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domingo, 20 de setembro de 2026

A  PROPÓSITO  DE  ALEMANHA

Que hoje vai mais uma vez a eleições regionais


5  MAIO  1955 

Nesta data foi revogada a categoria de território (Alemanha / RFA) ocupado. Isto por parte dos EUA, Reino Unido e França. 

Nesta mesma data a Alemanha /RFA aderiu à NATO.

AC

quinta-feira, 29 de maio de 2025

FINALMENTE

Segundo notícias que foram caindo ao longo de muitas semanas já passadas, e relativamente à célebre meta dos 5% do PIB para a defesa,  tem havido reações diversas e diferentes de países /membro OTAN/ NATO.

Por exemplo, e para ficar por agora na Tugolândia, 5% é uma meta que foi considerada impensável porque, entre outras coisas, isso seria incomportável orçamentalmente e, sobretudo, pelas implicações / impactos sobre o designado Estado Social. O lençol é curto.

Lá fora mas sobretudo na Tugolândia, têm havido comentários, análises, posições, etc. de vários quadrantes e personalidades. 
Civis e militares. 

Mas para lá disso, dos discursos escritos ou verbalizados, e como de costume, temos sempre a conversa da treta. Opinião pessoal naturalmente.

5% é meta acomodável'
Claro que é.
Basta tão só seguir o exemplo socialista de décadas e muito também do PSD.

Basta seguir esses exemplos, e ver como contabilizaram ano após ano as despesas de defesa. 

Fossem, peixes de águas profundas ou carapaus de corrida, todos sempre tiveram a lata de dizer que andávamos pelos 2%. 
Rotunda aldrabice.
Mesmo juntando (como sempre fizeram) a GNR.
Não foi aliás nada inocente que um dia tenham passado estatutariamente a designar os elementos dessa força de segurança como militares. 

Mas vindo aos 5%, volto a afirmar que os 5% do PIB para defesa é coisa alcançável.
Como?

O fofinho do Rutte já explicou. Só os desatentos não perceberam.

Basta somar à despesa com a estrutura do ministério da defesa  chamada nacional (que é coisa que nunca foi, continua a ser apenas o ministério da tropa), a despesa total com as forças armadas que admito venha a ter algum incremento orçamental, mais a despesa com toda a estrutura do sistema de protecção civil, mais a despesa com o INEM, mais a despesa (como sempre têm feito) com a GNR, mais a despesa com a PSP, mais a despesa com a estrutura de controlo de fronteiras, mais a despesa de funcionamento das empresas portuguesas por exemplo lançadas na produção de drones.

Ah, e se somarem a despesa com Marcelo Rebelo de Sousa, perdão, com a Presidência da República. . . . .

Vão ver que não vai ser difícil. 
É só um pouco de imaginação.  
Aliás, não é por acaso que na Tugolândia, já não se encontram oposições frontais aos 5%, apenas preocupações!  

A engenharia financeira terá que estar pronta até à reunião NATO em finais de Junho próximo. Não vai ser difícil!
António Cabral (AC)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

 DELICIOSO
Será que Rutte fica contente?
Ora como ele diz que vai haver guerra (não falou em semanas, dias ou minutos) talvez até lá a existência do canhão seja suficientemente dissuasor e a guerra só comece daqui a 5 anos 6 meses 5 dias 3 horas e 12 minutos!

Tenham uma boa 5ª Feira. Saúde e boa sorte.
AC

quarta-feira, 10 de julho de 2024

NATO /OTAN
Estado da NATO e de Biden: “Todas as decisões tomadas esta semana não teriam sido possíveis sem a liderança dos EUA”, diz Stoltenberg
AC

sábado, 15 de junho de 2024

LIVROS
Voltei a ler este livro.
Como esta transcrição logo no início do livro mantém actualidade.
As guerras, nesta paz pós 1945, particularmente as que lavram nos tempos mais recentes, nada têm a ver com hipocrisia, com apelos patéticos a cessar fogo, com resignação, com políticas contraditórias.
Certo?
AC

terça-feira, 4 de julho de 2023

OTAN /NATO Substituição de Jens Stoltenberg
Jens Stoltenberg está prestes a terminar o seu mandato na OTAN/ NATO. 
Podia colocar-se a pergunta: Quem lhe sucederá?
Compreende-se que nos EUA e como sempre aconteceu, o assunto ande a ser ponderado há bastante tempo.

