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quinta-feira, 11 de junho de 2026

10  JUNHO  e  MAR

Disse Fernando Pessoa,

"Meu coração é um pórtico partido, dando excessivamente sobre o MAR"

Terá sido por erradamente interpretarem esta frase que, os sucessivos PR e sobretudo os sucessivos governantes e deputados do PS e do PSD sempre tanto (???) ligaram ao MAR durante décadas, e às nossas ZEE e à responsabilidade que decorre da jurisdição que sobre essa imensidão temos?

O tanto que há décadas essas criaturas ligaram/ ligam ao Mar / aos Oceanos pode ser avaliado olhando o estado da Marinha, da Força Aérea, da marinha mercante, da marinha de pesca, da marinha de recreio, dos portos, da fiscalização costeira e oceânica, da investigação no mar !

Não me estou a referir aos muitos e grandiloquentes discursos e promessas de décadas/ anos, mas sim às realidades, aos sucessivos OE, às coisas concretizadas.

Bom dia, tenham uma boa 5ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

PROMETE ....

Ministra da Defesa promete segunda tripulação para os helicópteros da Força Aérea na região

Em cima o título e em baixo a notícia lida nos jornais dos Açores.

A Base Aérea nº 4, nas Lajes, ilha Terceira, deverá ter, até ao final do ano, uma segunda tripulação para operar os helicópteros EH-101, que fazem missões de busca e salvamento.
“Há uma aspiração que as autoridades e as pessoas aqui dos Açores tinham que será concretizada, que é a segunda tripulação dos EH-101”, avançou a ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, à margem de uma visita àquela Base.
Também a Marinha Portuguesa terá um segundo salva-vidas nos Açores.
“Até ao final do ano, ou até antes, se for possível, concretizaremos estes dois importantes projetos e desígnios, respondendo, portanto, à resolução dos problemas, continuando a colaborar ativamente com as autoridades locais”, salientou a ministra.
A Força Aérea portuguesa tem dois helicópteros EH-101 Merlin colocados na base aérea número 4, mas apenas uma tripulação fixa.
A atribuição de uma segunda tripulação é uma reivindicação antiga das autoridades regionais.
Em setembro de 2018, o parlamento açoriano aprovou, por unanimidade, um voto de protesto, apresentado pelo PSD/Açores, “pela ausência, na Base das Lajes, de uma segunda tripulação para os helicópteros de busca e salvamento da Força Aérea”.
Tinham já sido aprovados, em 2014 e 2017, outros dois votos com o mesmo teor.
Segundo a ministra da Defesa Nacional, a Força Aérea está a desenvolver “esforços muito grandes” para treinar pilotos, que possam assegurar a segunda tripulação.
“É uma tarefa que tem a ver com os recursos, mas também com os processos complexos de qualificação dos pilotos. A Força Aérea está a desenvolver realmente esforços muito grandes e um trabalho muito intenso no plano do recrutamento e da retenção. Está a treinar pilotos que vão reforçar, de facto, a sua capacidade”, apontou.
Na sua primeira visita aos Açores, Helena Carreiras destacou “a presença muito forte e muito significativa” das Forças Armadas nas regiões autónomas.
“Desempenham missões absolutamente fundamentais, não apenas missões de soberania, mas também missões de apoio à qualidade de vida das populações e esse reconhecimento é muito claro”, frisou.
Em 2022, “a Marinha tem já realizadas 113 missões” de busca e salvamento, superando “todo o número de missões do ano anterior”.
Já a Força Aérea conta com “perto de 250 missões” de transportes médicos, em que os doentes foram transportados entre ilhas ou para o continente português.
“As missões de busca e salvamento, em que a Marinha e a Força Aérea estão evidentemente muito implicadas são missões absolutamente fundamentais e insubstituíveis”, sublinhou Helena Carreiras.
Questionada sobre a data de arranque das obras de requalificação do edifício que vai acolher o Centro do Atlântico, na base aérea número 4, a ministra disse que o projeto está a ser avaliado.
“O Centro do Atlântico está a edificar-se. Fez um trabalho magnífico até agora. Estamos neste momento a analisar as circunstâncias em que vamos desenvolver este projeto de completar a sede na BA4 para depois vir a instalar o centro e a reforçá-lo com uma equipa e com atividades que possam aqui ocorrer, trazendo também os 20 outros países que participam no centro”, adiantou.
A ministra admitiu que o “contexto complexo da guerra” na Ucrânia possa obrigar a “reavaliações do plano inicial”, mas garantiu que a edificação vai avançar.
“Prosseguiremos seguramente a edificar o Centro do Atlântico como um grande projeto que não é apenas da Defesa Nacional, é um projeto verdadeiramente nacional, no sentido em que nos coloca numa relação muito estreita com outros países do Atlântico, para pensar os problemas da Segurança do Atlântico, para capacitar um conjunto de parceiros para melhor defender os nossos recursos e para estabelecer diálogo político e aprofundar o conhecimento”, assegurou.
Oficializado em 2021, por iniciativa do Governo português, o Centro do Atlântico, conta atualmente com 20 países signatários, de Europa, África e América.
O centro terá sede na antiga unidade de saúde da Base das Lajes, que foi utilizada pela Força Aérea norte-americana e ficou desocupada aquando da redução militar que ocorreu a partir de 2015.
Em 2021, o então ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, anunciou um investimento de cerca de três milhões de euros na recuperação do edifício.


Este texto/ notícia que acima reproduzo, ilustrava um dos belos exemplos do "estado" das Forças Armadas em 13 de Setembro de 2022. A ministra era a sra Carreiras

Qual é a situação hoje? Era só para saber!

António Cabral

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

ESTÃO a VER, EU JÁ TINHA DITO.
ESTÁ TUDO BEM porque ACABOU BEM
TODOS AMIGUINHOS.
 
Assim dá gosto, ficar com a certeza de que o professor procurou informar-se com as Forças Armadas (terá sido porque a mana Mortágua o colocou em cheque publicamente?) sobre “o que se tinha passado” no incidente (não, nada de incidente, foi de certeza um equívoco, um mal entendido) entre militares e o ministro Paulo Rangel em Figo Maduro.

Claro que o PM também lhe comunicou o que se tinha passado.

E, portanto, nada de dramatização, eu já tinha dito, foi de certeza um momentâneo equívoco, de segundos.

Ah, de acordo com o que se lê por aí, Marcelo Rebelo de Sousa terá confessado que tudo é coincidente e que até corresponde a situações similares que já viveu no mesmo lugar.

Catita. Até porque os militares (quais?) quando questionados sobre se havia alguma razão de queixa, terão admitido que “houve equívocos” mas terão dito que não havia razões de queixa. 

"A mim o que me chegou foram versões muito coincidentes que minimizaram o problema. Eu fiquei esclarecido que não encontrei uma versão que fosse muito diferente uma da outra e que fossem muito graves.” Obrigadinho Presidente.

E é isto. Falta de chá, em pequeninos, depois na adolescência, depois na formação que sempre se tem no início das carreiras, dá nestas coisitas!

António Cabral (AC)

Adenda:
Como cidadão tenho péssima impressão do concidadão Paulo Rangel.

No presente, ele e outros, porque titulares de órgãos de soberania, estão momentaneamente numa posição social/ protocolar acima da minha.

