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quarta-feira, 15 de abril de 2026

PORTUGAL,  a  propósito  de  MEMÓRIA 
Como escreveu um dia José Mattoso sobre "Fazer História", e de que repesco várias afirmações suas e que reproduzo, outrora fazer história era contar os feitos gloriosos dos que exerciam poder.

Mais tarde, foi contar o que era importante, contar o que de importante se passara num país ou numa época, considerando-se importante designadamente o que havia provocado maiores transformações, ou envolvido mais gente, ou acções de poder. 

Também se considerou história mostrar-nos o mal praticado por uns e o bem realizado por outros. Exaltar os progressos da Liberdade, da Democracia ou da Ciência.

Mais recentemente a história dos grandes movimentos sociais e económicos, procurando aí  a explicação mais profunda  do dever humano ou a sua compreensão global.

Depois, sucedeu a preocupação com maior rigor, a verdade, iniciou-se a crítica das fontes, chamou-se o auxílio da estatística e de muitas outras ciências, e a história alargou o seu campo de observação. 

Estudar-se a evolução dos factos sociais, os sentimentos, rituais e crenças, família, espaço e tempo, linguagem, escrita etc.
Tudo portanto o que é humano ou ajuda a compreender o homem nos seus mais variados aspectos.

Naturalmente, o alargamento dos campos de pesquisa criou alguma relativização da noção da verdade histórica ou de objectividade do discurso histórico.

Mattoso referia que se a história pretende responder à insaciável curiosidade do homem pelo seu próprio passado como forma privilegiada da compreensão do presente, não pode renunciar à busca da objectividade e do rigor.

Este recurso a algumas considerações históricas e passadas nomeadamente de José Mattoso vem a propósito de certos tiques na sociedade portuguesa das últimas décadas.
E não me refiro aos praticamente 52 anos de regime de direito democrático. Falo de várias décadas da sociedade portuguesa, desde nomeadamente 1940/ 1945.

Na sociedade portuguesa e em particular quanto aos tempos mais recentes, os das "Bolhas" (esquerdalha extrema, esquerda moderada e decente, direita moderada e decente, direitola extrema e retrógrada) persistem as narrativas e o teimarem que a história é como eles dizem que foi e não como aconteceu na realidade, em todas as dimensões.

E refiro sem grandes detalhes mas com clareza por onde quero começar: pelo Estado Novo. 

Antes do 25 de Abril de 1974, não só mas sobretudo através de acções armadas/ terroristas da ARA (braço armado do PCP), da LUAR e dos operacionais de Carlos Antunes e associados, foram executados diversos ataques a instalações, a infra-estruturas, desvio de avião da TAP e assalto ao Sta Maria onde criminosamente assassinaram um dos oficiais. Criminosos que vieram a ser considerados democratas.

Mas além disto acima superficialmente indicado e que assentou essencialmente em luta política contra o regime ditatorial do Estado Novo, a execrável polícia política, mais a GNR e mais a PSP executaram ao longo do tempo diversas pessoas. Não tenho presente se a Legião também teve este deplorável cadastro.

Depois do 25 de Abril de 1974, adquirida felizmente a liberdade e começada a construção do Estado de direito democrático, houve uns primeiros meses de inicial e compreensível e legítima explosão social, a que se seguiu um período em que Spínola e associados não quiseram perceber que tínhamos de largar (e já íamos atrasadíssimos, opinião pessoal naturalmente) os territórios em África e, depois, um lastimável período de alucinação quase geral (PREC) de 11 de Março a 25 de Novembro de 1975.

Em 25 de Abril de 1975 realizaram-se felizmente as eleições para a Assembleia Constituinte, eleições que alguns queriam pelo menos adiar, mas que agora os seus seguidores e defensores dos de então fingem que nada disso foi tentado. 
Os resultados dessas eleições deram a primeira forte derrota à esquerda ortodoxa e extrema esquerda, que nunca o engoliram, e por isso desenvolveram o PREC. É a minha opinião, naturalmente.

