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terça-feira, 15 de setembro de 2026

T E K E V E R

TE. . . . .  . . QUÊ ?

É o nome de uma florescente empresa portuguesa com créditos progressivamente firmados no âmbito internacional.

Estou a falar nela não apenas porque um bom amigo partilhou um muito interessante video (que agradeço, embora já conhecesse) sobre esta empresa mas, sobretudo, porque há vários dias que voltei a andar a olhar para mapas discursos e livros no respeitante à massa oceânica descomunal sobre a qual o país tem jurisdição.

Estou a referir-me ao MAR, ao OCEANO, às ZEE, ao eventual alargamento da nossa plataforma continental.


Ha décadas que andamos nisto que abaixo recordo.

Conversa fiada, conversa da treta. 
Concretamente, da parte da maioria que há décadas se roça pelas cadeiras em S.Bento, pelas cadeiras nos ministérios, pela cadeira em Belém. 
Vejam alguns exemplos quando começam com grandiloquência e baboseiras sobre o tema:

- Âncora do conhecimento e desenvolvimento.

- Os desafios do presente.

- Fronteira externa do espaço comunitário.

- Recursos naturais debaixo do mar profundo.

- O mar na política portuguesa e nomeadamente na política externa.

- O mar promotor do futuro.

- Os oceanos nas políticas públicas.

- O futuro sustentável dos oceanos.

- Mar, sonho e realidade.

- O mar, recurso potencial.

- O mar numa perspectiva de futuro e com ambição.


Estas frases são apenas umas escassas e exemplares das muitas tiradas de vários concidadãos proferidas ao longo do tempo. Fóruns, encontros, simpósios, conferências, reuniões, seminários, workshops, almocinhos  e jantarinhos, etc., de tudo tem havido um pouco. 

Por cá e lá por fora. 
Cá, muitas vezes com aquele patético carimbo - alto patrocínio de . . . 

Sim, historicamente, o mar, para Portugal é intemporal.
Sim, desenhou o passado.
Irá ajudar a construir o nosso futuro?
Sim, deveria ser assim. 

Mas por cá temos infelizmente o desavergonhado a engrossar.
Temos os outros a dizer - já tinha proposto, não não, fui eu primeiro.
Temos depois o ocioso folclore garrido de sempre à mesa do OE.

Resultado? À vista, bem à vista.

Voltando à TEKEVER, pelo que se sabe, tem firmadas capacidades para poder ajudar com eficácia a controlar/ vigiar as nossas ZEE, os locais de amarração de cabos submarinos, as zonas de pesca, a controlar os navios de investigação estrangeiros que se atrevem a cá vir (uns com autorização e certamente muitos à socapa), a controlar e seguir frotas estranhas, etc.

Grande ignorante que sou destas coisas ainda assim ocorre-me periodicamente perguntar a mim mesmo: António, porque será que desde há anos não se fabricam nos estaleiros de Viana do Castelo mais navios de patrulha oceânica e dotados de material como o da TEKEVER

Porque será que se prefere negócios nebulosos?

Porque será que com esta massa oceânica descomunal continuamos como estamos, e continuamos desde há 50 anos sem definir de uma vez por todas que Forças Armadas Portugal deve ter e, creio eu por razões óbvias de geografia, com grande ênfase na Marinha e na Força Aérea?


Voltarei ao assunto.

Bom dia.
Tenham uma boa 3ª Feira.
Saúde, o Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

António Cabral (AC)

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A  PROPÓSITO  de  FORÇAS  ARMADAS,

Fragatas, Arsenal do Alfeite, viaturas, SAFE . . . . 
SAFA . . . . . 

Como referi num texto anterior vi com  muita atenção (não na própria noite, mais tarde e voltei a ver uma segunda vez usando a tecnologia) a entrevista que o Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), Almirante Nobre de Sousa, concedeu há tempos à TVI e a que me referi noutro texto. Texto que mantenho integralmente.

Penso ter deixado claro nesse texto que considero que as dúvidas mais que legítimas que todos os concidadãos (como eu) possam ter em relação a este complexo assunto foram grandemente dissipadas nessa entrevista.
Mas não totalmente, não era possível ao CEMA.

Creio aliás que se o ministro (MDN) da defesa dita nacional (não é, como nunca foram os antecessores todos, é só ministro da tropa) tivesse tido um comportamento e postura diferentes, muito daquilo que se foi passando e sendo criticado não teria ocorrido.

Mas faz parte das coisas - se não é do cu é das calças - atacar o governo. Este e todos os anteriores governos, e os que se lhe seguirão, e por isso, TAMBÉM, nunca saímos desta desgraça.

O Almirante CEMA dissipou a maioria das dúvidas que possamos ter.
A mim dissipou muitas mas há muitas mais coisas a considerar, opinião pessoal naturalmente.

Para começar, o país está a embarcar num processo complexo e muito dispendioso. Mas, como é público e notório, Portugal é um país riquíssimo, nada em prosperidade e dinheiro. Assim, "No problema"!

No império colonial a Marinha combateu, com navios e homens.
Nos homens há que recordar designadamente as guarnições dos navios que estavam na Guiné / Guiné Bissau (fiz parte disso) e onde houve combates sérios, e as companhias de fuzileiros e os destacamentos de fuzileiros especiais, em todas as partes do então império.
Morreram muitos homens. 
Muita gentalha na nossa história recente esquece isso, assobia para o lado, despreza isso.

Depois do fim do império, que eu saiba e ainda bem, a Marinha nunca mais combateu.

Toda esta má telenovela se tem desenvolvido muito por culpa dos políticos e, concretamente, do governo actual, com ênfase para o MDN como já referi.

Como em tudo o mais (soberania, direitos de opinião e expressão, independência da comunicação social, política externa, segurança, defesa nacional, forças armadas, forças de segurança, política de imigração, cultura, apoio às crianças e aos idosos, habitação, etc) este assunto devia ser objeto de um amplo consenso político e estar afastado da luta política, ainda que constitucionalmente legítima.

Não me parece que seja isso que acontece na sociedade portuguesa, e daí que eu invoque sistematicamente - a triste realidade da política nacional e a triste realidade da sociedade portuguesa.

No caso do assunto fragatas obviamente que não há consenso nacional.
Desconheço se o PS foi genericamente informado do desenvolvimento deste assunto por parte do governo.
Ou foi e finge que não?

Se calhar o PM informou genericamente o PR da acção que o governo vinha desenvolvendo. Sim ou não?
Lembrar que ao governo cabe constitucionalmente a condução da política de defesa. Facto.
Mas isto não invalida alguns passos informais, que eu digo sensatos, equilibrados, mas que tinham necessariamente de ser superficiais. Enfim!

Mas para lá do navio ser ainda basicamente uma espécie de protótipo, que será em princípio recheado de contemporânea arte da guerra no tocante a, equipamentos, tecnologia, muita informática, muitos chips, muita IA, e a complexa e inerente integração de tudo para que funcione eficazmente e quando preciso, para lá das obras de modernização na Base Naval no Alfeite e muitas outras coisas, a mim fica-me sempre uma dúvida de fundo.

E não se trata apenas da fiabilidade de material, deste material.

A minha maior interrogação é sobre a fiabilidade destes actuais titulares de órgãos de soberania concretamente, deputados, Presidente da República (que parece gostar muito de convocar o CSDN (Conselho Superior de Defesa Nacional)) e governantes, e sobretudo fiabilidade dos antecessores.

Fiabilidade? 
A mim, com raras excepções, nunca me inspiraram confiança, e a fiabilidade que neles sempre vi pelas suas acções e sobretudo inações, 
é/ foi escassa ou nula. 