Numa eventual situação em que eu estivesse na presença de um deles (Marcelo, Rangel, outros) nunca lhes estenderia a mão para os cumprimentar. Esperaria que o fizessem.

É que eu aprendi uma coisa há muitas décadas: espera-se que seja, o mais velho, o de maior posição social, uma senhora, a esticar a mão para cumprimentar.

Mas as pessoas educadas, cumprimentam sempre os outros.

E a este propósito conheço muito bem quem (oficial da Marinha, já com relevante antiguidade na altura), à porta dos Jerónimos, em 1996, no desempenho das suas funções, aguardava a chegada de dezenas de convidados para uma cerimónia, por ordem protocolar designadamente das principais figuras do Estado e, nomeadamente, presidentes de tribunais, primeiro-ministro, presidente da Assembleia da República e Presidente da República.

E a cada um deu as boas vindas e cumprimentou militarmente, com continência.

Jorge Sampaio, um Homem decente e educadíssimo, foi o único que se abeirou desse militar, parou na frente dele, e esticou-lhe a mão para o cumprimentar, com vigor, e um sorriso que acompanhou um sonoro - bom dia sr comandante! e recebeu de volta - bom dia sr Presidente.

Diferenças!

domingo, 17 de março de 2024

A  TREINAREM, PORQUE HÁ POUCOS PILOTOS?
Ontem, Sábado, cerca das 1745 horas, a pairar sobre a água do Tejo, bastante tempo, depois voando baixo em direcção às lezírias, e depois subitamente aparecendo a rasar o casario de Alcochete, em direcção à base aérea nº 6, Montijo.
A treinar ao Sábado?
AC

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

PILOTOS  FAP
Mesmo com anúncios em pacotes de açúcar, os pilotos saem!
Será culpa de Passos Coelho ou o açúcar não é doce?
AC

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

A PROPÓSITO do LEGADO de ANTÓNIO COSTA
A propósito deste fantástico legado, que integra todas as áreas da governação, da sociedade portuguesa, os comandantes dos helicópteros de salvamento das esquadras da Força Aérea bateram com a porta. Diz o Expresso que não são só eles.
Diz ainda o semanário que haverá muitos oficiais e outros que preferem ir embora da Força Aérea, apesar das indemnizações que terão de pagar. Já não protestam, vão-se embora. Algumas das descrições que estão no semanário são eloquentes do estado deste Estado português.. . . . . 

Não há muitos dias escrevi um texto que começava como indico em cima. Foi a propósito do que vem acontecendo na Força Aérea.

Mas hoje interrogo-me sobre outra coisa dentro da mesma Força Aérea. E gostava de perceber.

Concretamente, ficou ou não na "mão" da Força Aérea a gestão de helicópteros e outras aeronaves de combate a incêndios?

E se foi de facto assim, onde estão os dados concretos sobre acções, contratos, etc.?

Sim, se é isso em que estão a pensar, estou a referir-me a dinheiro, muitos milhões, quem gere, quem determina, quem explica, quem pede contas.

AC

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024


O  COSTUME.
DEFESA NACIONAL. FORÇAS ARMADAS.




O GREI (carta de 15 Janeiro, em baixo reproduzida) entendeu alertar, mais uma vez, para problemas sentidos nas Forças Armadas (FA) nacionais, concretamente, desta vez com especial enfoque nos recursos humanos. Na crescente escassez de recursos humanos. 

A INSUSTENTÁVEL SITUAÇÃO DOS MILITARES DAS FORÇAS ARMADAS
(sublinhados da minha responsabilidade)
I
O Grupo de Reflexão Estratégica Independente (GREI), oficialmente constituído em 2015, tem procurado ao longo da sua curta, mas preenchida existência, ser uma voz ativa nos temas da Defesa e da Segurança Nacionais e das Forças Armadas.

Constituído por Oficiais-generais da Marinha, do Exército e da Força Aérea, na situação de reserva e de reforma, que no decurso da sua extensa carreira desempenharam os mais variados cargos nacionais e internacionais, nas Forças Armadas, nas Forças de Segurança, nos serviços de Proteção Civil, bem como na Direção Superior da Administração Pública, considera-se um interlocutor privilegiado para, com a experiência vivida e o distanciamento temporal e funcional que a sua situação profissional permite, ser um parceiro credível nos domínios da Segurança e Defesa do País.

Neste contexto e, sempre, com uma postura de cidadania ativa, temos realizado reuniões de reflexão, almoços-debate, conferências, palestras, seminários e, sobretudo, elaborado textos e publicações sobre as temáticas indicadas e, em particular, as Forças Armadas (FFAA).

Estamos abertos ao meio militar, naturalmente, mas também à sociedade civil em geral, privilegiando o meio académico, científico, tecnológico, político, organizacional e comunicacional.

Os nossos interlocutores vêm das mais diversas áreas do conhecimento, instituições, tendências, e orientações políticas, sendo nesta diversidade que julgamos residir muito do capital de isenção granjeado.

A nível político temos propiciado contactos com os líderes partidários, as Comissões de Defesa e os Grupos Parlamentares da Assembleia da República, sempre que oportuno.

Não será despiciendo referir que no último seminário realizado, em abril passado, tivemos a presença dos mais elevados dignitários do País, como o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República, e uma representação alargada de membros do Governo.

Pois bem, num momento em que o Mundo, a Europa e Portugal, em particular, vive uma situação complexa aos mais diversos níveis, com uma instabilidade política, social, económica e de segurança, e em que se vão realizar eleições nacionais a breve trecho, entendemos por oportuno fazer chegar aos Partidos Políticos, um conjunto de preocupações que pela sua pertinência e relevância devem, também elas, ser objeto de reflexão, debate e comprometimento político.

Os signatários não desconhecem os complexos problemas nacionais, a nível de educação, saúde, emprego, habitação, justiça, fiscalidade, administração pública, transportes, energia, e a importância que ocupam nas prioridades políticas de quem ambiciona ser governo.

Exatamente porque conhecem bem esses problemas, sentem-se obrigados a alertar os Partidos e a Classe Política para outros não menos importantes para o País e para a Soberania Nacional, mas que raramente ocupam a agenda política e, muito menos, a sua estrutura de pontos críticos.

Referimo-nos obviamente às FFAA e à situação grave, e que não é nova, em que se encontram e para a qual vimos alertando publicamente, pelo menos, desde 2020.

Assim sendo, por uma questão de prioridade e de economia de tempo e espaço, não iremos abordar, nesta fase, os Orçamentos da Defesa e das FFAA, a Lei da Programação Militar, as questões do Armamento, dos Equipamentos, das Infraestruturas, da Investigação Científica Militar, das Indústrias de Defesa, do Ensino Militar e outros.

Não iremos, igualmente, lembrar a necessidade de o País possuir umas FFAA bem preparadas, equipadas e motivadas, que respondam com eficiência e eficácia às necessidades nacionais, e às responsabilidades de Portugal no quadro internacional, e no âmbito das alianças de que faz parte.

