Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
sexta-feira, 12 de junho de 2026
terça-feira, 9 de junho de 2026
O momento geopolítico é de uma clareza rara. A Europa rearma-se. O EDIP está operacional. O SAFE disponibiliza financiamento sem precedentes. A NATO aumenta as exigências sobre os aliados europeus. E Portugal está a renegociar compromissos e a tentar afirmar-se como parceiro fiável no flanco sul e no Atlântico.
Portugal gasta em Defesa. Não tanto quanto deveria, e a meta NATO dos 2% do PIB não é totalmente uma realidade consolidada, mas de facto gasta. O problema não é quanto se gasta. O problema é em quê: a esmagadora maioria do investimento em equipamento militar sai do país, financia a indústria de terceiros e não deixa capacidade produtiva instalada em território nacional.
Esta não é, contudo, uma originalidade portuguesa. É a condição crónica de países europeus que compram sistemas acabados em vez de construírem a capacidade de os produzir.
Por mais “defense & innovation, hackathons, summits” ou nomes em inglês que inventem, a verdade é simples: depois das fotografias, dos painéis e dos momentos B2B, se não existir um investidor com capacidade financeira e vontade real de assumir risco, estes encontros acabam muitas vezes por servir apenas para aumentar listas de contactos, alimentar expectativas e produzir mais apresentações do que capacidade real, mas por mais paradoxal que pareça, a diferença entre os programas de Defesa que têm sucesso e os que falham não está exclusivamente nos recursos financeiros. Está na articulação sistemática entre maturidade tecnológica e maturidade produtiva, entre os Technology Readiness Levels (TRL) e os Manufacturing Readiness Levels (MRL) ou em português Níveis de Prontidão Tecnológica e Níveis de Prontidão de Manufatura.
Os TRL medem se uma tecnologia funciona. Vão de TRL 1, observação de princípios básicos em laboratório, até TRL 9, sistema plenamente demonstrado em combate. Os MRL medem algo fundamentalmente diferente: se essa tecnologia pode ser fabricada de forma fiável, económica e em escala. Vão de MRL 1 até MRL 10, sendo que MRL 9 corresponde à capacidade de produção inicial a baixo ritmo e MRL 10 à produção plena com práticas de lean manufacturing (sistema de gestão que visa aumentar a eficiência e a produtividade reduzindo erros e redundâncias na produção industrial).
Um exemplo concreto: imagine uma empresa portuguesa que desenvolve um sistema eletrónico de comunicações táticas de última geração. Os engenheiros constroem um protótipo que funciona de forma excelente, TRL elevado, mas o protótipo exigiu seis meses de trabalho manual, componentes importados de um único fornecedor alemão e três técnicos que são os únicos a saber montá-lo. Se as Forças Armadas pedirem 200 unidades em 18 meses, a empresa não consegue responder. Tecnologia madura, capacidade industrial inexistente. MRL baixo.
A assimetria entre TRL e MRL cria o que a comunidade de aquisições de Defesa chama de Valley of Death, o cemitério de tecnologias que funcionam em laboratório, mas nunca chegam ao campo.
O F-35, por exemplo, é o caso de estudo negativo mais documentado: mais de 990 aeronaves fabricadas antes de concluída a avaliação operacional inicial. Custo total do ciclo de vida estimado em mais de 2 biliões de dólares. O responsável máximo pelas aquisições do Pentágono classificou a decisão de apressar a produção como acquisition malpractice. Outro exemplo, o destroyer Zumwalt começou com um objetivo de 32 navios a 700 milhões cada, construíram-se três, a 7,5 mil milhões cada, o primeiro entregue com 320 deficiências significativas. E quem não se lembra do caso português na participação do NH90? Muito anúncio, muita ambição estratégica, muita fotografia institucional… e no fim ficaram os custos, os recuos, a indeminização e a sensação recorrente de que, na Defesa como em tantas áreas, o entusiasmo político costuma chegar muito antes da sustentabilidade técnica e financeira.
