia Judiciária Militar, PSP, Poucas vergonhas, Patrícia Mamona, Parques nacionais, Parques naturais, Reservas naturais, Paisagens protegidas, Pára-quedistas, Preguiça, Pezarat Correia, Pingo Doce, Pinheiro de Azevedo, Pfizer, Provedor de justiça, Pista ciclopedonal, Prescrições, Ponte Entre-os-Rios, Proteção do ambiente, Proteção civil.

Q - Quadros Comunitários de Apoio, QRCODE.

R - Reguladores (que nada regulam), Reservas Naturais, Ramalho Eanes, Ricardo Salgado, Ricardo Robles, Relatório das Sevícias, Raúl Solnado, Rosa Mota, Rioforte, Revisões Constitucionais, Salgado Zenha, Rui Moreira, Rui Rio, Rui de Carvalho, Recursos judiciais, Rui Nabeiro, ROC, RTP 1, RTP 2, RTP 6, Rui Machete, Redes sociais, Rui Ramos, Rosário Teixeira, Rosa Coutinho, Roteiros, Regionalização, Reabilitação. 

S - Sufrágio livre e universal, Salgueiro Maia, Sá Carneiro, SNS, São Tomé e Príncipe, SUVs, Sousa Leitão, Sophia de Mello Breyner Andresen, Sondagens, Sindicatos, Snu Abecassis, Sérgio Sousa Pinto, SONAE, Supervisão, Sines, Siza Vieira, Superjuízes, SIRP, SIC, SIC Notícias, SARS, Sanches Osório, Sobrinho Simões, Solar dos Presuntos, Sousa e Castro, Souto Moura, Soberba, Sines, SIRESP, Segredo de justiça, Simone de Oliveira, Sondagens,  SEF, Salário mínimo, SAMS, SEDES. 

T - Timor Leste, Tavares Moreira, Tancos, Tribunal Constitucional, Tribunal de Contas, Tribunais administrativos, Tribunais da Relação, Terrorismo caseiro, Tribunais, Trigueiros Crespo, Turismo, Turismo interno, Tavares Rico, Turismo de habitação, Turismo rural, TAP, Tomás Coreia, Telecomunicações, Troika, Torres Couto, Teresa Ricou, Tomás Taveira, Teixeira dos Santos, Testamento Vital, TVI, TVI notícias, Tarrafal, Teletrabalho, TICÃO, Telma Monteiro, Telemóveis. 

U - UDP, UGT, UE, Unicórnios, Unidades de Cuidados intensivos, Universidade Católica. 

V - Vigaristas, Vitor Constâncio, Venda de Ouro, Vital Moreira, Vinicultura nacional, Vasco Pulido Valente, Vilamoura, Vacinas, Vasco Lourenço, Vieira da Silva, Vera Lagoa, Via Verde, Vasco Gonçalves, Vitor Alves, Vieira Matias, Vasco Graça Moura, VTS. 

W - Walter Rosa. 

X - Xavier Pintado, Xenofobia.

Z - Zeinal Bava, Zeca Afonso. 

António Cabral (AC)

sábado, 2 de maio de 2026

REPUBLICANDO

MFADEMOCRACIAVASCO LOURENÇO

Senhor Presidente da República
Senhor Primeiro Ministro 
Senhora Ministra da Defesa Nacional e Senhor Ministro da Cultura
Senhor Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas e demais entidades militares
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo 
Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Alcáçovas
Senhora Comissária das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril
Minhas Senhoras e meus senhores
Camaradas de Abril

Permitam-me que comece por fazer simples, mas sentidos agradecimentos: a todos, por terem respondido ao nosso convite e nos presentearem com a vossa presença; aos autarcas, por nos receberem nesta terra alentejana, com lugar na História de Portugal, pelo motivo do que aqui se passou há precisamente 50 anos; aos proprietários deste Monte do Sobral, Annick Chef e seu marido David Achard, pela hospitalidade com que, mais uma vez, nos recebem.


Evocamos hoje o encontro que, há precisamente 50 anos, aqui tivemos para decidir sobre a melhor maneira de, enquanto militares e detentores da força, podermos discutir os problemas que então perturbavam o Exército, as Forças Armadas e a Sociedade portuguesa. Preocupava-nos em especial a guerra de África e as medidas que atingiam fortemente a carreira e a dignidade dos Oficiais do Quadro Permanente, oriundos da Academia Militar, que, ao longo de 13 anos, continuavam a bater-se em vão, em sucessivas comissões, numa guerra sem fim à vista

Aqui estivemos, num celeiro cheio de fardos de palha cedido pelo Celestino Garcia, que aqui evoco com um sentimento de gratidão e reconhecimento, que nos serviram de assento, 136 Capitães, Tenentes e Alferes. Desses, 38 já partiram, pelo que peço que, em sua memória e homenagem, juntando a eles todos os demais Militares de Abril que já nos deixaram, nos remetamos por alguns momentos ao silêncio, para eles erguendo os nossos pensamentos, com um Até Sempre!

SILÊNCIO

Éramos então jovens, mas com suficiente experiência da vida e da guerra, sonhávamos um país diferente, respeitado e ouvido entre os seus pares, éramos jovens suficientemente generosos e desapegados do poder, dispostos a correr todos os riscos, sem calculismos ou procura de vantagens.

Motivados por razões diversas – contrariamente ao que alguns continuam a afirmar, a melhor prova de que não eram apenas motivos de natureza corporativa esteve na presença aqui, neste encontro secreto, de um Capitão que seria beneficiado se os decretos contestados tivessem entrado em vigor: um abraço especial ao José Luís Cardoso, hoje novamente aqui, desta vez acompanhado por familiares. 

Aqui nos reunimos, aqui criámos um movimento, o Movimento dos Capitães, que se organizaria, evoluiria no seu pensamento e na sua convicção e que, passados menos de 8 meses, precisamente 227 dias depois, já como Movimento das Forças Armadas, o MFA, fez nascer “O dia inicial inteiro e limpo” celebrado por Sophia, Manuel Alegre, Ary e tantos outros notáveis poetas portugueses, mas também estrangeiros, de que destaco o Chico Buarque e o Moustaki. 

Naturalmente, este nosso encontro não nasceu do nada, não “caiu do céu, aos trambolhões”, foi o culminar de reações diversas que, em todo o território nacional – metrópole, ilhas adjacentes e colónias – os oficiais do Exército, desencadearam.

Nem todos tínhamos já consciência plena de que só os militares poderiam terminar com o flagelo de uma guerra sem sentido, desenvolvida há quase 13 anos em Angola, alastrada à Guiné e a Moçambique, respetivamente há 11 e há 10 anos, sem fim à vista. É certo que se as Forças Armadas fazem a guerra, estas nunca são declaradas por elas, mas sim pelo poder político. Que tem o dever de, aproveitando o esforço dos militares, encontrar soluções políticas para resolver os motivos que o levaram à declaração da guerra. Sempre assim foi, sempre assim será! Apenas a derrota total, como aconteceu com Nagasaki e Hiroshima, dispensa uma solução política para as guerras! Lamentavelmente, há quem continue a não ter presente esse princípio…

Mas, em 1973, os responsáveis políticos e os seus serventuários militares mantinham-se cegos, continuando a loucura do ditador mor que lançara o slogan de “Orgulhosamente sós”. Tudo era agravado pela evidência de que, face a uma derrota anunciada, os mesmos responsáveis políticos ou os seus herdeiros se preparavam para repetir a vergonhosa postura de 1961/62, quando transformaram os militares em bodes expiatórios da queda de Goa, Damão e Dio. 

