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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

CONVERSA  da  TRETA  versus  REALIDADE
Há conversa fiada, há conversa da treta, e há realidades.

Conversa da treta/ fiada sobre a Ucrânia, sobre o estado social, sobre a guerra, sobre a paz, sobre Ormuz e Bar-El-Mandeb, sobre género, sobre clima, sobre economia, etc.

Há realidades por exemplo em relação à vida económica, à vida das pessoas.
 
E neste domínio há duas classes: 
- os que são pagantes líquidos de impostos, e que são sobretudo trabalhadores e empresários do sector privado,

- e os receptores líquidos de impostos que são, nomeadamente, a classe política, o funcionalismo público, os servidores do Estado, os  pensionistas e os reformados como eu.

Sobre impostos concretamente, temos constante conversa fiada/ da treta, com promessas, inexequíveis umas quantas, e sobretudo outras sempre na base - eu já tinha proposto!

Sobre defesa e forças armadas, que não são sinónimos, temos 50 anos de conversa fiada/ da treta entremeada com inanidades e vacuidades como "os melhores dos melhores".

Sobre habitação temos conversa fiada/ da treta há décadas, e tivemos  como cerejas no topo dos bolos as promessas do desprezível habilidoso.


É sempre só conversa fiada e da treta, diga Montenegro o que disser, digam o que disserem Carneiro, os vários Tavares, Ventura, os Pintos, Brilhante, o cretino trauliteiro, o Santos, o Carlos, os Costas, as várias Leitão, os diferentes Soares, etc.

Triste sina a dos milhões de cidadãos comuns como eu, não passamos disto !
AC

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Como já referi e ainda conservando alguma paciência estou calmamente a reler discursos agora com atenção.
Aqui fica o da,

Intervenção do Presidente da República 
e Comandante Supremo na Cerimónia de apresentação das Forças Armadas
28 de março de 2026

(comentários meus, sublinhados meus)

É para mim uma honra presidir a esta cerimónia, aqui na cidade de Santarém, berço de tantas tradições e palco de momentos históricos que moldaram Portugal. Santarém é, por excelência, uma cidade que acolhe, que abraça e que valoriza os seus acontecimentos cívicos e militares. Neste dia, como em tantos outros, demonstra a sua capacidade singular de unir património, memória e identidade nacional ao serviço das causas maiores do nosso país.

Santarém recebe por mérito próprio esta cerimónia, onde ecoa a lembrança de uma figura singular da nossa História recente: o Capitão Salgueiro Maia.

Daqui partiu uma força militar, comandada por este homem cuja determinação, coragem e liderança contribuíram decisivamente para mudar o rumo de Portugal.

Assim, recordar hoje Salgueiro Maia é celebrar a liderança virtuosa, a integridade sem concessões e o sentido de dever absoluto que caracteriza a excelência do nosso povo e das nossas Forças Armadas.

Dirijo por isso uma palavra de profundo agradecimento à família de Salgueiro Maia, na pessoa da Senhora Professora Natércia Maia, bem como à Associação Salgueiro Maia que continuam a avivar o legado daquele que é um dos maiores símbolos da liberdade.

Agradeço igualmente à Associação 25 de Abril, guardiã da memória daqueles que, com sacrifício e abnegação, devolveram ao povo português o direito de ser livre.

Quero também prestar homenagem aos Antigos Combatentes que em momentos difíceis da nossa história serviram Portugal com coragem, sacrifício e sentido de dever. A sua entrega, muitas vezes marcada por sofrimento e perda, permanece como um exemplo de dedicação à Pátria e serviço a Portugal.

Com este desígnio, expresso a profunda consideração pelas Forças Armadas Portuguesas, instituição que há quase nove séculos tem afirmado o seu espírito de bem servir o nosso país, dentro e fora das nossas fronteiras. É graças ao vosso profissionalismo, competência, dedicação e disciplina que Portugal continua a ser um exemplo de credibilidade internacional, de solidariedade, de capacidade de resposta e de cooperação multilateral.

E é a vós, aqui hoje, em Santarém, nesta cerimónia de apresentação das Forças Armadas, que, enquanto Comandante Supremo, vos dirijo as minhas próximas palavras de reconhecimento.

As nossas Forças Armadas representam um pilar (podia ter referido que é o pilar militar da defesa nacional mas que não é a defesa nacional) fundamental da nossa democracia e uma das instituições mais nobres enquanto comunidade nacional.

Numa sociedade livre, as Forças Armadas são, antes de mais, uma instituição ao serviço do povo, subordinada à Constituição da República e ao poder democrático legitimo. A vossa força não reside apenas na capacidade operacional.
Reside também na condição militar (e aqui podia ter referido que grande parte da legislação que respeita à condição militar tem sido desprezada pelos sucessivos titulares de ´órgãos de soberania), na neutralidade política e no compromisso absoluto com os valores do Estado de Direito Democrático. Esta fidelidade à democracia é um dos maiores patrimónios das Forças Armadas de Portugal.

Ser militar em democracia impõe, por isso, um equilíbrio exigente: cumprir com determinação todas as missões, mantendo sempre o respeito pelas instituições, pelos direitos fundamentais e pela vontade soberana dos cidadãos. Exige também uma consciência clara de que a vossa autoridade decorre da confiança do povo. Uma confiança que se constrói todos os dias, com profissionalismo, integridade e sentido de serviço.

Soldados de Portugal

Vivemos hoje um contexto internacional particularmente exigente, marcado por incertezas e novas ameaças. A comunidade internacional atravessa um período de mutações profundas, de uma potencial fragmentação política, de erosão do Direito Internacional, de tentativas de esvaziamento das organizações multilaterais e de uma preocupante reemergência de conflitos armados de alta intensidade, com expressão mais recente na Europa e no Próximo e Médio Oriente.

Desde o início do conflito na Ucrânia, a Europa despertou para uma realidade que muitos julgavam ultrapassada.

A perceção do valor inquestionável da segurança coletiva alterou-se de forma abrupta, obrigando os Estados a tomarem medidas compatíveis com a missão de defesa e salvaguarda da soberania nacional e do nosso Povo.

Os compromissos internacionais que assumimos bem como a evolução dos sistemas e a necessidade de maior interoperabilidade com os nossos Aliados na União Europeia e na NATO, exige-nos o investimento, a modernização e o reforço das capacidades militares. Não, exige-se em primeiro lugar ponderar com urgência (e já estamos atrasados) que Forças Armadas deve Portugal ter; continuamos com o modelo de sempre, sem atendermos ao que a nossa dimensão Oceãnica e inerente jurisdição que sobre ela temos impõe; não param para pensar, ponderar, fica/ ficam-se pelos chavões habituais)

A estes desafios somam-se outros de natureza global como: as alterações climáticas e as catástrofes naturais associadas, a emergência de tecnologias disruptivas, com impacto direto na economia e no domínio militar, as pressões demográficas e os fluxos migratórios significativos, bem como a crescente competição por recursos energéticos e naturais críticos.

Uma complexidade de temas que exige uma resposta refletida e coordenada. Foi com este objetivo que convoquei o Conselho de Estado para o próximo dia 17 de abril, exclusivamente para analisar Segurança e Defesa (a política de defesa cabe constitucionalmente aos governos, está a começar a seguir as más pisadas de Marcelo, só lhe falta dizer - são/ somos os melhores dos melhores).

Trata-se de um quadro complexo, dinâmico e de risco acrescido, que exige dos Estados uma atitude mais assertiva das Forças Armadas um nível de prontidão e modernização sem precedentes.

Por isso, quero deixar claro: as Forças Armadas podem contar com o meu total apoio num reforço que se pretende sério e equilibrado de modernização. Podem contar com o meu apoio, mas importa frisar que esta necessidade de modernização ocorre em simultâneo, num quadro de urgências nacionais em particular nas áreas sociais (e aqui lá começou a travar o entusiasmo!).

Este investimento tem de ser um investimento inteligente. (continuou a travar)
Um investimento que envolva e valorize a indústria nacional, que ajude a criar mais riqueza e melhores empregos no nosso país. Um investimento que estimule a inovação tecnológica e reforce um sistema científico nacional capaz de servir tanto a economia como a defesa do nosso país. Um verdadeiro sistema de aplicação dual ao serviço de Portugal e que permita posicionar o nosso país como referência em determinadas áreas tecnológicas.

Nesta matéria, importa reconhecer que a indústria de defesa nacional e europeia, apesar das evoluções verificadas no passado recente, enfrenta ainda limitações. A velocidade de resposta industrial está a crescer, no sentido de uma resposta articulada às necessidades prementes de reequipamento, inovação e investigação. Esta realidade tem impactos, não apenas na modernização das Forças Armadas, mas também no processo da atratividade da profissão militar e na permanência de militares ao serviço de Portugal.

