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terça-feira, 28 de julho de 2026

 

José Mattoso, José Medeiros Ferreira, dois homens a ler e reler, SEMPRE.

Bom dia, tenham uma boa 3ª Feira.
Saúde, o Euromilhões da vida
Boa sorte, felicidades.

AC

LIVRO,  LEITURA

Salvo melhor opinião, os livros e a leitura são formas insubstituíveis  de transmissão do saber e do conhecimento.

E um verdadeiro lenitivo para a mente, para o espírito.

António Cabral (AC)

domingo, 28 de junho de 2026

DISCURSO   INTERESSANTE
Este extenso discurso (do sítio da Presidência, sublinhados da minha responsabilidade) é  interessante. Sublinho o que me parece importante muito para lá do evento.
Estão a ser em catadupa, vou deixar passar as últimas discursatas.
AC

Intervenção do PR na sessão inaugural do festival literário e cultural “BABELL - Cidade-Livro”
24 de junho de 2026

Permitam-me que, na inauguração do Festival Babell, e antes de visitarmos a intervenção do arquiteto Álvaro Siza Vieira na Livraria Lello, comece com uma citação. O autor destas frases morreu há 40 anos e várias vezes referiu a sua ligação a Portugal, onde os seus antepassados tinham raízes:

«De todas as ferramentas da humanidade, a mais surpreendente é, sem dúvida, o livro. As outras são extensões do corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da visão; o telefone é uma extensão da voz; depois há o arado e a espada, extensões do braço. Mas o livro é completamente diferente: o livro é uma extensão da memória e da imaginação».

Jorge Luis Borges não imaginava que, para o bem e para o mal, o telefone se ia transformar numa espécie de nervo central da nossa cultura contemporânea, mas a ideia permanece e todos nós a compreendemos: o livro tem sido uma extensão da nossa memória e da nossa imaginação.

Antigamente, os príncipes precisavam dos escritores para consolidarem o seu poder, tal como o faraó precisava de escribas para registarem a sua riqueza. Depois, a escrita percorreu outros caminhos e os autores passaram também a ser a sua própria voz, uma voz à procura de leitores. E os leitores passaram a procurar os seus autores.

Ao longo dos séculos, e hoje especialmente, porque é o nosso tempo, e o conhecemos melhor, talvez as pessoas precisem de autores que relembrem sonhos e desilusões – e que mencionem as suas vidas e também as vidas que ainda desconhecem.

É um roteiro que está permanentemente a ser reinventado e do qual falamos sempre que tratamos do livro, ou seja, dos livros, da literatura e da leitura.

Não há nada de verdadeiramente novo que possamos dizer sobre o significado, o valor e o papel do livro. Isso não significa que estejamos «cansados do livro», mas que uma certa plenitude o transformou numa referência imprescindível para as nossas sociedades e para as nossas vidas.

No mundo de hoje, continuamos a pensar que aquilo que aprendemos de verdadeiro está nos livros, na sua leitura individual, na sua comunicação discreta.

A sociedade do espetáculo, a sociedade dos média, devora parte dessa autenticidade que atribuímos ao livro. Mas não pode fazer-nos esquecer que ele é uma das invenções mais belas e mais perfeitas da humanidade. E que a revolução da leitura e da literacia foi uma das mais importantes da nossa história moderna – talvez nenhuma grande transformação social tenha sido tão preciosa para a nossa civilização. Ocorreram em bibliotecas, em cafés, em clubes, em universidades e, finalmente, em livrarias. Foi um acontecimento muito simples: em meados do século XVIII, um grande número de «pessoas comuns» começou a ler.

Essa revolução possibilitou a circulação sem precedentes do conhecimento, da informação e da sensibilidade de homens e mulheres de cada época, o desenvolvimento da ciência e das instituições democráticas, o nascimento da ideia dos Direitos Humanos e da ideia de liberdade de expressão. Possibilitou também o fim dos índices de livros proibidos e encerrados em bibliotecas inacessíveis.

Até chegarmos aqui, a este festival. Podia falar-vos de uma dezena de eventos meritórios e felizes a que o Festival Babell se vai juntar a partir de agora, desde as grandes feiras do Livro de Lisboa e do Porto às Correntes, do festival Utopia (em Braga) ao Fólio (em Óbidos), do Literatura em Viagem (em Matosinhos) à Festa do Livro de Belém, para a qual vos convido a visitar este ano, naturalmente.

