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sábado, 28 de fevereiro de 2026

RECORDANDO   UM   TEXTO   ANTIGO

(sublinhados da minha responsabilidade)

O  “OTIMISTA”  na  MARINHA

Domingo à noite. O novo canal NOW anunciava ser dia de “Otimista, um programa de António Costa, a mostrar o que de bom e positivo existe no país”. No anúncio do programa mostrava António Costa e Pedro Mourinho a serem recebidos na entrada do Palácio do Alfeite pelo Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), Almirante Gouveia e Melo, e a maquete do “Navio / Plataforma Naval Multifuncional” encomendado ao Grupo Damen.

Não podia perder tal programa, desde logo porque iam falar da Marinha que, para mim, continua a ser uma referência do que de bom e positivo existe em Portugal. Depois porque o “Otimista” António Costa, como Primeiro-Ministro, dirigiu o apressado Conselho de Ministros de 23 de dezembro de 2021 que exonerou o anterior CEMA sem a adequada explicação e nomeou Gouveia e Melo para o cargo, com a correspondente promoção a Almirante. O inusitado de assistir à conversa do agora Presidente do Conselho Europeu com o chefe militar que nomeou há menos de três anos em tais circunstâncias, aguçou ainda mais a minha curiosidade.

Assisti com atenção e confesso que fiquei surpreendido com uma parte substancial do que vi e ouvi. Refiro-me em particular às afirmações do actual CEMA sobre a indústria naval militar nacional. Claro que o cidadão Gouveia e Melo pode opinar sobre o tema e dizer o que entender, mas quando o faz na condição de CEMA, o caso muda de figura. Trata-se de um sector de actividade em que a o Estado, através da Marinha, tem um papel central. Do ponto de vista económico, é o principal, senão mesmo o único, cliente. Poucos países têm clientes externos para a sua indústria naval militar e Portugal não está certamente entre eles. E dada a relevância da Defesa Nacional e da Marinha nesse mercado monopsonista, responsáveis como o CEMA devem ter particular cuidado com as mensagens que transmitem.

Ao longo da carreira profissional, tive oportunidade de reflectir sobre a indústria naval militar nacional. Em 2010, quando participei no extinto Fórum Empresarial da Economia do Mar coordenado pelo saudoso camarada, amigo e colega Fernando Ribeiro e Castro, com ele e com outros profissionais do sector debati e delineei uma possível estratégia para a indústria naval militar nacional com o objectivo de evitar o colapso que todos adivinhávamos. Devo confessar que não tivemos sucesso, mas foi por ter consciência da complexidade e dificuldade da questão que fiquei surpreendido com algumas das afirmações do actual CEMA.

Embora o programa tenha passado num canal novo e provavelmente apenas tenha sido visto por alguns (poucos) interessados no tema, não tendo por isso impacto numa população entretida com o futebol, pode ter deixado a ideia de que é possível fazer com mil o que até agora muitos só foram capazes de fazer com um milhão!

O actual CEMA afirmou que olha “para o futuro da Marinha com muito mais otimismo do que olhávamos há uns anos atrás” e que a Marinha hoje “tem, com menos recursos, mais capacidade”. Não me quero meter nas questões operacionais nem na sua avaliação, mas não pude deixar de registar o optimismo do chefe da Marinha, que chegou mesmo a superar o do entrevistador. Em determinado momento, o actual CEMA afirmou: “Eu estive há muito pouco tempo no estrangeiro, num país de referência, em que os líderes da Marinha desse país me disseram, de forma muito clara, que nós conceptualmente, e o que estamos a desenvolver, está 10 anos à frente de tudo o que está a ser feito.” No meu caso, quando estava ao serviço, se os líderes de uma outra Marinha me dissessem que estávamos “10 anos à frente de tudo o que está a ser feito”, pensaria que estavam a tentar ser simpáticos com uma mentira bondosa. Aparentemente, o actual CEMA não pensou o mesmo…

Mas indo à matéria que conheci bem na Marinha, ou seja, a realização e aquisição de serviços para construir e manter os navios e os seus sistemas e equipamentos, não consigo deixar de me impressionar com o papel que o actual CEMA atribui aos drones, quase que os contrapondo aos navios militares. E mais impressionado fico com a facilidade com que, no caso dos drones, a Marinha parece ultrapassar as restrições administrativas que então condicionavam quem tinha responsabilidades na área do Material Naval.

Disse o actual CEMA que criou “uma pequena empresa dentro da Marinha para desenvolver estas coisas com 3 militares. Agora já são 40 e vamos tentar crescer para 100. 100 engenheiros e gente só dedicada à inovação.” Outro oficial disse que “funcionamos como uma start-up”. Qual será o quadro legal desta “pequena empresa”? Será um organismo fabril? Como está organizada? Como faz aquisições? A quem presta contas? Na Marinha que servi até 2000, a lei então em vigor inviabilizava qualquer actividade com os contornos descritos pelo actual CEMA, a não ser se fosse realizada por organismos fabris. E mesmo esses estavam sujeitos a regras administrativas muito restritivas.

Para perceber melhor o que se passa com a alegada produção de drones na e pela Marinha, fiz uma pequena pesquisa sobre os modelos referidos na reportagem. Concluí que não serão produtos totalmente concebidos e fabricados pela Marinha e alguns deles têm origem no estrangeiro. São comercializados por empresas portuguesas às quais, à semelhança do que se passa com todos os outros sistemas dos navios, a Marinha terá adquirido equipamentos, materiais e serviços segundo uma especificação técnica e, depois, procedido à sua recepção. Como acontece como muitos outros equipamentos, é provável que os requisitos da Marinha tenham influenciado o produto final, mas dizer que foram desenvolvidos pela Marinha parece ser exagerado.

Outra surpresa foi o actual CEMA contrapor a utilização dos drones ao que chamou “uma Marinha clássica”. Como engenheiro naval militar, não entendo o que é uma “uma Marinha clássica” nem sei qual é o modelo económico a que obedece. Sei sim que as Marinhas militares estão permanentemente a evoluir, a modificar os seus navios e a dotá-los de meios que optimizam a realização das missões que lhes são atribuídas. Foi assim com os radares, foi assim com os sonares, foi assim com o armamento, foi assim com os helicópteros, será certamente assim com os drones. O objectivo sempre foi cumprir as missões com menos recursos e maior eficácia. Em cada momento, as Marinhas militares são o que os requisitos operacionais exigem e as tecnologias permitem. Se neste momento as capacidades de vigilância dos navios militares podem ser alargadas e optimizadas com a utilização de drones, estou certo de que todas as Marinhas evoluirão rapidamente para a sua adopção generalizada.

Pareceu-me também estranho o conceito de construção de um navio militar do actual CEMA. Aparentemente, para ele, é “soldar chapa”. Talvez por falta de experiência nessa área, não saberá que o soldar da chapa é a actividade menos relevante da construção de um navio. O que é de facto relevante é “meter dentro dessa chapa depois de soldada” todos os sistemas e equipamentos, incluindo os “computadores, redes, software” que referiu. E essa actividade requer competências que se adquirem academicamente e com a prática e ajudam a identificar factores de risco como os que oportunamente apontei no programa de construção do “Navio / Plataforma Naval Multifuncional” (https://sites.google.com/view/ao-largo/bem-vindo-a-bordo/plataforma-naval-multifuncional), caracterizado pelo actual CEMA como “o primeiro conceito mundial de um navio que é um porta-drones”.