Modernizar não é apenas adquirir meios. É cuidar das nossas mulheres e homens ao serviço de Portugal.

É melhorar condições, valorizar carreiras, garantir previsibilidade e dignidade a quem serve o nosso país com tanta dedicação. É assegurar que cada militar tem os meios, a formação e o apoio necessários para cumprir a sua missão com segurança e com defesa.

Minhas senhoras e meus senhores

Hoje, mais do que nunca, precisamos de tornar a carreira militar atrativa para os nossos jovens (blá, blá, blá, blá).

O pleno reconhecimento da condição militar, distintiva e única no espetro nacional (não esteve em governo, não foi chefe de partido, não foi líder parlamentar, o que fez 
então para isto?), bem como das pensões e incentivos associados, a par da resposta na qualidade da formação técnica de alta qualidade e a ampliação de capacidades tecnológicas, constituem medidas essenciais, quer para o incremento de talentos nacionais, quer para garantir que os nossos quadros permaneçam motivados, empenhados e capacitados para enfrentar os desafios do presente e do futuro.

Não há Forças Armadas sem recursos humanos, e por esta razão é imperativo afirmar, com ações consequentes, que as “pessoas” continuam a ser o principal pilar das Forças Armadas.

A profissão militar continua a ser uma das mais nobres que um cidadão pode abraçar. Requer disciplina, sacrifício, disponibilidade permanente, lealdade e um profundo sentido de missão. Impõe um compromisso diário com Portugal, com o bem comum e com os valores que nos definem como nação. Cada militar, independentemente do seu posto ou função, é um exemplo vivo do serviço (pessimamente remunerado) a Portugal.

Militares de Portugal

Como vosso Comandante Supremo das Forças Armadas, assumo hoje perante vós, o compromisso de promover a valorização da cidadania nacional, essencial no reforço da coesão e prestígio das Forças Armadas. Desenvolver os esforços adequados no sentido de elevar a prontidão, a capacidade operacional e a interoperabilidade das Forças Armadas, que são um imperativo nacional.

Defendo uma modernização que não se limite aos equipamentos, mas que vá mais longe. Que integre os diferentes vetores de desenvolvimento nacionais e que fortaleça a cultura organizacional. (pois)

Esta transformação deve continuar a abranger outras dimensões, como o contributo das Forças Armadas para a inovação nacional. Hoje, mais do que nunca, a cooperação com a indústria, com os centros de investigação e com as universidades, é decisiva. É desta colaboração que nascem novas soluções, novas capacidades e novos conhecimentos que fortalecem o nosso país.

Este trabalho conjunto gera impacto real: impulsiona a economia, promove o desenvolvimento nacional e afirma Portugal como um país moderno, atrativo e referencial no quadro europeu e internacional.

É com esta visão integrada que continuaremos (continuaremos pressupõe que já vinha sendo feito, certo?) a construir Forças Armadas capazes de atuar com credibilidade em todo o território nacional e nos espaços interterritoriais, sempre harmonizadas com os nossos aliados e parceiros internacionais.

Quero ainda aproveitar este momento para dirigir uma palavra de sentido agradecimento aos nossos militares que integram missões fora das nossas fronteiras e respetivas famílias que constituem o seu apoio incondicional de retaguarda.

Como Comandante Supremo das Forças Armadas quero que saibam que valorizo o vosso papel único e essencial na promoção e desenvolvimento da segurança e estabilidade internacional. Enquanto vetor fundamental da política externa portuguesa, as nossas Forças Nacionais Destacadas, afirmam todos os dias os nossos compromissos internacionais cumprindo as mais variadas missões no âmbito da NATO, da União Europeia, da ONU e da CPLP. O vosso sentido de missão, amplamente apreciado pelos nossos parceiros internacionais, robustece, a fiabilidade, a credibilidade e a responsabilidade de Portugal na defesa coletiva e na promoção da paz e dos direitos humanos.

Sei que por detrás de cada missão há famílias, há ausências, há riscos assumidos com coragem. Sei o que significa partir sem saber exatamente quando se regressa, cumprir longe de casa, muitas das vezes em contextos difíceis, perigosos e exigentes. E sei também que, muitas das vezes, o vosso trabalho não é visível, mas é sempre essencial. Repito: essencial.

Além de tudo o que já referi, quero enaltecer, de forma muito clara, o contributo absolutamente determinante das Forças Armadas para a resposta nacional em situações de emergência. Os acontecimentos deste inverno demonstraram-no de forma inequívoca. Obrigado em nome de Portugal.

Marinha, Exército e Força Aérea atuaram lado a lado – mesmo enfrentando danos nas suas próprias infraestruturas – garantindo segurança, apoio humanitário e capacidade de resposta onde ela era mais urgente.

Fizeram-no, apesar de simultaneamente enfrentarem esses danos nas suas próprias infraestruturas.

Quer perante catástrofes naturais, quer em falhas nas infraestruturas críticas, ou ainda em ocorrências que continuam a afetar diversas regiões, a capacidade de comando e controlo, o treino especializado e os recursos de duplo uso revelam-se, sistematicamente, um valor inestimável para Portugal. As Forças Armadas estiveram – e continuam a estar – onde o país mais precisa delas: ao lado das populações, garantindo segurança, apoio e esperança nos momentos mais difíceis.

A vossa experiência, o vosso conhecimento, a vossa capacidade de organização e de planeamento são ativos nacionais que devem ser plenamente aproveitados.

Militares de Portugal

Apesar dos desafios, mantenho uma convicção profunda: a força de Portugal está assente na Segurança, na observância dos nossos compromissos, na afirmação e defesa da nossa soberania e no apoio permanente ao povo português.

Portugal tem todas as condições para garantir a segurança, o progresso e a liberdade das futuras gerações. Temos história, temos valores, temos instituições sólidas e temos mulheres e homens que, todos os dias, dão o melhor de si pela nossa bandeira.

Militares de Portugal

Como Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas e em nome do povo português, agradeço profundamente o vosso serviço, a vossa lealdade e a vossa dedicação a Portugal. Sei que o vosso empenho diário é feito de coragem, de dedicação e de sacrifício.

Portugal confia (confia mas através dos ex e actuais titulares de órgãos de soberania pouco vos tem ligado) em vós. Confia na vossa preparação, na vossa lealdade e na vossa dedicação a Portugal.

Enquanto Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, quero que saibam que estarei sempre ao vosso lado, com exigência, com respeito e com sentido de responsabilidade.

Conto convosco como sempre o país contou: com profissionalismo, com sentido de dever e com espírito de missão.

E quero que saibam que podem contar comigo.

Sempre por Portugal!

Bom dia
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida. 
Boa sorte e bom inicio de fim de semana
AC

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Com a devida vénia ao autor, publico um muito interessante artigo de opinião sobre a actualíssima questão - Serviço Militar Obrigatório (SMO), SIM ou NÃO ?
O autor é o coronel reformado do Exército, David Martelo.

António Cabral (AC)

SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO? É FAZER AS CONTAS...


A guerra na Ucrânia e o progressivo enfraquecimento da OTAN, resultante da crise de confiança dos europeus na participação dos EUA na defesa da Europa, tem vindo a agitar o debate sobre as medidas a adoptar no Velho Continente para fazer frente à profunda alteração da situação internacional.

Uma das medidas mais discutidas em vários países europeus, e um pouco mais modestamente em Portugal, tem sido a necessidade de reactivar um Serviço Militar Obrigatório (SMO), uma vez que o actual sistema de Voluntariado/Contrato não consegue garantir o recrutamento e a retenção capaz de colocar os efectivos somados dos 3 Ramos das Forças Armadas (FA) no já de si modesto valor de 32.000 militares.

Assim, têm surgido algumas opiniões, em curtas entrevistas ou em artigos publicados na imprensa, em que os seus autores se declaram como apoiantes da reactivação do SMO. Por qualquer razão que me escapa, esses portugueses que assim se manifestam omitem, sistematicamente, as características quantitativas que devem definir qualquer sistema de recrutamento:

1. Se é ou não UNIVERSAL, isto é, se se trata de uma obrigação que abranja TODOS os cidadãos APTOS;

2. Qual a DURAÇÃO da obrigação;

3. Qual a RETRIBUIÇÃO aos incorporados.

Como é fácil de entender, as condições 1. e 2. vão ter uma influência directa no efectivo global das FA.