Como é natural, em muitos OCS internacionais atiraram-se nomes para o ar. Falava-se nomeadamente de várias senhoras, Kaja Kallas, Zuzana Caputová, Mette Frederiksen, e a sempre inarrável Ursula.

Haverá nomes como estes e certamente muitos mais não ventilados publicamente. 
E há sempre a hipótese de nenhum agradar a Washington. 
E os EUA forçarem mais uns tempos ao atleta Stoltenberg. 
Como acaba de se saber, o atleta ficará até Outubro de 2024.

Há semanas leu-se por cá, que requisitos fundamentais para qualquer candidato que se quisesse perfilar para o cargo (eu devia falar de competências, é o que está na moda), são,
- ser pessoa com peso político internacional, seja isto o que for, mas uma hipótese é que seja alguém conhecedor dos corredores, 
    - da indústria de armamento internacional, 
    - da alta finança,
    - dos "fora" da geoestratégia e da geopolítica,
    - e sobretudo em Washington,
- ter experiência de governo,
- ter estaleca no plano diplomático e das relações internacionais,
- ter boa capacidade de gestão,
- ser um bom comunicador, diria eu, ter boa capacidade no plano das  relações públicas. 
       
Ora, tendo acontecido que Barroso se pirou para a UE, Freitas do Amaral esteve uns tempos na ONU e Guterres se pirou também para durante anos preparar a subida à ONU onde aliás abichou recentemente o 2º mandato, porque não olhar a certos personagens da nossa vida política?
Os EUA terão perdido alguns minutos a olhar para certos Tugas?

É que temos por cá putativos candidatos a lugares importantes, senão vejamos:
Augusto Santos Silva
- foi ministro da defesa, é trauliteiro, gosta dos corredores do poder estrangeiros como qualquer bom esquerdalho Trotskysta reconvertido em democrata puro; pontos fracos, a comunicação, a gestão, a agressividade, e não creio que trocasse facilmente o cómodo assento em Belém pelo da OTAN.

António Vitorino
Foi um "bocadinho" ministro da defesa, é mais ou menos conhecido internacionalmente à conta das migrações; pontos fracos, não percebe nada de coisas militares, creio que detesta tudo que seja militar a menos que seja negócio, e apesar de internacionalmente conhecido viu-se recentemente que não lhe ligam grande coisa.

João Cravinho
Já foi ministro da defesa; pontos fracos, praticamente tudo mas fiquemos por, mau gestor, mau comunicador, nada credível.

Pedro Nuno Santos
- Foi ministro, é conhecido internacionalmente, nomeadamente na alta finança, pois pôs a banca internacional a tremer das pernitas; pontos fracos, não percebe nada de coisas militares, mau comunicador, mau gestor, faz frequentemente tristes figuras, e tem a mania que ser desbocado e malcriado é uma virtude.

António Costa
Tem experiência governativa, é muito conhecido internacionalmente ao ponto de ter de estar frequentemente a reajustar a sua agenda dados os constantes convites seja para noitadas festivaleiras seja para jogos de futebol; pontos fracos, péssima dicção, péssimo comunicador, diz tudo e o seu contrário em curtos intervalos de tempo, promete o que não tem.

Durão Barroso
Preenche vários requisitos, mas creio que prefere entreter-se com o circuito das conferências e com as reuniões da alta finança internacional e dos clubes internacionais conhecidos.

Naturalmente, existem outras hipóteses nacionais, mas não quero que pensem que estou para aqui a querer queimar nomes. Os supra indicados têm mérito e como todos os humanos, alguns pontos fracos também, como referi.

Nada se decidiria contra os EUA. 
Washington olhou à volta, (Tugas incluídos?), não gostou dos muitos nomes, nem esteve para ceder ao politicamente correcto patrocinando um nome feminino.
Como já se sabe, o Norueguês atleta do ginásio vai continuar até Outubro de 2024. Segue para Bingo!

