Mostrar mensagens com a etiqueta partidos políticos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta partidos políticos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 8 de setembro de 2026

ESTE  PANTANAL  TUGA . . . . . 

As chefias partidárias acusam-se de várias coisas.

Há acusações que, para mim naturalmente, têm solo mais ou menos firme. Há bastante realidade.

Outras acusações que ribombam por aí parecem-me excessivamente toscas, gratuitas.

Creio que no PSD certos dirigentes têm feito algumas acusações certeiras e outras que "OhBalhameDeus" !  PS, PCP, idem.

PS e Chega têm tido acções que molestam o PSD e o governo actual, é um facto.

Daí a dizer que Chega e PS são muito semelhantes ou que Carneiro é quase Ventura creio raiar a parvoíce.

Estão a copiar a cretina atitude de António Costa que um esquerdalho encartado recordou há poucos dias - não foi o PSD que inventou a estratégia de que são todos iguais ao Chega. O estratega original dessa legitimação indirecta do partido de direita populista foi António Costa, com o resultado que se conhece: 60 deputados do Chega no Parlamento.

Fazem mal. O desprezível Ventura só se ri, isto é tudo excelente  adubo para o terreno dele.

Mas, como sempre, admito poder estar a ver mal estas coisas.

Bom dia, tenham um bom início de semana
Saúde, o Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

terça-feira, 1 de setembro de 2026

REPETINDO UM TEXTO MEU COM ALGUM TEMPO

LIDO  no  SAPO
(meus comentários no final)


Chega levou ao Parlamento uma proposta para desclassificar dados sobre FP-25Livre e BE alargaram a conversa à violência da extrema-direita, com o PCPPAN e JPP a acompanharem as iniciativas.

PS e PSD, durante o plenário de quarta-feira, 20 de maio, concordaram na ideia de que não se pode desclassificar os documentos relativos às Forças Populares 25 de Abril (FP-25) e à rede bombista de extrema-direita. O tema foi levado ao Parlamento pelo Chega, com uma iniciativa que recomendava a desclassificação de “todos os registos, documentos, dossiers e arquivos dos serviços de informações relativos à organização terrorista de extrema-esquerda FP-25”. No entanto, o debate foi alargado – com um projeto de lei do BE e com um projeto de resolução do Livre – a movimentos de extrema-direita, como o Exército de Libertação de Portugal (ELP), Movimento Maria da Fonte e Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP).

Em desacordo com a desclassificação destes documentos, o deputado socialista Pedro Delgado Alves, depois de atribuir ao debate um intuito "provocatório" por parte do Chega, assinalou um dever que todas as bancadas devem ter "perante todas as vítimas da violência política, da extrema-esquerda, da extrema-direita, de onde quer que ela venha, dos seus familiares e de todos aqueles que investigaram os crimes cometidos em vários momentos, e que foram, todos eles, objeto de repúdio e de condenação", de não instrumentalizar este debate "para abrir guerras culturais e para dividir aquilo que a democracia portuguesa teve a sabedoria de ser capaz de construir".

"A pergunta que devemos fazer é: 50 anos é tempo suficiente para não recearmos abrir os documentos?", perguntou, de forma retórica, o deputado do PS, respondendo: "Não sei. E na dúvida, perante as intenções declaradas de querer abrir uma guerra cultural, perante o momento de radicalização e de extremismo e de vontade de voltar a cavalgar estes temas, eu acho que não devemos fazer este exercício de viajar no tempo para fazer mal agora, em 2026, o que fizemos bem em 76, nos anos 80, nos anos 90. E, portanto, a razão, a primeira, pelas quais não acompanhamos os projetos é esta mesma: eles não são úteis à democracia em 2026. Mas mais do que isto, elas também oferecem problemas jurídicos", concluiu.

Com a justificação de que esta "desclassificação é muito mais complexa, muito mais grave e exige muito maior atenção que a própria classificação", o deputado do PSD António Rodrigues lançou dúvidas sobre a pertinência de se fazer este debate agora sugerindo que "alguns querem fazer contas com a história porque não estão satisfeitos com aquilo que aconteceu". 

"Nós não estamos satisfeitos, mas temos a noção daquilo que aconteceu. Mas aquilo que está em discussão é verdadeiramente uma questão de Estado. Estamos disponíveis para pôr em causa o Estado naquilo que é mais sagrado, naquilo que é o segredo de Estado, naquilo que nós nos importamos no Parlamento, naquilo que é feito por órgãos próprios que foram escolhidos para esta Assembleia, ou queremos tornar isto uma chicana política, uns contra os outros, a reviver a história que está à volta, que está à vista e que está a ser tratada?", interrogou o deputado social-democrata, vincando que "o que se quer com estas propostas, com estes projetos de resolução ou com este projeto de lei é voltar a criar a confusão e o caos político em Portugal".

A premissa do documento do Chega, apresentado por Diogo Pacheco de Amorim, assenta numa notícia com um ano, do Expresso, que dá conta de que o Serviço de Informações de Segurança (SIS) "está a considerar a desclassificação de centenas de documentos do seu espólio de entre 1985 e 1990, contanto que não seja colocada em causa a Segurança Nacional", explicou o deputado.

De acordo com Pacheco de Amorim, o Chega entende que "não é apenas o período final das FP-25" que "importa conhecer, mas, isso sim, todo o período decorrido entre abril de 1980, data da sua fundação, e 1 de março de 1996, data da aprovação parlamentar da amnistia dos condenados da FP-25".

"Pelo que o acesso a todos os documentos e a todos os factos compreendidos dentro desse espaço de tempo se torna essencial. Quanto à Segurança Nacional, não se vislumbra qualquer interesse superior nesse campo a salvaguardar", afirmou, observando que BE e Livre "estão certos" nas inicitivas que apresentam para "tornar extensivo este pedido a todos os movimentos acusados de utilização de violência desde o 25 de Abril de 1974 até à aprovação da amnistia parlamentar".

Por seu turno, o deputado único do BEFabian Figueiredo, alertou para um "silêncio que dura há meio século" em Portugal "sobre quem pôs a bomba que matou o padre Max e a jovem de 19 anos, na Cumieira, sobre quem armou as Forças Populares 25 de Abril. Sobre a contabilidade do terror que, dos anos 70 aos anos 80, fez mais de duas dezenas de mortos, da extrema-direita bombista à extrema-esquerda armada". 

Argumentando que "os documentos existem", mas "estão guardados", sem que ninguém possa consultá-los – como aconteceu , observou, com o jornalista Miguel Carvalho, quando escreveu o livro Quando Portugal Ardeu –, Fabian Figueiredo considerou que "as melhores obras sobre estes anos foram escritas por quem teve de procurar a verdade fora dos canais oficiais e há famílias que enterraram os seus sem nunca saberem por ordem de quem". 

Tendo em conta que o projeto de lei do BE propõe uma comissão multidisciplinar afeta ao Parlamento para desclassificar os documentos em causa, o deputado bloquista explicou que "este projeto faz uma coisa simples e uma coisa difícil. A simples: cria uma comissão independente que abre tudo, as FP25 e a rede bombista, sem exceção, sem escolher metades. A difícil: pede a esta câmara a coragem que meio século de democracia nos exige, com toda a disponibilidade de melhorar a proposta na especialidade".

Para o líder do Livre, Rui Tavares, "ser contra a violência política e que todos os partidos sejam é importante".