Assim, comecemos pela hipótese extrema do SMO Universal. Para tal, importa saber quais os valores médios dos contingentes recrutáveis em cada ano, olhando para o número de nascimentos em Portugal, conforme o quadro seguinte:

ANO        
NASCIMENTOS
2007        102.492
2008        104.594
2009         99.491
2010        101.381

Para facilitar as contas, vamos supor que, depois das operações de inspecção e classificação, teríamos, anualmente, 90.000 jovens “aptos”, de ambos os sexos, que poderiam ser incorporados. Imaginemos 3 incorporações por ano, cada uma de 30.000 recrutas – uma em Janeiro, outra em Maio e outra em Setembro.

Acrescentemos, agora, o factor 2. (duração do serviço). Com a complexidade dos armamentos e equipamentos modernos, admitamos que era possível impor a duração de 2 anos.

No primeiro ano desta modalidade, ao chegarmos a Outubro, as FA já teriam 90.000 novos elementos, a que deveriam ser acrescentados os militares do Quadro Permanente (QP) e os dos regimes de Voluntariado e Contrato (RV/RC). Já iriamos, provavelmente, em cerca de 110.000, ou mesmo algo mais. No ano seguinte, com mais 90.000, as FA atingiriam os 200.000 efectivos.

Não pode ser, pois não?

Então, como não parece sensato diminuir a duração do serviço, temos a possibilidade de reduzir a quantidade dos “aptos” convocados para as fileiras.

Com que critério?

A primeira hipótese era adoptar o modelo que vigorava em Portugal, após terem terminado as mobilizações para África: por mero sorteio, só uma parte dos “aptos”, cada vez mais pequena, é que eram chamados a prestar serviço. Os restantes “aptos” passavam à “reserva de recrutamento” e não eram incomodados.

Isto é, não havia selecção. Comparando com a prática das modalidades desportivas, servir nas fileiras, em termos de aptidão, ficava abaixo dos requisitos para jogar futebol com a camisola das quinas. Se, para o futebol, são seleccionados os melhores, será razoável que, para servir nas FA, qualquer sistema de sorteio sirva?

Por discordar deste sorteio, já no meu livro O Exército Português na Fronteira do Futuro, publicado em 1997, sugeri a adopção de um Serviço Militar Obrigatório Selectivo, no qual os convocados eram escolhidos por terem demonstrado, nas provas de selecção, serem os mais habilitados, física e mentalmente, para as especialidades que lhes seriam atribuídas.

Depois, obviamente, haveria que pensar na RETRIBUIÇÃO.

Um dos critérios poderia ser a atribuição de vencimentos iguais aos dos regimes de Voluntariado e Contrato. Como é desejável que coabitem estas três modalidades de serviço (4, com o QP), mantém-se pertinente a melhoria das condições de serviço nas FA. Continuo a pensar que ainda não se alcançou o nível de retribuição pecuniária que seria possível e desejável. 
Todavia, para além da retribuição mensal, haverá que encarar outros tipos de compensação, nomeadamente para os militares do SMO que venham a ser seleccionados. 

O facto de serem uma minoria torna moralmente obrigatória uma compensação que reflicta a gratidão dos portugueses pelo serviço dos que, na prática, pagaram um imposto que ninguém mais foi obrigado a pagar. 
O acréscimo de pensão de reforma poderia ser uma medida bem eficaz: 30% para os militares do RC que fizessem 8 anos de serviço (medida a favor da “retenção”) e 20% para os convocados do SMO Selectivo. Parece-me bem melhor do que a fantasia da carta de condução...

Como quer que seja, gostava de deixar aos portugueses que simpatizam com a ideia de reactivação do SMO a noção de que é importante vir para o debate com as contas feitas, sem o que sempre há-de parecer que o único argumento que têm é que “a tropa faz bem!”

David Martelo – 13 de Maio de 2026

Bom dia
Tenham uma boa 5ª Feira
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida. Boa sorte

AC

quarta-feira, 6 de maio de 2026

 

Espantado com o seu gabinete, o ministro da defesa a brincar enquanto pensava em dar cartas de condução a quem quiser ir para as Forças Armadas.

Portugal não está como está por acaso.

AC

segunda-feira, 20 de abril de 2026

CONSELHO  de  ESTADO 

O Presidente da República já tem o seu Conselho de Estado (CE). Empossou os novos conselheiros e reuniu durante várias horas o CE.

De acordo com o que se lê no comunicado colocado no "sítio" da Presidência, terão sido analisados e ponderados vários assuntos a saber: segurança interna, proteção civil, cibersegurança,  proteção de infra-estruturas críticas, defesa nacional.

Lê-se que foram avaliados os principais riscos e desafios que se colocam ao país.

Foi ponderada a preparação nacional face a fenómenos atmosféricos severos, ameaças híbridas e a riscos emergentes, e abordada ainda a articulação entre as diferentes entidades com responsabilidades naquelas áreas.

Presumo que foram passados em revista os compromissos do país no âmbito das suas alianças e do respeito pela Carta das Nações Unidas e  Direito Internacional.

O comunicado pareceu-me ser menos . . . . como dizer . . . . escrito num tom menos cinzento daquele que foi norma  nos anos anteriores (como aliás também se verificou com os comunicados do Conselho Superior de Defesa Nacional)!

Oxalá o PR Seguro não exorbite competências constitucionais e não transforme o CE naquilo que Marcelo fez inúmeras vezes e nada  conforme com o que a CRP define.

Não cabe constitucionalmente ao PR definir as políticas, e neste caso concreto, a de defesa e a de segurança.

Aguardemos.

Bom dia, tenham um bom início de semana.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida. Boa sorte.

AC

domingo, 21 de dezembro de 2025

RECORDANDO  TEXTO  ANTIGO 

(sexta-feira, 10 de setembro de 2021)

JORGE SAMPAIO
Faleceu hoje o Dr Jorge Sampaio, ex Presidente da República, ex Comandante Supremo das Forças Armadas.

Faleceu um concidadão de elevada estatura intelectual, humanista, um homem exímio, em quem não votei para as eleições presidenciais que ganhou, e cinco anos passados voltou a ganhar.

É comum, quando se deixa a presença terrena, haver muitos elogios.

No caso deste meu concidadão, cuja morte me entristece pois penso que se a saúde não o tivesse atraiçoado, muito se aprenderia ainda com ele, designadamente pelos seus textos como recentemente confirmei, há lugar a diferentes referências.

Todos nós, sem excepção, temos momentos altos e baixos, todos cometemos erros. Jorge Sampaio não foi excepção.

Como aprendi na fase final ainda em casa, antes de singrar em formação superior, e depois ao longo da carreira, primeiro há que realçar aspectos positivos ao longo de uma vida e, apenas depois, referências aquilo em que, respeitosamente, se tenha opinião menos favorável.

O meu concidadão Jorge Sampaio chamou-me à atenção bastante antes de 25 de Abril de 1974, era eu novinho. 
Durante as rebeldias estudantis. 

E, muito particularmente, através de um meu primo em 2º graus infelizmente já falecido e mais velho cerca de 10 anos, nessa altura estudante de medicina em Coimbra, primo que, juntamente com outros jovens, esteve detido uns dias na então unidade de artilharia de costa do Exército no alto da Parede, localidade onde eu vivia, e onde através do portão vi o meu primo de capa e batina sentado na parada com muitos outros.

Sendo eu apenas um simples cidadão comum, atrevo-me a dizer sobre Jorge Sampaio que sempre o considerei um cavalheiro, um homem decente. 
Subiu muito na minha consideração quando percebi que decidira candidatar-se a Presidente da República sem passar cartão ao seu partido e em particular aos dirigentes, especificamente a um pastoso! 
A sua candidatura a Lisboa - Por Lisboa, a responsabilidade - devia servir de exemplo. Porque Jorge Sampaio, independentemente de algumas críticas justas que se lhe podem apontar, procurou servir e não, servir-se. 
Exemplo que não é muito seguido.

Creio que Jorge Sampaio é o autor da frase - 25 de Abril sempre. Posso estar enganado, mas Jorge Sampaio creio que mostrou claramente que um Presidente pode, e deve, ser próximo e ao mesmo tempo distante. 
Creio que respeitou bastante bem a separação de poderes. 
Creio que o exemplo não singrou.

Quanto ao ex Comandante Supremo das Forças Armadas, permanece para mim uma grande crítica, relativamente à exoneração de um ex Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. 
Exoneração estranha, porventura mais baseada em rumores do passado.

