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sábado, 28 de fevereiro de 2026

RECORDANDO   UM   TEXTO   ANTIGO

(sublinhados da minha responsabilidade)

O  “OTIMISTA”  na  MARINHA

Domingo à noite. O novo canal NOW anunciava ser dia de “Otimista, um programa de António Costa, a mostrar o que de bom e positivo existe no país”. No anúncio do programa mostrava António Costa e Pedro Mourinho a serem recebidos na entrada do Palácio do Alfeite pelo Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), Almirante Gouveia e Melo, e a maquete do “Navio / Plataforma Naval Multifuncional” encomendado ao Grupo Damen.

Não podia perder tal programa, desde logo porque iam falar da Marinha que, para mim, continua a ser uma referência do que de bom e positivo existe em Portugal. Depois porque o “Otimista” António Costa, como Primeiro-Ministro, dirigiu o apressado Conselho de Ministros de 23 de dezembro de 2021 que exonerou o anterior CEMA sem a adequada explicação e nomeou Gouveia e Melo para o cargo, com a correspondente promoção a Almirante. O inusitado de assistir à conversa do agora Presidente do Conselho Europeu com o chefe militar que nomeou há menos de três anos em tais circunstâncias, aguçou ainda mais a minha curiosidade.

Assisti com atenção e confesso que fiquei surpreendido com uma parte substancial do que vi e ouvi. Refiro-me em particular às afirmações do actual CEMA sobre a indústria naval militar nacional. Claro que o cidadão Gouveia e Melo pode opinar sobre o tema e dizer o que entender, mas quando o faz na condição de CEMA, o caso muda de figura. Trata-se de um sector de actividade em que a o Estado, através da Marinha, tem um papel central. Do ponto de vista económico, é o principal, senão mesmo o único, cliente. Poucos países têm clientes externos para a sua indústria naval militar e Portugal não está certamente entre eles. E dada a relevância da Defesa Nacional e da Marinha nesse mercado monopsonista, responsáveis como o CEMA devem ter particular cuidado com as mensagens que transmitem.

Ao longo da carreira profissional, tive oportunidade de reflectir sobre a indústria naval militar nacional. Em 2010, quando participei no extinto Fórum Empresarial da Economia do Mar coordenado pelo saudoso camarada, amigo e colega Fernando Ribeiro e Castro, com ele e com outros profissionais do sector debati e delineei uma possível estratégia para a indústria naval militar nacional com o objectivo de evitar o colapso que todos adivinhávamos. Devo confessar que não tivemos sucesso, mas foi por ter consciência da complexidade e dificuldade da questão que fiquei surpreendido com algumas das afirmações do actual CEMA.

Embora o programa tenha passado num canal novo e provavelmente apenas tenha sido visto por alguns (poucos) interessados no tema, não tendo por isso impacto numa população entretida com o futebol, pode ter deixado a ideia de que é possível fazer com mil o que até agora muitos só foram capazes de fazer com um milhão!

O actual CEMA afirmou que olha “para o futuro da Marinha com muito mais otimismo do que olhávamos há uns anos atrás” e que a Marinha hoje “tem, com menos recursos, mais capacidade”. Não me quero meter nas questões operacionais nem na sua avaliação, mas não pude deixar de registar o optimismo do chefe da Marinha, que chegou mesmo a superar o do entrevistador. Em determinado momento, o actual CEMA afirmou: “Eu estive há muito pouco tempo no estrangeiro, num país de referência, em que os líderes da Marinha desse país me disseram, de forma muito clara, que nós conceptualmente, e o que estamos a desenvolver, está 10 anos à frente de tudo o que está a ser feito.” No meu caso, quando estava ao serviço, se os líderes de uma outra Marinha me dissessem que estávamos “10 anos à frente de tudo o que está a ser feito”, pensaria que estavam a tentar ser simpáticos com uma mentira bondosa. Aparentemente, o actual CEMA não pensou o mesmo…

Mas indo à matéria que conheci bem na Marinha, ou seja, a realização e aquisição de serviços para construir e manter os navios e os seus sistemas e equipamentos, não consigo deixar de me impressionar com o papel que o actual CEMA atribui aos drones, quase que os contrapondo aos navios militares. E mais impressionado fico com a facilidade com que, no caso dos drones, a Marinha parece ultrapassar as restrições administrativas que então condicionavam quem tinha responsabilidades na área do Material Naval.