E, aí, ouviram-se frequentes gritos de revolta dos jovens militares, não só do Exército, com o Movimento a estender-se rapidamente aos outros Ramos das Forças Armadas: “Bodes expiatórios, nunca mais!”

Foi uma caminhada longa, feita de forma acelerada, num curto espaço de tempo, e com um final extraordinário e feliz.

Assumida a convicção de que, como militares, tínhamos de servir a população em geral, isto é a Nação, e não uma qualquer clique minoritária, de que só assim recuperaríamos o prestígio das Forças Armadas, que humanamente todos ambicionávamos, fácil foi concluir que isso só seria alcançável se deixássemos de ser o suporte da ditadura, déssemos nesta o piparote final e, libertando a Liberdade, fazendo a Paz e construindo a Democracia, entregássemos o Poder aos portugueses democraticamente organizados.

Fizemo-lo, aproveitando as condições propícias que a nossa participação na guerra criara, mas aproveitando igualmente a situação resultante da luta de tantas e tantos portugueses, das mais diversas origens: trabalhadores, estudantes, intelectuais, muitos deles pagando com a sua Liberdade, e até com a vida, essa acção de luta por um pais mais livre, justo e em Paz.

Tivemos o saber suficiente e soubemos assumir a decisão para nos comprometermos, perante os portugueses e o mundo, com um Programa político – o Programa do MFA – onde dizíamos ao que vínhamos e ao que nos comprometíamos.

Fomos os imprevistos e improváveis libertadores do povo português. Ninguém acreditava que os militares pudessem ser autores de um acto de libertação como foi o 25 de Abril. O 28 de Maio não estava esquecido, o 11 de Setembro de Pinochet era bem recente, pairava o receio de que Kaulza de Arriaga conseguisse realizar o golpe que tentara em fins do ano de 1973, para reforçar a guerra, tentando arrastar para o seu lado precisamente aqueles Capitães que, livres da tutela de um Chefe, poucos meses depois, iriam surpreender tudo e todos.

De repente, Portugal saiu do isolamento e da apagada e vil tristeza em que vivia e tornou-se referência internacional, com os portugueses, vivendo no País ou no estrangeiro, a recuperar o orgulho de ser português. 

Naquele dia, para além da libertação, da abertura de portas para a Paz e da libertação dos povos colonizados, dando origem a uma nova etapa da nossa História, despertámos os melhores sentimentos e atitudes do povo que, espontaneamente e em todo o País, aderiu com imensa alegria e felicidade ao nosso 25 de Abril, transformando de imediato os acontecimentos num processo revolucionário de todos. 

Processo revolucionário de grandes transformações sociais, às vezes à beira da utopia e mesmo da ruptura violenta.

Mas, enquanto MFA, não abandonámos “a criança” a que demos vida, nunca nos alheámos nem afastámos das lutas nascidas numa revolução que cumpriu a máxima de Rosa Luxemburgo, fazendo-se “sem ensaio geral”.

Tínhamos um compromisso com os portugueses, e, por isso, tudo fizemos - incluindo lutas internas que também estiveram à beira da ruptura violenta – para o cumprir. Que se consumou quando em 2 de Abril de 1976 (menos de dois anos depois…) se aprovou, com esmagadora maioria dos eleitos nas eleições mais livres e mais participadas da História de Portugal, a Constituição da República.


Constituição que, sendo a maior das conquistas do 25 de Abril, tem sido o instrumento fundamental para garantir a Democracia, contra acções espúrias de que esta tem sido alvo.

Constituição que, ameaçada da hipótese de mais uma revisão, esperamos não seja destruída nesse seu papel de garantia da existência de um regime de Abril.

Acção complementada e completada quando, após um Período de Transição onde o MFA, através do Conselho da Revolução, foi o esteio da consolidação da Democracia, se extinguiu por vontade própria, pondo fim à intervenção dos militares que haviam libertado o país, enquanto tais, na vida política.

Depois disso, assumimos a simples condição de cidadãos, exigindo, às vezes com alguma dificuldade, o estatuto de cidadão de corpo inteiro, com todos os deveres, mas também com todos os direitos, nomeadamente o da participação cívica. 

É isso que fazemos, há quase 41 anos, através da Associação 25 de Abril.

Associação cujo mérito maior, o da defesa dos valores de Abril – Liberdade, Paz, Democracia, Justiça Social, Direitos Humanos – se alicerça na proeza de termos conseguido reunir e manter mais de 90% dos militares de Abril.

Não esquecendo que continua a haver coisas que nos dividem, mas valorizando apenas o que nos une, o essencial da defesa desses valores.

Por tudo isso, encaramos a evocação dos 50 anos do 25 de Abril, aceitando integrar-nos nas Comemorações Oficiais, imbuídos essencialmente de um sentimento prioritário: evocar os valores intemporais que nos moveram, para a concretização da epopeia histórica que protagonizámos, olhando essencialmente para o futuro.

Mas, como Memória é responsabilidade, impõe-se aproveitar estas comemorações para criar instrumentos que mostrem às gerações futuras que, em 1974 se iniciou um processo de transformação do regime em Portugal, que deitou para o caixote do lixo da História um regime opressor, repressivo de ditadura, beligerante e fortemente injusto para a maioria da população. E que gerou um outro regime, mais livre, mais democrático, mais justo, mais solidário e em Paz.

Que mostrem às gerações futuras o que aconteceu, como aconteceu, mas essencialmente porque é que aconteceu!

Como militares de Abril assumimos a honra e mesmo o orgulho de termos sido os principais protagonistas desse processo.

É por isso que propusemos algumas iniciativas concretas que atingirão esses objetivos.; Centro Interpretativo do 25 de Abril; Série documental sobre a Conspiração; grande exposição sobre o papel do MFA no 25 de Abril; abertura do Posto de Comando do MFA à população.

Como é evidente, outras iniciativas estão, e bem, a ser concretizadas.

A História do 25 de Abril, da sua génese e do seu desenvolvimento, não se resume, nem nós nunca o afirmámos, à acção do MFA.

Nada mais natural, portando, que outros eventos se organizem.

E, para além de outras iniciativas em curso ou previstas, porque não aproveitar para aumentar o esforço que sabemos já estar a ser desenvolvido, nomeadamente pela Liga dos Combatentes, para promover o regresso a Portugal dos restos mortais dos militares que, em consequência da guerra colonial aí perderam a vida e ficaram sepultados em África? É da maior justiça que o Estado que os mandou para a guerra, providencie o seu regresso à terra que os viu nascer

Resumindo, nós os militares de Abril, assumidos herdeiros do MFA, que continua a ser, acima de tudo, um estado de espirito, exigimos (há quanto tempo não proferia este termo?) que algo fique destas comemorações. O foguetório e o folclore, como até pode ser encarada esta iniciativa que hoje aqui estamos a protagonizar, não pode ser o essencial das comemorações.

Façamos tudo, para que estas comemorações resultem num novo Abril, uma jornada de afirmação e dignificação de Portugal, dos portugueses e das nossas Instituições democráticas. Onde os detentores do poder cumpram o dever de Servir e não o substituam pelo “direito” de Se Servirem! Postura onde consideramos, também aqui, ter inteira autoridade moral, face ao procedimento da generalidade dos militares de Abril, sempre que foram solicitados para servirem o Estado.

Comemorações que, confesso, gostaríamos eu e os meus camaradas de Abril, de viver em melhores condições.

Confesso interrogar-me, muitas vezes a mim próprio, sobre “que 25 de Abril vamos comemorar”?

Portugal está a atravessar momentos que parecem ter todas as condições para uma estabilidade democrática, mas que nos surpreende todos os dias com exemplos que teimam em dizer-nos o contrário. 

