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quinta-feira, 11 de junho de 2026

10  JUNHO  e  MAR

Disse Fernando Pessoa,

"Meu coração é um pórtico partido, dando excessivamente sobre o MAR"

Terá sido por erradamente interpretarem esta frase que, os sucessivos PR e sobretudo os sucessivos governantes e deputados do PS e do PSD sempre tanto (???) ligaram ao MAR durante décadas, e às nossas ZEE e à responsabilidade que decorre da jurisdição que sobre essa imensidão temos?

O tanto que há décadas essas criaturas ligaram/ ligam ao Mar / aos Oceanos pode ser avaliado olhando o estado da Marinha, da Força Aérea, da marinha mercante, da marinha de pesca, da marinha de recreio, dos portos, da fiscalização costeira e oceânica, da investigação no mar !

Não me estou a referir aos muitos e grandiloquentes discursos e promessas de décadas/ anos, mas sim às realidades, aos sucessivos OE, às coisas concretizadas.

Bom dia, tenham uma boa 5ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Mais mulheres nas Forças Armadas 
Mais mulheres nas FA tornam "mais difícil" incompetência, diz ministra da Defesa. 
Esta foi uma das inarráveis frases de quem foi durante algum tempo titular da pasta da defesa, Helena Carreiras.

Está numa notícia que tenho arquivada, e com que me deparei durante mais uma das minhas pesquisas nos arquivos dos meus computadores.
Hoje uma pesquisa por tesourinhos deprimentes.
É uma notícia de 1 de Julho de 2022/ MadreMedia / Lusa
 
Da dita notícia onde também abordaram LPM, OE:

A ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, manifestou-se hoje esperançada de que, com mais mulheres em cargos de decisão nas Forças Armadas, seja “mais difícil” haver “pessoas incompetentes” nesses lugares.

Questionada pela agência Lusa, em Beja, sobre declarações recentes do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acerca da igualdade de género nas Forças Armadas, a governante disse que entendeu a mensagem do Chefe de Estado.

Na terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que só haverá verdadeira igualdade entre homens e mulheres nas Forças Armadas “quando chegar aos mais altos postos uma mulher tão incompetente como chega, em vários casos, um homem”.

À margem das comemorações do 70.º aniversário da Força Aérea Portuguesa (FAP), Helena Carreiras disse que o Presidente da República quis sublinhar “a importância do caminho que falta ainda percorrer” para chegar “à igualdade plena”.

“A minha esperança é que o facto de haver mais mulheres a chegar a cargos de decisão possa tornar mais difícil, mais improvável, que pessoas incompetentes cheguem a esses lugares”, acrescentou a ministra.
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Creio que não são necessárias palavras, sobretudo adjectivos, para qualificar personagens desta notícia.
Portugal não está como está por acaso ou por milagre.

Está como está porque, na máquina do Estado, em empresas, na administração pública, nas forças armadas, etc são alcandorados a cargos de chefia mulheres e homens que há muito tinham atingido o princípio de Peter. 

Como é sabido na máquina do Estado incluiem-se os titulares de órgãos de soberania.

Portugal está como está exactamente porque ao longo dos anos temos tido cada titular!

Ou estou enganado?

AC

domingo, 24 de maio de 2026

TRINTA
Trinta 'lanchas voadoras' apreendidas em três anos em Portugal

Legislação mais severa para quem usa Embarcações de Alta Velocidade, nomeadamente redes de tráfico de droga, entrou em vigor este mês. Foi promulgada após a morte de militar da GNR abalroado por narcolancha no rio Guadiana.

Sempre a correr atrás do prejuízo. 
Típico, SEMPRE ao longo dos anos, dos ex e actuais titulares de órgãos de soberania.
AC

REPUBLICANDO

(comentário actual a vermelho)

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018


O  GRANDE  DIÁCONO  LOUÇÃ
O ex-líder do BE diz que o governo devia estar "muito mais atento" ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Com aquele seu arzinho do costume, o diácono Louçã vai dando as suas prédicas e arenga que o governo tem de agir, intervir no SNS.
Ah, e que tem de haver avanços significativos. 
Não disse se a actriz Catarina se zangará se não for feita a sua vontade, mas imagina-se.

Numa coisa concordo com o diácono, faltam recursos, humanos, materiais, financeiros e, provavelmente, muita coisa no plano da gestão.

O pequenino ministro da saúde (agora mandatado por Seguro para fazer um pacto para a saúde), tornou-se um grande político no pior sentido. Não deve é saber dançar.

Abertura de concursos e outras coisas.........encanando sempre a perna à rã..........................................
Esta coisa da saúde tem muito que se lhe diga.
No âmbito privado, naturalmente que existe uma componente de negócio.
Mas existem outras componentes, muitas outras.

Imaginam por varinha mágica num mês eliminar todas as contribuições dos diferentes sub-sistemas de saúde? 
Aumentariam os preços na privada, e daí, quantos funcionários públicos deixariam de poder ir à privada? 
Consequente "atafulhanço" nas estruturas públicas de saúde? Maior caos?

Imaginam por varinha mágica, vários hospitais privados fecharem?
Ponderação subsequente dos "numerus clausus" em cursos de medicina?
Imaginem tudo o que quiserem.

Uma coisa é certa, a criação do SNS foi uma belíssima ideia. 
(SNS assentou durante "N" anos no que havia em 24 ABRIL 1974, hospitais, centros de saúde, médicos, enfermeiros, assistentes operacionais)

O que se passou a seguir tem culpados, que são os deputados todos até hoje, e os políticos todos, que trataram e continuam a tratar de tudo tipo navegação à vista de costa, para tratarem da vidinha. 

O SNS é um dos vários molhos de brócolos da nossa sociedade, a que se juntam todos os subsistemas de saúde. Alguns estão já na falência.
Ninguém quer olhar com seriedade para os vários problemas da saúde. E não é capitalismo versus comunismo.

