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terça-feira, 9 de junho de 2026

Portugal e o desafio da maturidade industrial na Defesa
(Fernando Figueiredo, Coronel, Consultor de Defesa, SAPO, 20MAI2026)
(sublinhados  da minha responsabilidade)

O momento geopolítico é de uma clareza rara. A Europa rearma-se. O EDIP está operacional. O SAFE disponibiliza financiamento sem precedentes. A NATO aumenta as exigências sobre os aliados europeus. E Portugal está a renegociar compromissos e a tentar afirmar-se como parceiro fiável no flanco sul e no Atlântico.

Portugal gasta em Defesa. Não tanto quanto deveria, e a meta NATO dos 2% do PIB não é totalmente uma realidade consolidada, mas de facto gasta. O problema não é quanto se gasta. O problema é em quê: a esmagadora maioria do investimento em equipamento militar sai do país, financia a indústria de terceiros e não deixa capacidade produtiva instalada em território nacional.

Esta não é, contudo, uma originalidade portuguesa. É a condição crónica de países europeus que compram sistemas acabados em vez de construírem a capacidade de os produzir.

Por mais “defense & innovation, hackathons, summits” ou nomes em inglês que inventem, a verdade é simples: depois das fotografias, dos painéis e dos momentos B2B, se não existir um investidor com capacidade financeira e vontade real de assumir risco, estes encontros acabam muitas vezes por servir apenas para aumentar listas de contactos, alimentar expectativas e produzir mais apresentações do que capacidade real, mas por mais paradoxal que pareça, a diferença entre os programas de Defesa que têm sucesso e os que falham não está exclusivamente nos recursos financeiros. Está na articulação sistemática entre maturidade tecnológica e maturidade produtiva, entre os Technology Readiness Levels (TRL) e os Manufacturing Readiness Levels (MRL) ou em português Níveis de Prontidão Tecnológica e Níveis de Prontidão de Manufatura.

Os TRL medem se uma tecnologia funciona. Vão de TRL 1, observação de princípios básicos em laboratório, até TRL 9, sistema plenamente demonstrado em combate. Os MRL medem algo fundamentalmente diferente: se essa tecnologia pode ser fabricada de forma fiável, económica e em escala. Vão de MRL 1 até MRL 10, sendo que MRL 9 corresponde à capacidade de produção inicial a baixo ritmo e MRL 10 à produção plena com práticas de lean manufacturing (sistema de gestão que visa aumentar a eficiência e a produtividade reduzindo erros e redundâncias na produção industrial).

Um exemplo concreto: imagine uma empresa portuguesa que desenvolve um sistema eletrónico de comunicações táticas de última geração. Os engenheiros constroem um protótipo que funciona de forma excelente, TRL elevado, mas o protótipo exigiu seis meses de trabalho manual, componentes importados de um único fornecedor alemão e três técnicos que são os únicos a saber montá-lo. Se as Forças Armadas pedirem 200 unidades em 18 meses, a empresa não consegue responder. Tecnologia madura, capacidade industrial inexistente. MRL baixo.

A assimetria entre TRL e MRL cria o que a comunidade de aquisições de Defesa chama de Valley of Death, o cemitério de tecnologias que funcionam em laboratório, mas nunca chegam ao campo.

O F-35, por exemplo, é o caso de estudo negativo mais documentado: mais de 990 aeronaves fabricadas antes de concluída a avaliação operacional inicial. Custo total do ciclo de vida estimado em mais de 2 biliões de dólares. O responsável máximo pelas aquisições do Pentágono classificou a decisão de apressar a produção como acquisition malpractice. Outro exemplo, o destroyer Zumwalt começou com um objetivo de 32 navios a 700 milhões cada, construíram-se três, a 7,5 mil milhões cada, o primeiro entregue com 320 deficiências significativas. E quem não se lembra do caso português na participação do NH90? Muito anúncio, muita ambição estratégica, muita fotografia institucional… e no fim ficaram os custos, os recuos, a indeminização e a sensação recorrente de que, na Defesa como em tantas áreas, o entusiasmo político costuma chegar muito antes da sustentabilidade técnica e financeira.

No lado oposto, o Iron Dome israelita foi aprovado em fevereiro de 2007, testado em março de 2009 e ficou operacional em março de 2011. Quatro anos do conceito ao campo. A chave foi o design for manufacturing desde o primeiro dia: o interceptor Tamir custa 40 a 50 mil dólares em produção, ordens de magnitude abaixo dos equivalentes ocidentais. A filosofia da agência central de investigação e desenvolvimento de tecnologia de Defesa de Israel (MAFAT) resume-se à fórmula Capacidade × Disponibilidade = Eficácia, ou seja, uma arma razoavelmente boa, disponível 80% do tempo, é mais eficaz do que uma arma perfeita, disponível 10% do tempo. Isto não é um axioma tecnológico. É um axioma industrial: a eficácia depende da capacidade de produção em massa a baixo custo, ou seja, de MRL elevados.

A Coreia do Sul aplica o princípio do design for mass production desde a fase de conceção. A entrega de carros de combate K2 Black Panther à Polónia concluiu-se em três meses após contrato, prazo impensável sem maturidade industrial MRL 9-10 pré-existente. A Turquia, partindo de 25% de produção nacional em 2000, atingiu 80% e 7,15 mil milhões de dólares em exportações de Defesa em 2024, seguindo precisamente a lógica TRL-MRL: primeiro produção licenciada, depois coprodução, finalmente conceção e fabrico integralmente nacionais.

A União Europeia criou um pipeline implícito TRL→MRL através do Fundo Europeu de Defesa (EDF) e do Programa Europeu de Indústria de Defesa (EDIP). O EDF financia investigação e desenvolvimento até TRL 8; o EDIP, aprovado em dezembro de 2025 com 1,5 mil milhões de euros, financia industrialização, escalonamento de produção e aquisições conjuntas. O programa SAFE disponibiliza empréstimos até 150 mil milhões de euros para aquisições de defesa com pelo menos 65% de componentes europeus.

Mas há um problema estrutural: a Europa não adotou um quadro formal de avaliação MRL. Nos Estados Unidos, desde 2011, a lei impõe a avaliação paralela de TRL e MRL em cada marco de qualquer grande programa de aquisição de Defesa. Na Europa, o termo MRL aparece nos documentos de trabalho do EDF de 2026 exclusivamente como abreviatura de… Multiple Rocket Launcher. A Estratégia Industrial de Defesa Europeia de 2024 reconhece explicitamente um "défice de comercialização" entre investigação e produção, mas não propõe nenhum instrumento de medição.

Isto cria uma assimetria competitiva: uma empresa que conclui um projeto EDF em TRL 6 não tem forma padronizada de demonstrar maturidade industrial para financiamento EDIP. A primeira nação europeia que institucionalizar a acoplagem TRL-MRL adquirirá vantagem estrutural dentro da Base Tecnológica e Industrial de Defesa Europeia (EDTIB).

Portugal tem a sua indústria de Defesa Nacional muito fragmentada, muito dependente de PME, mas apesar de todos os problemas conhecidos nos grandes programas de defesa internacionais, a realidade é que Portugal conseguiu, nos últimos anos, uma integração relevante em consórcios europeus e NATO ligados à defesa, espaço, drones, sistemas autónomos, software crítico e inteligência artificial.

