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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Cortesãos
por henrique pereira dos santos, em 16.11.25
(sublinhados da minha responsabilidade)

O título do post vem directamente da crónica de Alberto Gonçalves no Observador de ontem.

Lembrei-me porque andava aqui às voltas, na minha cabeça, com um programa da Rádio Observador que tinha ouvido quando vinha da SIC, onde fui dizer lugares comuns sobre gestão da paisagem, a propósito do tempo (no sentido meteorológico da palavra) dos últimos dias.

Era um programa que juntava vários jornalistas da secção de político do Observador a fazer comentários sobre o pacote laboral e a anunciada greve geral.

Claro que se eu protestar com a péssima qualidade do jornalismo do programa, virá um dos papas do jornalismo actual chamar-me ignorante porque o programa não é jornalismo, é um programa de opinião, embora feito por jornalistas, que só são chamados a pronunciar-se por serem jornalistas.

Nenhum deles é especialista em economia do trabalho, ou direito do trabalho, ou macro-economia, ou em desenvolvimento e produtividade, nada, nada, nada, todos eles são apenas jornalistas a comentar a actualidade num programa de actualidade política, mas não é jornalismo, são programas de opinião em que não se aplicam as regras do jornalismo.

Passando por cima destas questões semânticas, o nível de discussão sobre o pacote laboral pouco ultrapassava o nível das discussões dos meus netos sobre quem é responsável por haver água entornada no chão.

"A greve é um direito, sem sopinhas nada feito" é como se conclui a introdução ao programa, que os jornalistas que não estão a ser jornalistas confundem com um programa de humor, fazendo trocadilhos sem sentido de que se riem muito no estúdio (a tendência para os trocadilhos e para a poesia de terceira qualidade devem ser coisas que me irritam mais no jornalismo actual, mais ainda que a sua má qualidade e incumprimento de regras básicas).

Nem vou pela parvoíce de andarem a repetir cem vezes que o governo não tem legitimidade para propor alterações à legislação laboral porque na campanha eleitoral não falou no assunto (por acaso, até está no programa eleitoral " 4.1.1. REFORMAS DO MERCADO DE TRABALHO: MAIS PRODUTIVIDADE, MAIS RENDIMENTOS ... Modernizar as regras para confrontar a segmentação do mercado e ajustar às transformações no mundo do trabalho ... Simplificação do código do trabalho através da racionalização do articulado, fo cada em reduzir custos de contexto, assim garantindo a maior implementação e compreensão das regras pelas partes ... Revisitar o enquadramento legal e privilegiar a concertação social na definição das regras da relação laboral, ajustadas à realidade de cada setor, ao invés do código do trabalho e demais enquadramentos genéricos legislativos associados;" página 265 e seguintes do programa eleitoral da AD, mas isso até é razoavelmente irrelevante), depois do país ter sido governado com base em acordos entre partidos que foram activamente escondidos numa campanha eleitoral, sem que estes jornalistas que afinal não estão a fazer jornalismo questionassem a sua legitimidade.

"Não deixa de ser, a questão da amamentação ... é completamente contra a ideia de que o país tem de puxar pela natalidade" e parvoíces semelhantes (há alguma indicação, por ténue que seja, de que existe alguma relação entre a regulamentação da amamentação e a taxa de natalidade em algum país do mundo?) ocupam o tempo do programa sem que, em nenhum momento, uma parte relevante da secção de política do Observador ache relevante explicar as razões que levam o governo a querer alterar a legislação laboral.

O governo pode não ter razão nenhuma, as propostas podem ser a maior estupidez, mas o governo não acordou um dia a pensar que era boa ideia chatear os sindicatos (sim, quem anda chateado com as alterações da legislação laboral são os sindicatos, os trabalhadores, que os sindicatos de facto não representam, acharão bem uns, acharão mal outros, e não fazemos ideia do peso global de cada um dos pontos de vista no conjunto dos trabalhadores do país) alterando a lei laboral, há uma racionalidade relacionada com a capacidade das empresas se adaptarem aos contextos em que operam, por exemplo, seguindo o Bloco de Esquerda que despede trabalhadores quando as receitas disponíveis caem abruptamente por falta de votos.

Estes cortesãos, que se perdem em dichotes sobre questões marginais, em programas de jornalistas sobre a actualidade que não são jornalismo, acham inútil discutir as razões dos que estão contra ou a favor, limitam-se a dizer que "a greve é um direito, sem sopinhas nada feito", esperando que os ouvintes, leitores e afins estarão sempre disponíveis para pagar esta pessegada.

segunda-feira, 31 de março de 2025

A ESQUERDA E O JORNALISMO
(desculpe-se o pleonasmo!)

