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terça-feira, 9 de abril de 2024

MAIS UMA DISCURSATA À MARCELO
SExa foi à Batalha e abriu a boca! Leiam sff as partes do que retirei da NET.

"Sem Forças Armadas fortes, não há Portugal forte." 
Portugal só poderá ser "importante no mundo" se garantir Forças Armadas "fortes".
Forças Armadas fortes são navios, aviões e blindados, mas são, sobretudo, quem os navega, os pilota e os conduz e que, ou têm estatuto condigno para serem militares e se manterem militares, ou, uma vez mais, se pode desbaratar um momento irrepetível na nossa História, tal como se não deve desbaratar o momento irrepetível de cumprir aquilo que está por cumprir no Estatuto do Antigo Combatente".
"É esta a evidência que, uma vez mais, o vosso Comandante Supremo quer que atinja todos os portugueses no ano em que se evoca meio século de uma mudança decisiva na vida de Portugal [Revolução de 25 de Abril de 1974], feita nessa hora decisiva por por militares".
"Batalha aviva-nos o espírito para a Ucrânia, o Médio Oriente, o mar Vermelho, a África em tensões crescentes, o Báltico, o Mediterrâneo, os Atlântico norte e sul. 
Batalha diz nos que prevenir vale mais do que remediar. 
Fazer a paz começa em prevenir e evitar a guerra".
As guerras ganham-se mais ainda em pessoas, com pessoas, com aquilo que só elas e não as máquinas podem fazer
As comemorações neste lugar histórico convidam "a agradecer séculos de Portugal, apenas possíveis pela mão" dos combatentes, a "compreender que as Forças Armadas não são relíquias do passado, são garantias do presente e do futuro".

Já leram? Sublinhados são da minha responsabilidade.
A minha opinião, discutível naturalmente, como todas, mas todas devendo ser respeitadas.

1. Sem Forças Armadas não há Portugal forte
Ao ouvir isto lembrei-me, por exemplo, do Luxemburgo, da Dinamarca, da Irlanda. 
Alguém que explique a sua SExa o que pode representar o conjunto das nossas ZEE.

Será que SExa saberá que ainda só passaram 11 anos desde que Portugal entregou formalmente na ONU o pedido fundamentado de alargamento da nossa plataforma continental?
Será que Guterres já terá explicado ao seu amigo - Marcelo, eu aqui nada posso fazer por isso, ainda por cima as FA nacionais estão uma desgraça . . . 

2. Portugal só poderá ser importante no mundo se garantir FA fortes
O que é ser importante no mundo?
Ser importante no mundo é mandar para África cento e tal homens do Exército, tal como mandam uma série de outros certos países que se habituaram a fornecer gente para as chamadas forças da ONU?
Em que é que Portugal foi decisivo/ importante no mundo contemporâneo? 

3. FA = navios, aviões, blindados, mas sobretudo quem os navega, pilota, conduz
Curiosamente, desta vez, não foi brandida a frase - os melhores dos melhores
Será que deseja ter Santa Margarida pejado de blindados?
Portugal é importante no mundo porque enviou agora um submarino para o Ártico?
Com todo este discurso inarrável veio-me à memória uma frase que vi escrita aqui há tempos salvo erro dizendo mais ou menos assim - seremos subservientes mas ao menos que não sejamos ridículos!

4. Estatuto condigno para serem e se manterem militares
O sr Presidente tem a noção da data em que passou a vigorar o estatuto dos militares das FA? Penso que não sabe.
Se soubesse, talvez há mais anos devesse ter tido uma posição dura com os governos de António Costa. Fala agora? É para impressionar Biden e Putin?

5. Momento irrepetível na nossa história
Certamente por defeito meu mas não consigo perceber porque estamos num momento irrepetível da nossa história.

6. Cumprir o estatuto do Antigo Combatente
Aplica-se basicamente o 2º parágrafo de 4.

7. Uma evidência com que quer atingir todos os portugueses
Diz que quer, por acaso já se lembrou do que será a sua real credibilidade junto dos concidadãos, digam as sondagens o que disserem? Para as "selfies" com ele aparecem sempre muitos, para o resto . . .  

8. Fazer a paz começa em prevenir e evitar a guerra 
Esta é uma evidência indiscutível para qualquer pessoa intelectualmente honesta.

9. Forças Armadas não são relíquias do passado, são garantias do presente e do futuro
Não são, de facto, e a instituição militar é o último recurso a que recorrer para garantir a nossa soberania. 

Mas se isto é verdade, a realidade é que Marcelo e muitos outros do seu partido mas sobretudo dos outros com PS à cabeça, tudo andam a fazer há décadas para estoirar com a instituição militar.
Querem é GNR, como na I República, que tanto apreciam de Lisboa a Coimbra.

O que fez Marcelo de concreto pela instituição militar enquanto dirigiu o PSD?
O que tem feito de concreto desde 2016, além de discursos na maioria prenhes de vacuidades?

