Respeito, SEMPRE, as opiniões de outrem.
Depois pondero, concordo, discordo, argumento se me apetecer.
De acordo com o que se vai noticiando, aparentemente, repito, aparentemente um em cada quatro portugueses parece considerar que o pais ficaria muito bem servido com André Ventura sentado em Belém. Aparentemente parece ser assim.
Sou um dos vários que deseja ardentemente que isso não venha a suceder.
Perante esta aparente realidade do momento, resultante também do que vem acontecendo nas últimas semanas no âmbito da chamada campanha eleitoral para elegeram inquilino para Belém, há criaturas pomposas das bolhas das esquerdas caviar que se interrogam - onde é que falhámos!
São tão queridos! Onde é que falharam?
Não foram só vocês, mas deram uma ajuda enorme.
Podemos começar pelo sem vergonha nenhuma na cara, o tal que queria abandonar a política para voltar a dar aulas, até que lá conseguiu ser nomeado para 2ª figura do Estado.
Não foi 2ª figura foi, apenas, um vergonhoso figurão.
Arrogante e malcriado. E muito ajudou a fazer crescer Ventura e o Chega. É a minha opinião, é o que democraticamente penso dele.
Estou bem recordado do seu incrível texto no Expresso quase a dizer - não há melhor candidato para Belém do que eu.
Estou bem recordado da sua arrogância - Seguro não atinge sequer os mínimos.
Agora, veio dizer que Seguro é o único que consegue os mínimos.
Compre um espelho e olhe o que vê, embora o espelho se possa quebrar quando olhar para si.
É um eloquente exemplo que explica claramente onde falhámos.
Falhámos desde logo nomeando esta criatura para ministro da educação, depois para a defesa, depois para os negócios estrangeiros e finalmente para presidente da AR.
FALHÁMOS COMPLETAMENTE. Resultados aí estão.
A desfaçatez não tem limites.
A propósito de desfaçatez e da corrida para Belém, também recordo o incrível texto de Cavaco Silva que nos queria convencer e não admitia dúvidas - não há como Marques Mendes para Belém.
A desfaçatez não tem limites.
Em algumas destas criaturas das bolhas esquerda caviar, inchados porque tiveram papel secundário na mudança de regime, apesar de tudo ainda me parece haver uma réstia pequenina de decência.
E digo isto porque na esquerdalhada ortodoxa e na esquerdalhada extrema incoerente e inconsequente não vejo, continuo a não ver (ou ando distraído?) assumir culpas pelo crescimento do execrável Chega e seus dirigentes. Assumir culpas por algumas destruições, alguns exageros, alguns excessos. E muito narrativa.
Como continuo a não ver um "mea culpa" por parte de António Costa, um dos maiores responsáveis pelo estado a que chegámos e pelo crescimento do Chega e Ventura.
O maior responsável pelo monstruoso problema com a imigração.
O maior responsável porque, durante gloriosos 8 anos e semanas, não reformou a carreira de médicos e enfermeiros, não reviu os vencimentos de todos os funcionários no SNS, não reformulou os quadros de pessoal de toda a estrutra do SNS, não resolveu a questão dos tarefeiros criados no reinado de Sócrates.
Não resolveu NADA quanto a Forças Armadas.
Não resolveu NADA quanto a ordenamento do território.
Não resolveu nada quanto à política de solos e florestas. ETC.
Como também continuo a não ver da parte da direita moderada reconhecer imensos erros e inações, e coisas estúpidas que fez, que muito contribuíram para o aparecimento do Chega / Ventura, e para o seu constante (até agora) crescimento.
E também nada de edificante fizeram quanto a Forças Armadas, florestas, ordenamento do território, fundações, observatórios, ETC.
Onde é que falhámos ?
Perguntam onde é que falharam ?
Não foram só vocês, esquerda decente e esquerdalhadas incoerentes e inconsequentes, mas deram uma ajuda enorme à direita decente, e TODOS contribuíram para o que agora temem.
E que eu igualmente temo.
Fazem-me lembrar aquela frase popular - tarde piaste!
Um país com políticas erradas quanto a imigração e turismo.
Um país que assenta muito a economia no turismo fraldisqueiro, não terá grande futuro.
Um país que abandonou o interior.
Um país em que a ausência de políticas sérias leva à emigração.
