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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Disse ele: 

Eu sei que as pessoas estão fartas da política. Eu oiço-vos.

(Aqui fez-me lembrar aquela nossa canção na Eurovisão "oiçam". . . )

E quero ser honesto convosco: não temos sido bons o suficiente e precisamos de ser melhores. (Andy Burnham, PM UK) 

Reino Unido, Alemanha, Portugal, etc. etc., por toda a Europa andam a confessar que não têm sido bons o suficiente, que vão passar a explicar melhor as reformas necessárias, etc.

Não passamos destas vacuidades, e eu a ver estes pândegos todos a tratar das vidinhas e a deixar engordar Vox, Afd, antigos comunistas (RDA) armados em esquerdistas, etc.

Caminhamos para destino mau, estou convicto. Como sempre, admito estar a ver mal as coisas.

AC

terça-feira, 22 de setembro de 2026

RECORDAÇÕES

25 Fevereiro 1948 - golpe de Estado de Praga

17 Março 1948 - Pacto de Bruxelas

4 Abril 1949 - Tratado do Atlântico Norte/ NATO

25 Março 1957 - Assinatura do Tratado de Roma

14 Março 1960 - Em NY, encontro entre David Ben Gurion e Konrad Adenauer

António Cabral (AC)

sábado, 5 de setembro de 2026

B É L G I C A 

Desde há semanas que Bruxelas "convive" com tiroteios e batalhas entre grupos nomeadamente (dizem) ligados ao tráfico de droga. Eu interrogo-me? Só droga? SÓ ?

O Governo Belga vem distribuindo centenas de polícias e militares por toda a Bruxelas para tentar dominar a situação.
 E já não escapam esquadras de polícia a serem alvejadas.

Gangues, tiroteios, balas perdidas etc.
Salvo melhor opinião aí tem Bruxelas o resultado crescente do que crescentemente deixou instalar em Bruxelas e noutros partes do país.

Bruxelas poderá ser tida como o grande centro da Europa Ocidental. Por mim é bem representativa do estado a que deixaram chegar as sociedades europeias.

Depois ficam escandalizadas e (fingidamente) espantados com o crescimento dos execráveis Chega, Afd alemão etc. 

AC

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

TURQUIA
Um dos derrotados da I GG - 14 -18 foi o então império Otomano.

No dia 24 de Julho de 1923 a Turquia reconheceu formal e publicamente o fim do império Otomano, assinando o Tratado de Paz de Lausana.

É dessa época o célebre Mustafa Kemal Atatürk, tido como o pai fundador da Turquia contemporânea.
Foi seu presidente durante vários anos até à sua morte.

Ataturk imprimiu uma acção fortíssima e empreendeu reformas profundas na sociedade turca. 
Reformas políticas, económicas e culturais. 
Modernizou o país, laicizou a Turquia.
Libertou a mulher turca. 

Um dia Recep Tayyip Erdogan ascendeu a presidente de câmara municipal/ prefeito de Istambul. Aí foi ganhando preponderância política.

Até que um dia concorreu a Presidente da Turquia e como tudo vinha sendo bem preparado ganhou.

Passados uns tempos fez uma limpeza / razia nas chefias militares e em outros sectores da sociedade Turca. 
Eliminou antagonistas.

Daí para cá muito do que Ataturk tinha construído foi lentamente destruído por Erdogan. A Turquia tornou-se um Estado Islâmico. 
Hoje em dia as feministas da treta como as da Tugolândia nada dizem sobre o retrocesso imprimido por Erdogan.

A Turquia de Erdogan vem há vários anos fazendo pressão sobre a UE, de diferentes maneiras, e sobretudo com pressão migratória. Por exemplo, a Alemanha que o diga.

Admito, como sempre, poder estar enganado mas, a prazo, dali não auguro nada de bom. 
Se a UE vier a dar um dia a adesão à Turquia adeus Europa Ocidental de génese cristã.

AC

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A propósito de mais um ataque terrorista islamita (palavras do ministro alemão) praticado por cidadão alemão de origem /ascendência libanesa, lembrei-me por exemplo disto.

AC

terça-feira, 7 de julho de 2026

O  MUNDO  OCIDENTAL
Penitencia-se, pede desculpa, chicotadas nas costas . . . .

Já aqui falei da EURÁSIA.
É só olhar para o mapa.
O Zbigniew Brzezinski e outros falaram insistentemente nisso.

No mundo Ocidental, designadamente EUA, Reino Unido, França, Bélgica, Holanda, Polónia, actuam na política externa e nas relações internacionais sempre com a mentalidade dos anos 30 do século passado.

Ciente que quase nada percebo de quase tudo, reparo que no "festival" perdão, no funeral do Khamenei em Teerão estiveram representantes (claro) da Rússia e China e Índia.

E evidentemente que a Turquia também se fez representar tal como muitos outros da EURÁSIA. Só por acaso e cortesia!

EURÁSIA, EURÁSIA, EURÁSIA, nada importante!

AC

quarta-feira, 1 de julho de 2026

E  pela  EUROPA . . . . .

Seis pessoas morreram num tiroteio na cidade de Stade, no norte da Alemanha. Foram detidas três, incluindo o suspeito autor dos disparos, dizem a Reuters a Deutsche Welle e a ARD.
A motivação para o ataque a tiro foi um “problema de custódia” de uma bebé.
O suspeito tem 45 anos, natural de Hanôver, com ascendência turca, segundo as autoridades, citadas pela televisão pública alemã ARD. Acredita-se que o motivo do tiroteio seja uma disputa pela custódia da filha de três meses, pois o suspeito esteve presente numa audiência marcada no centro em relação à guarda da menor, onde algumas das vítimas mortais também estiveram
. . . . 

Bom dia.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

quarta-feira, 24 de junho de 2026

RECORDANDO

"VER OU NÃO VER"

Os movimentos preliminares da III Guerra Mundial estão em curso: para o Ocidente ver – ou não ver.

Com as nossas preocupações domésticas, não nos sobra o tempo para pensar em coisas muito mais séries como o expansionismo da Rússia.

Vem na Wikipédia, mas convém repetir, que a Rússia é uma federação de 22 repúblicas, 46 regiões autónomas (como a da Madeira) e nove territórios. Pior ainda, tem 160 etnias diferentes, 100 línguas diferentes, quatro grandes religiões diferentes (a ortodoxa, a islamita, a judaica e a budista) e uma enorme variedade de seitas, que constantemente varia e se multiplica.