Vai ser um dos estoiros da nossa sociedade.
AC 

terça-feira, 19 de maio de 2026

REALITY  SHOW

Como aqui referi por diversas vezes e nomeadamente quanto a discursos, notícias, eventos, muitas vezes passo os olhos rápida e superficialmente pelas gordas e arquivo, vindo mais tarde a reler, e comentar ou não.

É o que tenho vindo a fazer por exemplo com discursos de António José Seguro, Marcelo Rebelo de Sousa e outros.

Estas linhas para voltar a Aguiar-Branco, o homem do hífen no nome e que antes de ser deputado e agora Presidente da Assembleia da República além de muitos cargos e tarefas e empregos pela advocacia eventualmente Pro Bono em dezenas de cargos sociais, foi por exemplo ministro da chamada Defesa Nacional, coisa que nem ele foi nem nenhum dos seus antecessores. E foi mau ministro.

Com a ligeira excepção de Eurico de Melo, que tinha uma postura pessoal e política e um peso político bem diferentes dos seus antecessores e sucessores, Eurico de Melo foi muito menos ministro da tropa do que na realidade é/ têm sido os sucessivos ocupantes do 7º andar do edifício ao Restelo.

Mas não me interessa o Aguiar-Branco ex ministro da Defesa Nacional. Interessa-me de novo o seu discurso no 52º aniversário do 25ABR74, as suas abordagens a políticos e o "reality show" que prolixamente referiu.

Será que se referia por exemplo a isto?

Ou seria a isto?
Ou seria a isto?
Ou seria a isto?


Seria às manobras dilatórias de certo sacripanta?

Ou entendeu como "reality show" crescerem milhares de Euros em livros ou pastas de arquivo ou prateleiras de estantes ?

É melhor dedicar-se (legitimamente) às dezenas de cargos em órgãos sociais mas ter talvez mais cuidado com as palavras.

Agora, desde os que lhe viram costas a outros que o não fazem mas vociferam, a jornalistas e etc., tem muitos a espiolharem a sua vida e a descobrir, provavelmente, algumas peças de "reality show".

AC

quarta-feira, 6 de maio de 2026

REPUBLICO

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

CONTORCIONISMO
É uma actividade magistralmente executada por grande parte de políticos, elites, titulares de órgãos de soberania, jornalistas, magistrados, chefias diversas.

Um dos últimos exemplos parece-me ser o artigo de São José de Almeida, Público, acerca da louvável democrática e humanista (??) organização que foi a LUAR.

Aliás, confere com as condecorações outorgadas a algumas das chefias dessa organização. Para não falar de outra sinistra.

O regime/EstadoNovo antes do 25 de Abril de 1874 era, no mínimo, deplorável e inaceitável em vários domínios. Mas os coloco exactamente em pé de igualdade mas assassínios tanto concretizou a PIDE/ DGS como outros, antes e depois do 25 de Abril. 

O resto é conversa da treta.
AC

sábado, 2 de maio de 2026

REPUBLICANDO

MFADEMOCRACIAVASCO LOURENÇO

Senhor Presidente da República
Senhor Primeiro Ministro 
Senhora Ministra da Defesa Nacional e Senhor Ministro da Cultura
Senhor Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas e demais entidades militares
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Viana do Alentejo 
Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Alcáçovas
Senhora Comissária das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril
Minhas Senhoras e meus senhores
Camaradas de Abril

Permitam-me que comece por fazer simples, mas sentidos agradecimentos: a todos, por terem respondido ao nosso convite e nos presentearem com a vossa presença; aos autarcas, por nos receberem nesta terra alentejana, com lugar na História de Portugal, pelo motivo do que aqui se passou há precisamente 50 anos; aos proprietários deste Monte do Sobral, Annick Chef e seu marido David Achard, pela hospitalidade com que, mais uma vez, nos recebem.


Evocamos hoje o encontro que, há precisamente 50 anos, aqui tivemos para decidir sobre a melhor maneira de, enquanto militares e detentores da força, podermos discutir os problemas que então perturbavam o Exército, as Forças Armadas e a Sociedade portuguesa. Preocupava-nos em especial a guerra de África e as medidas que atingiam fortemente a carreira e a dignidade dos Oficiais do Quadro Permanente, oriundos da Academia Militar, que, ao longo de 13 anos, continuavam a bater-se em vão, em sucessivas comissões, numa guerra sem fim à vista

Aqui estivemos, num celeiro cheio de fardos de palha cedido pelo Celestino Garcia, que aqui evoco com um sentimento de gratidão e reconhecimento, que nos serviram de assento, 136 Capitães, Tenentes e Alferes. Desses, 38 já partiram, pelo que peço que, em sua memória e homenagem, juntando a eles todos os demais Militares de Abril que já nos deixaram, nos remetamos por alguns momentos ao silêncio, para eles erguendo os nossos pensamentos, com um Até Sempre!

SILÊNCIO

Éramos então jovens, mas com suficiente experiência da vida e da guerra, sonhávamos um país diferente, respeitado e ouvido entre os seus pares, éramos jovens suficientemente generosos e desapegados do poder, dispostos a correr todos os riscos, sem calculismos ou procura de vantagens.

Motivados por razões diversas – contrariamente ao que alguns continuam a afirmar, a melhor prova de que não eram apenas motivos de natureza corporativa esteve na presença aqui, neste encontro secreto, de um Capitão que seria beneficiado se os decretos contestados tivessem entrado em vigor: um abraço especial ao José Luís Cardoso, hoje novamente aqui, desta vez acompanhado por familiares. 

Aqui nos reunimos, aqui criámos um movimento, o Movimento dos Capitães, que se organizaria, evoluiria no seu pensamento e na sua convicção e que, passados menos de 8 meses, precisamente 227 dias depois, já como Movimento das Forças Armadas, o MFA, fez nascer “O dia inicial inteiro e limpo” celebrado por Sophia, Manuel Alegre, Ary e tantos outros notáveis poetas portugueses, mas também estrangeiros, de que destaco o Chico Buarque e o Moustaki. 

