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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Um bom amigo militar enviou-me este texto escrito por um oficial da Marinha reformado.

Dá conta de mais um episódio da nossa vida política (que não vi nem li), dá conta da leviandade com que muitos políticos tratam dos assuntos do Estado. 
Neste caso, o actual ministro da chamada defesa nacional, que mais uma vez abriu a boca certamente convencido que estava a fazer uma boa figura mas que, de facto, não passou de uma "triste  figura"
Pronunciou verdadeiras barbaridades, neste texto realçadas com extrema elegância. 
Barbaridades que se confundem com alarvidades.
AC

O CICLO DE VIDA

Há mais de cinquenta anos, desde que me iniciei nas artes da engenharia naval, que me comecei a preocupar com o ciclo de vida. Não, em particular, com o meu, mas com o dos navios e dos seus equipamentos.

Primeiro, foram os professores na Escola Naval a explicarem-me o que era, a sua importância e, em especial, como se calculava o seu custo. “Atenção ao custo do ciclo de vida dos equipamentos!”, diziam-me eles. “Não é só o custo de aquisição; há muitos outros, cuja soma é igual ou superior a esse”, avisavam-me. “Podes comprar um excelente carro, mas, se não tiveres dinheiro para a carta de condução, a gasolina e as revisões, o carro não te serve para nada.”

Depois vieram os embarques e aprendi que nem sempre havia dinheiro para sobressalentes ou reparações. Cedo percebi que as verbas para cobrir o custo desse tal ciclo de vida eram uma manta curta, que deixava muita coisa a descoberto. E, claro, culpava os que deviam ter calculado e assegurado essas verbas e não o tinham feito.

Só que, algum tempo depois, passei a ser um dos que tinham de calcular e assegurar que tais verbas existiam, e percebi que a coisa não era fácil. Havia os malandros dos ministros que não davam essas verbas e, muitas vezes, ainda cortavam as poucas que havia. A manta era cada vez mais curta e, muitas vezes, nem para as emergências chegava. Mesmo para os navios que eram as jóias da nossa Marinha.

Até que fui nomeado responsável pela manta que devia cobrir a manutenção de toda a esquadra. Nós bem nos reuníamos todas as manhãs para tentar remendar uma manta cada vez mais curta e esburacada, mas havia sempre qualquer coisa que nos contrariava. Ou era um incêndio numa corveta nos Açores, ou era a avaria grave de um patrulha no Alfeite, ou era uma fragata que tinha de ir para a Guiné. Havia sempre um imprevisto que piorava a situação. E lá perdia eu mais umas noites de insónia, preocupado por não ser capaz de cumprir a missão.

Eu bem ia todos os meses explicar a situação desastrosa ao Almirante CEMA, mas acabávamos sempre por concluir que, sem dinheiro, não se faziam milagres. E o drama era que os malandros dos ministros que podiam dar esse dinheiro queixavam-se de que também não o tinham. Por isso, decidi ir-me embora e deixar para outros a preocupação com o ciclo de vida dos navios. Decidi, finalmente, preocupar-me apenas com o meu ciclo de vida.

Até que, há uns meses, ouvi o actual ministro da Defesa Nacional, numa audição na Assembleia da República, falar do ciclo de vida das fragatas que estava a adquirir através do programa SAFE da União Europeia. A audição tinha sido requerida por uns deputados muito zangados com outro, que terá dito num jornal que os navios estavam a ser adquiridos em segredo.

Claro que não me vou meter nessa discussão política, mas confesso que fiquei impressionado com o que o ministro disse sobre o temido custo do ciclo de vida das novas fragatas. O ministro falou pelo menos onze vezes do ciclo de vida durante a audiência. Começou por afirmar categoricamente: “Nós estamos a comprar ciclos de vida!”. E depois explicou: “Nós estamos a aproveitar a oportunidade e não queremos fazer, como no passado, comprar fragatas muito boas, certamente, mas porque não se pensava no ciclo de vida, não havendo dinheiro para combustível, ficavam paradas no Arsenal do Alfeite. Pronto. Isso não vai acontecer mais, porque nós estamos a comprar um ciclo de vida!”

Estremeci ao ouvir o senhor ministro. Eu, que andei tantos anos preocupado com o ciclo de vida dos navios, que estive na aquisição de fragatas a pensar no seu ciclo de vida e, principalmente, no seu custo, e que tinha sempre visto a manta para o cobrir reduzida por vários ministros, estava agora a ouvir um deles assegurar-me que ia comprar o ciclo de vida das novas fragatas por 30 anos! Durante 30 anos, nenhuma das três fragatas que o ministro estava a adquirir ficará parada por falta de sobressalentes, de reparações, de modernizações, e até de combustível!

Que inveja tenho dos camaradas que ocuparão o meu lugar! Que inveja tenho das noites descansadas que passarão, sem estarem preocupados com a impossibilidade de manter os navios como desejariam! Finalmente, alguém resolveu o problema do ciclo de vida, comprando-o!

Jorge Bettencourt

quinta-feira, 2 de julho de 2026

RELENDO   NOTÍCIAS . . . . .

Relendo notícias de há dias ou semanas, reparo com mais atenção para aspectos a que pouco liguei na primeira leitura, umas vezes apressado, outras cheio enojado pelo fedor que exalam.