Tudo isto para uma população relativamente pequena de 140 milhões de habitantes. Qualquer pessoa de senso compreenderá que, segundo um velho hábito do século XVIII, chamamos Rússia a um Império que só pode ser governado autocraticamente e onde a democracia está para sempre condenada.

O autocrata de hoje já não é o czar Nicolau II, nem Lenine, nem Estaline, nem Khruschev, nem Brejnev. É um antigo membro da polícia secreta e, por consequência, um dissimulador, um mentiroso, um torcionário e um assassino, que dá pelo nome de Putin e que preside a uma cleptocracia, largamente caótica, a que só a violência e o seu arbítrio garantem uma vaga coesão e uma aparência de Estado.

Além disso, na falta de uma legitimidade dinástica como a dos Romanov, ou ideológica como a URSS, Putin precisa, para se ir aguentando, de invocar a legitimidade imperial, principalmente depois da maior derrota que o Império sofreu desde 1613. O que não seria importante, se depois da implosão do comunismo, a Rússia não permanecesse a segunda potência militar do mundo.

E se a Europa não se tivesse desarmado, como desarmou, para pagar o Estado social. A Inglaterra, por exemplo, gasta em defesa menos do que 2 por cento do PIB, no momento em que Putin (de resto, provocado pela França e pela Alemanha) embarcou numa política claramente agressiva e revanchista. 

A Crimeia foi o primeiro objectivo, como já o fora para Catarina, porque o Império fica fechado ao exterior sem um porto de água quente; e o segundo foi parte da bacia do Donetsk, porque a Crimeia não serve de nada sem uma ligação fácil e segura ao coração do Império.

Estaline e Hitler perceberam este ponto essencial. 
Putin também; e não há a sombra de uma dúvida de que não recuará. Como, tarde ou cedo, vai acabar por querer que as repúblicas bálticas voltem ao seu domínio e que a Ásia Central aceite obedientemente a sua ordem. 
Os movimentos preliminares da III Guerra Mundial estão em curso: para o Ocidente ver – ou não ver.
(Vasco Pulido Valente,  2015)

António Cabral (AC)

segunda-feira, 22 de junho de 2026

EUROPA, UNIÃO EUROPEIA, COMISSÃO UE
E temos isto e mais o outro.
Não estamos bem, e temo que estamos a ir de mal a pior.
Ou estou a ser injusto? 
AC

segunda-feira, 15 de junho de 2026

BEM   LEMBRADO

Como bem lembrado por uma pessoa que muito respeito, Timothy Garton Ash entende que o continente europeu está sob ataque militar da Rússia, económico da China e político dos Estados Unidos.

Concordo com Timothy Garton Ash.

Mas, respeitosamente, Timothy esqueceu-se de referir outra importante decisiva e lamentável coisa: que a Europa está há décadas e décadas sob constante ataque por parte de  imbecis e incompetentes que têm estado à frente dos governos e parlamentos europeus. 

Não é possível dizer que essas criaturas têm governado!
Muitos só se têm servido dos cargos que ocuparam.

AC

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

MUITOS ESTÃO BEM PRECISADOS
CÁ DENTRO E LÁ FORA. 
NA EUROPA E NOS SOBRETUDO NOS EUA E CANADÁ

Muitos estão precisados que lhes expliquem que o Oceano Atlântico não é a fronteira entre a Europa e as Américas.
É um mar interior, mar interior de uma comunidade de nações, aliadas, aliadas umas às outras através da, geografia, da história e da necessidade vital de todos.

Alguém que lhes (aos desmemoriados e desatentos) explique.

António Cabral (AC)

domingo, 22 de fevereiro de 2026

RECORDANDO

VER  OU  NÃO  VER

Os movimentos preliminares da III Guerra Mundial estão em curso: para o Ocidente ver – ou não ver.

Com as nossas preocupações domésticas, não nos sobra o tempo para pensar em coisas muito mais sérias como o expansionismo da Rússia.

Vem na Wikipédia, mas convém repetir, que a Rússia é uma federação de 22 repúblicas, 46 regiões autónomas (como a da Madeira) e nove territórios. Pior ainda, tem 160 etnias diferentes, 100 línguas diferentes, quatro grandes religiões diferentes (a ortodoxa, a islamita, a judaica e a budista) e uma enorme variedade de seitas, que constantemente varia e se multiplica.

Tudo isto para uma população relativamente pequena de 140 milhões de habitantes. Qualquer pessoa de senso compreenderá que, segundo um velho hábito do século XVIII, chamamos Rússia a um Império que só pode ser governado autocraticamente e onde a democracia está para sempre condenada.

O autocrata de hoje já não é o czar Nicolau II, nem Lenine, nem Estaline, nem Khruschev, nem Brejnev. É um antigo membro da polícia secreta e, por consequência, um dissimulador, um mentiroso, um torcionário e um assassino, que dá pelo nome de Putin e que preside a uma cleptocracia, largamente caótica, a que só a violência e o seu arbítrio garantem uma vaga coesão e uma aparência de Estado.

Além disso, na falta de uma legitimidade dinástica como a dos Romanov, ou ideológica como a URSS, Putin precisa, para se ir aguentando, de invocar a legitimidade imperial, principalmente depois da maior derrota que o Império sofreu desde 1613. O que não seria importante, se depois da implosão do comunismo, a Rússia não permanecesse a segunda potência militar do mundo.

E se a Europa não se tivesse desarmado, como desarmou, para pagar o Estado social. A Inglaterra, por exemplo, gasta em defesa menos do que 2 por cento do PIB, no momento em que Putin (de resto, provocado pela França e pela Alemanha) embarcou numa política claramente agressiva e revanchista. A Crimeia foi o primeiro objectivo, como já o fora para Catarina, porque o Império fica fechado ao exterior sem um porto de água quente; e o segundo foi parte da bacia do Donetsk, porque a Crimeia não serve de nada sem uma ligação fácil e segura ao coração do Império.

Estaline e Hitler perceberam este ponto essencial. Putin também; e não há a sombra de uma dúvida de que não recuará. Como, tarde ou cedo, vai acabar por querer que as repúblicas bálticas voltem ao seu domínio e que a Ásia Central aceite obedientemente a sua ordem. Os movimentos preliminares da III Guerra Mundial estão em curso: para o Ocidente ver – ou não ver."”