Naturalmente, este nosso encontro não nasceu do nada, não “caiu do céu, aos trambolhões”, foi o culminar de reações diversas que, em todo o território nacional – metrópole, ilhas adjacentes e colónias – os oficiais do Exército, desencadearam.

Nem todos tínhamos já consciência plena de que só os militares poderiam terminar com o flagelo de uma guerra sem sentido, desenvolvida há quase 13 anos em Angola, alastrada à Guiné e a Moçambique, respetivamente há 11 e há 10 anos, sem fim à vista. É certo que se as Forças Armadas fazem a guerra, estas nunca são declaradas por elas, mas sim pelo poder político. Que tem o dever de, aproveitando o esforço dos militares, encontrar soluções políticas para resolver os motivos que o levaram à declaração da guerra. Sempre assim foi, sempre assim será! Apenas a derrota total, como aconteceu com Nagasaki e Hiroshima, dispensa uma solução política para as guerras! Lamentavelmente, há quem continue a não ter presente esse princípio…

Mas, em 1973, os responsáveis políticos e os seus serventuários militares mantinham-se cegos, continuando a loucura do ditador mor que lançara o slogan de “Orgulhosamente sós”. Tudo era agravado pela evidência de que, face a uma derrota anunciada, os mesmos responsáveis políticos ou os seus herdeiros se preparavam para repetir a vergonhosa postura de 1961/62, quando transformaram os militares em bodes expiatórios da queda de Goa, Damão e Dio. 

E, aí, ouviram-se frequentes gritos de revolta dos jovens militares, não só do Exército, com o Movimento a estender-se rapidamente aos outros Ramos das Forças Armadas: “Bodes expiatórios, nunca mais!”

Foi uma caminhada longa, feita de forma acelerada, num curto espaço de tempo, e com um final extraordinário e feliz.

Assumida a convicção de que, como militares, tínhamos de servir a população em geral, isto é a Nação, e não uma qualquer clique minoritária, de que só assim recuperaríamos o prestígio das Forças Armadas, que humanamente todos ambicionávamos, fácil foi concluir que isso só seria alcançável se deixássemos de ser o suporte da ditadura, déssemos nesta o piparote final e, libertando a Liberdade, fazendo a Paz e construindo a Democracia, entregássemos o Poder aos portugueses democraticamente organizados.

Fizemo-lo, aproveitando as condições propícias que a nossa participação na guerra criara, mas aproveitando igualmente a situação resultante da luta de tantas e tantos portugueses, das mais diversas origens: trabalhadores, estudantes, intelectuais, muitos deles pagando com a sua Liberdade, e até com a vida, essa acção de luta por um pais mais livre, justo e em Paz.

Tivemos o saber suficiente e soubemos assumir a decisão para nos comprometermos, perante os portugueses e o mundo, com um Programa político – o Programa do MFA – onde dizíamos ao que vínhamos e ao que nos comprometíamos.

Fomos os imprevistos e improváveis libertadores do povo português. Ninguém acreditava que os militares pudessem ser autores de um acto de libertação como foi o 25 de Abril. O 28 de Maio não estava esquecido, o 11 de Setembro de Pinochet era bem recente, pairava o receio de que Kaulza de Arriaga conseguisse realizar o golpe que tentara em fins do ano de 1973, para reforçar a guerra, tentando arrastar para o seu lado precisamente aqueles Capitães que, livres da tutela de um Chefe, poucos meses depois, iriam surpreender tudo e todos.

De repente, Portugal saiu do isolamento e da apagada e vil tristeza em que vivia e tornou-se referência internacional, com os portugueses, vivendo no País ou no estrangeiro, a recuperar o orgulho de ser português. 

Naquele dia, para além da libertação, da abertura de portas para a Paz e da libertação dos povos colonizados, dando origem a uma nova etapa da nossa História, despertámos os melhores sentimentos e atitudes do povo que, espontaneamente e em todo o País, aderiu com imensa alegria e felicidade ao nosso 25 de Abril, transformando de imediato os acontecimentos num processo revolucionário de todos. 

Processo revolucionário de grandes transformações sociais, às vezes à beira da utopia e mesmo da ruptura violenta.

Mas, enquanto MFA, não abandonámos “a criança” a que demos vida, nunca nos alheámos nem afastámos das lutas nascidas numa revolução que cumpriu a máxima de Rosa Luxemburgo, fazendo-se “sem ensaio geral”.

Tínhamos um compromisso com os portugueses, e, por isso, tudo fizemos - incluindo lutas internas que também estiveram à beira da ruptura violenta – para o cumprir. Que se consumou quando em 2 de Abril de 1976 (menos de dois anos depois…) se aprovou, com esmagadora maioria dos eleitos nas eleições mais livres e mais participadas da História de Portugal, a Constituição da República.


Constituição que, sendo a maior das conquistas do 25 de Abril, tem sido o instrumento fundamental para garantir a Democracia, contra acções espúrias de que esta tem sido alvo.

Constituição que, ameaçada da hipótese de mais uma revisão, esperamos não seja destruída nesse seu papel de garantia da existência de um regime de Abril.

Acção complementada e completada quando, após um Período de Transição onde o MFA, através do Conselho da Revolução, foi o esteio da consolidação da Democracia, se extinguiu por vontade própria, pondo fim à intervenção dos militares que haviam libertado o país, enquanto tais, na vida política.

Depois disso, assumimos a simples condição de cidadãos, exigindo, às vezes com alguma dificuldade, o estatuto de cidadão de corpo inteiro, com todos os deveres, mas também com todos os direitos, nomeadamente o da participação cívica. 

É isso que fazemos, há quase 41 anos, através da Associação 25 de Abril.

Associação cujo mérito maior, o da defesa dos valores de Abril – Liberdade, Paz, Democracia, Justiça Social, Direitos Humanos – se alicerça na proeza de termos conseguido reunir e manter mais de 90% dos militares de Abril.

Não esquecendo que continua a haver coisas que nos dividem, mas valorizando apenas o que nos une, o essencial da defesa desses valores.