Vamos, isso sim, focar o nosso alerta, primordialmente, no fator humano, melhor dizendo, nos Recursos Humanos (RH) das FFAA, o elemento por excelência do seu funcionamento e prontidão. Na realidade, são as pessoas (e é bom não esquecer) que, a todo o tempo, “convertem” a estrutura política e militar da defesa nacional em desempenho operacional eficiente e eficaz. E é aqui, no domínio do “Pessoal”, e ao nível da seleção, do recrutamento e da retenção que as dificuldades que se sentem são maiores e mais gravosas.

Os dados falam por si. Atente-se o número de militares em serviço, em 31 de dezembro último - 21 080 (cerca de 68 %), relativamente aos 30 840 autorizados pelo D.L. 6/2022, de 07 de janeiro, quantitativos esses bastante reduzidos, se se considerar o valor superior do intervalo (30 000 – 32 000) previstos na Reforma “Defesa 2020”, de 2013, e cujo estudo e racional que os sustentaram são desconhecidos.

Por outro lado, uma mais completa e pretendida profissionalização das FFAA, ao fazer substituir a conscrição e o Serviço Militar Obrigatório pelo regime de voluntariado e contrato, modificou, por completo, a matriz da relação individuo – Instituição, uma vez que esta passou a ser uma matriz de relação contratualizada e de interesse e não mais uma relação de dever e cidadania, e isso, não sendo aspeto despiciendo, tem vindo a ser esquecido.

É, sem dúvida - a falta de pessoal – o maior dos problemas. Um problema da mais alta importância e a que os portugueses em geral, os cidadãos, os partidos e os políticos, em particular, não se podem alhear.

Os efetivos (ou falta deles), a sua capacitação profissional, as questões do estatuto e da condição militar (CM), da carreira, da motivação, do regime de saúde e do apoio complementar, do reconhecimento e da integração social, moral e material, constituem as matérias com as quais pretendemos sensibilizar os partidos e o poder político que, num futuro breve, irá assumir responsabilidades de direção efetivas, seja na Assembleia da República, seja no Governo.

II

É inegável que tem vindo a crescer no seio das FFAA um clima geral de mal-estar e desmotivação, de insatisfação, de saturação e de injustiça relativa que tem levado um número crescente de militares dos Quadros Permanentes (QP) e dos Regimes de Voluntariado (RV) e de Contrato (RC) a abandonar precocemente as fileiras.

Não é apenas uma questão de quantidade é também, e principalmente, um problema de qualidade, agravada, inclusive, com o abate aos QP (e o que isso representa de negativo para o próprio militar) de muitos técnicos e quadros altamente qualificados; situação gravosa que a não ser encarada, decisivamente, tornará a sua reposição difícil, ou até mesmo irreversível, comprometendo de forma assaz significativa o funcionamento das FFAA, a sua prontidão e, até, o cumprimento da missão.

Mas nenhuma análise sobre o presente e o futuro das FFAA, sobre, inclusive, a sua motivação, pode ser devidamente enquadrado sem uma visão holística, mesmo que não aprofundada, sobre a CM e o que ela representa: o seu racional, significado, implicações e reflexos na vida daqueles que nas FFAA servem Portugal e os portugueses.

A CM é no fundo uma situação jurídica inerente aos militares das FFAA, que deriva da Constituição (CRP) e da Lei, encontrando-se plasmada na Lei no 11/89, de 01 de junho - Bases Gerais do Estatuto da CM (BGECM) -, consubstanciando-se em restrições aos direitos fundamentais, por parte dos militares, e numa imposição de especiais deveres e, em contrapartida, na atribuição de alguns direitos que o próprio Estatuto dos Militares das FFAA (EMFAR), a jusante, vem a regular.

O documento constituía, à época, (e já lá vão quase 35 anos), um compromisso equilibrado e aceitável entre deveres e direitos aplicados aos militares. Hoje em dia é mesmo o próprio conceito que vem sendo adulterado na sua aplicabilidade pela perda de coerência, ponderação e adesão à realidade.

Atualmente, os direitos foram sendo progressivamente eliminados, e/ou deturpados pelos sucessivos governos, uns por ação, ao terem aprovado as medidas restritivas aos direitos dos militares, outros por omissão, ao não terem a sensibilidade necessária para os corrigir e reverter, como seria justo e conforme ao espírito e letra da própria lei.

Os dois deveres que caracterizam a CM (e que constam da Lei) consistem na renúncia a direitos, liberdades e garantias que a CRP atribui a todos os cidadãos, e a obrigação de dar a vida pela Pátria, na defesa de Portugal e dos portugueses.

São deveres exclusivos dos militares e não podem ser impostos a qualquer outro cidadão ou categoria profissional. Constituem mesmo um ónus muito pesado, assumido livre e conscientemente, em acto público, e na forma de Juramento de Bandeira e Compromisso de Honra.

Para além deste dever-limite, acrescem um sem número de outros tantos deveres, restrições, e condicionantes, de onde sobressaem, em particular:

A total e permanente disponibilidade para o serviço;

O desempenho de missões operacionais, quer em ambiente real, quer em treino e

exercícios, com elevado risco;

A exigência de uma profunda capacidade técnica, física e psicológica.

A este conjunto de critérios, somam-se sacrifícios de natureza diversa, como sejam o prolongado afastamento da família, em situações de perigosidade e de incerteza, do círculo social, dos amigos, e da designada zona de conforto, os quais, têm um elevado peso na difícil e, em certas circunstâncias, penosa, vida dos militares.

Alguns destes deveres também são imputados a elementos de outras categorias da Administração Pública (AP), pelos quais, como compensação, auferem subsídios, complementos, suplementos, situação que, na maioria dos casos, não é acompanhada na justa medida pelos militares.

Olhemos, então, um pouco mais, na especialidade, a toda esta problemática.

III

A CM agrupa os direitos dos militares em três áreas fundamentais e diferenciadas. A saber:

Carreiras profissionais;

Assistência médica;

Sistema remuneratório.

Em complemento registe-se, a título ilustrativo, e em breve súmula, a forma como o poder legislativo e o poder executivo têm, ao longo dos anos, gerido esta problemática.

• Carreiras Profissionais -
o Foi aumentado o número mínimo de anos de serviço em cada posto;

o Foram criados novos postos no início das carreiras, correspondendo a menor posição hierárquica e a menor vencimento;

o Foram retardadas as promoções muitos meses após a data devida e no menosprezo do disposto e regulado na Lei.

Destas medidas resultam dificuldades na progressão de carreira, no preenchimento de certos cargos e conteúdos funcionais, retardando a ascensão e o acesso aos postos cimeiros, num sentido inverso ao que ocorre na sociedade em geral, e com consequências que não se registam em outras profissões, e se traduzem numa redução salarial expressiva, o que é incompreensível.