No lado oposto, o Iron Dome israelita foi aprovado em fevereiro de 2007, testado em março de 2009 e ficou operacional em março de 2011. Quatro anos do conceito ao campo. A chave foi o design for manufacturing desde o primeiro dia: o interceptor Tamir custa 40 a 50 mil dólares em produção, ordens de magnitude abaixo dos equivalentes ocidentais. A filosofia da agência central de investigação e desenvolvimento de tecnologia de Defesa de Israel (MAFAT) resume-se à fórmula Capacidade × Disponibilidade = Eficácia, ou seja, uma arma razoavelmente boa, disponível 80% do tempo, é mais eficaz do que uma arma perfeita, disponível 10% do tempo. Isto não é um axioma tecnológico. É um axioma industrial: a eficácia depende da capacidade de produção em massa a baixo custo, ou seja, de MRL elevados.
A Coreia do Sul aplica o princípio do design for mass production desde a fase de conceção. A entrega de carros de combate K2 Black Panther à Polónia concluiu-se em três meses após contrato, prazo impensável sem maturidade industrial MRL 9-10 pré-existente. A Turquia, partindo de 25% de produção nacional em 2000, atingiu 80% e 7,15 mil milhões de dólares em exportações de Defesa em 2024, seguindo precisamente a lógica TRL-MRL: primeiro produção licenciada, depois coprodução, finalmente conceção e fabrico integralmente nacionais.
A União Europeia criou um pipeline implícito TRL→MRL através do Fundo Europeu de Defesa (EDF) e do Programa Europeu de Indústria de Defesa (EDIP). O EDF financia investigação e desenvolvimento até TRL 8; o EDIP, aprovado em dezembro de 2025 com 1,5 mil milhões de euros, financia industrialização, escalonamento de produção e aquisições conjuntas. O programa SAFE disponibiliza empréstimos até 150 mil milhões de euros para aquisições de defesa com pelo menos 65% de componentes europeus.
Mas há um problema estrutural: a Europa não adotou um quadro formal de avaliação MRL. Nos Estados Unidos, desde 2011, a lei impõe a avaliação paralela de TRL e MRL em cada marco de qualquer grande programa de aquisição de Defesa. Na Europa, o termo MRL aparece nos documentos de trabalho do EDF de 2026 exclusivamente como abreviatura de… Multiple Rocket Launcher. A Estratégia Industrial de Defesa Europeia de 2024 reconhece explicitamente um "défice de comercialização" entre investigação e produção, mas não propõe nenhum instrumento de medição.
Isto cria uma assimetria competitiva: uma empresa que conclui um projeto EDF em TRL 6 não tem forma padronizada de demonstrar maturidade industrial para financiamento EDIP. A primeira nação europeia que institucionalizar a acoplagem TRL-MRL adquirirá vantagem estrutural dentro da Base Tecnológica e Industrial de Defesa Europeia (EDTIB).
Portugal tem a sua indústria de Defesa Nacional muito fragmentada, muito dependente de PME, mas apesar de todos os problemas conhecidos nos grandes programas de defesa internacionais, a realidade é que Portugal conseguiu, nos últimos anos, uma integração relevante em consórcios europeus e NATO ligados à defesa, espaço, drones, sistemas autónomos, software crítico e inteligência artificial.
Só entre EDF, PESCO e NATO Innovation Fund, empresas e entidades portuguesas como TEKEVER, Critical Software, GMVIS Skysoft, Visionspace, INESC TEC, INEGI, N3O ou OptimalSatellite participam em dezenas de projetos avaliados em mais de mil milhões de euros. Portugal está hoje presente em 17 projetos EDF selecionados em 2025, participa em 17 projetos PESCO, liderando três, e tornou-se um dos principais beneficiários do NATO Innovation Fund, incluindo o investimento na TEKEVER e no fundo da Faber Venture Capital.
Portugal tem ainda vantagens estruturais difíceis de replicar: posição geoestratégica atlântica, as Lajes, a ligação ao espaço lusófono e competências reais em manutenção aeronáutica, sistemas eletrónicos, comunicações, naval e CBRN (Química, Biológica, Radiológica e Nuclear).
O problema português não é a ausência de talento, investigação ou participação internacional. O verdadeiro problema é Valley of Death: existe capacidade científica e algum desenvolvimento tecnológico, mas raramente se transforma isso em capacidade industrial sustentada e autónoma. Na prática, muitos destes programas acabam por colocar Portugal nas margens da cadeia de valor: montagem final, subcomponentes ou integração limitada, o chamado screwdriver assembly. E o mesmo aconteceu com os offsets das grandes aquisições militares: recebemos trabalho temporário, mas não transferência duradoura de capacidade produtiva. A diferença é fundamental: o trabalho termina quando o contrato acaba; a capacidade fica, gera indústria, exportações e soberania tecnológica.