Dos vários textos dele, que guardo, nomeadamente, discursos nos actos de posse de chefias militares, e outros eventos relativos à defesa nacional e relativos às Forças Armadas, e relativos a aspectos de segurança na sociedade, não me recordo de citações dizendo que - são os melhores dos melhores - nem me recordo de incoerências relativamente à instituição militar.

Recordo que, sem margens para dúvidas, em certos discursos deixou claro que muito havia a alterar respeitante à instituição militar, à defesa nacional, a questões de segurança. 
Embora muitos possam ter opinião diversa, desde o final da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva PM, que CDS, PS e PSD estão alinhados quanto a caminhos relativamente à defesa nacional e às Forças Armadas. Comungados! Conhecem-se os magníficos resultados desta bafienta comunhão de interesses!

Cedo demais partiu. Descanse em paz.

António Cabral

Bom dia. Tenham um bom Domingo.
Saúde e boa sorte.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

(Republico texto de Abril passado)

(continuação)
SEGURANÇA,  DEFESA,  GUERRA.

A propósito do tema supra, a propósito dos sobressaltos que vão por esse mundo fora e designadamente ainda mais depois de 20 de Janeiro deste 2025, a propósito das baratas tontas dos lideres (????) Europeus deste anão militar que é a União Europeia (UE), a propósito de  dislates na vertente externa, a propósito dos sucessivos dislates na vertente interna onde incluo "pérolas várias e uma ex-MRPP que diz que os russos vêm por aí abaixo, a propósito de mais entrevistas e comentários de vários civis e militares, a propósito de vários dirigentes políticos e jornalistas e comentadores, a propósito de artigos inflamados de certos coniventes com a situação a que se chegou, fui repescando textos de opinião dos muitos que ao longo dos anos tenho escrito e partilhado aqui no blogue e em outros locais.
Venho tecendo algumas considerações sobre o que se vai agora passando. 
No presente, é enorme a excitação de Ursula, de António Costa, de Macron, de Starmer. 
Das sucessivas reuniões dos conselhos Europeus diligentemente presididas por Costa têm saído  verdadeiros balões cheios de . . .  ar.
Negociações (????) entre EUA e Rússia ocorrem, muitas atoardas vomitadas publicamente, teóricos acordos de cessar fogo também. 
Rússia que continua quase como até aqui. Mas ??
Aqui ficam mais umas palavras.

ARMADO, DESARMADO, REARMAR. 
BAZÓFIA, HISTERISMO, DESFAÇATEZ, NEGÓCIOS.

Vivemos um mundo louco que, opinião pessoal naturalmente, já o era de há muito, em crescendo desde 1991 com a implosão da URSS, em crescendo com a implosão/ explosão dos negócios mundiais, em que GATT, Globalização, equidade, tarifas, "fair trade" foram completamente atirados às urtigas, deliberadamente, com vários países a privilegiarem malfeitorias disfarçadas, e "dumping".


A partir de 20 de Janeiro deste 2025 tudo ou quase tudo se agravou!

Respeito, SEMPRE, as opiniões de outrem, concordando com umas discordando de outras.

Isto dito, como aliás sempre actuei, ao longo da vida, no blogue, nas conversas com familiares e com amigos, e na vida activa, pondero e afirmo o que penso pela minha cabeça.

Tenho presente, SEMPRE, duas coisas:
- o professor Bento de Jesus Caraça e, como ele, reconheço sempre quando erro, e corrijo-me, e agradeço a quem educadamente me ajuda a melhorar,

- a frase popular - cantas bem mas não me encantas; há décadas que, na vertente interna, como na externa, percebo bem os mariolas que escrevem em revistas e jornais ou vão aos canais de TV, e se têm na conta de notáveis, prodígios, especialistas, comentadores, assessores. Na maioria dos casos, seguem agendas, modas, lóbis, e na maioria dos casos, quando bem espremidos, revelam-se uns limões secos, ou a roçar o ACPN (autoridade competente de porra nenhuma).

Democraticamente isso tudo faz parte da nossa vida. 
Acima falei em mariolas e, já agora, também tenho em conta os vários  mariolas que se calam, por boas e também por inconfessadas razões. 

Estamos com uma Ursula histérica, que quer rearmar, tudo e todos.
Apresenta estimativas e projectos de centenas de milhões de milhões.

Claro que do fim da guerra fria resultou a ilusão da paz eterna, da era da estabilidade, do primado do direito internacional, da fraterna amizade entre povos, entre países, e os conflitos e os interesses dos países foram obviamente atirados às urtigas, . . . certo?
ERRADO!

Verdades "Lapalissianas" que qualquer cidadão comum aqui ou lá fora, qualquer ser civilizado, decente, e intelectualmente honesto, e que pensa pela sua cabeça, diz e escreve, se e quando lhe apetecer.

Mas é claro que para (LEGITIMAMENTE) vender revistas e jornais e ganhar audiências nos canais TV, é sempre giro ter uns arrogantes pomposos a debitar vacuidades como se todos fossemos burros, e como se todos tivessem falhas de memória e não tivessem arquivos, lembrando o que uns professorais do presente (não) fizeram no passado o que muito contribuiu para se chegar à lastima do presente. 
Trataram SEMPRE da vidinha!

Dona Ursula quer rearmar a Europa.
Quer sobretudo reerguer militarmente a Alemanha? Uiii !
Ela e outros repetem que não vão danificar o Estado social. POIS!
Eu tenho sempre presente a história do lençol curto.
Que hipoteca por décadas?

Não é engraçado a maioria dos países Europeus se estar a baldar com a história das tropas para a espantosa força que Macron e Starmer querem compor?

Continuando.
Reconversão de fábricas para a corrida ao armamento/ rearmamento, para fazer frente à Rússia? 
Como parece indiciar-se na Alemanha? Que resultados?

Como estamos de construção naval, de aeronaves, de satélites, de vectores, de mísseis os mais diversos?
Que atraso tecnológico, REAL, existe (da Alemanha, Itália, Reino Unido, França, Holanda, Espanha, Suécia) face aos EUA, Rússia, China?

Que atraso real existe na Europa quanto a sistemas de geolocalização?
Que atraso real existe na Europa quanto à tecnologia de drones que a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente evidencia? E "robot"?
Que atraso real existe na Europa quanto a vectores de médio e longo alcance?

Naturalmente, creio eu, que a supremacia incontestável dos EUA como superpotência única e incontestada na sequência imediata da implosão da URSS, está quase a ser "chão que deu uvas".
 
Só um desonesto intelectual não percebe a existência real da agressividade da Rússia. 
Não preciso de "doutores da mula russa", civis ou fardados, para me lembrarem isso e muitas outras coisas, e eu saliento a anexação da Crimeia, mais o que se foi passando em outras zonas, como Chechénia, Geórgia, etc.
E, naturalmente, a invasão da Ucrânia.
Sim, INVASÃO!

Obviamente que a paz não se mantém com inocências, com modas, com abracinhos entre políticos, com pacifismos da treta e com Gretas, com optimismos à "Chamberlain".

Na Europa, depois de Marshall, tratou-se de confiar a defesa aos americanos. E, designadamente ao seu guarda-chuva nuclear, o VERDADEIRO DISSUASOR.

Enquanto a Europa devastada se reergueu, se reconstruiu, se sedimentou com o Estado Social e poucas despesas militares, recheava-se de turcos, portugueses, espanhóis, muçulmanos, africanos, etc., para a construção civil, as grandes fábricas, e nasceram assim os guetos, os "bidonville" etc.

Muitos insistem que foi a NATO que conteve a Rússia.

Não será mais rigoroso dizer que foi a força americana veiculada NATO mas, sobretudo, a colocação dos mísseis americanos de vários tipos colocados em redor das fronteiras da URSS (da Turquia aos Nórdicos com forte presença na Alemanha então Federal)?
(fim da 1ª parte)


ARMADO, DESARMADO, REARMAR. 
BAZÓFIA, HISTERISMO, DESFAÇATEZ, NEGÓCIOS.

(continuação)

Procurando continuar a pugnar pelo rigor:

- quando se fala da guerra na ex-Jugoslávia, não será de referir, a Rússia por trás dos Sérvios, a Alemanha por trás dos Croatas, EUA/ Clinton a borrifar-se para ter mandato da ONU e bombardear a torto e a direito, onde e como lhe apeteceu? 
Recordam-se do tema das munições com rastos de urânio?

- quando se fala no Iraque, não será de referir as questões energéticas tão caras aos EUA, de referir a aldrabice quanto à II guerra do Iraque?

