terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A  EUROPA 
Como é sabido a Europa foi o que foi e já deixou de ser.

A Europa de conflitos sem fim, a Europa dos impérios, a Europa que colonizou partes da Ásia, que colonizou África, que colonizou o Extremo e Médio Oriente, que colonizou as Américas, que colonizou a Oceania.
A Europa devastada por duas guerra brutais que ficaram registadas como "as grandes guerras", a Europa que resolveu tomar juízo depois de 1945.

A Europa que vai do cabo da Roca aos Urais, ainda que haja quem ache que a Rússia não é da Europa.

A Europa que um dia Victor Hugo terá imaginado "uns Estados Unidos da Europa".

A Europa que, depois de 1945, entre outros mas designadamente Jean Monet, Konrad Adenauer, Churchill, Alcide de Gasperi e Robert Schumann, se empenharam em persuadir os seus concidadãos a pensarem numa nova era. Até porque havia interesses comuns.

Em 1948, em Haia, de 7 a 11 de Maio, mais de mil delegados de uma vintena de país Europeus debateram novas formas de cooperação na Europa. De certa forma houve um entendimento a favor da criação de uma "Assembleia Europeia".

Em 27 e 28 de Janeiro de 1949 num congresso em Haia foi criado o Conselho da Europa.
Neste mesmo ano começou a ser redigida a Convenção Europeia dos Direitos do homem, que veio a ser assinada em 1950 e posta em vigor em 1953.

A 9 de Maio de 1950, Schumann inspirando-se em Monet propôs a criação de uma Comunidade do Carvão e do Aço (CECA), sendo o Tratado assinado em 18 de Abril de 1951 pela Bélgica, França, República Federal da Alemanha, Itália, Luxemburgo e Holanda. Iniciou-se o tempo de cooperação pacífica.
Em 1958 entraram em vigor os Tratados que instituíram a CEE e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (EURATOM).

Em 1962 entrou em vigor a PAC (política agrícola comum). Mais países foram aderindo à CEE.
Em 1974, a 9 e 10 de Dezembro, decidido reunir três vezes por ano  o Conselho Europeu, dar luz verde a eleições directas para o Parlamento Europeu, e criar o FEDER (Fundo Europeu de desenvolvimento Regional).
O SME (Sistema Monetário Europeu) começou a funcionar em 13 de Março de 1979. Decidida depois a realização plena do mercado interno até 1993.

A 9 de Novembro de 1989 deu-se a queda do Muro de Berlim e a 3 de Outubro de 1990 a reunificação da Alemanha. 

A 9 e 10 de Dezembro de 1991 em Maastricht, a CEE passou a designar-se UE (União Europeia) sendo o Tratado da UE assinado a 7 de Fevereiro de 1992.
Neste tratado estabeleceram-se as bases para, uma política externa e de segurança comum, cooperação mais estreita nos domínios da justiça e assuntos internos, e a meta da moeda única. Em 1993 criado definitivamente o mercado interno.

Seguiram-se mais tratados, mais reuniões do Conselho Europeu, mais burocracia e começou a ser (para mim, opinião pessoal naturalmente) evidente a criação de um monstro defensor de alguns interesses particulares dos países mais poderosos, tudo sempre envolvido pela demagogia e por discursos e políticas bonitos no papel. 

Em 1999 é pomposamente designado o pantomineiro Javier Solana como alto representante  para a Política Externa e de Segurança Comum (PESC). Cimentava-se um "Flop".

Os anos seguintes mostraram a falácia de quase tudo isso.
Quer neste âmbito, quer no âmbito económico, financeiro e industrial, a Europa/ UE mostrou nos anos seguintes, rigidez de métodos, hiper regulação, falhanços na revolução tecnológica, falhanços na energia, falhanços na competitividade, falhanços no mercado interno, falhanços na banca, etc. 

Naturalmente que é opinião pessoal e naturalmente discutível, mas depois de Santer como presidente da Comissão Europeia tudo se agravou no sentido da UE ser uma coisa enorme cheia de potencial mas com pés de barro a crescerem.

No presente, em que nos debatemos com as enormidades do execrável Trump, com as dificuldades inerentes à guerra na Ucrânia que, salvo melhor opinião muito vai contribuir para o colapso da UE, em que a situação dos EUA e sobretudo a loucura de Trump são de grande complexidade, em que a China caladinha vai avançando e a Rússia não se sabe bem o que vai fazendo, não chegando tudo isto e muito mais temos a telenovela da Gronelândia.

E quando olho para isto da Gronelândia e para o envio de uns "taratas" franceses e alemães e mais as intenções por outros manifestadas a que se soma as tiradas patéticas de Rutte, não consigo deixar de me rir de António Costa, Macron, Ursula e quejandos.

Mas além de me rir não posso deixar de recordar alguns detalhes do passado não muito longínquo:

1º - Os Estados membros da UE pretendiam estabelecer uma Política Europeia de Segurança e Defesa em conformidade com os tratados.

2º - Em Dezembro de 1999, o Conselho Europeu que teve lugar em Helsínquia fixou um objectivo específico: até 2003, repito 2003, estar em condições  de posicionar num teatro de operações, num prazo de 60 dias, uma força militar de 60 000,00 efectivos com apoio naval e aéreo, e de manter essa força  no terreno durante um ano.

3º - Essa força seria coordenada por um Comité Político e de Segurança, um Comité militar da UE, e um Estado-Maior permanente da UE, colocados sob autoridade do Conselho e sediados em Bruxelas.

4º - Presumia a UE nessa altura que os EUA aceitariam que em acções militares nas quais não quereriam intervir, a Europa pudesse utilizar certos meios da NATO, como por exemplo capacidades de informação, comunicação, comando e transportes.

Pois meus estimados amigos e estimados visitantes e leitores, estes quatro pontos supra não são por mim inventados. Constavam de documentos oficiais da UE, e foram bem explicados em documentação de propaganda da UE.

Agora, como dizia a mole criatura, é fazer as contas. 
Façam as contas à realidade, á poderosa realidade de política de defesa e de segurança da UE.
O Trump é um parvalhão, mas acredito que tudo isto o deve fazer rir.
A mim faz-me rir e chorar ao mesmo tempo.
António Cabral (AC)

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