Só entre EDF, PESCO e NATO Innovation Fund, empresas e entidades portuguesas como TEKEVER, Critical Software, GMVIS Skysoft, Visionspace, INESC TEC, INEGI, N3O ou OptimalSatellite participam em dezenas de projetos avaliados em mais de mil milhões de euros. Portugal está hoje presente em 17 projetos EDF selecionados em 2025, participa em 17 projetos PESCO, liderando três, e tornou-se um dos principais beneficiários do NATO Innovation Fund, incluindo o investimento na TEKEVER e no fundo da Faber Venture Capital.

Portugal tem ainda vantagens estruturais difíceis de replicar: posição geoestratégica atlântica, as Lajes, a ligação ao espaço lusófono e competências reais em manutenção aeronáutica, sistemas eletrónicos, comunicações, naval e CBRN (Química, Biológica, Radiológica e Nuclear).

O problema português não é a ausência de talento, investigação ou participação internacional. O verdadeiro problema é Valley of Death: existe capacidade científica e algum desenvolvimento tecnológico, mas raramente se transforma isso em capacidade industrial sustentada e autónoma. Na prática, muitos destes programas acabam por colocar Portugal nas margens da cadeia de valor: montagem final, subcomponentes ou integração limitada, o chamado screwdriver assembly. E o mesmo aconteceu com os offsets das grandes aquisições militares: recebemos trabalho temporário, mas não transferência duradoura de capacidade produtiva. A diferença é fundamental: o trabalho termina quando o contrato acaba; a capacidade fica, gera indústria, exportações e soberania tecnológica.

O roteiro proposto para o que Portugal deveria fazer é o seguinte:

O primeiro passo é conceptual: Portugal precisa de adotar internamente a lógica da dupla avaliação TRL-MRL em todos os contratos de I&D de defesa. Não é necessária legislação nova, basta alterar os cadernos de encargos. Cada contrato de desenvolvimento deveria definir não apenas um TRL exit mas um MRL exit simultâneo: se o objetivo é um protótipo em TRL 6, o contrato deve exigir simultaneamente MRL 5, ou seja, cadeia de fornecimento preliminar identificada, estimativa de custo de produção em escala, pessoal técnico formado.

O segundo passo é institucional: o Ministério da Defesa Nacional através da DGAPDN (Direção-Geral de Armamento e Património da Defesa Nacional) e o Estado-Maior General das Forças Armadas deveriam incorporar avaliações MRL nos processos de aprovação de programas de aquisição, à semelhança do que o Pentágono faz por imposição legal desde 2011. Portugal participará em programas EDIP e utilizará financiamento SAFE, mas sem capacidade de demonstrar maturidade industrial MRL 7+, o risco é acabar como "simples financiador": pagar por sistemas sem participação industrial substantiva, exatamente como aconteceu em tantos offsets anteriores.

O terceiro passo é estratégico: Portugal não pode nem deve ambicionar autossuficiência industrial em Defesa. A geografia, a dimensão da economia e a estrutura das Forças Armadas não o permitem, mas pode, e deve, identificar os seus nichos de excelência e tornarem-se nó especializado e insubstituível dentro da EDTIB. Manutenção e modificação de aeronaves? Sistemas de vigilância marítima? Comunicações táticas? Veículos não tripulados de superfície? A escolha estratégica dos nichos, documentada e fundamentada por avaliações MRL rigorosas, é o que transforma intenção política em capacidade industrial.

O momento geopolítico é de uma clareza rara. A Europa rearma-se. O EDIP está operacional. O SAFE disponibiliza financiamento sem precedentes. A NATO aumenta as exigências sobre os aliados europeus. Portugal está a renegociar compromissos e a tentar afirmar-se como parceiro fiável no flanco sul e no Atlântico.

É precisamente neste momento que a ausência de uma política industrial de Defesa coerente, ancorada na acoplagem TRL-MRL, se torna mais dispendiosa. Não apenas em termos económicos: em termos de soberania estratégica, de credibilidade junto dos aliados, e de capacidade real de contribuir para a segurança coletiva com algo mais do que as Lajes e a boa vontade.

O que falta a Portugal não é dinheiro, não é talento, não é motivação geopolítica. É o tecido conjuntivo — a articulação mensurável, institucionalizada e rigorosamente documentada entre o que se investiga e o que se fabrica, entre o laboratório e o campo de batalha, entre a excelência académica e a capacidade industrial.

Como escreveu o General Platias sobre a Grécia no Roteiro para a Indústria de Defesa Grega, Revista Aérea Helénica, abril de 2026, palavras que se aplicam com igual precisão a Portugal: "O custo da inércia não se limita à ineficiência económica. Exprime-se como prolongamento da dependência estratégica, numa época histórica em que essa dependência evolui rapidamente de fraqueza para ameaça existencial."

A janela está aberta. Por quanto tempo, ninguém sabe!
**************************************************

Respeito, SEMRE, a opinião de outrem. 
Depois, concordo, discordo, argumento/ comento se me apetecer.

Considero interessante este artigo.
A propósito do tema, a propósito do momento internacional, a propósito do inarrável Nuno Melo, escreverei umas linhas.

Bom dia, boa 3ª Feira.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida.
Boa sorte, felicidades.

AC

quinta-feira, 29 de maio de 2025

FINALMENTE

Segundo notícias que foram caindo ao longo de muitas semanas já passadas, e relativamente à célebre meta dos 5% do PIB para a defesa,  tem havido reações diversas e diferentes de países /membro OTAN/ NATO.

Por exemplo, e para ficar por agora na Tugolândia, 5% é uma meta que foi considerada impensável porque, entre outras coisas, isso seria incomportável orçamentalmente e, sobretudo, pelas implicações / impactos sobre o designado Estado Social. O lençol é curto.

Lá fora mas sobretudo na Tugolândia, têm havido comentários, análises, posições, etc. de vários quadrantes e personalidades. 
Civis e militares. 

Mas para lá disso, dos discursos escritos ou verbalizados, e como de costume, temos sempre a conversa da treta. Opinião pessoal naturalmente.

5% é meta acomodável'
Claro que é.
Basta tão só seguir o exemplo socialista de décadas e muito também do PSD.

Basta seguir esses exemplos, e ver como contabilizaram ano após ano as despesas de defesa. 

Fossem, peixes de águas profundas ou carapaus de corrida, todos sempre tiveram a lata de dizer que andávamos pelos 2%. 
Rotunda aldrabice.
Mesmo juntando (como sempre fizeram) a GNR.
Não foi aliás nada inocente que um dia tenham passado estatutariamente a designar os elementos dessa força de segurança como militares. 

Mas vindo aos 5%, volto a afirmar que os 5% do PIB para defesa é coisa alcançável.
Como?

O fofinho do Rutte já explicou. Só os desatentos não perceberam.

Basta somar à despesa com a estrutura do ministério da defesa  chamada nacional (que é coisa que nunca foi, continua a ser apenas o ministério da tropa), a despesa total com as forças armadas que admito venha a ter algum incremento orçamental, mais a despesa com toda a estrutura do sistema de protecção civil, mais a despesa com o INEM, mais a despesa (como sempre têm feito) com a GNR, mais a despesa com a PSP, mais a despesa com a estrutura de controlo de fronteiras, mais a despesa de funcionamento das empresas portuguesas por exemplo lançadas na produção de drones.

Ah, e se somarem a despesa com Marcelo Rebelo de Sousa, perdão, com a Presidência da República. . . . .