- quando se fala no Afeganistão, não será de referir o que por lá ocorreu no tempo do império Britânico, no tempo da "estadia" Russa com os mísseis americanos fornecidos a Osama Bin Laden, e no mais recente, a "estadia" americana, e referir quem (que presidente) começou o processo de retirada atabalhoadamente executada no tempo Biden?

- quando se fala e bem, no apoio Russo aos eslavos no Donbass, não será de referir, também, o que na Ucrânia se fez em relação a dialectos, em relação à estigmatização de certas populações, não será de referir uma famosa "CIÁtica" por trás da praça Maiden e outras coisas?

- quando uns pantomineiros (opinião pessoal naturalmente) recordam o memorando de Budapeste de 1994 e a tida por "renúncia" da Ucrânia "ao seu arsenal nuclear", não será de referir que é discutível que o armamento fosse mesmo da ex-República Soviética, pois a URSS estacionou /dispersou armamento nuclear por todo o seu território, em função da instalação de armamento nuclear americano em volta das então fronteiras da URSS?
Não se pode também aqui equacionar o ovo e a galinha?

- será difícil imaginar que, depois da implosão da URSS, a Rússia se sentisse imensamente desconfortável, e não aceitasse de todo, a permanência de armamento nuclear outrora seu dentro dos agora independentes países, e preferisse lidar apenas com os EUA, com quem uma "relação" de décadas de guerra fria mostrou que as coisas funcionavam de acordo com regras estabelecidas? 

- não será de imaginar que a Rússia não aceitava de todo que um qualquer louco num dos "Tãos" ou na Ucrânia, pudesse vir a disparar mísseis SEUS? Admito estar enganado.

- claro que a dissuasão "estabelece que a paz se mantém pelo equilíbrio de forças". 
Mas quanto à afirmação "isso foi comprovado  pelos quase 80 anos em que a NATO garantiu a segurança dos seus membros", talvez seja mais rigoroso dizer - que isso foi assegurado pelos mísseis americanos colocados e dispersos pela Europa toda perto das fronteiras da então URSS.

- a UE, dizem alguns, efetuou uma rápida revisão da sua política de defesa. Quem sou eu para dizer o contrário.

- mas, fiando-me no meu melhor amigo militar, almirante reformado, que não escreve para jornais nem é íntimo de jornalistas como outros militares, e tendo presente os poucos dias passados desde a verborreia Trump em que se ficou ciente que a Europa poderá já não estar sob proteção americana, (embora a estrutura militar da NATO está bem segura nas mãos americanas, a começar pelo chefe) tão pouco tempo decorrido é suficiente para estudos ponderados e sérios que possam basear decisões de fundo na UE? 

- a sensação que fica, minha naturalmente, é a do habitual atropelo dos tratados da UE, a habitual complacência de Estrasburgo que prefere socar a Le Pen, o habitual seguidismo parolo de quem agora se julga rei. 
E porque digo isto? 
Porque olho ao processo de planeamento e inerente processo decisório na NATO, e ao processo de planeamento militar em Portugal.

- no caso nacional, as coisas atingiram patamares lamentáveis. No âmbito político, e no âmbito militar.

No âmbito político, quanto a esta telenovela do rearmamento, sucederam-se as mais diversas e na maioria dos casos PATÉTICAS declarações, desde o inquilino em Belém, a deputados, PM e MNE.

Por exemplo, aqui há uns dias, "dispararam" com 300 milhões. 
Há pouco, aconselhado ou não pela Spinum, o PM declarou ter sido aprovado em conselho de ministros o dispêndio de 205 milhões.
Pergunta: são mais 205 a somar aos 300, ou são agora apenas 205?

- quando se fala em milhões, nestes milhões, de que se fala? 
Dinheiro vivo a transferir para a Ucrânia, e parte dele a ir logo para certas contas na Suíça"?
Ou estamos a falar de munições retiradas dos velhos paióis do Exército, mais fardamento, mais granadas, mais rações de combate, etc., e contabilizar portanto o que isso representa a preços actuais?

- o saudoso Adriano Moreira sempre batalhou pela existência de um Conceito Estratégico Nacional, curto, nada prolixo, que definisse um rumo global para o país. 
Que dele derivassem, depois, outros documentos, designadamente um Conceito Estratégico de Defesa Nacional diferente e mais simples do actual, um Conceito Estratégico Militar, e daqui um Sistema de Forças e um Dispositivo de Forças, adequados à realidade nacional, adequados à geografia e imensidão de mar de Portugal.

- mas a realidade foi sempre a tristemente entrega da definição do ainda chamado Conceito Estratégico de Defesa Nacional a uns quantos notáveis (???) civis e vários militares, daí derivando o resto, e mantendo pomposas leis de Programação Militar (LPM) e de Infra-estruturas Militares (LIM), sempre pornograficamente sub-orçamentadas, basicamente desprezadas.

- há décadas que pomposos vários falam em ser indispensável reforçar os meios de comando e controlo, incrementar a interoperabilidade entre a Marinha, o Exército e a Força Aérea, e desenvolver as capacidades de projeção e de sustentação de forças em operações de média e alta intensidade. Há décadas. 

Culpa do PSD e mais ainda do PS.
Façam as contas a quantos anos de governação cabem ao PSD e ao PS desde 1995.
Agora, até há um vigarista político que fala em ser necessária uma mentalidade de defesa.

- naturalmente, opinião pessoal, quando se estiola brutalmente um sistema, uma instituição, é mais ou menos como o que acontece às árvores. Cortar, deitar abaixo, é rápido.
Plantar novas árvores, e esperar que cresçam, claro, leva anos. Agora discursam sobre mentalidade de defesa. 
A desfaçatez e a descarada ausência de vergonha na cara habituais.

AGORA, pomposamente, indignados, agora gritam que é necessário completar lotações, aumentar efectivos, valorizar a condição militar, qualificar as unidades militares, e queixam-se das condições das infra-estruturas, e do desempenho operacional. 
É preciso pensar a sério no que aí está.
Como grita a "Gomes", ai que estão quase aí os russos!
Ai que nós fazemos parte da ONU, da NATO, da UE e . . . e da CPLP, e . . .  e da OCDE, . . . e portanto . . . 

Enfim, eu como não percebo nada destas coisas, tinha ficado convencido de que, com a alteração do sistema de escolha das chefias executado no final do Cavaquismo e para grande gáudio do PS, e com o recente e importante reforço das competências e poderes do CEMGFA (chefe do estado-maior general das forças armadas) desenhado pelo PS e Costa, e não ter havido ainda mais episódios Tancos, dizia eu que tinha ficado convencido de que as nossas forças armadas estavam agora preparadíssimas, sendo as melhores das melhores, como em tempos era repetido.

Pelos vistos equivoquei-me, não se reforçaram afinal os meios materiais e humanos das nossas Forças Armadas, nem se aumentou o seu desempenho operacional. Ora bolas.
Ah, mas foram bem condecorados . . . sim, esses mesmos!

Bom estava  quase a esquecer-me de uma pequenina coisa mais, a "estória" da dissuasão.

Repito, não percebo nada destas coisas.

Mas acredito, piamente, que, 
- com centenas de carros de combate alemães e de outras origens, mas muitos comprados aos EUA, 
- com muitos aviões franceses e suecos mas muitos comprados aos EUA,
- com muitas munições de vários países Europeus, 
- com o aumento dos gastos em defesa militar,

a UE estancará facilmente qualquer atrevida entrada da Rússia dentro da UE.

A terminar, só dois ou três detalhes mais:
- a começar em 24 de Fevereiro de 2022, a pujante força de armamento clássico/ convencional Russa quase terá chegado aos arredores de Kiev e dois dias depois, creio, estava muito prudentemente a retirar enquanto era tempo, o que nos mostra o perigo que a UE corre, 

- claro que se Putin quisesse chegar a Berlim era outra história, invadia facilmente, o que confirma o tremendo perigo que a UE corre, 

- claro que a pujança económica-financeira da UE face à Russa é fraquíssima como se sabe, e por aqui também um perigo tremendo para a UE, 

- claro que temos para protecção nuclear os mísseis dos submarinos do Reino Unido embora pareça que não estão lá muito católicos (manutenção escassa?), mais os da "force de frappe" de monsieur Macron! 

* Muitos ficam-se pelas costumeiras declarações de sapiência (??).
* Muitos prosseguem as agendas a que se vincularam há anos.
* Muitos disfarçam a sua conivência de passado recente.
* Outros, preferem olhar com mais atenção para estas coisas. 