Por tudo isso, encaramos a evocação dos 50 anos do 25 de Abril, aceitando integrar-nos nas Comemorações Oficiais, imbuídos essencialmente de um sentimento prioritário: evocar os valores intemporais que nos moveram, para a concretização da epopeia histórica que protagonizámos, olhando essencialmente para o futuro.

Mas, como Memória é responsabilidade, impõe-se aproveitar estas comemorações para criar instrumentos que mostrem às gerações futuras que, em 1974 se iniciou um processo de transformação do regime em Portugal, que deitou para o caixote do lixo da História um regime opressor, repressivo de ditadura, beligerante e fortemente injusto para a maioria da população. E que gerou um outro regime, mais livre, mais democrático, mais justo, mais solidário e em Paz.

Que mostrem às gerações futuras o que aconteceu, como aconteceu, mas essencialmente porque é que aconteceu!

Como militares de Abril assumimos a honra e mesmo o orgulho de termos sido os principais protagonistas desse processo.

É por isso que propusemos algumas iniciativas concretas que atingirão esses objetivos.; Centro Interpretativo do 25 de Abril; Série documental sobre a Conspiração; grande exposição sobre o papel do MFA no 25 de Abril; abertura do Posto de Comando do MFA à população.

Como é evidente, outras iniciativas estão, e bem, a ser concretizadas.

A História do 25 de Abril, da sua génese e do seu desenvolvimento, não se resume, nem nós nunca o afirmámos, à acção do MFA.

Nada mais natural, portando, que outros eventos se organizem.

E, para além de outras iniciativas em curso ou previstas, porque não aproveitar para aumentar o esforço que sabemos já estar a ser desenvolvido, nomeadamente pela Liga dos Combatentes, para promover o regresso a Portugal dos restos mortais dos militares que, em consequência da guerra colonial aí perderam a vida e ficaram sepultados em África? É da maior justiça que o Estado que os mandou para a guerra, providencie o seu regresso à terra que os viu nascer

Resumindo, nós os militares de Abril, assumidos herdeiros do MFA, que continua a ser, acima de tudo, um estado de espirito, exigimos (há quanto tempo não proferia este termo?) que algo fique destas comemorações. O foguetório e o folclore, como até pode ser encarada esta iniciativa que hoje aqui estamos a protagonizar, não pode ser o essencial das comemorações.

Façamos tudo, para que estas comemorações resultem num novo Abril, uma jornada de afirmação e dignificação de Portugal, dos portugueses e das nossas Instituições democráticas. Onde os detentores do poder cumpram o dever de Servir e não o substituam pelo “direito” de Se Servirem! Postura onde consideramos, também aqui, ter inteira autoridade moral, face ao procedimento da generalidade dos militares de Abril, sempre que foram solicitados para servirem o Estado.

Comemorações que, confesso, gostaríamos eu e os meus camaradas de Abril, de viver em melhores condições.

Confesso interrogar-me, muitas vezes a mim próprio, sobre “que 25 de Abril vamos comemorar”?

Portugal está a atravessar momentos que parecem ter todas as condições para uma estabilidade democrática, mas que nos surpreende todos os dias com exemplos que teimam em dizer-nos o contrário. 

A democracia continua a praticar-se, mas às vezes, mais do que o desejável, os diferentes Órgãos de Soberania parecem atropelar-se uns aos outros. Assim criando espaço para que os saudosos do regime derrotado em 1974, possam pensar que chegou a hora deles, para o revanchismo.

Pior que isso, Portugal, está a caminhar para se envolver numa guerra, cujos interesses me parece não nos dizerem directamente respeito.

Confesso ter saudades dos tempos em que, assumindo a nossa pequenez no mundo dos poderosos, fizemos ouvir a nossa voz na Conferência de Helsínquia, em Julho/Agosto de 1975.

Dos tempos em que recusámos a solução da “Vacina da Europa” que Kissinger – hoje, sintomaticamente, mais moderado – quis aqui experimentar, tentando fazer de Portugal um qualquer laboratório farmacêutico. especializado em guerra bacteriológica

Permitam-me que termine com uma pequena reflexão e um apelo: 

Ao fazer o 25 de Abril, o MFA teve que enfrentar, como principal inimigo, as próprias Forças Armadas. Há mesmo quem, dentro do MFA, afirme que o movimento não deveria chamar-se Movimento das Forças Armadas, mas sim Movimento contra as Forças Armadas…

E até têm razão, pois a hierarquia das Forças Armadas foi o inimigo que protagonizou, ao longo do processo de transição e consolidação democrática, com tristes episódios, que não esquecemos, que continuam bem presentes na nossa memória, a luta contra o cumprimento do Programa do MFA.

Terminado o referido Período de Transição, considerámos, contra muitos militares, mas também contra muitos políticos, que o MFA tinha conseguido que as Forças Armadas estivessem imbuídas do espírito de servir o Pais, num regime democrático, e não uma qualquer minoria.

Hoje, as Forças Armadas portuguesas estão transformadas no quase único instrumento de que Portugal dispõe para a sua política externa, na defesa dos nossos interesses.


Porquê, então, a pouca consideração que o poder político tem para com as Forças Armadas, destratando-as, levando à sua quase paralisação e destruição?

Um dia, no fim dos anos 90, perguntava ao então Primeiro Ministro António Guterres o porquê de ele não ouvir as reivindicações dos militares, ao contrário do que fazia com outros grupos socioprofissionais, nomeadamente com os agricultores. Acrescentava eu, então, “será porque os militares não fazem cortes de estrada? Cuidado, os cortes de estrada dos militares, quando existem, são feitos com armas”.

Como sabemos, os militares não fizeram cortes de estrada, o desprezo pelos seus legítimos interesses, com a Condição Militar esquecida nas calendas do tempo, continua e a situação tem-se agravado de maneira assustadora. Pessoalmente - suspeito na matéria, é certo - considero que a atitude dos militares é ainda resultado da acção do MFA, ao transformar as Forças Armadas numa Instituição ao serviço do poder democrático.

A situação alterou-se, contudo, num aspecto que considero fundamental. Como Instituição nacional, as Forças Armadas são obrigadas à subordinação ao poder democrático.

