sexta-feira, 5 de junho de 2026

SEGUNDA-FEIRA, 7 DE MARÇO DE 2022

Contra a invasão da Ucrânia (7): Entre a paixão e a razão

Sendo claro que, passadas quase duas semanas do início da invasão, ela só vai terminar com a derrota e ocupação da Ucrânia e que, quanto mais durar a guerra, mais destruído ficará o país, não será altura de a União Europeia, sem prejuízo da condenação da invasão e da solidariedade com Kiev, reponderar a sua atitude passional e de alinhamento acrítico com Washington, atirando gasolina para a fogueira, e encarar a possibilidade de se tornar num fator ativo de moderação, em prol de um cessar-fogo e do início de negociações para a paz?

Não parece já evidente que, embora não sendo beligerante, a UE vai ter de suportar enormes custos da guerra (refugiados, preços da energia, inflação, travagem dos crescimento económico, nova guerra-fria duradoura com a Rússia) e que a China e os Estados Unidos vão ser os seus principais beneficiários? Não será altura de a UE (e em especial os governos social-democratas) introduzir um módico de racionalidade e de self-interest na avaliação da guerra?

Adenda
Manifestando a sua concordância, um leitor habitual acrescenta: «Eu acrescentaria que, para o efeito pretendido, a UE tem todo o interesse em começar a aligeirar as sanções sobre a Rússia, as quais constituem um impedimento maior a que esta aceite qualquer solução negociada. Algumas sanções são supinamente estúpidas - como banir os meios de comunicação russos e como banir artistas ou desportistas russos - e deveriam ser imediatamente eliminadas. E tem que se dar à Rússia a perspetiva de que as outras sanções também serão eliminadas, desde que haja uma solução negociada.» Penso que, salvo as duas referidas (que, a meu ver, envergonham a União), as sanções devem manter-se como pressão sobre a Rússia para uma solução negociada.

Adenda 2
Outro leitor também habitual deste blogue pergunta se estou «a sugerir uma política de "appeasement"», ou seja, concessões a um agressor para evitar conflitos. A resposta é obviamente negativa: primeiro, porque o conflito já está desencadeado; segundo, porque o que proponho é um compromisso negocial entre as partes, "abonado" por outras potências (incluindo a UE), em que as cedências da Ucrânia (renúncia à entrada na Nato e autogoverno das províncias russófonas) teriam como contrapartida a garantia pela Rússia da soberania e da segurança daquela.

24 de Fevereiro de 2022 
Neste dia, tropas russas invadiram a Ucrânia.
Tinham a intenção (pareceu) de chegar a Kiev num ápice, aprisionar os órgãos dirigentes Ucranianos, e tomar conta do país.
Retiraram rapidamente depois da destruição de imensos carros de combate e outros veículos.
Não faço ideia se pensavam estar ainda naqueles tempos em que enviaram centenas de carros de combate para abafar a Hungria e a Checoslováquia.

Passaram já mais de 4 anos sobre essa invasão. 
A tal PUTANESCA operação militar especial, só para rir!
Paz nem vê-la, apesar de terem estado em conversações na Suíça.
Hoje estamos quase com  4 meses no 5º ano de guerra.

Tenho estado a reler textos e notícias antigas sobre este assunto, e a recordar textos em blogues, e a recordar intervenções de vários militares /comentadores televisivos, oficiais do Exército.
Uma das peças que visitei reproduzo-a em cima, escrita por Vital Moreira 11 dias depois da invasão, no seu blogue que visito regularmente.
Olhando para trás não se pode deixar de considerar fantástico, ou inacreditável, ou inusitado, ou patético, ou faccioso muito do que aconteceu e veio à luz do dia.
Nos comentários actuais televisivos, que raramente vejo, o que me parece é que não se passa da cepa torta.
Trump para aqui e para ali, aflições para os dois lados da fronteira, voam projecteis de todo o lado, a Rússia já começa a ser atingida mais em profundidade, etc. Tragédia e horror sem fim.
Na UE a tragicomédia habitual.
Xi ri-se cada vez mais.
AC

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