Com uma mensagem para o Chega, por só contemplar no projeto de resolução a desclassificação dos documentos relativos às FP-25, Rui Tavares considerou que "querer apenas dirigir os esforços da transparência para um lado é apenas utilizar a condenação da violência política para caricaturar adversários ou para fazer, digamos, gincanas políticas convenientes".

A líder parlamentar do PCPPaula Santos, confirmou que a bancada comunista está "de acordo com a desclassificação dos documentos, quer quanto ao terrorismo bombista das forças reacionárias contra o 25 de Abril, quer quanto às FP-25", argumentando que "haverá certamente muitas informações que ajudarão a compreender quem é quem e que poderão surpreender os mais incautos, mas também deixará cair a máscara a muitos que compactuaram, direta ou indiretamente, com as ações bombistas e terroristas".

Para a deputada comunista, o Chega, com esta iniciativa para desclassificar os documentos, apresenta-se com o único propósito de "ocultar a ação terrorista bombista entre 1975 e 1977, desencadeada contra o processo de institucionalização do regime democrático". 

"Sobre isto, nem uma palavra do Chega, mas já agora, também, nem uma palavra do CDS. O terrorismo bombista das organizações de extrema direita, que não se conformavam com Abril e que ambicionavam o regresso à ditadura, o MDLP, o ELP, o Movimento Maria da Fonte, a FLA [Frente de Libertação dos Açores], a FLAMA [Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira], elegeram o PCP como alvo político principal a liquidar", sustentou Paula Santos numa nota dirigida ao líder parlamentar do CDSPaulo Núncio, que criticara numa intervenção o PS e PCP por terem votado favoravelmente a amnistia às FP-25, afirmando que foi algo que "contribuiu para o branqueamento político e moral do terrorismo de extrema-esquerda".

Sobre a rede bombista, Paula Santos lembrou que "estas organizações terroristas foram responsáveis por 566 ações, de entre as quais 310 atentados bombistas, 136 assaltos, 58 incêndios, 36 espancamentos, 16 atentados a tiro, mais de 10 pessoas foram assassinadas".

Comentários:

1º - Segundo se lê por aí PS e PSD estão contra a desclassificação dos documentos. E há certamente muitos documentos, relativos à criminalidade das FP 25 de Abril, relativos aos personagens que integraram esse tumor da democracia, relativos à criminalidade do ELPMDLPMaria da Fonte e outros, verdadeiros tumores da democracia.

2º - É legítimo eu ponderar: porquê esta recusa destes dois partidos?

3º - É legítimo concluir que não querem que se venha a saber certas coisas. Certas ligações a personagens do passado desses dois partidos. É por demais evidente que sabem que existem coisas muito incómodas e muito provavelmente desmentiriam muitas narrativas.

4º - Fica para mim claro que não querem que se venha a saber muito do que tragicamente aconteceu, muitos dos apoios que tiveram e que nunca assumiram.

 - Era bom por exemplo desmascarar as vergonhosas negociações por baixo da mesa que levaram à amnistia concedida aos dirigentes das  FP 25 de Abril.

 - Era muito importante desmascarar o que a extrema direita fez incluindo a bombista.

 - E as pouca vergonhas acontecidas nas ilhas?

 - Há muito para esclarecer, explicar, mas não querem que se saiba. O Chega gostaria que se soubesse apenas sobre  extrema esquerda.

 - Não, há muito por explicar, esclarecer, de uma ponta a outra ponta. Existiram bombas, sedes partidárias destruídas sobretudo do PCP, assassinatos, roubo de dinheiro, assaltos, e houve muita cumplicidade e a todos os níveis, institucional, político (de todos os quadrantes) militar (aqui então ficava-se a perceber muita coisa) religioso e quase certo com o envolvimento de certas embaixadas em Lisboa.

Não querem trazer a podridão à luz do dia. Mas não me venham com a treta de que era a revolução, não foi só a revolução. 
Já bem basta o que não está registado, escrito, gravado, como certas fugas para Norte, ou o que veio buscar um célebre "importante", etc.

Bom dia.
Saúde, o Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

António Cabral (AC)

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O QUE ESTÁ DIFERENTE, HOJE ?
Depois de ouvir várias vacuidades, depois de ouvir pérolas do demagogo mor, depois de escutar "vários doutos" sobre defesa, Forças Armadas (FA) etc. lembrei-me deste meu texto antigo.

O que está diferente, hoje?

As Forças Armadas também são, ou não, uma prioridade?

PSD promoveu um debate sobre Defesa, Quinta-feira, 19 de Outubro de 2000.

O presidente social-democrata, Durão Barroso, e o deputado Carlos Encarnação, ministro-sombra do PSD para a Defesa, receberam ontem no Hotel Tivoli, em Lisboa, o general Loureiro dos Santos, assim como Joaquim Aguiar, antigo assessor presidencial, e ainda o ex-ministro da Defesa Figueiredo Lopes, para falar sobre "Política de Defesa Nacional". 

A assistir estava uma constelação de "estrelas" das Forças Armadas (FA) a quem muitas das coisas que ali foram ditas não deve ter agradado.

O que marcou o debate foi uma intervenção de Joaquim Aguiar, colunista do "Expresso" e ex-assessor dos Presidentes Ramalho Eanes e Mário Soares

Perante uma plateia de altas patentes, como os generais Espírito Santo, Loureiro dos Santos, Almeida Bruno ou Tomé Pinto, Aguiar fez questão de dizer claramente que havia prioridades mais importantes do que as FA em Portugal: "Estou completamente à vontade para vos dizer coisas extremamente graves.". 
E explicou o seu à vontade: "Não sou militar, não sou político."

Durante uma hora, Aguiar deu uma lição de economia aos nervosamente irrequietos militares presentes (e aos poucos deputados que assistiam), explicando que, para haver modernização, era necessário que Portugal fosse capaz de "dominar ciclos de evolução económica como condição para produzir capacidades efectivas militares". 
Como isso não acontecia, e ainda por cima os aparelhos estatais caminhavam para a falência, era uma precipitação falar-se em reestruturação militar.

Só depois Aguiar apontou baterias contra os políticos. 
Segundo o comentador, os partidos sabem muito bem que o "wellfare state" (expressão inglesa para Estado-Providência) tinha os dias contados
Mas, mesmo assim nada faziam para alterar o actual situação: "Todos os partidos prometem mais do mesmo, mas o mais do mesmo já não existe.

O ambiente ficou pesado quando Aguiar afirmou: "O dr. Durão Barroso sabe disto mas não faz nada."

Era por isso mesmo que as coisas não funcionavam em Portugal. 
"Não eram feitas para funcionar" porque os políticos queriam que tudo ficasse na mesma

Daí que o comentador acabasse por concordar com o general Loureiro dos Santos, ao caracterizar o "Conceito Estratégico de Defesa Nacional" como "mudo" e "inútil". 
Porque, concluiu, "só serve para disfarçar"

António Cabral (AC)

quinta-feira, 30 de julho de 2026

LAMENTÁVEL

Lamentável o modo e a periodicidade como certos artistas dos OCS andam com Ventura ao colo. Em baixo 3 desses artistas que, creio, se têm por muito independentes.

O Chega é o típico partido desleal, não confiável.
Segue as regras do chamado jogo democrático.

Concorre a eleições.
Apresenta na AR propostas legislativas, poucas recebem acolhimento.
Escreve cartas a titulares de órgãos de soberania.
Pede audiências ao PR e logo recebido.
Atira-se à corrupção e a outras coisas, tendo curiosa e frequentemente dentro de portas exemplos disso.