(Vasco Pulido Valente em 2015)

Daqui a dois dias completam-se quatro anos de guerra, quatro anos sobre a invasão da Ucrânia.
Continuação de bom Domingo
Saúde e boa sorte

AC

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Reproduzo um texto antigo, de 19MAR2025, de um Capitão de Abril, o infelizmente já falecido Coronel de Matos Gomes.
António Cabral (AC)

No final, reproduzo a capa do livro que tenho e é referido neste excelente (opinião pessoal naturalmente) artigo de opinião.

Na realidade parece-me que a estratégia americana está diferente, embora me pareça que os EUA continuam a jogar na Europa entre o desprezo o insulto e a olhar mais para a Polónia do que para a  Alemanha. 
E sobre a Ucrânia, ainda que o jogo pareça com matizes
diferentes, lá no fundo creio que permanece o mesmo objectivo então delineado por Brzezinski.

AC

Cegueira Deliberada

Está a decorrer uma alteração radical da estratégia americana para a redefinição dos centros de poder mundial que estava em vigor desde os anos 80 do século passado. Esta estratégia foi gizada por Zbigniew Brzezinski, conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos durante a presidência de Jimmy Carter, entre 1977 e 1981 e que ele publicou numa uma obra hoje clássica: «Grand Chessboard — American Primacy and Its Geostrategic Imperatives», que marcou a estratégia americana até à administração Biden.

Esta estratégia assentava no conceito de hegemonia americana, no cerco ofensivo contra a URSS, o inimigo principal e na importância decisiva do que ele designou «Eurásia» e que corresponde grosso modo à Ucrânia. Para o desenvolvimento dessa estratégia os EUA necessitavam da Europa como base de retaguarda ou de ataque.

A nova administração Trump abandonou esta conceção do mundo típica da Guerra Fria, e passou a definir a sua estratégia de acordo com as novas realidades fruto da emergência de novos poderes e da decadência de outras, da globalização das tecnologias de ponta e do seu desenvolvimento exponencial e da disputa pelas zonas das matérias primais de alto valor. Neste redesenho, que está a ocorrer, a Ucrânia é uma peça do xadrez que perdeu o valor que lhe tinha vindo a ser atribuído, tal como a Europa.

Perante as transformações, os dirigentes europeus e os seus produtores e distribuidores de opinião encontraram-se (e encontram-se) na situação dos cães abandonados pelos caçadores após o final da época de caça e que vagueiam perdidos, reunindo-se em alcateias que procuram sobreviver. Continuam no passado. A esta atitude de recusa de “ler” uma situação nova foi dado o nome de teoria da cegueira deliberada, importada do direito anglo-saxónico da Common Law, da Inglaterra e dos Estados Unidos da América. A teoria serve como fundamento para explicar a atitude dos que se colocam em situação de ignorância com a finalidade de obter uma vantagem ou para a manter.

A utilização da teoria da cegueira deliberada para analisar as atitudes, decisões e até comportamentos erráticos por parte de políticos e de produtores de opinião coloca a velha questão do conflito entre a ética e a ciência. Os produtores europeus de opinião — titulados nos rodapés dos ecrãs das TV de especialistas em ciência política, estratégia, relações internacionais, defesa, refletem o atarantamento dos políticos, que abdicaram da ética na sua ação política e recusam a analisar a realidade segundo princípios de rigor científico.

O rigor científico conduz ao respeito pelas causas do conflito, as longínquas, com origem nos objetivos estratégicos dos Estados Unidos dos anos 80 de utilizar a Ucrânia como base de ataque e como ameaça à Rússia, recuperando o seu papel histórico de corredor ou eixo para atingir Moscovo, de, através da Ucrânia, provocar a intervenção da Rússia numa guerra com o objetivo de a “sangrar”. Como causa próxima os Estados Unidos utilizaram grupos nacionalistas/nazis contra as populações russófobas do Donbass e o clássico processo de desestabilização política que culminou com os incidentes da Praça Maidan (2014) e a substituição do presidente Yanukovich, que por sua vez motivou a ocupação da Crimeia pela Rússia. A história e os processos são conhecidos.

Desde os anos 80 à administração Biden, durante quarenta anos, os dirigentes europeus adotaram a estratégia dos Estados Unidos e serviram de seus agentes auxiliares. Os seus produtores de opinião adaptaram a narrativa da guerra fria do perigo russo, da invasão russa e de a Europa ser uma pedra essencial ao objetivo dos Estados Unidos de vencerem a Rússia colocando-lhe bases de misseis na sua fronteira.

A estratégia de Trump derrubou as pedras que durante quarenta anos americanos e europeus haviam colocado no seu tabuleiro de jogo de poder. Para Trump o primeiro objetivo estratégico é fortalecer a economia americana, ganhar músculo, re-industrializar, competir pelas tecnologias de ponta e ganhar essa competição à China. A Europa é, nas palavras de Trump, um sugador, um parasita que compra pouco aos EUA e lhes vende muito e caro e que, em termos estratégicos é completamente dependente, um custo. Na perspectiva dos estrategas de Trump, a Ucrânia é uma inutilidade como elemento de interesse militar e tem valor apenas como fonte de matérias-primas. Para a administração Trump a Europa é um perturbador da sua estratégia: alguns dos seus dirigentes mais excitados pretendem ter um papel e podem tomar decisões que os EUA não controlam. São os/as irresponsáveis que podem atirar uma pedra e partir uma vidraça.

Para a Rússia o valor da Ucrânia aumenta dia a dia e tanto mais quanto a Rússia não se mexer e deixar as despesas de resolução aos EUA. Nem aos aos EUA nem à Rússia interessa uma Ucrânia armada, soberana, de território inviolável, membro de duas organizações desconsideradas pela Rússia e pelos EUA, a U E e a NATO, porque para ambos nenhum regime ucraniano merece confiança e é fiável.

O regime pós Zelenski será uma união da fações corruptas que conduziram a Ucrânia à guerra, e será um sorvedouro de fundos e um promotor de conflitualidade que é sempre má para os negócios. Resta o rearmamento da Europa à voz de vêm ai os russos que enfraquecerá a Europa, porque nem os russos estão interessados em atacar este “asilo”, nem a Europa mesmo com armamentos e fardamentos novos chegará a Moscovo e ultrapassará o campo de minas da Ucrânia. O rearmamento da Europa, ao enfraquecê-la no que ela tem de específico, o estado social, é vantajoso tanto para os EUA como para a Rússia. Os dirigentes da U E andam excitadíssimos com estes tiros nos pés!