Neste período (PREC) ocorreram infelizmente coisas inaceitáveis, designadamente assaltos a sedes de partidos políticos e nomeadamente às do PCP. INACEITÁVEL a todos os títulos.
Assaltaram e incendiaram a embaixada de Espanha. DEPLORÁVEL.
Outros colocaram bombas e mataram pessoas. DEPLORÁVEL.

ELP, MDLP, FP 25 de Abril e outros grupelhos e indivíduos são (opinião pessoal naturalmente) nódoas na nossa história recente.
Como nódoas na nossa história ficaram (opinião pessoal, naturalmente) certas amnistias.

Em 1976 prosseguiram os bombistas, de origens diversas.

No PREC prenderam pessoas sem mandato, etc.

Para uns o 25 de Novembro de 1975 foi redentor. !?!?!?!

No PREC e ainda uns largos tempos depois houve de tudo, bombas, atentados, mortes como em Vila Real e não só.

E a mortandade das FP 25 Abril por anos, incrivelmente, já com o regime mais que estabilizado.

Enfim, um período maravilhoso (opinião pessoal naturalmente) a seguir a 25ABR74, seguido de bastante loucura, seguido de atentados. Nódoas imensas da nossa história.

Mas vivo no regime onde me sinto bem.

O que me incomoda é não esclarecerem de uma vez por todas o que nebuloso continua. Da esquerda à direita. Permitindo demagogia, deturpações.

Ontem ( a isso dedicarei poucas palavras noutro texto) enchi-me de coragem e assisti à "cena" entre o filósofo há décadas dedicado à história (Pacheco Pereira) e o insuportável deputado de extrema direita (Ventura).

O que dali saiu foi . . . . basicamente nada quanto a, esclarecimento, rigor, verdade. É a minha opinião admitindo, COMO SEMPRE, poder estar a ver mal isto tudo.

AC

domingo, 13 de julho de 2025

A DESCARADA AUSÊNCIA DE QUASE TUDO
Não é de agora mas, crescentemente, cada vez lhe dão mais tempo de antena, seja em intervalos na Assembleia da República, seja em conferências de imprensa convocadas pelo próprio, seja em sucessivas entrevistas nos canais de TV.

Naturalmente, é próprio do nosso regime e ainda bem, para todos sem excepção, liberdade de opinião, liberdade de pensamento, liberdade de expressão, etc.

A ninguém deve ser vedado que apresente as suas condições, opiniões, a defesa das suas causas.

Mas, democraticamente, devem combater-se com frontalidade as posturas, as causas, as demagogias, as mentiras, TUDO AQUILO que, claramente, afronte ou contrarie normas valores e princípios consagrados na nossa Constituição.

Mas creio que é obrigação de todos os jornalistas não se enxofrar com ordinarices, como as de Sócrates, com os seus "números" e falta de educação, e com as de vários outros, acometidos ou não de estranhos problemas de saúde.

Agora, choca-me pessoalmente verificar o espaço que legitimamente se dá a um político mas, por outro lado, verificar que as direções e as redações dos OCS não se deram ao "incómodo" de mandar cobrir decente e razoavelmente o velório e funeral de Garcia dos Santos. Tão só um homem que foi fundamental e decisivo na madrugada de 24 para 25 de Abril de 1974.

Dessa ausência que considero lastimável (opinião pessoal, naturalmente), devo legitimamente concluir que, premeditadamente, se está a contribuir para ver se rapidamente se esquece o dia celebrado por Sophia?

Será?
Estou a ser injusto com o jornalismo português?

António Cabral (AC)

sábado, 26 de abril de 2025

PASSARAM  51 ANOS

Salgueiro Maia (á esquerda na fotografia) sempre preferiu cumprir Abril, a grandes festas, que se cumprisse o que na Revolução dos Cravos se prometeu aos portugueses.

Muito se cumpriu.
Muito se melhorou.
Hoje, andam todos calçados.
Hoje há acesso à instrução.
Hoje à mais acesso aos cuidados de saúde.
Hoje há mais cuidado com as crianças e com os idosos.
Hoje não temos colónias.
ETC.

