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terça-feira, 1 de setembro de 2026

REPETINDO UM TEXTO MEU COM ALGUM TEMPO

LIDO  no  SAPO
(meus comentários no final)


Chega levou ao Parlamento uma proposta para desclassificar dados sobre FP-25Livre e BE alargaram a conversa à violência da extrema-direita, com o PCPPAN e JPP a acompanharem as iniciativas.

PS e PSD, durante o plenário de quarta-feira, 20 de maio, concordaram na ideia de que não se pode desclassificar os documentos relativos às Forças Populares 25 de Abril (FP-25) e à rede bombista de extrema-direita. O tema foi levado ao Parlamento pelo Chega, com uma iniciativa que recomendava a desclassificação de “todos os registos, documentos, dossiers e arquivos dos serviços de informações relativos à organização terrorista de extrema-esquerda FP-25”. No entanto, o debate foi alargado – com um projeto de lei do BE e com um projeto de resolução do Livre – a movimentos de extrema-direita, como o Exército de Libertação de Portugal (ELP), Movimento Maria da Fonte e Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP).

Em desacordo com a desclassificação destes documentos, o deputado socialista Pedro Delgado Alves, depois de atribuir ao debate um intuito "provocatório" por parte do Chega, assinalou um dever que todas as bancadas devem ter "perante todas as vítimas da violência política, da extrema-esquerda, da extrema-direita, de onde quer que ela venha, dos seus familiares e de todos aqueles que investigaram os crimes cometidos em vários momentos, e que foram, todos eles, objeto de repúdio e de condenação", de não instrumentalizar este debate "para abrir guerras culturais e para dividir aquilo que a democracia portuguesa teve a sabedoria de ser capaz de construir".

"A pergunta que devemos fazer é: 50 anos é tempo suficiente para não recearmos abrir os documentos?", perguntou, de forma retórica, o deputado do PS, respondendo: "Não sei. E na dúvida, perante as intenções declaradas de querer abrir uma guerra cultural, perante o momento de radicalização e de extremismo e de vontade de voltar a cavalgar estes temas, eu acho que não devemos fazer este exercício de viajar no tempo para fazer mal agora, em 2026, o que fizemos bem em 76, nos anos 80, nos anos 90. E, portanto, a razão, a primeira, pelas quais não acompanhamos os projetos é esta mesma: eles não são úteis à democracia em 2026. Mas mais do que isto, elas também oferecem problemas jurídicos", concluiu.

Com a justificação de que esta "desclassificação é muito mais complexa, muito mais grave e exige muito maior atenção que a própria classificação", o deputado do PSD António Rodrigues lançou dúvidas sobre a pertinência de se fazer este debate agora sugerindo que "alguns querem fazer contas com a história porque não estão satisfeitos com aquilo que aconteceu". 

"Nós não estamos satisfeitos, mas temos a noção daquilo que aconteceu. Mas aquilo que está em discussão é verdadeiramente uma questão de Estado. Estamos disponíveis para pôr em causa o Estado naquilo que é mais sagrado, naquilo que é o segredo de Estado, naquilo que nós nos importamos no Parlamento, naquilo que é feito por órgãos próprios que foram escolhidos para esta Assembleia, ou queremos tornar isto uma chicana política, uns contra os outros, a reviver a história que está à volta, que está à vista e que está a ser tratada?", interrogou o deputado social-democrata, vincando que "o que se quer com estas propostas, com estes projetos de resolução ou com este projeto de lei é voltar a criar a confusão e o caos político em Portugal".

A premissa do documento do Chega, apresentado por Diogo Pacheco de Amorim, assenta numa notícia com um ano, do Expresso, que dá conta de que o Serviço de Informações de Segurança (SIS) "está a considerar a desclassificação de centenas de documentos do seu espólio de entre 1985 e 1990, contanto que não seja colocada em causa a Segurança Nacional", explicou o deputado.

De acordo com Pacheco de Amorim, o Chega entende que "não é apenas o período final das FP-25" que "importa conhecer, mas, isso sim, todo o período decorrido entre abril de 1980, data da sua fundação, e 1 de março de 1996, data da aprovação parlamentar da amnistia dos condenados da FP-25".

"Pelo que o acesso a todos os documentos e a todos os factos compreendidos dentro desse espaço de tempo se torna essencial. Quanto à Segurança Nacional, não se vislumbra qualquer interesse superior nesse campo a salvaguardar", afirmou, observando que BE e Livre "estão certos" nas inicitivas que apresentam para "tornar extensivo este pedido a todos os movimentos acusados de utilização de violência desde o 25 de Abril de 1974 até à aprovação da amnistia parlamentar".

Por seu turno, o deputado único do BEFabian Figueiredo, alertou para um "silêncio que dura há meio século" em Portugal "sobre quem pôs a bomba que matou o padre Max e a jovem de 19 anos, na Cumieira, sobre quem armou as Forças Populares 25 de Abril. Sobre a contabilidade do terror que, dos anos 70 aos anos 80, fez mais de duas dezenas de mortos, da extrema-direita bombista à extrema-esquerda armada". 

Argumentando que "os documentos existem", mas "estão guardados", sem que ninguém possa consultá-los – como aconteceu , observou, com o jornalista Miguel Carvalho, quando escreveu o livro Quando Portugal Ardeu –, Fabian Figueiredo considerou que "as melhores obras sobre estes anos foram escritas por quem teve de procurar a verdade fora dos canais oficiais e há famílias que enterraram os seus sem nunca saberem por ordem de quem". 