E estou a falar nisto exactamente a propósito da quase certa compra das fragatas, mas sobretudo a propósito do que, no meu entender naturalmente, deviam ser os apetrechamentos da Marinha e da Força Aérea, num país como o nosso que tem jurisdição e responsabilidades numa massa oceânica descomunal.

Lançaram-se num complexo e super dispendioso programa militar.
Navios, e o PM mais que o inarrável MDN, procuraram convencer da indispensabilidade das fragatas.

Bom, como escrevi noutro texto, estas fragatas e como explicou o almirante CEMA, encaixam neste louco mundo contemporâneo e expectável.

Bom, mas lançando-se num programa destes, envolvendo maquias financeiras descomunais, porque não se lançaram há mais tempo na mobilização dos estaleiros em Viana do Castelo para construção séria de mais patrulhas oceânicos como os poucos que temos que, esses sim, se bem dotados de material, preencheriam muito do que há a fazer em termos de soberania, patrulhamento, fiscalização das nossas ZEE?

Lembro-me bem da história que o meu melhor amigo militar (almirante reformado) me contou acerca dos patrulhas oceânicos, história em que um dado CEMA imaginou que receberia um navio em 2005 a tempo do Dia da Marinha desse ano (a 20 de Maio) poder ser celebrado em Ponta Delgada com a presença de um novo patrulha oceânico, que seria chamado exactamente de NRP Ponta Delgada. 

Mostra a história que não recebeu patrulha oceânico, não foi celebrado o Dia da Marinha de 2005 em Ponta Delgada, e creio que não há nenhum navio com o nome dessa cidade Açoriana.

Corria o maravilhoso ano de 2005, era Sócrates a começar, e como sempre típico das esquerdas, muitas loas a Forças Armadas mas depois, na prática é ver o que acontece. Basta lembrar um pequenino e tristemente famoso MDN.

Portanto, fragatas, mas a realidade é que passam 50 anos sobre 1976 e continuam "estes de cima" (como todos os anteriores "de cima") a não definir que Forças Armadas o país deve ter, depois as missões, depois os meios.

E assim continuamos nesta triste telenovela, compras de material sem um enquadramento global sobre o que como país se nos coloca.
É assim na Marinha , é assim para a Força Aérea.

E assiste-se ao aparecimentos de notícias em catadupa, fragatas, obras no Arsenal do Alfeite, viaturas para estes e viaturas para aqueles, e irá chegar "aos finalmente" a telenovela da substituição dos F-16 da Força Aérea.
Tudo aos solavancos, sem um enquadramento global.
Como se não houvesse guerras, alianças, "drones", e uma evolução tecnológica brutal que forçosamente impõe que se olhe com muito cuidado ao que fazer e como fazer a guerra, HOJE!

Bom dia
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida
Boa sorte, felicidades

AC

terça-feira, 18 de agosto de 2026

AS  TRÊS  FRAGATAS

Já tencionava escrever umas linhas sobre este assunto que tanto tem eriçado "Don populista mor", uns certos jornalixos, certos políticos, e certos convidados que, como de costume, as TV nunca com rigor informam os portugueses sobre as ligações de quem convidaram e estão a entrevistar (ligações a partidos, a associações, a instituições, a empresas, etc.).

Vou escrever uma linhas sobre este assunto, necessariamente superficiais pois sou ignorante destes assuntos, embora ao longo do tempo o meu melhor amigo militar (almirante reformado) me tenha instruído bastante sobre Marinha, Forças Armadas (FA), Defesa Nacional (DN). 

Escrevo depois de, usando a tecnologia ter andado para trás, para ver com toda a atenção a entrevista do Chefe do Estado-Maior da Armada que passou na TVI na noite de 2ª Feira 17 de Agosto. Entrevista para a qual um bom amigo me chamou à atenção.

Creio que o actual Chefe da Marinha e de uma forma elegante educada e "soft" deu explicações suficientes para, quem seja sério e isento nas análises, poder colocar no devido lugar certos comentadores e certos convidados das televisões que por aí têm aparecido alguns pateticamente com um certo ar angelical.

Antes de ir às fragatas uma nota sobre uma questão geral que periodicamente aqui abordo.

E que é esta: FA.
Esqueçamos 1974 e 1975 e boa parte de 1976.
Recordemos que o actual regime onde felizmente vivo, Estado de Direito Democrático, começa a estabilizar apenas com a aprovação da Constituição (CRP) e com as várias primeiras eleições de 1976.

Em 1976, no plano geográfico, Portugal era já o que é hoje, Portugal Continental e duas Regiões Autónomas. ZERO Império.
As FA eram em 1976 o que eram em 25 de Abril de 1974.
E fazendo as contas, de ABR 1976 a 29 DEZ 1982 passaram um pouco mais de 6 anos.

29DEZ1982 é tão só a data da primeira Lei de Defesa Nacional e (lamentavelmente lhe chamaram) das Forças Armadas. 
E foi difícil conseguir esta lei. 

Estão vivos vários dos que tentaram evitar a sua aprovação.
Tal como estão vivos alguns dos que tentaram evitar a primeira revisão  Constitucional que Balsemão suscitou e Mário Soares apoiou, e que acabou por exemplo com o Conselho da Revolução.

O meu ponto final é este, e que tantas vezes já apontei: passados 50 anos os partidos políticos, os ex e actuais titulares de órgãos de soberania, continuam a não definir que FA deve Portugal ter.

Continuamos nesta palhaçada de olhar a DN como se ela fosse FA, quando as FA são tão só o pilar militar da DN.

Continuamos como se não houvesse guerra na Ucrânia (desde a anexação da Crimeia), ou no Médio Oriente mas, sobretudo, como se não existisse uma revolução brutal no fazer da guerra desde os últimos 6 anos.

As fragatas em discussão, como bem explicou o actual chefe da Marinha, encaixam perfeitamente no mundo contemporâneo e no expectável, olhe-se na perspectiva NATO, UE, bilateral, e sobretudo tendo em conta a realidade geográfica do país, que tem jurisdição e interesses importantíssimos numa área oceânica descomunal.

Como ficou claro na exposição do entrevistado, não lhe cabe comentar decisões e decisores políticos, não lhe cabe nada mais do que cumprir no âmbito das suas competências.

Tal como o entrevistado elegantemente referiu "en passant", na Marinha há conhecimento e saber qb e, como diz o meu amigo, os comentadores e certos entrevistados, na maioria, não passam de uns seres de pacotilha!

Claro que este programa de rearmamento é complexo.

Claro que o ministro da DN é do CDS e nessa medida vem logo à memória a história dos submarinos nunca explicada a fundo (cuja decisão para o programa foi de Rui Pena/ Guterres), de Paulo Portas (CDS), das lutas entre dois célebres escritórios de advogados, as eventuais luvas que possam ter existido aqui e ali, etc.
Negócios eventualmente escuros, portanto.

Mas, volto ao que acima disse, que FA deve Portugal ter? Mas não me tomem por parvo.
Posso ter cara de parvo, mas sobre isso têm de pedir explicações aos meus pais! Não quer dizer que seja parvo.

Claro que este programa naval suscita irritações corporativas. 
Claro que suscita irritações políticas.
Mas sendo ignorante, é para mim claro que, sendo Portugal o que é no plano geográfico, as FA do país deviam ter uma ênfase muito grande na Marinha e na Força Aérea. "Period"!

Para terminar, por agora, acho sempre engraçado ver nas TV os "proxies" de certas instituições, de certas associações, de certas ideologias. Engraçado como as TV nunca  referem as ligações, todas!

AC

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Agora que se fala em novas fragatas e muita defesa, lembrei-me deste meu texto de 2020.

E agora que o director do "perdócio" afirma que Seguro anda a espalhar a sua agenda pelo país, interrogo-me se estará para breve inteirar-se de como estará o Arsenal do Alfeite? 

