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segunda-feira, 11 de agosto de 2025

 1,5 % - 2 % - 5 % ou 5 % martelado 

ESTEJAM  DESCANSADOS . . . . 

Sobre defesa nacional (DN), forças armadas (FA), muito escrevi ao longo dos anos aqui e em dois blogues de pessoas amigas. E baseando-me no que fui procurando estudar e entender mas, sobretudo, na experiência de um almirante, já reformado, e que é o meu melhor amigo militar.

Este texto (a seguir) que li há tempos no sítio de Belém leva-me a voltar ao assunto, depois de telenovelas várias de que o título procura ser a síntese. (sublinhados da minha responsabilidade)


Visita à Base Aérea N.º4 da Força Aérea
31 de julho de 2025

O Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas visitou a Base Aérea N.º4, na ilha Terceira.
Nesta Unidade da Força Aérea contactou com os militares que diariamente estão em prontidão cumprindo com excelência missões de busca e salvamento e evacuações aeromédicas, entre outras.
Foram ainda visitadas as aeronaves atribuídas à Esquadra 752 e ao destacamento aéreo da Esquadra 502, respetivamente EH-101 e C-295.
O Presidente da República reafirmou a importância geoestratégica dos Açores e o papel fundamental que as Forças Armadas desempenham na região para apoiar as populações e cumprir as responsabilidades de Portugal numa vasta área do Atlântico.

Estejam descansados, estejam descansados que estamos muito bem entregues, estamos em muito boas mãos. 

Desde logo este Comandante Supremo das Forças Armadas (CSFA) que sempre mais me tem parecido um Comandante Superficial das Forças Armadas. 

Estamos em muito boas Mãos!

A Ursula definiu há meses uma "Era do Rearmamento"

Deve ser uma Era émula da época em que ela foi ministra da defesa num governo alemão.  

António definiu uma "Mentalidade de Defesa Europeia".

Mentalidade certamente émula daquela com que António Costa sempre olhou embevecido e dedicado para a DN quando durante um pouco mais de oito anos foi PM. Lembram-se?

Estejam descansados, estamos em muito boas Mãos!

Aqui em Portugal estamos sempre em boas mãos, nas mãos de muitos, civis e militares, que ascendem ao poder sempre dobrando a espinha, sempre em conluios, colaboradores com "o que tem de ser" com o que "só pode ser isso". Mas sempre os melhores dos melhores.

Depois, tempos mais tarde, livres de responsabilidades formais, de cargos, tornam-se muito agitados. 

Palram, escrevem! Muito activos na reforma. Enquanto uns quantos, como o meu amigo almirante, nunca deixou de dizer o que pensava e foi escrevendo o que recomendava, nos sítios adequados, em tempo, nunca em público, nunca desbocado.

No caso da DN, civis e militares escrevem artigos, são muito doutos. Como digo acima também me fui tentando na escrita sobre estas matérias, mas com uma diferença, NUNCA me CURVEI, e tenho coluna vertebral ÓSSEA e não uma esponjosa!

Na passada/recente cimeira da NATO em Haia, o nosso PM garantiu ao seu amigo Rutte que Portugal teria os 2% até ao fim do ano. E comprometeu o país a chegar em 2035 aos tais 5% (obviamente martelados, 3,5% já martelados + 1,5 % engenharia financeira).

Logo agora, recentemente, Carneiro veio doutoralmente propor colaboração estratégica. E já falou com o nosso primeiro sobre estas coisas. 

Desconheço resultados concretos, mas sei que Carneiro tem vários peritos, vários espertos em DN e FA, que são coisas diferentes, mas que instilaram nos tugas durante décadas de que é a mesma coisa. Espertos como Augusto e Severiano. Deve aliás olhar-se embevecido para os excelentes resultados destes ex-ministros da pasta DN.

Será que Carneiro também se inspirou em cálculos multivariáveis ? Ora aqui está uma tirada erudita, catita.