Duas notas finais:
• Por princípio desconfio dos que invocam o interesse do Estado para estabelecer relações privilegiadas e por vezes obscuras com determinados fornecedores de serviços e equipamentos. Não sei se é o caso das aquisições dos drones, mas detectei alguns sinais preocupantes na forma como alguns dos entrevistados descreveram a relação da tal “empresa dentro da Marinha” com empresas externas;

• Sou dos que defendem que o brincar é uma bonita forma de as crianças aprenderem e evoluírem. Mas receio os adultos que se recusam a crescer e continuam a brincar com brinquedos cada vez mais caros, pagos por todos nós.

(Jorge Bettencourt)

Bom dia, tenham um bom Sábado.
Saúde e boa sorte.

António Cabral (AC)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

RECORDANDO


quarta-feira, 29 de setembro de 2021

E  ESTA,  Hein?
Acabei de tomar conhecimento deste texto, da autoria de um oficial reformado da Marinha, o Comandante Costa Correia, que teve papel relevante em diferentes períodos da fase inicial pós 25 de Abril de 1974. Pelo que leio, o Cte Costa Correia espera que, em relação ao que anda anunciado sobre a provável exoneração do actual Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), o actual inquilino em Belém mostre que não é um verbo de encher.
Veremos se o Cte Costa Correia acerta.

Ao Presidente da República: mostre que não é um verbo de encher.
A Imprensa informou que o Ministro da Defesa Nacional propôs ao Presidente da República a demissão do Almirante Mendes Calado do cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada. 
O Artigo 133 da Constituição estabelece que compete ao Presidente da República, sob proposta do Governo (que - recorde-se - é presidido pelo Primeiro-Ministro) - ouvido o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas - nomear e exonerar os Chefes de Estado-Maior dos três ramos das Forças Armadas.
Espero, assim, que o Presidente da República mostre que não é um verbo de encher. 

28. Setembro.2021
In Blog - <https://costacorreia.blogspot.com/2021/09/ao-presidente-da-republica-mostre-que.html?m=1>

Mas enquanto escrevo estas linhas, as notícias sobre este tema caem em catadupa, nos jornais e nas TV.  Publico uma delas com sublinhados a amarelo da minha parte:
Presidente da República lembra que é ele quem tem a palavra final, pelo que não haverá, para já, qualquer substituição do Chefe do Estado-Maior da Armada. Marcelo Rebelo de Sousa afirma que houve equívocos na polémica da exoneração do almirante António Mendes Calado e alegada substituição pelo vice-almirante Henrique Gouveia e Melo. Em declarações aos jornalistas, esta quarta-feira, o Presidente da República recordou que o mandato de Mendes Calado foi renovado a 1 de março deste ano, e que a renovação tem, habitualmente, a duração de dois anos - mas que, na altura, o almirante mostrou a disponibilidade para deixar o cargo mais cedo, para permitir que "pudessem aceder à sua sucessão camaradas antes de deixarem a atividade". No entanto, para Marcelo Rebelo de Sousa, ainda não chegou esse momento. "Há aqui um equívoco de momento", declarou.
Para o Presidente da República, além deste primeiro equívoco, foram registados mais dois. O segundo equívoco passa pela fundamentação para a alegada cessão de funções. Marcelo referiu que tem estado a ser apontada a intervenção crítica, feita pelo atual Chefe do Estado-Maior da Armada, sobre as alterações à Lei de Defesa Nacional - uma posição acompanhada pelos restantes chefes dos ramos militares.
O Presidente da República nota que, apesar de terem criticado as mudanças, a partir do momento em que foi decretada a lei, os chefes dos três ramos militares acataram-na e respeitaram-na, o que, para Marcelo, é um "exemplo de lealdade constitucional" - logo, nunca seria motivo para uma exoneração.
O terceiro e"equívoco" mencionado por Marcelo Rebelo de Sousa prende-se com o facto de se estar a falar numa "substituição". Ora, só poderá haver uma substituição depois de alguém terminar funções, recorda Marcelo, o que ainda não é o caso.
"Há um momento adequado para falar de substituição, que não é este", declarou.
O Presidente da República lamentou ainda que o nome do vice-almirante Gouveia e Melo tenha sido envolvido na polémica. Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que o vice-almirante merece, pela sua carreira, as insígnias que recebeu e, pela sua atuação na task force, a admiração de todos os portugueses. Pelo seu "mérito e classe", defende Marcelo, dispensava ser "envolvido numa situação de atropelamento de pessoas e instituições".
Na ótica de Marcelo Rebelo de Sousa, há que "salvaguardar a reputação das pessoas envolvidas e o prestígio das instituições" e quando chegar o momento de tomar a decisão de substituir o Chefe do Estado-Maior da Armada, só há uma pessoa que tem o poder de tomá-la: o Presidente da República.

Assim, se bem percebo isto tudo, o Presidente da República não aceitará exonerar, PARA JÁ, repito o PARA JÁ, o actual CEMA o que, legitimamente, será como que mostrar um cartão amarelo ao governo, concretamente ao PM António Costa que, como é habitual nele parece que nada disto partiu dele ou teve alguma coisa a ver com ele e, naturalmente, ao inenarrável ministro Gomes Cravinho jr, e ao actual Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

Mas, pela conversa de Marcelo Rebelo de Sousa, percebe-se que ele quer que o actual CEMA saia a seu pedido, sem ser empurrado, uns dias antes do vice-almirante das vacinas ter que passar à reserva por  atingir o limite de idade. Coisa que aconteceu a dezenas e dezenas, é a vida militar. 

Portanto, dando uns ares de que não é um verbo de encher, na feliz referência do Cte Costa Correia, mostra-se verdadeiramente um Salomão. 
Ora país nenhum progrediu com verbos de encher. 
Mas dificilmente a sociedade portuguesa melhorará com Salomões!

Por fim, uma coluna vertebral sã nunca permite que a usem nos jogos e insídias de terceiros. 
E certa gentalha, se tivesse coluna vertebral, que NÃO TÊM, esses sim, demitiam-se, JÁ, depois do que disse o PR!

António Cabral (AC)

Comentário de 20 de Fevereiro de 2026

Como se sabe, o então Chefe do Estado-Maior da Armada foi substituído pelo almirante das vacinas, numa cerimónia depois do Natal de 2021, basicamente às escondidas. 

Quanto a Salomão e verbo de encher o tempo decorrido tem sido eloquentemente esclarecedor.
E confirmando que Portugal está no estado em que se encontra muito também pela enorme quantidade de verbos de encher e de Salomões e pigmeus políticos que vegetam há décadas por aí, sempre sentados à mesa do OE ou para ele de mão estendida.

E quanto à coluna vertebral, pigmeus políticos, Salomões e verbos de encher não têm, têm uma coisa de borracha enxertada com silicone.

AC

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

DORME  POUCO ?

LÊ-SE NO CM - Jorge Nobre de Sousa: Operacional incansável que dorme pouco para saber mais. 
Novo chefe da Armada, de 61 anos, fez nome como especialista em guerra antissubmarina, liderou os Fuzileiros e era agora 2.º comandante operacional das Forças Armadas.

Oxalá não se venha a mostrar como uma criatura que anda por aí há nove anos e que dizem que quase não dorme.
Os resultados não são (opinião pessoal, naturalmente) brilhantes.

