Depois de ouvir várias vacuidades, depois de ouvir pérolas do demagogo mor, depois de escutar "vários doutos" sobre defesa, Forças Armadas (FA) etc. lembrei-me deste meu texto antigo.
O que está diferente, hoje?
As Forças Armadas também são, ou não, uma prioridade?
PSD promoveu um debate sobre Defesa, Quinta-feira, 19 de Outubro de 2000.
O presidente social-democrata, Durão Barroso, e o deputado Carlos Encarnação, ministro-sombra do PSD para a Defesa, receberam ontem no Hotel Tivoli, em Lisboa, o general Loureiro dos Santos, assim como Joaquim Aguiar, antigo assessor presidencial, e ainda o ex-ministro da Defesa Figueiredo Lopes, para falar sobre "Política de Defesa Nacional".
A assistir estava uma constelação de "estrelas" das Forças Armadas (FA) a quem muitas das coisas que ali foram ditas não deve ter agradado.
O que marcou o debate foi uma intervenção de Joaquim Aguiar, colunista do "Expresso" e ex-assessor dos Presidentes Ramalho Eanes e Mário Soares.
O que marcou o debate foi uma intervenção de Joaquim Aguiar, colunista do "Expresso" e ex-assessor dos Presidentes Ramalho Eanes e Mário Soares.
Perante uma plateia de altas patentes, como os generais Espírito Santo, Loureiro dos Santos, Almeida Bruno ou Tomé Pinto, Aguiar fez questão de dizer claramente que havia prioridades mais importantes do que as FA em Portugal: "Estou completamente à vontade para vos dizer coisas extremamente graves.".
E explicou o seu à vontade: "Não sou militar, não sou político."
Durante uma hora, Aguiar deu uma lição de economia aos nervosamente irrequietos militares presentes (e aos poucos deputados que assistiam), explicando que, para haver modernização, era necessário que Portugal fosse capaz de "dominar ciclos de evolução económica como condição para produzir capacidades efectivas militares".
Durante uma hora, Aguiar deu uma lição de economia aos nervosamente irrequietos militares presentes (e aos poucos deputados que assistiam), explicando que, para haver modernização, era necessário que Portugal fosse capaz de "dominar ciclos de evolução económica como condição para produzir capacidades efectivas militares".
Como isso não acontecia, e ainda por cima os aparelhos estatais caminhavam para a falência, era uma precipitação falar-se em reestruturação militar.
Só depois Aguiar apontou baterias contra os políticos.
Só depois Aguiar apontou baterias contra os políticos.
Segundo o comentador, os partidos sabem muito bem que o "wellfare state" (expressão inglesa para Estado-Providência) tinha os dias contados.
Mas, mesmo assim nada faziam para alterar o actual situação: "Todos os partidos prometem mais do mesmo, mas o mais do mesmo já não existe."
O ambiente ficou pesado quando Aguiar afirmou: "O dr. Durão Barroso sabe disto mas não faz nada."
Era por isso mesmo que as coisas não funcionavam em Portugal.
Era por isso mesmo que as coisas não funcionavam em Portugal.
"Não eram feitas para funcionar" porque os políticos queriam que tudo ficasse na mesma.
Daí que o comentador acabasse por concordar com o general Loureiro dos Santos, ao caracterizar o "Conceito Estratégico de Defesa Nacional" como "mudo" e "inútil".
Porque, concluiu, "só serve para disfarçar"
António Cabral (AC)
António Cabral (AC)
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