Não se excitam, têm presente, 
- que os acordos de Minsk não foram cumpridos, 
- a necessidade urgente dos EUA reanimarem o seu complexo industrial-militar, 
- as dificuldades da economia americana em que alguns dizem poder estar próximo de recessão, 
- que a Rússia sempre mostrou agressividade
- a situação económica Russa, 
- que a Rússia não mostrou capacidade de progressão e captura de posições bem dentro da Ucrânia, mas mostra resiliência em ficar no terreno/ linhas da frente,
- que a única dissuasão à Rússia é o nuclear, que a Europa não tem.

Para quê então gastar milhões e milhões? 
Ah, espera, será que Ursula quererá que Alemanha e outros na Europa passem a deter mísseis balísticos apontados a Moscovo?
Nessa hipótese aguardemos então pelo fim rápido da Europa.
Aguardemos.

Isto requer muita paciência democrática.
António Cabral (AC)

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

DEFESA   NACIONAL

Defesa Nacional (DN) ?

A resposta do tuga é - isso é com a tropa!

ERRADO!

A DN é um conjunto de medidas, tanto de carácter MILITAR como, POLÍTICO, ECONÓMICO, DIPLOMÁTICO, SOCIAL, E CULTURAL que, adequadamente coordenadas e integradas, e desenvolvidas global e sectorialmente, permitem reforçar a potencialidade do país, e minimizar as suas VULNERABILIDADES, com vista a torna-lo apto a enfrentar os tipos de AMEAÇAS  que directa ou indirectamente, possam pôr em causa a segurança nacional.

Ao longo das décadas, quem foram os poucos (civis e militares) que, publicamente e nas escolas, foram explicando ás juventudes, aos portugueses, o que é a DN, tema que deve merecer a atenção de todos?

Quantos portugueses sabem, em concreto, que é obrigação do Estado assegurar a DN ? (nº 1, Art. 273º CRP)

Quantos sabem, em concreto, que a DN tem por objectivos garantir, a independência nacional, a integridade do nosso território e a liberdade e segurança das populações contra qualquer agressão ou ameaça externas ? (nº 2, Art. 273º CRP)

Quantos têm interiorizado que isto de DN não é uma brincadeira, não é tropa, não é com a tropa, é algo do domínio dos objectivos do Estado ?

Quantos têm interiorizado que, a segurança nacional é a condição que se traduz pela permanente garantia da sua sobrevivência em paz e liberdade, assegurando a soberania, a salvaguarda colectiva de bens e valores espirituais e culturais, o desenvolvimento das funções do Estado, a liberdade de acção política dos órgãos de soberania, e o pleno funcionamento das nossas instituições democráticas ?

Prega António, mas não precisas de ir pregar a Belém, já não vale a pena.

Ocorreu-me escrever/ recordar isto a propósito da esgrima verbal que detectei nas gordas dos OCS entre o sor Nuno Melo e o sor José Luís Carneiro mas talvez até sobretudo, por uns vómitos de um inarrável socialista que devia andar era calado tal o seu desempenho naquele edifício ao Restelo.

António Cabral (AC)

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

A  PROPÓSITO  DE  COSTA  SEGURA

Oh sor Leitão Amaro, o sor anda mesmo engraçado.

A sua "boutade" - a costa portuguesa é completamente segura (foi mais ou menos isto, creio), fez-me rir a bom rir, ainda não parei de rir!

Eu apostava que não conhece os buracos que existem em várias partes da costa Algarvia (Sul, e Oeste). Deixo-lhe um dos vários exemplos.


O desembarque de marroquinos acontecido há dias à luz do dia (estou convencido que assim ocorreu por mau cálculo) terá apanhado muita rapaziada de surpresa, designadamente GNR e Polícia Marítima.

Mas, sinceramente, como não é de espantar, o sor Leitão Amaro é mais um daquelas escolas brilhantes partidárias onde vos inculcam na tola a forma de falar com ar superior e com jactância para a ignara plebe a que vocês todos e de todas as cores de maneira geral mostram o desprezo pelos pobres cidadãos comuns.

Infelizmente, há ainda imensos concidadãos que devem ficar com dúvidas quando ouvem as suas pérolas e as de outros como o sor, vomitadas com esse suposto ar de estadista.

Estou convencido que há imensos cidadãos que ficarão com dúvidas sobre a segurança anunciada por si, antes pelo carneiro e etc. Dúvidas tais como - mas claro que deve estar segura, há GNR por todo o lado!

O sor Leitão Amaro é capaz de estar também sensibilizado com as operações sempre anunciadas pela GNR com pompa pela Páscoa e Natal, e chegada de imigrantes por Vilar Formoso mas, sabe, há décadas que temos sobretudo marketing, propaganda, e até ajudantes da GNR na Presidência da República.

Mas talvez se deva lembrar de realidades para lá disso, como postos lentamente encerrados no interior ao longo dos anos. Ou que efectiva vigilância e prevenção COORDENADA das fronteiras (a molhada e a com Espanha) é feita com os meios humanos e materiais da Marinha, Força Aérea, Polícia Marítima e GNR. 

Enfim, sor Leitão Amaro, ocorre-me uma bacorada vomitada em tempos no Parlamento por uma desprezível criatura - costa segura a tua tia! Voltarei ao tema.

Tenham uma boa 5ª Feira. Saúde e boa sorte. Cuidado com o calor.

António Cabral

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

NEM  À  NOITE

Nem à noite eles entram por aqui. 
Por esta zona, teoricamente vigiada pelo radar da GNR à beira da Praia Verde, no Sotavento Algarvio.

Ao longo dos últimos anos, este é o 14º, em que por estas paragens vou apanhando Sol, que nas minhas caminhadas matinais iniciadas bem cedinho, olho com curiosidade para esta torre. 

Creio que foi há três anos que um dia vi por aqui passar devagarinho uma daquelas fabulosas lanchas da GNR, da tal unidade costeira que eles têm e é o terror dos imigrantes ilegais do Norte de África. Eles tentam sempre entrar do Guadiana para Leste, tal o pavor que têm da unidade costeira da GNR.

Este recente desembarque diurno de desgraçados marroquinos em Vila do Bispo obviamente que se tratou de um engano!

Portugal é um país da arábias. Melhor dito, não é Portugal, a gentalha que formalmente têm tido os poderes públicos (chamam-lhes digníssimos e respeitadíssimos titulares de órgãos de soberania), é que paulatinamente têm transformado Portugal numa coisa estranha!

Por exemplo, esta coisa das fronteiras e neste caso concreto a fronteira "molhada", que tem três componentes, a costa em Portugal Continental e as costas nos arquipélagos dos Açores e Madeira, tem muito que se lhe diga.

Mas vou falar disso noutro texto, a propósito do inarrável (opinião pessoal, naturalmente) Leitão Amaro e do desembarque dos ilegais em Vila do Bispo.

António Cabral (AC)

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

 1,5 % - 2 % - 5 % ou 5 % martelado 

ESTEJAM  DESCANSADOS . . . . 

Sobre defesa nacional (DN), forças armadas (FA), muito escrevi ao longo dos anos aqui e em dois blogues de pessoas amigas. E baseando-me no que fui procurando estudar e entender mas, sobretudo, na experiência de um almirante, já reformado, e que é o meu melhor amigo militar.

Este texto (a seguir) que li há tempos no sítio de Belém leva-me a voltar ao assunto, depois de telenovelas várias de que o título procura ser a síntese. (sublinhados da minha responsabilidade)


Visita à Base Aérea N.º4 da Força Aérea
31 de julho de 2025

O Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas visitou a Base Aérea N.º4, na ilha Terceira.
Nesta Unidade da Força Aérea contactou com os militares que diariamente estão em prontidão cumprindo com excelência missões de busca e salvamento e evacuações aeromédicas, entre outras.
Foram ainda visitadas as aeronaves atribuídas à Esquadra 752 e ao destacamento aéreo da Esquadra 502, respetivamente EH-101 e C-295.
O Presidente da República reafirmou a importância geoestratégica dos Açores e o papel fundamental que as Forças Armadas desempenham na região para apoiar as populações e cumprir as responsabilidades de Portugal numa vasta área do Atlântico.

Estejam descansados, estejam descansados que estamos muito bem entregues, estamos em muito boas mãos. 

Desde logo este Comandante Supremo das Forças Armadas (CSFA) que sempre mais me tem parecido um Comandante Superficial das Forças Armadas. 

Estamos em muito boas Mãos!

A Ursula definiu há meses uma "Era do Rearmamento"

Deve ser uma Era émula da época em que ela foi ministra da defesa num governo alemão.  

O António definiu uma "Mentalidade de Defesa Europeia".

Mentalidade certamente émula daquela com que António Costa sempre olhou embevecido e dedicado para a DN quando durante um pouco mais de oito anos foi PM. Lembram-se?