Mas hoje, também, cada vez mais se assiste à festa pela festa, aos discursos gongóricos, aplaudidos pelos do costume.

Mas hoje, também, se assiste ao aumento de desigualdades, ao crescimento dos sentados à mesa do Orçamento do Estado, ao crescimento da mentira, ao destroçar da cultura e tradições portuguesas.

Hoje está a haver demasiada festa enquanto, na realidade terrena, na realidade da economia, na realidade das famílias, crescem os problemas e Portugal, teoricamente integrado num pelotão desenvolvido, ocupa os lugares de trás. Muitos dos países da esfera Soviética nos ultrapassaram já.

Mas Tavares, Montenegro, Pedrinho, Raimundo, Mortágua, Rocha, André, Real, Marcelo, Aguiar, andam eufóricos e contentes, cada um à sua maneira.

Tenham um bom sábado. Bom dia, saúde, boa sorte.
AC

sexta-feira, 25 de abril de 2025

25 de ABRIL 1974

O 25 de ABRIL cumpre-se, disse um dia Salgueiro Maia.
Os festivaleiros do regime podre estão-se borrifando para a pureza de Salgueiro Maia.

Haja cravos, haja muitos Falcon para passear os senhores, haja fundos Europeus de que se desviam uns quantos Euros para comprar os carrões e as casas ou as propriedades no Alentejo ou no Minho.

Haja muita demagogia, mentira e corrupção, mas festa!
25 de Abril SEMPRE, mas acabem com a canalha
António Cabral
LEI, labregos, ignaros, incompetentes
Faleceu o Papa Francisco.
Os rituais e normas inerentes ao Estado do Vaticano estão em marcha.
O funeral está marcado para a manhã de 26 de Abril próximo.
E lá irão a Roma e ao Vaticano bem antes da alvorada para chegarem antes das 0900 horas, o beato-mor e o séquito habitual de pirosos, incluindo vários dos que se colocam sempre em bicos de pés.
Se mais aviões Falcon houvesse . . . . .

Quanto a fé, deve respeitar-se o que cada um professa.
Mas convinha não misturar responsabilidades de cargos institucionais que são definidos pela CRP, com a crença e fé de cada um.
Como estipula o Art. 41º da CRP - a liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável.

Em Portugal, uma grande maioria dos portugueses é católica e na maioria dos casos são baptizados.
Contudo, por normativo constitucional, o Estado português é laico (nº 4 do Art. 41º), pois as igrejas e as comunidades religiosas estão separadas do Estado.

O Decreto governamental do luto nacional e já publicado em Diário da República, não impõe ou fixa, ele próprio, quaisquer medidas específicas ou restrições concretas às atividades quaisquer que sejam, de entidades e pessoas públicas ou privadas. O Decreto limitou-se a determinar o luto de três dias e fixou esses dias.

Não existe legislação alguma que obrigue ao cancelamento ou adiamento de festividades e cerimónias, sejam quais forem. 
Mas é natural, é habitual, que exista quem, público ou privado, decida suspender ou aligeirar determinados eventos. 
Por exclusiva iniciativa, por assim entender o respeito ao luto decretado.
Outra coisa é a colocação da bandeira nacional onde ela é habitualmente hasteada. Há regras para isso.

Mas a imbecilidade grassa também neste governo como grassava nos anteriores.
A triste figura designada por Leitão Amaro, por eventual interpretação tosca da decisão do Conselho de Ministros, veio vomitar uma enormidade para depois meter os pés pelas mãos, e assim dar gozo a toda a oposição e ao tagarela-mor. 
Assim dar oportunidade para os "amanhãs que cantam" e os "anti-fasssistas" berrarem a plenos pulmões.

Como diria o diácono Remédios - não abia nexexidade de ser tão bronco!

Com estas incompetentes criaturas, sempre com poses majestáticas e patéticas de Estado, cada cavadela três minhocas.

Como se verifica, não perceberam que lhes bastava fixar o luto nacional e reconfirmar instruções para o hastear da Bandeira Nacional.