• Assistência Médica -

Neste particular tudo tem sido, a nosso ver, degradado, com medidas avulsas que mais não fizeram do que perverter de certo modo o espírito e a letra das próprias BGECM, tratando de forma igual o que é genética e estruturalmente diferente. Assim:

o Os militares e seus familiares em vez de terem uma saúde gratuita, como acontecia até 2005, passaram a realizar desconto em igualdade de circunstâncias com a AP, cujo valor se cifra em 3,5 % da remuneração do militar ao longo de 14 meses ao ano.

o O subsistema de saúde - Assistência na Doença aos Militares (ADM) -, foi integrado no Instituto de Ação Social das Forças Armadas (IASFA), misturando âmbito e objeto, saúde com proteção social complementar, numa política de grande confusão, que teve e tem, a nosso ver, efeitos altamente lesivos para os militares, nestes dois pilares fundamentais que são a saúde e a ação social.

o Paralelamente, a junção dos diferentes hospitais dos três ramos das FFAA, medida que no plano conceptual e organizacional traria economia de escalas e valor acrescentado, resultou inadequada, face às expectativas acalentadas.

o As instalações, os equipamentos e as tecnologias em uso estão longe da modernidade e funcionalidades que se exige a um Hospital Central (HFAR), o que é incompreensível e não era expectável, face às verbas obtidas com a alienação do Hospital Militar Principal, da Casa de Saúde da Família Militar e do Hospital da Marinha.

o A agravar o cenário, os seus quadros de pessoal médico, de enfermagem, de técnicos auxiliares de diagnóstico, de assistentes técnicos e assistentes operacionais estão longe de responderem às necessidades da Saúde Operacional e da Saúde da cada vez mais, hoje, esquecida, Família Militar, assim como da de reservistas e reformados. E nestas degradas circunstâncias como será possível (ao que parece) equacionar abrir o HFAR a outros sistemas de assistência na doença?

Todos estes aspetos, já de si preocupantes, conjugados com uma deficiente aplicação das receitas dos descontos mensais efetuados aos militares (porventura, para encargos que deveriam ser do Serviço Nacional de Saúde (SNS), têm agravado a degradação do Sistema de Saúde Militar e, sobretudo, afetado a eficiência e as capacidades do Hospital das Forças Armadas.

• Sistema Remuneratório -

Neste âmbito, pode dizer-se que a vontade política dos Governos, limitando e colocando, até, em causa o cumprimento, ao mais alto nível, do dever de tutela, tem conduzido a uma situação que consideramos inadmissível, e que importa reverter tão breve quanto possível e antes que seja demasiado tarde e de consequências ainda mais gravosas para a Defesa Nacional (e sinais disso mesmo, convenhamos, já vão surgindo).

Vejamos, no entanto, alguns exemplos avulso, retirados de documentos oficiais:

o O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o militar de mais elevada hierarquia no seio das FFAA, aufere uma remuneração inferior a muitos, mesmo muitos, elementos da AP.

o Existe uma carreira profissional em que jovens licenciados/mestrados, com menos de 30 anos, a iniciam com uma remuneração base semelhante à de um Comodoro/Brigadeiro-general que só atinge este posto numa fase última da carreira (mais de 30 anos de serviço) e após a frequência de exigentes cursos de formação de carreira, de especialização e promoção.

o Em 1980, a remuneração dos oficiais das FFAA estava equiparada à dos magistrados, professores catedráticos e médicos. Hoje em dia, médicos e professores universitários têm um vencimento médio, 70 % superior ao dos militares e os magistrados têm uma remuneração média superior ao dobro da dos militares. Tudo indica que esta desigualdade se vai acentuar.

o Analisadas as pensões de reforma de todos os funcionários dos Ministérios da Defesa, da Justiça, da Saúde e da Ciência Tecnologia e Ensino Superior, que transitaram para a situação de Reforma durante o ano de 2021, concluiu-se que na Defesa apenas 13% da totalidade desses reformados recebia pensões superiores a 3000 €, enquanto que na Saúde e Justiça esse valor era um pouco mais do dobro e no da Ciência era quase o quádruplo.

o Piores, neste âmbito, são os dados referentes a 2022. A percentagem na Defesa regrediu 4% e nos outros ministérios subiram, em média 5%. Mais uma prova de que a remuneração dos militares está, progressivamente, mais longe das atribuídas àquelas carreiras profissionais.

o E se a tudo isto acrescentarmos que atualmente existem 3 métodos diferentes para cálculo do valor das pensões de reforma concedidas aos militares, as preocupações avolumam-se, já que a situação de per-si é injusta, comprometedora do seu ethos e altamente inconveniente para a coesão das próprias FFAA.

o Mais, da análise do quadro estatístico “Remunerações base e ganhos médios mensais nas administrações públicas”, retiramos que, dos 26 grupos elencados, as FFAA encontram-se na 22a posição, sendo, por isso, o Corpo Especial de toda a AP que, menores rendimentos mensais médios recebe, o que é elucidativo.

o O Sistema Retributivo da AP de 2008 foi o último em que militares, magistrados, docentes e médicos integraram a mesma carreira, a dos Corpos Especiais. A partir de 2009, as duas últimas carreiras migraram para as Carreiras Especiais sem aplicação da Tabela Remuneratória Única, nome sugestivo, onde se mantiveram até à atualidade.

Os militares permaneceram, sempre, nos Corpos Especiais/Carreiras Especiais e os magistrados singraram por vários Regimes, até desaguarem nas Carreiras Especiais sem aplicação da Tabela Remuneratória Única. Estranha diferenciação esta que possibilita a gestão autónoma das três carreiras em causa.

E é o próprio Presidente da República e Comandante Supremo das FFAA que ao longo dos tempos, e a propósito, tem vindo a recordar que “houve atualização quanto a outras funções de soberania. Nomeadamente a Magistratura. Não houve no domínio das Forças Armadas, de forma equivalente”.

IV

É patente e claro que o poder político, e os políticos em termos mais genéricos, têm discriminado negativamente os militares, por razões que não se compreendem. O argumento presente em todas as suas decisões é a necessidade de aplicar aos militares a Lei Geral em tudo o que for redução dos direitos, esquecendo que a própria Lei determina que estes devem ser geridos de forma diferente da dos outros cidadãos, e no sentido positivo.

Esta desigualdade, resultante de medidas avulso, mas sempre penalizadoras, que os governos vão aprovando, tem levado, por razões básicas de sobrevivência, e como já referido, à saída extemporânea das fileiras não só de Praças, cuja situação é crítica, mas também de Sargentos e Oficiais, mesmo dos QP, particularmente em classes, armas, serviços e especialidades mais competitivas no mercado laboral, como médicos, engenheiros, pilotos e outras. Até parece que o objetivo prosseguido é depauperar as FFAA dos seus recursos humanos, deixá-las esgotarem-se e, assim, exauridas, chegarem à extinção.

Não acreditamos que seja este o desiderato em vista, acreditamos mais que seja antes uma falta de cultura de Defesa Nacional que trespassa transversalmente a sociedade portuguesa, e a que os Políticos (e os partidos) não têm querido ou sabido, até, pedagogicamente que fosse responder.

Neste ano de 2024, e a breve trecho, comemoramos o cinquentenário da revolução de abril.

Que excelente pretexto, ou melhor, que excelente oportunidade para, em complemento dos discursos de circunstância, olhar para as Forças Armadas com a dignidade, a importância e o espaço próprio, que lhes é devido na Sociedade Portuguesa.

Se não for esta a postura, então que mostrem coragem, assumam a responsabilidade por inteiro, e perguntem aos portugueses se desejam que Portugal tenha, ou não, FFAA. Continuar assim como se tudo estivesse bem é que não pode ser.