O actual PM ou seja, a pessoa que no presente e ainda que o governo tenha caído na AR na sequência do chumbo da moção de confiança é a que tem a responsabilidade primeira pela governação do país, foi ao hospital de Santa Maria pois teve um problema de arritmia coisa que, como o próprio confessou umas horas mais tarde quando saiu do hospital, o aflige de vez em quando.

A minha presunção é que, desta vez, a crise poderá ter sido superior a outras e, talvez por isso, a prudência em ir rapidamente ver o que se passava. E, a crer nos OCS, esteve no hospital 8 ou 9 horas.

De acordo com o que foi noticiado e que parece corresponder inteiramente à realidade verificada, o PM foi rapidamente atendido e não esteve uma ou mais horas na fila da urgência.

Pessoalmente, parece-me uma circunstância normal e não atentatória ao respeito devido aos cidadãos sofredores que estavam nas salas de espera do hospital com fitas nos pulsos, de cor verde ou amarela.

Podendo estar errado, a mim parece normal, adequado, ter-se tudo passado assim, por razões que se me afiguram óbvias mas que, aparentemente, para a bolha mediática citadina, que vai da cor rosa aos vários tons de vermelho, não será óbvio.

Porque não se dirigiu logo o PM a hospital privado? 
Estava mais perto de um privado ou de Santa Maria?
Será que telefonaram para dois ou três e cardiologista não estaria nesse momento disponível, e daí Santa Maria rapidamente?
Terá sido conselho do seu médico dadas as crises anteriores?

Ah, falta pelo menos equacionar se a crise não foi fraca mas, já agora, convinha fazer um número eleitoral, e demonstrar a devoção de alma e neste caso, mesmo do coração?

Deixo tudo isso aos jornalistas e chefes de redacção da treta, particularmente do Correio da Manhã, do "Perdócio" e dos canais de televisão.

É como estamos, como continuamos. Mal!

Tenham um bom início de semana.
Amanhã chega a chuva. Bom dia, saúde e boa sorte.
António Cabral

sábado, 15 de março de 2025

COMEMORAÇÃO do 25 de ABRIL de 1974
Em 1993 o histórico evento não foi comemorado na Assembleia da República.
Lembram-se porquê?

Não, não foi porque a AR estivesse dissolvida.
É que nessa altura todos os órgãos de comunicação social decidiram em bloco boicotar todos os trabalhos parlamentares.

Lembram-se porquê?

O protesto deveu-se ao facto de ter sido fortemente limitada a circulação de jornalistas dentro de S. Bento.
Assim, se o evento fosse celebrado como de costume, não haveria qualquer cobertura do mesmo pelos órgãos de comunicação social.
Por essa razão, decidiu-se cancelar a sessão no Parlamento.

Agora, lembram-se quem foi o principal instigador desse impedimento de circulação dos jornalistas?

Tentem verificar. 
Depois sigam o trajecto e posições da criatura.
Em tudo isso e mais coisas se encontram muitas das explicações dos porquês sobre a situação a que se chegou.

AC

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

"JORNALÍSTICA" em  TODO  o  SEU  ESPLENDOR
Não pretendo ser injusto mas, de facto, creio que cada vez mais se pode dizer isto com que titulei este postal.

O (dito jornal de referência) Expresso desta 6ª Feira, na sua página 14, tem mais um artigo ao estilo "encher chouriços" que é como quem diz, mais uma peça para alimentar a chama da telenovela do eventual retrocesso civilizacional se Gouveia e Melo (GM) fosse eleito Presidente da República em 2026. Telenovela para a qual o visado tem contribuído.

O dito jornal continua a não divulgar se Marcelo Rebelo de Sousa anda ou não a tomar ansiolíticos e medicamentos para o coração, dado que tem sido noticiado que só a simples evocação dessa eventual candidatura o tem tido cada vez mais ansioso, como a eventual concretização dessa eleição vitoriosa o destroçaria por completo. 
Não mais conseguiria tirar selfies, e ficaria alérgico a "Vichyssoise".

O dito OCS de referência afirma que GM aceitaria o pedido do governo para estar mais dois anos como chefe da Marinha, o que a lei permite, apenas e se lhe garantissem um empenho sério (sério, é palavra que não escrevem) em reforçar as capacidades da Marinha e nomeadamente mais dois submarinos.