Os russos conhecem a história dos rearmamentos da Europa. Significa rearmamento da Alemanha, rearmamento da França e desenvolvimento da Armada Britânica. O rearmamento da Europa deu sempre origem a uma guerra civil europeia. A versão ano dois mil do rearmamento da Europa resultará em aumento das despesas militares, diminuição dos apoios sociais, descontentamento, enfraquecimento da já frágil identidade europeia, que deixará de ser um anão militar para passar a ser um anão económico e social.

A saída clássica do dilema entre a resposta à conflitualidade social e a utilização da força armada onde os europeus foram, ou vão ser obrigados a injetar 800 mil milhões é: vamos para a guerra! Foi assim na Grande Guerra e na II Guerra. Resta saber se essa guerra será entre a Alemanha e a França, porque estas duas potências são mais para se guerrear do que para se aliar.

Numa pequena nota: Em tempo de conflito, a Europa, mesmo em economia de guerra, não tem possibilidade de repor em tempo útil as perdas do seu potencial de combate numa guerra de atrito com a Rússia. A dificuldade de substituição de stocks é uma das lições da guerra da Ucrânia.

Penso ter sido Karl Popper que os dirigentes políticos e os seus pregadores tratam os cidadãos como “Baldes mentais”. Isto para não dizer outra coisa. Não acredito na cegueira deliberada dos funcionários superiores de Bruxelas, os da UE e os da NATO.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O  INARRÁVEL  MARK  RUTTE
A opinião de outrem deve ser SEMPRE respeitada, ouvida/ lida, depois, concorda-se ou discorda-se, argumenta-se, rebate-se, ou segue-se em frente pura e simplesmente. 
Muitas opiniões nem merecerão contra-argumento. Basta silêncio. Deve respeitar-se, regista-se.

O inarrável actual secretário-geral da NATO terá afirmado que a Europa deve ou pode continuar a sonhar. Sonhar com quê?

Não precisar dos EUA para nada no que respeita a defesa e segurança.
Pelo que se lê por aí a criatura está a ser sovada com críticas.
mas antes de prosseguir quero deixar claro que este político sempre me pareceu um imbecil.

Isto dito, voltando ao tema, a criatura entende portanto que os países como França, Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, Noruega, Suécia, Holanda, etc. devem “continuar a sonhar” se acreditarem que podem garantir a sua própria segurança sem o apoio dos Estados Unidos.

Se percebi bem a criatura disse isto no Parlamento Europeu. Blasfémia! 
Presumo que um dos mais irados e ofendidos tenha sido António Costa, respaldado com o que fez pela defesa em Portugal nos seus fantástico 8 anos e semanas de governação como (formalmente) Primeiro-ministro.

Uma das coisas que mais há no nosso enlouquecido mundo é instabilidade geopolítica, para a qual muito têm contribuído vários a começar em Trump e Putin. Parece-me inquestionável.

Mas quanto à afirmação de Rutte que, como acima expliquei me repugna como político e de há muito, a realidade nua e crua é que na Europa existe alguma coisa nuclear em França, existem uns mísseis de fabrico e origem americana que, provavelmente, estão pouco operacionais pois precisariam de manutenção especializada há muito.

Claro que nos principais países da chamada Europa Ocidental existem brinquedos aéreos e navais e terrestres evoluídos.
Mas sem ser algumas capacidades NATO que o  mesmo é dizer americanas, como é que independentemente da NATO/ EUA na Europa Ocidental se arranja capacidade logística que seja 25% da americana?
Como é que arranjam sistema de geo-localização?
Enfim, vou parar por aqui.
Basta reler o manancial de documentação CEE/ UE "parida" ao longo dos anos sobre defesa e segurança comuns para nos agarrarmos à barriga a rir.

O que Rutte afirmou é basicamente a realidade, triste, mas aquela que a Europa há décadas decidiu ter.
Tal como uma floresta, é num instante que se faz desaparecer uma, por incêndios ou desbastando-a.
Plantar nova floresta não é muito difícil, mas leva tempo a plantar, e sobretudo muitos anos até que seja mesmo floresta.

O exemplo recente do que se está a passar na telenovela da Gronelândia é o aparente acordo sobre segurança no Ártico mediado pelo próprio secretário-geral da NATO é disso u  bom exemplo. A colocação de uns soldadinhos.

Recordo o que escrevi noutro texto.
. . . . 
Mas além de me rir não posso deixar de recordar alguns detalhes do passado não muito longínquo:

1º - Os Estados membros da UE pretendiam estabelecer uma Política Europeia de Segurança e Defesa em conformidade com os tratados.

2º - Em Dezembro de 1999, o Conselho Europeu que teve lugar em Helsínquia fixou um objectivo específico: até 2003, repito 2003, estar em condições  de posicionar num teatro de operações, num prazo de 60 dias, uma força militar de 60 000,00 efectivos com apoio naval e aéreo, e de manter essa força  no terreno durante um ano.

3º - Essa força seria coordenada por um Comité Político e de Segurança, um Comité militar da UE, e um Estado-Maior permanente da UE, colocados sob autoridade do Conselho e sediados em Bruxelas.

4º - Presumia a UE nessa altura que os EUA aceitariam que em acções militares nas quais não quereriam intervir, a Europa pudesse utilizar certos meios da NATO, como por exemplo capacidades de informação, comunicação, comando e transportes.

Pois meus estimados amigos e estimados visitantes e leitores, estes quatro pontos supra não são por mim inventados. Constavam de documentos oficiais da UE, e foram bem explicados em documentação de propaganda da UE.

Agora, como dizia a mole criatura, é fazer as contas. 
Façam as contas à realidade, á poderosa realidade de política de defesa e de segurança da UE.
O Trump é um parvalhão, mas acredito que tudo isto o deve fazer rir.
A mim faz-me rir e chorar ao mesmo tempo.
António Cabral (AC)

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A  EUROPA 
Como é sabido a Europa foi o que foi e já deixou de ser.