Alguém lhe lembra a sua qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas (CSFA) ? 

Há sempre o risco de, em vez disso, ser basicamente um CSFA (Conhecedor  Superficial das Forças Armadas).

AC

A  SAGA  do ARSENAL  do  ALFEITE

O Arsenal do Alfeite (AA) é um daqueles casos que merece estudo profundo, para se ter a noção rigorosa no que se refere a, incompetências várias, laxismo, degradação, clientelismo, soberba, mentira, desperdício de recursos, descapitalização, destruição, etc.

O AA tem sofrido tratos de polé desde sempre, mas mais particularmente nos últimos anos. O actual ocupante de gabinete no sétimo piso do edifício em frente ao estádio do Restelo é daqueles que mais se tem esmerado no que não deve ser feito.

Vem isto a propósito, não de tão lamentável criatura e dos seus desmandos, não de nunca mais a Marinha criar um trajecto privado para o nº1 do AA ir directo do portão verde ao AA sem ser maçado com cumprimentos militares e paragens (uma maçada para o senhor (??)), não por outras inúmeras possíveis e pertinentes razões, mas apenas porque calhou ver num jornaleco, "O Setubalente" de 18 de Dezembro na página 13, um artigo de uma das manas Mórtágua (JM) sobre o AA e com menção explícita a três arsenalistas.

JM recorda a 5ª administração do AA, chefiada por um homem do aparelho socialista, recorda promessas, e até que já existem ansiedades quanto a pagamentos de salários. A actual tutela do AA é pródiga em promessas, em novos modelos de gestão, em virar o Bojador mas, o que se vai observando é, descapitalização e destruição. Nada de espantar vindo de quem vem.

JM diz que o país e a região onde se insere o AA precisam do estaleiro, e termina o artigo dizendo - Portanto, Arsenal do Alfeite para quê? Para cumprir um interesse nacional estratégico. POIS!

António Cabral

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Um bom amigo militar enviou-me este texto escrito por um oficial da Marinha reformado.

Dá conta de mais um episódio da nossa vida política (que não vi nem li), dá conta da leviandade com que muitos políticos tratam dos assuntos do Estado. 
Neste caso, o actual ministro da chamada defesa nacional, que mais uma vez abriu a boca certamente convencido que estava a fazer uma boa figura mas que, de facto, não passou de uma "triste  figura"
Pronunciou verdadeiras barbaridades, neste texto realçadas com extrema elegância. 
Barbaridades que se confundem com alarvidades.
AC

O CICLO DE VIDA

Há mais de cinquenta anos, desde que me iniciei nas artes da engenharia naval, que me comecei a preocupar com o ciclo de vida. Não, em particular, com o meu, mas com o dos navios e dos seus equipamentos.

Primeiro, foram os professores na Escola Naval a explicarem-me o que era, a sua importância e, em especial, como se calculava o seu custo. “Atenção ao custo do ciclo de vida dos equipamentos!”, diziam-me eles. “Não é só o custo de aquisição; há muitos outros, cuja soma é igual ou superior a esse”, avisavam-me. “Podes comprar um excelente carro, mas, se não tiveres dinheiro para a carta de condução, a gasolina e as revisões, o carro não te serve para nada.”

Depois vieram os embarques e aprendi que nem sempre havia dinheiro para sobressalentes ou reparações. Cedo percebi que as verbas para cobrir o custo desse tal ciclo de vida eram uma manta curta, que deixava muita coisa a descoberto. E, claro, culpava os que deviam ter calculado e assegurado essas verbas e não o tinham feito.

Só que, algum tempo depois, passei a ser um dos que tinham de calcular e assegurar que tais verbas existiam, e percebi que a coisa não era fácil. Havia os malandros dos ministros que não davam essas verbas e, muitas vezes, ainda cortavam as poucas que havia. A manta era cada vez mais curta e, muitas vezes, nem para as emergências chegava. Mesmo para os navios que eram as jóias da nossa Marinha.

Até que fui nomeado responsável pela manta que devia cobrir a manutenção de toda a esquadra. Nós bem nos reuníamos todas as manhãs para tentar remendar uma manta cada vez mais curta e esburacada, mas havia sempre qualquer coisa que nos contrariava. Ou era um incêndio numa corveta nos Açores, ou era a avaria grave de um patrulha no Alfeite, ou era uma fragata que tinha de ir para a Guiné. Havia sempre um imprevisto que piorava a situação. E lá perdia eu mais umas noites de insónia, preocupado por não ser capaz de cumprir a missão.

Eu bem ia todos os meses explicar a situação desastrosa ao Almirante CEMA, mas acabávamos sempre por concluir que, sem dinheiro, não se faziam milagres. E o drama era que os malandros dos ministros que podiam dar esse dinheiro queixavam-se de que também não o tinham. Por isso, decidi ir-me embora e deixar para outros a preocupação com o ciclo de vida dos navios. Decidi, finalmente, preocupar-me apenas com o meu ciclo de vida.

Até que, há uns meses, ouvi o actual ministro da Defesa Nacional, numa audição na Assembleia da República, falar do ciclo de vida das fragatas que estava a adquirir através do programa SAFE da União Europeia. A audição tinha sido requerida por uns deputados muito zangados com outro, que terá dito num jornal que os navios estavam a ser adquiridos em segredo.

Claro que não me vou meter nessa discussão política, mas confesso que fiquei impressionado com o que o ministro disse sobre o temido custo do ciclo de vida das novas fragatas. O ministro falou pelo menos onze vezes do ciclo de vida durante a audiência. Começou por afirmar categoricamente: “Nós estamos a comprar ciclos de vida!”. E depois explicou: “Nós estamos a aproveitar a oportunidade e não queremos fazer, como no passado, comprar fragatas muito boas, certamente, mas porque não se pensava no ciclo de vida, não havendo dinheiro para combustível, ficavam paradas no Arsenal do Alfeite. Pronto. Isso não vai acontecer mais, porque nós estamos a comprar um ciclo de vida!”

Estremeci ao ouvir o senhor ministro. Eu, que andei tantos anos preocupado com o ciclo de vida dos navios, que estive na aquisição de fragatas a pensar no seu ciclo de vida e, principalmente, no seu custo, e que tinha sempre visto a manta para o cobrir reduzida por vários ministros, estava agora a ouvir um deles assegurar-me que ia comprar o ciclo de vida das novas fragatas por 30 anos! Durante 30 anos, nenhuma das três fragatas que o ministro estava a adquirir ficará parada por falta de sobressalentes, de reparações, de modernizações, e até de combustível!

Que inveja tenho dos camaradas que ocuparão o meu lugar! Que inveja tenho das noites descansadas que passarão, sem estarem preocupados com a impossibilidade de manter os navios como desejariam! Finalmente, alguém resolveu o problema do ciclo de vida, comprando-o!

Jorge Bettencourt

sábado, 11 de julho de 2026

COITADO
Coitado do Aquário Vasco da Gama que agora até teve que levar com José Luís Carneiro.
Este político tem andado de férias pelas ilhas das regiões autónomas  e naquilo a que chamou a "Rota pela economia do mar"

A criatura resolveu ir até ao Aquário para encerrar a tal dita "Rota"!

A comunicação social nada referiu se Carneiro levou consigo também familiares pequenos para de deliciarem com o que o Aquário proporciona. 
E que é muito e extraordinário, bem o conheço, estive lá várias vezes, todos os meus netos o foram conhecer.

Coitado do Aquário vasco da Gama!

Bom dia, bom Sábado
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida
Boa sorte, felicidades

AC

quarta-feira, 8 de julho de 2026

A  SAGRES
O navio escola Sagres da Marinha está nos EUA.
Salvo melhor opinião esta fotografia merece elogios.