Alguma vez remeteu uma mensagem dura à Assembleia da República no âmbito dos poderes que a CRP lhe confere, sobre as FA?
Alguma remeteu formalmente a António Costa documento duro sobre o que agora verbalizou?

Haja paciência democrática para o aturar nas suas preleções ocas.
AC

sexta-feira, 24 de março de 2023

PARA LÁ da BORRASCA RECENTE . . . .

Para lá da recente borrasca na Marinha, e porque nos últimos tempos tem havido muitas declarações de várias criaturas, muita pompa acerca do futuro Conceito Estratégico de Defesa Nacional, há tempos que ando a ler muita coisa: livros, entrevistas antigas algumas mesmo muito antigas, legislação militar, etc. 
Ontem reli o artigo supra, do Expresso de 17 de Junho de 2022,
e este em baixo, de 28 de Outubro também de 2022.
Neste, escrevi na altura - certos jornalistas fazem lembrar metralhadoras, escrevem sobre um dado tema mas aproveitam para matar mais coelhos - e é delicioso reler agora, quando se tem passado o que se sabe, e para novo CEMGFA (Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas) afinal Costa e Marcelo quiseram o general chefe do Exército. Um dos que não fala para as FA e ao mesmo tempo para o país.

Pois neste artigo de Outubro do ano passado, o jornalista citava entre muitas outras coisas sobre o actual chefe da Marinha - que o próprio terá já terá feito chegar a António Costa o recado de que gostaria de continuar a desenvolver o seu trabalho para "revolucionar" a Marinha
 Uma das delícias deste artigo de Outubro é a citação de um general sobre Gouveia e Melo.

Mas a propósito de Marinha e o empenho em revolucioná-la, no bom sentido, naturalmente, os problemas na Marinha não começaram com o actual chefe (como aliás nos outros dois Ramos das FA, nem com o chefe da Força Aérea nem com o general do Exército que agora é CEMGFA), e o que se passou há dias na Madeira é certamente um indício dos muitos problemas. Um mau indício. Na sequência da bronca na Madeira, com o patrulha Mondego, a Marinha reconheceu formalmente que anda há bastante tempo em - modo degradado! Mas, é bom reafirmar, um intolerável acto de indisciplina.

Ora pode falar-se para a Marinha em público considerando que se fala para o país também, como se viu há dias, ou pode falar-se só para a Marinha dentro de portas, nomeadamente de viva voz para todas as chefias superiores e intermédias.

Neste caso, mesmo sendo dentro de portas, convirá que se seja cuidadoso e e rigoroso, e se tenha a noção exacta de que em política é que fazem promessas que sabem não cumprirão em grande parte.

Eu, que muito pouco ou quase nada sei destas coisas, tenho como meu melhor amigo militar um almirante reformado e calejado, que ao longo da vida me tem contado muita coisa da sua longa carreira, da sua experiência nacional e internacional. Tenho sempre presente o que com ele aprendi sobre a Marinha, as Forças Armadas, a Defesa Nacional e sobre a NATO e as Marinhas de países amigos e aliados.

E baseando-me no meu amigo:
> nenhum chefe militar, por si só, conseguirá alguma vez inverter a situação grave relativa a pessoal,

> nenhum chefe militar, por si só, conseguirá melhorar o recrutamento, ou a seleção de pessoal, menos ainda resolver a questão da retenção de pessoal nas fileiras, se o governo nada alterar na situação presente que conduz, por exemplo na Marinha, a uma perda de pessoal na média de 1,3 homem por dia,

> nenhum chefe militar pode, por si só, alterar gratificações, suplementos, vencimentos, uma competência exclusiva do governo, pelo que quem eventualmente prometa que tudo isso vai ser em breve alterado só pode estar a gozar com quem trabalha, como diz Ricardo Araújo Pereira, 

> eventuais desejos de alterações de carreiras dependem naturalmente de alterações de estatutos, coisa que tem de ir aos poderes executivo e legislativo,

> o governo prometeu agora, repito, prometeu agora, entregar uma tranche anual (durante 3 anos) de 13 milhões de euros para manutenção de navios, verba que, parecendo muito, se afigura relativamente escassa para a dimensão dos problemas que publicamente se conhecem, quanto mais para os que se desconhecem e devem ser muitos e graves, 

> em 2004 havia quem sonhasse que os estaleiros de Viana do Castelo iriam dar cumprimento a um plano de construção de dez patrulhas oceânicos mas, como se sabe, esse plano nunca foi cumprido, está longe de ser cumprido, e sendo agora os estaleiros privados os negócios tratam-se de forma diferente,

> sobre os estaleiros em Viana do Castelo, não será despiciendo dizer que os sonhos de que lá se construa a oitava maravilha da construção naval, inexistente em qualquer outra parte do mundo, relevam de delírio genuíno,

pelo que . . . . . vou aguardar novos desenvolvimentos, esperando que se apaguem objectivos outros que não os das FA e particularmente os da Marinha nacional.
António Cabral (AC)