Vão ver que não vai ser difícil. 
É só um pouco de imaginação.  
Aliás, não é por acaso que na Tugolândia, já não se encontram oposições frontais aos 5%, apenas preocupações!  

A engenharia financeira terá que estar pronta até à reunião NATO em finais de Junho próximo. Não vai ser difícil!
António Cabral (AC)

sábado, 1 de março de 2025

(Continuação)

SEGURANÇA,  DEFESA,  GUERRA.

A propósito do tema supra, a propósito dos sobressaltos que vão por esse mundo fora e designadamente ainda mais depois de 20 de Janeiro deste 2025, a propósito das baratas tontas que são os chamados lideres (????) Europeus deste anão militar que é a União Europeia (UE), a propósito dos sucessivos dislates na vertente interna onde incluo a MRPP que diz que os russos vêm por aí abaixo mais entrevistas e comentários de vários civis e militares, tenho repescado vários textos de opinião dos muitos que ao longo dos anos tenho escrito e partilhado aqui no blogue e em outros locais, e tenho expendido algumas opiniões sobre o que se vai agora passando. Aqui ficam mais umas palavras.

Que importância tem o nosso espaço interterritorial ?

Na perspectiva geopolítica - a importância geopolítica do nosso espaço interterritorial tem a ver com o conceito de soberania, tem a ver com a independência nacional, e com a integridade do território nacional. Se a unidade geopolítica for quebrada  perdem-se de vista os objectivos nacionais permanentes.

Na perspectiva geoestratégica - do ponto de vista geoestratégico ou ocupamos o espaço interterritorial ou alguém um dia o há-de ocupar.

António Cabral (AC)

(continua)

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

(continuação)

SEGURANÇA,  DEFESA,  GUERRA

A propósito do tema supra, a propósito dos sobressaltos que vão por esse mundo fora e designadamente ainda mais depois de 20 de Janeiro deste 2025, a propósito das baratas tontas que são os chamados lideres (????) Europeus deste anão militar que é a União Europeia (UE), a propósito dos sucessivos dislates na vertente interna onde incluo a MRPP que diz que os russos vêm por aí abaixo mais entrevistas e comentários de vários civis e militares, tenho repescado vários textos de opinião dos muitos que ao longo dos anos tenho escrito e partilhado aqui no blogue e em outros locais, e vou expendido algumas opiniões sobre o que se vai agora passando. Aqui fica mais um.

DEFESA NACIONAL

Agora que as enormidades crescem de todos os lados, civis e militares, e então agora com vacuidades várias algumas das quais a roçar a indignidade, apetece-me recordar certas coisas.

. . . A defesa é o primeiro dever do soberano. . . (Adam Smith)

. . . Se a política exige da guerra aquilo que esta não lhe pode dar, age contra as suas próprias premissas . . . (Clausewitz)

. . . conhece o teu inimigo e conhece-te a ti mesmo . . . (Sun Tzu)

. . . nos Estados, o fim mínimo da política é a preservação da ordem pública interna e a defesa da integridade e soberania nacionais. . . (Norberto Bobbio). . .

e para lembrar a certos palradores, institucionais e outros,

* . . . o conceito de Nação alude/ implica, comunidade, identidade, solidariedade . . .  

* . . . o conceito de Estado alude/ implica, força, poder normativo, autoridade, legitimidade, regime político, sistema de governo . . . 

* . . . quando se aborda sinteticamente os elementos de poder devem ser considerados, 

    - factores quantitativos (população, território, recursos naturais e outros) e 

    - factores qualitativos (unidade e moral nacionais, capacidade militar, diplomacia). . .

* . . . um Estado que na prática e ao longo de anos renega as suas responsabilidades navais, as suas responsabilidades nos mares imenso sob sua jurisdição, e não acautela a sua soberania e os seus interesses, 

- precisa de uma Marinha?

- bastar-lhe-á umas barcoitas de faz de conta, tipo GNR ?

- mal que pergunte, continuará a ser um Estado? 

- ou os canhões franceses Caesar que provavelmente iremos comprar ao sr Macron resolvem todas as questões?


António Cabral 

(continua)

domingo, 23 de fevereiro de 2025

(continuação)

SEGURANÇA. DEFESA. GUERRA.

A propósito do tema supra, a propósito dos sobressaltos que vão por esse mundo fora e designadamente ainda mais depois de 20 de Janeiro deste 2025, a propósito das baratas tontas que são os chamados lideres (????) Europeus deste anão militar que é a União Europeia (UE), a propósito dos sucessivos dislates na vertente interna onde incluo a MRPP que diz que os russos vêm por aí abaixo mais entrevistas e comentários de vários civis e militares, tenho repescado vários textos de opinião dos muitos que ao longo dos anos tenho escrito e partilhado aqui no blogue e em outros locais, e vou expendido algumas opiniões sobre o que se vai agora passando. Aqui fica mais um.

Apetece-me recordar Luís Salgado de Matos - “….. há porém um pequeno pormenor: Estado sem defesa e sem justiça, ainda é Estado? (Público, 28/ 10/ 2002)

O ser humano sempre se regeu e degladiou por razões de sobrevivência das populações.
Há um esquecimento (propositado ?) de que o ser humano sempre se arrastou para trágicas violências por causa de, credo, fé, sexo, cor da pele, acesso a bens essenciais e matérias primas, domínio de mercados, desenvolvimento económico.

Numa palavra, sobrevivência!

Um senhor de grandes saberes, Adriano Moreira, disse em 1998 - “que os problemas de conservação, segurança e desenvolvimento são principais na revolução cultural a que temos de proceder, para que finalmente tenhamos uma nova estratégia nacional que substitua a que nos guiou durante séculos, e deixou de corresponder às exigências do século que está a terminar”.

Alguma coisa terá sido feita, mas passou mais de um quarto de século e continuamos na mesma ou pior. Lá fora foi tudo vertiginoso.
Tudo alterado a ritmo alucinante. Como se vê.
Rússia e EUA a tentarem dividir outra vez o mundo nos palácios da Arábia Saudita, "cagando" na Europa, deixando o patético Macron e outros tontos Europeus tão angustiados que, de Munique passaram para Paris para a boa cozinha e vinhos e espumantes franceses.

Guerras. 
Evolução vertiginosa, de conjunturas, de geopolítica, e alianças.
Quanto a nós? Que estratégia nacional?

Continuaremos com remendos no Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN), como parece estar a ser o caso ?
Para já, em Belém e S.Bento (PM e deputados), devem estar muito contentinhos pois Portugal foi convidado para o almoço em Paris de 4ª Feira passada, por video conferência. Não comeu nem bebeu, viu!

Estarão a perceber que lhes vão perguntar se podem disponibilizar os leopardos inoperacionais de Santa Margarida e um batalhão para contentar o Zelensky, mais uns camuflados e botas e capacetes? 

E que tal um Conceito Estratégico Nacional, em vez das palhaçadas de décadas com o CEDN que é um documento super prolixo onde só falta ditar a hora a que os titulares de órgãos de soberania devem ir para a cama?

Que lições a ter presente quando se assiste a esta catadupa de anúncios e decisões desde 20 de Janeiro do corrente?
Reorganização da defesa nacional (DN) ?
Definição da política de DN, e de defesa militar ?