Como não passam de uns labregos chicos espertos, de incompetentes e ignaros, marcaram o luto para 24, 25 e 26 de Abril.
A lei diz que o governo propõe mas é requerida a assinatura do Presidente da República.
Esta criatura assinou, maquiavélico e lacrau como é, agora comporta-se publicamente como parecendo discordante das datas definidas, com as quais concordou.

Se os PM e ministros fossem inteligentes mas sobretudo decentes, teriam proposto o luto para 26 de Abril e mais um ou dois dias. Poupavam-se a tanta berraria.

Adicionalmente e isso é que é importante, o 25 de Abril de 1974 seria festejada e recordado como deve ser, em paz e sossego e com a inerente dignidade, e sem haver esta parvoeira pegada que se verifica deste Belém a S. Bento, passando ainda pelas sedes partidárias e por certa associação, além das sedes dos pés de microfone.

Para terminar, que já estou a gastar demasiado latim com isto, olhando ao historial dos lutos nacionais, chego à conclusão de que as vítimas do massacre de Santa Crus em Timor-Leste valiam muito menos do que, por exemplo, Sadat, Machel, Hirohito ou Amália, pois estas figuras tiveram direito a três dias de luto enquanto aquelas vítimas tiveram um dia.

É Portugal, mais uma vez em todo o seu esplendor.
António Cabral

quinta-feira, 24 de abril de 2025

São 22 horas e 55 minutos no meu relógio

Eram 22 horas e 55 minutos do dia 24 de Abril de 1974 quando se começou a ouvir "E depois do adeus", de Paulo de Carvalho.
Era a primeira senha para colocar em marcha a revolução.
Que havia de ser a dos cravos.
António Cabral

quinta-feira, 20 de março de 2025

25  ABRIL
O 25 de Abril de 1974 tem sido sempre anualmente celebrado. 

Excepcionalmente, creio que uma vez, não foi celebrado na Assembleia da República (AR) onde, obviamente (opinião pessoal, naturalmente) deve ser anualmente celebrado.

Apercebi-me há poucos dias, que houve muitos jornalistas (!?!?) e "Komentadeiras" (sobretudo da treta, que são a esmagadora maioria, infelizmente) a questionar se este ano haveria essa cerimónia na AR.

Ouvi os argumentos mais patéticos.

Finalmente, parece estar decidido que, SIM, haverá cerimónia, a sessão solene habitual.

A Associação 25 de Abril deverá fazer-se representar pois não está lá Passos Coelho. 
Além de que as carreiras e circunstâncias para os militares das Forças Armadas nacionais foram, substancial ou mesmo exponencialmente, muito melhoradas nos oito anos e pouco de governação Rosa sempre brilhantemente chefiada pelo sr António Costa, o tal da actual  mentalidade de segurança Europeia.

Porque carga de água não haveria de realizar-se este ano a sessão solene?

Lá porque a AR teve de ser legalmente dissolvida, os 230 deputados, mais os membros do governo, mais o Presidente da República, ficam fisicamente impedidos de lá entrar, de falar, de discursar, de comemorar? 

Só na cabeça de doidos é que se coloca uma coisa destas. 
Até os execráveis, estou convencido, não se oporão.

Ao jornalismo (????) a que se chegou! Santa e democrática paciência.
AC

sábado, 15 de março de 2025

COMEMORAÇÃO do 25 de ABRIL de 1974
Em 1993 o histórico evento não foi comemorado na Assembleia da República.
Lembram-se porquê?

Não, não foi porque a AR estivesse dissolvida.
É que nessa altura todos os órgãos de comunicação social decidiram em bloco boicotar todos os trabalhos parlamentares.

Lembram-se porquê?

O protesto deveu-se ao facto de ter sido fortemente limitada a circulação de jornalistas dentro de S. Bento.
Assim, se o evento fosse celebrado como de costume, não haveria qualquer cobertura do mesmo pelos órgãos de comunicação social.
Por essa razão, decidiu-se cancelar a sessão no Parlamento.

Agora, lembram-se quem foi o principal instigador desse impedimento de circulação dos jornalistas?