Paralelamente, degrada as regras, degrada as instituições, e designadamente degrada a AR.
Degrada as mais diversas normas informais/ não escritas da civilidade democrática.
Leva a cabo (opinião pessoal naturalmente) campanhas execráveis, difamatórias, xenófobas e diz tudo e o seu contrário.

Por outro lado, indiscutivelmente para mim, o Chega aborda algumas questões sérias e delicadas, aponta a vários problemas reais da nossa sociedade,
Mas tenho a maior das dúvidas quanto à maioria das suas propostas de solução.

Naturalmente, deve ser democraticamente respeitado, pois foi democraticamente eleito com votos de portugueses meus concidadãos, e eu respeito isso mas, pessoalmente, continuo a considerar que esses meus concidadãos têm vindo a fazer uma escolha errada.
Como sempre, admito estar a ver mal as coisas.

A terminar, faz algum sentido atirar com uma CPI enquanto o MP está a iniciar uma investigação em que, louvavelmente na minha opinião, o MP coloca a PJ de lado nessa investigação ?

Para mim não faz sentido nenhum, embora perceba que com esta CPI Ventura/ Chega quer tentar derreter PSD e PS. O dois em um!
Aguardemos pelos próximos capítulos.

AC

quinta-feira, 9 de julho de 2026

E  É  ISTO,  a Tugolândia

Um bom amigo acaba de me enviar esta delícia.

Três notas:

- eu tenho um blogue pessoal, vai para 13 anos, mas não tem nada a ver com o que neste delicioso texto se refere. Como expliquei diversas vezes e mais logo repetirei.

sublinhados da minha responsabilidade

- este texto recordou-me isto - um político honesto pergunta o que é que recomenda uma dada pessoa; um político corrupto quem.

António Cabral (AC)

*Confissões de um boy" - Pedro Santa Clara

Entrei para a política aos dezassete anos por convicção. A convicção de que não me apetecia trabalhar.
Sei o que estão a pensar, e é injusto. Trabalhei muito, trabalhei sempre — só que nunca trabalhei em nada. A minha carreira é feita de cargos, não de obras; e os cargos, ao contrário das obras, não se avaliam: sucedem-se. O Zagalo escreveu a vida do Conde de Abranhos por devoção ao amo; eu escrevo a minha por vaidade própria. Ao menos nisso sou moderno.

A vocação

Descobri o meu talento na juventude partidária, a que nós chamamos carinhosamente a Jota. Os outros discutiam ideologia; eu montava as cadeiras. Os outros escreviam moções; eu fotocopiava-as, distribuía-as e, sobretudo, sabia em que momento exato do discurso do líder se devia começar a bater palmas. É uma ciência subtil: cedo demais é bajulação, tarde demais é dissidência. Aos dezanove anos já ninguém batia palmas como eu em todo o distrito.
Na Jota aprende-se cedo a lição que sustenta tudo o resto: as ideias dividem, os lugares unem. Aprende-se também a competência nuclear da profissão — farejar quem vai subir e colar-se-lhe como um selo. Enganei-me uma vez, em noventa e tal, e custou-me dois anos numa comissão de revisão de estatutos. Nunca mais me enganei.

A licenciatura

Pelo caminho, licenciei-me em Direito. Regime pós-laboral, numa universidade privada que entretanto já não existe — o que confere ao meu diploma uma raridade de incunábulo. Demorei sete anos a fazer quatro, porque a política não espera, e o direito, pelo contrário, está sempre lá. Advogado nunca fui: a Ordem tem exame, e exames são para quem não tem alternativa. Mas o canudo cumpriu a sua única função, que é constar. Nos currículos oficiais sou jurista. Nos corredores, sou o Zé.

O assessor

Comecei como assessor. De quê, perguntam os ingénuos. De quem, corrijo eu — a preposição é tudo. Fui assessor de um vereador, depois de um deputado, depois de um secretário de Estado, numa progressão que nada devia ao mérito e tudo à fidelidade, que é o mérito verdadeiro. O trabalho era variado: escrever discursos que ninguém ouvia, marcar almoços que eram o verdadeiro trabalho, atender jornalistas para lhes dizer nada e transportar a pasta do chefe com a gravidade de quem transporta o país.
Um gabinete é uma corte em miniatura, e eu nasci cortesão. Para cima, sou veludo; para os lados, sou cimento armado. Vi cair três chefes e sobrevivi aos três, o que na nossa profissão é uma condecoração.

A escada

Depois vieram os degraus, por ordem litúrgica. Secretário de uma junta de freguesia — poder autárquico, dizem os manuais; eu digo: atestados, festas do pimento e a primeira lição de orçamento, que é haver sempre orçamento para quem o executa. Adjunto numa câmara municipal, onde aprendi que uma rotunda inaugura-se duas vezes: uma quando se faz, outra quando se refaz. Vice-presidente de uma CCDR — coordenação e desenvolvimento regional, duas expressões que, juntas, garantem que ninguém pergunte o que faço. E deputado suplente, que é a sala de espera do poder: substituo o titular quando ele é chamado ao Governo, ou seja, sou tecnicamente um efeito colateral. Sentei-me no hemiciclo tempo suficiente para fazer três perguntas ao Governo, escritas por um estagiário, e para aparecer atrás do líder nos planos de televisão, que é a verdadeira função do deputado moderno: cenografia com direito a voto.

O blog e a televisão

Nos anos dois mil tive um blog, como toda a gente que queria vir a ser alguém. Escrevia sobre a reforma do Estado, que era o que se usava, com hiperligações para relatórios que não tinha lido. O blog morreu, mas cumpriu: hoje os jornalistas apresentam-me como «pensador» e eu não os corrijo.
Da blogosfera saltei para os plateaus. Na televisão sou combativo, frontal, independente — os pontos de conversa chegam-me do partido à sexta-feira, mas a indignação é toda minha. Digo coisas como «o país precisa de reformas estruturais» e «é preciso coragem política», frases que o conselheiro Acácio acharia arrojadas. Dentro do partido sou uma carpete; diante das câmaras, um tigre. A carreira faz-se com os dois pelos, e ai de quem os troque: um tigre no congresso e uma carpete na televisão não chega a deputado suplente.

Os biscates e o primo

Convém dizer que o vencimento público, sendo certo, é modesto, e um homem tem despesas. Fui compondo: umas avenças de consultoria estratégica — «estratégica» quer dizer que não se percebe o que é — uns pareceres jurídicos ao abrigo do incunábulo, umas conferências sobre liderança em hotéis de aeroporto. E há o meu primo, empresário de reconhecido dinamismo, cuja firma tem a felicidade de ganhar adjudicações diretas com uma regularidade que só se explica pelo mérito — o mérito de existir no momento exato, com o alvará exato, no concelho exato.
Eu não decido nada, entenda-se. Apenas apresento pessoas: janto com A, telefono a B, digo ao C que o D é «dos nossos». Sou um facilitador. A palavra inglesa é networker; a portuguesa, mais antiga e mais exata, prefiro não usar. E nada disto é ilegal, sublinho. Li a lei com muita atenção. Ajudei a escrevê-la.