AC

quinta-feira, 11 de junho de 2026

10  JUNHO  e  MAR

Disse Fernando Pessoa,

"Meu coração é um pórtico partido, dando excessivamente sobre o MAR"

Terá sido por erradamente interpretarem esta frase que, os sucessivos PR e sobretudo os sucessivos governantes e deputados do PS e do PSD sempre tanto (???) ligaram ao MAR durante décadas, e às nossas ZEE e à responsabilidade que decorre da jurisdição que sobre essa imensidão temos?

O tanto que há décadas essas criaturas ligaram/ ligam ao Mar / aos Oceanos pode ser avaliado olhando o estado da Marinha, da Força Aérea, da marinha mercante, da marinha de pesca, da marinha de recreio, dos portos, da fiscalização costeira e oceânica, da investigação no mar !

Não me estou a referir aos muitos e grandiloquentes discursos e promessas de décadas/ anos, mas sim às realidades, aos sucessivos OE, às coisas concretizadas.

Bom dia, tenham uma boa 5ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

quarta-feira, 3 de junho de 2026

O C E A N OS
OBJECTIVOS, PROJECTOS, . . . . . e . . . REALIDADE

Li em tempos isto, que,

Até ao fim do ano, Portugal poderá ter “entre 27 e 30%” de áreas marinhas protegidas.
Ministra do Ambiente espera ter classificadas áreas de Gorringe e Cascais, Sintra e Mafra antes de 2026, o que colocará Portugal muito perto dos objectivos de protecção de 30% das águas marinhas
.

E que tal olhar seriamente para o controlo das nossas extensas ZEE, para o que são necessários, navios da Marinha adequados, meios da Autoridade Marítima Nacional, Polícia Marítima, fuzileiros, meios aéreos da Marinha e da Força Aérea, colaboração com a PJ como excelentemente tem havido desde há anos com elementos da PJ embarcados em meios da Marinha ?

Melhorar a organização, e o planeamento, e os meios.
Só paleio não chega.
AC

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Quando no presente vejo certas decisões sobre meios para as Forças Armadas, 

quando me recordo que Portugal com os "sabichões" (??) de então (civis e militares) redigiu em 2013 um chamado Conceito Estratégico de Defesa Nacional, 

quando verifico um mundo completamente às avessas e que praticamente nada tem a ver com 2013, 

quando vejo ideias (???) difíceis de adjectivar para colmatar questões de efectivos, 

ah, apetece-me muita coisa e muito por exemplo olhar ao que Eça considerava da nossa Marinha em 1900.

E o que diria hoje Eça sobre o oferecer a carta de condução, ou convidar juventude para ver noites estreladas dentro de um
quartel como uns tontos propuseram não há muitos anos?

António Cabral (AC)

A Marinha, segundo Eça de Queirós:

(...)

Mas, meus senhores, antes de tudo, nós não temos marinha! Singular coisa! Nós só temos marinha pelo motivo de termos colónias — e justamente as nossas colónias não prosperam porque não temos marinha! Todavia a nossa marinha, ausente dos mares, sulca profundamente o orçamento. Gasta 1159 000$000!

Que realidade corresponde a esta fantasmagoria das cifras? uns poucos de navios defeituosos, velhos, decrépitos, quase inúteis, sem artilharia, sem condições de navegabilidade, com cordame podre, a mastreação carunchosa, a história obscura. E uma marinha inválida. A D. João tem 50 anos, o breu cobre-lhe as cãs: o seu maior desejo seria aposentar-se como barca de banhos.

A Pedro Nunes está em tal estado, que, vendida, dá uma soma que o pudor nos impede de escrever. O Estado pode comprar um chapéu no Roxo com a Pedro Nunes — mas não pode pedir troco.

A Mindelo tem um jeito: deita-se. No mar alto, todas as suas tendências, todos os seus esforços são para se deitar. Os oficiais de marinha que embarcam neste vaso fazem disposições finais. A Mindelo é um esquife — a hélice.

A Napier saiu um dia para uma possessão. Conseguiu lá chegar; mas exausta, não quis, não pôde voltar. Pediu-se-lhe, lembrou-se-lhe a honra nacional, citou-se-lhe Camões, o Sr. Melício, todas as nossas glórias. A Napier insensível, como morta, não se mexeu.

Das 8 corvetas que possuímos são inúteis para combate ou para transporte — todas as 8. Nem construção para entrar em fogo, nem capacidade para conduzir tropa. Não têm aplicação. Há ideia de as alugar como hotéis. A nossa esquadra é uma colecção de jangadas disfarçadas! E este grande povo de navegadores acha-se reduzido a admirar o vapor de Cacilhas!

Têm um único mérito estes navios perante uma agressão estrangeira: impor pelo respeito da idade. Quem ousaria atacar as cãs destes velhos?

Já se quis muitas vezes introduzir nas fileiras destes vasos caducos — alguns navios novos, ágeis, robustos. Tentou-se primeiro comprá-los.

Sucedeu o caso da corveta Hawks. Era esta corveta uma carcaça britânica, que o Almirantado mandava vender pela madeira — como se vende um livro pelo peso. Por esse tempo o Governo português — morgado de província ingénuo e generoso — travou conhecimento com a Hawks, e comprou a Hawks. E quando mais tarde, para glória da monarquia, quis usar dela, a Hawks, com um impudor abjecto — desfez-se-lhe nas mãos!

Estava podre! Nem fingir soube! Tinha custado muitas mil libras.

Tentou-se então construir em Portugal. Sabia-se que o Arsenal é uma instituição verdadeiramente informe: nem oficinas, nem instrumentos, nem engenheiros, nem organização, nem direcção. Tentou-se todavia — e fez-se nos estaleiros a Duque da Terceira. Foi meter máquina a Inglaterra. E aí se descobre que a tenra Duque da Terceira, da idade de meses, tinha o fundo podre! Foi necessário gastar com ela mais cento e tantos contos.

Nova tentativa. Entra nos estaleiros a Infante D. João. 87 contos de despesa. Vai meter máquina a Inglaterra. Fundo podre! O Arsenal perdia a cabeça! Aquela podridão começava a apresentar-se com um carácter de insistência verdadeiramente antipatriótica! Os engenheiros em Inglaterra já se não aproximavam dos navios portugueses senão em bicos de pés — e com o lenço no nariz. As construções saídas do Arsenal sucumbiam de podridão fulminante. A Infante D. João custou em Inglaterra, mais cento e tantos contos!

O Arsenal, humilhado no género navio, começou a tentar a especialidade lancha.

Fez uma a vapor. Lança-se ao Tejo, alegria nacional, colchas, foguetes, bandeirolas... E a lancha não anda! Dá-se-lhe toda a força, geme a máquina, range o costado — e a lancha imóvel! Mas de repente faz um movimento... Alegria inesperada, desilusão imediata! A lancha recuava. Era uma brisa que a repelia. Em todas as experiências a lancha recuava com extrema condescendência: brisa ou corrente tudo a levava, mas para trás. Para diante, não ia. Pegava-se! O Arsenal tinha feito uma lancha a vapor que só podia avançar — puxada a bois. O País riu durante um mês. O Arsenal roeu a humilhação, encetou a espécie caíque. Ainda o havemos de ver, no género construção em madeira, cultivar — o palito!