Tentem verificar. 
Depois sigam o trajecto e posições da criatura.
Em tudo isso e mais coisas se encontram muitas das explicações dos porquês sobre a situação a que se chegou.

AC

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

PÚBLICO, 23DEZ2024
No jornal Público acima indicado saiu um artigo/ notícia que se transcreve parcialmente. Sublinhados da minha responsabilidade.

Vasco Lourenço
“Continua a haver muita coisa para dizer”


No dia 25 de Abril de 1974 centenas de jovens militares, a maioria deles com idades abaixo dos 30 anos, uniram-se para derrubar o regime. E houve um homem que esteve no centro desse furacão: Vasco Lourenço.

Nascido em 1942 na Lousa, em Castelo Branco, . . . . .. . 
. . . . . . . . . .
Foi o momento de perceber que tudo valera a pena. Todos os riscos tomados foram premiados com uma vitória no momento mais importante da História do Portugal contemporâneo. Logo após a Revolução, surgiram as publicações editoriais com variadas perspectivas dos acontecimentos. “Algumas dessas publicações são pouco tratadas, pouco trabalhadas, vê-se que foram escritas sob pressão, mas tiveram grande importância”, refere o actual presidente da Associação 25 de Abril.

As dúvidas daqueles que planearam a queda do regime foram-se esbatendo à medida que passos mais sólidos iam sendo dados, mesmo que a politização dos militares fosse, nalguns casos, bastante insípida. “Estávamos absolutamente convencidos de que íamos fazer aquilo que a generalidade dos portugueses queria que zéssemos. E, portanto, questionávamos pouco. A politização era muito fraca, havia ausência de politização na maior parte de nós.”

O amparo que depois sentiram nas ruas, a euforia entrelaçada com o agradecimento popular validou toda a acção contra o poder instituído.

Os livros desta colecção avivam estas memórias, mas existem ainda assuntos que, passados 50 anos, estão por revelar, sublinha Vasco Lourenço: “Continua a haver muita coisa para dizer e muitos mitos criados”, que a História ainda haverá de desfazer.

Não por acaso, o militar de Abril tem em mãos a conclusão de um livro de memórias que se dedicará ao assunto. “O livro está praticamente pronto. Conto episódios que colocarão em causa alguns mitos que foram criados. Tenho andado num conito pessoal porque sei que, quando o publicar, vou dar desgostos a algumas pessoas. Vou desfazer alguns mitos. No mínimo, ca escrito para memória futura.”

Se dúvidas existissem, sobre o 25 de Abril ainda não se disse tudo. Fica aqui a prova dada por um dos maiores e mais legítimos protagonistas da Revolução. “Por vezes revolta-me ver situações concretas, pessoas a aceitarem protagonismo de coisas de que não foram protagonistas. Desgosta-me ver a hipocrisia que é, por exemplo, as forças que foram vencidas no 25 de Novembro quererem comemorar a data como se tivessem sido elas as vitoriosas.

Sem se escusar à polémica, Vasco Lourenço refere, sem rodeios, que o grande vencedor dos acontecimentos do 25 de Novembro foi “a Constituição da República Portuguesa”, um documento que “só foi possível aprovar e pôr em vigor porque houve” este contragolpe.

. . . . . . . . . o 25 de Abril, por contraste, é um símbolo de liberdade. Foi e continua a ser”.
. . . . . . . .

Será que vai ser desta que acabam com mitos e sobretudo com certos mistérios? Vai mesmo ser tudo dito? Hummm . . . 
Aguardemos.
AC

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

REVOLUÇÃO do 25 de ABRIL
Ideologia
Como se sabe, o 25 de Abril não tinha ideologia. E exactamente na medida em que não tinha ideologia, os oficiais que o fizeram não se propunham construir um "regime novo" - mas apenas acabar com o velho . . . . . 
Porém, dez anos depois do movimento militar, o país verifica também que existe afinal uma "ideologia do 25 de Abril".
. . . . . . . .
Ela é a de um grupo de oficiais e civis que tem como símbolo o major Vasco Lourenço. Por que é que isto aconteceu não se sabe ao certo.
Por que é que . . . . . foi Vasco Lourenço . . . . . que ficou para a história como o depositário do "verdadeiro espírito do 25 de Abril e o seu capitão por excelência", é coisa que provavelmente nunca se apurará.
O que se sabe é que o 25 de Abril, que há dez anos não tinha ideologia, hoje tem.
Ela situa-se claramente na área da esquerda, entre o Partido Socialista e o Partido Comunista.
(José António Saraiva, 28.04.84)