A Europa de conflitos sem fim, a Europa dos impérios, a Europa que colonizou partes da Ásia, que colonizou África, que colonizou o Extremo e Médio Oriente, que colonizou as Américas, que colonizou a Oceania.
A Europa devastada por duas guerra brutais que ficaram registadas como "as grandes guerras", a Europa que resolveu tomar juízo depois de 1945.

A Europa que vai do cabo da Roca aos Urais, ainda que haja quem ache que a Rússia não é da Europa.

A Europa que um dia Victor Hugo terá imaginado "uns Estados Unidos da Europa".

A Europa que, depois de 1945, entre outros mas designadamente Jean Monet, Konrad Adenauer, Churchill, Alcide de Gasperi e Robert Schumann, se empenharam em persuadir os seus concidadãos a pensarem numa nova era. Até porque havia interesses comuns.

Em 1948, em Haia, de 7 a 11 de Maio, mais de mil delegados de uma vintena de país Europeus debateram novas formas de cooperação na Europa. De certa forma houve um entendimento a favor da criação de uma "Assembleia Europeia".

Em 27 e 28 de Janeiro de 1949 num congresso em Haia foi criado o Conselho da Europa.
Neste mesmo ano começou a ser redigida a Convenção Europeia dos Direitos do homem, que veio a ser assinada em 1950 e posta em vigor em 1953.

A 9 de Maio de 1950, Schumann inspirando-se em Monet propôs a criação de uma Comunidade do Carvão e do Aço (CECA), sendo o Tratado assinado em 18 de Abril de 1951 pela Bélgica, França, República Federal da Alemanha, Itália, Luxemburgo e Holanda. Iniciou-se o tempo de cooperação pacífica.
Em 1958 entraram em vigor os Tratados que instituíram a CEE e a Comunidade Europeia da Energia Atómica (EURATOM).

Em 1962 entrou em vigor a PAC (política agrícola comum). Mais países foram aderindo à CEE.
Em 1974, a 9 e 10 de Dezembro, decidido reunir três vezes por ano  o Conselho Europeu, dar luz verde a eleições directas para o Parlamento Europeu, e criar o FEDER (Fundo Europeu de desenvolvimento Regional).
O SME (Sistema Monetário Europeu) começou a funcionar em 13 de Março de 1979. Decidida depois a realização plena do mercado interno até 1993.

A 9 de Novembro de 1989 deu-se a queda do Muro de Berlim e a 3 de Outubro de 1990 a reunificação da Alemanha. 

A 9 e 10 de Dezembro de 1991 em Maastricht, a CEE passou a designar-se UE (União Europeia) sendo o Tratado da UE assinado a 7 de Fevereiro de 1992.
Neste tratado estabeleceram-se as bases para, uma política externa e de segurança comum, cooperação mais estreita nos domínios da justiça e assuntos internos, e a meta da moeda única. Em 1993 criado definitivamente o mercado interno.

Seguiram-se mais tratados, mais reuniões do Conselho Europeu, mais burocracia e começou a ser (para mim, opinião pessoal naturalmente) evidente a criação de um monstro defensor de alguns interesses particulares dos países mais poderosos, tudo sempre envolvido pela demagogia e por discursos e políticas bonitos no papel. 

Em 1999 é pomposamente designado o pantomineiro Javier Solana como alto representante  para a Política Externa e de Segurança Comum (PESC). Cimentava-se um "Flop".

Os anos seguintes mostraram a falácia de quase tudo isso.
Quer neste âmbito, quer no âmbito económico, financeiro e industrial, a Europa/ UE mostrou nos anos seguintes, rigidez de métodos, hiper regulação, falhanços na revolução tecnológica, falhanços na energia, falhanços na competitividade, falhanços no mercado interno, falhanços na banca, etc. 

Naturalmente que é opinião pessoal e naturalmente discutível, mas depois de Santer como presidente da Comissão Europeia tudo se agravou no sentido da UE ser uma coisa enorme cheia de potencial mas com pés de barro a crescerem.

No presente, em que nos debatemos com as enormidades do execrável Trump, com as dificuldades inerentes à guerra na Ucrânia que, salvo melhor opinião muito vai contribuir para o colapso da UE, em que a situação dos EUA e sobretudo a loucura de Trump são de grande complexidade, em que a China caladinha vai avançando e a Rússia não se sabe bem o que vai fazendo, não chegando tudo isto e muito mais temos a telenovela da Gronelândia.

E quando olho para isto da Gronelândia e para o envio de uns "taratas" franceses e alemães e mais as intenções por outros manifestadas a que se soma as tiradas patéticas de Rutte, não consigo deixar de me rir de António Costa, Macron, Ursula e quejandos.

Mas além de me rir não posso deixar de recordar alguns detalhes do passado não muito longínquo:

1º - Os Estados membros da UE pretendiam estabelecer uma Política Europeia de Segurança e Defesa em conformidade com os tratados.

2º - Em Dezembro de 1999, o Conselho Europeu que teve lugar em Helsínquia fixou um objectivo específico: até 2003, repito 2003, estar em condições  de posicionar num teatro de operações, num prazo de 60 dias, uma força militar de 60 000,00 efectivos com apoio naval e aéreo, e de manter essa força  no terreno durante um ano.

3º - Essa força seria coordenada por um Comité Político e de Segurança, um Comité militar da UE, e um Estado-Maior permanente da UE, colocados sob autoridade do Conselho e sediados em Bruxelas.

4º - Presumia a UE nessa altura que os EUA aceitariam que em acções militares nas quais não quereriam intervir, a Europa pudesse utilizar certos meios da NATO, como por exemplo capacidades de informação, comunicação, comando e transportes.

Pois meus estimados amigos e estimados visitantes e leitores, estes quatro pontos supra não são por mim inventados. Constavam de documentos oficiais da UE, e foram bem explicados em documentação de propaganda da UE.

Agora, como dizia a mole criatura, é fazer as contas. 
Façam as contas à realidade, á poderosa realidade de política de defesa e de segurança da UE.
O Trump é um parvalhão, mas acredito que tudo isto o deve fazer rir.
A mim faz-me rir e chorar ao mesmo tempo.
António Cabral (AC)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

40  ANOS  de  EUROPA
Intervenção do Presidente da República na Sessão Comemorativa dos 40 anos da Adesão de Portugal e Espanha às Comunidades Europeias

Senhora Presidente do Parlamento Europeu, Ilustre amiga,
Bem-haja por este honroso convite pelos quarenta anos da adesão de Portugal e da Espanha às Comunidades Europeias.