A nossa glória, inquestionavelmente, é a Estefânia. Parece que poucas nações possuem um vaso de guerra tão bem tapetado! O orgulho daquele navio é rivalizar com os quartos do Hotel Central. E um salão de Verão surto no Tejo. E no Tejo realmente dá-se bem. No mar alto, não! Aí tem tonturas. Não nasceu para aquilo: um navio é um organismo, e como tal pode ter vocações: a vocação da Estefânia era ser gabinete de toilette. E pacata como um conselheiro. E uma fragata do Tribunal de Contas! Por isso quando a quiseram levar a Suez, quantos desgostos deu à sua Pátria! quantas brancas fez à honra nacional! É verdade que os cabos novos, da Cordoaria Nacional (sempre tu, ó terra do nosso berço!) quebraram como linhas, e ninguém lhes pode contestar que tivessem esse direito. A marinhagem também não quis subir às vergas (opinião respeitável, porque a noite estava fria). Alguns aspirantes choraram de entusiasmo pela Pátria. O capelão quis confessar os navegadores.

O caso foi muito falado nesse tempo. Mais celebrado que a descoberta da Índia.

Essa só teve Camões que naufragou; — a viagem da Estefânia teve o Sr. O. Vasconcelos que arribou! Tanto é semelhante o destino dos que cultivam o ideal! O facto é que desde então brilha no Tejo, tranquila, reluzente e vaidosa — a Estefânia, corveta mobilada pelos Srs. Gardé e Raul de Carvalho.

(…)

Eça de Queirós, «A Marinha e as Colónias», em Uma campanha alegre (1890-1891)

terça-feira, 12 de maio de 2026

MARINHA, ESCOLA NAVAL, 
o MUNDO ACTUAL 

O nosso mundo está cada vez mais tresloucado.
Não sei se é para não destoar que o actual governo vem fazendo certas coisas que hesito em classificar: estupidez, parvoíce, incompetência, desnorte, falta de visão, burrice?

Não tenho dúvidas que para lá de bacoradas genuinamente da sua lavra também vem praticando parvoíces que são viroses herdadas de governos anteriores.
Sim, não estamos como estamos por causa de um ou dois governos. Estamos como estamos por causa de praticamente todos eles.

Vem isto a propósito da "brilhante ideia" de pagar uns euros e dar carta de condução a jovens que queiram ingressar temporariamente nas Forças Armadas. A genial panaceia desta gente para solucionar efectivos nas Forças Armadas.

E por falar em Forças Armadas para começar estou a lembrar-me por exemplo da Marinha, e estou a lembrar-me da enormidade de água oceânica sobre a qual temos jurisdição e nessa perspectiva olho para o que temos na Marinha e na Força Aérea e o que porventura deveríamos ter para vigiar, fiscalizar, controlar essa imensidão de água e os recursos nela contidos.

E resolvi  olhar à história.

E de uma forma muito superficial, recordar o período mais activo dos descobrimentos Henriquinos.
Nessa época não havia escola própria onde se ministrassem os conhecimentos adequados e necessários para ir para o mar.

Muita gente circulava pelas zonas de Lagos e Sagres e redondezas.
Marujada, cartógrafos, astrónomos, etc., sendo certo que a transmissão de conhecimentos era essencialmente ministrada no mar.

Da história se sabe que a 1 de Fevereiro de 1317, por Carta Régia de D. Dinis, foi criada a Marinha de Guerra de Portugal. 
Foi assim iniciado o caminho para criar uma instituição militar que atendesse ao desenvolvimento inerente às crescentes actividades marítimas.

Nesse documento o genovês Manuel Pessanha é nomeado para o comando da frota real.
Foram-lhe dadas as condições para ele organizar uma armada militarmente eficaz, e a Marinha passou a ser e como gradualmente aconteceu uma instituição com papel determinante desde então.

A decisão de D.Dinis mostrou bem a dinâmica que tinha adquirido o comércio marítimo na vida de Portugal.

Anos mais tarde, depois de muitas conquistas e descobrimentos, em 1779  foi criada em Lisboa a Academia real de Marinha, destinada a preparar os oficiais da Marinha de Guerra bem como da marinha mercante e ainda os então chamados Engenheiros do Exército.

Em 1782 foi criada a Academia Real dos Guarda-Marinhas, para exclusivamente formar os oficiais da Marinha Real. O seus alunos constituíam um corpo militar designado "Companhia Real dos Guarda-Marinhas.

Em 1845 e por decreto de D. Maria II, a Academia Real dos Guarda-Marinhas passou a designar-se por Escola naval.
Em 1936 a Escola Naval passou a funcionar nas instalações no Alfeite onde ainda se mantém.

É por demais evidente que no Alfeite existem óptimas condições para ministrar aulas de condução automóvel.

É isto!
A bem da Nação!

AC

sábado, 28 de fevereiro de 2026

RECORDANDO   UM   TEXTO   ANTIGO

(sublinhados da minha responsabilidade)

O  “OTIMISTA”  na  MARINHA

Domingo à noite. O novo canal NOW anunciava ser dia de “Otimista, um programa de António Costa, a mostrar o que de bom e positivo existe no país”. No anúncio do programa mostrava António Costa e Pedro Mourinho a serem recebidos na entrada do Palácio do Alfeite pelo Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), Almirante Gouveia e Melo, e a maquete do “Navio / Plataforma Naval Multifuncional” encomendado ao Grupo Damen.

Não podia perder tal programa, desde logo porque iam falar da Marinha que, para mim, continua a ser uma referência do que de bom e positivo existe em Portugal. Depois porque o “Otimista” António Costa, como Primeiro-Ministro, dirigiu o apressado Conselho de Ministros de 23 de dezembro de 2021 que exonerou o anterior CEMA sem a adequada explicação e nomeou Gouveia e Melo para o cargo, com a correspondente promoção a Almirante. O inusitado de assistir à conversa do agora Presidente do Conselho Europeu com o chefe militar que nomeou há menos de três anos em tais circunstâncias, aguçou ainda mais a minha curiosidade.

Assisti com atenção e confesso que fiquei surpreendido com uma parte substancial do que vi e ouvi. Refiro-me em particular às afirmações do actual CEMA sobre a indústria naval militar nacional. Claro que o cidadão Gouveia e Melo pode opinar sobre o tema e dizer o que entender, mas quando o faz na condição de CEMA, o caso muda de figura. Trata-se de um sector de actividade em que a o Estado, através da Marinha, tem um papel central. Do ponto de vista económico, é o principal, senão mesmo o único, cliente. Poucos países têm clientes externos para a sua indústria naval militar e Portugal não está certamente entre eles. E dada a relevância da Defesa Nacional e da Marinha nesse mercado monopsonista, responsáveis como o CEMA devem ter particular cuidado com as mensagens que transmitem.

Ao longo da carreira profissional, tive oportunidade de reflectir sobre a indústria naval militar nacional. Em 2010, quando participei no extinto Fórum Empresarial da Economia do Mar coordenado pelo saudoso camarada, amigo e colega Fernando Ribeiro e Castro, com ele e com outros profissionais do sector debati e delineei uma possível estratégia para a indústria naval militar nacional com o objectivo de evitar o colapso que todos adivinhávamos. Devo confessar que não tivemos sucesso, mas foi por ter consciência da complexidade e dificuldade da questão que fiquei surpreendido com algumas das afirmações do actual CEMA.

Embora o programa tenha passado num canal novo e provavelmente apenas tenha sido visto por alguns (poucos) interessados no tema, não tendo por isso impacto numa população entretida com o futebol, pode ter deixado a ideia de que é possível fazer com mil o que até agora muitos só foram capazes de fazer com um milhão!