Tendo em conta que o projeto de lei do BE propõe uma comissão multidisciplinar afeta ao Parlamento para desclassificar os documentos em causa, o deputado bloquista explicou que "este projeto faz uma coisa simples e uma coisa difícil. A simples: cria uma comissão independente que abre tudo, as FP25 e a rede bombista, sem exceção, sem escolher metades. A difícil: pede a esta câmara a coragem que meio século de democracia nos exige, com toda a disponibilidade de melhorar a proposta na especialidade".

Para o líder do Livre, Rui Tavares, "ser contra a violência política e que todos os partidos sejam é importante".

Com uma mensagem para o Chega, por só contemplar no projeto de resolução a desclassificação dos documentos relativos às FP-25, Rui Tavares considerou que "querer apenas dirigir os esforços da transparência para um lado é apenas utilizar a condenação da violência política para caricaturar adversários ou para fazer, digamos, gincanas políticas convenientes".

A líder parlamentar do PCPPaula Santos, confirmou que a bancada comunista está "de acordo com a desclassificação dos documentos, quer quanto ao terrorismo bombista das forças reacionárias contra o 25 de Abril, quer quanto às FP-25", argumentando que "haverá certamente muitas informações que ajudarão a compreender quem é quem e que poderão surpreender os mais incautos, mas também deixará cair a máscara a muitos que compactuaram, direta ou indiretamente, com as ações bombistas e terroristas".

Para a deputada comunista, o Chega, com esta iniciativa para desclassificar os documentos, apresenta-se com o único propósito de "ocultar a ação terrorista bombista entre 1975 e 1977, desencadeada contra o processo de institucionalização do regime democrático". 

"Sobre isto, nem uma palavra do Chega, mas já agora, também, nem uma palavra do CDS. O terrorismo bombista das organizações de extrema direita, que não se conformavam com Abril e que ambicionavam o regresso à ditadura, o MDLP, o ELP, o Movimento Maria da Fonte, a FLA [Frente de Libertação dos Açores], a FLAMA [Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira], elegeram o PCP como alvo político principal a liquidar", sustentou Paula Santos numa nota dirigida ao líder parlamentar do CDSPaulo Núncio, que criticara numa intervenção o PS e PCP por terem votado favoravelmente a amnistia às FP-25, afirmando que foi algo que "contribuiu para o branqueamento político e moral do terrorismo de extrema-esquerda".

Sobre a rede bombista, Paula Santos lembrou que "estas organizações terroristas foram responsáveis por 566 ações, de entre as quais 310 atentados bombistas, 136 assaltos, 58 incêndios, 36 espancamentos, 16 atentados a tiro, mais de 10 pessoas foram assassinadas".

Comentários:

1º - Segundo se lê por aí PS e PSD estão contra a desclassificação dos documentos. E há certamente muitos documentos, relativos à criminalidade das FP 25 de Abril, relativos aos personagens que integraram esse tumor da democracia, relativos à criminalidade do ELPMDLPMaria da Fonte e outros, verdadeiros tumores da democracia.

2º - É legítimo eu ponderar: porquê esta recusa destes dois partidos?

3º - É legítimo concluir que não querem que se venha a saber certas coisas. Certas ligações a personagens do passado desses dois partidos. É por demais evidente que sabem que existem coisas muito incómodas e muito provavelmente desmentiriam muitas narrativas.

4º - Fica para mim claro que não querem que se venha a saber muito do que tragicamente aconteceu, muitos dos apoios que tiveram e que nunca assumiram.

 - Era bom por exemplo desmascarar as vergonhosas negociações por baixo da mesa que levaram à amnistia concedida aos dirigentes das  FP 25 de Abril.

 - Era muito importante desmascarar o que a extrema direita fez incluindo a bombista.

 - E as pouca vergonhas acontecidas nas ilhas?

 - Há muito para esclarecer, explicar, mas não querem que se saiba. O Chega gostaria que se soubesse apenas sobre  extrema esquerda.

 - Não, há muito por explicar, esclarecer, de uma ponta a outra ponta. Existiram bombas, sedes partidárias destruídas sobretudo do PCP, assassinatos, roubo de dinheiro, assaltos, e houve muita cumplicidade e a todos os níveis, institucional, político (de todos os quadrantes) militar (aqui então ficava-se a perceber muita coisa) religioso e quase certo com o envolvimento de certas embaixadas em Lisboa.

Não querem trazer a podridão à luz do dia. Mas não me venham com a treta de que era a revolução, não foi só a revolução. 
Já bem basta o que não está registado, escrito, gravado, como certas fugas para Norte, ou o que veio buscar um célebre "importante", etc.

Bom dia.
Saúde, o Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

António Cabral (AC)

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Ameaça da extrema direita é "muito maior" do que a ameaça da extrema esquerda, admite ministro Luís Neves 
“Têm armas e matam”. Para Luís Neves, a extrema direita apresenta uma ameaça “muito maior” que a extrema esquerda em Portugal, apesar de este último estar em “ascensão” num contexto europeu
.
*******************************
Li isto e vou partir do princípio que o ministro disse exactamente assim.

A sensação que tenho é que lá no fundo o senhor terá consciência que as diferenças são ténues se é que de facto existe algo de muito diferente, mas tem que dourar a pílula para a esquerda fofinha ficar contente.
Para a extrema esquerda diga o senhor ministro e outros o que disser que não mudam de opinião: não é de esquerda ou extrema esquerda ? 
Então é fasssssistaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

Não tenho bola de cristal.
Não tenho poderes de adivinhação.

Mas sabe uma coisa senhor ministro ?
A minha sensação é de que o que em tempos serviu MDLP, ELP, Maria da Fonte etc não foi destruído.

A minha sensação é de que continuam por aí em lugar seguro muitas das "em boas mãos".