Que lições a tirar dos conflitos por todo o globo desde 2022, particularmente na Ucrânia, no Médio Oriente ?
Que reflexos para a organização militar ? 
Nos seus princípios de funcionamento ?
Que reflexos para os sistemas de forças ? 
E no equipamento ? 
E nas doutrinas, na instrução e no treino ? 
E no dispositivo militar ?

Em Portugal existe uma endémica inépcia política de há mais de um século. 
Acresce, uma endémica falta de rigor, quantas vezes uma mentira continuada.

“ ….. with public sentiment nothing can fail. Without it, nothing can succeed” (Abraham Lincoln, 21/ 8 / 1858)

Aos políticos e elites tugas poderá ocorrer dizer que isto é para parvalhões, não para nós, os melhores dos melhores!

Nada se discute seriamente em portugal, estruturado, e com visão de longo prazo.

Será que Marcelo, Pedrinho, Montenegro, Melo, Rocha, o inarrável Ventura e outros, percebem que Rússia e EUA estão a tratar de ver se se entendem rapidamente quanto à Ucrânia e Europa, para irem depois tratar dos seus negócios no Médio Oriente e em África?

António Cabral (AC)

(continua)
GANDA  CAPITÃO
Lembrei-me de ti depois de ler um artigo de uma criatura sobre a importância dos Açores. 
AC

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

REVIRAVOLTAS
FRANÇA, teve vários protagonistas políticos, de cores diferentes, entre eles Charles de Gaulle (CG).
CG lutou desesperadamente para, durante a II GG, manter viva a ideia de liberdade em França, lutou pelo seu país, insurgiu-se cedo contra os ditos aliados que o menosprezavam. E não se esqueceu disso. 

Depois da II GG saltou para o poder, as coisas correram-lhe mal, saiu, mas voltou mais tarde em força. A Argélia sofreu-o, mas acabou por largá-la creio que contra a vontade de vários políticos e muitos dos seus militares. Opôs-se ao Reino Unido, obrigou a mudar a sede da NATO.

Penso que a França progrediu, creio ser da sua responsabilidade a criação da "Force de Frappe", mostrando alguma ligeira independência face aos EUA. Saiu de cena quando a França viveu muita turbulência sindical e estudantil, e designadamente o Maio de 1968.

Quer a França quer o Reino Unido acabaram por ter submarinos de propulsão nuclear e porta mísseis.
No plano militar convencional desenvolveram carros de combate, navios de guerra e aviões. Na guerra israelo-árabe de 1967 os Mirage foram decisivos.

A criação da NATO  poucos anos depois de 1945 teve vários objectivos mas, sobretudo, o que foi bem sintetizado na famosa frase que eu traduzo assim - os americanos dentro, os russos fora, a Alemanha submetida (down).

A par disto, os EUA através sobretudo mas não só do plano Marshall de recuperação da Europa no pós guerra, avançaram gradualmente com bases um pouco por toda a Europa Ocidental mas, particularmente, na Alemanha então dita federal (RFA) e Turquia.
Os anos passaram e viveram-se décadas de "MAD" assegurando a mútua destruição em caso de algum disparate da parte de algum dos lados, de algum dos blocos militares.

Tirando a França e o Reino Unido, com a sua "modesta" força nuclear que creio se pode dizer basicamente táctica, os mísseis inter continentais eram apenas possuídos pelos EUA e URSS. Para lá da dimensão de forças em homens, navios, aviões, logística, bases militares, sistemas orbitais, etc.

E vários acordos foram sendo celebrados a partir sobretudo da era Reagan, tendo em vista alguma redução dos arsenais nucleares, estando sempre presente a MAD.

Na Europa, esquerdas e não só, sempre protestaram contra o desvario nuclear. Sempre protestaram contra a existência dos mísseis americanos estacionados na Alemanha virados para a URSS.

O muro de Berlim caiu, a URSS implodiu e até, 2000, viveram-se confusões e aspirações idílicas, e até se realizaram exercícios sobretudo navais entre forças ocidentais e da Rússia.

A partir de 2000 tudo se foi alterando, iniciou-se a era do czar Putin do lado da Rússia, e do lado americano o Bush filho, o Obama e subiu à Casa Branca em 2016 o tresloucado Trump. Surgiram depois o senil Biden e agora em janeiro passado o ainda mais tresloucado Trump.

Do plano Marshall até ao presente, a Europa Ocidental criou a comunidade do carvão e do aço, criou a CEE e transformou-a depois na UE.
A Europa Ocidental foi basicamente obrigada a descolonizar África e Ásia. Bandung foi um marco.
O Reino Unido criou a Commonwealth que, em certos aspectos, conseguiu manter alguns laços no plano do desenvolvimento e dos negócios. 
A França (la grandeur de la France) imaginou possível manter mãos de seda nas antigas colónias, mas foi humilhada na Ásia e tem-se dado mal em África, ainda hoje, Mali e etc.

Há pouco dias, à Europa Ocidental, e publicamente, foi recordado que não passa de um anão militar. 
E, talvez pior, foi-lhe dito de forma directa e grosseira - tratem dos vossos problemas como por exemplo a guerra na Ucrânia.

Macron, patético e egocêntrico como sempre, não sei se por ter olhado para o retrato de CD na galeria dos seus antecessores, ou porque a velha Brigitte lhe nega favores, colocou-se em bicos de pés e chamou alguns "pares". 

Os patéticos Costa, Ursula e Rutte acorreram nos seus aviõezinhos ao almocinho no Eliseu. 
Houve quem não apreciasse a coisa, refilou, e há dois dias novo encontro, provavelmente com mais do bom champanhe francês.

Continua a desconhecer-se se vão escrever um livro branco, ou verde.

O que se está a verificar é que muitos dos que até ao presente vociferavam contra coisas militares, armamento, despesas militares, guerras, nuclear, aparecem agora verbalmente arvorados em belicistas.
Querem nos almocinhos armas de destruição maciça, tudo regado com o bom champanhe francês.

Que se seguirá nos próximos dias?
Revisão dos orçamento nacionais?
A UE abre o portão das apertadas regras orçamentais?
A UE avança para o nuclear?
Que se dá/ empresta à Ucrânia?
Ah, já agora, o estado social passa para terceiro plano?
A brutal dívida do BCE não é para aqui chamada?

Por cá, na Tugolândia, e por exemplo face ao que ouvi ontem à tarde em Lisboa, entre coisas com muito sentido, pareceu-me descortinar em alguns desejos de mais do mesmo de há 30 anos!
Aguardemos.
António Cabral (AC)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

(CONTINUAÇÃO)

SEGURANÇA, DEFESA, GUERRA

A propósito do tema supra, a propósito dos sobressaltos que vão por esse mundo fora e designadamente ainda mais depois de 20 de Janeiro deste 2025, a propósito das baratas tontas que são os chamados lideres (????) Europeus deste anão militar que é a União Europeia (UE), a propósito dos sucessivos dislates na vertente interna onde incluo a MRPP que diz que os russos vêm por aí abaixo mais entrevistas e comentários de vários civis e militares, tenho repescado vários textos de opinião dos muitos que ao longo dos anos tenho escrito e partilhado aqui no blogue e em outros locais, e tenho expendido algumas opiniões sobre o que se vai agora passando.