Majestade Rei das Espanhas, Felipe VI, ilustre e muito querido amigo,
Senhor Presidente do Conselho Europeu, ilustre e velho amigo,
Senhoras Deputadas, Senhores Deputados,

Excelências,
En primer lugar, quería transmitir a Su Majestad el Rey Felipe y al pueblo de España mi solidaridad tras la tragedia del pasado domingo, que se cobró tantas vidas inocentes.

O Reino de Portugal nasceu em 1143, vai para nove séculos, e viu a independência reconhecida, em 1179.
Nasceu na Europa e nasceu de linhagens europeias.
Nasceu na Europa, na Costa banhada pelo Oceano Atlântico.
O nosso primeiro Rei tinha por Mãe uma filha do Rei de Leão, um dos Reinos que, séculos mais tarde, formaria o Reino de Espanha.
Tinha por Pai um irmão do Duque de Borgonha, um ducado que, séculos mais tarde, ajudaria a formar o Reino de França.

Mas nasceu também de linhagens vindas de outras Europas, do Norte, do Sul, do Oeste e do Leste. E de África e das Ásias. Mais tarde das Américas e das Oceanias. Num caldo de etnias, culturas e religiões.
Somos europeus desde as raízes.
E essas raízes mesclaram-se, logo à partida, com as de outros continentes, de outros universos.
Por isso não há portugueses puros, há portugueses diversos, na sua riqueza cultural.
Somos europeus, na língua, na cultura, na História, e, porque europeus, universais.

A nossa vida foi, do século XV aos séculos XIX e XX, uma saga constante na Europa Continental e fora dela – porque desde o século XV atravessámos oceanos e tocámos ilhas e continentes.
Uma saga em que deixámos uma diáspora por todo o mundo.
E fomos, muitas vezes, mais felizes a navegar pelo mundo do que nas guerras europeias.
Com os vizinhos, que eram nossos parentes, conquistámos independência, guerreámos para a mantermos, perdemo-la e recuperámo-la.

Até ao século XVII foi um desassossego constante. Como o foram as guerras continentais em que nos envolvemos.
De tal modo que, no século XIX, a nossa independência teve de ser garantida, com a capital do Império no Brasil.
Éramos europeus, mas a Europa, que nos iluminava, não foi sempre portadora de boas notícias.

Excelências,
O que há de verdadeiramente diferente e notável é que a integração europeia do século XX, que culminou na adesão há quarenta anos, no mesmo dia da Espanha, com papel cimeiro de Mário Soares e Felipe Gonzalez, veio mudar a História.

Mudou a História europeia. Mudou a História nas relações com o nosso único vizinho por terra. Mudou a nossa História. Mudou para a Liberdade, mudou para a Democracia, mudou para o Estado de Direito, mudou para o Desenvolvimento, mudou para a Justiça Social.

E, depois de séculos de independência baseada nos Oceanos e do inevitável, mas tardio, fim do Império, com a formação da multicontinental e multioceânica Comunidade de Países de Língua Portuguesa, Portugal e a Europa, Portugal e a Espanha, Portugal e os Estados de sucessivos alargamentos europeus, começaram uma nova História. Que dura há quase cinquenta anos e que não teria sido possível sem a Europa, à margem da Europa, contra a Europa.

Exemplo singular desta mudança é a fraternidade entre Portugal e Espanha, a Espanha e Portugal, aqui eloquentemente testemunhada pelos dois Chefes de Estado unidos, em representação das respetivas Pátrias e dos respetivos Povos.

Excelências,
É, hoje, moda do momento, esquecer, minimizar, diminuir a Europa e o seu papel no mundo.
Não percamos um segundo a hesitar, a duvidar, a autoflagelarmo-nos. Temos mais Liberdade, Democracia e Estado de Direito do que tantos outros. Muitos de nós estão em lugar cimeiro do Desenvolvimento Humano e dos padrões de igualdade social. Temos um mercado dos maiores do mundo. Garantimos condições de vida comparativamente superiores à generalidade dos Estados. Somos um destino sonhado por tantos, de todos os continentes. Mas sabemos que tudo isto não basta e que perdemos, por vezes, tempo e que temos de fazer mais e melhor.

Precisamos de mais juventude, de mais conhecimento, de mais ciência, de mais tecnologia, de mais segurança comum, de mais crescimento, de mais justiça, de mais capacidade de mudança dos nossos sistemas políticos, económicos e sociais, precisamos de mais unidade, precisamos de mais futuro.

Precisamos.
Mas então tratemos disso. Com prioridade e com urgência. Contemos, antes do mais, connosco. Nós próprios, que temos de acreditar na Europa Livre, Igualitária e Democrática.
Reconstruamos a Europa. Sem medos. Sem inibições. Sem complexos.

Temos aliados? Temos. Para além da União Europeia, Portugal tem o Reino Unido, há quase 650 anos, e preferiríamos que estivesse ainda mais com a União Europeia do muito que já está.
Temos os Estados Unidos da América, cuja independência Portugal foi o primeiro Estado europeu, salvo a França, portanto o primeiro Estado neutral, a reconhecer, mas preferiríamos que fossemos sempre aliados a cem por cento e não com hiatos, intermitências ou estados de alma.
E, num e noutro, temos Comunidades fortes, históricas, jovens e pujantes.

Mas isso não é o essencial.
Nós, Portugueses, nós Portugal, já éramos Pátria independente há muitos séculos, ainda não existia a maioria dos Estados do Mundo, nem dos mais poderosos de hoje.
Fomos assim, somos assim. Sempre na Europa. Nos últimos 40 anos, mais na Europa e com a Europa. E, por isso, no universo e com o universo.

Reconhecidos às Comunidades Europeias. Reconhecidos à União Europeia. Tudo o que se possa dizer das Comunidades Europeias, hoje União Europeia, de crítico, de falível, de errado, de insuficiente, e há muito, é nada comparado com aquilo que lhes devemos.
Europeus sempre. Transatlânticos sempre. Universais sempre.

Avancemos, pois, recriemo-nos no que for necessário, que os aliados e os parceiros, que desejamos, virão, como sempre vieram, quando perceberem que não há senhores únicos no globo, que não há poderes eternos. E que as nossas alianças e parcerias valem mais do que a espuma, mesmo espetacular, mesmo sedutora de cada dia.