Salvo melhor opinião este assunto tem duas vertentes: política e militar.

Quanto à parte política poderemos ainda dissecar em duas facetas, no âmbito global defesa nacional/interesse nacional e na parte do jogo político da normal vida democrática inerente à periódica renovação de cargos políticos como estabelece a Constituição.

Vi que GM recusou com tom que me pareceu agastado a "ideia ridícula" de que o seu futuro depende do reforço de meios da Marinha e acrescentou que os militares não fazem chantagem. 
Deliciosamente acrescentou ainda - "o poder político é que manda nos militares". 
Frase deliciosa, para mim naturalmente, pois sendo evidentemente verdade no regime em que felizmente vivemos interpreto-a como - o poder político é que faz chantagens e nada resolve.

Quanto ao que dizem que Marcelo gostaria não perco mais tempo.
Não perco mais tempo com a questão presidencial.

Vou cingir-e, muito sucintamente, muito superficialmente à questão defesa nacional, na vertente militar, pois é assunto para páginas. 

Infelizmente, a maioria dos meus concidadãos lê  - defesa nacional = tropas. 
A instituição militar é, tão somente, a componente/ pilar militar da defesa nacional.
A defesa nacional vai muito para lá da vertente militar, mas esta é uma questão velha desde o 25 de Abril de 1974, e que é mais um dos exemplos demonstrativos do subdesenvolvimento de Portugal.

Mas antes de ir ao que me importa achei deliciosa a frase de GM -  qualquer pessoa que se oriente pelas sondagens pode ter surpresas, não alimento estados de espírito nem especulação”.

Eu sou razoavelmente ignorante destas coisas, mas quem escreve como escreve na página 14 do dito jornal deixa a quem lê o legítimo direito de ponderar pelo menos estas hipóteses:

1. o artigo parece ser mais um para, como disse, encher chouriços, para puxar pelas vendas,
2. o autor parece estar a fazer mais um frete a Belém, para ver se consegue mais acesso ao inquilino, 
3. o autor parece não ter noção rigorosa sobre o processo de aquisição de um navio militar (barco é civil), que é pesado, longo de anos, 
4. o autor parece não ter noção rigorosa dos procedimentos legais por que passa a inscrição de meios para os ramos das Forças Armadas na proposta de lei de programação militar a apresentar periodicamente na Assembleia da República. Processo complexo, fastidioso, de anos.

Certamente que não foi com intenção dolosa, mas depois de o ter lido, tenho o legítimo direito de pensar que o autor nos considera burros.

Eu sei que o autor do artigo é um homem interessado pelos assuntos militares e de defesa nacional; até já o vi em eventos na Assembleia da República onde também estive, e até estive sentado relativamente perto dele num dos últimos.

Mas, sinceramente, afirmar em síntese que como a lei permite GM aceitaria recondução por mais dois anos como chefe da Marinha SE, SE, SE. . .  é intrujar grosseiramente os cidadãos.

Ou o senhor jornalista não conhece o que se tem passado particularmente desde 1991, não conhece directivas ministeriais, não conhece ciclo de planeamento, não conhece o passado das sucessivas leis de programação militar, não conhece as questões sobre helicópteros nas FA desde 1989, não conhece os crescentes estrangulamentos financeiros dos ramos das FA, não conhece a alteração do processo de nomeação de chefias militares operado em 1994 depois de uma azia monumental surgida quando do processo de substituição de um chefe de Marinha, etc. etc. etc. etc. ?

Não vou entrar em questões técnicas de que aliás sei muito pouco.

Promessas? Garantias?
Enfim, ao que chegámos.

Tenham um bom fim de semana.
Arranjem muita paciência. Saúde.

António Cabral (AC)

sábado, 18 de julho de 2020

SUPER DESCARADA AUSÊNCIA de VERGONHA na CARA
É de facto preciso ter muita lata, e uma super mas SUPER descarada ausência de vergonha na cara, mais uma vez, para todos ouvirem, declarar-se um combatente contra a corrupção, TODA A VIDA!!!!!
Que desfaçatez.
Claro que diz isto na tromba dos avençados que nunca nada perguntam como por exemplo - ouça lá, os Ricardos e tantos outros desta vida, colocaram e colocam os bens em nome de outros, usam testas de ferro, escondem património lá fora, passam décadas nas trafulhices, sempre a usar os serviços e bons e desinteressados préstimos dos varredores municipais?
SERÁ ISTO ?
AC