O caso da Alemanha é paradigmático a meu ver, e por cá estamos a ter  reflexos do mesmo tipo.

A execrável Afd alemã apareceu porquê?

Será que as indecisões, as inações de sucessivos governos alemães, com por exemplo o ter mamado anos a fio combustíveis baratos russos em vez de tratar de colocar a Alemanha quase independente no plano energético, se em vez de permitir durante anos e anos (agora. . . .ai. . ai) a imigração à fartazana por exemplo da Turquia (agora não sei, mas em tempos os turcos na Alemanha constituíam como que a 2ª cidade turca em população) a tivessem controlado, etc, não contribuíram com essas coisas e MUITO para o renascer daquilo que pessoalmente considero nunca desapareceu na Alemanha?
Sim, não me venham com tretas, aquilo não foi só o Hitler e sequazes.

Sr ministro, as indecisões, as inações, as confusões, o desfazer da autoridade do Estado e um longo etc dão no que está à vista e vai crescendo.

Designadamente o PS que muito contribuiu para surgir e crescer Ventura e sequazes.

Designadamente PS e PSD se não deixarem de ser BURROS e continuaram a não se entender em áreas base da sociedade pois creio que é ao centro que se resolverão as coisas na sociedade, temo bem que cairemos no precipício.

A par disso, respeitar minorias. Respeitar a CRP.
Tratar de alterar isto que está tão doente. 

Mas deixem-se de tretas.
E deixem-se de enfiar os olhos no chão ou mesmo a cabeça na areia.
Tratem de exercer a autoridade do Estado, exercer sempre sem vacilar a força legítima DEMOCRÁTICA, e sobretudo tratar dos problemas das famílias e das pessoas.
PS e PSD, serviço público, lembram-se do que é? Lembram-se do que é diminuir as inaceitáveis desigualdades entre os concidadãos?
AC

quarta-feira, 27 de maio de 2026

TELEVISÃO

Hoje estou a abrir uma excepção.

Estou esparramado num dos sofás da sala, e prometi a mim mesmo fazer um esforço enorme para olhar o televisor e seguir com esforço, muito apreciável naturalmente, a sessão parlamentar com interrogações ao governo.

Primeiro realce, o Livre, que é uma agremiação de extrema esquerda, segue atentamente o que diz o Papa.

AC

sábado, 23 de maio de 2026

LIDO  no  SAPO
(meus comentários no final)

O Chega levou ao Parlamento uma proposta para desclassificar dados sobre FP-25. Livre e BE alargaram a conversa à violência da extrema-direita, com o PCP, PAN e JPP a acompanharem as iniciativas.

PS e PSD, durante o plenário de quarta-feira, 20 de maio, concordaram na ideia de que não se pode desclassificar os documentos relativos às Forças Populares 25 de Abril (FP-25) e à rede bombista de extrema-direita. O tema foi levado ao Parlamento pelo Chega, com uma iniciativa que recomendava a desclassificação de “todos os registos, documentos, dossiers e arquivos dos serviços de informações relativos à organização terrorista de extrema-esquerda FP-25”. No entanto, o debate foi alargado – com um projeto de lei do BE e com um projeto de resolução do Livre – a movimentos de extrema-direita, como o Exército de Libertação de Portugal (ELP), Movimento Maria da Fonte e Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP).

Em desacordo com a desclassificação destes documentos, o deputado socialista Pedro Delgado Alves, depois de atribuir ao debate um intuito "provocatório" por parte do Chega, assinalou um dever que todas as bancadas devem ter "perante todas as vítimas da violência política, da extrema-esquerda, da extrema-direita, de onde quer que ela venha, dos seus familiares e de todos aqueles que investigaram os crimes cometidos em vários momentos, e que foram, todos eles, objeto de repúdio e de condenação", de não instrumentalizar este debate "para abrir guerras culturais e para dividir aquilo que a democracia portuguesa teve a sabedoria de ser capaz de construir".

"A pergunta que devemos fazer é: 50 anos é tempo suficiente para não recearmos abrir os documentos?", perguntou, de forma retórica, o deputado do PS, respondendo: "Não sei. E na dúvida, perante as intenções declaradas de querer abrir uma guerra cultural, perante o momento de radicalização e de extremismo e de vontade de voltar a cavalgar estes temas, eu acho que não devemos fazer este exercício de viajar no tempo para fazer mal agora, em 2026, o que fizemos bem em 76, nos anos 80, nos anos 90. E, portanto, a razão, a primeira, pelas quais não acompanhamos os projetos é esta mesma: eles não são úteis à democracia em 2026. Mas mais do que isto, elas também oferecem problemas jurídicos", concluiu.

Com a justificação de que esta "desclassificação é muito mais complexa, muito mais grave e exige muito maior atenção que a própria classificação", o deputado do PSD António Rodrigues lançou dúvidas sobre a pertinência de se fazer este debate agora sugerindo que "alguns querem fazer contas com a história porque não estão satisfeitos com aquilo que aconteceu".

"Nós não estamos satisfeitos, mas temos a noção daquilo que aconteceu. Mas aquilo que está em discussão é verdadeiramente uma questão de Estado. Estamos disponíveis para pôr em causa o Estado naquilo que é mais sagrado, naquilo que é o segredo de Estado, naquilo que nós nos importamos no Parlamento, naquilo que é feito por órgãos próprios que foram escolhidos para esta Assembleia, ou queremos tornar isto uma chicana política, uns contra os outros, a reviver a história que está à volta, que está à revista e que está a tratada?", interrogou o deputado social-democrata, vincando que "o que se quer com estas propostas, com estes projetos de resolução ou com este projeto de lei é voltar a criar a confusão e o caos político em Portugal".