A democracia continua a praticar-se, mas às vezes, mais do que o desejável, os diferentes Órgãos de Soberania parecem atropelar-se uns aos outros. Assim criando espaço para que os saudosos do regime derrotado em 1974, possam pensar que chegou a hora deles, para o revanchismo.

Pior que isso, Portugal, está a caminhar para se envolver numa guerra, cujos interesses me parece não nos dizerem directamente respeito.

Confesso ter saudades dos tempos em que, assumindo a nossa pequenez no mundo dos poderosos, fizemos ouvir a nossa voz na Conferência de Helsínquia, em Julho/Agosto de 1975.

Dos tempos em que recusámos a solução da “Vacina da Europa” que Kissinger – hoje, sintomaticamente, mais moderado – quis aqui experimentar, tentando fazer de Portugal um qualquer laboratório farmacêutico. especializado em guerra bacteriológica

Permitam-me que termine com uma pequena reflexão e um apelo: 

Ao fazer o 25 de Abril, o MFA teve que enfrentar, como principal inimigo, as próprias Forças Armadas. Há mesmo quem, dentro do MFA, afirme que o movimento não deveria chamar-se Movimento das Forças Armadas, mas sim Movimento contra as Forças Armadas…

E até têm razão, pois a hierarquia das Forças Armadas foi o inimigo que protagonizou, ao longo do processo de transição e consolidação democrática, com tristes episódios, que não esquecemos, que continuam bem presentes na nossa memória, a luta contra o cumprimento do Programa do MFA.

Terminado o referido Período de Transição, considerámos, contra muitos militares, mas também contra muitos políticos, que o MFA tinha conseguido que as Forças Armadas estivessem imbuídas do espírito de servir o Pais, num regime democrático, e não uma qualquer minoria.

Hoje, as Forças Armadas portuguesas estão transformadas no quase único instrumento de que Portugal dispõe para a sua política externa, na defesa dos nossos interesses.


Porquê, então, a pouca consideração que o poder político tem para com as Forças Armadas, destratando-as, levando à sua quase paralisação e destruição?

Um dia, no fim dos anos 90, perguntava ao então Primeiro Ministro António Guterres o porquê de ele não ouvir as reivindicações dos militares, ao contrário do que fazia com outros grupos socioprofissionais, nomeadamente com os agricultores. Acrescentava eu, então, “será porque os militares não fazem cortes de estrada? Cuidado, os cortes de estrada dos militares, quando existem, são feitos com armas”.

Como sabemos, os militares não fizeram cortes de estrada, o desprezo pelos seus legítimos interesses, com a Condição Militar esquecida nas calendas do tempo, continua e a situação tem-se agravado de maneira assustadora. Pessoalmente - suspeito na matéria, é certo - considero que a atitude dos militares é ainda resultado da acção do MFA, ao transformar as Forças Armadas numa Instituição ao serviço do poder democrático.

A situação alterou-se, contudo, num aspecto que considero fundamental. Como Instituição nacional, as Forças Armadas são obrigadas à subordinação ao poder democrático.

Lamentavelmente, os responsáveis políticos, infelizmente acompanhados por grande número dos responsáveis militares, confundem subordinação com submissão e subserviência e isso transforma radicalmente a natureza das próprias Forças Armadas. Por isso, temo que, não sendo possível, nem necessário ou desejável – porque continuamos em Democracia, ainda que os seus defeitos se venham a acentuar drasticamente - fazer um outro 25 de Abril, como frequentemente ouvimos proclamar, alguém venha a pensar que, com as Forças Armadas neste estado, se possa fazer um outro 28 de Maio.

Não tenho dúvidas de que será muito mais difícil arrastar as Forças Armadas para atitudes não democráticas, se elas se sentirem respeitadas pelo poder político. Como considero que o inverso é também verdadeiro: umas Forças Armadas descontentes, sentindo-se injustiçadas e maltratadas pelo poder político, estarão sempre mais vulneráveis a serem arrastadas para aventuras, que não queremos se voltem a verificar em Portugal.

A minha esperança, a nossa luta, é criar condições para que isso jamais seja possível.

Que passa pela recuperação do prestígio das Forças Armadas, enquanto Instituição fundamental do Estado português, o que não se compadece de forma alguma com a hipótese da sua abertura à contratação de mercenários, como alguns iluminados ousam defender.

Passam 50 anos, sobre o arranque decisivo que os Capitães de Abril aqui protagonizaram. Dentro de dois dias passarão também 50 anos, sobre o criminoso golpe de Pinochet, onde Salvador Allende, democraticamente eleito, Homem digno e democrata decidiu, heroicamente, suicidar-se para não ser fuzilado pelas Forças Armadas fascistas do seu país.

Termino com um apelo, que é um Manifesto: 28 de Maio ou 11 de Setembro, nunca mais!
25 de Abril, sempre!
Viva Portugal!

Alcáçovas, 9 de Setembro de 2023
Vasco Lourenço
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No Sábado, 9 de Setembro, passaram 50 anos sobre a reunião de oficiais subalternos do Exército português realizada em Alcáçovas, reunião que foi passo decisivo para a revolta militar ocorrida em 25 de Abril de 1974, revolta essa que veio a ter uma grande adesão popular, e que foi o início do processo que culminou na elaboração e aprovação da nossa Constituição e na instauração e consolidação do regime em que, FELIZMENTE, vivemos e onde me sinto muito bem.

Os sublinhados são da minha responsabilidade.

Concordo com várias das afirmações de Vasco Lourenço.

Independentemente de erros, utopias, parece-me importante olhar o futuro e mostrar às gerações vindouras o que foi o 25 de Abril, e salientar que apesar de problemas vários, não existe, que eu saiba, nada superior à Liberdade e à Democracia.

Uma das vergonhas destes titulares de órgãos de soberania e dos que os antecederam é que continuam centenas ou milhares de portugueses falecidos em combate enterrados em África. 
Num país decente, com líderes decentes, ao fim de quase 50 anos todos estariam em Portugal a descansar. 
Mas o que temos é uma cambada de INDECENTES, há décadas. 

Vivemos em condições globalmente difíceis.

Vivemos com as palhaçadas contínuas de certos ou mesmo de muitos dos titulares de órgãos de soberania, nomeadamente com acções inarráveis do PR, do PM, e de uma série de seus apaniguados PS.

Como se viu mais uma vez, em Alcáçovas, no passado Sábado, tivemos o folclore e o fogueteiro Marcelo, e mais Costa e a inarrável Carreiras.
O foguetório e o folclore, sempre, nos discursos, nos dias festivos, dizendo que são os melhores militares do mundo, etc.
A realidade é outra. 

Acabam de sair os dados estatísticos da Direção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP), 2º trimestre de 2023. 
O que indicam? 
Continua a decrescer o número de Efetivos Militares.
Fora tudo o resto, tudo o que se passa no Exército, na Força Aérea e na Marinha.

Umas Forças Armadas cada vez mais desprezadas, e é bom lembrar que os responsáveis foram/ são maioritariamente actores e actrizes do PSD e do PS. Já agora recordar que o PS foi o partido que governou mais anos nestes quase 50 anos de regime democrático.

As Forças Armadas, a Instituição Militar, é um dos pilares da soberania, e é por definição instrumento de política externa.
Estes actuais titulares de órgãos de soberania (como muitos que os antecederam) olham para elas, sorriem, querem paradas com muitas tribunas para VIPs (very important potatoes!) e suas mulheres ou seus maridos, dias festivos, vários Falcon sempre prontos para as incontáveis viagens das criaturas, e prosseguem na submissão das chefias, com gozo supremo.
Basta olhar aos últimos.
 
