UMA AVALIAÇÃO
Dei comigo a olhar para as críticas de Mário Centeno ao PS e ao actual governo, a olhar para as arengas escritas e concedidas em entrevistas do insuportável trauliteiro sendo que este é, para mim naturalmente, um dos maiores desavergonhados políticos do Portugal contemporâneo. E olhei também às críticas de Passos Coelho.
Fica-me sempre uma ligeira dúvida, quer sobre eles quer sobre muitos outros da política partidária e das elites e que é, se as criaturas percebem de facto a realidade portuguesa, a sociedade portuguesa que, obviamente, não é a cidade de Lisboa ou Estoril/ Cascais/ Quinta da Marinha, ou os condomínios chiques a Norte e a Sul.
A comunicação social, com as notícias, com algumas denúncias, com alguns comentários, fazem de certa forma uma análise e uma crítica "aos de cima". Mas quase nada investigam, seriamente.
Fica-me sempre a dúvida se "os de cima" e os OCS percebem de facto a sociedade portuguesa.
Eu sei que sou um comum cidadão, fora de associações discretas, de institutos, de fundações, de grémios, de "vernissages", de sindicatos e associações mais abertas, de torneios de golfe, de certos encontros gastronómicos, de certos convites mais íntimos, etc., mas tenho muitas dúvidas.
A sensação que continuo a ter é que vários senão mesmo muitos, perceberam há muito e percebem como se "encaixar" e tratar da vidinha enquanto podem, enquanto é possível. Sempre o nepotismo, o amiguismo, ora agora tu, depois eu, mais tarde tu outra vez ou o teu primo ou conjugue. Cores todas!
E, na minha discutível opinião naturalmente (a respeitar, como respeito todas as opiniões de outrem, concorde ou discorde delas) há pelo menos 4 décadas que na pesadíssima máquina do Estado incluindo muito do que lhe está agregado, temos bem encaixados vigilantes partidários, vigilantes sindicais quando não mesmo verdadeiros "apparatchiks".
Importante era SERVIR, servir a sociedade, e não, servirem-se dos cargos, dos empregos, em proveito próprio, ou para proveito do "clube" a que estão ligados!
Mas não, pululam bandos de apparatchiks a meter pauzinhos nas engrenagens, pululam os que metem baixas médicas em certos típicos períodos, baixas que em qualquer país decente e organizado seriam rigorosamente avaliadas, verificadas e combatidas as fraudulentas.
Para já não recordar o jornalismo de causas a inchar com grande ausência de rigor tudo onde surjam dificuldades.
Estarei completamente enganado? Admito, naturalmente.
AC
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