“Mais vale madrugar do que perder um tempo histórico” afirmou o Presidente e Comandante Supremo das FFAA em 11 de abril p.p., na sessão de encerramento do acima citado nosso seminário, e é bem verdade, porquanto se nada for feito o resultado será, por certo, uma perda de confiança na representação política e, mais grave, num regime democrático, nas próprias Instituições. E isso os militares não querem.

Como também não querem continuar a ser tratados como cidadãos e profissionais que não têm direitos, apenas, e só, deveres, e bem exigentes. Querem ter a remuneração, o respeito e o reconhecimento merecidos e devidos. Querem ver, finalmente, revertidas as situações negativas que sucessivos governos lhes foram infligindo, e voltar a ocupar, na sociedade e na AP, o lugar que a justiça lhes impõe, atento a tudo o que, ao longo de séculos, têm feito por Portugal e pelos Portugueses.

Finalmente, não podemos deixar de referir que o poder político deverá ter por imperativo a defesa dos justos interesses dos militares, por serem os únicos servidores públicos que, de acordo com a Lei, não têm capacidade reivindicativa, sob pena de, se tal não ocorrer, se virem a alterar as condições éticas e de vínculo do exercício da sua profissão.


Lisboa, GREI, 15 de janeiro de 2024 

Este documento terá sido remetido pelo menos aos titulares dos órgãos de soberania. Não tenho a certeza se foi endereçado aos partidos com assento na Assembleia da República e aos quatro actuais chefes militares. 

No momento em que escrevo desconheço reações, dos titulares dos órgãos de soberania, dos partidos políticos, ou de quaisquer outras entidades. 
Tomei conhecimento de algumas reações de alguns órgãos de comunicação social OCS).

Destes, para lá da habitual superficialidade com que normalmente abordam assuntos desta natureza, verifico:
- reprodução dos aspectos sobre a escassez de recursos humanos referidos pelo GREI,
- um OCS afirmar denunciar a situação, quando é reprodução do que tomaram conhecimento,
- reprodução de declarações de antigos chefes militares sobre o assunto, repetindo o que vinham dizendo há muito,
- reprodução das referências da carta ao mal estar nas FA,
- reprodução do constante na carta sobre as posturas dos sucessivos governos e muitos políticos.

Que hei-de dizer sobre isto? Que me apetece dizer? Apetece-me pouco.
Aqui no meu blogue, e em outros, muito escrevi sobre, 
- Defesa Nacional (DN),  FA, militares, a lei Freitas do Amaral de 1982 que começou a normalizar a instituição militar,
- as medidas e as políticas dos governos de Cavaco Silva sobre DN e FA,
- a crescente pouca vergonha dos governos que os sucederam, com particular ênfase para os de Guterres e os seus ministros da defesa e, a gestão de Aguiar hífen Branco e os MDN ao tempo de Sócrates,
- as leis de programação militar e de infra-estruturas, 
- que FA Portugal deve ter.

O que pensam no presente a generalidade dos homens, mulheres e adolescentes portugueses quanto aos militares que, por juramento para a vida, renunciam aos direitos, liberdades e garantias que a Constituição da República Portuguesa atribui a todos os outros concidadãos, e a que juntam ainda o compromisso de dar a vida em defesa do país e dos seus concidadãos?

Que pensam os titulares de órgãos de soberania (desde 2015) das cartas e alertas diversos do GREI e de alguns dos seus associados que a título individual têm alertado para os problemas na defesa nacional e na instituição militar?

O que eu penso desses titulares é muito claro e ao longo do tempo o escrevi. 
Alguns não concordarão comigo, legitimamente. 
Só me parece pouco coerente da parte desses que andem a insurgir-se quanto ao caos na instituição militar. Que não é de hoje. É pelo menos desde 1991.

Mas é Portugal, é o costume.
Voltarei ao assunto quando me apetecer, quanto não tiver mais nada que fazer.
António Cabral

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

PORTUGAL e o SISTEMA de JUSTIÇA
Megaoperação viajou para a Madeira a bordo do avião militar KC-390
Ricardo Duarte Freitas 24 jan 2024


Momento do embarque da comitiva judiciária no avião militar, Foto PJ

Os inspectores da Polícia Judiciária (PJ) e os magistrados do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), mobilizados para desenvolver as diligências de buscas na Madeira no âmbito do megaprocesso de investigação, viajaram a bordo do avião militar KC-390 da Força Aérea Portuguesa (FAP).

Os elementos que integraram a megaoperação de investigação embarcaram no novíssimo meio aéreo da FAP que foi comprado, no ano passado, pelo Estado Português à Embraer/Brasil para substituir os aviões Hércules C-130.

Segundo apurou o DIÁRIO, o aparelho militar aterrou no Aeroporto Internacional da Madeira – Cristiano Ronaldo pelas 21 horas numa acção discreta mas que não passou despercebida a quem habitualmente segue o movimento aéreo na Região.

Uma testemunha relatou que a permanência do avião KC-390 foi curta. Desembarcou os passageiros - a equipa de inspectores e de magistrados que se deslocaram à Madeira para executar a operação de buscas sob a tutela do DCIAP - e levantou voo, pouco depois.

Curiosamente, os passageiros não seguiram para os habituais meios de transporte disponibilizados pela empresa de handling que serve o aeroporto da Madeira, mas foram encaminhados para dois autocarros pretos alugados pelo DCIAP para o efeito. Pouco depois, o KC-390 descolou, regressando a Lisboa.

O empenho deste meio foi destacado pela PJ que, no comunicado, agradeceu a colaboração da Força Aérea Portuguesa, cujo apoio foi "crucial à montagem do dispositivo humano e logístico".

Na operação que decorreu em todo o país, participaram 2 Juízes de Instrução Criminal, 6 Magistrados do Ministério Público do DCIAP e 6 elementos do Núcleo de Assessoria Técnica (NAT) da Procuradoria Geral da Republica, bem como 270 investigadores criminais e peritos da PJ.

Retirei isto do Diário de Notícias da Madeira.
Operações do MP, só com PJ, só com PSP, ou só com PJ, . . . 
Operações avisando previamente certos orgãos de comunicação social para estarem à porta de alguém no dia seguinte. . . . 

Mas creio ser novidade, fretar de aviões da Força Aérea para transportar magistrados do MP, juízes, agentes da PJ e muitos jornalistas para buscas e detenções no dia seguinte (esta 4ªF) no Funchal.

Que pensar disto tudo?

Calhou ouvir declarações do inquilino do Palácio de Belém, com ar pungido . . . ah . . . está tudo bem . . . a justiça . . . .investigue-se, . . . está tudo normal e a funcionar, há manifestações . . . . 

São 2350 quando estou a acabar de escrever esta linhas.
É melhor parar, está a dar-me vontade de ir à casa de banho vomitar.
António Cabral

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

A PROPÓSITO do LEGADO de ANTÓNIO COSTA
A propósito deste fantástico legado, que integra todas as áreas da governação, da sociedade portuguesa, os comandantes dos helicópteros de salvamento das esquadras da Força Aérea bateram com a porta. Diz o Expresso que não são só eles.
Diz ainda o semanário que haverá muitos oficiais e outros que preferem ir embora da Força Aérea, apesar das indemnizações que terão de pagar. Já não protestam, vão-se embora. Algumas das descrições que estão no semanário são eloquentes do estado deste Estado português.