Vasco Lourenço aponta no seu discurso e bem - Lamentavelmente, os responsáveis políticos, infelizmente acompanhados por grande número dos responsáveis militares, confundem subordinação com submissão e subserviência e isso transforma radicalmente a natureza das próprias Forças Armadas

Pois é, mas isto não aconteceu por acaso, aconteceu com o silêncio de anos de muitos. Tal como em relação à Condição Militar.
As associações dos militares das Forças Armadas há anos que se insurgem contra isto. Deviam ter sido ajudadas nomeadamente por quem se mostra "dono" disto.

O que se verifica é que SERVEM-SE, e não servem a sociedade portuguesa. 
Há anos que digo isto, que escrevo isto, aqui e sempre.

Vasco Lourenço parece esperar que cumpram o dever de servirem a sociedade portuguesa.

Tudo isto me faz lembrar aquela frase popular - "tarde piaste".
António Cabral

sábado, 25 de abril de 2026

25 de ABRIL - LIBERDADE

AC

25 ABRIL 1974 - MUSEU

Não sei a data e/ ou momento em que nasceu a ideia de construir um Museu que registasse para memória futura esta inesquecível data que mudou a história de Portugal, que mudou para bem melhor a sociedade portuguesa.

Do que tenho lido, e não sei nem me interessa saber de quem partiu a ideia, parece ter havido uma pré decisão de localizar o futuro Museu no Terreiro do Paço e concretamente nas instalações que estão actualmente ocupadas pelo ministério da administração interna (MAI).

Por razões eventualmente pertinentes, o governo terá manifestado a impossibilidade de retirar o MAI das actuais instalações, pelo que não haverá ali Museu.

Pessoalmente não se me colocam os pelos eriçados por esta decisão recente do governo.

Mas já fico irritadíssimo com outras coisas.

Um governo (este, como os anteriores de esquerda, pródigos em coisas similares) que esbanja dinheiro para a Ucrânia, que esbanja dinheiro para apoios diversos mais que discutíveis em países diversos como recentemente noticiado pelo sr Rangel, NÃO TEM DINHEIRO PARA MANDAR CONSTRUIR UM MUSEU DO 25 DE ABRIL?

NÃO TEM DINHEIRO PARA ADAPTAR ADEQUADAMENTE UM QUALQUER PALÁCIO OU EDIFÍCIO DO ESTADO MAIS OU MENOS AO ABANDONO COMO ESTÃO QUASE TODOS?

CAMBADA DE MALANDROS, ESTES E OS ANTERIORES IDOLATRADOS PELA ESQUERDA MAS QUE TAMBÉM NADA FIZERAM.

A propósito, é recordar as acções de Soares (PM e depois PR) e sucessores para com os militares.

António Cabral (AC)

quinta-feira, 16 de abril de 2026

PRESUMIA-SE DEBATE,  SAIU UMA CENA

Cada cabeça sua sentença, dito popular inquestionável.

Mas em "cima" dele pode, e deve-se, procurar colocar serenidade, seriedade, rigor, verdade, honestidade intelectual e reconhecer o bom, o sofrível, e o mau de todas as coisas, de todas as pessoas, da história, do passado e do presente.

É minha opinião que o 25 de Abril de 1974 mudou completamente Portugal, e para bem melhor.
É minha opinião que a sociedade portuguesa foi ficando diferente e bem melhor em imensos aspectos, embora no presente haja muita coisa mal, persista muita coisa mal, persistam e até tenham aumentado desigualdades inaceitáveis.

Inteligentemente promoveu-se a adesão à Europa e, aparentemente, continua a manter-se e bem a noção e a importância da nossa posição Atlântica.

Continuo a pensar que é perfeitamente compreensível a alegria, a explosão social dos primeiros meses a seguir ao que os militares promoveram. 
Ao que os militares promoveram, não foi nenhum oposicionista dos vários que, LEGITIMAMENTE, se opunham ao Estado Novo!

Com as felizmente realizadas eleições em 1975 para a Constituinte e depois em 1976 as diferentes eleições começou-se a estabilizar o regime, e entrou-se progressivamente na normalidade democrática.
As revisões Constitucionais de 1982 e 1989 sedimentaram o quadro Constitucional.

Lamentavelmente, durante anos e já com o regime perfeitamente estabelecido, estabilizado, sedimentado, a funcionar normalmente, uns 
sacripantas FP 25 Abril resolveram durante anos fazer atentados e matar pessoas. Lamentável, inqualificável.

A cereja em cima do bolo é que, depois de jogos de bastidores que tenho por deploráveis e urdidos entre as almoçaradas e jantaradas num conhecido hotel e os palácios, as criaturas acabaram depois por ser amnistiadas.
Lamentável, na minha opinião naturalmente.

Mas voltando atrás ao tristemente famoso PREC, depois de 28 de Setembro de 1974 e até aos inícios de 1976 praticaram-se desmandos vários, prisões muitas delas certamente arbitrárias e, creio, terá havido coisas bem piores feitas a vários detidos.

Há dias Rui Moreira ex-presidente da câmara municipal do Porto publicou um artigo relativamente ao qual não detectei que tivesse havido qualquer contraditório, qualquer comentário por parte de alguns que estão sempre a defender a sua honra e da de outros amigalhaços. 

O filósofo Pacheco Pereira que há décadas se dedica a história (li vários dos seus livros e tenho-os por meritórios) desafiou o insuportável deputado e chefe do Chega para um debate essencialmente sobre presos políticos, antes e depois de 25ABR74. Tudo por causa de declarações proferidas por Ventura na Assembleia da República.

Enchi-me de coragem e paciência e abri mais uma excepção e estive na sala sentado a ouvi-los, afastado do televisor para não os ver, enquanto ia arranjando uma coisa cá de casa que se tinha partido. 
Ouvi tudo.

Na minha opinião, pretendeu-se debate mas, esclarecimento, rigor e verdade estiveram muito afastados daquela hora de berraria Venturesca.
Presumia-se debate, saiu uma CENA. Nada será de espantar face aos interlocutores.

Pacheco Pereira, nominalmente militante PSD, usou sempre de tom relativamente sereno mas não deixou de evidenciar claramente o fundo imutável de esquerdalho maoista! Quer sempre ficar de bem com a esquerdalhada extrema e com a esquerda moderada e decente.

André Ventura foi basicamente igual a si próprio, nas interrupções, na voz irada, na agressividade, na pouca documentação apresentada. Insuportável, embora na minha opinião tenha razão em algumas coisas.

Algumas breves observações:

* Caricato para não dizer mais Ventura dizer que nenhum PM no Estado Novo mandou prender, etc. 
Não era preciso, o "sistema" estava bem oleado, a PIDE e depois DGS, com GNR e PSP e governadores civis tratavam bem dos "assuntos".

* Ventura tem obviamente razão quando afirma que os primeiros anos a seguir ao 25ABR75 não foram apenas cravos e rosas, e basta serenamente recordar o PREC e depois os anos deploráveis com as FP 25ABRIL no terreno.
No auge do PREC, no Continente, houve imensos presos políticos, com prisões de duração variável. 

* Pacheco Pereira e Ventura divergiram quanto a comparações, sobre o que é ou não é comparável.
A mim parece-me legítimo comparar quantos presos políticos havia em 24ABR74 no Continente mais os do Tarrafal com os presos todos durante o PREC (11MAR-25NOV75), sendo certo além disso que de 28SET74 a 11MAR75 houve também muita gente que foi presa. 
Os tais muitos mandatos em branco existiram.