Disse o actual CEMA que criou “uma pequena empresa dentro da Marinha para desenvolver estas coisas com 3 militares. Agora já são 40 e vamos tentar crescer para 100. 100 engenheiros e gente só dedicada à inovação.” Outro oficial disse que “funcionamos como uma start-up”. Qual será o quadro legal desta “pequena empresa”? Será um organismo fabril? Como está organizada? Como faz aquisições? A quem presta contas? Na Marinha que servi até 2000, a lei então em vigor inviabilizava qualquer actividade com os contornos descritos pelo actual CEMA, a não ser se fosse realizada por organismos fabris. E mesmo esses estavam sujeitos a regras administrativas muito restritivas.

Para perceber melhor o que se passa com a alegada produção de drones na e pela Marinha, fiz uma pequena pesquisa sobre os modelos referidos na reportagem. Concluí que não serão produtos totalmente concebidos e fabricados pela Marinha e alguns deles têm origem no estrangeiro. São comercializados por empresas portuguesas às quais, à semelhança do que se passa com todos os outros sistemas dos navios, a Marinha terá adquirido equipamentos, materiais e serviços segundo uma especificação técnica e, depois, procedido à sua recepção. Como acontece como muitos outros equipamentos, é provável que os requisitos da Marinha tenham influenciado o produto final, mas dizer que foram desenvolvidos pela Marinha parece ser exagerado.

Outra surpresa foi o actual CEMA contrapor a utilização dos drones ao que chamou “uma Marinha clássica”. Como engenheiro naval militar, não entendo o que é uma “uma Marinha clássica” nem sei qual é o modelo económico a que obedece. Sei sim que as Marinhas militares estão permanentemente a evoluir, a modificar os seus navios e a dotá-los de meios que optimizam a realização das missões que lhes são atribuídas. Foi assim com os radares, foi assim com os sonares, foi assim com o armamento, foi assim com os helicópteros, será certamente assim com os drones. O objectivo sempre foi cumprir as missões com menos recursos e maior eficácia. Em cada momento, as Marinhas militares são o que os requisitos operacionais exigem e as tecnologias permitem. Se neste momento as capacidades de vigilância dos navios militares podem ser alargadas e optimizadas com a utilização de drones, estou certo de que todas as Marinhas evoluirão rapidamente para a sua adopção generalizada.

Pareceu-me também estranho o conceito de construção de um navio militar do actual CEMA. Aparentemente, para ele, é “soldar chapa”. Talvez por falta de experiência nessa área, não saberá que o soldar da chapa é a actividade menos relevante da construção de um navio. O que é de facto relevante é “meter dentro dessa chapa depois de soldada” todos os sistemas e equipamentos, incluindo os “computadores, redes, software” que referiu. E essa actividade requer competências que se adquirem academicamente e com a prática e ajudam a identificar factores de risco como os que oportunamente apontei no programa de construção do “Navio / Plataforma Naval Multifuncional” (https://sites.google.com/view/ao-largo/bem-vindo-a-bordo/plataforma-naval-multifuncional), caracterizado pelo actual CEMA como “o primeiro conceito mundial de um navio que é um porta-drones”.

Duas notas finais:
• Por princípio desconfio dos que invocam o interesse do Estado para estabelecer relações privilegiadas e por vezes obscuras com determinados fornecedores de serviços e equipamentos. Não sei se é o caso das aquisições dos drones, mas detectei alguns sinais preocupantes na forma como alguns dos entrevistados descreveram a relação da tal “empresa dentro da Marinha” com empresas externas;

• Sou dos que defendem que o brincar é uma bonita forma de as crianças aprenderem e evoluírem. Mas receio os adultos que se recusam a crescer e continuam a brincar com brinquedos cada vez mais caros, pagos por todos nós.

(Jorge Bettencourt)

Bom dia, tenham um bom Sábado.
Saúde e boa sorte.

António Cabral (AC)

domingo, 17 de novembro de 2024

GOUVEIA e MELO

As últimas imagens e palavreado do almirante entraram-nos em casa estando ele a discursar em pleno Alfeite.