Hoje reproduzo uma parte de um texto antigo, de um verdadeiro SENHOR referente a conceitos na esfera Constitucional e militar.
..........
Tem sido propalado, por alguns orgãos de comunicação social, o conceito da subordinação do chamado "poder militar" ao poder político.
Com a única intenção de contribuir, a nível interno, para alguma consonância na interpretação de tal expressão, entendi por bem tecer as seguintes considerações:
- O "poder militar", na acepção que habitualmente se lhe pretende dar nos meios de comunicação social, não existe

- O que existe, isso sim, é uma componente militar do poder nacional, representada pelas suas Forças Armadas, essencial à defesa do País ou dos seus interesses vitais quando estes se encontrem ameaçados.

- No que respeita à subordinação do aparelho militar ao poder político, ela é inquestionável e constitui uma condição fundamental num Estado de direito democrático tal como, no nosso caso, está consagrado na Constituição.

(Almirante Vieira Matias, quando era Chefe do Estado-Maior da Armada)
………………..
(sublinhados da minha responsabilidade)

Claro, simples, inquestionável, mas continua a ver-se na sociedade, aqui e ali, que não percebem, ou melhor . . . . . . .  querem lá saber.

E acrescento, há uma diferença abissal entre subordinação e submissão.
Um bom militar é subordinado, nunca submisso.

No final do Cavaquismo, e com o entusiástico aplauso do PS, as normas para nomeação das chefias militares foram alteradas, depois de um episódio que causou muita azia aos então PM e MDN. 

O episódio: queriam para chefe de um dos ramos das forças armadas  uma dada criatura, mas essa criatura não apareceu na lista de três nomes que, de acordo com as normas legais da altura, esse ramo submeteu à consideração do então MDN, que podia ter recusado a lista, e querer do ramo uma outra. Não recusou, mas ficou com uma grande azia.

A preferida criatura mas não constante da tal lista inicial, veio a ser mais tarde premiada com um importante cargo na máquina do Estado.

As chefias militares passaram a ser nomeadas com grande carga política, passaram a ser fortemente politizadas, sem nenhuma intervenção dos ramos das Forças Armadas. 

Quando se coloca a questão da substituição de um chefe de um dos ramos das forças armadas, todos os oficiais generais (generais e almirantes) de três estrelas no activo são chamados, um a um, ao gabinete do MDN que, depois de conversas, escolhe o que lhe parece mais adequado (fofinho, no dizer de alguns), sugere-o ao PM, e este leva ao PR, que formalmente nomeia e dá posse.

Normalmente, os três (PR, PM, MDN) ficam agradados à primeira com o perfil escolhido. 
Não recordo desde 1994 nenhuma 2ª volta destes processos.
Mérito para que te quero!

Tenham uma boa 5ª Feira. Saúde, boa sorte.

António Cabral

(Continua)

 (continuação)

SEGURANÇA, DEFESA, GUERRA


MACRON 2.0  e . . . . UCRÂNIA

Tivemos então a 2ª pomposa reunião de Paris. Desconhece-se se Brigitte serviu cafés e brioches aos convidados.

Trump prossegue com as diatribes, Putin deve andar nas dele, Xi deve andar a rebolar-se de gozo com tudo isto, e os tontos lideres (???) Europeus andam nestas palhaçadas inconsequentes. Verdadeiras baratas tontas!

A maioria das pessoas, presunção minha naturalmente, não deve andar a ligar muito isto.

Preferirá preocupar-se (compreensivelmente) com o preço do gás, e com os resultados das equipas de futebol nacionais, com o funeral de Pinto da Costa, com os anos e outras interessantes (???) coisas do Ronaldo.

Na Ucrânia, a pancadaria continua e, como sempre, nunca se sabe com rigor o que está a acontecer nas zonas de pancadaria acesa entre Russos e ucranianos.

A maioria das pessoas não sabe e os poucos que poderão querer olhar para isso acabam por desligar, que a UE tem mecanismos e regras para tratar de reunir os 27 países, tem regras para tudo e mais alguma coisa.

Como eu e outros sempre soubemos, a UE não funciona, não quer coisas formais para congregar os 27. Então em coisas destas, guerra!

O inarrável Costa fez um ou mais retiros, o igualmente inarrável Macron fez uma reunião tosca em Paris, beijou Rutte e Costa e outros, e fez outra reunião nesta 4ª Feira para disfarçar as várias parvoíces na preparação (???) da de 2ª Feira passada.

Nada disto é formal no âmbito da UE, e o tolinho Costa predispôs-se a ir passear para Paris tal como fizera para o retiro. E a Ursula não lhe ficou atrás. Tudo vazio de conteúdo, tudo vazio de coisa substantiva, concreta.

UNS PALHAÇOS. MAUS PALHAÇOS.

Que resultados? ZERO!

Pois terá havido uma ideia - vamos lá colocar soldados entre os do Putin e os do Zelensky! COMO ?

Aonde? Na fronteira Oeste do Donbass? Ah. . . .ah . . . ah . . .
O Zelensky nunca aceitará reconhecer com isso que o Donbass está perdido.
Quantos? De que países? Com que segurança? Que apoios?
Os EUA garantirão o apoio de geolocalização, ou isso vai acabar?
A geolocalização do Musk se calhar acaba também, não ?

Colocar soldados onde, junto à fronteira do Donbass com a Rússia? Ah . . . Ah . . . Ah . . . 

Tudo isto é inconsequente, uma palhaçada, não sabem o que fazer, têm a Ucrânia no colo, tipo bebé com fralda toda borrada, e estão todos a ver quem pode ou quer mudar a fralda do cocó! Entretanto uns correm a abrir a janela por causa do mau cheiro.

É como estamos, salvo melhor opinião.
Aguardemos
AC

(continua)

(continuação)

SEGURANÇA, DEFESA, GUERRA

(republico texto de 27FEV2020)

A  PROPÓSITO  de  COISAS  MILITARES
A propósito de coisas militares, na minha rotineira pesquisa na NET pelos OCS nacionais e internacionais, tropecei numa notícia recente do DN sobre as nossas Forças Armadas (FA), mais concretamente sobre uma carta de generais endereçada a Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República e Comandante Supremo das FA.
Li e reli e, depois, para cidadão comum  que sabe apenas um pouco mais que "poucochinho" sobre questões militares fui procurar outras coisas inclusive ao meu arquivo.
O título do artigo do DN (o jornal voltou ao tema em 25 de Fevereiro) fala em generais alertando Marcelo para a pré-falência das FA, através de uma carta formal assinada nomeadamente por três ex-chefes dos três Ramos das FA, oficiais que integram uma associação denominada GREI (Grupo de reflexão estratégica independente).

Os incautos, ao ler aquelas palavras, poderiam ficar alarmados.
Mas ficariam porventura menos desassossegados depois de, verificarem que a carta era assinada por reformados ex-chefes militares e,  também, depois de verem que a associação 25 de Abril não parece ter manifestado semelhante e vincado alerta.
Depois de consultar os meus arquivos, fica-me por exemplo a convicção firme de que designadamente a AOFA (Associação dos Oficiais das Forças Armadas) tem toda a razão quando afirma que nada do que a carta traz é novo, nada que a AOFA não tenha vindo a denunciar ao longo de pelo menos a última década. 
Quase parece uma estocada suave da AOFA. 
Uma alma retorcida será porventura tentada a pensar que os signatários da carta quiseram dar prova de vida. 
Quase parece aplicar-se a frase célebre - muitíssimo reservados no activo, muito activos na reforma.
Mas uma coisa é certa, e inegável, e tem mérito, conseguiram uma reacção escrita da parte de Marcelo. 
Já o teor da resposta do Comandante Supremo das FA...............

