ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2026
3ª Parte
A MATEMÁTICA e a 2ª VOLTA
Para a 2ª volta vamos ter de certeza mais circo.
Mas começo por reproduzir um texto que me remeteram e circula por aí que creio é falso, FALSO, e falsamente atribuído a Miguel Esteves Cardoso.
Apesar de falso e como o considero curioso aqui fica com sublinhados da minha responsabilidade e breves comentários a AZUL)
Opinião sobre André Ventura
"Não concordo (também não) com André Ventura em muitos aspectos concretos.
Discordo (também) de algumas propostas, de alguns enquadramentos e de algumas partes da sua visão do Estado.
Mas, olhando para esta corrida presidencial, há algo que não consigo ignorar: André Ventura é a pessoa mais verdadeira que está a concorrer. (na minha opinião aponta questões muito relevantes diz coisas acertadas, mas mente muito, aldraba)
E isso, hoje, é muito raro. (a prevalência de pessoas verdadeiras, integras é verdade que me parece uma raridade, concordo, mas quanto a Ventura . . . .)
Ventura não é um homem artificialmente polido, nem confortável, nem feito para tranquilizar consciências.
Mostra aquilo que é. Não esconde pulsões, não disfarça indignações, não finge uma elevação moral para caber no molde institucional.
É precisamente por isso que o pântano político e mediático português se sente tão profundamente incomodado com ele. (SIM, nisto tendo a concordar)
Ventura introduz no espaço público aquilo que foi expulso durante décadas: conflito real, fricção social, perguntas insolentes, temas proibidos. (o politicamente correcto; mas tudo o que é exacerbado, estimulado para a violência sectária deve ser combatido)
Não porque seja um tecnocrata refinado ou um intelectual de salão, mas porque é extremamente inteligente e possui um instinto político alinhado com o do português comum. (isto parece-me verdade)
A sua inteligência não é abstracta nem ornamental. É inteligência de leitura humana, de percepção de injustiça, de identificação rápida do ponto onde o sistema mente e onde as pessoas sentem essa mentira no corpo antes de a conseguirem formular em palavras. (há décadas que em Portugal se mente e vigariza as pessoas)
Ter uma figura como Ventura num cargo que, em Portugal, tem sido sobretudo decorativo, teria o efeito imediato de quebrar a harmonia artificial do sistema, algo para o qual o país ainda não fez o seu luto institucional.
Aquela harmonia viscosa, confortável, onde todos discordam de nada em público e concordam em tudo nos bastidores. (creio haver aqui muito de verdade)
E é aqui que os contrastes se tornam evidentes.
Há Luís Marques Mendes, onde não há mistério nenhum: é o sistema a votar em si próprio. Anos de televisão sem contraditório, tal como Marcelo, sempre em modo comentador respeitável, sem risco, sem ruptura, sem custo pessoal. Apoiou Montenegro, agora é apoiado por ele. O círculo fecha-se com uma elegância quase cínica. Não veio mudar nada. (não iria mudar nada) Veio garantir que tudo fica exactamente igual, com ar sério, institucional e aceitável.
Surge também Henrique Gouveia e Melo, um produto do tempo do medo. Nasceu politicamente quando se proibiu, se impôs e se mandou calar, tudo em nome da “saúde”. Transformaram um gestor de ordens num salvador nacional, como se a logística fosse uma virtude moral. Autoridade sem política. Disciplina sem liberdade. Hierarquia sem representação. Não é um presidente para cidadãos. É um comandante para súbditos.
E há ainda António José Seguro, o Partido Socialista a fingir que mudou (como de costume). Nunca rompeu com Guterres, nunca se afastou de Sócrates quando devia, nunca assumiu qualquer corte real com o passado que trouxe o país até aqui. Serve para branquear, não para transformar. Seguro no nome, seguro para o sistema. (exactamente)
Por fim, João Cotrim de Figueiredo: arrumado, limpo, inofensivo. Acredita na forma, não no conflito. Reformador de pose, risco zero, perfeitamente integrado no circuito respeitável, ao ponto de apoiar Ursula von der Leyen. Num país saudável, talvez bastasse. No país real, é irrelevante. (irrelevante é ser simpático)
André Ventura tem (imensas) falhas? Naturalmente.