Ora está bem de ver que estas atitudes são de uma enorme ingratidão para António Costa e para todos os seus três excelentes governos viradores de páginas e, particularmente, para os seus três ministros das Finanças (Centeno, Leão, Medina) e para as três fantásticas estrelas (Azeredo, Cravinho, Carreiras) do firmamento da chamada Defesa Nacional que na realidade sempre foi e continua o desprezado ministério da tropa.
Não acham uma enorme ingratidão?
Claro que pobres, mas mal agradecidos é chato!

Presidente Marcelo, e agora, ATÃO, que vai dizer desta vez?
Ou vai ficar calado, assobiar para o lado como no caso dos polícias e outros?
Está a ver no que está a dar o que tem andado a fazer depois de, e bem, nos primeiros dois anos do primeiro mandato ter aproximado as pessoas da política e das instituições do Estado?
António Cabral (AC)

domingo, 17 de dezembro de 2023

AVIAÇÃO   em   PORTUGAL

Não, não vou falar da TAP
Não, não vou falar de António Costa, das suas posturas, da sua falta de vergonha e incoerência políticas. 
Não, não vou falar do insuportável Pedrinho.
Não, não vou falar das imaginações de alguns.

Lembrando-me dos políticos de hoje, muitos sem envergadura intelectual, em que muito poucos não viveram sempre à conta do orçamento do Estado, farei apenas uma pequena incursão num passado não muito longínquo. 
Vou em parte socorrer-me de uma fonte fidedigna sobre certos passados.

Algumas palavras basicamente sobre aviação militar, particularmente os primórdios da aviação no nosso país, a aviação no Exército e na Marinha, até à criação da Força Aérea de Portugal (FAP) que, nos anos 50 do século passado, se tornou o 3º ramo das Forças Armadas. 

Mas a propósito deste passado, salientar aquilo que no presente continua muito semelhante ao que sucedia na I República e também na Assembleia Nacional da II República / Estado Novo.
Refiro-me ao trabalho (!?!?!?!?) na actual Assembleia da República onde muitas vezes se encontra, a incompetência, a incoerência, a descarada ausência de vergonha na cara e a vergonhosa postura de vários dos eleitos felizmente não todos. 

Em síntese, referência ao fazer reformas a destempo, ou não as fazer de todo. 
Em síntese, também, referência aos que não percebem ou fingem não perceber a evolução das coisas, da tecnologia, das sociedades.

São sobejamente conhecidos os feitos de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. 
Porventura menos conhecidos outros feitos de outros pilotos nacionais, como por exemplo de Sarmento de Beires.

Existem vários livros sobre a aviação em Portugal, e sobre feitos no passado realizados pelos nossos diversos aviadores, como existem reportagens jornalísticas e, quer no "sítio" da FAP quer na Wikipédia, estão referenciados muitos detalhes sobre o assunto. Vale a pena ler.

De uma forma muito resumida, em Portugal o "bichinho" da aviação terá começado em 1912. 

Em 14 de Maio de 1914 foi formalmente instituída uma Escola de Aviação Militar a qual foi inaugurada mais de dois anos depois, em 1 de Agosto de 1916.

Também em 1914 o Exército português criou o Serviço de Aeronáutica Militar. 
Antes do final da I GG a Marinha de Guerra portuguesa criou o Serviço de Aviação da Armada. Ao longo dos anos seguintes, Marinha e o Exército alteraram a designação desses serviços.

Na sequência da evolução nas estruturas militares verificada em diversos países designadamente Europeus e sobretudo na NATO/ OTAN, as aviações da Marinha de Guerra e do Exército acabaram por ser fundidas em 27 de Junho de 1952, passando a existir em 1 de Julho desse ano o novo ramo das Forças Armadas Portuguesas (FA), a FAP.

Esta reforma, a criação da FAP, não podia deixar de ter lugar.

Como sempre acontece em muitos países, e em Portugal é basicamente uma regra, surgem muitas resistências sempre que se pretende, uniformizar estruturas, encetar processos de reformas, tentar melhorar uma qualquer organização/ instituição.

Esse tipo de resistência esteve também na evolução da aviação em Portugal. Resistência por parte de militares portugueses à junção das aviações do Exército e da Marinha de Guerra fundindo-as no que se tornou a FAP. 

Mas a par de resistências, o que se pode parcialmente compreender, o que é sempre de lamentar são processos políticos tortuosos que acontecem pelo caminho, algumas vezes untados de corrupção.

Mas se são conhecidos vários episódios relativos a resistências a processos de reformas, seja em que área for, muitos mais episódios ficam desconhecidos do grande público. 

Como sempre acontece em Portugal (e não só), muitos processos e acontecimentos permanecem obscuros, envoltos em vários silêncios e narrativas, como é o caso do historial dos primeiros anos da nossa era democrática (1974-1982).

No caso da aviação, e concretamente no referente à aviação da Marinha de Guerra nesse passado já distante, houve episódios e movimentações de bastidores diversos. 

Na fase imediatamente anterior à decisão política de criação da FAP e inerente extinção da Aviação Naval, muitas sessões na Assembleia Nacional (AN) foram acompanhadas por vários dos pilotos dessa então componente militar. 

Existem alguns testemunhos, inclusive escritos, sobre a indignação que na altura cresceu no seio dos meios militares. Porquê?

Sobretudo por constatarem uma generalizada ignorância sobre o assunto, ignorância que sobressaia nos trabalhos na então Assembleia Nacional e, nomeadamente, por parte de alguns dos deputados que mais esgrimiam posições relativamente a estruturas militares. 

Mas indignação, também, por observarem estranhas alterações de posições de vários deputados pouco ou nada fundamentadas, mas sobretudo devidas ao que vulgarmente se designa por corrupção política passiva. Se preferirem, jogos por debaixo da mesa.

Por gentileza de um bom amigo, a quem mais uma vez agradeço o ter disponibilizado estes documentos, deixo alguns desses testemunhos, escritos, concretamente da autoria de seu pai.




Sugiro leitura mais atenta da 3ª folha, onde nela se relata um exemplo de como se podem fazer certas coisas nos jogos palacianos.

A história dos trabalhos da nossa democrática Assembleia da República deste 1976 está igualmente recheada de notáveis episódios e peripécias, para dizer o mínimo. Concretamente no campo militar.

Ao aproximar-me do fim deste breve apontamento, há dias pude ler um folheto da Câmara Municipal de Alverca, já com alguns anos, e intitulado - Alverca e a aviação, 1918-2018.

Nesse folheto se descreve que em 11 de Setembro de 1918 se iniciou a construção do Parque de Material Aeronáutico, não dizendo se era do Exército ou da Marinha de Guerra. Realço isto porque em 1918 não existia Força Aérea.

A 14 de Fevereiro de 1928 esse Parque de Material alterou a designação para Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA).

Em 2005 deu-se a privatização, passando as então OGMA a designar-se por OGMA-Indústria Aeronáutica de Portugal, SA, pertencente maioritariamente à Airholding SGPS, SA (EMBRAER e EADS).