O actual CEMA afirmou que olha “para o futuro da Marinha com muito mais otimismo do que olhávamos há uns anos atrás” e que a Marinha hoje “tem, com menos recursos, mais capacidade”. Não me quero meter nas questões operacionais nem na sua avaliação, mas não pude deixar de registar o optimismo do chefe da Marinha, que chegou mesmo a superar o do entrevistador. Em determinado momento, o actual CEMA afirmou: “Eu estive há muito pouco tempo no estrangeiro, num país de referência, em que os líderes da Marinha desse país me disseram, de forma muito clara, que nós conceptualmente, e o que estamos a desenvolver, está 10 anos à frente de tudo o que está a ser feito.” No meu caso, quando estava ao serviço, se os líderes de uma outra Marinha me dissessem que estávamos “10 anos à frente de tudo o que está a ser feito”, pensaria que estavam a tentar ser simpáticos com uma mentira bondosa. Aparentemente, o actual CEMA não pensou o mesmo…

Mas indo à matéria que conheci bem na Marinha, ou seja, a realização e aquisição de serviços para construir e manter os navios e os seus sistemas e equipamentos, não consigo deixar de me impressionar com o papel que o actual CEMA atribui aos drones, quase que os contrapondo aos navios militares. E mais impressionado fico com a facilidade com que, no caso dos drones, a Marinha parece ultrapassar as restrições administrativas que então condicionavam quem tinha responsabilidades na área do Material Naval.

Disse o actual CEMA que criou “uma pequena empresa dentro da Marinha para desenvolver estas coisas com 3 militares. Agora já são 40 e vamos tentar crescer para 100. 100 engenheiros e gente só dedicada à inovação.” Outro oficial disse que “funcionamos como uma start-up”. Qual será o quadro legal desta “pequena empresa”? Será um organismo fabril? Como está organizada? Como faz aquisições? A quem presta contas? Na Marinha que servi até 2000, a lei então em vigor inviabilizava qualquer actividade com os contornos descritos pelo actual CEMA, a não ser se fosse realizada por organismos fabris. E mesmo esses estavam sujeitos a regras administrativas muito restritivas.

Para perceber melhor o que se passa com a alegada produção de drones na e pela Marinha, fiz uma pequena pesquisa sobre os modelos referidos na reportagem. Concluí que não serão produtos totalmente concebidos e fabricados pela Marinha e alguns deles têm origem no estrangeiro. São comercializados por empresas portuguesas às quais, à semelhança do que se passa com todos os outros sistemas dos navios, a Marinha terá adquirido equipamentos, materiais e serviços segundo uma especificação técnica e, depois, procedido à sua recepção. Como acontece como muitos outros equipamentos, é provável que os requisitos da Marinha tenham influenciado o produto final, mas dizer que foram desenvolvidos pela Marinha parece ser exagerado.

Outra surpresa foi o actual CEMA contrapor a utilização dos drones ao que chamou “uma Marinha clássica”. Como engenheiro naval militar, não entendo o que é uma “uma Marinha clássica” nem sei qual é o modelo económico a que obedece. Sei sim que as Marinhas militares estão permanentemente a evoluir, a modificar os seus navios e a dotá-los de meios que optimizam a realização das missões que lhes são atribuídas. Foi assim com os radares, foi assim com os sonares, foi assim com o armamento, foi assim com os helicópteros, será certamente assim com os drones. O objectivo sempre foi cumprir as missões com menos recursos e maior eficácia. Em cada momento, as Marinhas militares são o que os requisitos operacionais exigem e as tecnologias permitem. Se neste momento as capacidades de vigilância dos navios militares podem ser alargadas e optimizadas com a utilização de drones, estou certo de que todas as Marinhas evoluirão rapidamente para a sua adopção generalizada.

Pareceu-me também estranho o conceito de construção de um navio militar do actual CEMA. Aparentemente, para ele, é “soldar chapa”. Talvez por falta de experiência nessa área, não saberá que o soldar da chapa é a actividade menos relevante da construção de um navio. O que é de facto relevante é “meter dentro dessa chapa depois de soldada” todos os sistemas e equipamentos, incluindo os “computadores, redes, software” que referiu. E essa actividade requer competências que se adquirem academicamente e com a prática e ajudam a identificar factores de risco como os que oportunamente apontei no programa de construção do “Navio / Plataforma Naval Multifuncional” (https://sites.google.com/view/ao-largo/bem-vindo-a-bordo/plataforma-naval-multifuncional), caracterizado pelo actual CEMA como “o primeiro conceito mundial de um navio que é um porta-drones”.

Duas notas finais:
• Por princípio desconfio dos que invocam o interesse do Estado para estabelecer relações privilegiadas e por vezes obscuras com determinados fornecedores de serviços e equipamentos. Não sei se é o caso das aquisições dos drones, mas detectei alguns sinais preocupantes na forma como alguns dos entrevistados descreveram a relação da tal “empresa dentro da Marinha” com empresas externas;

• Sou dos que defendem que o brincar é uma bonita forma de as crianças aprenderem e evoluírem. Mas receio os adultos que se recusam a crescer e continuam a brincar com brinquedos cada vez mais caros, pagos por todos nós.

(Jorge Bettencourt)

Bom dia, tenham um bom Sábado.
Saúde e boa sorte.

António Cabral (AC)

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Marinha de Guerra / Marinha

A 1 de Fevereiro de 1317, por Carta Régia de D. Dinis, foi criada a Marinha de Guerra de Portugal. Foi iniciado o caminho para criar uma instituição militar que atendesse ao desenvolvimento inerente às  crescentes actividades marítimas.

Nesse documento o genovês Manuel Pessanha é nomeado para o comando da frota real.

Foram-lhe dadas as condições para ele organizar uma armada militarmente eficaz, e a Marinha passou a ser e como gradualmente aconteceu uma instituição com papel determinante desde então.

A decisão de D.Dinis mostrou bem a dinâmica que tinha adquirido o comércio marítimo na vida de Portugal.

AC

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

RECORDANDO,  EXPRESSO, 17MAR2023

Gouveia e Melo foi esta quinta-feira à Madeira falar “olhos nos olhos” com os marinheiros

HOMEM DE GOUVEIA, 17 Março 2023, VÍTOR MATOS

Se estou contente com o estado da esquadra? Não! Se estamos a trabalhar empenhados, todos, em alterar esse estado de coisas? Sim!” Quando o almirante Gouveia e Melo usou esta frase no seu discurso, na Madeira, à guarnição do navio de patrulha oceânico “Mondego” foi um sinal político para dentro e para fora da instituição. Os problemas da Marinha são graves e difíceis de resolver — desde manutenção do equipamento a retenção do pessoal — e não vão acabar tão depressa, mesmo com a aprovação da proposta de revisão da Lei de Programação Militar (LPM) no Conselho de Ministros desta quinta-feira, que decorria enquanto o chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) fazia um discurso muito duro para os 13 amotinados que no sábado recusaram embarcar no ‘patrulhão’ para seguir um navio russo ao largo de Porto Santo.

“Pode o estado da esquadra mudar instantaneamente? Não! Requererá muito esforço de todos, muita imaginação, determinação, paciência e dedicação. Estamos todos empenhados, e aqui incluo necessariamente a tutela”, afirmou o almirante, englobando o Governo e a ministra da Defesa, Helena Carreiras, na solução (e no problema).

A crise da revolta no “Mondego” — Gouveia e Melo chegou a referir-se à célebre “Revolta na Bounty” no mesmo discurso — acabou por destapar os problemas e as necessidades da Marinha para uma opinião pública pouco sensível aos temas da Defesa Nacional: pessoal escasso, mal pago e exausto, num navio há 500 dias em estado de prontidão, degradação do material e falta de manutenção (o Presidente da República pediu reforço financeiro para a manutenção, quando sabia que o Governo já tinha 40% das verbas da LPM para esse fim). O Ministério da Defesa fez um comunicado, esta quinta-feira, com aspetos que destacou da revisão da LPM, mas ainda não divulgou a proposta de lei que será enviada à Assembleia da República.