Concordo com ele em tudo? Nem por sombras.
(NEM POR SOMBRAS)
Mas é o único que não veio para manter a música ambiente. (SIM)
Não escrevo isto para converter ninguém, nem tenho ilusões quanto ao peso da minha opinião. COMO EU
Cada um vota como entende, com a consciência e a informação que tiver.
Para bem ou para mal, é isso a democracia.
Independentemente do resultado, Ventura já fez aquilo que os outros evitam: obrigou o sistema a mostrar-se. (PARECE EVIDENTE)
Ignorar isto não é virtude.
É recusa em ver.
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Passada este mini novela, convinha olhar para coisas de facto importantes, tendo sempre presente como salientei diversas vezes que um PR não legisla, não governa, não define políticas, mas também não é um corta-fitas e tem certas competências constitucionais. Deve servir e liderar pelo exemplo, e não passar a vida a passear de Falcon e a apalhaçar o órgão de soberania PR.
Penso que na 2ª volta as coisas não decorrerão tão mal como ocorreu na 1ª volta. Mas duvido que quer um quer outro se centrem com rigor nas competências constitucionais que a CRP estabelece para o PR. Vai haver muitas promessas, creio que sobretudo de Seguro, para agradar à extrema esquerda, à esquerda, ao centro, à direita moderada, decente. O costume.
Como referi várias vezes há uma competência explicita que a CRP estabelece para o PR - enviar mensagens à AR.
Creio que deveria ser bastante usada, em vez de andar diariamente a sorrir e debitar vacuidades para os pés de microfone como Marcelo sempre fez, e outras patetices como promulgar com discordâncias.
Não são pactos, é escrever à AR o seu entendimento. Porventura tentar alguma prévia harmonização verbal em reuniões de 5ª Feira com o PM.
Portanto e por exemplo, pois a lista é imensa:
Que lugar, é o de Portugal no mundo de hoje? Qual deveria ser?
É que D.João II, Tordesilhas, a pimenta, a seda, o ouro brasileiro, a Diamang, o café de África, as colónias, isso está tudo na história e não me coloca o pão à mesa, nem me ajuda no hospital, nem a pagar a brutal mensalidade do lar da minha muito idosa mãe, facto que me vai estrangulando a vida.
Qual o tecido social de Portugal? Que problemas?
O que realmente nos trouxe até aqui?
Quais os reais problemas no nosso sistema de saúde (SNS, privados, cooperativos)? É que não são bem a gritaria da FNAM, ou da ordem dos médicos, ou dos que ganham rios de dinheiro com a incompetência de décadas de ministros (PS e PSD) e de gestores e administradores hospitalares.
Que questões reais a enfrentar nos sectores da, economia, indústria, emprego, parque habitacional, infra-estruturas, florestas, ordenamento territorial, despovoamento da maior parte do país?
Como assegurar fiscalização eficaz dos nossos interesses nas enormes ZEE sobre as quais temos jurisdição?
Como inverter o despovoamento de grande parte de Portugal Continental?
Como se inverte de facto a complicada situação no domínio da habitação?
Quando se ordena adequadamente o território, acabando de vez com as enormidades de termos um sem número de freguesias com muito mais população residente que muitas "chamadas" cidades?
ETC. ETC. ETC. ETC.
Neste vazio, neste vazio de políticas particularmente desde 1991, neste pântano lamacento criado pelo PSD e PS mas sobretudo com mais culpas deste último pois é quem mais tempo esteve no poder (e então os magníficos 8 anos e semanas), foi deste vazio e deste estado deplorável a que chegámos que nasceu o inarrável Chega, foi dele que germinou Ventura (mediaticamente eficaz), que passa o tempo a apontar culpas (tem infelizmente razão em várias coisas) mas soluções concretas e exequíveis é que não são mostradas.
Como vai ser a 2ª Volta?