A premissa do documento do Chega, apresentado por Diogo Pacheco de Amorim, assenta numa notícia com um ano, do Expresso, que dá conta de que o Serviço de Informações de Segurança (SIS) "está a considerar a desclassificação de centenas de documentos do seu espólio de entre 1985 e 1990, contanto que não seja colocada em causa a Segurança Nacional", explicou o deputado.

De acordo com Pacheco de Amorim, o Chega entende que "não é apenas o período final das FP-25" que "importa conhecer, mas, isso sim, todo o período decorrido entre abril de 1980, data da sua fundação, e 1 de março de 1996, data da aprovação parlamentar da amnistia dos condenados da FP-25".

"Pelo que o acesso a todos os documentos e a todos os factos compreendidos dentro desse espaço de tempo se torna essencial. Quanto à Segurança Nacional, não se vislumbra qualquer interesse superior nesse campo a salvaguardar", afirmou, observando que BE e Livre "estão certos" nas inicitivas que apresentam para "tornar extensivo este pedido a todos os movimentos acusados de utilização de violência desde o 25 de Abril de 1974 até à aprovação da amnistia parlamentar".

Por seu turno, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, alertou para um "silêncio que dura há meio século" em Portugal "sobre quem pôs a bomba que matou o padre Max e a jovem de 19 anos, na Cumieira, sobre quem armou as Forças Populares 25 de Abril. Sobre a contabilidade do terror que, dos anos 70 aos anos 80, fez mais de duas dezenas de mortos, da extrema-direita bombista à extrema-esquerda armada".

Argumentando que "os documentos existem", mas "estão guardados", sem que ninguém possa consultá-los – como aconteceu , observou, com o jornalista Miguel Carvalho, quando escreveu o livro Quando Portugal Ardeu –, Fabian Figueiredo considerou que "as melhores obras sobre estes anos foram escritas por quem teve de procurar a verdade fora dos canais oficiais e há famílias que enterraram os seus sem nunca saberem por ordem de quem".

Tendo em conta que o projeto de lei do BE propõe uma comissão multidisciplinar afeta ao Parlamento para desclassificar os documentos em causa, o deputado bloquista explicou que "este projeto faz uma coisa simples e uma coisa difícil. A simples: cria uma comissão independente que abre tudo, as FP25 e a rede bombista, sem exceção, sem escolher metades. A difícil: pede a esta câmara a coragem que meio século de democracia nos exige, com toda a disponibilidade de melhorar a proposta na especialidade".

Para o líder do Livre Rui Tavares, "ser contra a violência política e que todos os partidos sejam é importante".

Com uma mensagem para o Chega, por só contemplar no projeto de resolução a desclassificação dos documentos relativos às FP-25, Rui Tavares considerou que "querer apenas dirigir os esforços da transparência para um lado é apenas utilizar a condenação da violência política para caricaturar adversários ou para fazer, digamos, gincanas políticas convenientes".

A líder parlamentar do PCP, Paula Santos, confirmou que a bancada comunista está "de acordo com a desclassificação dos documentos, quer quanto ao terrorismo bombista das forças reacionárias contra o 25 de Abril, quer quanto às FP-25", argumentando que "haverá certamente muitas informações que ajudarão a compreender quem é quem e que poderão surpreender os mais incautos, mas também deixará cair a máscara a muitos que compactuaram, direta ou indiretamente, com as ações bombistas e terroristas".

Para a deputada comunista, o Chega, com esta iniciativa de desclassificar os documentos, apresenta-se com o único propósito de "ocultar a ação terrorista bombista entre 1975 e 1977, desencadeada contra o processo de institucionalização do regime democrático".

"Sobre isto, nem uma palavra do Chega, mas já agora, também, nem uma palavra do CDS. O terrorismo bombista das organizações de extrema direita, que não se conformavam com Abril e que ambicionavam o regresso à ditadura, o MDLP, o ELP, o Movimento Maria da Fonte, a FLA [Frente de Libertação dos Açores], a FLAMA [Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira], elegeram o PCP como alvo político principal a liquidar", sustentou Paula Santos numa nota dirigida ao líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio, que criticara numa intervenção PS e PCP por terem votado favoravelmente a amnistia às FP-25, afirmando que foi algo que "contribuiu para o branqueamento político e moral do terrorismo de extrema-esquerda".

Sobre a rede bombista, Paula Santos lembrou que "estas organizações terroristas foram responsáveis por 566 ações, de entre as quais 310 atentados bombistas, 136 assaltos, 58 incêndios, 36 espancamentos, 16 atentados a tiro, mais de 10 pessoas foram assassinadas".

Comentários:

1º - Segundo se lê por aí PS e PSD estão contra a desclassificação dos documentos. E há certamente muitos documentos, relativos à criminalidade das FP 25 de Abril, relativos aos personagens que integraram esse tumor da democracia, relativos à criminalidade do ELP, MDLP, Maria da Fonte e outros, verdadeiros tumores da democracia.

2º - É legítimo eu ponderar: porquê esta recusa destes dois partidos?

3º - É legítimo concluir que não querem que se venha a saber certas coisas. Certas ligações a personagens do passado desses dois partidos. É por demais evidente que sabem que existem coisas muito incómodas e muito provavelmente desmentiriam muitas narrativas.

4º - Fica para mim claro que não querem que se venha a saber muito do que tragicamente aconteceu, muitos dos apoios que tiveram e que nunca assumiram.

Era bom por exemplo desmascarar as vergonhosas negociações por baixo da mesa que levaram à amnistia concedida aos dirigentes das  FP 25 de Abril.

Era muito importante desmascarar o que a extrema direita fez incluindo a bombista.

E as pouca vergonhas acontecidas nas ilhas?