Isto é o resultado de uma caminhada que fizemos em comum. Uma caminhada que uniu livreiros, editores, autores, autarquias, entidades públicas e privadas que nunca deixaram de acreditar numa ideia muito simples: que a leitura e os livros podem unir as pessoas e são um antídoto contra o extremismo, o esquecimento e a exclusão. São um antídoto contra a infelicidade, também.

Os livros alimentam as palavras do meio que tanto precisamos para a nossa sociedade.

Esta caminhada acompanhou o amadurecimento da nossa democracia, a democratização da leitura, o crescimento das redes de leitura pública. Este crescimento significa que temos uma oportunidade entre mãos: a de fazermos mais leitores e, sobretudo, melhores leitores.

Porque a paixão e o entusiasmo são obra de um instante. E nós precisamos de prolongar a paixão no tempo – e com o tempo. Para isso contamos com estes festivais, com as livrarias, com as escolas e as famílias.

Este festival mostra que as entidades e instituições públicas e privadas podem associar-se para fins culturais de relevo. Essa associação é não só meritória mas necessária, está no coração da própria democracia e chama-se simplesmente cooperação. Devemos incentivá-la, quer com uma lei do mecenato mais atrativa, quer com a noção de que a responsabilidade social da riqueza pode contribuir para que o mundo da cultura não dependa apenas de financiamento público, mas do interesse, da paixão e do compromisso da sociedade civil, das famílias, das fundações e do mercado.

Tudo isto a par da responsabilidade política, dos poderes públicos, de fomentar a leitura, o contacto com os museus, o interesse pela música e pelo cinema, pelo teatro e pela dança, pela fotografia e pela pintura. Pela criação de públicos.

São públicos que durante estes dias transformarão o Porto numa cidade invadida pelo livro e por autores como Salman Rushdie, Julian Barnes, Olga Tokarczuk, Javier Cercas ou Margaret Atwood, além de muitos que escrevem na nossa Língua, entre os quais Valter Hugo mãe aqui presente. O Porto vai ser uma cidade invadida por leitores sentados nos jardins e nas suas salas históricas, procurando os seus autores. Procurando a palavra.

Portanto, o Porto vai ser, durante estes dias, e acredito que durante muito tempo, uma cidade-livro. Devo deixar uma palavra de agradecimento à Câmara Municipal do Porto e ao seu Presidente, bem como à Fundação Livraria Lello, à família Pedro Pinto e aos seus criadores, por terem acreditado que era possível este festival dedicado à cidade, aos leitores, aos autores – e aos que fazem do livro o seu mundo.

Esse mundo não nasceu hoje. Desde 1488, data da impressão do primeiro livro em Português, até à realização deste festival, há muito para incluirmos na história da beleza dos livros, na história da nossa Língua, na história da leitura e da passagem do tempo.

Pelo livro sabemos que não nascemos hoje, mas no tempo dos nossos antepassados que imprimiram o primeiro livro, que sujaram os dedos com a tinta dos caracteres móveis, que abriram livrarias como a Lello, a Casa Moré ou a Chardron, aqui no Porto, ou editores que, também no Porto, arriscaram bolsa e prestígio para que pudéssemos ter Eça e Camilo, Camões e Garrett, Cesário Verde e Eugénio de Andrade ou Agustina Bessa-Luís.

Por isso é tão importante esta nova e bela extensão da Livraria Lello, uma conjugação de tradição e atualidade, de passado e futuro, de consagração do que foi e de busca pelo que há de ser. É por isso que precisamos de ideias, de criatividade e de criadores.

O seu mundo, o mundo do livro, é também o do silêncio das bibliotecas, das livrarias e dos alfarrabistas do Porto. O seu mundo é também o do papel em que são impressos, os debates ruidosos que arrastavam multidões desde que houve universidades, centros de cultura e de conhecimento, e em que nada era proibido dizer-se, pensar-se ou escrever-se.

Talvez por isso, como dizia Jorge Luis Borges, «ler um livro antigo é como ler todo o tempo que passou desde o dia em que foi escrito». E devemos fazê-lo, acrescentava, «não com reverência supersticiosa, mas com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria».

É por isso que aqui estamos.

Viva o livro.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

A  PROPÓSITO  DO  PORTUGAL  ACTUAL
A propósito de várias aspectos do Portugal actual começo com esta fotografia por mim tirada com telemóvel na tarde deste Sábado 13 de Junho, na R. do Ouro em Lisboa, pouco passava das 15 horas.
É um TVDE conduzido por asiático.
Mas vou começar pelo princípio.