Ignorante destas coisas, ainda assim, estou convencido de que para chegar aos 2 % até 31 de Dezembro próximo não será suficiente pura e simplesmente aumentar o orçamento do ministério chefiado (??) por Nuno Melo.  E retenho curiosamente as palavras do palrador mor e do PM de que não é necessário orçamento rectificativo. Temos estadistas!

Creio que em Portugal também no passado (2014) os responsáveis da altura se comprometeram com a NATO em atingirmos 10 anos depois (2024) os tais famosos 2 % do PIB para DN e, certamente com muito investimento em novas capacidades. Viu-se, particularmente as páginas viradas de 2016 a 2024 a cargo de um dos maiores aldrabões políticos da nossa história.

Sabe-se o que não podia fazer o governo de Passos Coelho, esmifrado pela Troika que nos impôs mum verdadeiro garrote na sequência do desastre organizado pelo execrável Sócrates.

Sabe-se o que fizeram os famosos governos pós 2015, de mais de 8 anos no poleiro, com o timoneiro António Costa. Sempre ajudado por Marcelo.

Aliás se houvesse rigor, honestidade intelectual e política séria neste tão maltratado país, haveria onde se poder encontrar os valores totais REAIS da % do PIB dedicada à DN. Lista rigorosa, detalhada e desde 1982. Pessoal, material, manutenção, investimento.

O sucessivos governantes passaram décadas a estrangular financeiramente as FA.

Mas sempre falando de emprego e preparação de forças, do brilhantismo de forças destacadas no exterior, e nos últimos anos um papaguear confrangedor de que somos os melhores dos melhores.

Naturalmente, mesmo um ignorante como eu entende que para se poderem designar de "Forças Armadas" e não outra coisa, é decisivo haver, 

- Lei, e Constitucional subordinação ao poder civil legal e legitimamente derivado do povo em eleições periódicas, 

- definição de que tipo e quantas FA Portugal deve ter, coisa há décadas nunca verdadeiramente enfrentada,

- estrutura, estatutos, hierarquia, disciplina, recursos humanos, carreiras dignas,

- carreiras dignificadas e respeitadas pela sociedade, e valorizadas,

- e com isto, as FA preparam-se e ficam aptas para, de acordo com a CRP, de acordo com as leis, cumprirem no quadro da sua missão prioritária e que é a militar, pelo país, e em cumprimento de tratados,

- e com isto, as FA ficam aptas a desempenhar-se activamente das suas missões complementares isto é, de cooperação e colaboração nas missões nacionais intra-muros, em apoio das mais diversas entidades nacionais civis, no âmbito do chamado duplo uso.

Certos civis e até algumas chefias militares do passado, passaram o tempo, décadas, particularmente desde 1995, com salamaleques, com periódicas loas de que somos os melhores dos melhores, com referências vazias aos compromissos internacionais, com publicação de livros aplaudidos por alguns civis que e eram à época os verdadeiros algozes da instituição militar, com proclamações sobre os objectivos de defesa nacionais, com proclamações bacocas sobre dissuasão, ou a defesa transatlântica, ou mesmo as preocupações sobre os Açores.  

Embora nos últimos anos alguma coisa tenha sido alterada, creio que se está ainda longe de ter distribuições orçamentais equilibradas, quer dentro da estrutura própria do designado ministério da defesa nacional (MDN) quer dentro das FA. 

Um dos aspectos que periodicamente é abordado é o quantitativo das FA. Há quem defenda 30000,00 homens. Como sempre, respeito as opiniões de outrem.

Isto dito, correndo o risco de estar a ver mal as coisas, é para mim óbvio que Portugal tem que ter FA. Agora, a questão nunca debatida nem seriamente nem sem ser seriamente, é - que FA Portugal deve ter?

Temos os três clássicos ramos das FA. 

Com a massa oceânica brutal sob nossa jurisdição, que meios devem ter a Força Aérea e a Marinha? Nunca se discute isto.  

Creio que ainda não existe uma distribuição equilibrada do orçamento destinado a rubricas de pessoal, operação e manutenção, e para investimento. E uma distribuição que não deve ser a dividir por três, mas a dividir pelo que deve ser, tendo em conta designadamente a nossa geografia. 

