Para 8 de Fevereiro próximo teremos em confronto, de um lado o ex-choninhas/ o Tozé/ o horroroso cúmplice de Passos Coelho/ o educado/ o decente, e do outro, um vendilhão/ aldrabão/ arrogante/ malcriado/ instigador de ressentimentos e ódios, que diz umas verdades, mas é inconsequente e nunca apresenta soluções concretas.
Houve debate televisivo nas TV entre os dois, ontem 27 de Janeiro do corrente ano. Foi o primeiro debate que vi, nunca vi nenhum dos que tiveram lugar na 1º volta.
O komentariado residente e o convidado das TV e nos jornais e revistas vão certamente como é seu costume dar valores a quem ganhou o debate e perdeu etc. Adiante.
Um pouco antes do dia 15 de Junho passado, António José Seguro afastado da vida política activa há qualquer coisa como 11 anos deve ter estado a consultar arquivos e de repente deu conta, lembrou-se, que Jorge Sampaio não passou um charuto ao PS sobretudo a Guterres e candidatou-se a Presidente da República. E ganhou.
Vai daí Seguro sentiu de repente um apelo para vir servir a causa pública (como Marques Mendes) e decidiu seguir o exemplo de Sampaio, consciente que o pequenino Mendes não valia grande coisa, como se comprovou.
Seguro, que em minha opinião é bem mais equilibrado e coerente e decente que Mendes e Ventura terá contra si por exemplo o de ter andado anos com o mole Guterres e o inarrável Sócrates mas só um velhaco e muito ordinário o equipara ao socialismo de bordel e de negociatas, de que um dos melhores exemplos se arrasta há anos pelos tribunais á espera das prescrições todas.
Mas Seguro como aliás o execrável Ventura lhe atirou, em certas áreas não agiu em consonância com o que fez em outras e que ontem E BEM fez questão de lembrar a Ventura que tinha sido o autor.
Seguro venceu a 1ª volta com folga confortável.
Tenho profundo receio de que haja mais jovens e idosos a inclinar-se mais para Ventura nesta volta final. Veremos.
Rejeito, como outros, e gostava fossem centenas e centenas de milhares, rejeito dizia tutelas partidárias numa eleição presidencial, rejeito as recomendações, rejeito as lições de superioridade moral e superioridade democrática.
Sei o que está em jogo, mas admitindo como SEMPRE poder estar a ver isto tudo mal, continuo com reservas ainda que poucas sobre esta coisa de ter de votar no menos mau.
É uma escolha legítima e democrática, tal como legítimo e democrático é decidir não votar/ não comparecer nas urnas (o que considero lamentável) ou votar em Branco.
Nunca se saberá, mas o que aconteceria depois ao PS e ao PSD se no próximo dia 8 de Fevereiro a abstenção fosse muito escassa, e mesmo inferior à das eleições para a Constituinte, e a votação em Ventura fosse abaixo da do Chega nas últimas legislativas, e a votação em Seguro fosse apenas a suficiente para o eleger PR, e os votos em BRANCO tivessem uma expressão enorme, brutal, nunca vista?
Como interpretariam este imenso protesto dos cidadãos votantes?
Sim, admito haver aqui algum irrealismo, alguma ingenuidade de desejar que mandassem às urtigas as orientações de, Cavaco, Portas, Raimundo, Carneiro, Catarina, Carlos César, Poiares e do insuportável komentariado residente e visitante de todos os canais de TV.
Na 1ª volta de alguma forma se pode dizer que boa parte do eleitorado habitual dos partidos dispensou orientações dos directórios e do Komentariado.
Sei o que está em jogo, um representante da extrema direita em Belém não seria bom para o país.
Percebo isto perfeitamente, e não o desejo.
Mas isso não invalida que eu até 8 de Fevereiro não vá pensando pela minha cabeça, não vá recuar no tempo e passar em revista todo o período das últimas décadas a começar nos início de 1991, não invalida que tenha bem presente quem mais tempo governou (??) desde 1991.
Não invalida que eu não passe em revista o 2º mandato de Mário Soares, os mandatos dos seus sucessores, e nomeadamente os mandatos de Marcelo Rebelo de Sousa.
Não invalida que eu não esqueça o que Mário Soares disse de Seguro, acolitado por Pacheco Pereira agora apoiante de Seguro.
Depois do debate de ontem ficou para mim claro o seguinte:
- nenhum dos dois se superiorizou decididamente ao outro;
- as três estrelas (??) jornalísticas que ontem entrevistaram os candidatos, mostraram a arrogância do costume, a vaidade do costume e a disfarçada incompetência do costume;
- se repararam bem nem as pérolas jornalísticas nem os candidatos explicitaram uma realidade: Portugal é um país muito pobre e, como tal, a treta de manter os médicos no SNS custa um dinheirão e lá ajudaria a estoirar com as contas certas;
- se repararam bem nem as pérolas jornalísticas nem os candidatos explicitaram que o PR é o comandante supremo das Forças Armadas, que o patético Conceito Estratégico de Defesa Nacional tem 13 anos e está mais que fora de modas, e apenas Seguro chamou à atenção para a necessidade de controlar as compras militares;
- se repararam bem nem as pérolas jornalísticas nem os candidatos explicitaram que o PR é o comandante supremo das Forças Armadas, que o patético Conceito Estratégico de Defesa Nacional tem 13 anos e está mais que fora de modas, e apenas Seguro chamou à atenção para a necessidade de controlar as compras militares;
- se repararam bem nem as pérolas jornalísticas nem os candidatos explicitaram uma realidade, Portugal tem umas ZEE descomunais, tem oceano imenso sobre o qual tem jurisdição, tem na ONU um pedido de extensão da plataforma continental desde 2013 salvo erro, e ninguém (Marcelo, governo, oposições) se mostra interessado quanto mais preocupado com o assunto; e nem quero recordar o mole Guterres, sempre preocupado com o seu país;
- se repararam bem as pérolas jornalísticas não passaram de vacuidades nas perguntas, com aquele ar de importantes e falsamente pretendendo esclarecer os cidadãos em casa; se repararam bem, praticamente não passaram da tola agenda doméstica, não passaram de confirmar à evidência que são bons a escrever livros de culinária e a aparecer nas revistas cor de rosa e nas redes sociais tipo Instagram a mostrar a sua vida "interessante"!
COMPETÊNCIA JORNALÍSTICA ?
Seria se tivessem por exemplo perguntado aos candidatos,
- o que pensam da CPLP,
- como explicam que a promoção da real igualdade entre os portugueses é coisa que não existe (alínea d9 Art. 9º CRP),
- como explicam que não se tenha cumprido grande parte da alínea e) do mesmo Art. - …. assegurar um correcto ordenamento do território
- ou a alínea h) - promover a igualdade entre homens e mulheres,
- como explicam que na realidade seja uma falácia o que expressa a CRP - a lei assegura . . . . a divulgação da titularidade e dos meios de financiamento dos órgãos de comunicação social,
- ou - a não concentração da titularidade dos meios de comunicação social
- ou - garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde.
Como teriam mostrado competência se tivessem perguntado o que pensavam sobre esta pouca vergonha dos sucessivos recursos na justiça, ou sobre os offshores, ou sobre a governamentalização das nomeações das chefias militares, ou sobre a escassez de meios de vigilância nos Açores e na Madeira e respectivas ZEE, ou sobre a pouca vergonha da Assembleia da República continuar a não decidir nada sobre as nomeações para os cargos vagos no Tribunal Constitucional e outras instituições.
É como estamos, infelizmente.
Aguardemos.
António Cabral (AC)
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