Diretor-Geral e Secretário de Estado

Quando o partido voltou ao Governo, fui nomeado Diretor-Geral. Houve concurso, claro, com entrevista e avaliação de competências; concorri contra dois candidatos que nunca ninguém viu e ganhou o melhor, que por coincidência era eu. Na direção-geral conheci o meu velho amigo burocrata — o das confissões anteriores — do outro lado da secretária. Entendemo-nos imediatamente: ele não queria decidir, eu não sabia. O serviço funcionou em perfeita harmonia durante dois anos, isto é, não funcionou, mas em harmonia.


Depois, a apoteose nacional: Secretário de Estado. Adjunto de um Ministro Adjunto — a redundância é a forma mais pura do poder. Durei dezassete meses, cortei nove fitas, anunciei quatro planos estratégicos com horizonte em duas legislaturas de distância e caí numa remodelação sem ter feito rigorosamente nada, o que em política se chama sair de cabeça erguida. No dia seguinte à queda, o telefone tocou. Era o Partido. O Partido nunca abandona quem nunca o abandonou: é uma agência de emprego com hino.

Bruxelas

E assim cheguei aonde tudo conflui: Bruxelas. O meu amigo burocrata sonha com ela como quem sonha com o céu — estuda para o concurso, decora regulamentos, reza. Eu cheguei de avião, em executiva, com o cartão do partido em vez de bilhete: um gabinete, um cargo com nome comprido em inglês, uma agenda de pequenos-almoços de trabalho. Cá estou, a coordenar a articulação de políticas cuja execução acompanho com elevado interesse e nenhuma consequência. O vencimento é europeu, o imposto é simpático, a escola dos miúdos é internacional e Lisboa fica à distância exata: perto para ir aos congressos, longe para não me pedirem nada.

O segredo

Perguntar-me-ão qual é, afinal, o meu talento. Respondo sem falsa modéstia: a disponibilidade. Dizem que a política atrai os piores; é injusto. A política atrai os disponíveis — os melhores estavam ocupados. Enquanto os meus colegas de curso estudavam para a Ordem, eu montava cadeiras; enquanto faziam carreira, eu fazia congressos; e quando o país precisou de gente para os lugares, quem é que lá estava, pronto, testado, leal? A fila era eu. A fila sou eu. A fila, meus caros, somos nós — e não abrimos exceções.
O custo disto não aparece em nenhum orçamento: é toda a gente capaz que olhou para a política, viu a fila, e foi embora. Chamam-lhe seleção adversa; eu chamo-lhe segurança no emprego.

O que me estragaria a carreira

Há quem fale em reformas, e confesso que algumas me tiram o apetite. Reduzir os gabinetes e os cargos de nomeação política a um décimo. Concursos verdadeiramente competitivos para dirigentes, com júris independentes e atas públicas. Transparência total nas adjudicações — cada contrato, cada beneficiário, cada primo, pesquisável em dois cliques. Declaração obrigatória de filiação e de avenças para quem comenta política na televisão. Limites a saltar de um regulador para o setor regulado e de um gabinete para o fornecedor do gabinete. Nada disto exige génio; exige apenas vontade de fechar a agência de emprego.
Felizmente, quem teria de aprovar estas reformas fui eu, os meus, e os que hão de vir a ser eu. Durmo descansado.

Post scriptum

Preparo as minhas memórias, que sairão em breve com o título «Servir Portugal». O prefácio é de um Ministro que eu fiz; a revisão, de um assessor que herdei; a impressão foi adjudicada, por ajuste direto, à gráfica do meu primo. O lançamento será numa fundação pública, com vinho de honra pago por uma câmara.

Entretanto, o meu afilhado político acaba de entrar na Jota. Tem dezassete anos e já sabe exatamente quando bater palmas.

O país está entregue.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

REPUBLICANDO

domingo, 29 de abril de 2018

UM RETRATO do PAÍS ????
Um retrato do nosso esfrangalhado País ? 

Uma imagem da PSP ?
Uma visão de sindicalismo ? 
Luta pela unicidade ? 
Mais um palco para certos conhecidos acólitos do PCP ? 
Um retrato vergonhoso de deputados, de políticos, de incompetências governativas ?
Uma mistura de tudo.

No seio das dezenas de milhares de agentes que constituem a força de segurança PSP, germinam no presente 17 sindicatos. Sim, leram bem,17.
Pelo que se lê, fervorosos e dedicados PCP's insurgem-se contra esta situação que é no mínimo caricata.

Segundo li por aí, por exemplo Carvalho da Silva, ex-secretário-geral da CGTP apelou a que se "acabe com a fantochada e bagunça" da "pulverização" de sindicatos na PSP. "Não é pluralismo, é vergonha". 
Concordo que é bagunça, fantochada, pulverização, e não creio que a lei em silêncio sepulcral há anos ( ao fim de quase 3 anos geringonça ainda deve continuar a ser por culpa do Passos), limite o nº de sindicados mas, essa agora, não é pluralismo? 

Pelos vistos o que se passa é que o PCP não controla como gostaria a PSP.
E se calhar é isto mesmo que o PS quer, e por isso a coisa continua como está, apesar do inefável Cabrita que os tutela já ter balbuciado publicamente qualquer coisa que em síntese é - pois claro estão cheios de razão!!

Claro que, pelo que se lê, e não é recente é assim de há anos, para a coisa ter uns contornos mais elaborados lá veio também um reformado magistrado conhecido como especialista nas forças de segurança (PSP, GNR, Polícia Marítima, SEF).

O PCP através dos seus funcionários "aposentados" anuncia que assim a PSP tem a espinha partida. Provavelmente querem em vez da alquebrada espinha colocar-lhes cartilagem, que não parte, colagénio. Para moldarem a seu gosto a PSP.
No passado tivemos secos e molhados, no presente temos uma PSP motivada, cheia de representatividade, bem equipada, e desde há décadas sempre bem tutelada (!!?!!).


Numa coisa o PCP tem razão e desde há anos, com esta PSP a segurança dos cidadãos não fica lá muito bem.
Só se esquece que, a seu modo, muito tem contribuído para ajudar os restantes partidos políticos a engendrarem a porcaria que se vê no presente. 
Alterações legislativas são requeridas? 

Provavelmente, mas sobretudo era necessário juízo na cabeça dos políticos TODOS, nos partidos TODOS que, como diariamente se vê, está em Marte, não em Portugal! 
Como na PSP, o juízo está sempre de FOLGA!

Mas o cão já janta no restaurante.
Mas devo ser eu que, com o meu mau feitio, estou a exagerar.
António Cabral  (AC)

domingo, 24 de maio de 2026

CURIOSIDADES  DO  MEU  PORTUGAL
Uma coisa a que acho imensa piada é observar certa gente dentro dos partidos e particularmente no PSD e no PS.

E em ambos (como nos outros partidos) existem alguns que se esganiçam tanto ao ponto de se esquecerem que, no seu partido, existiu  e existe e ás vezes até pior, muito daquilo que apontam/ acusam aos/ nos outros.

Regressado das minhas tarefas em casa alheia, concretamente manhas de electricista, fiz um "zapping" nos meus arquivos por notícias escaldantes. TANTAS ARQUIVADAS! 

Por exemplo sobre a banca nacional.

Gente curiosa, do meu ponto de vista naturalmente.

Por exemplo, em coisas mais antigas, uns quantos a lembrar que o PS nunca teve bancos.
O que vale é que a minha memória ainda é boa, e ainda vou mantendo alguns bons arquivos.

