A E R O P O R T O - NAL
O tempo vai passando e nos gabinetes e nos encontros/almoços de negócios as coisas vão sendo alinhavadas. Como de costume, como sempre foi e assim continuará. Tudo legal, tudo normal, tudo democrático, tudo dentro dos conformes como diz o povão, nada de coisas más.
Em tempos li algures isto:
Governo vai controlar desenvolvimento urbanístico na área do novo aeroporto. Objectivo do executivo é “evitar a ocorrência de alterações ao uso do solo que possam comprometer ou tornar mais onerosa a instalação do novo aeroporto”.
Na altura em que sobre isto falei considerei esta posição publicamente anunciada como fortíssima candidata à melhor piada do ano de 2025.
Recordo isto agora e outras coisas pois apercebi-me hoje que, através de uma carta aberta, algumas associações de moradores e juntas de freguesia terão proposto à ANA-Aeroportos de Portugal com cópia para o governo, uma deslocação da implantação das pistas deste planeado aeroporto.
Uma deslocação de cerca de cinco quilómetros para Oeste fazendo-o coincidir com a localização da actual pista militar existente no chamado campo de tiro de Alcochete.
Do que li, a proposta basear-se-á em determinados estudos encetados por equipas especializadas com ligações às ditas associações locais.
Aparentemente, a aceitação desta proposta levará a uma redução de cerca de 70% do número de residentes afectados pelo ruído aeronáutico, com ganhos directos na saúde pública.
Outro argumento é o de levar a concentração da infra-estrutura para solo público já afecto a uso aeronáutico militar, com a inerente redução de necessidades de expropriação.
O construção do novo Aeroporto de Lisboa (NAL) na área do Campo de Tiro de Alcochete (que na realidade está quase todo fora do concelho de Alcochete) tem diversas vantagens e inconvenientes, como aconteceria com outra qualquer eventual localização. Claro que há por exemplo impactos ambientais relevantes, como haveria noutra qualquer localização.
Sabe-se, há vários que sabem, há vários que continuam a esconder isso, que uns milhões de anos lá para trás, do Tejo a toda a grande península de Setúbal, dizem até alguns grande parte do actual distrito de Setúbal, era provavelmente um lago (pelo menos uma região que, no Período Terciário, seria um delta, que ligaria o Tejo ao Sado).
Dizem alguns que "hoje", lá por baixo, em toda esta extensa região há bastante mais que um Alqueva, haverá uma reserva de água brutal.
Por outras palavras e pensando em terrenos, sabe-se perfeitamente que no famoso Campo de Tiro de Alcochete, a esmagadora maioria do terreno é arenoso.
Por outras palavras, a penetração no terreno é muito mais fácil do que em outros terrenos.
Há quem tenha explicado que, com base sobretudo num estudo profundo que terá sido realizado em 1992, a construção de pistas de aviação aptas para receber aterragens dos monstros voadores do presente que andam pelas 250 toneladas, é uma coisa muito complicada tecnicamente, e é quase certo que necessidade e uma manutenção especial neste tipo de terrenos muito difíceis será sempre uma constante e caríssima.
O nível freático é extremamente baixo.
Toda aquela imensa região é, sobretudo, areia e arenitos.
Diz quem sabe que, olhando a profundidades,
1) Aos 14 mts há um caudal de água de 60 m3, ininterruptos!
2) Aos 100 " " " " " " " " 150 m3 !
3) Aos 150 " " " " " " " " 250 m3 !
4) A partir daí, o caudal de água é quase ilimitado !
Construir portanto uma pista num terreno arenoso, para aguentar as tais 250 toneladas, implicará aquilo que tecnicamente se designa por "caixa", e é quase certo que não poderá deixar de ter pelo menos uns 10 metros de profundidade, com um dispositivo para estabilizar a areia constituído por troncos de cone em betão em todo o comprimento e largura da pista, e com os espaços entre eles a terem que ser cheios com brita e "touvenant", e por cima as massas de pavimento !
3) Aos 150 " " " " " " " " 250 m3 !
4) A partir daí, o caudal de água é quase ilimitado !
Construir portanto uma pista num terreno arenoso, para aguentar as tais 250 toneladas, implicará aquilo que tecnicamente se designa por "caixa", e é quase certo que não poderá deixar de ter pelo menos uns 10 metros de profundidade, com um dispositivo para estabilizar a areia constituído por troncos de cone em betão em todo o comprimento e largura da pista, e com os espaços entre eles a terem que ser cheios com brita e "touvenant", e por cima as massas de pavimento !
Como é que se pára um caudal de água que começa a aparecer logo aos 10/ 11 metros de profundidade sendo relevante aos 14??
Apenas uma coisa única na vida não tem solução: todos morreremos um dia.
Tecnicamente, a questão superficialmente abordada tem solução?
Terá certamente mas, mesmo para um leigo como eu que apenas sabe uns pózinhos "bebidos" de quem sabe, é por demais evidente que a construção de pistas naquela zona capazes de suportar operações contínuas dos actuais monstros do ar, será CARÍSSIMA, e que a sua manutenção CONSTANTE CARÍSSIMA SERÁ.
No presente praticamente tudo se resolve tecnicamente, a tecnologia e a engenharia isso permite. Tudo tem os seus custos e isto acima referido não será um drama existencial.
Mas o que acho notável nisto é que nenhum jornalista, nenhum político, nenhum engenheiro, nenhum analista, nenhum comentador, fale destas questões.
É que não se trata de algo poder custar mais 5 000 ou menos 5 000 Euros. É tão só um dado importante na questão geral NAL.
Que a ANA esteja calada que nem uma mula eu percebo, pois queria a extensão / complemento Montijo e, se esta hipótese estiver mesmo definitivamente excluída, como parece estar, quererá "abichar" o "seu" no NAL.
Agora, tudo calado, nem um pio? Fala-se em certas questões e não em outras? Eu acho esquisito, muito esquisito!
Para já juntas de freguesia e associações de moradores estão legitimamente preocupados com as questões de saúde dos residentes na área adjacente ao projectado NAL.
Podem ficar descansados que o governo, este e os seguintes, garantirão o melhor para os cidadãos. Eles GARANTEM sempre.
Lembrem-se, desde Belém a S.Bento, desde ministérios a entidades outras, desde responsáveis diversos a . . . etc., em Portugal todos GARANTEM!
Estejam portanto muito descansados!
António Cabral (AC)
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