AC

sábado, 18 de junho de 2022

A  PALHAÇADA  CONTINUA
Todos os que são intelectualmente honestos e isentos (ainda muitos, felizmente, de entre os cidadãos comuns) e têm a gentileza de visitar este simples e despretensioso blogue, facilmente concluem que, nunca gostei nem gosto de ser aldrabado por ninguém (um saudoso nº 2 da organização a que pertenço dizia-me (1991/1992) ás vezes com uma quase certa ternura - lá está você com o mau feitio), procuro ser isento, procuro olhar a todas as diferentes perspectivas de um dado tema e, no plano político e ideológico, nunca gostei e assim continuo "a não gostar das amplas liberdades de uns quantos". Como diria o inarrável Sócrates a outro inarrável - a tua avó é que é Putinista! 

À hora a que escrevo (continuo a não referir como faz a TSF a hora em Kiev), a ronda turística de figurões a Kiev prosseguiu sendo a última conhecida a do inarrável Boris. Mais uma visita para disfarçar as peripécias e vigarices lá no reino. 
De início me interroguei se Zelensky (Zelinho para os amigos) não se terá assustado quando os assessores lhe disseram da primeira vez que havia um Boris que o queria visitar, pois pode ter pensado que seria um enviado do execrável Putin.

Antes destas mini férias do Boris os últimos a lá estar foram o Emanuel, Olaf e o ex-BCE Draghi, muito preocupados APENAS com o Zelinho e nada com a situação interna nos seus países. 
Pura amizade, solidariedade da mais genuína, nada de interesses, porque com os interesses só se preocupam os malvados! 
Uma representação perfeita da desunião perdão, da união Europeia!

O Zelinho, coitado, cada vez me parece mais um triste bonequinho, sempre com a mesma T-shirt e, palpita-me, sempre a olhar os narizes dos seus visitantes pois parece que já lhe contaram a história do Pinóquio. Parece-me que ele acredita piamente numa vitória militar clara o que, mesmo para um ignorante destas coisas como eu, creio não ter sustentabilidade na vida terrena. 
Ele não só devia olhar bem para os narizes dos que lhe andam a passar a mão pelo pêlo como, sobretudo, tomar boa nota do que sorrateira e progressivamente vem sendo dito e escrito lá pelos EUA, onde tantos o foram espicaçando desde que é presidente, mas....... 

Como eu já o referi e repetirei sempre, a guerra não é com a NATO/ OTAN ou com a UE. A inqualificável agressão militar da Rússia à Ucrânia é tão só um novo e desgraçado capítulo da guerra entre os EUA e a CEI/ Rússia, iniciada após a guerra fria, queda do muro de Berlim e do monumental colapso da URSS. O resto é conversa fiada para os milhões de ignorantes por esse mundo fora. Como sempre, respeito opinião diversa, esta é a minha. E por muito que custe a muitos, a realidade pura e dura da geopolítica tem contornos terríveis. 

Quem for tomando boa atenção a estudos e sondagens que se vão fazendo por essa Europa encontrará, nuns casos como eu, a confirmação do que pensam (não tem nada a ver com sentido de justiça, com moral, com ética, com o que devia ser) enquanto outros encontram uma desilusão. É que o ser humano é um bicho curioso e na Europa do bem bom às tantas cansam-se de certas consequências.

E por isso digo que a palhaçada continua. Lutar pela paz, quem? 
O execrável Putin obviamente que não, EUA idem embora se notem ligeiras inflexões, para o que basta lembrar por exemplo o que um guerreiro da defesa americana disse há semanas em Kiev. 
Mas, e a EU?

O que é que de concreto, palpável, aqueles três tristes tigres fizeram, e conseguiram? 
E o Romeno que acompanhou o triste trio?
E o palhaço loiro? 

A magrinha Ursula lá vai com a sua vozita dando uma espécie de gritinhos quase estridentes muito suaves, mostrando por todo o lado os seus belos cabelos loiros e indestrutível permanente.

Mas, terra a terra, de tudo isto, de todas as visitas destas e de outras criaturas das várias capitais, de tudo e bem espremido, o que fica? 
AC

sexta-feira, 18 de março de 2022

OPERAÇÕES DE APOIO À PAZ 🙏💂🏥⛑
Um dos "jornalistas especialistas" destas coisas apresenta no Expresso um artigo - "Portugal mínimo em exercício máximo".
Cada vez acho mais piada a estas coisas, desde estes "especialistas" aos que afirmam sermos os melhores dos melhores, aos que na sombra se riem dos que assim falam, aos que queriam/ querem projectar tudo e mais alguma coisa. 