Mas é claro que, admito, muito pacato cidadão já se tenha esquecido da rapaziada formada em Macau (em décadas, e diziam na altura que vinha de lá muita pataca!!!), do "assalto" ao BCP e à CGD, dos romances à volta da Lusomundo, do BES-PT, da TVI, do BPN (banco quase todo PSD) banco este em que, se bem recordo, uns trutas nacionalizaram perdas e deixaram o tutano que passou a Galileu.

Ora se a acusação de que o BPN era ninho de gentinha ligada ao PSD tinha base sólida, a verdade é que as decisões posteriores já não foram só PSD, ou estou enganado?

Além disso, e recordar o Montepio, com nebulosidades e mamões nunca esclarecido? 
E também nunca percebi porque não se foi às massas dos que lucraram à grande com o BPN.

É tudo um bocado estranho não é, ou sou eu que estou "tan-tan?

Certo é que ao longo dos anos os milhões (com ou sem liberalidades) evaporaram-se por todo o lado, BPN, EFISA, BES/ BESA/ Banco Mau/ Banco Bom/ Novo Banco, Lone Star, Montepio, CGD (o madeirense continua a rir).

Depois têm passado anos a dizer-se - ah é malta ligada ao PSD. . . .  ah é malta ligada ao PS, . . . . ah é malta . . . . . processos, processos, processos, poucas decisões judiciais, lesados . . . . . etc. . . . mas certos bolsos sempre bem recheados, e continuam incólumes!

Valha-me a família, os livros, as caminhadas, a aldeia, a fotografia e os amigos.

Bom Domingo.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida. Boa sorte.
António Cabral (AC)

sábado, 23 de maio de 2026

LIDO  no  SAPO
(meus comentários no final)

O Chega levou ao Parlamento uma proposta para desclassificar dados sobre FP-25. Livre e BE alargaram a conversa à violência da extrema-direita, com o PCP, PAN e JPP a acompanharem as iniciativas.

PS e PSD, durante o plenário de quarta-feira, 20 de maio, concordaram na ideia de que não se pode desclassificar os documentos relativos às Forças Populares 25 de Abril (FP-25) e à rede bombista de extrema-direita. O tema foi levado ao Parlamento pelo Chega, com uma iniciativa que recomendava a desclassificação de “todos os registos, documentos, dossiers e arquivos dos serviços de informações relativos à organização terrorista de extrema-esquerda FP-25”. No entanto, o debate foi alargado – com um projeto de lei do BE e com um projeto de resolução do Livre – a movimentos de extrema-direita, como o Exército de Libertação de Portugal (ELP), Movimento Maria da Fonte e Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP).

Em desacordo com a desclassificação destes documentos, o deputado socialista Pedro Delgado Alves, depois de atribuir ao debate um intuito "provocatório" por parte do Chega, assinalou um dever que todas as bancadas devem ter "perante todas as vítimas da violência política, da extrema-esquerda, da extrema-direita, de onde quer que ela venha, dos seus familiares e de todos aqueles que investigaram os crimes cometidos em vários momentos, e que foram, todos eles, objeto de repúdio e de condenação", de não instrumentalizar este debate "para abrir guerras culturais e para dividir aquilo que a democracia portuguesa teve a sabedoria de ser capaz de construir".

"A pergunta que devemos fazer é: 50 anos é tempo suficiente para não recearmos abrir os documentos?", perguntou, de forma retórica, o deputado do PS, respondendo: "Não sei. E na dúvida, perante as intenções declaradas de querer abrir uma guerra cultural, perante o momento de radicalização e de extremismo e de vontade de voltar a cavalgar estes temas, eu acho que não devemos fazer este exercício de viajar no tempo para fazer mal agora, em 2026, o que fizemos bem em 76, nos anos 80, nos anos 90. E, portanto, a razão, a primeira, pelas quais não acompanhamos os projetos é esta mesma: eles não são úteis à democracia em 2026. Mas mais do que isto, elas também oferecem problemas jurídicos", concluiu.

Com a justificação de que esta "desclassificação é muito mais complexa, muito mais grave e exige muito maior atenção que a própria classificação", o deputado do PSD António Rodrigues lançou dúvidas sobre a pertinência de se fazer este debate agora sugerindo que "alguns querem fazer contas com a história porque não estão satisfeitos com aquilo que aconteceu".

"Nós não estamos satisfeitos, mas temos a noção daquilo que aconteceu. Mas aquilo que está em discussão é verdadeiramente uma questão de Estado. Estamos disponíveis para pôr em causa o Estado naquilo que é mais sagrado, naquilo que é o segredo de Estado, naquilo que nós nos importamos no Parlamento, naquilo que é feito por órgãos próprios que foram escolhidos para esta Assembleia, ou queremos tornar isto uma chicana política, uns contra os outros, a reviver a história que está à volta, que está à revista e que está a tratada?", interrogou o deputado social-democrata, vincando que "o que se quer com estas propostas, com estes projetos de resolução ou com este projeto de lei é voltar a criar a confusão e o caos político em Portugal".

A premissa do documento do Chega, apresentado por Diogo Pacheco de Amorim, assenta numa notícia com um ano, do Expresso, que dá conta de que o Serviço de Informações de Segurança (SIS) "está a considerar a desclassificação de centenas de documentos do seu espólio de entre 1985 e 1990, contanto que não seja colocada em causa a Segurança Nacional", explicou o deputado.

De acordo com Pacheco de Amorim, o Chega entende que "não é apenas o período final das FP-25" que "importa conhecer, mas, isso sim, todo o período decorrido entre abril de 1980, data da sua fundação, e 1 de março de 1996, data da aprovação parlamentar da amnistia dos condenados da FP-25".

"Pelo que o acesso a todos os documentos e a todos os factos compreendidos dentro desse espaço de tempo se torna essencial. Quanto à Segurança Nacional, não se vislumbra qualquer interesse superior nesse campo a salvaguardar", afirmou, observando que BE e Livre "estão certos" nas inicitivas que apresentam para "tornar extensivo este pedido a todos os movimentos acusados de utilização de violência desde o 25 de Abril de 1974 até à aprovação da amnistia parlamentar".

Por seu turno, o deputado único do BE, Fabian Figueiredo, alertou para um "silêncio que dura há meio século" em Portugal "sobre quem pôs a bomba que matou o padre Max e a jovem de 19 anos, na Cumieira, sobre quem armou as Forças Populares 25 de Abril. Sobre a contabilidade do terror que, dos anos 70 aos anos 80, fez mais de duas dezenas de mortos, da extrema-direita bombista à extrema-esquerda armada".

Argumentando que "os documentos existem", mas "estão guardados", sem que ninguém possa consultá-los – como aconteceu , observou, com o jornalista Miguel Carvalho, quando escreveu o livro Quando Portugal Ardeu –, Fabian Figueiredo considerou que "as melhores obras sobre estes anos foram escritas por quem teve de procurar a verdade fora dos canais oficiais e há famílias que enterraram os seus sem nunca saberem por ordem de quem".

Tendo em conta que o projeto de lei do BE propõe uma comissão multidisciplinar afeta ao Parlamento para desclassificar os documentos em causa, o deputado bloquista explicou que "este projeto faz uma coisa simples e uma coisa difícil. A simples: cria uma comissão independente que abre tudo, as FP25 e a rede bombista, sem exceção, sem escolher metades. A difícil: pede a esta câmara a coragem que meio século de democracia nos exige, com toda a disponibilidade de melhorar a proposta na especialidade".