* Ainda quanto a comparações, creio difícil categorizar com absoluta  segurança todos os que estiveram e estavam presos em Angola, Moçambique, Guiné, Cabo verde, S.Tomé e Príncipe, Macau e Timor.
Certamente houve presos por se manifestarem contra os poderes de então, coloniais, mas por exemplo também certamente houve ao longo dos anos muitos presos por delitos comuns e criminalidade.

* Não tenho por outro lado dúvidas que deve ter havido imensas arbitrariedades e selvajarias praticadas pelas diferentes hierarquias dos poderes, e muito particularmente pelas mais baixas, para "mostrarem serviço". E deve ter havido execuções, desaparecimentos.

* Tenho dúvidas se no contexto em apreço se pode/ deve ponderar o que aconteceu nas nossas colónias/ províncias ultramarinas entre os cessar fogo acordados ou tácitos e os dias da independência formal. Angola sobretudo é um caso paradigmático. 
E houve imensas situações inqualificáveis. 
E creio que houve por exemplo muitas execuções incluindo dos africanos que lutaram pelo estado português.

* Que a descolonização foi trágica parece-me difícil de contestar. Mas também creio que seria difícil ter sido muito diferente face ao que se herdou e à concreta e unilateral paragem dos nossos militares.

* A corrupção não é um fenómeno exclusivo da democracia. 
Existia/ existiu e muita no Estado Novo.

* Quanto a André Ventura não vale a pena perder mais tempo.
Quando a Pacheco Pereira esperava mais seriedade.
Do que lhe ouvi a minha conclusão é simples, claramente procurou relativizar o que aconteceu designadamente no PREC.
Dizer que houve meia dúzia de casos é no mínimo desprezível.

* Além disso tinha-lhe ficado bem lembrar que Portugal não foi diferente de vários outros Estados Europeus, tinha-lhe ficado bem recordar (já que é "historiador") todo o século XIX e o XX até 1945, e recordar os erros enormes e o meter a cabeça na areia por parte de Salazar quando todos MENOS NÓS começaram a descolonizar.
Tinha-lhe ficado bem mas, lá está, maoista uma vez . . . . 

* Como tenho referido amiúde em textos diversos continuamos mal, pessimamente Ventura embora tenha razão em várias coisas.
Mal Pacheco Pereira e outros da esquerda à direita decentes incluindo alguns militares. Esquerdalhada incoerente e inconsequente mal continua. 
Verdade e rigor e reconhecer o passado TODO dos primeiros anos de vida democrática continuam afastados da realidade política nacional, afastados das "bolhas" e dos donos disto e daquilo. Lamentável.

* 52 anos é mais do que tempo suficiente para sanar feridas, desfazer dúvidas, e ACABAR com OS DONOS DISTO e DAQUILO, sendo certo que em democracia haverá sempre uns quantos pantomineiros que gostariam de regressar a várias coisas do Estado Novo (onde não foi tudo mau)  e outros pantomineiros gostariam de continuar a dar tiros em portões e etc.

* Não, o 25 de Abril de 1974 não foi MAU, mudou Portugal completamente e para bem melhor. É a minha opinião.

* Sim, houve muitos desmandos e coisas inqualificáveis sobretudo depois de 11MAR75 e prosseguiram a espaços tragicamente com as FP 25ABRIL já com o regime mais que estabilizado.

* Infelizmente a esquerda, e é preocupante para mim que isso se passe com a esquerda moderada e decente, continua a não querer perceber  que é falacioso e errado continuar a querer justificar dificuldades e problemas do presente apenas com o Estado Novo.

Infelizmente continuam a defender que a descolonização foi perfeita quando não foi, mas é para mim certo que podia ter sido um pouco diferente embora difícil.

Infelizmente é minha opinião que a esquerda moderada e decente prossegue num caminho de descredibilização. O que se passa por exemplo com a UGT parece-me exemplo eloquente.

E para mim, assistir à progressiva descredibilização da esquerda moderada e decente preocupa-me bastante, e creio que é muito mau para a sociedade portuguesa.

Aguardemos pelos próximos capítulos.

António Cabral (AC)

terça-feira, 2 de setembro de 2025

(REPUBLICO UM TEXTO DE HÁ 4 ANOS)

(Volto a publicar, actualisado)

25  de  Abril  de  1974
O 25 de Abril deu formalmente aos portugueses um dos valores maiores que o ser humano pode desejar: a liberdade.

Passados que são 47 anos, estou a lembrar-me de (a ordem é completamente aleatória; escrevi conforme me fui lembrando; aspectos institucionais, estruturas, instituições, pessoas,  por boas e por más razões), e faltará mencionar muitos e muita coisa:
 
A - Abril, Assembleia da República, Agostinho da Silva, Álvaro Cunhal, Angola, Açores, Ambiente, Adelino Amaro da Costa, Acordo Alvor, António Costa, António Champalimaud, Alexandre Soares dos Santos, ADSE, António Mexia, António Costa e Silva, António Vitorino, Áreas protegidas, Amoreiras, Adriano Moreira, Aeroporto de Lisboa, Agustina Bessa Luís, Amália Rodrigues, Alpoim Calvão, Auditorias, AMI, Ausência de Sentido de Estado, AutoEuropa, Ausência de Sentido das Responsabilidades, André Jordan, António Ramalho, Angoche, António Damásio, Ausência de sentido das proporções, Apolo 70, António Lobo Antunes, Adriano Correia de Oliveira, Associações satélite de um partido, Armando Vara, Alçapões nas leis, Ana Catarina Mendes, Ana Paula Vitorino, Ascenso Simões, Artur Portela filho, Almeida Santos, Ana Mendes Godinho, Abandono de áreas do território, Autoridade Tributária e Aduaneira, ACP, AOFA, Américo Amorim, Autoridade Marítima, Álvaro Barreto, Aljube, Alberto João Jardim, ASAE, Artur Agostinho, António Lobo Xavier, Adelino Gomes, António Pires de Lima, António Barreto, Aldeias históricas, Acionistas, Aterros sanitários. 

B - Bancarrotas (3, a 4ª a caminho?), BES, Bloco de Esquerda, Banco de Portugal, Barragens, BR, Bombistas, Bazuca, Blogues, Bolsa de valores, BIAL, BCP, Banco de Fomento, Belmiro de Azevedo, Biológico, Bastonários das ordens, BCE.

C - Constituição da República 1976, Costa Brás, Censura mas Democrática, Carmen Dolores, Costa Gomes, Corrupção, Cultura, Cova da Moura, Carlos Costa, Cabo Verde, Centros Interpretativos, Capitães de Abril, Crises Financeiras, Confederações, Cavaco Silva, Camilo Mortágua, Carlos Antunes, CMVM, CAP, CIP, Carlos Lopes, Catarina Martins, CGTP, CDS, Coligações, Covid-19, Cultura, Código Penal, Código civil, Código do Processo Penal, Centros Comerciais, Capoulas Santos, Criogenia, Conselho da revolução, Carvalho da Silva, Cristiano Ronaldo, Carlos César, Carlos Moedas, Casa da Moeda, CGA, CGD, CEE, CMTV, CDU, Camarate, Caxias, Carlos Alexandre, Computadores Magalhães, Credores, Crise, Concessões, Confeitaria Nacional, Compras online, Casa da Música, Cativações, Comentadores políticos, Carteira de jornalista, Casa da Moeda, Cunha Rodrigues, Comissões parlamentares de inquérito, Café Gelo, Continente, Racismo, Computadores, Coliseu, Chiado, Cuidados Continuados, Cinema S.Jorge, Cinema Monumental, Cinema Condes, Cuidados Paliativos, Centros comerciais, Cimeiras, Comandos, Ciclovia. 