Quanto mais estudo e leio não só percebo quanto tenho ainda que andar como mais acho graça a tudo o que se vai passando. E questiono-me, quantos portugueses e nomeadamente desde os que estão neste momento com a formação académica terminada e à procura de emprego até aos reformados, quantos portugueses se interessam pelo que se está a passar no respeitante a quantos militares vão ou não a exercícios da OTAN? 
Quantos estão dispostos a ficar com as reformas ainda mais magras um destes dias para se poder periodicamente projectar todas as fragatas para fora do Tejo, todos os F-16 para patrulhas nos Estados Bálticos ou Finlândia e todo o pessoal de Tancos, Lamego e Santa Margarida para a Polónia, Roménia e Alemanha? Quantos portugueses? 
 
Diz o especialista que Portugal enviou 18 militares e nada de meios aéreos ou navais para um grande exercício montado pela OTAN a propósito da ilegítima agressão militar da Rússia à Ucrânia. Adianta ainda a conveniente justificação burocrática para tal empenhamento. Ah, e foi ouvir os zangados do costume.

Nestas coisas há muitos parâmetros a considerar e, para além de eu quase nada saber destes assuntos mas apoiando-me em alguns conhecimentos do meu melhor amigo militar, reformado da Marinha de Guerra, vou alinhavar qualquer coisa "poucochinha". 
Eu escrevi Marinha de Guerra?, perdão, é só Marinha, porque as guerras passaram e há muitos anos pouco depois do 25 de Abril passou a ser apenas Marinha. Os espíritos ficaram assim mais apaziguados e nada de lhes falar, também, em poder naval, e poder marítimo. 

O especialista adianta também que 174 militares ainda por cá continuam, teoricamente irão para a Roménia nas próximas semanas até porque não pertencem a uma tal de VJTF. 
Eu, como sou mauzinho digo que por cá Costa e Cravinho andam a rezar aos anjinhos para o PUTIN parar com a agressão militar e assim evitar que os rapazes tenham mesmo de partir para a Roménia. Sempre se poupavam umas massas.

O especialista diz que a realidade mudou. Sim, é verdade, mudou e muito e ainda não sabemos o que nos espera no curto e médio prazo.
Mas não mudaram, NADA, Cravinho, Costa, os inquilinos em Belém e São Bento, e não mudou a mentalidade de muita gente. 
Refere o especialista que Cravinho perorou qualquer coisa tipo - a Defesa terá de ser “devidamente contemplada” nos próximos Orçamentos, a realidade estratégica mudou. Não consegui deixar de sorrir!

As chamadas "operações de apoio à paz" têm várias modalidades de acção a saber, 
> prevenção de conflitos,
> manutenção de paz,
> restabelecimento de paz, 
> imposição de paz, 
> consolidação de paz,
> ajuda humanitária.

Por óbvias razões de espaço (o texto já vai muito longo) e para não maçar ainda mais quem me lê, não vou estender-me nas definições destas modalidades nem abordar aspectos diversos mas lembrar que em tudo isto existe obviamente um antes, um durante e um depois de hostilidades. Dizer ainda que tudo decorre do que de vez em quando é aflorado na comunicação social e que em baixo relembro com alguns exemplos.
Naturalmente que as restrições orçamentais sempre foram uma condicionante tremenda no que à nossa participação em exercícios no exterior ou em operações de apoio à paz respeita.
E mais, vão sê-lo ainda mais daqui em diante, condicionante que advirá das nossas condições sócio-económicas, do fraco desenvolvimento do nosso país, e da asfixia da dívida. 
É a minha convicção mas, como sempre, admito estar enganado.

Como cidadão não tenho a menor dúvida que no Exército há capacidades semelhantes às de forças aliadas, idem no que respeita à Marinha e à Força Aérea. Mas há quem teime em não perceber o que devem ser as prioridades nacionais por força do estado em que se encontra a sociedade portuguesa, e da geografia. Há quem não perceba que quem dá o que tem a mais não deve sr obrigado.