Das declarações dos partidos sobre o assunto, a que me pareceu mais séria e assertiva foi a do PCP pela voz de António Filipe - "o aviso dos generais tem razão de ser" - "embora não haja novidade nas situações descritas- "estas situações não nasceram hoje" - "já eram denunciadas quando os generais eram chefes dos ramos -"os problemas são reais" - "a solução dos problemas exige vontade política muito forte" 
António Filipe disparou uma outra nota óbvia é que estes generais que agora assinam a dita carta não podem isentar-se de alguma quota de responsabilidadeMais que óbvio. 

António Filipe acrescentou algo para mim discutível - "o actual ministro da defesa parece querer resolver os problemas".
Será que, por exemplo, a recente reacção desse ministro quando interrogado sobre a questão da Marinha ir ficar sem navio reabastecedor de esquadra, se enquadra na afirmação do deputado comunista?

É que, salvo melhor opinião, um ministro que quando interrogado responde - vão perguntar à Marinha - fica definido nessa curta frase.
Porquê? Porque do que se trata é de uma questão política, de uma decisão política, e de inerente atribuição de verbas para obviar a grave lacuna que atingirá a Marinha a curtíssimo prazo, com evidentes prejuízos em termos de País. Não é - perguntar à Marinha!
Já agora, talvez se devesse lembrar a este tipo de artistas políticos (titulares de orgãos de soberania) porque umas vezes estão muito distraídos e na maioria das vezes muito incompetentes:  
"You have (or not) a Navy".
"You raise an Army". Period.


Só para ver se fica claro.

Quando se afirma que a actual e crescentemente gravosa situação no seio da instituição militar "começa finalmente a ser tema central na sociedade Portuguesa", considero que assim devia ser e há muito tempo.
Mas estou convencido que não é a realidade, infelizmente.
O cidadão comum, a esmagadora maioria dos cidadãos, está-se nas tintas para as questões militares, muitos cidadãos não percebem e pior que isso, nem se dão ao trabalho de pensar, na razoabilidade em termos militares destacados em diferentes locais do mundo, valorizando o País.
A esmagadora maioria dos cidadãos terá a noção que defesa nacional é o mesmo que FA, o que é um perfeito disparate, pois as FA asseguram tão só o último pilar da soberania nacional.

Mas neste assunto, entre outras coisas que achei muito curiosas, quer dos artigos do DN, quer das declarações partidárias, quer sobretudo da posição da AOFA, é a ênfase clara que a AOFA coloca e bem neste assunto. 
De facto, percorri exaustivamente documentação antiga e é para mim muito claro que ao tempo em que os signatários da carta eram responsáveis pela Marinha, Exército e Força Aérea, já há muitos anos que a AOFA alertava para a degradação no seio da instituição militar, no plano dos efectivos, nas questões das promoções, no reapetrechamento de material, nas remunerações, no aumento das vulnerabilidades do sistema de defesa nacional, na legislação diversa respeitante à instituição militar, no apoio social e sub-sistema de saúde.
E, pareceu-me, que a AOFA dá uma estocada suave mas clara neste Presidente da República e Comandante Supremo das FA ao referir que (e  penso que se pode subentender que os anteriores PR são também destinatários e a meu ver bem) as coisas poderiam porventura estar um pouco diferentes se anteriormente já tivessem existido diferentes e claras posições políticas por parte do PR.

Mas ainda a propósito da carta de resposta do PR aos oficiais do GREI há uma outra coisa que me parece também curiosa.
Tendo vasculhado muita documentação, sei que houve em Dezembro passado uma carta aberta de antigos combatentes endereçada ao Comandante Supremo das FA. 
Provavelmente deficiência minha, mas dessa carta não encontrei o mesmo eco que agora se viu quanto à carta de ex-chefes militares. 
Ainda certamente por deficiência minha, não descobri reacção do professor Marcelo. 
Se foi exactamente assim que as coisas se passaram como me está a parecer, há então pequenas diferenças. PIQUENAS, como diria a Dra Manuela.

Recorrendo à fotografia, como estão na fotografia todos os ex-titulares de orgãos de soberania que foram inquilinos de Belém e de  S.Bento? 
Todos mal, como mal continuam este governo e ministros, e quanto ao actual inquilino de Belém ainda não está muito mal na fotografia mas..............
Para tudo isto, ou seja, 
> a crescente degradação nas FA, 
> mais as indecorosas declarações e posturas de alguns, 
> mais o desprezo concreto a que continuam votados os antigos combatentes, 
> mais a continuada falta de vontade política forte e consensual que era necessária para encarar seriamente estes problemas,

reproduzo uma parte de uma excelente frase de pessoa que respeito - e a dignidade, …… onde fica?

António Cabral  (AC)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

SEGURANÇA, DEFESA, GUERRA.

(Continuação)

A  FORTÍSSIMA  EUROPA
Se percebi bem para a reunião do vaidoso Macron foram também convidados o PM do Reino Unido, António Costa, Ursula e o inarrável lacaio Rutte.

Roberto Fico foi um dos vários não convidados. Como Montenegro e o espanhol Sanchez. Península Ibérica vale zero!

Robert Fico teceu críticas à presença de António Costa e Ursula no almoço de Macron.
Creio que Fico tem alguma razão, pois estes manhosos lideres da Europa não têm mandato para tratar de questões como o potencial envio de tropas para a Ucrânia. O homem da Polónia já publicamente e antes do almoço com Macron definira que a Polónia não enviaria tropas para a Ucrânia.
Evidentemente que estes lideres (???) mudam de posição com a maior das facilidades.

Robert Fico enfatizou que a UE “não tem nada que ver” com um possível envio de militares, uma vez que tal decisão caberia a cada um dos Estados-membros debatê-la a título individual, ou na ONU.

A oposição à eventual adesão da Ucrânia à NATO parece ser partilhada por vários países, com os EUA de Trump à cabeça.

Macron anunciou outro almoço para muito breve. 
Parece-me evidente a enorme divisão nesta matéria. 
Parece, também, que serão convidados mais países, incluindo od Ibéricos.
Aguardemos.

Mas aguardemos sobretudo como irão descalçar a bota, pois não me parece que o acordo a que estarão a chegar na Arábia Saudita EUA e Rússia seja concretizável facilmente. Zelensky creio que o sinalizou já muito claramente. 
AC
(continua)

domingo, 16 de fevereiro de 2025

(continuação)

Sobre, SEGURANÇA, DEFESA, GUERRA.

A  "Fortíssima"  EUROPA
Sabe-se pelas notícias que Macron presidirá em Paris nesta 2ª Feira a uma reunião para discutir o futuro da segurança Europeia, em face das conhecidas iniciativas do tresloucado Trump quanto à Ucrânia.

Ao falar da Europa creio que devemos falar, de todos os países do Continente Europeu, da União Europeia (UE), da Europa do Euro, da Europa de Schengen. E do Reino Unido.

A Europa é banhada a Norte pelo Oceano Glacial Ártico e a Oeste pelo Oceano Atlântico.
O Mediterrâneo, Mar de Mármara, Mar Negro e Mar Cáspio limitam-na a Sul e separam-na de África e da Ásia
A Leste, a linha de separação entre a Europa e a Ásia é mal definida mas, classicamente, os Urais e o Cáucaso são tidos como essa fronteira Leste.