Seja na vertente puramente militar, seja na vertente de apoio de instituições civis do Estado, muito está estagnado. Como sempre, admito estar equivocado.

Além do mais, que ensinamentos a recolher da guerra na Ucrânia para olhar a meios e equipamentos, para olhar com seriedade para uma lei de programação militar? 

Continuam alguns a pensar em F-35, porta-aviões e esquadrões de carros de combate?

A Rússia vem aí, dizia há tempos a inarrável ex-MRPP.  Bom eles andam nos mares, nos oceanos, nas zonas sob nossa jurisdição. Que eu tenha notado, os dois únicos submarinos da Marinha estarão um pouco coxos. E o resto?

Enfim, isto é um tema sem fim. Uns querem plano estratégico abrangente e ajustável.

Sou mais modesto, só queria que começasse a haver seriedade e decência na política. E a definitivamente olharem a sério, com honestidade intelectual e rigor, para a administração adequada dos recursos disponíveis, para as prioridades nacionais. 

Cálculos multivariáveis? 

Não, seriedade, e decência, e acabarem de vez com a descarada ausência de vergonha na cara.

António Cabral

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

(continuação)

SEGURANÇA, DEFESA, GUERRA

(republico texto de 27FEV2020)

A  PROPÓSITO  de  COISAS  MILITARES
A propósito de coisas militares, na minha rotineira pesquisa na NET pelos OCS nacionais e internacionais, tropecei numa notícia recente do DN sobre as nossas Forças Armadas (FA), mais concretamente sobre uma carta de generais endereçada a Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República e Comandante Supremo das FA.
Li e reli e, depois, para cidadão comum  que sabe apenas um pouco mais que "poucochinho" sobre questões militares fui procurar outras coisas inclusive ao meu arquivo.
O título do artigo do DN (o jornal voltou ao tema em 25 de Fevereiro) fala em generais alertando Marcelo para a pré-falência das FA, através de uma carta formal assinada nomeadamente por três ex-chefes dos três Ramos das FA, oficiais que integram uma associação denominada GREI (Grupo de reflexão estratégica independente).

Os incautos, ao ler aquelas palavras, poderiam ficar alarmados.
Mas ficariam porventura menos desassossegados depois de, verificarem que a carta era assinada por reformados ex-chefes militares e,  também, depois de verem que a associação 25 de Abril não parece ter manifestado semelhante e vincado alerta.
Depois de consultar os meus arquivos, fica-me por exemplo a convicção firme de que designadamente a AOFA (Associação dos Oficiais das Forças Armadas) tem toda a razão quando afirma que nada do que a carta traz é novo, nada que a AOFA não tenha vindo a denunciar ao longo de pelo menos a última década. 
Quase parece uma estocada suave da AOFA. 
Uma alma retorcida será porventura tentada a pensar que os signatários da carta quiseram dar prova de vida. 
Quase parece aplicar-se a frase célebre - muitíssimo reservados no activo, muito activos na reforma.
Mas uma coisa é certa, e inegável, e tem mérito, conseguiram uma reacção escrita da parte de Marcelo. 
Já o teor da resposta do Comandante Supremo das FA...............

Das declarações dos partidos sobre o assunto, a que me pareceu mais séria e assertiva foi a do PCP pela voz de António Filipe - "o aviso dos generais tem razão de ser" - "embora não haja novidade nas situações descritas- "estas situações não nasceram hoje" - "já eram denunciadas quando os generais eram chefes dos ramos -"os problemas são reais" - "a solução dos problemas exige vontade política muito forte" 
António Filipe disparou uma outra nota óbvia é que estes generais que agora assinam a dita carta não podem isentar-se de alguma quota de responsabilidadeMais que óbvio. 

António Filipe acrescentou algo para mim discutível - "o actual ministro da defesa parece querer resolver os problemas".
Será que, por exemplo, a recente reacção desse ministro quando interrogado sobre a questão da Marinha ir ficar sem navio reabastecedor de esquadra, se enquadra na afirmação do deputado comunista?