A título de exemplo recordo algumas participações das muitas desde 1958 ao presente:
> Líbano, UNOGIL, 1958, 6 militares observadores
> Moçambique, COMIVE, 1990/ 1992, 2 diplomatas, 2 militares
> Bloqueio do Adriático, várias operações, 1992/ 1995, ao longo do tempo, 1 fragata, 1 avião P3 Orion
> Bósnia-Herzegovina, 1992/ 1995, 5 a 12 observadores militares, uma equipa de saúde, 30 a 35 observadores da PSP
> Macedónia, 1995/ 1996, 1 observador militar
> Mostar, 1994/ 1996, 10 elementos PSP
> Bósnia-Herzegovina, SFOR, 1997/ 2000, 350 militares + 12 no quartel-general da SFOR
> Timor Leste, 1999/ 2000, 1 batalhão do Exército, 1 companhia de fuzileiros, 4 helicópteros e pessoal agregado, 1 destacamento de operações especiais, 1 companhia da GNR, 45 agentes da PSP, inspectores do SEF
> Moçambique, 2000, avião C-130, 1 destacamento de fuzileiros
> etc.

António Cabral
(AC)

Ps: No artigo em causa há ainda um aspecto curioso e que é eloquente do que é o governo socialista, do que é este inarrável Cravinho. Refiro-me ao detalhe de que a partir de 2016 nunca mais houve transparência na prestação anual de contas. Refiro-se ao chamado Anuário Estatístico da Defesa Nacional. Curioso não é?

sábado, 12 de março de 2022

HOJE, E SEMPRE, POUCA VERGONHA, VERSALHES

Dizem alguns - o mundo está perigoso. Penso que estamos perigosamente a caminho do cataclismo, em solo Europeu. Oxalá me engane, mas nada vai ser como dantes e tal pode começar a confirmar-se já ao virar da esquina.
Nada do que eu e outros escrevamos altera o que se está a passar. 
Ainda por cima, no meu caso, pouco sabendo de geopolítica e de muitas outras coisas. Como ignorante de quase tudo, tenho pelo menos uma vantagem, é que procuro não me espalhar, e por isso leio muito e estudo, há muitos anos. E como cada vez me sinto mais ignorante, nunca diria que a Rússia não invadiria porque só tinha na fronteira cerca de 150 000,00 homens! 

Como nunca tolerei que me tomem por parvo (a comunicação social e em particular a portuguesa, e a maioria dos políticos e elites nacionais) aqui fica uma reflexão de quem se orgulha de pensar pela sua cabeça, de quem reconhece quando se engana, ter em conta sempre a panóplia dos cinzentos na vida, a geografia e a história. 
A geografia não se altera. A história não é tudo, mas ajuda muito. 
Mas a história sr Putin, não justifica a agressão militar da Rússia.
Ah, e como sempre procuro ser imparcial, provavelmente vou ser mais um acusado de Putinista, ou Russófono! A minha vida demonstra o contrário.

O título desta minha reflexão deriva da pornográfica (para mim, naturalmente) ostentação dos "riquinhos" em Versalhes, confraternizando com uns bimbos que parece não perceberem que como tal são considerados ainda que com sorrisos e abraços. Uma autêntica pouca vergonha face ao mais de milhão e meio de desgraçados Ucranianos. Uma farsa formalmente justificada com a burocracia da UE mas amplificada por razões de política interna Francesa, por razões de Macron.

Inqualificável a agressão militar da Rússia. Há poucos dias recordei mapas explicativos (de forma sintética) do evoluir dos tempos até se chegar à Rússia dos finais do século XIX. 
Nada justifica o presente. 
Mas deve ponderar-se tudo, e ter presente que os anjos e puros estarão no Céu, e não estão, certamente, em Moscovo, Pequim, Berlim, Londres, Nova Deli, Paris, Kiev, Haia, Bruxelas, Washington, Tóquio, Seul, Damasco. Cairo, Telavive, Ankara.