Um país com políticas fiscais erradas.
Um país com montanhas de gente à mesa do OE e de mão estendida para o Estado.
Um país que aprovou felizmente uma CRP em 2 de Abril de 1976 e a caminho de 52 anos de regime de direito democrático cada vez está mais por cumprir o seu Art. 9º no que respeita, à promoção do bem-estar e da qualidade de vida dos cidadãos e à real igualdade entre os portugueses, bem como está tão longe de ser cumprido o desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional.
Um país que continua sem definir um rumo e agregar toda a gente para esse objectivo..
De 25ABR1974 a 11MAR1975, COMPREENSÍVEL e LEGITIMAMENTE, viveu-se em Portugal um clima explosivo de alegria, descompressão, libertinagem social até, desvario esfuziante, alegria de viver. Liberdade, enfim.
De 11MAR75 a 25NOV75 viveu-se o terrível PREC, mas na realidade (opinião pessoal naturalmente) o enterro formal do PREC não é no 25NOV75 mas enterra-se formalmente com a aprovação da CRP, com as eleições legislativas de 25ABR1976 e com a eleição presidencial ganha por Ramalho Eanes.
De 1976 até 1985 e se a memória não falha, vivemos duas bancarrotas, Ramalho Eanes a fomentar um partido, a subordinação das Forças Armadas ao legítimo poder político saído de eleições, a criação do SNS em 1979, criação no papel assentando sobre os hospitais e centros de saúde que havia, com os médicos e enfermeiros que existiam.
De 1987 a 1991 uma maioria absoluta de Cavaco Silva, durante a qual decorreu o primeiro mandato de Mário Soares como PR, em que pouco incomodou o governo, que desprezava.
De 1991 em diante, é minha opinião que tudo se começou a desmoronar. Por culpa de Soares e Cavaco, que foi sucedido por Guterres que cedo percebeu que teria era de tratar da vidinha enquanto por cá falava de paixões.
Paixões, poucas acções, muitas inações, um desastre que, penso, muito traumatizou Sousa Franco.
Andaram anos a não desenvolver cultura de Estado (não confundir com estatização de quase tudo, e empresários sempre de mão estendida para o Estado), com presidentes muitas vezes a servir interesses partidários, com Marcelo a destruir um capital construído nos primeiros 3 anos do primeiro mandato em que aproximou os cidadãos das instituições e dos órgãos de soberania.
Andaram anos sempre a abandonar valores e princípios, com hesitações constantes, vergando a acção política a projectos pessoais, moldando a acção política pelas sondagens, pelas opiniões dos comentadores e alguns jornalistas e pelas modas políticas e o politicamente correcto.
Espalhafato, espectáculo vergonhoso, demagogia, vulgaridade, ausência de firmeza na acção política, prometendo tudo, verborreia abundante, muitos servindo-se dos cargos em vez de servir a sociedade nos cargos para que foram eleitos, uma crescente degradação do espaço público, vacuidades atrás de vacuidades, incompetência constante em muitos ministérios e instituições, e sobretudo uma constante promiscuidade Estado/ política/ negócios/ banca.
E muita corrupção.
Acima de tudo (opinião pessoal naturalmente) por vontade expressa de sucessivos governantes e deputados e com a prestimosa ajuda de certos juristas e certos professores, produziram um tecido legislativo construído para a permissividade, a prescrição, o compadrio, o nepotismo, o amiguismo, o arrastar de processos se forem cassados, a super burocracia, a corrupção.
Vergonhoso.
Agora admiram-se que esteja aí o risco de um Ventura poderoso.
Ao que chegou a esquerda moderada, ao que chegou a direita moderada, as esquerda e direita moderadas que tinham valores, princípios, causas, e ideias ligeiramente diferentes para o país pós 25ABR1974.
Onde é que falharam?
Falharam por muita coisa e designadamente por tudo o que acima escrevi, falharam quando idolatram os chamados venezuelanos, quando idolatram facilitadores, quando idolatram gente sem firmeza e sem valores e princípios, quando idolatram os que andaram sempre a considerar que o país era a quinta deles.
Por isso falharam, e têm desgraçado Portugal.
Como SEMPRE admito estar a ver tudo mal e a ser injusto.
Oxalá Domingo não se confirme o pior.
António Cabral (AC)
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