quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

REPETINDO  O  QUE  EM  TEMPOS  ESCREVI 

EXTRAORDINÁRIO

Já o escrevi antes, sempre médicos e enfermeiros na família, e por essa via, muitos conhecidos, dois deles muito amigos. 

Cidadão comum que sou, apenas por razões familiares e circunstâncias da vida, tenho desde 1969 alguma noção, 
- da assistência na saúde em Portugal, antes e depois de 25ABR74, 
- sobre vários hospitais do SNS, privados, e alguns centros de saúde, 
- de como começou o SNS, em que assentou em certas zonas do país, 
- como ele foi evoluindo, 
- sobre a questão "horas extraordinárias" versus "vencimento base" de médicos e enfermeiros e assistentes operacionais, há 35 anos e no presente,
- do corporativismo médico e enfermagem,
- sobre as diferenças das lutas de há anos consoante é o PS ou o PSD no poder.

É sabido que, depois do PSD ter ganho eleições por escassos votos a seguir a 8 anos e mais umas semanas de governação (???António Costa
- as carreiras dos médicos e as carreiras dos enfermeiros todas foram revistas e com a plena concordância/ aplauso de sindicatos e ordens profissionais, 
- que no final desses fantásticos 8 anos e semanas, os vencimentos de médicos, enfermeiros, e assistentes operacionais, nada tinham a ver com os miseráveis vencimentos de Janeiro de 2016, 
- que os hospitais do SNS tiveram nesses 8 anos e semanas uma muito significativa substituição/ renovação de equipamentos facilitando a vida aos profissionais de saúde, 
- que nesses fantásticos 8 anos e semanas tudo o respeitante ao medicamento teve uma revolução, 
- que nesses 8 anos e semanas todos os hospitais e centros de saúde do SNS foram intervencionados, tiveram obras de requalificação, em português corrente, modernizados e de cara bem lavada,
- e que nesses fantásticos 8 anos e semanas acabaram com as grandes negociatas de alguns tubarões a chupar o SNS. 

Entrou MontesNegros e a sua mais que discutível ministra da saúde e . . . .  rebentaram com tudo.

E, por isso, hoje, as classes vociferam, os vencimentos são ordinários, não há condições de trabalho como existiam até há basicamente dois anos, e não têm nada que ser mudados de locais de trabalho.

Sacanas do MontesNegros e da sua ministra, de facto inarrável!
Com eles, fecharam urgências, quase todas.
Com António Costa tudo estava no lugar, tudo certinho.

Há coisas de facto muito curiosas!

No presente assiste-se ao gradual descalabro do SNS tão revigorado nos célebres 8 anos e semanas.
Falta cá, por exemplo, a Mariana que anda a tomar "drinks de fim de tarde" a bordo de iate, para dizer como se resolvem as coisas.

A inarrável ordem dos médicos mais os sindicatos e particularmente o chefiado pela senhora mais esquerdalha, BERRAM, vociferam, dizem que MontesNegros e a dita e INARRÁVEL ministra são os causadores de começarem a sair cada vez mais médicos do SNS.
Presumo até que todos os médicos e enfermeiros podem com facilidade ser acolhidos na privada, certo?.

Nunca na vida a razão está 100 % num lado.

Isto dito, e parecendo-me que a gestão ministerial actual é bem capaz de ficar para a história por "lindos" motivos, e tendo presente que sou muito distraído, e que quase não vejo TV, e portanto por pura deficiência minha, continuo a não encontrar PUBLICAMENTE editado /MOSTRADO EM DETALHE e explicado AOS PORTUGUESES, como é que o sindicato da tal senhora e a ordem dos médicos (cada um com proposta própria) resolve os constrangimentos das urgências designadamente na grande Lisboa.

Como é que cada um deles define o quadro de pessoal médico e de enfermagem em cada hospital do SNS.

Quando é que a ordem dos médicos explica aos portugueses, em detalhe, o porquê da constituição das equipas médicas nas diferentes urgências hospitalares.

QUANDO EXPLICAM TUDO? Quando apresentam as soluções?

É que isto resolvia se dessem as soluções ao governo, pois que era só aplicar.

E os meus concidadãos, já alguma vez alguns se deram ao trabalho de  escrever à Ordem dos Médicos, procurando esclarecimento sobre a constituição das equipas nas urgências, sobre as especialidades que devem estar presentes em cada equipa, e o porquê de, em faltando uma especialidade fecha TUDO?

Eu já e, como sempre acontece em Portugal, responderam-me com silêncio, ou seja, mandaram-me à merda sem o dizerem.
Não estamos como estamos por puro acaso!

Já agora, não é curioso que seja sobretudo na grande Lisboa o rebuliço?
No Porto passa-se a mesma exacta coisa?

E mais não digo, . . . isso mesmo, "pintassilgos não são pardais".

Saúde e boa sorte e muita pachorra para aturar isto e certa gente, dentro e fora dos governos e da AR.