É sabido como se enfrentaram Áustria, Prússia, Rússia, França, Reino Unido, Itália, Japão entre 1864 e 1906. Dupla Aliança, Tríplice Aliança, de um lado a outro, anexações, guerra. Em 1867 é concedida independência à Hungria ainda que Francisco José continuasse como seu rei. 
No antigo império Austro-Hungaro a miscelânea de culturas e nacionalidades era enorme. Após independência da Hungria, pela Europa se foram firmando crispações, Eslavos, Croatas, Eslovacos, Checos, etc. E os Balcãs sempre em polvorosa, Bulgária, Sérvia, Grécia, império Otomano.
E a Rússia a apoiar a Sérvia. Depois de muita conversa e do célebre assassinato, império Austro-Húngaro declara guerra à Sérvia, irritando e muito a Rússia, que marcou posição. E acabou tudo desaguando na I GG.
E voltamos a Versalhes, e é conhecido o que sucedeu de 1919/ Versalhes a 1945.

Acabada a II GG, o "democrata" Estaline espraiou-se Europa dentro. 
A 20 de Novembro de 1945 iniciaram-se os julgamentos de Nuremberga, a 10 de Dezembro de 1948 concretiza-se um marco histórico, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. 
Surge a ONU, em que Portugal não é membro fundador, veto da URSS. 
A superioridade dos EUA era incontestável e incontestada, ainda por cima com o nuclear já dentro dos paióis. Mas Estaline não se fez rogado, e entrou para o clube nuclear em 1949. \
Em 4 de Abril de 1949 nasce a OTAN/ NATO. 
É célebre a frase - Americans IN, Russians OUT, Germans DOWN.
O Pacto de Varsóvia foi criado em 14 de Maio de 1955, depois da fundação da OTAN, e dissolvido em 1 de Julho de 1991. 

Síntese mesmo muito espremida, erigiram-se dois blocos, dois antagonistas, sistemas económicos distintos, democracias de um lado, ditaduras e autocracias de outro. 
A 8 de Maio de 1949 constituiu-se a República Federal Alemã e a 7 de Outubro do mesmo ano a República Democrata Alemã. Depois ocorreram, por exemplo, o bloqueio a Berlim, o muro de Berlim e o esmagar de veleidades democráticas na Hungria e na então Checoslováquia.

Como sempre, no chamado Ocidente, todos fazendo-se esquecidos por exemplo, das doutrinas Monroe e Truman que devem o nome aos respectivos presidentes dos EUA. 
E ficou registada a crise de Cuba. Porque os EUA, obviamente, não queriam mísseis Russos à porta mas, por outro lado, entendiam que não era problema mísseis americanos na Turquia à porta da Rússia. Sabe-se como acabou.
E houve os episódios vários no âmbito das descolonizações em África e Ásia, com influências dos dois blocos.
E houve os "tumultos" diversos nos "quintais" Americanos, as Américas Central e do Sul.

Por outro lado, havia uma coisa no papel desde 1948, UEO (União da Europa Ocidental) que nos anos mais recentes acabou integrada na UE. E desde os anos 80 do século passado, na Europa, muitas voltas deram os chavões como PESC (Política Externa e de Segurança Comum), IESD (Identidade Europeia de Segurança e Defesa), EUROCORPO, PESD (Política Europeia de Segurança e Defesa). 
E, sempre, muitos tratados, muitas conferências, novas estruturas político-militares, muitas cimeiras. Muitas convivências tipo Versalhes.

Em síntese, uma Europa tipo balão com escasso ar, mas sempre com o confortável guarda-chuva militar americano. 
Americans IN, Russians OUT e, particularmente, a Alemanha recuperando da guerra também com os dinheiros Marshall, confortável por praticamente nada gastar para coisas militares, tratando de erigir o seu império económico e financeiro, e o seu Estado Social, tratando de docemente alargar a influência às regiões onde no passado a tivera. O que se passou com aquilo que hoje é a Croácia é ilustrativo. E mandando na UE, mas dando sempre a impressão de acatar a França.

Recordar que tivemos, por exemplo, a postura dos Estados Unidos disfarçada de NATO de alargar a organização para Leste, não inocentemente, dada a dissolução havida do Pacto de Varsóvia. Houve, a cimeira de Roma de 1991 em que se estabeleceu uma estrutura de cooperação e um novo conceito estratégico, a Cimeira de Bruxelas de 1994, a Acta Fundadora de Paris de 1997 e a Associação da Rússia à Aliança Atlântica com o Conselho de Parceria Euro-Atlântico.