Para o líder do Livre Rui Tavares, "ser contra a violência política e que todos os partidos sejam é importante".

Com uma mensagem para o Chega, por só contemplar no projeto de resolução a desclassificação dos documentos relativos às FP-25, Rui Tavares considerou que "querer apenas dirigir os esforços da transparência para um lado é apenas utilizar a condenação da violência política para caricaturar adversários ou para fazer, digamos, gincanas políticas convenientes".

A líder parlamentar do PCP, Paula Santos, confirmou que a bancada comunista está "de acordo com a desclassificação dos documentos, quer quanto ao terrorismo bombista das forças reacionárias contra o 25 de Abril, quer quanto às FP-25", argumentando que "haverá certamente muitas informações que ajudarão a compreender quem é quem e que poderão surpreender os mais incautos, mas também deixará cair a máscara a muitos que compactuaram, direta ou indiretamente, com as ações bombistas e terroristas".

Para a deputada comunista, o Chega, com esta iniciativa de desclassificar os documentos, apresenta-se com o único propósito de "ocultar a ação terrorista bombista entre 1975 e 1977, desencadeada contra o processo de institucionalização do regime democrático".

"Sobre isto, nem uma palavra do Chega, mas já agora, também, nem uma palavra do CDS. O terrorismo bombista das organizações de extrema direita, que não se conformavam com Abril e que ambicionavam o regresso à ditadura, o MDLP, o ELP, o Movimento Maria da Fonte, a FLA [Frente de Libertação dos Açores], a FLAMA [Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira], elegeram o PCP como alvo político principal a liquidar", sustentou Paula Santos numa nota dirigida ao líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio, que criticara numa intervenção PS e PCP por terem votado favoravelmente a amnistia às FP-25, afirmando que foi algo que "contribuiu para o branqueamento político e moral do terrorismo de extrema-esquerda".

Sobre a rede bombista, Paula Santos lembrou que "estas organizações terroristas foram responsáveis por 566 ações, de entre as quais 310 atentados bombistas, 136 assaltos, 58 incêndios, 36 espancamentos, 16 atentados a tiro, mais de 10 pessoas foram assassinadas".

Comentários:

1º - Segundo se lê por aí PS e PSD estão contra a desclassificação dos documentos. E há certamente muitos documentos, relativos à criminalidade das FP 25 de Abril, relativos aos personagens que integraram esse tumor da democracia, relativos à criminalidade do ELP, MDLP, Maria da Fonte e outros, verdadeiros tumores da democracia.

2º - É legítimo eu ponderar: porquê esta recusa destes dois partidos?

3º - É legítimo concluir que não querem que se venha a saber certas coisas. Certas ligações a personagens do passado desses dois partidos. É por demais evidente que sabem que existem coisas muito incómodas e muito provavelmente desmentiriam muitas narrativas.

4º - Fica para mim claro que não querem que se venha a saber muito do que tragicamente aconteceu, muitos dos apoios que tiveram e que nunca assumiram.

Era bom por exemplo desmascarar as vergonhosas negociações por baixo da mesa que levaram à amnistia concedida aos dirigentes das  FP 25 de Abril.

Era muito importante desmascarar o que a extrema direita fez incluindo a bombista.

E as pouca vergonhas acontecidas nas ilhas?

Há muito para esclarecer, explicar, mas não querem que se saiba. O Chega gostaria que se soubesse apenas sobre  extrema esquerda.

- Não, há muito por explicar, esclarecer, de uma ponta a outra ponta. Existiram bombas, sedes partidárias destruídas, assassinatos, roubo de dinheiro, assaltos, e houve muita cumplicidade e a todos os níveis, institucional, político (todos os quadrantes) militar (aqui então ficava-se a perceber muita coisa) religioso e quase certo com o envolvimento de certas embaixadas em Lisboa.

Não querem trazer a podridão à luz do dia. Não me venham com a treta de que era a revolução. 
Já bem basta o que não está registado, escrito, gravado, como certas fugas para Norte, ou o que veio buscar um célebre "importante", etc.

António Cabral (AC)

quinta-feira, 7 de maio de 2026

PARECEU-ME  UM  VELÓRIO 

Com Luís Montenegro debaixo da célebre "pala" no Parque das Nações, ar sério o seu e o das dezenas e dezenas de "sentadinhos" na plateia que o escutaram em silêncio, a mim aquilo pareceu-me um velório, daqueles de pessoas tidas como muito importantes (morrem como todos os cidadãos comuns) onde alguém faz um longo elogio fúnebre.

E pareceu-se um velório até pelo ar de enterro de todos os que as câmaras mostraram.

E Montenegro lá anunciou um longo programa, muitas medidas, medidas imensas, e naturalmente um prazo para fim de programa. Se escutei bem 2036.

É bonito, sim senhor! É mesmo deslumbrante.

O sr Carneiro aqui há tempos também anunciou coisas imensas, pomposas,  por exemplo:
- acabar com a pobreza infantil até 2035
- convergência com a média salarial europeia, até 2035, claro
- justiça que seja justa, não calendarizou, talvez para depois de 2035
- nova geração SIMPLEX que eliminará a burocracia, talvez 2035?

Eles, há décadas que apontam programas e datas do seu fim.
Com congressos partidários pelo meio ou não, há décadas que PSD, PS, CDS fazem promessas, anunciam programas, metas, agendas, pactos, pactos que são do gosto de António José Seguro como se vai vendo.

Todos eles (PS, PSD, CDS) quando estão na oposição apresentam-se como oposição responsável, denominam-se como políticos da construção, assinalam os males da governação dos outros e condoem-se MUITO dos portugueses.

Quando estão na oposição se os governos nada fazem - NÃO FAZEM NADA.
Se os governos fazem algumas coisas -A COPIAR AS NOSSAS MEDIDAS E IDEIAS.

Os outros partidos, os sindicatos, as corporações, as ordens profissionais gritam, berram, vão para a rua. E todos sempre com a solução para os problemas do país.

Todos a SERVIREM a sociedade. Não é o que se verifica?
Dizer que se SERVEM dos cargos para que são/ foram eleitos é ser mesmo injusto, não é?

Portugal só está como está por puro acaso, por milagre. 
Nada neste estado comatoso de anos e anos tem a ver com políticos, ex e actuais titulares de órgãos de soberania, chefias as mais diversas (civis e militares), funcionários públicos, dirigentes privados, etc.

Volto por onde comecei, Montenegro.
É preciso descaramento para apresentar com pompa uma coisa que contém partes do que antes fora indicado. 
Aprendeu bem com António Costa.

Desgraçados de nós cidadãos comuns.

AC

segunda-feira, 4 de maio de 2026

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Transcrevo de novo um interessante (opinião pessoal naturalmenteartigo de opinião de que há mais de um ano tomei conhecimento, da autoria de um Coronel reformado do nosso Exército, David Martelo. 

Tenho-o sempre presente para, em função das características enunciadas pelo autor para ponderar o que sensibilizaria os portugueses face a Gouveia e Melo (sondagens), nos tempos actuais me servir de guia para ponderar os resultados das actuais sondagens que, teoricamente, são indicador da acção dos actuais titulares de órgãos de soberania .

António Cabral (AC) (sublinhados e comentários da minha responsabilidade)

DO CAMINHO MARÍTIMO PARA BELÉM

Assim, em vez dos políticos de profissão, (a República) passará a governar pelo Exército, que é, de espírito, o contrário deles...
FERNANDO PESSOA, Da República
, p. 243.