Lamentavelmente, os responsáveis políticos, infelizmente acompanhados por grande número dos responsáveis militares, confundem subordinação com submissão e subserviência e isso transforma radicalmente a natureza das próprias Forças Armadas. Por isso, temo que, não sendo possível, nem necessário ou desejável – porque continuamos em Democracia, ainda que os seus defeitos se venham a acentuar drasticamente - fazer um outro 25 de Abril, como frequentemente ouvimos proclamar, alguém venha a pensar que, com as Forças Armadas neste estado, se possa fazer um outro 28 de Maio.

Não tenho dúvidas de que será muito mais difícil arrastar as Forças Armadas para atitudes não democráticas, se elas se sentirem respeitadas pelo poder político. Como considero que o inverso é também verdadeiro: umas Forças Armadas descontentes, sentindo-se injustiçadas e maltratadas pelo poder político, estarão sempre mais vulneráveis a serem arrastadas para aventuras, que não queremos se voltem a verificar em Portugal.

A minha esperança, a nossa luta, é criar condições para que isso jamais seja possível.

Que passa pela recuperação do prestígio das Forças Armadas, enquanto Instituição fundamental do Estado português, o que não se compadece de forma alguma com a hipótese da sua abertura à contratação de mercenários, como alguns iluminados ousam defender.

Passam 50 anos, sobre o arranque decisivo que os Capitães de Abril aqui protagonizaram. Dentro de dois dias passarão também 50 anos, sobre o criminoso golpe de Pinochet, onde Salvador Allende, democraticamente eleito, Homem digno e democrata decidiu, heroicamente, suicidar-se para não ser fuzilado pelas Forças Armadas fascistas do seu país.

Termino com um apelo, que é um Manifesto: 28 de Maio ou 11 de Setembro, nunca mais!
25 de Abril, sempre!
Viva Portugal!

Alcáçovas, 9 de Setembro de 2023
Vasco Lourenço
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No Sábado, 9 de Setembro, passaram 50 anos sobre a reunião de oficiais subalternos do Exército português realizada em Alcáçovas, reunião que foi passo decisivo para a revolta militar ocorrida em 25 de Abril de 1974, revolta essa que veio a ter uma grande adesão popular, e que foi o início do processo que culminou na elaboração e aprovação da nossa Constituição e na instauração e consolidação do regime em que, FELIZMENTE, vivemos e onde me sinto muito bem.

Os sublinhados são da minha responsabilidade.

Concordo com várias das afirmações de Vasco Lourenço.

Independentemente de erros, utopias, parece-me importante olhar o futuro e mostrar às gerações vindouras o que foi o 25 de Abril, e salientar que apesar de problemas vários, não existe, que eu saiba, nada superior à Liberdade e à Democracia.

Uma das vergonhas destes titulares de órgãos de soberania e dos que os antecederam é que continuam centenas ou milhares de portugueses falecidos em combate enterrados em África. 
Num país decente, com líderes decentes, ao fim de quase 50 anos todos estariam em Portugal a descansar. 
Mas o que temos é uma cambada de INDECENTES, há décadas. 

Vivemos em condições globalmente difíceis.

Vivemos com as palhaçadas contínuas de certos ou mesmo de muitos dos titulares de órgãos de soberania, nomeadamente com acções inarráveis do PR, do PM, e de uma série de seus apaniguados PS.

Como se viu mais uma vez, em Alcáçovas, no passado Sábado, tivemos o folclore e o fogueteiro Marcelo, e mais Costa e a inarrável Carreiras.
O foguetório e o folclore, sempre, nos discursos, nos dias festivos, dizendo que são os melhores militares do mundo, etc.
A realidade é outra. 

Acabam de sair os dados estatísticos da Direção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP), 2º trimestre de 2023. 
O que indicam? 
Continua a decrescer o número de Efetivos Militares.
Fora tudo o resto, tudo o que se passa no Exército, na Força Aérea e na Marinha.

Umas Forças Armadas cada vez mais desprezadas, e é bom lembrar que os responsáveis foram/ são maioritariamente actores e actrizes do PSD e do PS. Já agora recordar que o PS foi o partido que governou mais anos nestes quase 50 anos de regime democrático.

As Forças Armadas, a Instituição Militar, é um dos pilares da soberania, e é por definição instrumento de política externa.
Estes actuais titulares de órgãos de soberania (como muitos que os antecederam) olham para elas, sorriem, querem paradas com muitas tribunas para VIPs (very important potatoes!) e suas mulheres ou seus maridos, dias festivos, vários Falcon sempre prontos para as incontáveis viagens das criaturas, e prosseguem na submissão das chefias, com gozo supremo.
Basta olhar aos últimos.
 
Vasco Lourenço aponta no seu discurso e bem - Lamentavelmente, os responsáveis políticos, infelizmente acompanhados por grande número dos responsáveis militares, confundem subordinação com submissão e subserviência e isso transforma radicalmente a natureza das próprias Forças Armadas

Pois é, mas isto não aconteceu por acaso, aconteceu com o silêncio de anos de muitos. Tal como em relação à Condição Militar.
As associações dos militares das Forças Armadas há anos que se insurgem contra isto. Deviam ter sido ajudadas nomeadamente por quem se mostra "dono" disto.

O que se verifica é que SERVEM-SE, e não servem a sociedade portuguesa. 
Há anos que digo isto, que escrevo isto, aqui e sempre.

Vasco Lourenço parece esperar que cumpram o dever de servirem a sociedade portuguesa.

Tudo isto me faz lembrar aquela frase popular - "tarde piaste".
António Cabral

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

FIM . . . PRINCÍPIO . . . REORIENTAÇÃO . . . O  COSTUME !

1. Com o fim da guerra colonial/ do ultramar/ em África e o fim do sistema político então vigente/ regime do Estado Novo, seria de esperar o princípio de uma nova era e, nomeadamente, uma compreensível reorientação designadamente da política de defesa nacional com inerentes reflexos na defesa militar.