GOVERNO NÃO APROVA EFETIVOS NECESSÁRIOS

A par do desgaste dos navios, a Marinha tem-se debatido com problemas sérios com a saída de militares em regime de contrato: segundo os números de um documento oficial apresentado em dezembro pelo CEMA na Comissão Parlamentar de Defesa, à porta fechada, 458 militares em regime de contrato abandonaram a Marinha em 2022: a média foi de 1,3 militares por dia. Mas o documento evidencia, também, que o Governo não tinha autorizado a Marinha a repor os níveis de pessoal contratado: a Armada propôs 397 admissões para 2022, mas o Ministério da Defesa, em despacho conjunto com as Finanças, apenas autorizou a admissão de 238 contratados. A diferença de 159 militares em falta “corresponde a praças para duas fragatas”, diz uma fonte militar.

Em 2022 a Armada pediu para contratar 397 militares, mas Governo só autorizou 238. Os 159 militares em falta davam para duas fragatas

O défice de pessoal nas fileiras afeta os três ramos — o Exército já deixou de ser uma pirâmide por falta de praças e a Força Aérea debate-se com lacunas sérias de pessoal especializado —, mas tem uma dimensão na Marinha que só não é pior porque a crise acompanha também o material. Se a esquadra estivesse toda operacional ou se estivessem quatro das cinco fragatas prontas e operacionais (só estão duas fully operacional), Gouveia e Melo não teria praças suficientes para as tripulações.

Aliás, o mesmo documento apresentado pelo CEMA aos deputados faz uma projeção preocupante para o futuro: caso se mantenha este ritmo de saídas, em 2027 a Marinha só terá 1218 praças, que é o número mínimo de marinheiros “disponíveis ou necessários para embarcar.”

DINHEIRO SIM, ARSENAL NÃO

O resultado é um enorme desgaste para o pessoal, sobretudo ao nível da motivação, o que pode afetar a disciplina, a que não será alheio o caso do “Mondego”. Paulo Amaral, presidente da Associação de Praças, diz ao Expresso que os contratados, que prestam seis anos de serviço nas Forças Armadas, deviam embarcar cerca de dois anos, “mas nas especialidades mais técnicas passam muito mais tempo nos navios”. E dá um exemplo: os sargentos e praças que vão substituir os militares que se revoltaram no “Mondego” não vêm de terra, mas do “Tejo”, outro ‘patrulhão’, que está atracado na Base Naval do Alfeite. Mesmo entre o pessoal do quadro permanente, diz Paulo Amaral, “são poucos os que passam os dois ou três anos em terra”.

Apesar de estar consciente das consequências que a taxa de esforço tem nos marinheiros, Gouveia e Melo não quis, no discurso aos militares do “Mondego”, que isso servisse de atenuante para os problemas de indisciplina: “A Marinha não pode esquecer, ignorar ou perdoar atos de indisciplina, estejam os militares cansados, desmotivados ou preocupados com as suas próprias realidades.” Mas reconheceu a “disponibilidade para sacrifícios e incómodos, a resiliência ao cansaço físico e psíquico”, que resulta “na ausência frequente das famílias”.

Segundo um estudo da Marinha, 57% dos militares saíram da Armada por “razões financeiras” e 35% fizeram-no pela “taxa de esforço” exigida (14% foram para as polícias).

Três dias depois da revolta de 11 de março no “Mondego” — por coincidência foi quando começou o PREC, em 1975 —, o Governo publicou um despacho a descativar €13 milhões por ano para a Marinha nos próximos três anos. No total, o ramo terá este ano mais €20 milhões para manutenção dos equipamentos, quando tinha estimado necessidades adicionais superiores a €30 milhões no ano passado — com um défice acumulado médio de €23 milhões nos últimos cinco anos.

“Precisamos, pelo menos, desses €20 milhões adicionais ao longo dos próximos cinco anos”, diz ao Expresso uma fonte da Armada. Mas daqui nasce outro problema: o Arsenal do Alfeite já não tem a capacidade de resposta de que a Marinha precisa e uma boa parte deste adicional de verbas será consumido pelo aumento dos preços cobrados à hora pelo mesmo estaleiro.

LEI DE PROGRAMAÇÃO MILITAR CRESCE 17,5%

● O Governo aprovou a revisão da LPM em Conselho de Ministros e anunciou em comunicado que a lei para a compra de equipamento militar cresce €830 milhões.

● Um dos objetivos da proposta enviada ao Parlamento é a “recuperação de défices de manutenção, modernização e sustentação das capacidades”.

● Com a falta de munições, mísseis e torpedos, “a verba destinada à reposição das reservas de guerra mais do que duplica, crescendo 108%”, para cerca de €300 milhões.

● A ciberdefesa é reforçada em 39%, para mais de €70 milhões.

● O Governo espera “retorno para a economia em torno dos 33%”.


sábado, 13 de dezembro de 2025

A propósito de um PAÍS com MAR imenso


- Bom dia Majestade ………...……………
- Quê ……. ah ……… sim……. dizei ……….

- Majestade, o que haverá para lá do horizonte? 
Podíamos construir embarcações maiores, e mandar "valerosos" ir ver…….

- Tendes razão …. vamos a isso…. mãos à obra …………
………………………………………………………….
…………….
- Majestade, que boas notícias de Pero da Covilhã e Bartolomeu Dias ………
…………………………
……………………..
- Majestade, esta do tratado de Tordesilhas foi genial…. e a Bula "Inter Caetera" ajudou bastante………………………………
…………………………………………………………
…………………………….
- Majestade, que belos feitos os de Vasco da Gama, Álvares Cabral, Corte Real, e todos os outros …………………
…………………………………………………………………
- Majestade, chegaram notícias de Fernão de Magalhães…
………………………………
- Majestade, esta continuidade de problemas com os Holandeses…. 
mas também houve revolta nossa no Maranhão……………….
……………………………………………………………
- Majestade, o Brasil português está reconstituído…………………………………………
…………………………
- Majestade, desculpai, mas o tratado de Methuen não devia ter ficado com aquela formulação, muito prejudicial para o Reino
…………………………………………………………………
- Majestade, os proventos do ouro do Brasil e especiarias já foram
………………………………………………………………………………………
- Majestade, agora sem o Brasil, sem várias possessões na Ásia, urge olhar com mais atenção para África ………
………………………………………………………
- Majestade, chegam boas novas de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens…………………………
………………………………………………………………………
-…. ora bem …… deixa cá ver. . . . que Companhias de Navegação ………….vejamos……………Companhia Colonial de Navegação, Companhia Nacional de Navegação, Empresa Insulana de Navegação, Sociedade Geral de Comércio Indústria e Transportes Lda, Companhia Industrial Portuguesa, Companhia de Navegação Navio-Motor Lda, Barão Nunes & Machado Lda, Companhia de Navegação Carregadores Açoreanos, Eugénio de Araújo Moreira, Empresa de Navegação Madeirense Lda, Empresa Mutualista Açoreana……………
………………………………………………………………
- Senhor Ministro, hoje 25 de Janeiro de 1933, em Glasgow, foi lançado à água o Contra-Torpedeiro Vouga…………………
………………………………………………………………
- Senhor Ministro, a guerra está a acabar, e a nossa Marinha Mercante precisava de ser reanimada……………………
………………………..