Olhando ao que diz quem se afirma conhecê-lo, deve começar, talvez, por se ver ao espelho e comprar um boné novo. O que se mostra na fotografia oficial que por aí corre, é de sargento reformado.
AC

sexta-feira, 4 de março de 2022

MARCELO  o  DURO
Pela pena da jornalista Leonete Botelho diz o Público que Marcelo travou isto e mais aquilo no âmbito das Forças Armadas (FA), concretamente, é referida a indigitação de um vice-almirante para ser o nº 2 da Marinha agora gerida e chefiada pelo ex-vice-almirante das vacinas, depois de outro não ter sido do agrado de Marcelo.
Não sei se seria essa a intenção da jornalista mas quase me pareceu que, entre outras coisas, se pretende mostrar uma grande firmeza da parte do Presidente e comandantezinho supremo das FA.

A jornalista recorda depois a telenovela de há meses quanto à chefia da Marinha, a tal palhaçada dos equívocos e outras inerentes lamentáveis situações e posturas.
Recorda depois que o DN noticiara em tempos quem seria o nº 2 de Gouveia e Melo (GM), o tal oficial que Marcelo vetou segundo a notícia do DN. Diz depois que o nº 2 da Marinha foi empossado em 18 de Janeiro passado. 
Revela ainda a jornalista que o ex-CEMA Mendes Calado foi condecorado no passado dia 2 de Março juntamente com o seu homónimo da Força Aérea e que também foi corrido pelo governo com a benção de Marcelo. Marcelo é aliás especialista em elogiar e tecer grandes loas por exemplo numa cerimónia restrita mas abençoa depois um chuto no rabo dado pelo governo à pessoa que tanto elogiara na dita cerimónia. Há testemunhas. Faz todo o sentido, revela bem o carácter.

Na cerimónia restrita de condecoração dos ex-chefes da Força Aérea e Marinha não estiveram presentes nem o presidente da AR, nem o Primeiro-Ministro, nem o inarrável ministro da defesa nacional, nem o almirante Silva Ribeiro (SR) (CEMGFA) e actual chefe todo poderoso da instituição militar portuguesa. Faz todo o sentido, revela bem os carácteres.
A jornalista termina o seu escrito tipo cereja em cima de bolo, diz que GM é muito próximo de SR e, tendo em conta o calendário, GM poderá estar a posicionar-se para suceder a SR como CEMGFA. Se isso não acontecer, GM pode ainda aspirar a candidatar-se à Presidência da República em 2026. Este escrito quase parece referir um prémio de consolação.

Esta notícia é mais uma das dezenas sobre as FA, sobre SR, sobre GM, sobre cenas envolvendo Marcelo, Cravinho e Costa.
Estou desde há muito convencido de que a esmagadora maioria dos meus concidadãos (99,9999 % ?) estão-se borrifando para os assuntos militares, para as FA, querem lá saber do que se passa no seu seio, querem lá saber de quem é nomeado ou exonerado, sabem lá quem é e o que é um comandante naval, ou das forças terrestres, etc.

Provavelmente, este artigo é mais um daqueles que em certos meandros se designa - para encher chouriços - mas pode dar-se o caso de ser parcialmente uma encomenda, seja de algum dos envolvidos (há quem tenha Curriculum nessa matéria), seja de quem pretenda convencer-nos de que está muito atento. 

Seja o que for a jornalista podia ter sido menos superficial, menos dramática, mais rigorosa. 
Poderia por exemplo sinteticamente referir a lei em vigor enquadrando a questão de certas nomeações de chefias e podia, já que deixa indícios de tramas, explicar as coisas melhor. 
Por exemplo, referindo que um vice-chefe só o virá a ser se o Presidente da República homologar a nomeação decidida por quem de direito como se define na lei em vigor e que reproduzo em baixo.

LOBOFA - Artigo 25º
Nomeações
1 - As nomeações de oficiais para cargos de comando nas Forças Armadas, bem como as correspondentes exonerações, efetuam-se por decisão do Chefe do Estado-Maior do respetivo ramo, sem prejuízo do disposto nos números seguintes.
2 - ………………………...
3 - Compete ao Ministro da Defesa Nacional nomear e exonerar, sob proposta do Chefe do Estado-Maior do respetivo ramo, os Vice-Chefes de Estado-Maior dos ramos.
4 -………………………..
5 - As nomeações e exonerações referidas no n.o 3 e na alínea a) do número anterior são sujeitas a homologação do Presidente da República, sem o que não produzem quaisquer efeitos.
………………………….

A jornalista deixa no seu artigo insinuações implícitas. Mas saberá alguma coisa, de facto? 
Ou está-se borrifando para investigar, por exemplo, porque não terá havido a dita homologação? 
Terá a ver com certos passados e certas jogadas que tempos atrás deram brado nos OCS e não só?
Fico por aqui, que o meu melhor amigo militar não quer que eu explique mais.
AC

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Grão-Mestre de todas as Ordens Honoríficas Portuguesas
Ordens Honoríficas Portuguesas
Poderes e Competências
O Presidente da República é, por inerência da sua função, o Grão-Mestre de todas as Ordens Honoríficas Portuguesas, conforme define a Constituição da República Portuguesa no seu Artigo 134º, alínea i.

De acordo com a Lei das Ordens Honoríficas Portuguesas, a concessão de qualquer grau das Ordens Honoríficas Portuguesas é da exclusiva competência do Presidente da República. 
Esta competência pode ser exercida por iniciativa própria do Presidente ou por proposta das entidades a quem a lei outorga essa faculdade.

Por ocasião de encontros diplomáticos, o Presidente da República pode conceder o grau de Grande-Colar a Chefes de Estado estrangeiros, podendo naturalmente agraciá-los também com a Grã-Cruz de qualquer das Ordens que não têm Grande-Colar.

O Presidente da República pode ainda conceder o grau de Grande-Colar a antigos Chefes de Estado e a pessoas cujos feitos, de natureza extraordinária e especial relevância para Portugal, os tornem merecedores dessa distinção.

O Presidente da República pode ainda conceder o título de membro honorário a colectividades ou instituições.

Como Grão-Mestre, o Presidente da República superintende na sua organização, orientação e disciplina das Ordens, com a colaboração dos Chanceleres e dos Conselhos das Ordens.

Tudo lido e ponderado, deve estar para breve a cerimónia de imposição da condecoração do ex-Chefe do Estado-Maior da Armada que publicamente Marcelo anunciou.
AC

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

CERIMÓNIA de POSSE do NOVO CEMA

Estive a rever a cerimónia. Tenho colecionado os artigos, os comentários, alguns demolidores para com o empossado, para com Marcelo, Costa, Cravinho. Do que actuou e actua mais na sombra pouco o evidenciam.

Depois de, a partir de 20 de Dezembro passado, ser insistentemente anunciado em vários órgãos de comunicação social que a cerimónia teria lugar a 23 de Dezembro, foi depois passada para 24 de Dezembro. Aí, perante a insistência de alguns em quererem elaborar a agenda em Belém, a Presidência lá anunciou que a cerimónia de posse teria lugar pelas 1500 horas de 27 de Dezembro. E teve.

A Covid é óptima, pois desculpou quase tudo. O Primeiro-Ministro não pôs lá os pés. Os importantes têm sempre umas justificações para passar ao povo. Infelizmente o povo engole praticamente tudo, excepto uns quantos, como eu.