Há muito para esclarecer, explicar, mas não querem que se saiba. O Chega gostaria que se soubesse apenas sobre  extrema esquerda.

- Não, há muito por explicar, esclarecer, de uma ponta a outra ponta. Existiram bombas, sedes partidárias destruídas, assassinatos, roubo de dinheiro, assaltos, e houve muita cumplicidade e a todos os níveis, institucional, político (todos os quadrantes) militar (aqui então ficava-se a perceber muita coisa) religioso e quase certo com o envolvimento de certas embaixadas em Lisboa.

Não querem trazer a podridão à luz do dia. Não me venham com a treta de que era a revolução. 
Já bem basta o que não está registado, escrito, gravado, como certas fugas para Norte, ou o que veio buscar um célebre "importante", etc.

António Cabral (AC)

sexta-feira, 22 de maio de 2026

 


ISTO NUNCA EXISTIU, CERTO ?

REDES BOMBISTAS DE EXTREMA DIREITA TAMBÉM NÃO ?

REDES DE EXTREMA ESQUERDA TAMBÉM NÃO ?

FP 25 ABRIL TAMBÉM NÃO EXISTIRAM, CERTO ?

TUDO FAKE NEWS, TUDO INVENTADO PELA IA, CERTO ?


VÃO DAR BANHO AO CÃO, E DURMAM BEM!

AC

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

ALGUÉM  SABE ?
Respeito, SEMPRE, as opiniões de outrem.
Depois pondero, concordo, discordo, argumento se me apetecer.

De acordo com o que se vai noticiando, aparentemente, repito, aparentemente um em cada quatro portugueses parece considerar que o pais ficaria muito bem servido com André Ventura sentado em Belém. Aparentemente parece ser assim.

Sou um dos vários que deseja ardentemente que isso não venha a suceder.

Perante esta aparente realidade do momento, resultante também do que vem acontecendo nas últimas semanas no âmbito da chamada campanha eleitoral para elegeram inquilino para Belém, há criaturas pomposas das bolhas das esquerdas caviar que se interrogam - onde é que falhámos! 

São tão queridos! Onde é que falharam?
Não foram só vocês, mas deram uma ajuda enorme.

Podemos começar pelo sem vergonha nenhuma na cara, o tal que queria  abandonar a política para voltar a dar aulas, até que lá conseguiu ser nomeado para 2ª figura do Estado. 
Não foi 2ª figura foi, apenas, um vergonhoso figurão. 
Arrogante e malcriado. E muito ajudou a fazer crescer Ventura e o Chega. É a minha opinião, é o que democraticamente penso dele. 

Estou bem recordado do seu incrível texto no Expresso quase a dizer - não há melhor candidato para Belém do que eu
Estou bem recordado da sua arrogância - Seguro não atinge sequer os mínimos. 
Agora, veio dizer que Seguro é o único que consegue os mínimos.
Compre um espelho e olhe o que vê, embora o espelho se possa quebrar quando olhar para si.

É um eloquente exemplo que explica claramente onde falhámos. 

Falhámos desde logo nomeando esta criatura para ministro da educação, depois para a defesa, depois para os negócios estrangeiros e finalmente para presidente da AR. 
FALHÁMOS COMPLETAMENTE. Resultados aí estão.

A desfaçatez não tem limites.

A propósito de desfaçatez e da corrida para Belém, também recordo o incrível texto de Cavaco Silva que nos queria convencer e não admitia dúvidas - não há como Marques Mendes para Belém.

A desfaçatez não tem limites.

Em algumas destas criaturas das bolhas esquerda caviar, inchados porque tiveram papel secundário na mudança de regime, apesar de tudo ainda me parece haver uma réstia pequenina de decência.

E digo isto porque na esquerdalhada ortodoxa e na esquerdalhada extrema incoerente e inconsequente não vejo, continuo a não ver (ou ando distraído?) assumir culpas pelo crescimento do execrável Chega e seus dirigentes. Assumir culpas por algumas destruições, alguns exageros, alguns excessos. E muito narrativa.

Como continuo a não ver um "mea culpa" por parte de António Costa, um dos maiores responsáveis pelo estado a que chegámos e pelo crescimento do Chega e Ventura. 
O maior responsável pelo monstruoso problema com a imigração. 
O maior responsável porque, durante gloriosos 8 anos e semanas, não reformou a carreira de médicos e enfermeiros, não reviu os vencimentos de todos os funcionários no SNS, não reformulou os quadros de pessoal de toda a estrutra do SNS, não resolveu a questão dos tarefeiros criados no reinado de Sócrates.
Não resolveu NADA quanto a Forças Armadas.
Não resolveu NADA quanto a ordenamento do território.
Não resolveu nada quanto à política de solos e florestas. ETC.

Como também continuo a não ver da parte da direita moderada reconhecer imensos erros e inações, e coisas estúpidas que fez, que muito contribuíram para o aparecimento do Chega / Ventura, e para o seu constante (até agora) crescimento. 
E também nada de edificante fizeram quanto a Forças Armadas, florestas, ordenamento do território, fundações, observatórios, ETC.

Onde é que falhámos ? 
Perguntam onde é que falharam ?

Não foram só vocês, esquerda decente e esquerdalhadas incoerentes e inconsequentes, mas deram uma ajuda enorme à direita decente, e TODOS contribuíram para o que agora temem. 

E que eu igualmente temo.
Fazem-me lembrar aquela frase popular - tarde piaste!