O Reino Unido está fora da Europa do Euro e da Europa de Schengen. 

Quanto à UE é de há muito sabido que os países mais fortes olham com crescente sobrolho carregado para essa coisa da igualdade entre os vários Estados. Aliás, os últimos tratados "trataram" de começar a alterar um pouco o que os pequeninos queriam que se mantivesse, um país um voto.

O que se vai passar agora em Paris, onde creio estarão presentes pelo menos Holanda, Itália, Alemanha, França, Bélgica, Espanha, Dinamarca, Finlândia, Polónia, Hungria, porventura até o ridículo Luxemburgo? Não faço a mínima ideia.

Estará lá alguém representando a Ucrânia? O Reino Unido será convidado? Não faço ideia.
Mas vê-se por aí ser referido - os principais países Europeus.
Para discutirem o título pomposo -"Futuro da Segurança Europeia". 

Na realidade, irão discutir o quê, olhar a quê?

- Vão pedir ao inarrável Solana que apareça por lá, e leve as súmulas sobre a PESC e a telenovela de décadas chamada "Construção de uma Identidade Europeia de Segurança e Defesa?

- Tentar convencer a Polónia, República Checa (quero lá saber do Chéquia), Hungria, Roménia, Finlândia, Suécia, a arranjarem uma espécie de exército dos Estados com fronteira com a Rússia e Bielorússia? E a Ucrânia?

- Vão contabilizar os submarinos nucleares operacionais e porta mísseis do Reino Unido e da França?

- Vão debater a colocação de mísseis nucleares Franceses e Britânicos mais perto das fronteiras da UE com os Putanescos?

- Vão debater o serviço militar obrigatório?

- Vão debater quais as várias rubricas orçamentais de cada país que terão de ser comprimidas para desviar recursos financeiros para segurança e defesa?

- Vão tentar perceber se os países como Portugal podem fabricar camuflados, botas, munições para armamento ligeiro?

- Vão querer que até final do ano todos os carros de combate que os países tenham fiquem finalmente operacionais?

- Vão criar uma esquadra naval Europeia semelhante à que a NATO dispõe?

- Vão discutir chefias militares para as forças a erigir, sendo certo que Gouveia e Melo comandará a parte naval?

- Cientes de que militarmente a Europa é um anão, vão elaborar um protocolo para solicitar aos EUA que ajude a Europa em caso de conflito e, portanto, disponibilize aquilo que a Europa não tem e que é o sistema de geo-localização, sem o qual podem ter brinquedos muito bonitos que não acertarão uma?

Aguardemos para ouvir as conclusões dos "principais países Europeus" sobre esta matéria.
Conclusões e certamente decisões para esta Europa tão unida.
No mínimo, presumo que deverá ser determinada a elaboração de um livro branco ou um verde. Talvez azul!

António Cabral (AC)

(continua)

sábado, 15 de fevereiro de 2025

GUERRA
A história assim o demonstra, depois de uma guerra há uma natural tendência para supor um mundo relativamente idílico.

Aos que, como eu, nunca foram nesta cantiga, chamam-lhes, ou maus, ou pessimistas, ou derrotistas, ou tremendistas.

Catalogar-nos como realistas e de olhos bem abertos ao mundo dos homens, naturalmente perversos que todos nós somos, isso é que não.

Um mundo idílico, acentuadamente desarmado, em que falam nos dividendos da paz.

Depois da II GG, pensaram que umas quantas armas nucleares e umas forças convencionais mais reduzidas seria um sistema mais económico, mais simples, seria um sistema racional para manter as coisas relativamente calmas. 
Viu-se depressa que era uma falaciosa concepção.

No fim da guerra fria muitos vaticinaram que não haveria mais falácias, que não haveria mais desilusões. 

. . . . . . POIS!

Estas breves palavras pretendem ser também "mais um pontapé" para abordar o "massacre" a que antes já me referi.

Chamo "massacre" ao bombardeamento mediático sobre a guerra, a defesa e as forças armadas (FA), a segurança, massacre nomeadamente protagonizado por, Trump, Rutte, Ursula, Costa, e tantos mais lá fora e cá dentro, e que não se cansam de papaguear um chorrilho de asneiras, sempre certos de que a maioria dos cidadãos não tem memória, além de ligar nada a estas coisas.
E, também por isso, acontecem certas coisas, Más!

Tal como escrevi no final de um breve comentário a uma recente entrevista dada ao DN por um general tido como muito sapiente (???), todos os textos ou breves comentários sobre segurança, defesa, soberania, guerra, forças armadas, a que me irei dedicando com calma, terminarão com (CONTINUA).

AC

domingo, 10 de abril de 2022

A DESCARADA AUSÊNCIA DE VERGONHA NA CARA
(
da NET) Javier Solana: “A NATO precisa de uma União Europeia competente”. Para Javier Solana, o dilema da defesa comum da Europa resolve-se com forças “mais interoperacionais”. “Talvez este seja o momento em que a NATO não está preparada para agir e em que a UE tem razões para agir”, diz sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Esta "prenda" andou anos a passear-se por Bruxelas no bem bom, havendo OCS que o titulavam disto e daquilo e, ele e outros, em concreto, nada quiseram fazer. Trataram da vidinha. Agora vem com estas considerações. Por cá temos parecido, temos até criaturas que se mostram muito contristadas por terem sido complacentes aqui e ali.

Cambada de malandros.
AC

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

D E F E S A

Esta coisa da defesa tem muito que se lhe diga. Por exemplo.

> se falarmos de futebol, há os que normalmente gostam de atacar, outros jogam sempre à defesa, outros colocam o chamado autocarro deitado à frente do guarda-redes, etc.;

> se falarmos de política, cá ou lá por fora, é um pouco como no futebol, uns assertivos, outros demagogos, muitos são uns aldrabões, em suma, uns ao ataque desavergonhado, outros sempre à defesa, etc.;

> na sociedade, e então no presente com tantas incertezas e pandemia e "palermia", umas pessoas são mais prudentes jogam mais à defesa, outras são o oposto, etc.;

> se falarmos de defesa nacional temos então um campo enorme para ponderar, para avaliar as criaturas formalmente mais responsáveis pela defesa nacional; temos pano para mangas como se usa dizer. No caso nacional, conhecem-se bem os principais protagonistas, Primeiro-Ministro, ministro da defesa nacional e o chefe de estado-maior general das Forças Armadas. Constitucionalmente, o Presidente da República é o Comandante Supremo das Forças Armadas, sendo que as Forças Armadas constituem um dos pilares da defesa nacional, apenas um dos pilares, o militar.

> quanto a defesa nacional e em particular quanto ao pilar Forças Armadas, e depois de várias conversas com o meu melhor amigo militar que é almirante de Marinha, já me interroguei por mais de uma vez se, tanta asneira feita nos últimos meses se deverá apenas ao ego de duas criaturas que se sabe bem quem são ou, além do ego e da incompetência e da desfaçatez, será por nada beberem às refeições ou, outra hipótese, porque não se contêm na bebida? Gostava de perceber. 

AC

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

COMO  PARECE  EVIDENTE
Estive, cheio de paciência, que aqui na aldeia se ganha bastante, a voltar a olhar para as inúmeras peças que envolvem o sr Cravinho. Em particular no respeitante, às obras do Hospital Militar em Belém, à situação caótica do Arsenal do Alfeite, a lamentável reforma da estrutura superior das Forças Armadas que, na essência, foi para tornar um senhor em "donozinho" daquilo tudo, e o deplorável episódio da putativa substituição do chefe da Marinha.
Ah, e a bronca com o PM e PR a propósito de denúncias sobre alegados factos ligados a pedras preciosas e quejandos. 
 