O Almirante corrido pelo poder político com a extremosa benção de Marcelo Rebelo de Sousa também não esteve presente. Há pessoas com dignidade e probas.

O Exército não se fez representar pelo chefe (CEME). Pela Força Aérea esteve o chefe (CEMFA). Claro, esteve lá o CEMGFA. E esteve lá Ferro Rodrigues.

Não houve discursos, nem sorrisos, que se tivesse visto.

Contei pelo meu relógio, e creio não me ter enganado, desde que Marcelo parou junto à mesa depois de entrar na sala, até que se postou em frente ao empossado, decorreram dois minutos menos 5 segundos.

Não creio que desde o 25 de Abril de 1974 se tenha passado alguma coisa assim.

AC

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

A PROPÓSITO do SÍTIO ASSIM GOVERNADO
Desde Setembro passado que a par, da vacinação, das guerras político-partidárias e parlamentares, da excelência deste estado rosáceo, da vida do e no SEF medalhado por Cabrita, das barracas sucessivas no âmbito do sistema de justiça, das barracas sucessivas no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), da verborreia insuportável do comentador, das ridiculamente chamadas reformas nas Forças Armadas, dos dislates de políticos vários, de variadas cenas dentro das forças de segurança, das sucessivas e patéticas cenas do casal Cabrita, disto tudo e de muito mais, um assunto apareceu repetida e periodicamente nos meios de comunicação social: a vida passada e  presente do herói das vacinas, sendo evidente o seu encanto por entrevistas conferências e visitas, a campanha promocional encetada, e o seu repúdio inicial pela vida política coisa recentemente revertida por uma entrega a Deus num (imagina-se), desejo de futura carreira política quiçá candidato a presidente do país.

Desde 20 de Dezembro mas com evidente aceleração ontem e hoje 22 de Dezembro, caíram em catadupa as notícias sobre o destino traçado  para o herói das vacinas, escrevendo-se inclusive - processo tinha sido adiado no fim de setembro - ou - devia ter tomado posse em Setembro. 
Dizem as notícias que amanhã, 5ª feira, ao fim da tarde, o inquilino em Belém lhe dará posse numa cerimónia muito simples e restrita. Certamente por causa do Covid mas, ainda bem, pensarão alguns que, certamente por questões de dignidade, não poriam lá os pés de qualquer maneira. Como se diz por aí, não seriam decoração para tal evento.

Jerónimo de Sousa sintetizou a coisa de maneira simples e bem certeira, assumindo nada tendo a opor mas criticando a forma como o processo foi conduzido - "Não temos nada a dizer, já o processo que conduziu à nomeação pode ser menos claro. Em relação à solução, não temos qualquer registo". Sintético, eloquente, que retrata a meu ver brilhantemente a pouca vergonha protagonizada pelos intervenientes no processo desde há vários meses, e bem conhecidos de todos.

As várias notícias, Lusa, DN, Público, i, Expresso, etc., tendo muitas coincidências mas também certas diferentes "nuances", vaticinam que ontem o actual chefe da Marinha teria sido chamado ao sr Cravinho que lhe terá dito - vai ser exonerado - e, porventura, deixado a indicação que Marcelo Rebelo de Sousa já teria anuído a esta coisa.

Alguns OCS escalpelizam até os passos de um tal processo, mas, disse-me o meu melhor amigo militar, que os jornalistazinhos que escrevinham estas coisas são tão competentes que nem foram ver com detalhe o que a lei pertinente diz e determina seja feito. Portanto, e mais uma vez, se verifica que este jornalismo  incompetente escreve à toa. Restava saber se está vendido.

Nisto tudo há umas coisas que não engulo.
1º - Deve ser mentira que o Almirante Mendes Calado tenha sido chamado ao sr Cravinho.

2º - O Almirante Mendes Calado já deve estar farto de aturar a pouca vergonha em que isto tudo se transformou, em que nada anda no chamado ministério da defesa nacional relativamente aos assuntos de Marinha e, presumo, que no Estado-Maior general das Forças Armadas acontece o mesmo, o que nada surpreende.

3º - O melhor nisto tudo é, para mim a atitude que Marcelo Rebelo de Sousa tomará e, sendo ele o que é, não será que se estará a tentar encontrar uma maneira de conseguir sair disto mais ou menos como entre os pingos da chuva, tendo em conta o passado de "equívocos" e outras palhaçadas? Tantos silêncios.

Eu estou muito curioso pelo que amanhã se passará ou não.
É que, para mim, não é indiferente saber de fonte segura que se fazem enormes e muito recentes elogios a uma dada pessoa, até em privado ainda que com alguma restrita assistência, para  depois…..VEREMOS!

Finalmente, compreendo e respeito, como sempre, opiniões diversas da minha, concordando ou não.
Mas, com a ressalva de que temos de esperar pelo dia de amanhã, face ao que se vem anunciando, a conclusão só pode ser a de que nada disto dignifica o poder político mas, concretamente, nada dignifica os vários protagonistas directos neste escândalo vergonhoso, incluindo quem se deixa usar. 

Além disso, a concretizar-se amanhã o anunciado, ficará a sensação de que as agendas em Belém são feitas muitas vezes por certos OCS e mais concretamente pelas ligações a eles…….que se sabe quem são. 
Este mundo é pequenino, e uns quantos disto se esquecem. Coisa que não os preocupa, cientes de que 99,9999% dos cidadãos portugueses não quer saber disto para nada nem das poucas vergonhas concretizadas por esta gentalha.
Pois nem se inquietam com o estado de emergência concreto em que nós estamos, mas não formalmente determinado constitucionalmente, quanto mais com coisas da tropa como pejorativamente tantos gostam de dizer.

António Cabral (AC)

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

PAI  NATAL  a  23  e  NÃO  a  24  DEZEMBRO

Gouveia e Melo vai ser o próximo chefe do Estado-Maior da Armada.  Vice-almirante deverá tomar posse na próxima quinta-feira, apurou a TSF.

Prossegue o cumprimento do plano. Aguarde-se algum tempo para ver se se vai perfilar para Belém. Naturalmente, felicidades.

AC

Ps. Um amigo meu, marotão, brincalhão, telefonou-me a dizer que os fabricantes de "drones" estão contentíssimos. Depois de pensar um bocado percebi o que ele queria dizer.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

E  SABER  O  QUE  NÃO  SABEMOS ?

Em 8 de Novembro de 2014, no Expresso, faz hoje exactamente 7 anos, Miguel Sousa Tavares (MST) discorreu sobre a Nação, condecorações, heróis, banalização das condecorações, dignidade, empresários, maçonaria, notáveis, artistas, desportistas, administradores de empresas, intelectuais e muito mais.  

MST começou o texto por referir que há mais de 100 anos que não se regista feito militar digno desse nome.

Estou a recordar este artigo de opinião exactamente a propósito de muita coisa da política e da justiça do nosso presente, e a propósito também de quem foi alcandorado a herói e que parece continuar a deixar que o seu nome e prestígio sejam usados por gente (civil e militar) de discutível craveira intelectual e com aparências de a soldo de interesses obscuros de origens diversas, podendo com facilidade vislumbrar-se um ou dois mandantes. Na sombra, claro.