Digo-vos mais. Não há quem consiga hoje refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado e sonhar controlar o seu hemisfério, ou resolver problemas do mundo sozinho. Falhará quem o tente no século XXI, como falharam outros no século XX.
E não se invoque o biliteralismo, que, verdadeiramente, é unilateralismo, que é uma forma de enfraquecer o multilateralismo e as instituições internacionais, sem que, quem deseja exercer essa hegemonia, esse controlo, tenha condições para o fazer como sonha ou afirma.
E não há como fazê-lo ignorando a Europa, o seu papel nos valores, o seu papel na justiça social, o seu papel na economia mundial. Porque a Europa ainda é e será sempre berço da Democracia, ainda é e será sempre farol de Liberdade, ainda é e será sempre esteio de Estado de Direito, ainda é e será sempre referência de Estado Social.
Foi assim no passado. Será assim no futuro.

Por isso, nós portugueses, por isso, nós europeus nunca, mas nunca mesmo, desistiremos do nosso papel fundamental no universo.
Porque desistir do seu papel universal seria, para a Europa, desistir dos seus valores, desistir de si própria, desistir de todos os que lhe dão vida.
Por isso, nós portugueses, nunca, mas nunca mesmo, desistiremos da Europa. Porque desistir da Europa seria, para Portugal, desistir de uma parte essencial e insubstituível de Portugal.
Neste dia de 40 anos de adesão da Espanha e Portugal, de Portugal e da Espanha, à Europa, viva Portugal, viva a Espanha, viva a Europa
!

Para quem tem a gentileza de me seguir sabe que procuro ser rigoroso e isento e, quando me engano ou erro e disso me apercebo depois por mim próprio ou porque outrem teve a gentileza de educadamente isso me apontar, dou a mão à palmatória, emendo, retrato-me, faço sempre como o grande matemático Bento de Jesus Caraça, que por esta mesma postura não temia ás vezes errar.

Para quem tem a gentileza de me seguir neste modesto blogue, que continua a ser a minha única rede social, sabe o que venho há anos dizendo do comentador sem contraditório Marcelo Rebelo de Sousa, há quase dez anos inquilino em Belém. 

Para quem tem a gentileza de me seguir sabe que sou forte crítico do Presidente Marcelo, sabe das minhas opiniões, sabe do que eu escrevi várias vezes sobre o que de muito positivo Marcelo trouxe à política e á Presidência da República durante pouco mais de três anos do seu primeiro mandato, e como depois consistentemente apalhaçou a Presidência da República.

Para quem tem a gentileza de me seguir, sabe que aplaudi sempre que Marcelo teve na minha opinião um bom desempenho como Presidente da República. Infelizmente, na minha opinião, foram poucas as vezes.

Isto referido, esta intervenção do Presidente da República Portuguesa (representando Portugal, representando os portugueses, e não apenas parte como diz o inarrável Ventura) no Parlamento Europeu é, para mim naturalmente, uma das suas melhores prestações.
Marcelo confirmou aqui as suas capacidades que infelizmente nem sempre colocou ao serviço da sociedade portuguesa. Confirmou como consegue ser brilhante quando quer, e representou-me/ representou-nos de forma excelente.

Como está já muito longo o texto, e como quero tecer mais algumas considerações sobre o que Marcelo afirmou a espaços, fico por aqui e farei outro postal.

António Cabral (AC)

domingo, 18 de janeiro de 2026

EU  CONHEÇO  A  GRONELÂNDIA 😎😎

NÃO, estou a aldrabar-vos estimados amigos e leitores/ visitantes.
Não conheço, nunca lá fui.
Mas tenho uma ideia muito superficial, melhor dito, tenho uma ideia bastante . . . . . . . . aérea! 😎😎

Efectivamente, olhei para baixo, muitas vezes, e lá estava ela, a imensa Gronelândia. BRANCA, muito BRANCA.

Completamente BRANCA no início de Fevereiro de 2001.
Ainda muito Branca no início de Abril de 2001.
Ainda muito branca, mas já com algumas partes escuras visíveis. Foi no início de Junho de 2001.

Explicando, foi durante as minhas três idas à Islândia, salvo erro na Delta, em 1ª classe, em 2001, e posterior regresso, depois de 8 dias de estadia, resolvidas que foram as questões de serviço que lá me levaram. 
Nova Iorque - Islândia - Nova Iorque, três vezes, três estadias, ocorreu durante os meus três anos nos EUA.
Tenho portanto uma noção rigorosa . . . . rigorosamente . . . . aérea!

Mas também tenho a noção de que muitos dos que hoje falam e escrevem sobre a INVASÃO da Gronelândia também . . . . observam a coisa lá muito de cima, e sempre ao correr das modas e do politicamente correcto. E do que é bonito dizer-se agora.
Mas estudar a coisa com profundidade, a começar em 1800, e para lá das cretinices do Trump . . . . dá trabalho . . . não vai com as narrativas.

Lê-se por aí que, para impedir as "Trumpices", o inarrável Macron das patilhas à moda da Golegã já falou no seu estilo tonitruante, e que além da França pelo menos a Alemanha a Suécia e a Noruega vão enviar soldadinhos para a Gronelândia. 

Ah e o Macron garantiu que os militares que vão ser enviados agora serão depois reforçados! Tudo a pedido de Copenhaga. 
Não está claro se virão a fazer (os militares europeus) cordões humanos junto das pistas do aeroporto militar americano para assim impedir a invasão americana!

Um dos fortes contingentes europeus parece ser o alemão, 13 militares de reconhecimento e quase idêntico ao primeiro "pacote Francês (15)! Putin já está com as pernas a tremer.

O chefinho lá na Gronelândia espera assim muitos navios e soldadinhos aliados!

Já do lado do inarrável e super democrata Putin ouviram-se amuos e grunhidos, anunciando-se a diplomacia russa como incomodada (receosa, está tremer que nem varas verdes?).

Por falar em INARRÁVEl, temos aqui na TUGOLÂNDIA competentes jornalistas (???) a querer indagar da nossa eventual contribuição para a telenovela Gronelândia. Até porque também se noticiou que Putin grunhiu publicamente desagrado para com a Europa e até referiu Portugal!

Vai daí "atacaram" Nuno Melo.
Defendeu-se o inarrável ministro da chamada defesa nacional, remetendo a coisa para o orgão de conselho do inquilino em Belém.