António Cabral (AC)

Em tempo, hoje, 6NOV2025.
Passaram vários dias sobre este texto que agora republico.
Como digo acima, ninguém tem 100% de razão ou 100% de culpa. Não sou excepção. 

Os últimos dias e uma entrevista para que me chamaram há bocado à atenção onde estava uma senhora médica, um famoso cirurgião especialista nomeadamente em transplantes de fígado (salvo erro) e um médico ex-chefe de um sindicato (mais moderado que a FNAM), voltou-me a dar vontade de escrever mais umas linhas sobre esta situação SNS, governo, ministra, FNAM, ordens profissionais, trágicas mortes, nascimentos por tudo quanto é sítio, urgências encerradas e TAREFEIROS.

Espero não estar enganado, mas esta coisa dos tarefeiros começou com Sócrates, no seu primeiro governo.
Sócrates governou (???) de 2005 a 2011.
Seguiu-se Passos Coelho com a Troika e o nascituro memorando socialista entre 2011 e final de 2015 salvo erro.
Seguiu-se o fantástico período dos tais 8 anos e semanas de António Costa. 
Temos agora basicamente pouco mais de 2 anos com dois minoritários governos de Luís Montenegro.

Disse um dia Guterres - é só fazer as contas.

Já fizeram bem as contas?

Outra coisa.
Em que assentou o SNS?
Assentou nos hospitais, nos centros de saúde, nos médicos, nos enfermeiros e demais profissionais que existiam. 
Na realidade que existia.
E assentou, SEMPRE, durante muitos anos em muitas horas extraordinárias, de muita gente.

Passaram os anos e várias coisas se foram modificando. 
Eu sei um poucochinho (Costa dixit) disso. 

Vou repetir o que em tempos aqui escrevi.

Quando casei em 1970, na minha família existiam dois médicos, primos direitos da minha mãe, um licenciado em Coimbra, outra em Lisboa.

Do lado da família da minha mulher, muito alargada, contando com o meu sogro, o avô materno da minha mulher, o irmão e dois cunhados do meu sogro, filhos sobrinhos e primos deles todos, se a memória não me atraiçoa eram 18.

Décadas passaram. 
Hoje a maioria morreu, outros se formaram. 
Na família directa, e até 2º grau, temos actualmente 6 (um deles intensivista num conhecido hospital) e duas enfermeiras em fim/ topo de carreira. 
E vários médicos conhecidos . . . . . sendo alguns deles nossos amigos.  

Tenho alguma noção do sistema de saúde em Portugal, do SNS, e dos hospitais privados, concretamente, Sta Maria, Amadora /Sintra, S.João, Cuf Tejo, Cuf Descobertas, Setúbal, Outão, Luz /Setúbal, Lusíadas/Lx, Luz/ Lx, Castelo Branco, Covilhã, e centros de saúde diversos.

Outra coisa: quererão os meus estimados amigos/ leitores / visitantes ponderar durante quantos anos se verificou que, o que era ganho em horas extraordinárias, superava o vencimento base de médico?

Sim, o que se passa no SNS, nas urgências etc. é deplorável.
E, pessoalmente, quer pela actual ministra da tutela, quer pela estridente anterior não tenho simpatia alguma.

Mas os males do SNS não são culpa exclusiva do PSD
SÃO do PSD e muito do PS e dos sucessivos titulares do orgão de soberania AR.

E já agora, quem governou mais nos últimos 35 anos?

E sendo este PM o que é, e a actual ministra da tutela qualquer coisa a roçar pelo menos o inarrável (opinião pessoal naturalmente), porque se insiste em não olhar seriamente à realidade que é a seguinte: REPITO, façam as contas desde 2005.

Junte-se as centenas de imigrantes a "espreitar" o SNS.

E esta coisa INARRÁVEL dos tarefeiros está a agudizar ainda mais a situação. Creio que se está perto da implosão do sistema.
Naturalmente que os profissionais da saúde têm os mesmos direitos que os restantes cidadãos, direito a, família, descanso, emprego estimulante, expectativas, progressão nas carreiras, vida digna.

Mas o que hoje mais que nunca salta à vista, é que muitos colocaram os seus interesses muito acima do serviço à comunidade que juraram, SIM,  ELES  FAZEM  UM  JURAMENTO.

E neste momento, o que me parece ficar evidente é que culpa-se de tudo a inacreditável ministra QUANDO, a sociedade portuguesa está cheia de problemas por resolver, nos bombeiros, no INEM, nos hospitais, nos centros de saúde, etc. etc.

E os senhores e senhoras que agora se escondem atrás de movimentos inorgânicos (copiados dos polícias?) querem é trabalhar onde e quando lhes apetecer, querem pagar o mínimo de impostos ou porventura dispensados de tal, etc.

Morre alguém porque a urgência está fechada?
Morre alguém porque não há helicóptero?
Morre alguém porque pariu no passeio?

De quem é a culpa? Da ministra!

Olha, não, nem é da ministra, é do corneteiro de Afonso Henriques que, por o terem decepado, não conseguiu tocar a fim do saque!

Estou a ser injusto?

António Cabral (AC)

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