A afirmação supra de que parece continuar a deixar-se usar baseia-se apenas em factos noticiados e que os OCS só saberão se lhes forem facultados. É disso exemplo a referência nos OCS a ter estado numa esplanada com um amigo e ser muito cumprimentado por transeuntes. Para quem se afirma reservado e não querer ser político há qualquer coisa que não parece bater certo. Como não bate certo o desejo de uma vida militar, apenas, e, cumulativamente, haver um corrupio de sucessivos e sempre convenientemente publicitados eventos como, conferências, palestras, visitas, almoços, etc. Nisto tudo, algo parece deslocado. Ou todos os cidadãos comuns são tolos, e tudo interpretam maldosamente?

Nesta sucessão de episódios nitidamente enquadráveis numa campanha muito bem orquestrada e de inédita promoção pessoal existe um elemento essencial, a comunicação social.

A comunicação social é um fazedor de opinião. Os diferentes órgãos de comunicação social são fazedores de opinião. A comunicação social, designadamente em Portugal e concretamente em relação a defesa nacional e muito em particular no referente às Forças Armadas, condiciona a opinião pública. Nas últimas semanas, através de certos textos, tem ficado mais forte a sensação de que alguns órgãos de comunicação social parecem estar subordinados a interesses que é legitimo considerar de inconfessáveis ou, pelo menos, esquisitos. Tem ficado muito claro, quer o escamotear de factos quer uma certa campanha de desinformação da opinião pública.

Nas últimas semanas e em particular nos últimos dias cresceram os textos abordando, a sucessão na chefia da Marinha, as posições e silêncios do Presidente da República (PR), o papel do seu chefe da Casa Militar, o futuro do ex-coordenador da estrutura criada e recentemente encerrada pelo governo para o programa de vacinação Covid. E, nos últimos textos, maior realce vem sendo dado a fontes da defesa (!?!?), a generais em que uns pedem o anonimato e outros não, e chegando-se ao ponto de, sem ser assim explicitado, se alegar ilegitimidade nos normais actos administrativos do actual chefe da Marinha, com o argumento de que esses actos (por exemplo, promoções) competirão a um futuro chefe.

Como recordado pelo PR, quer o chefe da Marinha quer o chefe do Exército foram por si reconduzidos, recondução que, portanto, lhes confere todos os legais poderes durante mais um mandato como chefe do Ramo respectivo. Mandato confirmado para um período de 2 anos. Nenhum desses chefes militares está diminuído nos seus poderes. 

Considerarão certos jornalistas e as suas nunca esclarecidas fontes (!?!?), que o actual chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) que também foi recentemente reconduzido pelo PR por mais dois anos, se deverá igualmente abster de tomar decisões uma vez que estará no cargo por pouco tempo, e tudo deverá ser "congelado" para decisão do seu sucessor? 

Estamos perante um jornalismo de discutível qualidade, um jornalismo que, olhando a muitos outros anteriores exemplos mostra não primar, pelo rigor na informação e pela credibilidade. Um jornalismo que denota recorrer a algumas fontes desconhecidas do cidadão comum  mas em relação às quais, atentos os seus "préstimos" inseridos em certos artigos e notícias, se pode legitimamente duvidar da sua isenção, competência e credibilidade. 

Aos jornalistas, atenta a legislação que enquadra a sua profissão, é requerido que relatem factos com rigor e exactidão, e relatem uma  interpretação honesta e isenta desses factos. Que ouçam de facto as partes. Que cumpram os seus deveres. Que tenham bom senso, soprando para o lado a espuma do tempo. Que critiquem, mas que lutem, pela decência na vida pública, pela transparência, contra o compadrio e que dele se excluam. Que respeitem as regras deontológicas a que estão formal e legalmente obrigados. Que se lembrem que, uma democracia madura, sólida, requer jornalismo e jornalistas que prossigam de acordo com o que acima recordo. 

Presta-se um péssimo serviço à democracia e às suas instituições se os valores da, liberdade,  independência, imparcialidade, isenção, respeito, responsabilidade, exemplo, civismo, respeitabilidade probidade, não estiverem todos os dias presentes no jornalismo.

Há décadas que se observa que em Portugal muitos servem, muitos serviram, sempre sem se servir. Mas muitos se serviram, muitos se continuam a servir. Lamentável, deplorável. Voltando às últimas notícias a que acima me referi, e concretamente à última do DN, a minha conclusão é de que vários aspectos que indiquei e que são seguidos por vários jornalistas, não parecem estar presentes nestas recentes notícias.

Por exemplo, refere-se uma certa estranheza quando a algum desprezo do PR pela equipa de coordenação do programa de vacinação Covid mas, mais à frente, indicam uma visita ao centro de vacinação de Alcabideche, a 22 de Agosto, com o então coordenador a seu lado, onde o PR não deixou de o felicitar publicamente pelo "grande sucesso da vacinação". Esqueceram-se, também, de lembrar que antes de ter terminado a sua missão, o PR condecorou o então coordenador da vacinação, numa altura em que ainda não tinha terminado a sua missão, facto pouco habitual. Habitual é, quando tal considerado adequado, premiar, louvar, condecorar alguém que se desempenhou com elevado mérito na sua missão. Isso é que é usual, no fim da missão.

Por exemplo, este tipo de jornalismo ao mesmo tempo que ecoa popularidade e prestígio de alguém o faz de um modo tão desproporcionado que a super-exposição do visado o começa progressivamente a prejudicar dadas tão efusivas, excessivas e constantes loas na praça pública. Chegam ao ponto de afirmar que o sonho do ex- coordenador do programa de vacinação Covid é ser chefe da Marinha (CEMA). E se calhar não é, querem-no lá para não correrem o risco de o terem noutro poiso.

Por exemplo, querem docemente convencer o cidadão comum de que foi uma muito infeliz coincidência ter ocorrido a notícia da inqualificável intenção do sr Cravinho em relação ao actual Chefe da Marinha precisamente no dia em que o herói das vacinas deixava funções de coordenação do grupo coordenador do programa de vacinação Covid. É mesmo ter o cidadão comum como parvinho de todo.

Por exemplo, referências a que apuraram ter havido determinados acordos para, depois, colocarem certas curiosas fontes a apresentar dúvidas e perguntas directas.

Por exemplo, referirem sempre fontes da defesa, mas não saberem dessas fontes se o governo tinha de facto uma escolha definida para futura chefia da Marinha. Ainda por cima, com tanto acesso a fontes da defesa podiam, por uma questão de rigor, esclarecer o povo ignaro se a escolha tinha ficado, apenas ao nível informal do ministro da tutela coadjuvado pelo seu conselheiro militar, ou se tinha ficado abordada em conversa deles com o Primeiro-Ministro, ou se tinha sido formalmente discutida e aprovada em conselho de ministros e, em consequência, se tinha sido formalmente apresentada ao PR.

Por exemplo, e certamente de acordo com as suas fontes da defesa, elucidam que tinha sido acertado com o governo a substituição da chefia da Marinha até ao final do corrente mês. Extraordinário detalhe de informação rigorosa. 

Por exemplo, certamente baseados em fontes da defesa, sabem que as famílias do PR e do ex-coordenador do programa de vacinação foram muito próximas no tempo colonial. Mais um detalhe interessante. Verdadeiro?

Enfim, como se fossemos todos muito burros.

E saber o que não sabemos? Devíamos ser esclarecidos, com rigor.

Esta, a questão para mim primordial.

Querem fazer crer que o CEMA vai ser corrido até ao fim deste Novembro. Porquê a pressa, quando o ex-coordenador do programa de vacinação não está em risco de passar à reserva por atingir o limite de idade em posto (só no final de 2022)?