Neste Sábado fui de novo à Feira do Livro, em Lisboa, no Parque Eduardo VII. 
Para ir à apresentação (e obviamente comprar) de um livro cujo autor é irmão da autora do livro que aqui já referi (no 10 de Junho) sobre Camões. Nossos amigos, irmãos Buescu, de que a mãe era de Monsanto.

Mas fiz uma coisa que não fazia desde antes da Covid: fui a pé do Cais do Sodré até à feira e regressei a pé. O telemóvel disse.me - 8,4 Km !
Uma boa caminhada portanto. Quase sempre pela sombra!

Portanto, Cais do Sodré, R. do Arsenal, virei para a R. do Ouro, Rossio, Restauradores, Avenida da Liberdade acima pelo lado esquerdo.
Regresso pelo mesmo trajecto.

Pois foi na R. do Ouro que ia assistindo a um acidente, um TVDE (o da fotografia) resolve abrandar e PARAR na faixa da esquerda. INCRÍVEL.
O que vinha atrás travou e quase bateu, outros travaram e tudo a buzinar.
Acham que o asiático se incomodou? Ali ficou provavelmente à espera de alguém.

Igualmente notável, com o trânsito já a rolar pela direita daquela besta, passar um carro da polícia municipal e não parou!
É assim que estamos, e por todo o lado, pois já os vi parar onde na real gana lhes dá. E polícia nada faz!

Voltando à minha caminhada, centenas de turistas, raramente ouvi falar português, e isso foi ao passar às portas dos hotéis na Av da Liberdade e nas lojas caras, ou aos condutores dos autocarros.
Turismo maioritariamente pé descalço, muitos verdadeiramente andrajosos e porcos. Verdadeira fauna.
Esplanadas a vender cervejas e refrigerantes a rodos.

E é nisto que em boa parte a economia nacional se apoia! Que bom!
AC

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Ainda o Meu Dia 10 Junho  e  Camões

Acordar à hora normal, cedo, pequeno almoço caseiro, um telefonema, ouvir em casa o discurso de Monjardino e o discurso estendal de Seguro, mas imediatamente antes e durante os intervalos dos discursos, TV sempre sem som para não ouvir o insuportável convencido da RTP1. Depois sair.

Almoço caseiro. Antes de voltar a sair, umas páginas de um livro sobre oceanos. 

Ao fim da tarde uns momentos de cultura, deambular pela Feira do Livro, e comprar o livro sobre Camões, sendo que a autora (professora catedrática) é nossa amiga.

Para usar a frase da autora na parte inicial / agradecimentos, o livro tem de facto "coisa prestimosa".


Muito ao fim da noite umas palavras para o blogue. Deitar.

AC

quinta-feira, 9 de abril de 2026

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

No  MEU  CANTINHO
Neste meu cantinho (um deles), rodeado de livros, de quadros desenhados pelo pai (em 1940), do iMac (o portátil está noutro local /outro cantinho junto de estantes e armários com muitooooosss livros), canetas particularmente as minhas Montblanc, mata-borrão com punho de prata, vários outros adereços de secretária, alguns muito antigos e herdados de antepassados longínquos, etc. penso no que por aí vai.

Apercebi-me que houve um inarrável a recomendar a uns milhares de portugueses gastarem o ordenado do mês passado e assim se aguentarem até chegarem certos apoios! Creio que foi isto!
Esbugalhei os olhos com semelhante alarvidade! Enfim.

Aqui neste cantinho gasto quase uma hora (às vezes uns minutos mais) a escrever ou a pensar escrever no computador.

Aqui leio e medito, outras vezes leio na sala, ou na outra divisão com as estantes e armários onde estão muito mais livros.

Os meus cantinhos, que rivalizam com os cantinhos na casa da aldeia, que rivalizam com as saídas e as caminhadas com e sem fotografia (normalmente com a Nikon por companhia), e a família, particularmente os vários netos (dos universitários aos mais pequenos), são os grandes "vitamínicos" para aturar Guterres, César, Cavaco, Castro Almeida, Lúcia Amaral, Leitão Amaro, André Ventura, Ferro Rodrigues, Augusto trauliteiro, e todo o restante exército de imensas personagens que há décadas infernizam a vida dos cidadãos comuns.
António Cabral (AC)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

 

De vez em quando ainda descubro preciosidades entre coisas herdadas, muito mas muito antigas. Coisas arrumadas e ainda não avaliadas, mexidas. Paradas há anos. Foi hoje.