Felizmente que raramente abro o televisor, e quando olho para ele ao entrar na sala, são poucas as vezes que me sento a ouvir o que de lá salta pois, normalmente, só incomoda.

Nestas últimas imagens do salvador das vacinas, ele perorava sobre a "invasão" Russa, estava na base naval do Alfeite.

Mas eu penso que o senhor continua a enganar a malta.

O que quero com isto dizer é que vai alimentando a chama - ai que eu candidato-me a presidente - uma chama que uns quantos ditos jornalistas aproveitam para o seu negócio. Nalguns casos "perdócio".

Mas estou convencido de que o que ele quer, MESMO, é que lhe proponham a recondução de mais dois anos a chefiar a Marinha, para tratar dos assuntos navais, dos drones, alertar-nos sobre os Russos etc. E ser assim um passo necessário para o que ele quer a seguir.

Esta questão, de acordo com a legislação em vigor, determina que até 27 deste mês de Novembro (ele foi empossado em 27 de Dezembro 2021, numa cerimónia escondida) o ministro também ele Melo mas Nuno de nome o chame ao gabinete, converse com ele, lhe agradeça e diga que em 27 de Dezembro vai para casa ou, o convença a aceitar mais dois anos, para depois ir ter com o o nosso Primeiro Luís, que por sua vez dirá ao papagaio-mor - É este!

E se o homem não aceitar?

Se ele não aceitar terão que escolher outro.

Mas creio que vai aceitar, e até que dirá ao ministro Melo que aceita mas só se lhe garantirem que daqui a uns meses vai para o edifício no Restelo, como Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA).

Eu penso que os políticos e Marcelo o querem preso a lugar militar.

Penso que Luís Montenegro se está a borrifar se ele aceita ou não, pois Melo o almirante não o incomoda se ele se candidatar às eleições presidenciais. O que pode sempre fazer mesmo depois de ser CEMGFA, pois basta demitir-se desse cargo, a tempo.

Aguardemos.

AC

domingo, 18 de agosto de 2024

POLÍTICA, ELEIÇÕES, OCS, CRP, o COSTUME
No jornal Sol surgiu há dias um texto sobre as presidenciais (ainda falta bastante tempo, e parece que crescem por aí vários nervosismos), e à volta do actual chefe da Marinha, almirante Gouveia e Melo (GM), e quer o jornal quer alguns entrevistados afirmam que GM baralha ou pode baralhar as contas de vários partidos.

Haverá de facto nervosismo em certas "chancelarias"?

É mais um texto para encher chouriços ou seja, para ver se conseguem vender mais papel?
Ou é mais um texto para ver se queimam GM?
Ou é mais um texto para ver se conseguem que o partido A ou B tome desde já uma posição sobre o assunto e particularmente sobre GM?

E não perguntaram nada ao papagaio em Belém?

Nisto como em outras áreas da vida e da sociedade, creio que também aqui se aplica a famosa frase - "a utilidade é o critério de preferência".

Uma coisa é certa,
 o governo actual pode decidir prorrogar o mandato do actual chefe da Marinha por mais dois anos e nesse sentido isso propor ao inquilino em Belém. Que quase de certeza aceitará.

Mas uma outra coisa é por enquanto incerta, e tem ligação com a de cima: 
- GM aceita essa prorrogação, deseja continuar por mais dois anos a transformar a Marinha numa Marinha holística?
- Ou GM está-se borrifando para o actual governo e para o inquilino em Belém e deixa a vida militar activa e, durante o ainda muito tempo desde Dezembro próximo até à campanha para a eleição presidencial, vai avaliar como param as modas? 

Outra coisa ainda é certa, GM é periodicamente falado como potencial candidato à Presidência da República, e parece continuar a granjear alguma popularidade, e além do mais nunca descartou liminarmente a hipótese de se candidatar a inquilino em Belém. 

Uma outra coisa é inteiramente correcta no plano jurídico-legal, qualquer militar, fora do serviço ativo, tem todo o direito a concorrer a qualquer cargo político, pois fora do activo mantém intactos e sem limitações os seus direitos cívicos e políticos.