D - Democracia, Descolonização, Deveres (quase não se referem), Direitos, DGS (Direcção Geral de Saúde), Dívida Pública, Dívida Externa, Deficit, Defesa Nacional, Dinossauros Políticos, Despovoamento, Desertificação, Duarte Lima, Deflação, D.Manuel martins, D.José Policarpo, Devedores, Drones, Descentralização, Descarbonização, Delta. 

E - E depois do adeus, Eleições, Eleições presidenciais, Eleições legislativas, Eleições regionais, Eleições autárquicas, Eduardo Catroga, ELP, Eduardo Lourenço, Eurico de Melo, Elvira Fortunato, Enoturismo, Escritórios de Advogados, EDP, Euro, Extrema Esquerda, Extrema Direita, Epidemia, Edite Estrela, Energias renováveis, Evasões, Enriquecimento ilícito, ETAR, Escavações arqueológicas, Espuma dos dias, Estados de alma, Ecovia, Ecopista, Ecologia, Economia azul. 

F - FP 25 de Abril, Freitas do Amaral, Fernando Namora, Fundação Champalimaud, Francisco Louçã, Ferraz da Costa, Fernando Nogueira, Fundos da UE, Fernanda Ribeiro, Ferraz da Costa, Ferro Rodrigues, Francisco Balsemão, FNAC, Francisco George, Fernanda Fragateiro, Francis Obikwelu, Fátima, Função pública, Fundações, Fuzileiros, Fundo de Resolução, Fundações,  Filipe La Féria, Fundação Luso Americana, FMI, Fraudes, Franco Charais. 

G - Guerra Colonial, Gravuras Foz Côa, Carlos Santos Ferreira, Graça Freitas, GES, Grândola Vila Morena, Grandela, Gambrinus, Galeto, Gentil Martins, G 5, G 7, G 8, G 10, G 20, Guerra do Ultramar, Gonçalo Ribeiro Teles, GALP, Garcia dos Santos, Guerra colonial, GNR, Governos civis, Ginginha, GPL. 

H - Henrique Granadeiro, Hospitais privados, Hospitais públicos, Hidrogénio verde, Hermínio Loureiro, Helder Bataglia, Hortense Martins, Híbridos. 

- Isabel do Carmo, Incêndios, Ivo Rosa, Incompetência, Isabel Moreira, Isabel Oneto, INEM, IMI, Inseminação artificial, Imposto complementar, IRS, IRC, Isabel Vaz, Isabel Mota, Impostos, Intermarché, Impunidade, Isaltino Morais, Inflação, Insolvência, INFARMED, IPSS, Indústria conserveira, INE. 

- Justiça à Portuguesa, Justiça para os poderosos, José Miguel Júdice, Jorge Coelho, Jardim Gonçalves, João Mota, Joana Carneiro, João Lobo Antunes, José Sócrates, José Manuel de Melo, João Lourenço, Eunice Munhoz, João Galamba, José Medeiros Ferreira, João Salgueiro, Joaquim Furtado, Jorge Sampaio, Joaquim Aguiar, Júlio Pomar, Jornalismo, João Duque, João Cutileiro, Joana Marques Vidal, João Manso Neto, José Mourinho, José Saramago, João Cravinho, João Cravinho jr, Jornal Expresso, Julião Sarmento, Jornal público, José Sá Fernandes, Joaquim Morão, Jerónimo de Sousa, Jorge Lacão, José Silvano, José Magalhães, Jaime Nogueira Pinto, Jaime Marta Soares. 

K - Kaulza de Arriaga, Krus Abecassis. 

L - LEI, Liberdade, Louçãs, Luís Amado, Lojas Maçónicas, Litigação, Luís Filipe Vieira, Lídia Jorge, Luís Campos e Cunha, Luís Raposo, Livrarias, Lavagem de dinheiro, LED,  Lares, Livraria Bertrand, Luís Portela, Lei eleitoral, Leonor Beleza, Lota digital.

M - MFA, Miguel Torga, Madeira, Ministério Público, Mário Soares, Melo Antunes, Mário Centeno, Manuela Ferreira Leite, Mortalidade Infantil (descida), Martinho da Arcada, Marcelo Rebelo de Sousa, Moçambique, Miguel Cadilhe, Miller Guerra, Marinho Pinto, Mórtaguas, MRPP, Manuela Medeiros, Murro no estômago, Ministério Público, Março (11), Miguel Guilherme, Maria do Céu Guerra, Maria Emília Correia, Morais Leitão, Maçonaria, Marta Temido, Manuel Alegre, Museus, Maria José Morgado, Manuel Salgado, Miguel Poiares Maduro, Megaprocessos, Multibanco, Maria José Nogueira Pinto, Maluda, Menez, Melícias, Megacentros, Manuel Gargaleiro, Martins Guerreiro, Marques Júnior, Medina Carreira, Miguel Galvão Teles, Mobilidade eléctrica, Modelo, Maria Lamas.

N - Novembro (25), Nélson Évora, Nuno Portas, Nuno Teotónio Pereira, Novo Banco, Natália Correia, Naide Gomes, Nicolau Breyner, Nicola, Noite e Dia, Nespresso, Neutralidade carbónica. 

O - Otelo Saraiva de Carvalho, Observatórios, Opus Dei, OCS, Offshores, Ordens profissionais, Oposição, Organizações satélite de um partido. 

P - Peniche, Politicamente Correcto, PCP, PREC, PEV, Partidos políticos, Portas Giratórias Política/ Negócios/ Banca/ Privados, Pobreza, Pobreza extrema, Pandemia, Paulo Portas, PPP, Passos Coelho, Procurador Geral da República, Procuradoria Geral da República, PT, PSD, PAN, Paula Rego, Pastelaria Suíça, Pandemia, Paulo de Carvalho, Património material, Pinto Monteiro, Património imaterial, Pedro Queirós Pereira, PEC, Pinto da Costa, Pastelaria Benard, Pastelaria A Brasileira, Pedro Siza Vieira, Pastelaria Versailles, Promiscuidade, Pacheco Pereira, Polícia Judiciária, Polícia Judiciária Militar, PSP, Poucas vergonhas, Patrícia Mamona, Parques nacionais, Parques naturais, Reservas naturais, Paisagens protegidas, Pára-quedistas, Preguiça, Pezarat Correia, Pingo Doce, Pinheiro de Azevedo, Pfizer, Provedor de justiça, Pista ciclopedonal, Prescrições, Ponte Entre-os-Rios, Proteção do ambiente, Proteção civil.

Q - Quadros Comunitários de Apoio, QRCODE.

R - Reguladores (que nada regulam), Reservas Naturais, Ramalho Eanes, Ricardo Salgado, Ricardo Robles, Relatório das Sevícias, Raúl Solnado, Rosa Mota, Rioforte, Revisões Constitucionais, Salgado Zenha, Rui Moreira, Rui Rio, Rui de Carvalho, Recursos judiciais, Rui Nabeiro, ROC, RTP 1, RTP 2, RTP 6, Rui Machete, Redes sociais, Rui Ramos, Rosário Teixeira, Rosa Coutinho, Roteiros, Regionalização, Reabilitação. 

S - Sufrágio livre e universal, Sá Carneiro, SNS, São Tomé e Príncipe, SUVs, Sousa Leitão, Sophia de Mello Breyner Andresen, Sondagens, Sindicatos, Snu Abecassis, Sérgio Sousa Pinto, SONAE, Supervisão, Sines, Siza Vieira, Superjuízes, SIRP, SIC, SIC Notícias, SARS, Sanches Osório, Sobrinho Simões, Solar dos Presuntos, Sousa e Castro, Souto Moura, Soberba, Sines, Segredo de justiça, Simone de Oliveira, Sondagens,  SEF, Salário mínimo, SAMS, SEDES. 