Estejam descansados, estamos em muito boas Mãos!

Aqui em Portugal estamos sempre em boas mãos, nas mãos de muitos, civis e militares, que ascendem ao poder sempre dobrando a espinha, sempre em conluios, colaboradores com "o que tem de ser" com o que "só pode ser isso". Mas sempre os melhores dos melhores.

Depois, tempos mais tarde, livres de responsabilidades formais, de cargos, tornam-se muito agitados. 

Palram, escrevem! Muito activos na reforma. Enquanto uns quantos, como o meu amigo almirante, nunca deixou de dizer o que pensava e foi escrevendo o que recomendava, nos sítios adequados, em tempo, nunca em público, nunca desbocado.

No caso da DN, civis e militares escrevem artigos, são muito doutos. Como digo acima também me fui tentando na escrita sobre estas matérias, mas com uma diferença, NUNCA me CURVEI, e tenho coluna vertebral ÓSSEA e não uma esponjosa!

Na passada/recente cimeira da NATO em Haia, o nosso PM garantiu ao seu amigo Rutte que Portugal teria os 2% até ao fim do ano. E comprometeu o país a chegar em 2035 aos tais 5% (obviamente martelados, 3,5% já martelados + 1,5 % engenharia financeira).

Logo agora, recentemente, Carneiro veio doutoralmente propor colaboração estratégica. E já falou com o nosso primeiro sobre estas coisas. 

Desconheço resultados concretos, mas sei que Carneiro tem vários peritos, vários espertos em DN e FA, que são coisas diferentes, mas que instilaram nos tugas durante décadas de que é a mesma coisa. Espertos como Augusto e Severiano. Deve aliás olhar-se embevecido para os excelentes resultados destes ex-ministros da pasta DN.

Será que Carneiro também se inspirou em cálculos multivariáveis ? Ora aqui está uma tirada erudita, catita.

Ignorante destas coisas, ainda assim, estou convencido de que para chegar aos 2 % até 31 de Dezembro próximo não será suficiente pura e simplesmente aumentar o orçamento do ministério chefiado (??) por Nuno Melo.  E retenho curiosamente as palavras do palrador mor e do PM de que não é necessário orçamento rectificativo. Temos estadistas!

Creio que em Portugal também no passado (2014) os responsáveis da altura se comprometeram com a NATO em atingirmos 10 anos depois (2024) os tais famosos 2 % do PIB para DN e, certamente com muito investimento em novas capacidades. Viu-se, particularmente as páginas viradas de 2016 a 2024 a cargo de um dos maiores aldrabões políticos da nossa história.

Sabe-se o que não podia fazer o governo de Passos Coelho, esmifrado pela Troika que nos impôs mum verdadeiro garrote na sequência do desastre organizado pelo execrável Sócrates.

Sabe-se o que fizeram os famosos governos pós 2015, de mais de 8 anos no poleiro, com o timoneiro António Costa. Sempre ajudado por Marcelo.

Aliás se houvesse rigor, honestidade intelectual e política séria neste tão maltratado país, haveria onde se poder encontrar os valores totais REAIS da % do PIB dedicada à DN. Lista rigorosa, detalhada e desde 1982. Pessoal, material, manutenção, investimento.

O sucessivos governantes passaram décadas a estrangular financeiramente as FA.

Mas sempre falando de emprego e preparação de forças, do brilhantismo de forças destacadas no exterior, e nos últimos anos um papaguear confrangedor de que somos os melhores dos melhores.

Naturalmente, mesmo um ignorante como eu entende que para se poderem designar de "Forças Armadas" e não outra coisa, é decisivo haver, 

- Lei, e Constitucional subordinação ao poder civil legal e legitimamente derivado do povo em eleições periódicas, 

- definição de que tipo e quantas FA Portugal deve ter, coisa há décadas nunca verdadeiramente enfrentada,

- estrutura, estatutos, hierarquia, disciplina, recursos humanos, carreiras dignas,

- carreiras dignificadas e respeitadas pela sociedade, e valorizadas,

- e com isto, as FA preparam-se e ficam aptas para, de acordo com a CRP, de acordo com as leis, cumprirem no quadro da sua missão prioritária e que é a militar, pelo país, e em cumprimento de tratados,

- e com isto, as FA ficam aptas a desempenhar-se activamente das suas missões complementares isto é, de cooperação e colaboração nas missões nacionais intra-muros, em apoio das mais diversas entidades nacionais civis, no âmbito do chamado duplo uso.

Certos civis e até algumas chefias militares do passado, passaram o tempo, décadas, particularmente desde 1995, com salamaleques, com periódicas loas de que somos os melhores dos melhores, com referências vazias aos compromissos internacionais, com publicação de livros aplaudidos por alguns civis que e eram à época os verdadeiros algozes da instituição militar, com proclamações sobre os objectivos de defesa nacionais, com proclamações bacocas sobre dissuasão, ou a defesa transatlântica, ou mesmo as preocupações sobre os Açores.  

Embora nos últimos anos alguma coisa tenha sido alterada, creio que se está ainda longe de ter distribuições orçamentais equilibradas, quer dentro da estrutura própria do designado ministério da defesa nacional (MDN) quer dentro das FA. 

Um dos aspectos que periodicamente é abordado é o quantitativo das FA. Há quem defenda 30000,00 homens. Como sempre, respeito as opiniões de outrem.

Isto dito, correndo o risco de estar a ver mal as coisas, é para mim óbvio que Portugal tem que ter FA. Agora, a questão nunca debatida nem seriamente nem sem ser seriamente, é - que FA Portugal deve ter?

Temos os três clássicos ramos das FA. 

Com a massa oceânica brutal sob nossa jurisdição, que meios devem ter a Força Aérea e a Marinha? Nunca se discute isto.  

Creio que ainda não existe uma distribuição equilibrada do orçamento destinado a rubricas de pessoal, operação e manutenção, e para investimento. E uma distribuição que não deve ser a dividir por três, mas a dividir pelo que deve ser, tendo em conta designadamente a nossa geografia. 

Seja na vertente puramente militar, seja na vertente de apoio de instituições civis do Estado, muito está estagnado. Como sempre, admito estar equivocado.

Além do mais, que ensinamentos a recolher da guerra na Ucrânia para olhar a meios e equipamentos, para olhar com seriedade para uma lei de programação militar? 

Continuam alguns a pensar em F-35, porta-aviões e esquadrões de carros de combate?

A Rússia vem aí, dizia há tempos a inarrável ex-MRPP.  Bom eles andam nos mares, nos oceanos, nas zonas sob nossa jurisdição. Que eu tenha notado, os dois únicos submarinos da Marinha estarão um pouco coxos. E o resto?

Enfim, isto é um tema sem fim. Uns querem plano estratégico abrangente e ajustável.

Sou mais modesto, só queria que começasse a haver seriedade e decência na política. E a definitivamente olharem a sério, com honestidade intelectual e rigor, para a administração adequada dos recursos disponíveis, para as prioridades nacionais. 

Cálculos multivariáveis? 

Não, seriedade, e decência, e acabarem de vez com a descarada ausência de vergonha na cara.

António Cabral

quinta-feira, 17 de julho de 2025

SEMPRE  EM  COERÊNCIA 

Sempre em coerência com o seu passado, sempre em coerência com os seus oito anos e uns dias de PM encabeçando o executivo nacional, quando nunca tratou de atingir os 2% do Produto Interno Bruto em defesa exigidos pela NATO, o António Costa da Europa insiste que é necessário investir na área de defesa.

Sempre em coerência, padrão de toda a sua vida de habilidoso.
Portugal está como está graças, não só mas também, devido ao forte contributo deste ex- PM e ex- ministro de várias pastas.
Obrigado Costa. Obrigadinho.
AC

terça-feira, 8 de julho de 2025

S E G U R A N Ç A

Seguro - ex secretário-geral do PS.

Seguro - candidato às eleições presidenciais de Janeiro de 2026.


Bom, Vamos ao que interessa.

Seguro - firme; preso; livre de cuidados e de riscos; certo; indubitável; garantido. 

Segurar - tornar seguro; firmar; conter; acautelar.

Segurança - acto ou efeito de segurar; confiança; tranquilidade de espírito; garantia; firmeza; certeza; amparo.

Segurança - de indivíduo, de colectividade, de instituição, de organização, de comunidade, de Estado.

Segurança - em termos latos, pode dizer-se /descrever-se, creio eu, como o estado de um "sujeito" que se estima não ameaçado por este ou aquele perigo, ou que pensa ter os meios necessários e suficientes para adequadamente responder, se se concretizar o perigo.