- Tem razão …. neste Agosto de 1945 tudo está complicado……. mas já posso avançar com o despacho ..................
………………………………………………………………
- Senhor Presidente do Conselho, que acha destes novos navios Franceses, submarinos e fragatas ……. e as corvetas…
………………………………………………………………………
- Senhor Ministro……………………. os estaleiros estão parados…………e quase sem encomendas……………

- Nacionalizem-se os estaleiros, principalmente os grandes…………………
…………………………………………………………
- Senhor 1º Ministro já fecharam quase todos os estaleiros pequenos, os grandes estão em grandes dificuldades, o Arsenal do Alfeite está uma vergonha, as nossas capacidades de reparação e construção naval estão muito longe do que deviam ser, dada a nossa posição geográfica, ZEE e a descontinuidade territorial……..
………………………...
- Não se preocupe, vai ver, o que for preciso compramos barato e melhor no estrangeiro, disso não tenho dúvidas, ……… como sempre……….
……………………………………
- "Sô Dotor" sabe que já não temos quase nenhuma capacidade em construção e reparação naval…………………………

- Oh homem ……desapareça………. que ainda me assusta a tartaruga………
………………………………………………………
- Senhor Ministro ……os navios de superfície, concretamente as fragatas, precisavam de ser modernizados…………………

- O quê…………….. já têm rombos no costado?………

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Uma síntese anedótica do Portugal marinheiro, da história nacional, da história dos estaleiros navais, da construção naval, dos meios navais dados à Marinha, mas sobretudo desde o fim do século XIX da incompetência e falta de visão dos sucessivos titulares de órgãos de soberania que nada percebem nem querem saber de mar, de oceanos, de ZEE's e da jurisdição que temos dentro delas, de economia do mar, embora passem o tempo com festas, inaugurações, conferências, dias disto e daquilo, discursos, loas, e sempre vacuidades. Os melhores do mundo, diz uma patética criatura.

António Cabral (AC)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

M A R,   OCEANOS

Sobre o MAR, sobre os oceanos, tanto se pode escrever que nunca se esgotarão os temas, as perspectivas, etc. 

Dos oceanos se pode extrair a água, sal, peixe, crustáceos, algas, etc.
Nos oceanos nos banhamos, nos divertimos, nos passeamos.
Dos oceanos recebemos contributo pata o clima.

Para os oceanos, por esse mundo fora particularmente na Ásia, Américas Central e Sul, África, muito lixo se descarrega . . . ainda!
As ilhas de plástico no Índico são um dos muitos exemplos.

Muitos países são banhados por oceanos.
A Guiné Bissau é um deles, banhado pelo Atlântico Sul.

Há umas semanas, a revista do Expresso pela caneta/ computador da jornalista Catarina Marques Rodrigues tinha um interessante artigo que titulou de "Mau Mar". Era sobretudo sobre a Guiné Bissau.

Sobre a miséria das populações, sobre a pesca intensiva por frotas estrangeiras, frotas actuando legalmente umas ilegalmente a maioria, sobre a miserável frota pesqueira da Guiné Bissau que assenta muito em canoas e embarcações artesanais ou seja, nada que possa competir com as frotas estrangeiras.

Certamente muito mais da metade da população do país vive na miséria, na indigência e, provavelmente, no interior e nas zonas rurais a desgraça será ainda maior. Tudo certamente muito preocupando Sissoco Embaló!

A jornalista não escreveu mas, provavelmente como muitas das elites de lá, da esquerdalhada incoerente e inconsequente de cá, e como diz o execrável presidente de Angola (um dos principais sequazes de Eduardo dos Santos, mas agora arvorado em anjo), a culpa dessa desgraça toda é exclusivamente dos portugueses. 
Ainda só passaram 50 anos!

Ainda só passaram 50 anos e neste curto período, tal como em Angola é visível nos musseques onde habitam (???) certamente muitos milhões de angolanos (5 milhões?), na Guiné-Bissau fizeram mais nestes 50 que nós em 500.

Como disse no início um artigo interessante.
Problemas a que, naturalmente, como cidadãos do mundo não podemos ficar indiferentes.

Mas estou a falar disto para dizer que sendo o artigo interessante e mesmo sabendo que ao longo dos anos lá foram aparecendo escassos artigos sobre os nossos problemas relativamente às nossas águas costeiras e às nossas ZEE/ mar imenso sobre o qual temos jurisdição, este Expresso tido como a "referência" não "martela" com regularidade sobre por exemplo, 

- frota pesqueira nacional, que frota?,
- exígua marinha mercante, 
- exígua Marinha para fiscalizar tanto mar,
- os portos nacionais,   
- estratégia nacional para o mar/ oceanos, a real, não o paleio,
- que controlo sobre barcos estrangeiros, científicos por exemplo, 
- que políticas públicas, etc.

Só a espaços olha para um dos nossos grandes problemas, o "mar".
É pena. Irei debruçar-me um pouco sobre isso.

António Cabral (AC)

sábado, 6 de dezembro de 2025

NOVOS  MEIOS  NAVAIS 

Lê-se por aí que irão ser construídas em Itália as próximas três novas fragatas para a Marinha nacional.

Que chato.

O que é que é chato?

Não haver uma disputa entre construtores/ consórcios rivais pois assim não haverá uma sempre "interessante" luta entre grandes escritórios da advocacia de negócios, tal como aconteceu quando da decisão para a compra dos actuais dois modernos submarinos da nossa Armada.

Com esta aparente adjudicação à "Fincantieri" a rapaziada da advocacia dos negócios perde a oportunidade de ganhar muito mas muito dinheiro. 

É Chato!

AC

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

A   PROPÓSITO   de . . . .

Solidariedade, compromissos, e tratar dos nossos interesses

A este propósito dei de caras há dias com a notícia seguinte:

A Polícia Marítima, que se encontra a participar na missão “Greece 2025”, anunciou este sábado ter resgatado 78 migrantes que se encontravam numa zona costeira isolada, sem acesso terrestre, na ilha grega de Gavdos.

Segundo um comunicado da Autoridade Marítima Nacional (AMN), o resgate dos 78 migrantes decorreu durante dois dias.

Durante a operação, com coordenação operacional das autoridades gregas, os elementos da Polícia Marítima alcançaram um grupo de migrantes, tendo procedido ao seu resgate em segurança para a embarcação “Molivos”, em situações adversas, “implicando a movimentação dos migrantes através do mar para bordo a embarcação”.

O comunicado indica que “o grupo foi transportado para o porto e entregue às autoridades locais para os procedimentos legais de identificação e registo”. “Ao longo da operação, foram identificadas situações de especial vulnerabilidade, o que exigiram acompanhamento direto e constante por parte dos operacionais”, acrescenta a nota, sem especificar.

A missão “Greece 2025” é coordenada pela European Border and Coast Guard Agency (Agência FRONTEX).

“Desde o início da participação portuguesa no Mediterrâneo oriental, a Polícia Marítima tem desempenhado um papel único e fulcral, o qual tem sido reconhecido inúmeras vezes pelas autoridades gregas, nomeadamente em múltiplas ações de salvamento e resgate de migrantes, em estreita coordenação da Guarda Costeira Grega”, sublinha a AMN no comunicado divulgado este sábado.

O meu melhor amigo militar é almirante, reformado, e ao longo dos anos foi-me contando muita coisa sobre a sua profissão mas sobretudo  muita coisa inerente ao serviço público e aos nossos interesses no mar, as águas costeiras e as ZEE onde temos jurisdição.

E recordo de em tempos o meu amigo me ter falado das imensas e crescentes dificuldades sentidas quer pela Marinha quer pela Autoridade Marítima, quer pela Polícia Marítima.

Quer em meios materiais, humanos e financeiros.

Pela notícia supra e depois de também ouvir o inarrável MDN Nuno Melo presumo que os quadros da Política Marítima aumentaram relevantemente, não havendo certamente já as dificuldades de outrora por exemplo em meios humanos para actuação no Continente e Regiões Autónomas.

Presumo ainda sobretudo fazendo fé em Nuno Melo, que as manutenções dos navios serão agora asseguradas em tempo adequado e que nos Açores e Madeira serão finalmente mais os meios navais disponíveis para cobrir as ZEE respectivas em colaboração com a Força Aérea.

Agora é que é. 

AC