Concordo completamente com Manuel Maria Carrilho quando escreve - Portugal é, continua a ser, um país atordoado, desvitalizado e rebocado, isto é, um país sem qualquer estratégia para o seu futuro, vivendo o dia-a-dia de impulsos avulsos e de remendos de urgência, de desânimo, de casos e escândalos, sempre pendurado nos milagrosos fundos europeus

Um país com políticas erradas quanto a imigração e turismo. 
Um país que assenta muito a economia no turismo fraldisqueiro, não terá grande futuro.
Um país que abandonou o interior.
Um país em que a ausência de políticas sérias leva à emigração.
Um país com políticas fiscais erradas.
Um país com montanhas de gente à mesa do OE e de mão estendida para o Estado.
Um país que aprovou felizmente uma CRP em 2 de Abril de 1976 e a caminho de 52 anos de regime de direito democrático cada vez está mais por cumprir o seu Art. 9º no que respeita, à promoção do bem-estar e da qualidade de vida dos cidadãos e à real igualdade entre os portugueses, bem como está tão longe de ser cumprido o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional. 
Um país que continua sem definir um rumo e agregar toda a gente para esse objectivo..

De 25ABR1974 a 11MAR1975, COMPREENSÍVEL e LEGITIMAMENTE, viveu-se em Portugal um clima explosivo de alegria, descompressão, libertinagem social até, desvario esfuziante, alegria de viver. Liberdade, enfim.

De 11MAR75 a 25NOV75 viveu-se o terrível PREC, mas na realidade (opinião pessoal naturalmente) o enterro formal do PREC não é no 25NOV75 mas enterra-se formalmente com a aprovação da CRP, com as eleições legislativas de 25ABR1976 e com a eleição presidencial ganha por Ramalho Eanes. 

De 1976 até 1985 e se a memória não falha, vivemos duas bancarrotas, Ramalho Eanes a fomentar um partido, a subordinação das Forças Armadas ao legítimo poder político saído de eleições, a criação do SNS em 1979, criação no papel assentando sobre os hospitais e centros de saúde que havia, com os médicos e enfermeiros que existiam. 

De 1987 a 1991 uma maioria absoluta de Cavaco Silva, durante a qual decorreu o primeiro mandato de Mário Soares como PR, em que pouco incomodou o governo, que desprezava. 
De 1991 em diante, é minha opinião que tudo se começou a desmoronar. Por culpa de Soares e Cavaco, que foi sucedido por Guterres que cedo percebeu que teria era de tratar da vidinha enquanto por cá falava de paixões. 
Paixões, poucas acções, muitas inações, um desastre que, penso, muito traumatizou Sousa Franco.

Andaram anos a não desenvolver cultura de Estado (não confundir com estatização de quase tudo, e empresários sempre de mão estendida para o Estado), com presidentes muitas vezes a servir interesses partidários, com Marcelo a destruir um capital construído nos primeiros 3 anos do primeiro mandato em que aproximou os cidadãos das instituições e dos órgãos de soberania.

Andaram anos sempre a abandonar valores e princípios, com hesitações constantes, vergando a acção política a projectos pessoais, moldando a acção política pelas sondagens, pelas opiniões dos comentadores e alguns jornalistas e pelas modas políticas e o politicamente correcto.

Espalhafato, espectáculo vergonhoso, demagogia, vulgaridade, ausência de firmeza na acção política, prometendo tudo, verborreia abundante, muitos servindo-se dos cargos em vez de servir a sociedade nos cargos para que foram eleitos, uma crescente degradação do espaço público, vacuidades atrás de vacuidades, incompetência constante em muitos ministérios e instituições, e sobretudo uma constante promiscuidade Estado/ política/ negócios/ banca.
E muita corrupção.

Acima de tudo (opinião pessoal naturalmente) por vontade expressa de sucessivos governantes e deputados e com a prestimosa ajuda de certos juristas e certos professores, produziram um tecido legislativo construído para a permissividade, a prescrição, o compadrio, o nepotismo, o amiguismo, o arrastar de processos se forem cassados, a super burocracia, a corrupção.

Vergonhoso.

Agora admiram-se que esteja aí o risco de um Ventura poderoso.

Ao que chegou a esquerda moderada, ao que chegou a direita moderada, as esquerda e direita moderadas que tinham valores, princípios, causas, e ideias ligeiramente diferentes para o país pós 25ABR1974.

Onde é que falharam?
Falharam por muita coisa e designadamente por tudo o que acima escrevi, falharam quando idolatram os chamados venezuelanos, quando idolatram facilitadores, quando idolatram gente sem firmeza e sem valores e princípios, quando idolatram os que andaram sempre a considerar que o país era a quinta deles. 
Por isso falharam, e têm desgraçado Portugal.

Como SEMPRE admito estar a ver tudo mal e a ser injusto.

Oxalá Domingo não se confirme o pior. 

António Cabral (AC)

sexta-feira, 27 de junho de 2025

 

Este assunto foi abordado em vários locais. 

Mas de cada vez que olho para o que foi feito no jornal "Público"a propósito destas fotografias, trabalho (??) a cargo de jornalistas sem espelho em casa, vem-me à cabeça as palavras, nojo, ausência de vergonha na cara, vendidos, terrorismo, vergonhoso sistema de justiça, jornalismo de sarjeta. 

Não deixa de ser curioso é haver ditos partidos políticos (???) com gente deste calibre em listas eleitorais.

Nem escrevendo centenas de vezes se convencem do que foram e do que continuam a ser.