Já basicamente o escrevi e creio que infelizmente não me vou enganar, circo e gritaria de Ventura, e o ar Guterriano e mole de Seguro que, repito o que antes escrevi, considero uma pessoa decente. Mas só isso, sendo importantíssimo, creio poucochinho para o caso vertente.
Salvo melhor opinião a democracia portuguesa continua doente. E não é só porque surgiu o Chega, cresceu o Chega, apareceu Ventura. Da esquerda à direita continuam a não querer perceber que muita gente está farta da pouca vergonha lamacenta.
Ventura e outros, confundem exposição mediática com capital político.
Ventura e outros creio que se enganam quanto às reais preocupações dos portugueses, porventura mais ainda PSD, PS e esquerdalhada (a ortodoxa e a incoerente e inconsequente).
Continuo a pensar que Portugal não é o país trágico anunciado à esquerda do PSD, não é o país a singrar bem como diz o PSD, e se em Portugal há cerca de 2 milhões a viver na pobreza a culpa é obviamente dos sucessivos governos do PSD e PS e dos deputados que sempre os apoiaram.
Estes dois partidos continuam (na minha perspectiva mas como sempre admito poder estar a ver mal as coisas) a não perceber nada do que se passa. O Portugal real não é o que mostram os estúdios de TV, não é o das sondagens, não é bem o que a espaços mostre a macroeconomia.
Além destes PSD e PS, os representantes/ candidatos do PCP e esquerdalhada que, salvo erro tiveram menos votos que o tal de João Vieira, continuam a não perceber nada, a não aprender nada.
Como dizem os cidadãos simples, isto não vai lá com, políticas erradas para o mundo laboral, erradas no plano social, erradas no âmbito da saúde, erradas ou ausentes no plano do parque habitacional (Costa anunciou mundos e fundos e duas vezes a construção de "n" fogos; viu-se, maior aldrabão não há), mais que discutíveis no que parece quererem agora fazer quanto a Forças Armadas, e um longuíssimo. etc.
Como dizem os cidadãos simples, isto não vai lá com, xenofobia, racismo, crispação, descontrolo quase absoluto sobre o que se passa dentro de portas quanto a imigração MAS TAMBÉM quanto a criminalidade violenta, nazi e outras, isto não vai lá com indisciplina mas também lá não vai com agressões e arruaças e manifestações estranhas.
Numa coisa Seguro tem toda a razão: se a política não serve para falar dos problemas reais das pessoas, se a política não serve para melhorar de facto e em concreto a vida das pessoas, então não serve para nada (creio que corresponde quase na íntegra ao seu discurso de vitória da 1ª volta).
Mas meu caro concidadão António (como eu) José Seguro, e quase certo futuro PR, só agora descobriu isso?
Quando andou anos com Guterres e com Sócrates isso não lhe ocorreu?
Não deixou passar já muitos anos? Podia ter descoberto antes e agido diferente.
Como disse acima, tenho-o na conta de pessoa decente.
Mas só isso parece-me insuficiente.
Vasco Pulido Valente no artigo que já aqui no blogue recordei definiu-o bem, certeiramente.
Respeitosamente, mas é a minha opinião, é de facto "poucachinho".
Como sabe o voto é secreto, e apesar de continuar em vigor uma das mais estúpidas leis nacionais, posso dizer-lhe algo sobre 8 de Fevereiro.
Há quatro hipóteses para esse dia.
Duas possibilidades são colocar uma cruz no quadrado perto da sua cara ou no quadrado junto da cara de Ventura.
Está a adivinhar bem, em nenhum será.
Posso ainda acrescentar, nunca desde 1974 deixei de votar, e nunca inutilizei um boletim de voto.
Vai ganhar, folgadamente, é a minha a convicção, pois o Portugalinho gosta de continuar como de costume, até aqui.
Já dizia o Queirosiano brigadeiro - Portugal é pequenino mas um torrãozinho de açúcar.
A minha curiosidade vai para qual será a sua votação concreta e a de Ventura. Creio que haverá mais abstenção.
Passe bem senhor futuro PR.
António Cabral (AC)
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