A terminar, e no âmbito ainda do que são resistências e, pior, do que é não querer compreender algumas das inevitáveis alterações nas sociedades e nas instituições, não posso deixar de recordar episódios que o meu melhor amigo militar e que é almirante reformado me contou, acerca do que se passou no final dos anos 80 do século passado, em pleno governo de Cavaco Silva, quando alguém teimosamente persistia em defender a teoria - o que voa é para a FAP - e em que esse alguém foi finalmente "acalmado" pelo então MDN. Enfim.

António Cabral (AC)

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

EVENTUAL MILAGRE ?
Vi 4 a voar. Pena não ter a Nikon comigo.
Quatro EH 101 da FAP.
AC

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

ALERTAS
Alertar é o termo escolhido pela comunicação social para dar a ideia de algo muito grave, no caso, sobre a situação de efectivos da Força Aérea.
Lê-se por aí que o chefe do Estado-Maior da Força Aérea, alertou D. Helena de que a atual situação de efetivos no ramo é "a mais grave dos últimos 50 anos". Parece que acrescentou que a capacidade operacional pode estar comprometida. Ui!

No que se lê por aí, o general terá acrescentado -
 "caso não sejam tomadas medidas efectivas, que contribuam de forma inequívoca para a inversão do processo de erosão dos efetivos militares, comprometer-se-á, irremediavelmente, a capacidade operacional da Força Aérea e qualquer ambição de edificação das novas capacidades atribuídas e a manter-se a tendência de saídas verificada nos últimos dez anos, agravar-se-á ainda mais o desvio entre as existências e as necessidades reais".

Parece que o general terá escrito que "a acumulação excessiva" de funções e tarefas, "resultantes da falta de pessoal, origina sobrecarga e desgaste acrescidos, aumentam a probabilidade de erro humano e reduzem o tempo efetivamente disponível para aprofundar convenientemente cada uma das tarefas atribuídas".

Depois de ler isto, interrogo-me:
- a sra D. Helena responderá por escrito ao general?
- se sim, que tipo de resposta?
- ou vai convocá-lo para audiência urgente no gabinete?
- ou manda o CEMGFA tratar do assunto?

Dizem-me que a preocupação governamental é que os Falcon não falhem. O resto . . . . 
AC

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

segunda-feira, 3 de julho de 2023

O chefe da Força Aérea, general Cartaxo Alves, afirmou este sábado, no discurso pelo 71.º aniversário da instituição, que está com um “efetivo muitíssimo reduzido, que se suplanta diariamente”, e que não consegue “estancar as inúmeras saídas extemporâneas de pessoal qualificadíssimo, o que não nos permite olhar para o futuro com total segurança e quem sabe possamos vir a comprometer o cumprimento das missões a curto prazo”.

Oh Sr General, não seja chato, não seja inconveniente, não mace o governo e designadamente a Sra ministra e o Sr Primeiro.
Oh Sr General, não se esqueça que tem os melhores dos melhores, e isso lhe deve bastar!

Ah, não, não basta.
Não se esqueça, nunca, de que o importante é ter várias tripulações para manter todos os Falcon a voar ininterruptamente, seja para as viagens de pré-campanha do Augusto, seja para as ininterruptas viagens de Marcelo, Costa, Cravinho e restante tropa fandanga.
António Cabral

quinta-feira, 30 de março de 2023

A ZEE e o Actual CEMGFA
"Problemas no navio Mondego não afetam fiscalização da zona económicaJosé Fonseca, Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, garante que a fiscalização é feita por outros navios, mas também por meios aéreos e eletrónicos.

Muito garantem os políticos e agora este general. (sublinhados da minha responsabilidade). 

Um dos outros navios deve ser da GNR se não bater antes em nenhum rochedo, evidentemente, ou outro como a corveta António Enes que esteve para ir substituir o patrulha Mondego e avariou entretanto!
AC

sexta-feira, 24 de março de 2023

PARA LÁ da BORRASCA RECENTE . . . .

Para lá da recente borrasca na Marinha, e porque nos últimos tempos tem havido muitas declarações de várias criaturas, muita pompa acerca do futuro Conceito Estratégico de Defesa Nacional, há tempos que ando a ler muita coisa: livros, entrevistas antigas algumas mesmo muito antigas, legislação militar, etc. 
Ontem reli o artigo supra, do Expresso de 17 de Junho de 2022,
e este em baixo, de 28 de Outubro também de 2022.
Neste, escrevi na altura - certos jornalistas fazem lembrar metralhadoras, escrevem sobre um dado tema mas aproveitam para matar mais coelhos - e é delicioso reler agora, quando se tem passado o que se sabe, e para novo CEMGFA (Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas) afinal Costa e Marcelo quiseram o general chefe do Exército. Um dos que não fala para as FA e ao mesmo tempo para o país.

Pois neste artigo de Outubro do ano passado, o jornalista citava entre muitas outras coisas sobre o actual chefe da Marinha - que o próprio terá já terá feito chegar a António Costa o recado de que gostaria de continuar a desenvolver o seu trabalho para "revolucionar" a Marinha
 Uma das delícias deste artigo de Outubro é a citação de um general sobre Gouveia e Melo.

Mas a propósito de Marinha e o empenho em revolucioná-la, no bom sentido, naturalmente, os problemas na Marinha não começaram com o actual chefe (como aliás nos outros dois Ramos das FA, nem com o chefe da Força Aérea nem com o general do Exército que agora é CEMGFA), e o que se passou há dias na Madeira é certamente um indício dos muitos problemas. Um mau indício. Na sequência da bronca na Madeira, com o patrulha Mondego, a Marinha reconheceu formalmente que anda há bastante tempo em - modo degradado! Mas, é bom reafirmar, um intolerável acto de indisciplina.

Ora pode falar-se para a Marinha em público considerando que se fala para o país também, como se viu há dias, ou pode falar-se só para a Marinha dentro de portas, nomeadamente de viva voz para todas as chefias superiores e intermédias.

Neste caso, mesmo sendo dentro de portas, convirá que se seja cuidadoso e e rigoroso, e se tenha a noção exacta de que em política é que fazem promessas que sabem não cumprirão em grande parte.

Eu, que muito pouco ou quase nada sei destas coisas, tenho como meu melhor amigo militar um almirante reformado e calejado, que ao longo da vida me tem contado muita coisa da sua longa carreira, da sua experiência nacional e internacional. Tenho sempre presente o que com ele aprendi sobre a Marinha, as Forças Armadas, a Defesa Nacional e sobre a NATO e as Marinhas de países amigos e aliados.