Desses reflexos sobre a defesa militar deveriam resultar consequências  diversas na organização militar, no seu funcionamento, nos sistemas de forças, no equipamento, na instrução, no ensino, no treino, na preparação para novas missões.
Curiosamente, a primeira lei que foi designada de "Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas" é de 29 de Dezembro 1982. 
Repito, 29 de Dezembro de 1982

1982 - 1974 = 8 anos !

2. Com o fim da chamada guerra fria e da base ideológica em que assentava, e o sucessivo desenvolvimento na Europa Ocidental (CEE /UE) seria de esperar uma nova definição da política de defesa nacional com inerentes reflexos na defesa militar.
Portanto, um repensar profundo sobre a defesa nacional e sobre um dos seus pilares, o pilar militar - Forças Armadas. 
Portanto, um repensar enorme e uma enorme reorganização.

E, em consequência, o decorrer dos anos viu passar: revisões do Conceito Estratégico de Defesa Nacional (por acaso o que vigora creio que é de 2013 !?!?!?), do conceito estratégico militar, a definição de novas missões para as Forças Armadas, novos sistemas de forças, e novo dispositivo militar.

Claro que, como sempre, a descolonização, o fim da guerra fria, a CEE primeiro a UE depois criaram como de costume a noção de um mundo idílico, e uma nova ordem internacional. Vê-se!

A defesa nacional é um direito e um dever fundamental.
De 1982 até ao presente tivemos várias produções legislativas.  
Mais recentemente, a Lei de Defesa Nacional /Lei Orgânica nº 3/2021 e a Lei Orgânica de Bases da Organização das Forças Amadas / Leu Orgânica nº2 de 2021, respeitantes à defesa militar do país, creio que são as que vigoram.

3. A realidade é que passaram 51 anos e o que no essencial os sucessivos governos têm feito é asfixiar financeiramente as Forças Armadas, e criar condições péssimas de atractividade para a vida militar, além de reduções de recursos humanos que muitos consideram ter atingido níveis críticos. Objectivo: sempre o que ter menos despesa.

Adicionalmente, trataram de politizar a nomeação das chefias militares. Foi em 1994. E o PS tratou de aperfeiçoar a coisa.

Sim pode dizer-se que vieram há poucos anos 2 novos submarinos etc.
Mas a realidade é que continua a não se enfrentar a questão para mim fulcral: QUE FORÇAS ARMADAS deve Portugal ter, tendo presente a geografia do país, tratados e acordos, as ZEE e a jurisdição que sobre elas temos. E já agora tendo presente a realidade observada nos "vários sítios calmos" à superfície da Terra.

4. Temos então,
FIM . . . PRINCÍPIO . . . REORIENTAÇÃO . . . O  COSTUME !

Método replicável em outros sectores. Voltarei ao "método"
AC

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

REPETINDO  O  QUE  EM  TEMPOS  ESCREVI 

EXTRAORDINÁRIO

Já o escrevi antes, sempre médicos e enfermeiros na família, e por essa via, muitos conhecidos, dois deles muito amigos. 

Cidadão comum que sou, apenas por razões familiares e circunstâncias da vida, tenho desde 1969 alguma noção, 
- da assistência na saúde em Portugal, antes e depois de 25ABR74, 
- sobre vários hospitais do SNS, privados, e alguns centros de saúde, 
- de como começou o SNS, em que assentou em certas zonas do país, 
- como ele foi evoluindo, 
- sobre a questão "horas extraordinárias" versus "vencimento base" de médicos e enfermeiros e assistentes operacionais, há 35 anos e no presente,
- do corporativismo médico e enfermagem,
- sobre as diferenças das lutas de há anos consoante é o PS ou o PSD no poder.

É sabido que, depois do PSD ter ganho eleições por escassos votos a seguir a 8 anos e mais umas semanas de governação (???António Costa
- as carreiras dos médicos e as carreiras dos enfermeiros todas foram revistas e com a plena concordância/ aplauso de sindicatos e ordens profissionais, 
- que no final desses fantásticos 8 anos e semanas, os vencimentos de médicos, enfermeiros, e assistentes operacionais, nada tinham a ver com os miseráveis vencimentos de Janeiro de 2016, 
- que os hospitais do SNS tiveram nesses 8 anos e semanas uma muito significativa substituição/ renovação de equipamentos facilitando a vida aos profissionais de saúde, 
- que nesses fantásticos 8 anos e semanas tudo o respeitante ao medicamento teve uma revolução, 
- que nesses 8 anos e semanas todos os hospitais e centros de saúde do SNS foram intervencionados, tiveram obras de requalificação, em português corrente, modernizados e de cara bem lavada,
- e que nesses fantásticos 8 anos e semanas acabaram com as grandes negociatas de alguns tubarões a chupar o SNS. 

Entrou MontesNegros e a sua mais que discutível ministra da saúde e . . . .  rebentaram com tudo.

E, por isso, hoje, as classes vociferam, os vencimentos são ordinários, não há condições de trabalho como existiam até há basicamente dois anos, e não têm nada que ser mudados de locais de trabalho.

Sacanas do MontesNegros e da sua ministra, de facto inarrável!
Com eles, fecharam urgências, quase todas.
Com António Costa tudo estava no lugar, tudo certinho.

Há coisas de facto muito curiosas!

No presente assiste-se ao gradual descalabro do SNS tão revigorado nos célebres 8 anos e semanas.
Falta cá, por exemplo, a Mariana que anda a tomar "drinks de fim de tarde" a bordo de iate, para dizer como se resolvem as coisas.

A inarrável ordem dos médicos mais os sindicatos e particularmente o chefiado pela senhora mais esquerdalha, BERRAM, vociferam, dizem que MontesNegros e a dita e INARRÁVEL ministra são os causadores de começarem a sair cada vez mais médicos do SNS.
Presumo até que todos os médicos e enfermeiros podem com facilidade ser acolhidos na privada, certo?.

Nunca na vida a razão está 100 % num lado.