Acabei de encontrar um livro (a ele irei em texto separado) antiquíssimo e que tinha este marcador de página.
Cabedal, pintado, com esta ponta cortada em fitas, e onde está "Made in ITALY" e que quase se não distingue.
O livro, este exemplar de que falarei depois é de 1881.

AC

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

 ALDEIA  de  MONSANTO

Aqui mostro a capa e contracapa deste magnífico livro agora vindo à luz do dia, livro que em boa hora o meu prezado amigo Joaquim Fonseca e vizinho aqui na aldeia concebeu com a colaboração de várias pessoas mas designadamente da senhora sua mulher, Amélia Fonseca, uma das iniciais e grandes impulsionadoras nomeadamente das Adufeiras de Monsanto. 

Esta senhora como algumas e alguns mais (já poucos, . . . . a lei da vida. . . ) são um "poço" de sabedoria daqui, um poço sem fundo de património imaterial.

Em tempo foi-me pedido um testemunho sobre Monsanto para incluir no livro. Aqui reproduzo parte desse testemunho.

"Falar em poucas linhas sobre a aldeia de Monsanto, na Beira-Baixa, não é tarefa fácil.
Em primeiro lugar, e não se trata de falsa modéstia, para falar de Monsanto faltam-me conhecimentos, falta-me história, falta-me memória.

Em segundo lugar, sou suspeito, pois a aldeia de Monsanto diz-me muito e é, para mim e para a minha família directa, a nossa segunda casa.

Vim pela primeira vez a Monsanto em Novembro de 1969.
A minha mulher tem raízes em Monsanto. O avô materno aqui nasceu.
Sobretudo ele e o seu irmão e o filho deste foram os primeiros a introduzir-me neste extraordinário mundo, e orientaram-me para a descoberta da aldeia de Monsanto. 
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Para falar de Monsanto é preciso falar das suas gentes, falar da quantidade de habitantes, naturais e residentes que existia na freguesia de Monsanto (Monsanto e os vários lugares à volta do Monte Santo, como Carroqueiro, Devesa, Adingeiro, Eugénia, Cidral, Lagar Martins, Relva, Torre, etc.) até ao início da década de 70 do século passado.
Mas também falar das gentes que foram partindo.

Para falar de Monsanto é preciso falar das pessoas, dos seus trajes, das lendas, das canções, das raízes populares, do património material e do património imaterial, falar do rancho folclórico, e das Adufeiras e do Rádio Clube de Monsanto.

Para falar de Monsanto é preciso falar do monte, dos penedos, da geologia única e imponente, do castelo lá no alto, dos caminhos ligando Monsanto e os lugares à sua volta, das ruas estreitas e das casas características havendo uma debaixo de um penedo enorme que lhe serve de telhado. 

Falar de Monsanto remete-nos para passado, história, memória, identidade, cultura, valores, etnografia, música, tradições, mas também presente e futuro.

Este livro trata de tudo isso. 
Livro de grande valor, trata de história, memórias incluindo religiosa, música tradicional e popular portuguesas, é um precioso instrumento para ajudar a promover e a defender a nossa identidade, os valores da Beira-Baixa, os valores culturais de Monsanto, as raízes ancestrais. 
É um excelente instrumento para Memória Futura".
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António Cabral (AC)

sexta-feira, 25 de abril de 2025

quarta-feira, 23 de abril de 2025

quarta-feira, 16 de abril de 2025

CULTURA 
. . . . . . 
O ar fino e puro entrava na alma, e na alma espalhava alegria e força.
Um esparso tilintar de chocalhos de guizos morria pelas quebradas.
Jacinto diante, da sua égua ruça, murmurava:
- Que beleza!
E eu atrás, no burro de Sancho, murmurava:
- Que beleza!
Frescos ramos roçavam os nossos ombros com familiaridade e carinho.
Por trás das sebes, carregadas de amoras, as macieiras estendidas ofereciam as suas maçãs verdes, porque as não tinham maduras.
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(Eça de Queiroz, A cidade e as serras)

Bom dia, tenham uma boa 4ª Feira, saúde, boa sorte

AC

domingo, 6 de abril de 2025

LIVROS

Nos últimos cinco meses tenho comprado bastantes livros.

Há um que não comprarei, pelo autor e pelo tema. 

Parece que se chama "Manuel Pinho é um homem honrado". 

AC