AC

sábado, 1 de junho de 2024

COMPLETAMENTE DE ACORDO
. . . . . .  (sublinhados da minha responsabilidade)
Há quem distinga entre o discurso de ódio e a promoção do ódio, sendo este último mais grave. Para muita gente, o discurso da extrema-direita promove o ódio, comportamentos criminosos e ações violentas. E eu concordo, mas o da esquerda radical também, como mostra o vandalismo contra a sede do Observador, um órgão de comunicação social. Para alguns ativistas de esquerda, o culpado do mundo estar como está é do homem branco. Se também for de meia-idade, heterossexual e de direita faz bingo. Para outros, a culpa é a ganância dos empresários — lembram-se de quem certa esquerda culpava pela inflação? Não se poderá legitimamente argumentar que isto também promove o ódio contra um dado grupo de pessoas? Se um deputado do BE ou do PCP disser “From the river to the sea, Palestine will be free!” deve ser censurado? Espero que não, mesmo percebendo que o slogan implica a destruição de Israel. (...)


Há casos em que a corda necessariamente parte. O presidente da assembleia regional da Madeira não podia ficar indiferente quando o deputado Manuel Coelho se pôs de cuecas. Mas declarações sobre turcos não serem conhecidos por trabalhar estão longe da fronteira que delimita o que é admissível, o que me leva a perguntar o porquê de todo este escândalo. E, quando soube de um comunicado da SOS Racismo dizendo que Aguiar-Branco não tem condições para continuar no cargo e apelando ao Ministério Público que atue, não consigo deixar de pensar que anda muita gente a mamar na teta do Ventura e a promoverem-se à sua custa. O problema é que o promovem também.

Luís Aguiar-Conraria no Expresso

António Cabral (AC)

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

PORTUGAL  Precisa  de  se  Descolonizar ?
O texto de que tomei conhecimento e que agora aqui partilho, é da autoria de um oficial reformado do Exército, o sr Coronel David Marcelo.
Como sempre, respeito as opiniões de outrem, concorde ou discorde delas, no todo ou em parte.
No caso concreto, partilho e concordo com as opiniões deste oficial, que participou activamente no processo antes e depois de 25 de Abril de 1974.
Os sublinhados e realces são da minha responsabilidade.
António Cabral (AC)

PORTUGAL PRECISA DE SE DESCOLONIZAR?


Em Março de 1953, com seis anos de idade, encontrava-me em Angola, mais precisamente em Sá da Bandeira (actual Lubango). Nesse mês, iniciava-se o ano lectivo em Angola e fui matriculado na Escola n.o 59, para frequentar a 1.a classe. No trajecto de minha casa para a escola, tinha de atravessar uma pequena sanzala, cujos habitantes tinham um aspecto semelhante aos encontrados pelos navegadores portugueses quando ali chegaram no século XV: andavam seminus e quase não falavam português. Depois de passar a sanzala, ficava diante do Liceu Diogo Cão, um dos dois únicos liceus que então existiam em Angola. A minha escola ficava ainda para lá do liceu.

Assim que começaram as aulas, logo notei que tinha como parceira de carteira uma menina negra. Mas todos os outros meninos eram brancos. Não me recordo de qualquer incidente de teor racial relacionado com a minha colega de carteira.

No meu ambiente familiar, a questão racial era encarada com verdadeiro espírito cristão, pelo que a única constatação que se fazia era a de que havia pouquíssimos angolanos de cor com um estatuto social semelhante ao dos brancos. Isso devia-se ao seu atraso civilizacional, mal que, afirmava-se então, as autoridades portuguesas estavam a tratar, com as políticas de assimilação previstas no Acto Colonial.

Em 1967, já alferes do Exército, fui para Angola, para a companhia de caçadores metropolitana que estava aquartelada na Quibala-Norte, pertencente ao batalhão sediado em Bessa Monteiro. Nesse aquartelamento, estava, ainda, um pelotão de artilharia destacado do Regimento de Artilharia de Luanda. Era uma pequena força da “guarnição normal”, designação que era dada às unidades que não vinham, de reforço, da Metrópole. Como seria de esperar, os vinte e poucos militares desse pelotão eram quase todos negros. Que me lembre, eram brancos o alferes, um furriel e dois operadores de transmissões. As praças da especialidade de artilharia, dadas as tecnicidades da arma, eram das mais qualificadas em habilitações literárias. Pelo menos dois dos cabos eram ‘regentes de posto de ensino’, uma categoria inferior de professor primário, que também existia na Metrópole. Para completar este conjunto de militares negros com qualificações acima da média, o segundo furriel, negro, era professor primário, diplomado pela Escola do Magistério Primário de Luanda.

No tempo em que decorre esta narrativa, havia, ainda, uma percentagem considerável de militares metropolitanos que eram analfabetos ou que, não o sendo, não tinham sido aprovados no exame da 3.a classe. Estava estipulado por lei que nenhum militar poderia passar à disponibilidade sem, antes, ser aprovado no exame da 3.a classe. Esta determinação ia acompanhada pela obrigatoriedade de todas as unidades militares manterem uma “escola regimental”, destinada, precisamente, a preparar os militares para o referido exame.

Como o furriel de artilharia negro era o único professor primário existente naquele quartel, o capitão, muito naturalmente, nomeou-o professor dos militares brancos iletrados, missão na qual era coadjuvado pelos cabos angolanos regentes de posto de ensino.

Imaginem, agora, a minha surpresa, no contexto imperial em que vivíamos, quando, após o almoço de um dos primeiros dias da minha estada na Quibala-Norte, o capitão me disse para vir com ele dar uma volta pelo quartel. E lá fomos os dois. Quando chegámos próximo do edifício JC do refeitório, os meus olhos arregalaram-se ao ver, em pé, junto do quadro preto, o furriel e os dois cabos angolanos, a ‘civilizarem’ uma dezena e meia de militares metropolitanos. O capitão, apercebendo-se da minha surpresa, disse qualquer coisa deste género: “tendo eu profissionais do ensino na companhia, não era lógico nomear outro graduado, só por ele ser branco”.