A CRP no seu Art 122º estabelece que são elegíveis os cidadãos portugueses de origem, maiores de 35 anos.
Portanto, além de Tino de Rans e outros civis, qualquer militar português maior de 35 anos e já na situação de reserva ou reforma, pode candidatar-se nas próximas eleições presidenciais.
Basta que o deseje fazer, e arranje um mínimo de 7500 assinaturas para se propor junto do Tribunal Constitucional, e faça isso até 30 dias antes da data da eleição. Simples, fácil.

Mas se isto é assim, e tirando o caso de Marcelo que andou décadas a preparar o terreno e a ganhar popularidade através das televisões, não estou a ver que no presente qualquer candidato mesmo com alguma aparente popularidade ou mais do que isso se possa dar ao luxo de dispensar uma campanha eleitoral apoiada.
Para isso precisa de apoios, financeiros, políticos, partidários.

Ora olhando às realidade nomeadamente no PS e no PSD, pelo menos no presente, não os estou a ver entusiasmados a apoiarem GM para Presidente.

Aliás, estou plenamente convicto que a porca telenovela executada pelo governo de Costa para meter rapidamente GM a chefiar a Marinha teve como origem o temor nas hostes socialistas quanto ao crescimento de popularidade de GM. 
Tinham que o arrumar e colocá-lo em cargo militar outra vez e rapidamente.

Daí a porcaria que fizeram e que Marcelo congelou temporariamente apenas para dizer que - eu é que mando - pois pensava certamente o mesmo que António Costa e estrategos do PS.
E executou quase à socapa a mudança da chefia da Marinha, dando posse em período Natalício e de final de ano. UMA VERGONHA, típica da criatura.

A maioritariamente tristíssima classe política que continua a pensar que está na I República, acolhe dessa época imensas coisas menos que um militar esteja na política. 
Juridicamente o militar pode fazer política, estar na política, desde que já fora do serviço activo.

Há mesmo uma série de doutores mais propriamente da mula russa que consideram que militares na política equivale a retrocesso na democracia.
Para essa gentalha, já não configura retrocesso na democracia, o estado do sistema de justiça a menos que lhes toque e por isso andam agitados, ou o estado da ferrovia, ou o estado do despovoamento do território, o estado das reservas de água, um aeroporto por construir há mais de 50 anos, a escandalosa desordem territorial, etc.

E estamos nisto,  a maior parte da classe (com muito pouca classe) política, incluindo Marcelo Rebelo de Sousa, não vê com bons olhos que na chefia de Estado possa sentar-se um militar já retirado da vida militar activa.

Enfim, de qualquer forma, posso garantir, se Gouveia e Melo vier a ser candidato em eleição presidencial não terá o meu voto.
Conheço muito bem quem o conheceu, e confio nesse meu grande amigo, que sabe que Gouveia e Melo tem qualidades e defeitos como todos nós, mas a questão é que alguns dos defeitos são terríveis.
Para PR nunca, mas não é por ser militar.
AC

sexta-feira, 5 de maio de 2023

De  Vez  em  Quando  CONCORDO  com  LOUÇÃ
. . . da fanfarronice . . . novela tão sumarenta . . . almirante que entende que lhe basta notoriedade televisiva para que o país clame por ele . . . ser um correctivo interno à Marinha . . . 
AC

sexta-feira, 21 de abril de 2023

NÃO É CARNAVAL . . . 

Mas não tem mal . . . 

Em tempos de vacas magras, enquanto a ministra Carreiras mandou estudar (deve chorar-se ou rir?) porque quase ninguém das nossas juventudes quer concorrer às Forças Armadas (andam vários há décadas a estudar isto com os resultados brilhantes que se sabem . . . ), enquanto o PM incha o peito e a barriga com loas sobre a lei de programação militar (desta vez é que não vai haver cativações da quase totalidade, certo?), enquanto o comentador - mor do reino profere as habituais e patéticas arengas, corre por aí esta piada que em baixo reproduzo e que pode ter interpretações diversas.

Uma brincadeira que evoca o espirito imaginativo do actual chefe da Marinha, e será porventura esta vertente a que recolhe mais créditos.

Mas creio legítimo (desconheço a ideia do autor) que se possa considerar como mensagem leal ao almirante Gouveia e Melo que, traduzida para português corrente, poderá ser - almirante, põe-te à tabela, pois os gajos não te vão dar nada.

Aguardemos pelos dois próximos anos.

AC