AC 

quinta-feira, 2 de maio de 2024

DIZ  JOSÉ PACHECO PEREIRA
"A mistificação parte do princípio de que em 2024 há unanimidade à volta do 25 de Abril, o que não é verdade
O modo como à direita, radical, se tem usado como contraponto ao 25 de Abril o 25 de Novembro é objectivamente contra o 25 de Abril, até porque o 25 de Novembro da direita é uma falsificação histórica
Não me parece que o objectivo de criar uma comissão oficial para celebrar o 25 de Novembro seja para homenagear o grande lutador pela democracia em 1975 no plano civil, Mário Soares, ou o partido mais relevante nessa luta, o PS, e os militares do Grupo dos Nove, como Vasco Lourenço ou Sousa e Castro ou Ramalho Eanes e o Presidente Costa Gomes, tudo gente que a direita detesta
E limitar essas comemorações a Jaime Neves, que actuou sob ordens, é um reducionismo absurdo, assim como esquecer o papel decisivo de Melo Antunes, que somou à derrota da esquerda militar no dia 25 a vitória sobre a contra-revolução, recusando no dia 26 ilegalizar o PCP."

(sublinhados da minha responsabilidade)

Concordo com tudo o que em cima está reproduzido.

Pessoalmente considero o 25 de Novembro de 1975 muito importante, a não esquecer, mas a data fundadora do regime - 25 de Abril de 1974 - é a data/ o momento mais importante.

É cada vez mais claro, como refere JPP, que há cada vez mais "execráveis artistas" a arrotarem postas como se fossem os donos do 25 Novembro.
Como aqui logo na altura escrevi, só por pura tolice para dizer o mínimo, se tem a lata e o despudor de anunciar num comício político uma coisa que porventura virá a ser decisão (boa ou má) do actual governo.

É como estamos, com mistificações, com mentiras, com falsidades, com mitos, com descarada ausência de vergonha na cara enfim, com montes de gente execrável.
Democraticamente tenho de os respeitar e respeito, mas discordo liminarmente desse tipo de gente como a que JPP bem aponta.
AC

quarta-feira, 1 de maio de 2024

25 ABRIL, Alegria, Liberdade, Tango,  
Mais Vale 1 na Mão que 2 no Soutien! (última linha)
AC
AINDA os 50
OS   DISCURSOS
O Inquilino em Belém fez por nos dar uma lição de história. 
Lembrou personalidades várias, creio que neste aspecto esteve bem. Ponto!

Oa representantes dos partidos com assento parlamentar discursaram.
Em alguns casos . . . . mas como sempre respeito as opiniões de outrem. Depois, discordo ou concordo.

Como sou Republicano não gasto tempo com monarquia!

Mais uma vez, não é novidade, houve palavras para todos os gostos e para todos os. . . . . desgostos!

Do Livre, BE, PCP e de certa forma também PS, assinalados os perigos que no entendimento deles se colocam cada vez mais no nosso presente. Alertas para populistas, populismo, saudosistas.

Não houve grande novidade, do meu ponto de vista naturalmente, mas  o populismo está aí bem vigoroso, infelizmente. 
Haverá alguns saudosistas, alguns bem estúpidos (opinião pessoal naturalmente) mas creio que é discurso que ou mudam alguma coisa ou continuarão a definhar em votos.

O discurso de Pedro Nuno Santos pareceu-me muito fraquinho.

Gostei bastante da maioria das palavras, do tom, da jovem deputada do PSD.

Gostei de partes do curioso discurso de Rui Tavares.