Digeri muito bem o evento. Confesso que não tardei a sentir um grande orgulho, por tudo e por todos: pelo exemplo que (desta vez) se dava da concordância entre a propaganda e os factos reais; pela serena aceitação da situação da parte dos soldados brancos, reconhecendo que aqueles portugueses de cor os ensinavam porque estavam devidamente qualificados para o efeito. Ao longo dos anos, regressei mentalmente, por várias vezes, à escola regimental da Quibala-Norte. Imaginei que, provavelmente, uma cena deste tipo seria impossível noutros exércitos de países mais desenvolvidos.

Mas a experiência africana, em cenário de uma guerra sem fim, fez-me seguir a pista do 25 de Abril, no qual me empenhei de corpo e alma, por considerar que a guerra se não resolveria sem a prévia conquista da Liberdade. O doloroso processo que se seguiu no tocante à separação política das antigas colónias não pôs termo ao relacionamento amistoso de Portugal com os povos que anteriormente dominava. Muitos desses africanos vieram mesmo trabalhar para Portugal, alguns adquiriram a nacionalidade portuguesa e têm usado os seus direitos políticos na plenitude, elegendo e fazendo-se eleger. No actual governo, além do primeiro-ministro de ascendência indiana, há a ministra da Justiça, negra de origem angolana.

O que fica dito, no entanto, não pretende ser, nem é, um atestado de ausência de racismo. Melhor dizendo: da ausência de racistas. 

Em Portugal, há machistas, há fascistas, há egoístas, há comunistas, há racistas, etc., e, todavia, o país não merece, só por isso, ser considerado machista, fascista, egoísta, comunista ou racista
No entanto, nos últimos tempos, há quem esteja tentando descobrir mais uma “causa fracturante”, para limar mais umas arestas da sociedade. Desta vez, porém, a questão vem bulir com a nossa História, com a nossa identidade como Nação e com a ideia de Pátria, como memória comum de todo um povo.

Neste movimento anti-racista, cuja intenção de aperfeiçoamento humano só podemos louvar, há uma linha de pensamento que se apoia num discurso perigoso, tendente a dar aos fenómenos de racismo – que existem, sem dúvida –, uma DIMENSÃO que não corresponde às características do povo português e que deve ser contrariada com a argumentação própria de uma sociedade democrática. Portugal, segundo o Índice Global da Paz de 2020, foi classificado em 3.o lugar entre os países mais pacíficos do mundo, logo depois da Islândia e da Nova Zelândia. Teríamos conseguido tal classificação tendo, entre nós, um grave problema de racismo? Não é o racismo uma negação do conceito de sociedade pacífica?

Depois de várias posições, públicas e publicadas, que até nós chegaram nas últimas semanas, apareceu, agora, a ideia de que, para combater o nosso problema de racismo, precisamos de nos “descolonizar”. Foi autor desta argumentação o antropólogo Dr. Miguel Vale de Almeida, em artigo inserido na edição do Público de 18 de Agosto. Entre outras afirmações com o seu quê de original, o autor refere que “hoje sabemos, graças ao activismo anti-racista que conseguiu emergir e graças a boa investigação científica e jornalística, que o racismo existe inegavelmente”. Afirma, ainda, o articulista, que “alguns países souberam fazer, ou foram obrigados a fazer, um esforço no sentido de descolonizar as suas sociedades e de combater o racismo. Portugal tem sido imensamente incompetente nisso”. Curiosamente, NÃO DIZ quais foram esses países “competentes”. Quanto gostaria de saber quem são esses países exemplares!

E, então, Vale de Almeida encontra na sua experiência pessoal, a solução para este mal: “Mas têm sido sobretudo autores, artistas, académicos, activistas, políticas e políticos anti-racistas quem mais me têm ensinado, junto com a minha prática da antropologia, que Portugal ainda não se descolonizou”.

E, porque é que o autor estabelece a ligação do racismo à ideia colonial? Porque, segundo ele, “nada mudou verdadeiramente, dos livros escolares à conversa de café. Nem sequer o tremendo esforço de construção da democracia e duma sociedade mais justa veio substituir a estória que contamos sobre nós próprios. Não parece ser disto, da liberdade e da democracia, que a maioria dos portugueses se orgulha, mas sim, e ainda, dos “descobrimentos”, da expansão e mesmo do colonialismo e seus avatares contemporâneos”.

Isto é, púnhamos o início da nossa memória colectiva em 25 de Abril de 1974 e mandávamos os Lusíadas para o caixote do lixo. NÃO, o 25 de Abril em que participei foi feito para honrar a memória dos que construíram Portugal, para honrar todos aqueles que deram o melhor do seu saber e das suas vidas para fazerem de um pequeno país periférico da Europa uma referência mundial, que nenhum preconceito tonto poderá apagar. O 25 de Abril fez-se, justamente, como mais um passo no sentido do aperfeiçoamento humano da sociedade portuguesa, aperfeiçoamento esse que deve continuar, sem que se subverta a ideia de Pátria que, assente no nosso passado, sustenta o nosso futuro.

David Martelo – 19 de Agosto de 2020.

terça-feira, 17 de abril de 2018

ORA AÍ ESTÁ, NEM PRECISA DE DECRETO-LEI
> Extrema esquerda já não existe, diz Marcelo! Pois eu ajudo, nem extrema direita. O nosso País está cada vez mais encantador.
Marcelo, em quem votei, dispensa o Tribunal Constitucional para não causar chatices entre os partidos, o que a CRP define não interessa para nada. Acresce, que agora já são todos muito bem comportados, muito democratas.
ESPECTÁCULO!!! 
AC