Apesar de ainda estarmos a pouco mais de um ano das próximas eleições para a Presidência da República, a recente passagem à reserva do almirante Gouveia e Melo e a elevada probabilidade de vir a ser um dos candidatos à suprema magistratura da Nação desencadearam um animado debate sobre a possibilidade de, passados cerca de quatro décadas sobre o final da presidência do general Ramalho Eanes, voltar a perfilar-se uma candidatura de um militar.

Ramalho Eanes – que, apesar da sua atribulada presidência, deixou uma recordação positiva na sociedade portuguesa – vinha sendo visto como um caso excepcional, decorrente do ambiente revolucionário que se vivera entre 1974 e 1976, na transição da ditadura para a democracia. Pela lógica dos costumes políticos europeus, seria expectável que uma candidatura de militar (fora da actividade de serviço) não voltasse a concretizar-se.

Dentro desta benevolente convicção, o caso da possível candidatura do almirante Gouveia e Melo veio abalar alguns espíritos detentores de postos de comentário político, alguns dos quais se precipitaram em alarmantes juízos, com notória escassez de cultura política e capacidade de análise relativamente ao momento actual do mundo em que vivemos.

Provavelmente, o factor mais desestabilizador desses bem-intencionados espíritos tem residido nos resultados das sondagens até agora publicadas, as quais insistem, umas atrás das outras, na colocação do almirante num primeiro lugar, bem destacado dos outros potenciais concorrentes.

É sobre esta assinalável preferência dos portugueses que pretendo adiantar algumas das reflexões que me ocorreram, reflexões essas cujos contornos não tenho vislumbrado nos numerosos textos que até agora me foram dados ler.

Assim, importa formular esta pergunta: que característica, ou características, identificaram os portugueses no almirante Gouveia e Melo para se disponibilizarem a levá-lo até Belém?

Em teoria, essa preferência poderia resultar de um ou mais dos seguintes atributos:

  1. Da sua notoriedade pessoal

  2. Das suas ideias políticas

  3. Da sua não-ligação a partidos políticos

  4. Da recordação de outros militares em cargos políticos, em democracia

  5. Da preparação para liderar, própria dos militares de carreira

Como é amplamente sabido, a notoriedade pessoal do almirante Gouveia e Melo no meio civil foi conquistada pela forma eficaz como reorganizou o sistema de vacinação, aquando da pandemia de Covid-19. Foi um feito importante e com grande impacto mediático, pelo que admito que tenha algum peso na preferência que lhe é dedicada.

Das suas ideias políticas pouco sabemos. Sendo, até há poucos dias, militar no activo, estava-lhe vedada a actividade política. Este aspecto, tem sido exageradamente mencionado pelos comentadores assustados por este fenómeno, como se para ser eleito não tivesse que haver, previamente, uma campanha justamente adequada a esclarecer as dúvidas sobre a provável acção dos candidatos no caso de serem eleitos. De qualquer modo, fica claro que, dado o natural silêncio do almirante, não é no campo das ideias políticas que se deve buscar a explicação para o seu relevante sucesso nas sondagens até agora publicadas.

A sua não-ligação aos partidos políticos também não parece explicar grande coisa. Já tivemos várias eleições presidenciais a que concorreram figuras independentes dos partidos – Fernando Nobre (2011) e Sampaio da Nóvoa (2016) – e não lograram destacar-se das figuras com antecedentes partidários.

Poderia ter algum fundamento na preferência recordação do desempenho de outros militares em cargos políticos, em democracia, nos quais a história nos recorda Winston Churchill, Charles de Gaulle ou Dwight Eisenhower, grandes figuras do século XX, todos eles formados nas Academias Militares dos respectivos países. Assim como Ramalho Eanes. 

Mas, exceptuando este, ainda vivo, não vejo que as restantes figuras pudessem influenciar tantos portugueses. É preciso reconhecer que poucos deles saberão quem foram aquelas ilustres personagens. Mas cabe aqui recordar o que, em 1932, o futuro presidente da República Francesa, Charles de Gaulle, publicou, numa interessante obra de conteúdo ético-militar, na qual, a certo ponto, afirmava:

O político e o militar levam (...) para os empreendimentos comuns caracteres, procedimentos e preocupações diferentes. Aquele atinge os objectivos por caminhos abrigados; este chega a eles em linha recta. Um, que vê à distância de modo enevoado, julga as realidades complexas e dedica-se a apreendê-las pela astúcia e pelo cálculo; o outro, que vê com clareza, mas para o imediato, acha-as simples e acredita que se podem vencer desde que se esteja decidido a tal. Perante um acontecimento grave o primeiro pensa no que os outros irão dizer, enquanto o segundo consulta os princípios (1)

Ficou para o fim a preferência por quem provém de uma carreira que confere preparação para liderar, função para a qual se não exige uma forte inclinação para comentar publicamente tudo o que se passa no país e no mundo

E, se estas características são importantes em tempo de paz, é sensato deduzir que aumentam muito de valor quando sinais inquietantes de guerra se perfilam no horizonte e o ocupante do cargo é, por inerência, o comandante supremo das Forças Armadas.

David Martelo – 16 de Janeiro de 2025

(1) Le Fil de l’épée, Librairie Plon, Paris, 1932, p. 167. 2


Bom dia, tenham uma boa 4ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida, boa sorte.
AC

terça-feira, 28 de abril de 2026

Ainda os Discursos - 25 Abril 2026
Não segui a cerimónia de Sábado de manhã pela TV. Andei na rua.
Li depois o discurso do PR Seguro, que aqui já publiquei, de que gostei e comentei.

Li rapidamente e já aqui publiquei o discurso do Pr da AR, sem comentários com excepção de um, no final, a vermelho
Quando me apetecer lá irei procurar os discursos dos partidos políticos por ocasião do 52º aniversário da memorável data - 25 Abril 1974.

Este discurso do Pr da AR que na minha opinião refere algumas verdades que muitos políticos fingem não perceber a começar pela pérola rosa Delgado Alves, tenho-o como um texto estranho, e que comentarei agora.