É que, salvo melhor opinião, um ministro que quando interrogado responde - vão perguntar à Marinha - fica definido nessa curta frase.
Porquê? Porque do que se trata é de uma questão política, de uma decisão política, e de inerente atribuição de verbas para obviar a grave lacuna que atingirá a Marinha a curtíssimo prazo, com evidentes prejuízos em termos de País. Não é - perguntar à Marinha!
Já agora, talvez se devesse lembrar a este tipo de artistas políticos (titulares de orgãos de soberania) porque umas vezes estão muito distraídos e na maioria das vezes muito incompetentes:  
"You have (or not) a Navy".
"You raise an Army". Period.


Só para ver se fica claro.

Quando se afirma que a actual e crescentemente gravosa situação no seio da instituição militar "começa finalmente a ser tema central na sociedade Portuguesa", considero que assim devia ser e há muito tempo.
Mas estou convencido que não é a realidade, infelizmente.
O cidadão comum, a esmagadora maioria dos cidadãos, está-se nas tintas para as questões militares, muitos cidadãos não percebem e pior que isso, nem se dão ao trabalho de pensar, na razoabilidade em termos militares destacados em diferentes locais do mundo, valorizando o País.
A esmagadora maioria dos cidadãos terá a noção que defesa nacional é o mesmo que FA, o que é um perfeito disparate, pois as FA asseguram tão só o último pilar da soberania nacional.

Mas neste assunto, entre outras coisas que achei muito curiosas, quer dos artigos do DN, quer das declarações partidárias, quer sobretudo da posição da AOFA, é a ênfase clara que a AOFA coloca e bem neste assunto. 
De facto, percorri exaustivamente documentação antiga e é para mim muito claro que ao tempo em que os signatários da carta eram responsáveis pela Marinha, Exército e Força Aérea, já há muitos anos que a AOFA alertava para a degradação no seio da instituição militar, no plano dos efectivos, nas questões das promoções, no reapetrechamento de material, nas remunerações, no aumento das vulnerabilidades do sistema de defesa nacional, na legislação diversa respeitante à instituição militar, no apoio social e sub-sistema de saúde.
E, pareceu-me, que a AOFA dá uma estocada suave mas clara neste Presidente da República e Comandante Supremo das FA ao referir que (e  penso que se pode subentender que os anteriores PR são também destinatários e a meu ver bem) as coisas poderiam porventura estar um pouco diferentes se anteriormente já tivessem existido diferentes e claras posições políticas por parte do PR.

Mas ainda a propósito da carta de resposta do PR aos oficiais do GREI há uma outra coisa que me parece também curiosa.
Tendo vasculhado muita documentação, sei que houve em Dezembro passado uma carta aberta de antigos combatentes endereçada ao Comandante Supremo das FA. 
Provavelmente deficiência minha, mas dessa carta não encontrei o mesmo eco que agora se viu quanto à carta de ex-chefes militares. 
Ainda certamente por deficiência minha, não descobri reacção do professor Marcelo. 
Se foi exactamente assim que as coisas se passaram como me está a parecer, há então pequenas diferenças. PIQUENAS, como diria a Dra Manuela.

Recorrendo à fotografia, como estão na fotografia todos os ex-titulares de orgãos de soberania que foram inquilinos de Belém e de  S.Bento? 
Todos mal, como mal continuam este governo e ministros, e quanto ao actual inquilino de Belém ainda não está muito mal na fotografia mas..............
Para tudo isto, ou seja, 
> a crescente degradação nas FA, 
> mais as indecorosas declarações e posturas de alguns, 
> mais o desprezo concreto a que continuam votados os antigos combatentes, 
> mais a continuada falta de vontade política forte e consensual que era necessária para encarar seriamente estes problemas,

reproduzo uma parte de uma excelente frase de pessoa que respeito - e a dignidade, …… onde fica?

António Cabral  (AC)