Uma delas agora relida foi à volta dos aviões de combate da nossa Força Aérea (FAP), os F-16, que estão velhinhos e sobre os quais, há anos, um conhecido meu e elemento desse ramo das Forças Armadas (FA) me dizia com tristeza - "nem os rebites para eles fabricamos"
À volta sobretudo dos substitutos dos F-16!

Antes de continuar, e ainda que não fosse preciso, esclareço que não percebo nada do assunto. 

Mas penso pela minha cabeça e, além disso, tenho umas ténues luzes sobre Defesa Nacional (DN) e FA (que não são a DN, apenas um dos seus pilares, concretamente o militar) que advém do que ao longo do tempo fui absorvendo do meu melhor amigo militar (almirante reformado, que por seu lado tinha amigos em políticos e militares).

Uma coisa é certa, existe um documento que é o Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN) que data de há 13 anos e continua sem ser actualizado.
A par disto e como se não bastasse, o mundo está virado de pernas para o ar.

A nossa Constituição é clara (creio eu, mas há quem a interpreta de forma diversa) ao entregar a responsabilidade de política de defesa nacional aos governos.

Portanto, a compra ou substituição (por compra ou eventual empréstimo) de meios militares aos governos cabe definir. 

Estou a recordar-me da telenovela da compra/ substituição dos submarinos e lembrar-me: 

* que inicialmente deveriam comprados ser três (3 eram os então existentes) e acabaram por ser só dois tal o brutal encargo financeiro, 

* do degladiar por baixo da mesa e publicamente entre dois estaleiros (um francês, e um alemão que acabou por ganhar), 

* do feroz combate jurídico, de marketing, de assessoria, e de captação de apoiantes entre dois dos mais poderosos consórcios de advocacia nacionais, 

* que o processo se iniciou no final de governo socialista (PM Guterres, MDN Pena) mas que o assunto acabou por ser decidido estando no 7º andar do edifico ao Restelo Don Portas.

E recordando-me desta telenovela da qual desapareceram documentos, de onde muitos terão sido escondidos e/ ou destruídos (parece que as máquinas de triturar papel naquele famoso 7º andar quase estoiraram de tanto triturar) e outros levados para casa, a substituição dos F-16 tem trazido a Lisboa representantes e decisores muito importantes dos diferentes fabricantes de aviões de combate, americanos e vários europeus.

Como aconteceu na altura com os submarinos, é evidentemente natural que numa primeira fase os futuros utilizadores de armas sejam os primeiros a olhar para o assunto, neste caso dos aviões é a FAP. 

Creio que, quer agora quer como aconteceu com os submarinos, a decisão/ substituição já vem tarde. 
Tipicamente português, tipicamente de quem não tem dinheiro.

Andam por aí os importantes representantes dos vários fabricantes de aeronaves. Presumo que esses fabricantes andem já em companhia de poderosas sociedades de advogados, como é usual.

Mover-se-ão junto da FAP e dentro dela junto de determinados oficiais. Mover-se-ão junto do governo, particularmente junto do gabinete do PM, do MDN Melo, do homem das finanças. 

E no MDN andarão de certeza nos corredores do edifício de 7 andares ao Restelo, e junto dos principais conselheiros do MDN Melo, civis e militares, de que destes o actual Chefe do Estado -Maior General das Forças Armadas e ex chefe da FAP é o mais importante.

Uma das coisas para mim mais curiosas é, para além dos vários critérios para avaliação / comparação dos caças existentes  a questão do dinheiro, do encargo financeiro. Do brutal custo destes brinquedos e de como os pagaremos.

E na área do encargo brutal para o país as semânticas são deliciosas.

Estou convencido de que, para a esmagadora maioria dos portugueses é igual ao litro falar-lhes em LPM (lei de programação militar, raramente cumprida), orçamento próprio da FAP, etc. 

Face às notícias, às declarações de Nuno Melo, estou até convencido de que para a maioria pode ficar a ideia de que haverá maneiras diversas de pagar o brinquedo fora do OE ou melhor, que haverá vários sacos de dinheiro.

NÃO HÁ, HÁ SÓ O NOSSO DINHEIRO, O ESMIFRADO /COHIDO EM IMPOSTOS. 
DEPOIS INVENTAM ENGENHARIAS FINANCEIRAS.  
NÃO HÁ MILAGRES.

Vamos aguardar.

Bom dia, cuidado com o calor.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Nuno Melo diz que Portugal está preparado para reforçar presença a Leste se for necessário.

Alguém que lhe explique o significado de - ridículo - e - pôr-se em bicos de pés.

Bom dia.
Saúde e boa sorte.
E muita pachorra para aturar isto, quer interna quer externamente.

AC

domingo, 21 de abril de 2024

25 NOVEMBRO 1975

Não tenho dúvidas sobre esta data, que deve ser bem registada, sem NUNCA ESQUECER QUE o 25 ABRIL 1974 É QUE É A DATA FUNDADORA DO REGIME DEMOCRÁTICO.

Como eloquentemente, esta noite na SIC, Ramalho Eanes referiu e  voltou a explicar clarinho como água.

Vem isto a propósito de Nuno Melo ter anunciado uma comissão governamental para celebrar a data.

A que propósito é que esta criatura se permite num comício /congresso partidário anunciar uma coisa do governo?

Alguém que explique a este inchado de soberba que lá porque o enfiaram como ministro da chamada defesa nacional (coisa que nunca foi, é sempre só da tropa) há lugar e tempo apropriado para tudo, e que deve evitar ser desbocado quase a roçar o carroceiro.

AC