Muito blá-blá diplomático, de um lado e do outro, mas sobretudo do lado Ocidental. 
Pelo meio, houve uns pequenos "episódios", formalmente alicerçados nas resoluções da ONU. Umas operações de paz sob a égide da ONU na ex-Jugoslávia, 1992, mais umas quantas entre 1992 e 1995 sempre sob a égide da ONU, com um papel da NATO pelo meio, IFOR, Daytona, mais umas acções sempre pelo bem, Kosovo, etc.
Sem ser sob a égide da ONU, a Rússia entreteve-se igualmente, 2008 a 2014. Um forrobodó de todos os lados, nuns casos pelo bem, em outros casos pelo mal. 
Em qualquer caso, sempre a tramarem-se dezenas e dezenas de milhões de pessoas por causa dos jogos de Putin, Clinton, Bush, Obama e vários Europeus sempre em bicos de pés.

Como disse acima, quem sou eu, um simplório cidadão, para me atrever a definir seja o que for, a culpar seja quem for. Mas penso sempre no ovo e na galinha.
Na minha ignorância, tenho muitas dúvidas, como por exemplo estas:
1º - esta pouca vergonha ficará contida, ou vai extravasar?
2ª - Ursula, Macron, Scholz, Michel, e companhia limitada, têm a noção real de que, mesmo para os mais ricos, isto não vai correr nada bem?
3ª - terão a noção real que a destruição, se isto extravasar, ocorrerá eventualmente também em áreas da chamada Europa Ocidental? E, então, mais uma vez, Europeus DOWN?
4ª - a guerra de informação fala em armas bacteriológicas; será que apenas os Russos se tentarão? Quando da dissolução da URSS nada ficou na Ucrânia, na Bielorússia, Cazaquistão, etc.?
5ª - quantos telefonemas Schroeder/ Gazprom já recebeu para não fechar o gás esta ano à Alemanha?


Na minha ignorância tenho as certezas seguintes:
1ª - o cu da galinha e o ovo imediatamente a ser expelido, não são recomendáveis;
2ª - não sei quem apareceu primeiro, se o ovo se a galinha;
3ª - as fábricas de armamento, nomeadamente, Americanas, Alemãs, Britânicas, Francesas, Belgas, Holandesas, esfregam as mãos de contentes;
4ª - a verdade e a análise, mais uma vez, são vítimas;
5ª - Os Estados Unidos intervieram nos assuntos internos Ucrânia pelo menos desde desde 2014, e a Rússia no Donbas e anexou a Crimeia; 
6ª - todos, mas particularmente EUA e Ucrânia têm cuspido nos acordos de Minsk;
7ª a Ucrânia cada vez se sentiu com as costas mais quentes por parte dos EUA e UE e não percebeu que, na pancadaria, ficaria só frente à Rússia ainda que recebendo  armamento Ocidental pelo que progressivamente aumentou as provocações face à Rússia;
8ª - a agressão militar da Rússia à Ucrânia, em pleno século XXI é inaceitável.
9ª - prevalece na cabeça tonta dos dirigentes Europeus a retórica da confrontação, para gáudio dos EUA que interessados estão que a Europa fique DOWN!
10ª - a memória, ai a memória!

Enfim, nada do que escrevo interessa, mas fico bem comigo. Não tenho aspirações a essa treta de "influencer", a dinamizar redes, a escrever para OCS (tem que se pertencer a "clubes", e cultivar certas amizades, e eu não gosto disso). 
Estou bem assim.

Divirto-me a ler e ouvir as "komentadeiras". E divirto-me a ler e ouvir as vozes dos irados particularmente civis, alguns ligados familiarmente aos poderes
Divirto-me a ouvir os veementes. E ouço por aí uma patética criatura que continua a não perceber o que é, diplomacia, interesses, dependência. Sobretudo não percebe porque não sabe, o que é dignidade institucional, coerência, decência, sentido de Estado.

Mas nada me divirto com o que se passa, designadamente no meu desgraçado país, onde pontificam umas criaturas sentadas em palácios e passeando constantemente de Falcon ou em viaturas de luxo, à conta dos do costume. 
Não seria grave se alguma coisa de concreto fizessem pelos cidadãos.
NADA FAZEM de CONCRETO. 
Tudo, todos os problemas do país, estão esquecidos, escondidos. 
Uma vergonha, e digo-o VEEMENTEMENTE! 
Antonio Cabral (AC)