Como parecerá evidente a qualquer cidadão comum bem formado, que tenha olhado com alguma atenção o que se conhece desses assuntos (há muitos outros), este sr Cravinho não anda nada bem, e há muito tempo.

Até o antigo procurador-geral da República (PGR) Pinto Monteiro (muito longe de ser de direita) outro dia disse não entender porque é que o ministro da Defesa não comunicou ao primeiro-ministro o alegado envolvimento de militares portugueses no tráfico de diamantes. 

Concordo com o antigo PGR que assinalou, e bem, que este caso obviamente afeta o "prestígio internacional das Forças Armadas", acrescentando que Gomes Cravinho devia ter comunicado o sucedido ao chefe máximo, que é neste caso o Presidente da República. 
Realçou mesmo um "não cumprimento do dever" por parte de Gomes Cravinho. E o ex- PGR desmontou mesmo a falácia avançada pela criatura sobre o segredo de justiça, quando estava em causa nomeadamente um aspecto com envolvimento internacional.

Mas é como estamos, com criaturas deste calibre. Criaturas rodeadas por outras criaturas, militares e civis, de igual ou ainda pior calibre. 

Ontem, depois de receber uma chamada telefónica do meu melhor amigo militar, que é um almirante da nossa Marinha (a de guerra), a seu conselho debrucei-me sobre uma coisa que dá pelo nome de "idD Portugal Defence"
Bom, é sobre defesa, e do que li fiquei tão intrigado que vou voltar ao assunto em separado. Fiquei  intrigado e ainda mais curioso. 
O meu amigo disse-me assim - repara bem nos detalhes, e não te esqueças dos nomes, António Costa, Cravinho, Marco Capitão Ferreira.
AC

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

TRUMP e vários parvalhões por aí

Tenho a pior das opiniões sobre este troglodita (para não ser aqui insultuoso, e os trogloditas que me perdoem) mas ver atribuir ao personagem TRUMP por parte de alguns esquerdóides o enfraquecimento do "hard power" ocidental parece-me esquisito, no mínimo.

Quando se invoca o mundo Ocidental creio que, fundamentalmente, se tem em vista, a Europa, EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia.

O idiota do TRUMP teve atitudes para com a NATO de que pessoal e liminarmente discordo. Mas daí a dizer que se enfraqueceu a força bélica do mundo Ocidental…….Que eu saiba, ao nível das forças armadas dos EUA, ao nível do "soft power" do país, ele nada diminuiu.

Creio que quando aos outros países não me parece que tenham diminuído as suas capacidades militares. 

Já quanto à entidade Europa a cantiga é outra, mas não me parece que a responsabilidade seja do TRUMP. A Europa continua uma entidade política cada vez com maiores aberrações e dificilmente se pode considerar mais do que um anémico anão militar.

A Europa pós-45 construiu-se com base no carvão, no Marshall, na força braçal essencialmente escrava de milhões que emigraram sobretudo para França, Alemanha, Áustria, Bélgica, Holanda, Escandinávia, Luxemburgo, Suíça, enquanto o Reino Unido se enchia com os asiáticos das ex-colónias. E assim, essencialmente, se formou o estado social na Europa Ocidental e se desenvolveram os países que bem sabemos. E por isso quase nada gastaram em defesa e armamento. O Reino Unido e a França dotaram-se de algumas componentes nucleares. É tudo, creio.

A culpa é do asqueroso Trump? Hum……

AC

domingo, 31 de outubro de 2021

PAZ,    GUERRA,    PAZ

Não é pelo facto de estarmos formalmente em paz que podemos abandonar conceitos de defesa e de segurança.

Tal como não é por os carros serem hoje mais seguros que devemos esquecer as boas regras da condução.

Tal como não é por haver vacinas para praticamente tudo que devemos ser descuidados com a nossa saúde e segurança física.

Ah, a propósito de vacinas para quase tudo, infelizmente não há para tudo. 

Não existem, por exemplo, para afastar os energúmenos que nos infernizam a vida e nos entram em casa através das TV e Internet. Infelizmente, não há vacinas de decência e dignidade para inocular a gentalha habituada a servir-se em vez de servir a sociedade.

AC

domingo, 14 de julho de 2019

DEFESA, à DEFESA, ou em BICOS de PÉS?
Quando leio ou ouço certos pândegos a falar com ar de cátedra vêm-me sempre à memória cenas do passado.
Por exemplo, daquele (e não estou a falar de Marques Mendes, embora se aplique) que era baixote e colocava um estrado para parecer mais alto mas, e sobretudo, os sapatos do rapaz tinham uns tacões de "alto" gabarito. Enfim.
Voltando ao que leio por aí, sua Alteza foi há pouco tempo passear a França por ocasião do dia nacional por lá e viu com orgulho, segundo disseram, 30 militares nacionais a integrar o desfile militar comemorativo da tomada da Bastilha.
Os pressurosos jornalistas lá fizeram umas perguntinhas, mas nunca vão ao fundo das coisas, claro, para não maçar as Excelências e, sobretudo, não complicar a vidinha ao fim do mês.

Falou de defesa assim por alto, com ar de profundidade e, se o que li corresponder exactamente ao que saiu da boca (isto de jornalistas é de estar sempre com os dois pés atrás) falou em, núcleo duro para ter atenção ao que se passa (???), capacidade de diálogo, e que se faça uma ponte para o Reino Unido (o túnel da Mancha não chega!!!).
Ficou também a saber-se que Portugal integrará uma tal de iniciativa Europeia de intervenção. 
Deve ser uma grande força liderada pelo Macron.
Marcelo terá afirmado que Portugal tem capacidade para dar opinião junto de outros países. Opinativo, comentador.
Após o desfile, naturalmente, houve almocinho.
Ah, mas ando descansado, Marcelo não quer um exército Europeu.
Ele, como muitos tontos, teima em falar em exército quando, a haver um dia uma força militar na Europa participada por vários países, haverá meios humanos e materiais das forças terrestres, aéreas e navais. Mas enfim, casa militar.
AC

Ps: juro que li tudo isto no Expresso online. 
Além disso, ficou-me a sensação de que não abunda a noção do ridículo. 
Aliás, é curioso observar na fotografia a cara de gozo do Augustinho.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

PORTO, MURALHAS FERNANDINAS
O Porto é uma das várias cidades do meu País que me fascina.
Por várias razões, por diferentes aspectos.
Tanto quanto julgo saber, e a propósito do título, terá sido ao tempo de D. Afonso IV que foi mandado construir-se uma defesa amuralhada para tentar proteger o Porto.
O nome de muralhas Fernadinas advém de ter sido completado no seu reinado ( D. Fernando) o que antes fora iniciado.
Entre muralha e torres a distâncias variadas, estamos a falar de 11 a cerca de16 metros de altura.
Complicado de escalar. 
Das muralhas Fernandinas há a reter, por exemplo, os Guindais, certas portas, o postigo do carvão, a Torre Maior.
Um dos muitos interesses da cidade é este, é passear pelos restos das muralhas, é o interesse para quem aprecia o seu País, a sua história, os séculos sobre nós passados, o património edificado.
AC