Para isso o republico mas apenas as partes que inicialmente sublinhei a azul e com o meu único comentário na altura, a vermelho, na linha final.
*******************************************
. . . . . . . . .
. . a esmagadora maioria dos portugueses quer este regime, gosta do regime. Mas isso não significa que ache que tudo está bem!
. . . . . . . .
. . Aparentemente, só não gosta, ou desconfia dos políticos.
. . . . . . . .
. . . deixem-me aproveitar, já que estamos a terminar estas celebrações para dizer estas coisas inconvenientes e pouco populares.
. . . . . . .
. . . É altura de admitirmos a possibilidade do problema português não ser a Constituição, o capitalismo, o regime, as instituições ou funcionamento da democracia.
O problema pode estar também em nós. Os políticos.
. . . . . . . . . .
. . . Sim. Todos nós já cometemos o pecadilho de assumir que lá fora existe um país real, com portugueses verdadeiros e cá dentro temos um país “oficial” com portugueses de outra estirpe, casta ou elite.
. . . . . . . . .
. . . Sim. De facto, temos cada vez mais políticos que começaram nas juventudes partidárias e continuaram a carreira sem nunca, diz-se, conhecer o dito “país real”.
. . . . . . . . . . .
. . . Quero apenas lembrar que os portugueses podem ter mesmo razão para sentir desconfiança.
Ou que, pelo menos, devemos admitir essa possibilidade.
. . . . . . . . . .
. . . É preciso acabar com a pouca-vergonha das mordomias dos políticos.
. . . . . . . . .
. . . que o serviço público, para atrair os melhores e para ser acessível a todos, ricos e pobres, deve remunerar bem.
. . . . . . . . . .
. . . E, de repente, temos outras portas giratórias. Entre gabinetes e Parlamento. Parlamento e governos. Governos e administração pública. Assessorias e órgãos do Estado.
Em Portugal, temos uma alternância quase plena. Nós alternamo-nos a nós próprios!
. . . . . . . . .
. . . Mas, com os anos, passámos a olhar com suspeita quem escolhe trabalhar ao mesmo tempo que é deputado.
. . . . . . . .
. . . . O nosso trabalho, Senhoras e Senhores Deputados, é alargar o clube da política. Alargar tanto, que deixe de ser um clube.
Para reforço da qualidade da nossa democracia!
. . . . . . . . .
O 25 de abril é presente e futuro.
. . . . . . . . .
Porque o serviço público não pode dispensar os melhores.
Talvez este deva ser o foco da nossa sessão de hoje.
Ou, pelo menos, devemos admitir essa possibilidade.
Disse.

E acrescento Eu, viva o 25 de Abril, viva Portugal.


*********************************
Também estou convencido que a maioria dos portugueses se sente bem no actual regime mas, tal como eu, tristes e desiludidos pois está mal muita coisa.
Agravaram-se desigualdades por exemplo. 
Portugal continua a escorregar para o fundo da tabela olhando aos países todos da Europa, sejam ou não da UE.

De quem é a culpa?
É do 25 de Abril de 1974?
NÃO, NÃO É!

A culpa é de vários ou mesmo muitos dos que se serviram dos cargos para que foram eleitos e nomeados seja, titulares de órgãos de soberania, autarcas, chefias as mais diversas da pesada máquina do Estado.
E na esfera privada, na banca, em muitas instituições, houve muita gente que também têm ajudado a chegarmos onde desgraçadamente estamos.
Foi quem considerou Portugal a sua quinta, foram e continuam os donos disto e daquilo, os donos disto tudo, o que quiserem.

SERVIRAM-SE, em ver de SERVIREM a comunidade /sociedade portuguesa.

Tenho em péssima conta vários políticos. Presumo que não sou só eu. E não vou perder tempo agora a repetir o que tenho escrito inúmeras vezes (ainda o fiz de novo há poucos dias) sobre a importância da democracia, dos partidos políticos, da comunicação social etc.

Quando Aguiar-Branco afirma - É altura de admitirmos a possibilidade do problema português não ser a Constituição, o capitalismo, o regime, as instituições ou funcionamento da democracia. O problema pode estar também em nós, os políticos  - qualquer pessoa honesta reconhece que muitos políticos têm sido parte dos problemas.

Quando se refere o "país real" parece-me uma evidência que há muita razão nessa ponderação.
Basta olhar para o indignado Delgado Alves e ir verificar como foi até agora a sua vida.

E para não referir apenas políticos, olhemos para o CEJ onde desde há anos se formam magistrados. 
Com que idadezinha ficam magistrados?
Pois . . . . . ficam magistrados quando já angariaram imensa experiência de vida . . . não é verdade ?

Portanto, aos indignados como Delgado Alves em vez de falarem para a Lusa e viraram as costas a quem discursa não faria mal nenhum admitir a possibilidade de muitos políticos serem há décadas parte dos problemas que até hoje se arrastam.

Já agora, porque que é que Delgado Alves não virou as costas também  ao PR Seguro pois falou também do tema ?
É porque é da cor e Aguiar-Branco é da direita?  

Muitos portugueses sabem de pouca-vergonhas e de mordomias de muitos políticos e designadamente de deputados. 

Será que o deputado Delgado Alves não ouviu falar nas viagenszinhas em económica depois de terem trocado o bilhetinho de avião a que tinham direito em Executiva/ 1ª classe? 
E que tal o actual e inarrável governador do Banco de Portugal e as suas acçõeszitas?

O serviço público é mal pago. Sabe-se há muito. 
É por isso que ao longo dos anos têm arranjado disfarçadamente umas atenuantes. Em vez de enfrentarem o problema, com dignidade, com racionalidade, com rigor e decência.

Muito bicho careto tem pópó oficial.
As ajudas de custo e as verbas para despesas de representação são uma ajuda, uma atenuante. E nem falemos na percentagem dos que, tadinhos, têm de receber uma grande ajuda pois vivem muito longe!

E toda a gente sabe que é verdade a existência das diferentes e diversas portas giratórias.

"Nós alternamo-nos a nós próprios" - disse Aguiar-Branco e aqui, Delgado Alves podia ter gritado - eu nunca mais fui "jotinha" e nunca mais voltei para uma junta de freguesia!

O Pr da AR disse outras coisas.
Uma que me parece adequada - O 25 de abril é presente e futuro

Porque o serviço público não pode dispensar os melhores - também afirmou, e concordo absolutamente.

Mas este discurso do nº 2 na hierarquia do Estado é para mim um pouco estranho.
E começo pelo final. Tal como o Presidente Seguro não terminou como creio seria adequado - viva o 25 de Abril, viva Portugal.

Demasiado paleio para referir o tema que decidiu escolher para o 52º aniversário da memorável data - 25 ABRIL 1974.

Mas será que o financiamento dos partidos políticos é o problema maior da nossa democracia, da nossa história recente?

É o financiamento dos partidos políticos a causa maior para,
- a questão da habitação, da saúde, da educação, 
- do emprego, da fuga de muitos para o estrangeiro, 
- do descontrolo da imigração, 
- o estado do sistema de justiça, 
- da continuação de nada se saber da ONU quanto ao nosso pedido de alargamento da plataforma continental feito em 2013, 
- das nossas fragilidades estruturais, da nossa indústria, 
- da nossa economia, 
- do estado das forças de segurança, ou das Forças Armadas, 
- das baixas pensões, do estado de muitas vias rodoviárias, 
- do desordenamento do território, 
- dos problemas da CP ou da TAP, 
- das carências no âmbito da cultura,
- dos problemas no âmbito de creches e lares para os nossos ascendentes,
- dos incêndios e da proteção civil, 
- do estado da comunicação social, ETC. 
- ETC. ETC. ETC. ETC. ETC ?

Obviamente (opinião pessoal, naturalmente) senhor Pr da Assembleia da República que o financiamento dos partidos políticos está longe de ser uma coisa clara. Decente.

E temos ainda muitas telenovelas como no âmbito da "Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), ou da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), ou decisões do Tribunal Constitucional, ou as (não) nomeações para diversos órgãos do Estado, ou legislação vária discutível ou até por regulamentar, para não falar no Código do Procedimento Administrativo que em Portugal serve para muita gente no Estado e fora dele limpar o rabo.

Senhor Doutor Aguiar-Branco disse que achei o seu discurso estranho.
Sabe porquê?

Porque sou medianamente educado.
E também por isso lhe digo que se eu tivesse estado no Parlamento quando discursou não me levantava e nem lhe virava as costas. 
Ficava sentado, e não aplaudia.

Depois, enviava-lhe uma carta pessoal a manifestar as minhas discordâncias.
Seria assim, não sou mal educado.

António Cabral (AC)