Este, o inquilino em Belém, deverá estar à espera de saber do general que "reside" lá para cima naquele edifício rosa perto do estádio de futebol do Belenenses, se a tropa do Exército tem fatos camuflados brancos e barretes de lá branca.

Ou será melhor mandar para aqueles mares gelados uma barcoita da GNR das poucas operacionais?
Estão treinados em encalhar, por exemplo perto do Bugio e, portanto, não haverá transtorno de maior se esbarrarem, com frequência, nos blocos de gelo flutuante.

Oh Presidente, convoque outro Conselho de Estado!
AC

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

"A guerra está à nossa porta." Mark Rutte defende que países da NATO "são o próximo alvo" de Putin
Mark Rutte dramatiza discurso e diz ser "urgente" que Estados-membros adotem mentalidade de guerra. Rússia pode usar "força militar contra um país da NATO" nos próximos 5 anos, avisa secretário-geral
.

Ná, não pode ser, ele vai atacar em força mas daqui a 4 anos, 7 meses, 18 dias

AC

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

PARA  ONDE  CAMINHAMOS ?
Há quem o diga, QUASE explicitamente, a Rússia vai invadir a Europa a breve trecho.
Aparentemente por outro lado ou melhor, cada vez parece mais, a protecção americana será crescentemente menor.

Os governos actuais designadamente da Itália, Holanda, Suíça (sim, um grande fabricante de certo armamento), Áustria (sim, um grande fabricante de certo armamento), Bélgica, França, Reino Unido, Alemanha, Suécia, Espanha, sem o confessarem publicamente gostam deste exacerbar de militarismo, pois a venda de material concorre para boas contas públicas. Ao mesmo tempo que em constantes proclamações pugnam sempre pela paz. Sempre a Paz!

Em que ficamos ?
Para onde caminhamos ?
A Rússia vai invadir?

Posso estar completamente errado mas penso muito diferente de muitos que andam para aí. Gouveia e Melo incluído.

A Rússia não vai invadir coisa nenhuma.
A Rússia decidiu invadir a Ucrânia. 
Estamos a pouco tempo de perfazer quatro anos sobre a inqualificável invasão. 
O que conseguiu efectivamente a Rússia ? Nada do que planeara.
Logo no início quis entrar em Kiev mas teve de pirar-se rapidamente!

Não, a Rússia não nos vai invadir fisicamente, tanques até Berlim, Paris, Varsóvia, Roma! Ou bombardear as principais cidades Europeias. Ou sequestrar os parlamentos europeus!

O execrável Putin há muito que está danado principalmente com a Europa, ainda que a invasão da Ucrânia seja uma manifestação concreta da real guerra Rússia - EUA por intermédio de outros, SEMPRE, nesta caso a Ucrânia e os Europeus. 

O execrável Putin ficou danado com a destruição do gasoduto (de certeza executado por americanos e britânicos) e com o progressivo corte da importação de gás russo.

Não, o execrável Putin não nos vai invadir "boots and tanks on the ground"!
Vai continuar a vender petróleo e gás ao Irão, Índia, China, vários outros países Asiáticos, porventura também para África. Quer todo o DonBass. Quer a Ucrânia fora da NATO, e sem mísseis no seu territórios, e com forças armadas reduzidas.

Que vai o execrável Putin fazer-nos a curto/ médio prazo, principalmente aos países Europeus que mais têm contribuído com auxílio directo à Ucrânia?

Não tenho bola de cristal, caso tivesse o Euromilhões cá cantaria.
Mas creio que o execrável Putin nos lixará o mais que lhe for possível, e logo que entenda chegada a hora.

Estou perfeitamente convencido que isso vai ocorrer. Será assim.
Quando? Onde? Não sei.

Mas estou convencido que no âmbito do ciberterrorismo, no âmbito da sabotagem, muito nos irá acontecer. Lenta e progressivamente.
Imagino, por exemplo, ataques progressivos às redes eléctricas por toda a Europa. Encrencas no controlo aéreo. Sabotagens. Espionagens nos cabos submarinos.

Quanto a apagões eléctricos por exemplo, como estará diferente a situação de hoje face a Abril passado?
Que testes, que avaliações que coordenação entre países, designadamente, Espanha, Portugal, França, Alemanha, Bélgica, Áustria, Holanda, Dinamarca, Polónia, etc?

Na UE andam crispados, Costa, Ursula e mais uns quantos, tipo Macron. Com alguma razão.
Mas nestas alturas gosto sempre de ir verificar o Curriculum das criaturas.

Por exemplo, quanto ao maior aldrabão político que para azar calhou cair-nos em cima: António Costa e política de imigração.
Outro dia perorava na Europa, declarações bem demonstradas num video que andou por aí, bem explicadinho. Tudo ao contrário do que fez internamente enquanto PM.
Coerência absoluta. Não coloco o video. 
Apenas a fotografia inicial em que a criatura apontava a quem o escutava - temos de proteger as nossas fronteiras!

Quanto a segurança e defesa nacional e forças armadas, facílimo encontrar incoerências, incompetência, ausência de sentido de Estado, ausência de visão. Em António Costa e em muitos dos chamados líderes (???) Europeus. Na maioria uns sem vergonha nenhuma.

Querem agora que a UE se assuma como grande potência militar.
Quererão militarizar a Europa?
Que dimensão armamentista alguns andam a equacionar?
O que está a fazer a Polónia que, ao que se diz por aí, será o país Europeu que terá neste momento o maior número de homens nas fileiras?
E a Suécia?

Que irá fazer a Alemanha ?
E como olhará a França para tudo isso?
E, já agora, além de alterações quanto ao chamado serviço militar, a que ponto querem chegar?
Os governantes actuais vão avançar rapidamente no crescimento das despesas militares, sem medo nenhum das consequências eleitorais a curto médio prazo?

MILITARIZAÇÃO?

Para onde caminhamos?
Quantos cortes na despesa ou seja, quantas cativações ainda mais vigorosas do que fez a dupla Costa / Centeno estão por cá e lá por fora empenhados em fazer para satisfazer a militarização?

E se em vez disso, no imediato, um urgente conceito estratégico nacional?
Para onde queremos caminhar?

Para onde caminhamos?
Voltarei ao tema Rússia /Ucrânia/ EUA.

António Cabral (AC)