A fazer fé nas últimas notícias, porquê tantos generais a pronunciar-se sobre estes pseudo dramas na Marinha, sobre o futuro de um vice-almirante da Marinha, sobre o chefe da Casa Militar, sobre o PR?

Receios de que no próximo governo o ministro da defesa seja uma pessoa completamente diferente do sr Cravinho?

Receios de que a popularidade conquistada pelo ex-coordenador do programa de vacinação Covid e sucessivamente empolada na comunicação social, seja já insuportável para o governo ainda em funções, seja já insuportável para muitos políticos de diferentes partidos, seja já insuportável para muitos conselheiros na sombra, seja improvável que venha a chefiar a Marinha no muitíssimo curto prazo, e seja portanto plausível que o queiram encaixar como Chefe do Estado-Maior general das Forças Armadas em substituição do actual, que se sabe andar cansado, e pretender regressar aquilo que gosta e que é lecionar?

Pois, devíamos saber o que não sabemos. 

Uma coisa sei, andam por aí muitos que estão cada vez mais nervosos, não sei se consequência de estarem sempre na sombra. Tão nervosos que, sendo fontes anónimas muito interesseiras, o seu nervosismo está a levá-los a que os serviçais escrevam cada vez mais, escrevam de forma precipitada e nada brilhante, e ao arrepio das regras do jornalismo sério, rigoroso, independente.

Isto tudo me lembra que as balas ás vezes fazem ricochete!

António Cabral (AC)

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

OCS, A VOZ do DONO

É frequente nos dias contemporâneos invocarem-se determinados indicadores a propósito de, produtos, marcas, serviços e mesmo de pessoas. Por exemplo, fala-se muitas vezes de, sustentabilidade, consideração, liderança, ética, compromisso, relevância, confiança, inovação.

Vem isto a propósito não de serviços, não de marcas ou produtos mas de alguns órgãos de comunicação social, de alguns jornalistas, de alguns políticos e de alguns militares. Estive a reler um texto no Diário de Notícias da autoria da sra Valentina Marcelino em que, uma vez mais, vem zurzir no actual e reconduzido Chefe do Estado-Maior da Armada a propósito do dito almirante ter tido o desplante de ver se pode ter um novo vice -almirante como Comandante Naval. 

A sra Valentina não o explicitou, mas em tudo o que deu à estampa fica claro que entende que a acção do CEMA é um verdadeiro despautério. Todo o artigo cheira a nojenta encomenda. Mais uma. Encomenda de quem, ao certo, nunca se pode provar, pois o velhaco por trás disto sempre na vida actuou na sombra. Mas na dúvida telefonei ao meu melhor amigo militar, que é almirante reformado da Marinha e conversámos sobre o assunto. E confirmou-me o meu pressentimento e muito mais, que não se poso aqui escrever.

A sra Valentina evoca fontes da defesa. A senhora e o mandante para este vergonhoso texto consideram todos os outros completamente tolinhos. Para a sra Valentina, o actual CEMA não tem, portanto, legitimidade para gerir a Marinha. Tudo o que ele faça é um despautério. Porventura, a sra Valentina gostaria que, depois dos "equívocos", tivesse sido publicado em Diário da República um despacho do sr Cravinho a determinar que todos os actos administrativos do actual CEMA tinham de ter prévio despacho favorável do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas coadjuvado pelo seu herói. Coisa que não deve ser difícil pois CEMA e CEMGFA são do mesmo curso da Escola Naval!

De facto, noções de direito administrativo, ética, consideração, respeito, confiança, não são atributos desta gentalha, os que escrevem as encomendas, os mandantes, e os que contribuem para a vergonhosa atitude para com o CEMA e a instituição Marinha. Deplorável.

Este jornalismo avençado é mais do que um jornalismo deslumbrado e cego pela presunção balofa de protagonismo. A frase atrás sublinhada  foi a explícita denúncia pública de uma conhecida jornalista. Este tipo de jornalismo é mais do que isso, é um esgoto, e constitui-se como péssimo serviço à democracia. Claro que no campo a que me estou a referir neste texto, isso não interessa nada para o mandante na sombra e seus acólitos. Vou esperar mais uns dias pois palpita-se que sobre este assunto outro vómito deve aparecer da autoria de um pantomineiro que nem 3 anos de ares na Europa conseguiram polir. 

António Cabral (AC)

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

O  PRESIDENTE  JÁ  DISSE  TUDO ???
Começo pela questão da vírgula. Por exemplo, pode ser:
- Não quero saber!
- ou - Não, quero saber!
Diferente não é? 
EU QUERO SABER!   EU QUERO SABER! 
E SEI QUE OUTROS, INFELIZMENTE POUCOS, TAMBÉM QUEREM SABER.

Passaram semanas desde que SExa à saída de um dos seus muitos passeios diários disse que havia três equívocos e, pouco depois, emitiu para os ignaros cidadãos comuns um comunicado super lacónico, aí se dizendo que os ditos equívocos tinham sido esclarecidos! 
O Presidente (PR) já disse tudo? Essa agora.
Continuamos com esta farsa de faz de conta e, como é/ foi emitido por Marcelo Rebelo de Sousa o Presidente da República pronto, querem (ele, mas sobretudo outros envolvidos bem conhecidos) que "isto" fique assim, toca de engolir, mesmo que arranhe a garganta, mais do que a espinha do carapau.

Sim, refiro-me outra vez à vergonhosa actuação política de uns quantos que queriam JÁ a exoneração do Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA). Disseram-nos, concretamente e, para começar, o texto do Palácio de Belém -"ficaram esclarecidos os equívocos suscitados a propósito da chefia do Estado-Maior da Armada". FICARAM ?

Eu, como muitos outros civis e militares, com coluna vertebral, gostaríamos de saber quais as razões que levaram o senhor Cravinho e o seu ajudante a querer correr JÁ com o Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA). 
Sim, eu sei, sei que 99, 9999 % dos meus concidadãos não querem saber disto para nada e, por isso, os farsolas assim continuam caladinhos, com esta pouca vergonha por esclarecer. 
Mas eu e outros QUEREMOS SABER, NÃO DESISTIMOS.
O Presidente certamente sabe, o PM certamente sabe mesmo fazendo sempre parecer que não tem nada a ver com nada, o senhor Cravinho obviamente que sabe, o CEMGFA obviamente que sabe, e ainda outros devem saber. 

E quero/ queremos saber porque:
- é matéria muito importante e que, contrariamente ao que ficou evidente, não foi tratada nem está a ser tratada com decência e discrição; 
- há/ houve causas, a esclarecer, e apuradas responsabilidades;
- colocaram em causa, o Estado democrático, o Estado de direito, instituições, separação de poderes, responsabilidades constitucionais, subordinações constitucionais;
- é imprescindível uma saudável inserção das Forças Armadas na sociedade e na nação;
- estão em causa valores e princípios fundamentais;
- está em causa o serviço público;
- está em causa a questão decisiva do serviço público em sociedade - servir, e não, servir-se.

"O Presidente da República já disse tudo", afirmou já o sr Cravinho. 
Não, não disse.
E eu quero saber!