Isto dito, e parecendo-me que a gestão ministerial actual é bem capaz de ficar para a história por "lindos" motivos, e tendo presente que sou muito distraído, e que quase não vejo TV, e portanto por pura deficiência minha, continuo a não encontrar PUBLICAMENTE editado /MOSTRADO EM DETALHE e explicado AOS PORTUGUESES, como é que o sindicato da tal senhora e a ordem dos médicos (cada um com proposta própria) resolve os constrangimentos das urgências designadamente na grande Lisboa.

Como é que cada um deles define o quadro de pessoal médico e de enfermagem em cada hospital do SNS.

Quando é que a ordem dos médicos explica aos portugueses, em detalhe, o porquê da constituição das equipas médicas nas diferentes urgências hospitalares.

QUANDO EXPLICAM TUDO? Quando apresentam as soluções?

É que isto resolvia se dessem as soluções ao governo, pois que era só aplicar.

E os meus concidadãos, já alguma vez alguns se deram ao trabalho de  escrever à Ordem dos Médicos, procurando esclarecimento sobre a constituição das equipas nas urgências, sobre as especialidades que devem estar presentes em cada equipa, e o porquê de, em faltando uma especialidade fecha TUDO?

Eu já e, como sempre acontece em Portugal, responderam-me com silêncio, ou seja, mandaram-me à merda sem o dizerem.
Não estamos como estamos por puro acaso!

Já agora, não é curioso que seja sobretudo na grande Lisboa o rebuliço?
No Porto passa-se a mesma exacta coisa?

E mais não digo, . . . isso mesmo, "pintassilgos não são pardais".

Saúde e boa sorte e muita pachorra para aturar isto e certa gente, dentro e fora dos governos e da AR.

António Cabral (AC)

Em tempo, hoje, 6NOV2025.
Passaram vários dias sobre este texto que agora republico.
Como digo acima, ninguém tem 100% de razão ou 100% de culpa. Não sou excepção. 

Os últimos dias e uma entrevista para que me chamaram há bocado à atenção onde estava uma senhora médica, um famoso cirurgião especialista nomeadamente em transplantes de fígado (salvo erro) e um médico ex-chefe de um sindicato (mais moderado que a FNAM), voltou-me a dar vontade de escrever mais umas linhas sobre esta situação SNS, governo, ministra, FNAM, ordens profissionais, trágicas mortes, nascimentos por tudo quanto é sítio, urgências encerradas e TAREFEIROS.

Espero não estar enganado, mas esta coisa dos tarefeiros começou com Sócrates, no seu primeiro governo.
Sócrates governou (???) de 2005 a 2011.
Seguiu-se Passos Coelho com a Troika e o nascituro memorando socialista entre 2011 e final de 2015 salvo erro.
Seguiu-se o fantástico período dos tais 8 anos e semanas de António Costa. 
Temos agora basicamente pouco mais de 2 anos com dois minoritários governos de Luís Montenegro.

Disse um dia Guterres - é só fazer as contas.

Já fizeram bem as contas?

Outra coisa.
Em que assentou o SNS?
Assentou nos hospitais, nos centros de saúde, nos médicos, nos enfermeiros e demais profissionais que existiam. 
Na realidade que existia.
E assentou, SEMPRE, durante muitos anos em muitas horas extraordinárias, de muita gente.

Passaram os anos e várias coisas se foram modificando. 
Eu sei um poucochinho (Costa dixit) disso. 

Vou repetir o que em tempos aqui escrevi.

Quando casei em 1970, na minha família existiam dois médicos, primos direitos da minha mãe, um licenciado em Coimbra, outra em Lisboa.

Do lado da família da minha mulher, muito alargada, contando com o meu sogro, o avô materno da minha mulher, o irmão e dois cunhados do meu sogro, filhos sobrinhos e primos deles todos, se a memória não me atraiçoa eram 18.

Décadas passaram. 
Hoje a maioria morreu, outros se formaram. 
Na família directa, e até 2º grau, temos actualmente 6 (um deles intensivista num conhecido hospital) e duas enfermeiras em fim/ topo de carreira. 
E vários médicos conhecidos . . . . . sendo alguns deles nossos amigos.  

Tenho alguma noção do sistema de saúde em Portugal, do SNS, e dos hospitais privados, concretamente, Sta Maria, Amadora /Sintra, S.João, Cuf Tejo, Cuf Descobertas, Setúbal, Outão, Luz /Setúbal, Lusíadas/Lx, Luz/ Lx, Castelo Branco, Covilhã, e centros de saúde diversos.

Outra coisa: quererão os meus estimados amigos/ leitores / visitantes ponderar durante quantos anos se verificou que, o que era ganho em horas extraordinárias, superava o vencimento base de médico?

Sim, o que se passa no SNS, nas urgências etc. é deplorável.
E, pessoalmente, quer pela actual ministra da tutela, quer pela estridente anterior não tenho simpatia alguma.

Mas os males do SNS não são culpa exclusiva do PSD
SÃO do PSD e muito do PS e dos sucessivos titulares do orgão de soberania AR.

E já agora, quem governou mais nos últimos 35 anos?

E sendo este PM o que é, e a actual ministra da tutela qualquer coisa a roçar pelo menos o inarrável (opinião pessoal naturalmente), porque se insiste em não olhar seriamente à realidade que é a seguinte: REPITO, façam as contas desde 2005.

Junte-se as centenas de imigrantes a "espreitar" o SNS.

E esta coisa INARRÁVEL dos tarefeiros está a agudizar ainda mais a situação. Creio que se está perto da implosão do sistema.
Naturalmente que os profissionais da saúde têm os mesmos direitos que os restantes cidadãos, direito a, família, descanso, emprego estimulante, expectativas, progressão nas carreiras, vida digna.

Mas o que hoje mais que nunca salta à vista, é que muitos colocaram os seus interesses muito acima do serviço à comunidade que juraram, SIM,  ELES  FAZEM  UM  JURAMENTO.