E baseando-me no meu amigo:
> nenhum chefe militar, por si só, conseguirá alguma vez inverter a situação grave relativa a pessoal,

> nenhum chefe militar, por si só, conseguirá melhorar o recrutamento, ou a seleção de pessoal, menos ainda resolver a questão da retenção de pessoal nas fileiras, se o governo nada alterar na situação presente que conduz, por exemplo na Marinha, a uma perda de pessoal na média de 1,3 homem por dia,

> nenhum chefe militar pode, por si só, alterar gratificações, suplementos, vencimentos, uma competência exclusiva do governo, pelo que quem eventualmente prometa que tudo isso vai ser em breve alterado só pode estar a gozar com quem trabalha, como diz Ricardo Araújo Pereira, 

> eventuais desejos de alterações de carreiras dependem naturalmente de alterações de estatutos, coisa que tem de ir aos poderes executivo e legislativo,

> o governo prometeu agora, repito, prometeu agora, entregar uma tranche anual (durante 3 anos) de 13 milhões de euros para manutenção de navios, verba que, parecendo muito, se afigura relativamente escassa para a dimensão dos problemas que publicamente se conhecem, quanto mais para os que se desconhecem e devem ser muitos e graves, 

> em 2004 havia quem sonhasse que os estaleiros de Viana do Castelo iriam dar cumprimento a um plano de construção de dez patrulhas oceânicos mas, como se sabe, esse plano nunca foi cumprido, está longe de ser cumprido, e sendo agora os estaleiros privados os negócios tratam-se de forma diferente,

> sobre os estaleiros em Viana do Castelo, não será despiciendo dizer que os sonhos de que lá se construa a oitava maravilha da construção naval, inexistente em qualquer outra parte do mundo, relevam de delírio genuíno,

pelo que . . . . . vou aguardar novos desenvolvimentos, esperando que se apaguem objectivos outros que não os das FA e particularmente os da Marinha nacional.
António Cabral (AC)

terça-feira, 21 de março de 2023

Força Aérea diz que oficiais acusados de crimes económicos em Ovar não estão no ativo. As Forças Armadas explicam que "os factos remontam ao período de 2018 a 2021".

E ? . . .

AC 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

FALCON  50
A Força Aérea Portuguesa tem os seus meios aéreos organizados por esquadras. Uma delas é designada por - "Linces".

Esta esquadra tem (creio eu) 3 aviões daquele tipo dos aviões dos grandes executivos internacionais, etc.
Trata-se de aviões de fabrico Francês e que creio foram comprados quase como novos. Creio que não eram novos. Não sei se algum deles é já uma reposição de congénere mais velho.

Do que falo é obviamente dos muito badalados Falcon.

Tem uma grande autonomia, cerca de 5500 Km sem escala técnica, ou seja cerca de 7 horas a voar de seguida.

Nos tempos contemporâneos, e com tantas reuniões em Bruxelas (UE online!), compreende-se que seja muitas vezes pouco conveniente recorrer à TAP ou outra companhia para ir a Bruxelas.

Mas diz-me o meu dedo mindinho/ adivinhador, que muitas das viagens que os Falcon fazem bem podiam ser evitadas. Mas certos gabarolas pelam-se por andar nele, seja para ir a locais onde previamente e por baixo da mesa se fizeram convidados, ou para um banho quentinho, etc. 
E depois há esta coisa da definição das altas individualidades!

O que eu gostava mesmo é que viessem a público as muitas histórias conhecidas por quem cuida dos "pássaros" ao longo dos anos. Desde chefes de gabinete ou outrem a informar que - o sr ministro gosta  muito  de…. - e mais não digo!
AC

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

PROMETE....
Ministra da Defesa promete segunda tripulação para os helicópteros da Força Aérea na região
Este titulo e a notícia em baixo li nos jornais dos Açores.

A Base Aérea nº 4, nas Lajes, ilha Terceira, deverá ter, até ao final do ano, uma segunda tripulação para operar os helicópteros EH-101, que fazem missões de busca e salvamento.
“Há uma aspiração que as autoridades e as pessoas aqui dos Açores tinham que será concretizada, que é a segunda tripulação dos EH-101”, avançou a ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras, à margem de uma visita àquela Base.
Também a Marinha Portuguesa terá um segundo salva-vidas nos Açores.
“Até ao final do ano, ou até antes, se for possível, concretizaremos estes dois importantes projetos e desígnios, respondendo, portanto, à resolução dos problemas, continuando a colaborar ativamente com as autoridades locais”, salientou a ministra.
A Força Aérea portuguesa tem dois helicópteros EH-101 Merlin colocados na base aérea número 4, mas apenas uma tripulação fixa.
A atribuição de uma segunda tripulação é uma reivindicação antiga das autoridades regionais.
Em setembro de 2018, o parlamento açoriano aprovou, por unanimidade, um voto de protesto, apresentado pelo PSD/Açores, “pela ausência, na Base das Lajes, de uma segunda tripulação para os helicópteros de busca e salvamento da Força Aérea”.
Tinham já sido aprovados, em 2014 e 2017, outros dois votos com o mesmo teor.
Segundo a ministra da Defesa Nacional, a Força Aérea está a desenvolver “esforços muito grandes” para treinar pilotos, que possam assegurar a segunda tripulação.
“É uma tarefa que tem a ver com os recursos, mas também com os processos complexos de qualificação dos pilotos. A Força Aérea está a desenvolver realmente esforços muito grandes e um trabalho muito intenso no plano do recrutamento e da retenção. Está a treinar pilotos que vão reforçar, de facto, a sua capacidade”, apontou.
Na sua primeira visita aos Açores, Helena Carreiras destacou “a presença muito forte e muito significativa” das Forças Armadas nas regiões autónomas.
“Desempenham missões absolutamente fundamentais, não apenas missões de soberania, mas também missões de apoio à qualidade de vida das populações e esse reconhecimento é muito claro”, frisou.
Em 2022, “a Marinha tem já realizadas 113 missões” de busca e salvamento, superando “todo o número de missões do ano anterior”.
Já a Força Aérea conta com “perto de 250 missões” de transportes médicos, em que os doentes foram transportados entre ilhas ou para o continente português.
“As missões de busca e salvamento, em que a Marinha e a Força Aérea estão evidentemente muito implicadas são missões absolutamente fundamentais e insubstituíveis”, sublinhou Helena Carreiras.
Questionada sobre a data de arranque das obras de requalificação do edifício que vai acolher o Centro do Atlântico, na base aérea número 4, a ministra disse que o projeto está a ser avaliado.
“O Centro do Atlântico está a edificar-se. Fez um trabalho magnífico até agora. Estamos neste momento a analisar as circunstâncias em que vamos desenvolver este projeto de completar a sede na BA4 para depois vir a instalar o centro e a reforçá-lo com uma equipa e com atividades que possam aqui ocorrer, trazendo também os 20 outros países que participam no centro”, adiantou.
A ministra admitiu que o “contexto complexo da guerra” na Ucrânia possa obrigar a “reavaliações do plano inicial”, mas garantiu que a edificação vai avançar.
“Prosseguiremos seguramente a edificar o Centro do Atlântico como um grande projeto que não é apenas da Defesa Nacional, é um projeto verdadeiramente nacional, no sentido em que nos coloca numa relação muito estreita com outros países do Atlântico, para pensar os problemas da Segurança do Atlântico, para capacitar um conjunto de parceiros para melhor defender os nossos recursos e para estabelecer diálogo político e aprofundar o conhecimento”, assegurou.
Oficializado em 2021, por iniciativa do Governo português, o Centro do Atlântico, conta atualmente com 20 países signatários, de Europa, África e América.
O centro terá sede na antiga unidade de saúde da Base das Lajes, que foi utilizada pela Força Aérea norte-americana e ficou desocupada aquando da redução militar que ocorreu a partir de 2015.
Em 2021, o então ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, anunciou um investimento de cerca de três milhões de euros na recuperação do edifício.


Este, um exemplo do "estado" das Forças Armadas.
Enquanto isso, um pavão voa frequentemente pelo arquipélago.
António Cabral