António Cabral (AC)

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

O Estado a que isto chegou 

1º - 28 de Setembro (onde é que já ouvi falar desta data?) a 2 de Outubro do corrente ano é o período durante o qual, aparentemente, se desenvolveram decisões políticas e administrativas que acabaram por "explodir" na praça pública com reverberações diversas. Mas isto vem muito lá de trás.
Refiro-me obviamente ao que uns dizem ter sido protagonizado pelo ministro da tutela formal (MDN) das Forças Armadas (FA), outros dizem envolver naturalmente o primeiro-ministro (PM), outros consideram que por trás de tudo estão eles e muito também o actual chefe do estado-maior general das Forças Armadas (CEMGFA), outros ainda que o Presidente da República (PR) está envolvido desde o princípio (quando começou?), e ainda alguns, como eu, entendem que de há muito todos estão metidos nesta pouca vergonha e que o chamado almirante das vacinas há muito tempo saberia do desejo do poder político o querer para Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA). Poder político bem persuadido pelo primeiro assessor militar do MDN, o CEMGFA.

2º - Tem sido muito glosada a reação do PR travando, dizem, este estranho processo, que se percebe desenvolvido completamente à margem de normativos legais, à margem de princípios fundamentais, com desprezo absoluto pela Marinha, pelo seu actual chefe, pelos vice-almirantes no activo. O PR teve o cuidado de afirmar publicamente que o CEMA não sai, PARA JÁ! Nem vale a pena gastar muitas palavras mais, talvez esperar que não o exonerem no dia de finados. Parece-me evidente que todos, os calados na sombra, e quem se pronuncia publicamente, se qualifica a si próprio.

3º - Contrariamente ao que laconicamente se comunica NADA ESTÁ CLARO. E não está designadamente claro o envolvimento e desde quando do actual comandante supremo das Forças Armadas.
Cada semana que passa, e em relação aos mais diferentes sectores da sociedade portuguesa, é cada vez mais evidente o desprezo manifestado (por acções e inações) dos poderes políticos/ titulares de órgãos de soberania, por regras, por instituições, algo inaceitável num Estado democrático, de direito. 

4º - É trágico assistir-se cada vez mais ao - "servirem-se e não, servirem a sociedade". Muitos dos tristes "actores" do presente desprezam, culturas, história, até leis, actuando sem dignidade e sempre com jogos, ânsia de poderzinho pessoal e até vinganças. 
Não lhes importa manchar reputações de outrem, achincalhar procedimentos administrativos instituídos, queimar etapas, desprezar instituições. Não querem saber de princípios e valores, desprezam as palavras respeito, prestígio, coluna vertebral, hombridade.

5º - Isto não é nada bom para o nosso país, para a solidificação da democracia, do regime em que felizmente vivemos. Tenho-me interrogado, lá onde estão, o que pensarão disto tudo Melo Antunes, Salgueiro Maia e outros, que se esforçaram para alterar Portugal para melhor? Estou preocupado e muito zangado. 
E muito zangado porque ciente de que a realidade é terrível, e certos farsolas isso sabem perfeitamente. 
Sabem que não podem ser facilmente corridos, mesmo sendo conhecida lá no alto a sua tenebrosa manobra, e por isso prosseguem na sombra, sinistros.
António Cabral (AC)

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

E  ESTA,  Hein?
Acabei de tomar conhecimento deste texto, da autoria de um oficial reformado da Marinha, o Comandante Costa Correia, que teve papel relevante em diferentes períodos da fase inicial pós 25 de Abril de 1974. Pelo que leio, o Cte Costa Correia espera que, em relação ao que anda anunciado sobre a provável exoneração do actual Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), o actual inquilino em Belém mostre que não é um verbo de encher.
Veremos se o Cte Costa Correia acerta.

Ao Presidente da República: mostre que não é um verbo de encher.
A Imprensa informou que o Ministro da Defesa Nacional propôs ao Presidente da República a demissão do Almirante Mendes Calado do cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada. 
O Artigo 133 da Constituição estabelece que compete ao Presidente da República, sob proposta do Governo (que - recorde-se - é presidido pelo Primeiro-Ministro) - ouvido o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas - nomear e exonerar os Chefes de Estado-Maior dos três ramos das Forças Armadas.
Espero, assim, que o Presidente da República mostre que não é um verbo de encher. 

28. Setembro.2021
In Blog - <https://costacorreia.blogspot.com/2021/09/ao-presidente-da-republica-mostre-que.html?m=1>

Mas enquanto escrevo estas linhas, as notícias sobre este tema caem em catadupa, nos jornais e nas TV.  Publico uma delas com sublinhados a amarelo da minha parte:
Presidente da República lembra que é ele quem tem a palavra final, pelo que não haverá, para já, qualquer substituição do Chefe do Estado-Maior da Armada. Marcelo Rebelo de Sousa afirma que houve equívocos na polémica da exoneração do almirante António Mendes Calado e alegada substituição pelo vice-almirante Henrique Gouveia e Melo. Em declarações aos jornalistas, esta quarta-feira, o Presidente da República recordou que o mandato de Mendes Calado foi renovado a 1 de março deste ano, e que a renovação tem, habitualmente, a duração de dois anos - mas que, na altura, o almirante mostrou a disponibilidade para deixar o cargo mais cedo, para permitir que "pudessem aceder à sua sucessão camaradas antes de deixarem a atividade". No entanto, para Marcelo Rebelo de Sousa, ainda não chegou esse momento. "Há aqui um equívoco de momento", declarou.
Para o Presidente da República, além deste primeiro equívoco, foram registados mais dois. O segundo equívoco passa pela fundamentação para a alegada cessão de funções. Marcelo referiu que tem estado a ser apontada a intervenção crítica, feita pelo atual Chefe do Estado-Maior da Armada, sobre as alterações à Lei de Defesa Nacional - uma posição acompanhada pelos restantes chefes dos ramos militares.
O Presidente da República nota que, apesar de terem criticado as mudanças, a partir do momento em que foi decretada a lei, os chefes dos três ramos militares acataram-na e respeitaram-na, o que, para Marcelo, é um "exemplo de lealdade constitucional" - logo, nunca seria motivo para uma exoneração.
O terceiro e"equívoco" mencionado por Marcelo Rebelo de Sousa prende-se com o facto de se estar a falar numa "substituição". Ora, só poderá haver uma substituição depois de alguém terminar funções, recorda Marcelo, o que ainda não é o caso.
"Há um momento adequado para falar de substituição, que não é este", declarou.
O Presidente da República lamentou ainda que o nome do vice-almirante Gouveia e Melo tenha sido envolvido na polémica. Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que o vice-almirante merece, pela sua carreira, as insígnias que recebeu e, pela sua atuação na task force, a admiração de todos os portugueses. Pelo seu "mérito e classe", defende Marcelo, dispensava ser "envolvido numa situação de atropelamento de pessoas e instituições".
Na ótica de Marcelo Rebelo de Sousa, há que "salvaguardar a reputação das pessoas envolvidas e o prestígio das instituições" e quando chegar o momento de tomar a decisão de substituir o Chefe do Estado-Maior da Armada, só há uma pessoa que tem o poder de tomá-la: o Presidente da República.