T - Timor Leste, Tavares Moreira, Tancos, Tribunal Constitucional, Tribunal de Contas, Tribunais administrativos, Tribunais da Relação, Terrorismo caseiro, Tribunais, Trigueiros Crespo, Turismo, Turismo interno, Tavares Rico, Turismo de habitação, Turismo rural, TAP, Tomás Coreia, Telecomunicações, Troika, Torres Couto, Teresa Ricou, Tomás Taveira, Teixeira dos Santos, Testamento Vital, TVI, TVI notícias, Tarrafal, Teletrabalho, TICÃO, Telma Monteiro, Telemóveis. 

U - UDP, UGT, UE, Unicórnios, Unidades de Cuidados intensivos, Universidade Católica. 

V - Vigaristas, Vitor Constâncio, Venda de Ouro, Vital Moreira, Vinicultura nacional, Vasco Pulido Valente, Vilamoura, Vacinas, Vasco Lourenço, Vieira da Silva, Vera Lagoa, Via Verde, Vasco Gonçalves, Vitor Alves, Vieira Matias, Vasco Graça Moura, VTS. 

W - Walter Rosa. 

X - Xavier Pintado, Xenofobia.

Z - Zeinal Bava, Zeca Afonso. 

António Cabral (AC)

domingo, 31 de agosto de 2025

ELES ODEIAM O 25 DE ABRIL
Eduardo Dâmaso
30AGO2025

O Governo faz questão em celebrar o 25 de Novembro e faz muito bem. Foi uma data importante. Assinalou o fim de um combate ideológico e político que poderia ter descambado numa guerra civil. O PS e Mário Soares foram os grandes vencedores, a par de militares como Melo Antunes, Vasco Lourenço, Pezarat ou Vítor Crespo. Foi a estratégia, a coragem e a mobilização dos socialistas e daqueles militares que permitiram conter uma escalada de ‘esquerdização’ soviética do regime. O resto foi tudo atrás. Mas esses protagonistas amavam o 25 de Abril, que acabou com o fascismo, com a guerra colonial, devolveu a liberdade individual e coletiva, libertou as mulheres de uma subalternidade inadmissível, abriu caminho para robustecer a escola pública. Os protagonistas de hoje nesse fervor celebrativo ‘novembrista’, como o ministro da Defesa e alguns apaniguados oriundos dessa inutilidade política em que se transformou o CDS, mas não só, também do PSD, são apenas pessoas ressentidas com o 25 de Abril. Que o odeiam. São uma espécie de Venturas envergonhados. Querem aumentar uma data por diminuição da outra. Não têm a dimensão dos homens e mulheres de então, que abriram os horizontes do País com esperança, solidariedade, liberdade, democracia, valores éticos e sociais. Estes, na verdade, são apenas pessoas que não gostam do 25 de Abril. Numa dimensão mesquinha, vingativa e ressentida.

Subscrevo!

António Cabral (AC)

quinta-feira, 25 de abril de 2024

25 de ABRIL de 1974

Aí estão 50 sobre o 25 de Abril de 1974.

Correu tudo mal, ou muita coisa mal?

NEM POUCO MAIS OU MENOS.  NEM POR SOMBRAS.

Correu tudo bem?

Infelizmente, não. E está muito por fazer do prometido.  

A descolonização correu mal. Terá sido uma tragédia? 

Se certos Rosa, militantes na prática "gastando-se" em várias empresas e outras coisas e gabando-se que não têm cartão do partido publicamente o reconhecem como tal, então não há dúvidas que terá andado perto da tragédia. 

Foi trágico para milhares, de portugueses, e de Africanos.
Mas, tal como muitos, considero que não era possível ter sido de modo muito diferente, por razões diversas:
- porque os impérios já tinham ido menos o nosso, 

- porque o processo estava completamente inquinado /minado internacionalmente e particularmente por vários países com a URSS à cabeça, e com a grande ajuda dos EUA,

- dos políticos e dos militares aqui no Continente,

- dos militares que estavam em África.

Mas a descolonização é um aspecto secundário, é a minha opinião.


Portugal estava muito atrasado em muitos domínios, quando comparado por exemplo com, a Bélgica, países Nórdicos, Holanda, Dinamarca, Luxemburgo, etc.

Índice de mortalidade infantil brutal. Censura dos OCS.
Escolaridade muito baixa, milhares de crianças a não acabarem sequer a 4ª classe.
Assistência médica muito difícil. O partido único, a polícia política, tribunais plenários.
Pobreza enorme em muitas partes do país; na Madeira por exemplo, em 1974 ainda havia quem em grutas vivesse.
Crescentes problemas económicos e sociais, etc.
As colónias tinham que ser países independentes.
Portugal tinha que mudar, e só era possível mudar para muito diferente.

Mudou, felizmente. FELIZMENTE.

A relação transatlântica manteve-se, porventura melhorou.

Inteligente e rapidamente pediu-se a integração na CEE.
A negociação de anos para entrada na CEE creio que foi difícil, complexa, e o Euro ter ficado a valer uns pózinhos mais que 200 escudos foi-nos muito prejudicial, creio.

Temos desperdiçado muita ajuda financeira, tem havido muita corrupção, tenho dúvidas sobre se muitos dos fundos não foram parar a fundos bolsos.

A seguir ao 25 de Abril de 1974, umas horas depois, não havia um único déspota, um único fascista, todos revolucionários, todos democratas.

Particularmente a seguir ao verão de 1974 houve muitos saneamentos, nas Forças Armadas, em muitos sectores da máquina do Estado, e houve certamente muito exagero e muita perseguição, algumas muito provavelmente de duvidosa justificação.

Mas, curiosamente, os juízes de 24 de Abril de 1974, foram intocados.
Será que isto explica, ainda que ligeiramente, algumas coisas do presente?

Mas porque aconteceu o 25 de Abril de 1974?
Mas porque razão, em menos de dois anos, um relevante  grupo de militares sobretudo do Exército nacional planeou e executou o golpe militar de 25 de Abril de 1974? 

Foi obviamente a guerra.
Foi obviamente o cansaço da guerra e o cumprir comissões de 24 meses umas atrás das outras em África.

Foi obviamente sobretudo uma questão corporativa, e no início não se tratou de iniciar uma revolução pela liberdade. 
Mas, como bem sabe quem é intelectualmente honesto, muitos dos que combatiam em África sabiam bem/ conheciam bem, a sociedade portuguesa que então existia, e como se vivia.

Questão corporativa de Junho a Setembro de 1973. 
Desta data a Fevereiro de 1974, questão corporativa, mas tomada de consciência clara da necessidade de dar solução política à guerra colonial.
Fevereiro a Abril de 1974 ficou claro, decisão de derrubar o governo e o regime, organizar o golpe militar.

Questão corporativa, particularmente despoletada a meu ver por dois casos concretos:

- o Congresso dos Combatentes do Ultramar realizado de 1 a 3 de Junho de 1973, do qual o poder de então desejaria que saísse vencedor um conceito de que era militar a solução para o problema colonial; 
obviamente que não era solução nenhuma, e vários assim o entendiam e por isso discordaram e protestaram, e isso germinou;

- a legislação, particularmente o tristemente célebre DL 353 que permitiria que milicianos rapidamente entrassem nos quadros de oficiais do Exército; faltava carne para canhão; natural e compreensivelmente, explodiu o descontentamento profissional.

Passaram 50 anos.
Muito foi feito, há muito por fazer.
Ouvi os discursos desta tarde na Assembleia da República
Saliento dois que me agradaram.

A representante do PSD, mostrou-se um exemplo de mulher, um discurso límpido que, estou convencido, as esquerdas teriam aplaudido se escutassem de olhos fechados e não soubessem a sua filiação partidária.

