sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

ESTA  COISA  DE  SER  DEMOCRATA . . . 

Há por aí uns figurões dos "salões" que, 
- lá porque tiveram alguma secundária participação nisto ou naquilo têm a mania de que são donos disto,  
- têm a mania de rotular de não democratas todos os que não sigam a sua rosácea cartilha, 
- têm a mania de que quase só eles conhecem livros, bons vinhos, música erudita, bons locais de descanso e lazer, por cá e no estrangeiro.

Alguns destes irritantes (a que reconheço capacidades, cultura, decência, e educação, e ferozes inimigos de Cavaco Silva porque no passado possa não lhes ter feito as vontadinhas), sem explicitamente o dizerem apontam Cavaco e outros como exemplos de democratas porque irão votar em António José Seguro na 2ª volta.

Sem o dizerem com todas as letras afirmam-no - quem não vota em Seguro que é um homem moderado e razoável (COM o QUE CONCORDO), não é democrata.

Pois elucido esses irritantes que ser democrata inclui pensar pela própria cabeça, não ir em modas, poder errar e estar portanto enganado, ter divergências com o "main stream", por vezes profundas.

Desde 1974 nunca falhei uma eleição.
Raras as vezes em que votei BRANCO, creio que foram duas.
NUNCA destruí um boletim de voto com palavras, riscos etc., nunca portanto o tornei NULO.

Na quase totalidade das eleições ocorridas coloquei a cruz, e andei sempre nas áreas moderadas. 
E continuo a considerar-me um moderado.

E um moderado muito zangado com o PS e com o PSD, pois foram as suas inações incompetência e poucas vergonhas que na minha opinião trouxeram Portugal ao estado actual, quase na cauda da Europa.
Foram as inações e a incompetência do PS e do PSD e é bom frisar as sucessivas bancadas dos seus deputados apoiantes que trouxeram Portugal para o estado actual, com escandalosas desigualdades sociais, com níveis de pobreza e indigência horríveis e intoleráveis, com um despovoamento do território inaceitável, etc.

Tenho o legítimo direito de estar muito zangado, porque sempre votei e porque além disso, na minha vida de adolescente, na minha vida cívica e profissional, e depois como reformado, sempre me pautei pela decência. E como cidadão nunca me conformei e sempre protestei ao meu nível, e sempre procurei ajudar dentro do meu exíguo campo de actuação cívica.

Em síntese, recordo aos irritantes que na segunda volta das eleições presidenciais, como aliás em qualquer votação, se pode votar de diversas maneiras.

Nesta 2ª volta das presidenciais pode votar-se: 

- em Ventura, o que, acredito, não será conveniente para o país, 

- em Seguro que, como escrevi já em outros textos, considero uma pessoa decente mas . . . . 

- lamentavelmente, tornando NULO o boletim de voto,

- legítima mas na minha opinião lamentavelmente, não indo votar,

- em BRANCO

Pergunto aos irritantes qual das cinco possibilidades não é democrática?

Não vou conseguir saber a opinião das Exmas Excelências, mas a minha é de que todas as cinco possibilidades são DEMOCRÁTICAS.

Resumo:

- muitos o têm feito ao longo dos anos, mas considero lamentável, muito lamentável, criarem votos NULOS;

- é legítimo mas discordo que se fique em casa e não se vá votar; sempre critiquei o meu falecido sogro que barafustava furiosamente contra os políticos e o estado do país mas nunca se dignou votar;

- tenho as maiores dúvidas que seja bom para Portugal ter Ventura em Belém, bem como eventualmente um dia PM;

- face ao seu passado demasiado cinzento e sempre ao lado de certas personagens, embora nele aprecie a decência e a serenidade por exemplo, tenho algumas dúvidas sobre as capacidades de Seguro para Belém; 

- como cidadão muito desconsolado com Portugal quase na cauda da Europa, desta vez quero democraticamente manifestar o meu veemente  protesto, coisa tão legítima e tão democrática como os entendimentos dos irritantes que pensam o que pensam e legitimamente o defendem, mas que me parece persistirem numa postura de que julgam que só eles e os predestinados como eles sabem comportar-se nas urnas, ou à mesa a comer com talheres de prata, Christofle e outra palamenta.

Quero protestar e fácil é ver a materialização desse protesto. Ir ao local de votação, dobrar com cuidado o boletim de voto em quatro e depositar na urna.
Naturalmente que faltam uns dias até 8 de Fevereiro.

Uma coisa me martela a cabeça: Seguro em Belém deixará a palhaçada á Marcelo, de andar sempre na rua ou passará a exercer a sua magistratura de influência longe dos jornalistas, e dentro dos corredores dos vários poderes e, portanto, a não comentar diariamente tudo e mais alguma coisa incluindo coisas verdadeiramente patéticas, mas a exercer pressão?

Por isso escrevi num outro texto que considerava importante até ao dia da votação ouvir nomeadamente de Seguro como se relacionaria na sua magistratura de influência com, a Assembleia da República, Governo, os vários tribunais superiores, Procurador-Geral da República.

Passem bem.
AC  

Sem comentários:

Enviar um comentário