Assim, se bem percebo isto tudo, o Presidente da República não aceitará exonerar, PARA JÁ, repito o PARA JÁ, o actual CEMA o que, legitimamente, será como que mostrar um cartão amarelo ao governo, concretamente ao PM António Costa que, como é habitual nele parece que nada disto partiu dele ou teve alguma coisa a ver com ele e, naturalmente, ao inenarrável ministro Gomes Cravinho jr, e ao actual Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

Mas, pela conversa de Marcelo Rebelo de Sousa, percebe-se que ele quer que o actual CEMA saia a seu pedido, sem ser empurrado, uns dias antes do vice-almirante das vacinas ter que passar à reserva por  atingir o limite de idade. Coisa que aconteceu a dezenas e dezenas, é a vida militar. 

Portanto, dando uns ares de que não é um verbo de encher, na feliz referência do Cte Costa Correia, mostra-se verdadeiramente um Salomão. 
Ora país nenhum progrediu com verbos de encher. 
Mas dificilmente a sociedade portuguesa melhorará com Salomões!

Por fim, uma coluna vertebral sã nunca permite que a usem nos jogos e insídias de terceiros. 
E certa gentalha, se tivesse coluna vertebral, que NÃO TÊM, esses sim, demitiam-se, JÁ, depois do que disse o PR!

António Cabral (AC)

O  VULCÃO

Não, não é o vulcão em erupção na ilha de La Palma.

É o vulcão socialista que vai submergindo a sociedade portuguesa, em que a LAVA nojenta e viscosa alastra por todo o lado e submerge completamente já as Forças Armadas, e se já existia uma submissão total (governamentalização das FA) ao nível do Estado-Maior General das Forças Armadas, arrasam agora a Marinha preparando sem uma ponta de vergonha na cara a exoneração do actual Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA).

A LAVA chegou ao MAR (inha). Creio que vou poder confirmar dentro de 2 ou 3 dias que a exoneração inqualificável do CEMA actual terá o aplauso do inquilino em Belém.

Este execrável acontecimento, esta patranha de palácios e políticos e alguns militares TAMBÉM VAI FICAR PARA A HISTÓRIA.

Esta gente não se incomoda nada, mas para que fique claro, não têm o meu respeito de cidadão, nunca os cumprimentarei, e nunca ninguém me verá a aplaudir esses farsolas em reuniões públicas seja depois de eleições seja em outras ocasiões. 

É que eu tenho coluna vertebral.

AC

terça-feira, 28 de setembro de 2021

A  REFORMA (??)

A reforma……..…. refiro-me aquelas duas peças engendradas por bem conhecidas personagens (essencialmente três civis + dois militares) principalmente naqueles andares do edifício ao Restelo, e a que certamente se juntaram servidores venerandos e agradecidos. 
As peças tiveram depois o aplauso unânime do Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN) (nada de espantar; onde os Chefes militares da Marinha, Exército, e Força Aérea não têm assento; tem assento o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas que, ao que se sabe, apadrinhou entusiasticamente a legislação) e do Conselho de Estado (CE) (onde terá havido tímidos reparos aos projectos, mas como a transparência é aquele conhecido activo da sociedade portuguesa, o povão não tem direito a saber as coisas concretas). Depois desses aplausos laudatórios, as peças foram convertidas em projectos, limados e aprovados na Assembleia da República (nada de espantar), e que o nosso PR constitucional promulgou, havendo a seguir referenda e publicação em DR. São assim leis novas, em vigor, e já começaram a dar frutos, perfeitamente expectáveis.

Seguem-se a curto prazo as alterações/ adaptações dos decretos regulamentares respeitantes aos Estados-Maiores, General das Forças Armadas (EMGFA), Armada (EMA), Exército (EME) e Força Aérea (EMFA).
Pelo que tenho lido desde o início desta telenovela mexicana, na presente situação do país há quem (a esmagadora maioria) se esteja completamente borrifando para que agora exista - um que manda nisto tudo.

E, de facto, quem na sociedade portuguesa se interessa realmente para que agora exista "um Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) a mandar nisto tudo, ou se os Chefes do Estado-Maior (CEM) dos três ramos podem ou não despachar directamente com o MDN, ou se deliberam sobre mais ou menos matérias em Conselho, ou até em que cadeira se sentam nos actos protocolares".

Esta (mais ou menos recente) explicitação supra é da ANS (Associação dos Sargentos das Forças Armadas) e parece-me pertinente. E os sargentos acrescentaram que "os sucessivos governos e chefias (algumas, que até assinaram a “carta dos 28”)», terem conduzido a instituição militar ao que apelidam de «Comissão Liquidatária das Forças Armadas". Depois, a ANS identificou - «as bases remuneratórias dos cargos de CEMGFA, CEM e respectivos vices, são tratadas fora da tabela remuneratória dos militares»,  «promoções e respectivos direitos funcionais e remuneratórios serem feitos a tempo e horas», se passarão a ter direito «a usufruir, para serviços idênticos suplementos idênticos, à semelhança de outros militares portugueses (mas que são tutelados por outro ministério)» ou se deixará de haver «primeiros-sargentos com mais de vinte anos no posto e sem perspectivas de promoção». Recordaram ainda a questão do Regulamento de Avaliação, que consideram ser um «agente perturbador da coesão e disciplina, que está a ter um efeito nefasto por força das ultrapassagens nas promoções, agora também já no posto de Primeiro-sargento». Adicionalmente, a ANS reclama para as associações militares «o reconhecimento da capacidade de representação jurídica dos associados e a capacidade de negociação colectiva».

Lê-se e ouve-se nos OCS que o ministro Cravinho e os seus directos colaboradores civis e militares andam ufanos com esta grande reforma. Supõe-se que Marcelo Rebelo de Sousa também, pois nada contestou. De António Costa, à margem de quem nada se faz, como é costume, durante o tempo de gestação das ditas peças nunca falou destes assuntos. Exalou há poucos dias umas loas, por ocasião de aniversário do EMGFA, e botou agora discurso breve e muito sorridente na cerimónia de despedida ao vice-almirante das vacinas. Despedida muito conveniente digo eu, embora outros digam que é por a missão estar concluída.
Da massa imensa de cidadãos comuns portugueses, talvez umas dezenas se interessem e se preocupem com assuntos militares, e das Forças Armadas. Fora esses muito poucos, a generalidade questiona - "para quê a tropa"?

Esta autêntica telenovela mexicana foi gerada em poucas semanas, pouco mais de quatro meses, creio, e suscitou, elogios, aplausos, encómios, incluindo de muitos comentadores e jornalistas e, ao longo das semanas surgiram publicamente, dúvidas, consternação, críticas, comentários, repúdio, por parte de, dois ex-presidentes da República, vários antigos chefes militares, vários oficiais generais particularmente do Exército, outros oficiais, jornalistas, académicos, políticos etc.

Para além de tudo o respeitante à postura de políticos vários, recordou-me um grande amigo uma frase antiga relativa a militares e que não deixa de manter actualidade - Calados no activo, muito activos na reserva e na reforma. Nisto tudo, que actores a considerar? Titulares de Órgãos de Soberania, políticos diversos, académicos, militares, jornalistas.

Bom, isto não interessa para nada, vou ser mais directo e bruto e com palavras terra a terra que melhor se aplicam ao que vem sendo engendrado. Nada de conversa com elevação.

Os 99,999999 % dos portugueses querem lá saber das coisas militares, e menos querem saber de jogadas e de substituições de chefias militares. Milhões estarão agora tristes mas é com a derrota do Sporting em jogo internacional, e outros milhões tristes com a derrota do Porto.

Portanto, o Presidente de República que sancione as propostas do governo sobre tudo o que for militar que é de certeza bem decidido.

Disse, a bem da Nação.
AC