A TRÁGICA REALIDADE da IDADE AVANÇADA
Este boneco retrata uma triste realidade da vida contemporânea.Com a idade, e variando de pessoa para pessoa, a visão e a audição e o tacto na ponta dos dedos vai-se alterando.
Sempre para pior, sempre diminuindo a visão, a audição, e progressivamente desaparecendo o tacto em vários dedos.
Mesmo com telemóveis simples, congeminados para velhinhos, com botões grandes, as coisas ficam complicadas a partir de certa altura.
A partir de certa altura, já se começa até a esquecer a localização dos botões do velhinho transístor que sempre se manuseou.
Há pessoas que infelizmente são tragicamente atingidas muito cedo com estas debilidades, para não falar de outras.
Sim, no âmbito da saúde há muita coisa trágica na vida humana.
Parkinson!
Alzheimer!
Esclerose!
Também há muitos casos em que as pessoas não são atingidas por doenças como as citadas em cima. Vão envelhecendo devagarinho!
Há pessoas que vão envelhecendo, com mais ou menos ferro, com mais ou menos colesterol, com mais ou menos fraqueza, com operação às cataratas e depois com vitaminas para os olhos, e os anos somam-se uns atrás dos outros, com ou sem apetite, sobrevivendo à morte do marido, à trágica morte do filho mais novo, à morte da irmã mais velha e única, á morte de todas as primas excepto por enquanto a mais nova que tem quase menos 20 anos.
Sobrevivendo à fractura do colo do fémur aos quase 100 anos de idade, notavelmente recuperando e libertando-se da cadeira de rodas passados 5 meses.
Os anos sucedendo-se uns aos outros, em sofrimento cada vez mais atroz.
O organismo fisiologicamente vivo, andando devagarinho a empurrar o andarilho, sorrindo sempre para os outros, disfarçando a sua tragédia para netos e noras e prima, o apetite quase ausente mas empurrando sempre a comida, a cabeça a começar a fraquejar, a memória ainda notável, as horas no relógio quase invisíveis mesmo com a lupa.
É legitimo questionar: para quê? Para quê este sofrimento?
Que vida?
Como refere, o reservatório das lágrimas seco há muito, nem consegue chorar. E ela já não tem esse monopólio!
É a vida, como dizia o insuportável pastoso, mas isto não é vida!
A mim, colocam-se-me cada vez mais interrogações, pois a angústia e o morrer por dentro já nem se sentem.
Interrogo-me sobre a vida, sobre a sociedade, sobre a injustiça terrena e a divina de se sofrer assim, interrogo-me sobre a eutanásia.
Estou convicto de que não é justo nem digno manter coisas assim.
Estar fisiologicamente vivo, num sofrimento atroz, em que se tem a consciência completa, CLARA, da trágica e progressiva degradação do corpo, inexorável, dramática, insuportável, e sobretudo inquestionavelmente indigna e injusta sem margem para dúvidas.
NÃO, inaceitável !
António Cabral (AC)

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