Será de recordar - . . . a declaração dos direitos do homem e do cidadão, integrada em 1793 na Constituição do Ano I (França) indicando a segurança dentro dos "droits naturels et imprescriptibles", e definição como "la protection accordée par la société à chacun de ses membres pour la conservation de sa personne, de ses droits et de ses propriétés". 

Portanto, garantir a vida e a liberdade de cada um, como já Rousseau defendia.
Assegurar a segurança de um grupo é, portanto, assegurar a segurança dos que o compõem.

A segurança de um Estado implica, a defesa concreta, do seu território, da sua população, da sua soberania. 

Significa manter relações com os outros Estados de igual para igual, numa postura política que afaste ameaças, e é aqui, também, que entra a diplomacia.

Em Portugal, no presente, e particularmente nos últimos anos surgem as considerações e declarações as mais díspares sobre segurança e criminalidade. E sobre a segurança do Estado. E sobre defesa nacional.

Temos agora a história dos 2%, ou dos 3,5 % ou dos 5 %, tudo martelado e financeiramente "enginheirado". Onde o povão entende que é para gastar com a "tropa".

Temos o inarrável Chega com os "seus números" quanto à imigração que, é indesmentível, tem sido descontrolada desde 2017.

Tivemos os governos de Costa e o de Montenegro e mais o inquilino em Belém a gritar sempre bem alto - Portugal é um dos países mais seguros do mundo. 

Mas quanto a rigor, responsabilidade, sentido do dever, sentido de Estado, tudo sempre relegado para o lixo. 

Sempre dentro da sua bolha, sempre dentro da sua insuportável superioridade moral e da sua ética republicana, preferem entreter-se com demagogia, mentiras e causas fracturantes. E a empurrar tudo com a barriga e, se necessário, esconder tudo varrendo para debaixo do tapete. Sempre assobiando para o ar.

Voltarei ao tema.

António Cabral (AC)

sábado, 21 de junho de 2025

DEFESA  NACIONAL
Nova meta de investimentos em Defesa custa um submarino por ano
Este é o título de mais um artigo do jornalista Vitor Matos, do Expresso. Em que se diz que a Marinha quer mais submarinos, a Força Aérea os caças F-35 e o Exército renovar duas brigadas e modernizar os carros de combate.

O artigo é este, e os sublinhados e comentários inseridos (só vermelho sem sublinhado a cor) são da minha responsabilidade.

Portugal vai à Cimeira da NATO prometer 2% do PIB em gastos com Defesa. Mas sai com fatura mais pesada. E para isso ainda não tem o apoio da oposição.
Luís Montenegro vai aterrar na Cimeira da NATO, em Haia, na próxima terça-feira, 24 de junho, com o compromisso de gastar um adicional de €1300 a €1500 milhões este ano para atingir uma despesa de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em Defesa — o que corresponde ao custo de três submarinos novos —, mas deve sair dos Países Baixos com uma fatura muito mais pesada na carteira: o novo objetivo de 3,5% do PIB representa cerca de €10 mil milhões por ano para Portugal, a que se somam 1,5% do PIB em infraestruturas relacionadas com a segurança nacional. Donald Trump não abre mão da exigência dos 5% do PIB em gastos militares, mas esse nível de ambição não colhe, em Portugal, apoio nos maiores partidos da oposição. (Nem no Próprio PSD e CDS, nem em Espanha nem em outros países).
Para se manterem dentro dos limites da credibilidade, Portugal e os sete países da NATO que ainda não cumprem os 2% passaram as últimas semanas em negociações para chegarem à cimeira com o compromisso assegurado, evitando ser “desconsiderados” pelos parceiros, mas sobretudo pelos Estados Unidos.
A realização dessas consultas foi uma das razões para a antecipação da meta para 2025 não constar do programa eleitoral da Aliança Democrática e para essa urgência não ter sido debatida na campanha, diz ao Expresso uma fonte governamental.
Este alinhamento obrigou a um acordo entre os sete últimos do pelotão — Portugal, Espanha, Itália, Bélgica, Luxemburgo, Canadá e Eslovénia — para acelerarem a despesa no cumprimento dos mínimos. A forma como Portugal vai lá chegar, porém, ainda não estava fechada esta quinta-feira, apurou o Expresso. Para sublinhar estes esforços, no fim da Cimeira do G7, realizada no Canadá esta semana, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, saudou o embarque de canadianos e portugueses: “Com Portugal a anunciar os 2% a semana passada, significa que toda a NATO estará nos 2% antes do início da cimeira da próxima semana em Haia.” Mas Espanha opõe-se aos 5% e a Eslovénia ameaça sair se for obrigada aos 3,5% (ver texto ao lado).
Consenso não chega aos 5%
Numa área tradicional de consenso no bloco central, o primeiro-ministro chamou a São Bento o líder da oposição, André Ventura, do Chega, e o presidente do PS, Carlos César, que se fez acompanhar do futuro secretário-geral, José Luís Carneiro. Os socialistas aceitam que se atinja a meta dos 2% este ano — que tinha sido negociada com Pedro Nuno Santos —, mas César fez questão de sublinhar que valores na ordem dos 3,5% ou 5% são “esforços que não parecem compatíveis com a realidade orçamental portuguesa”.
André Ventura teve um discurso semelhante. Está de acordo “em relação às metas”, mas deu conta de que “o plano não está completamente definido nem em termos orçamentais nem em termos de investimento estrutural”. O líder da direita radical, porém, alinhou com o PS sobre a meta mais ambiciosa: “Neste momento, 5% é impraticável em Portugal”, afirmou. A semana passada, o ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, defendeu os 3,5%, mas também disse à Antena 1 que o objetivo dos 5% “não é inexequível”, tal como Montenegro disse em fevereiro. Só para atingir os 2%, com a revisão em baixa do crescimento, as Finanças terão de lutar para não haver um défice de 0,6% do PIB entre 2027 e 2029, como apontou o Conselho das Finanças Públicas no caso de Portugal assumir o compromisso da NATO.
Chega e PS apoiam atingir os 2% do pib este ano, mas não concordam com a meta de trump dos 5% em defesa
No imediato, o cumprimento dos 2% do PIB deverá ser atingido através de três estratégias: um reforço orçamental efetivo para a aquisição de capacidades militares, uma vez que 20% do total das verbas consideradas devem ser investidas em equipamento ou infraestruturas militares; outra hipótese, cujos critérios estão em negociação internacional, tem a ver com a maneira como é contabilizada a ajuda à Ucrânia, e a terceira, eventualmente a mais relevante, passa por reclassificar um conjunto de despesas já realizadas pelo Estado que sejam elegíveis nos critérios contabilísticos da NATO e que Portugal ainda não utiliza na plenitude.

Dez anos de submarinos
Outra das discussões em cima da mesa em Haia será o calendário para os aliados atingirem as novas metas. Em 2014, quando os países concordaram atingir os 2% na Cimeira de Gales, o objetivo era para alcançar em 10 anos, o que Portugal nunca cumpriu. Agora, o ritmo deverá ser mais intenso para se chegar aos 3,5% do PIB em despesas militares (mais 1,5% em infraestruturas) em 2032. Mas países como Itália — e Giorgia Meloni tem uma boa relação com Donald Trump — estão a pressionar para que a data limite seja estendida a 2035.
Para Portugal, isso representará um enorme esforço financeiro. Para chegar aos 3,5% do PIB (considerando as projeções do Banco de Portugal para 2025) o país teria de juntar um adicional de €4440 milhões ao que a NATO contabilizou em 2024 (€4481 milhões, 1,58% do PIB). Isso significa duplicar os gastos em Defesa na ótica da NATO e dar um incremento de €635 milhões, em média, por ano às despesas militares durante sete anos, se o calendário for 2032. O ritmo baixa para €445 milhões por ano se for a 10 anos, até 2035. Mas corresponde, grosso modo, à compra de um submarino novo todos os anos. O Governo promete não afetar despesas sociais. Em agosto terá de apresentar à Comissão Europeia os projetos a financiar nos programas ReArm Europe.

Vítor Matos, Jornalista,19 junho 2025 
https://expresso.pt/politica/defesa/2025-06-19-nova-meta-de-investimentos-em-defesa-custa-um-submarino-por-ano-8a117f3b

Num texto de há uma série de dias, já dei a minha atrevida sugestão para a engenharia financeira que esta coisa requer.
Agora fico por aqui, dizendo apenas que, respeitosamente, este é tão só mais um artigo para encher chouriços.
Vou voltar ao assunto.
AC