E Aguiar-Branco (que ao longo dos anos me mereceu muitas críticas) fez quanto a mim um belíssimo discurso.
E para lá de significativos e relevantes sinais e decisões já havidos neste seu ainda curto mandato, disse uma coisa fundamental: RESOLVER.

Como no meu blogue tenho enfatizado, chega de conversa, de promessas, de dizer como hoje ouvi - é o que temos de fazer.

Porque o não fizeram já?
Porque o não fizeram já?
Porque o não fizeram já?
Os resultados à vista deviam envergonhar uns quantos das loas e outras coisas.

A revolução dos Cravos tirou o país do isolamento internacional, prometeu Democratizar, Descolonizar e Desenvolver. 
Temos Liberdade, democracia, Estado de direito ainda que com problemas por resolver.
Mas o terceiro D de Desenvolver está muito coxo. 
Como bem referido já por vários, é uma vergonha o nível de pobreza existente em Portugal.

Depois admiram-se e preocupam-se (e eu não menos preocupado estou) com o que por exemplo ouvi esta manhã, ia a sessão a meio.

António Cabral (AC) 

quinta-feira, 18 de abril de 2024

sexta-feira, 28 de abril de 2023

REPRODUZO  TEXTO  de  21/12/2021


COMEMORAÇÕES - 50 anos 25 ABRIL 1974

No dia 17 de Dezembro escrevi isto.

OLHA  OLHA………..INTERESSANTE…….
Do Expresso online - Divergência entre Eanes e Vasco Lourenço levam Marcelo ao comando das comemorações dos 50 anos de Abril. Ao contrário do que estava previsto, já não será Ramalho Eanes mas sim Marcelo Rebelo de Sousa a presidir à Comissão Nacional das Comemorações dos 50 anos do 25 de abril.

Não é, curioso, interessante, intrigante, …….patético talvez?
Porque terá sido? 
Como a transparência é aquele grande activo conhecido deste Portugalinho e, portanto, os cidadãos comuns não têm direito a saber o que se passa nas "altas esferas" (altas…. !?!?) será assim legítimo imaginar potenciais razões para o desaguisado que agora se vê anunciado no Expresso.
Eanes foi PR. Vasco sempre se manifesta como um donozinho disto.
Quando foi do 25 de Novembro de 1975 as coisas correram bem entre eles? Será resquícios dessa época? 
Bom, tenho mais que fazer do que perder tempo com esta coisinha.
AC
Acabei de ler agora o último Expresso, jornal completo. Li dois textos, página 13 e contra-capa do caderno primeiro, que abordam esta questão da estrutura das ditas comemorações e de certos senhores, a qual pode ou não, envolver cerejas em cima de bolos!
E lido o semanário vou então perder um "poucochinho" mais de tempo com isto, pois fez-me voltar, mais uma vez, ao que sempre tem acontecido em Portugal, e que neste período democrático infelizmente se mantém como marca de água deste regime, por acção de senhores que teimam em se considerar muito importantes e muito acima dos cidadãos comuns. Mais uma vez, com a desfaçatez de vários protagonistas, está à vista a transparência, um dos mais valiosos activos deste tão maltratado país.

E do que se lê no Expresso, o que é legítimo concluir?
> Que Eanes se fartou há seis meses (expressão minha) e Marcelo soube logo.
> Dos porquês da coisa, o povo ignaro não tem de saber.
> Ramalho Eanes e Vasco Lourenço não estão agora na tal estrutura para as ditas comemorações.
> Marcelo Rebelo de Sousa assumiu o comando da coisa.
> Os donozinhos disto quase tudo não farão de figurantes decorativos.
> Os dois militares deixam de estar na estrutura, mas contam sempre com eles, diz o Expresso, sem explicar se é a pensar já nos lugares protocolares onde se sentarão em tribunas etc.
> Vasco Lourenço já teve problemas com Eanes (só?) no passado! Oh! 

Por este tipo de coisas e outras, não é de admirar que os cidadãos comuns se cansem de certos protagonistas, e de certas coisas.
Há anos que não tenho paciência para certo tipo de criaturas, nem para este tipo de coisas, nem para esta "transparência" (!?!?) tão politiqueira que acaba por, devagar, minar o que devia estar sempre nos nossos corações, pelo ideal e pureza iniciais. 
Mas o ego de certas criaturas inchadas de soberba, e não só…………..
AC


Voltei a ler este meu texto, e volto a pública-lo,  depois de ver o Expresso de 21 de Abril de 2023.
A  PROPÓSITO  do  25  ABRIL  1974
Estamos, na nossa sociedade, crescentemente, cheios de de problemas.
Mas isto, esta triste realidade, não me faz esquecer o muito em que melhorámos com o 25ABRIL74.

Por exemplo, no âmbito da saúde, no âmbito de termos direito a tratamento dos nossos problemas de saúde. E se compararmos os diferentes indicadores antes dessa data com os que, progressivamente, se foram e vão obtendo, a diferença é enorme, e para melhor.

Em boa hora António Arnaut "inventou" o SNS.

Mas a realidade da vida é o que é. E o relógio não pára.

Vem isto a propósito do meu dia 24 de Abril, durante a manhã, no Hospital da Luz. 

Enquanto esperávamos, e esperámos 20 minutos em relação à hora marcada, o que é decente e razoável e bastante diferente de outras esperas, dei comigo a pensar de novo sobre as questões de saúde enquanto observava as dezenas e dezenas de pessoas sempre a chegar.
Pessoas com traços fisionómicos e físicos e de indumentária e de modos tão diferentes, de evidentes e diferentes estratos sociais.

Estou bem ciente da maioria dos diferentes problemas no âmbito do sistema de saúde em Portugal, como aqui por mais de uma vez fiz referência.  Por razões familiares, por razões de amizades, tudo começando em 1969. Conheci muito do antes de 25 de Abril e conheço bastante do depois e do actual.

Tenho uma boa noção dos aspectos positivos e negativos quer do SNS quer das unidades de saúde privadas. 

Não abordo as questões da vida nas perspectivas ideológicas, querendo com isto dizer que nunca fui e continuo a não ser de seitas, não partilho do espírito de seita do PSD nem do PS, não suporto as abordagens sectárias das esquerdas muito despidas de realidade, como intolerável considero a abordagem de Ventura e sequazes à esmagadora maioria dos problemas sociais no meu tão mal tratado país.

E voltando ao que acima dizia, que ontem no HLuz dei comigo a pensar - como seria tudo isto, o que seria dos portugueses em geral, se só existisse o Hospital de Sta Maria, o de S.João, o de Castelo Branco, o de Setúbal, etc., os centros de saúde ou seja, se só houvesse hospitais e infra-estruturas do SNS ?
Ou seja, só com SNS, onde estaríamos, onde estariam e como estariam todos aqueles portugueses, e como estaríamos quanto a indicadores de saúde, como seriam os tempos de espera para consultas, para intervenções cirúrgicas, etc.?

Só com o SNS, toda aquela gente mais as gentes nos outros hospitais privados aquela hora estariam nas filas do SNS. Certo? E consequências? Se agora é o que é, como seria então?

Estou convencido que Catarina, Raimundo, Pedro Nuno Santos etc. andariam satisfeitos até porque, como tenho visto, certos eminentes defensores do SNS (que tem de ser defendido, mas não é com retórica e ideologia) quando precisam deambulam pelos hospitais da Luz ou dos Lusíadas. 
Se só houvesse SNS, iam a Espanha/ França/ Reino Unido etc tratar da vidinha/ saúde, certo? 

Como estaríamos?
AC