E neste momento, o que me parece ficar evidente é que culpa-se de tudo a inacreditável ministra QUANDO, a sociedade portuguesa está cheia de problemas por resolver, nos bombeiros, no INEM, nos hospitais, nos centros de saúde, etc. etc.

E os senhores e senhoras que agora se escondem atrás de movimentos inorgânicos (copiados dos polícias?) querem é trabalhar onde e quando lhes apetecer, querem pagar o mínimo de impostos ou porventura dispensados de tal, etc.

Morre alguém porque a urgência está fechada?
Morre alguém porque não há helicóptero?
Morre alguém porque pariu no passeio?

De quem é a culpa? Da ministra!

Olha, não, nem é da ministra, é do corneteiro de Afonso Henriques que, por o terem decepado, não conseguiu tocar a fim do saque!

Estou a ser injusto?

António Cabral (AC)

domingo, 16 de novembro de 2025

O   M A R 


"Roubei" esta sugestiva e feliz imagem.

Hoje passa mais um Dia Nacional do Mar
Escrevo passa.

O Dia Nacional do Mar será celebrado?
Por quem?
Onde?

O mar não é apenas algo a ver com a nossa história, com a nossa geografia, com as nossas raízes, nem algo a aflorar na literatura, na cultura, no nosso modo de vida.

O mar e concretamente o oceano Atlântico Norte, onde temos parte do nosso país e que banha a parte Continental, é um grande potencial.

A brutal massa oceânica (as ZEE) sobre a qual temos jurisdição devia colocar em sentido os sucessivos responsáveis.

Posso fazer um esforço grande e fingir entender que calhando este ano o dia a um Domingo não ocorram cerimónias.

De qualquer maneira, podia haver um singelo texto no "sítio" onde constantemente se dão parabéns a individualidades (das verdadeiramente significativas a outras . . . ) várias, ou um pequeno texto nos outros "sítios" dos órgãos de soberania.

Veremos se amanhã ocorre alguma coisa.
Na Sociedade de Geografia creio que falarão do Dia nacional do Mar na próxima 3ª Feira.

Importante importante foi ele ter ido discursar aos homens do futebol.
O costume, portanto.
AC

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

MARCELO REBELO de SOUSA 
aos PORTUGUESES

115 anos de República
05 de outubro de 2025 (sublinhados da minha responsabilidade)

A implantação da República, a 5 de outubro de 1910, trouxe consigo a esperança – nem sempre depois concretizada – de mais liberdade, de mais igualdade e de mais solidariedade. Foi com a I República que Portugal ganhou um ideário de valores que, ainda hoje, mantêm toda a atualidade: a primazia do interesse comum sobre o interesse individual, a importância da participação cidadã, a consagração de liberdades e direitos fundamentais (depois inscritos na Constituição de 1911, justamente considerada como muito avançada para a época), a valorização do pluralismo político e ideológico, a laicidade do Estado e a liberdade religiosa, a democratização e valorização da cultura e da educação como formas de desenvolvimento do país, bem como as relevantes reformas em relação à família e aos direitos das mulheres (ainda que estas tenham tido de esperar mais 20 anos para poderem todas votar).

É, por isso, que é tão importante recordar a nossa História e evocarmos o desassossego dos fundadores da I República que nos interpelaram para a construção de um futuro melhor, para a construção de partidos políticos em que os cidadãos se sintam representados, sem deixar de valorizar a participação cívica, para a importância da boa gestão da coisa pública, de combater a pobreza e as desigualdades sociais e territoriais e, não menos importante, para continuar a apostar na educação como fator de desenvolvimento.

A República e a Democracia estão hoje bem vivas em Portugal, mas para que assim continue precisamos de renovar o nosso compromisso com os seus ideais e os seus valores, sempre com atenção aos novos desafios e à necessidade de estar à altura, na prática política e constitucional, daqueles princípios.

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Nesta mensagem que li no "sítio" de Belém, o actual inquilino do Palácio apela a princípios e valores.
 
Quando aponta para a necessidade - de renovar o nosso compromisso com os seus ideais e os seus valores - não é, também, e muito uma confissão velada de que tem sido um dos principais que não tem estado à altura quanto à realidade política, quanto à sua postura política? 

É uma dúvida, que querem.

AC

domingo, 21 de setembro de 2025

RECORDAÇÕES
POLÍTICA INTERNACIONAL E POLÍTICA NAVAL

Do avô (falecido em 1972) da minha mulher, médico, nascido na aldeia de Monsanto, herdámos várias coisas, entre bens imobiliários e bens diversos, herdámos livros.

De entre eles há este, 
muito antigo, dos anos 30 do século passado, sobre o assunto que na altura era premente, a política naval.

Li-o há uns anos e voltei agora a folheá-lo, pois algumas das afirmações creio que mantêm actualidade. 

Naturalmente, como acontece com muitos, é preciso compreender o que o autor defendia e propunha contextualiazando com o momento nacional (pouco mais de 20 anos de I República) e o internacional, designadamente com a Alemanha a furtar-se ao decidido em "Versailles! Sabe-se o que se seguiu.

Neste livro, o autor, creditado oficial da Marinha de Guerra nacional, aborda o assunto em duas grandes partes: a política internacional, e
uma segunda discorrendo então sobre a política naval, 
terminando com uma pequena incursão no que se conhecia nessa altura das marinhas de guerra do Brasil, EUA, França, Inglaterra, Itália e Japão.
Relativamente à sua grande preocupação, o poder naval, e o programa naval português, 
é interessante observar como algumas considerações mantêm actualidade. Olhe-se as páginas supra.

Vale a pena olhar à realidade presente da nossa Marinha (Marinha de Guerra até Abril 1974) tendo sobretudo em conta os compromissos internacionais do país mas, sobretudo, a massa oceânica descomunal onde temos jurisdição. 

Coisa pouca para os sucessivos governos, particularmente desde 1995, desde o primeiro governo do pastoso.

Coisa pouca para sucessivos governantes, deputados e Presidentes da República, que continuam a não perceber a diferença abissal que esta frase em inglês contém : 

You have or not a Navy!
You raise an army.

António Cabral (AC)