Gostei do tom calmo (afinal consegue) com que Mariana Mortágua falou.

Não apreciei nem o discurso nem o tom do IL Rocha.

Apreciei alguma partes do discurso do CDS, não gostei nada de outras.

Quanto ao deputado Ventura gostava de saber quantas horas esteve a preparar aquele improviso.
Adicionalmente, gostava de saber se endereçou agradecimento comovido ao professor doutor Marcelo pela ajuda recebida!
 
O Presidente da Assembleia da República fez um bom discurso. Notável o seu gesto a recordar que, AFINAL, houve algumas vítimas, fruto do desvario dos esbirros da polícia política repressiva.

Fez muito bem em privilegiar a moderação e as soluções concretas, fez bem em chamar à atenção dos porquês de tantos portugueses zangados, fez bem em lembrar que legitimamente todos queremos cada vez mais melhores condições de vida, fez bem em enfatizar que os problemas devem ser resolvidos e a resolução virá de uma boa governação.

E se tudo isto é verdade, opinião pessoal naturalmente, os desafios que se nos colocam são imensos, e todos e sobretudo a juventude temos de olhar para eles, e enfrentar os problemas.

Porque, efectivamente, o 25 de Abril de 1974 não é apenas um marco na nossa história, não pode ser apenas isso, a data marcante da nossa história, deve ser uma Revolução contínua, moderada.
António Cabral (AC)

segunda-feira, 29 de abril de 2024

AINDA os 50
Programa do Movimento das Forças Armadas (PMFA), 
e o Programa e Orgânica do Governo Provisório. 

O PMFA tinha, 
- medidas imediatas (exercício do poder pela JSN, extinção das estruturas repressivas, amnistia de presos políticos, controlar fuga de capitais, abolição da censura e exame prévio), 
- medidas a curto prazo (estrutura da JSN, governo civil provisório, definição de que o período transitório era até haver Constituição aprovada e edição de presidente da república e Assembleia da República e enumeração de responsabilidades do governo provisório a tem caberia lançar os fundamentos da nova vida na sociedade portuguesa), 
- e considerações finais (definindo a extinção da JSN logo após a Constituição e edição dos órgãos de soberania, restringir a acção das Forças Armadas à missão específica de defesa da soberania nacional)

A história subsequente mostrou que algumas coisas correram de forma bem diferente. 

Quanto ao governo provisório a Lei 203/74 estabeleceu as competências atribuídas, a orgânica desse governo e a organização do Estado.

António Cabral 

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Liberdade . O Meu 25 de ABRIL de 2024 

Eu que raramente durmo mal, e vá lá saber-se porquê, hoje acordei eram 0400 horas, o mostrador do despertador não enganava. 

Se bem recordo, mais ou menos a hora a que, há 50 anos e por razões profissionais, acordei para um dia que se iria mostrar longo e sobressaltado. Mas voltei ao ÓÓ, acordei de novo passava das 0700 horas.

O meu dia hoje vai ser pacato, muito pacato.

Daqui a pouco vou buscar a minha muito idosa mãe (serão 99 em Julho) ao lar, aqui perto de casa, e passará o dia comigo e minha mulher.

Filhos e netos cada um nas suas vidas e felizmente creio que todos bem de saúde.

Vai ser um dia pacato, o tempo aqui está uma porcaria e, pelo já referido, antes das 1930 horas não poderei andar na rua, só depois do "passarinho" voltar ao lar.

Assistirei às coisas pela TV, que espreitarei de vez em quando, nos intervalos de leitura, arrumações, pensar com os meus botões. A Nikon boa amiga que é não se queixará de não sair hoje de casa.

E cozinhar, naturalmente, e abrir uma boa garrafa.

Saúde a todos, tenham um bom feriado 25 de Abril.

António Cabral

quarta-feira, 24 de abril de 2024

24 ABRIL 1974, 22 horas e 55 minutos 

Na rádio ouviu-se - "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho.

No meu relógio serão dentro de instantes 22 horas e 55 minutos!

Passaram 50 anos sobre aquele momento.


António Cabral
(AC)