O roteiro proposto para o que Portugal deveria fazer é o seguinte:
O primeiro passo é conceptual: Portugal precisa de adotar internamente a lógica da dupla avaliação TRL-MRL em todos os contratos de I&D de defesa. Não é necessária legislação nova, basta alterar os cadernos de encargos. Cada contrato de desenvolvimento deveria definir não apenas um TRL exit mas um MRL exit simultâneo: se o objetivo é um protótipo em TRL 6, o contrato deve exigir simultaneamente MRL 5, ou seja, cadeia de fornecimento preliminar identificada, estimativa de custo de produção em escala, pessoal técnico formado.
O segundo passo é institucional: o Ministério da Defesa Nacional através da DGAPDN (Direção-Geral de Armamento e Património da Defesa Nacional) e o Estado-Maior General das Forças Armadas deveriam incorporar avaliações MRL nos processos de aprovação de programas de aquisição, à semelhança do que o Pentágono faz por imposição legal desde 2011. Portugal participará em programas EDIP e utilizará financiamento SAFE, mas sem capacidade de demonstrar maturidade industrial MRL 7+, o risco é acabar como "simples financiador": pagar por sistemas sem participação industrial substantiva, exatamente como aconteceu em tantos offsets anteriores.
O terceiro passo é estratégico: Portugal não pode nem deve ambicionar autossuficiência industrial em Defesa. A geografia, a dimensão da economia e a estrutura das Forças Armadas não o permitem, mas pode, e deve, identificar os seus nichos de excelência e tornarem-se nó especializado e insubstituível dentro da EDTIB. Manutenção e modificação de aeronaves? Sistemas de vigilância marítima? Comunicações táticas? Veículos não tripulados de superfície? A escolha estratégica dos nichos, documentada e fundamentada por avaliações MRL rigorosas, é o que transforma intenção política em capacidade industrial.
O momento geopolítico é de uma clareza rara. A Europa rearma-se. O EDIP está operacional. O SAFE disponibiliza financiamento sem precedentes. A NATO aumenta as exigências sobre os aliados europeus. Portugal está a renegociar compromissos e a tentar afirmar-se como parceiro fiável no flanco sul e no Atlântico.
É precisamente neste momento que a ausência de uma política industrial de Defesa coerente, ancorada na acoplagem TRL-MRL, se torna mais dispendiosa. Não apenas em termos económicos: em termos de soberania estratégica, de credibilidade junto dos aliados, e de capacidade real de contribuir para a segurança coletiva com algo mais do que as Lajes e a boa vontade.
O que falta a Portugal não é dinheiro, não é talento, não é motivação geopolítica. É o tecido conjuntivo — a articulação mensurável, institucionalizada e rigorosamente documentada entre o que se investiga e o que se fabrica, entre o laboratório e o campo de batalha, entre a excelência académica e a capacidade industrial.
Como escreveu o General Platias sobre a Grécia no Roteiro para a Indústria de Defesa Grega, Revista Aérea Helénica, abril de 2026, palavras que se aplicam com igual precisão a Portugal: "O custo da inércia não se limita à ineficiência económica. Exprime-se como prolongamento da dependência estratégica, numa época histórica em que essa dependência evolui rapidamente de fraqueza para ameaça existencial."
A janela está aberta. Por quanto tempo, ninguém sabe!
Respeito, SEMRE, a opinião de outrem.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
V I C T O R Y
"VICTORY BELONGS TO THE MOST AUDACIOUS"
Como imensas vezes aqui refiro faço escassa companhia ao televisor.
Abro algumas excepções, por exemplo, usar a tecnologia e voltar atrás para ver algo para que me chamaram à atenção.
Foi o caso de ir ver/ conferir uma bacorada histórica vertida por Pacheco Pereira num programa que creio é semanal em que debate com a Leitão por exemplo.
Às tantas falou de Joana d'Arc e de. . . . . . Átila. 😡😡😡😡
Átila, que acordou do seu sono profundo para vir uns centos de anos depois à luz do dia. Diz o povo que no melhor pano cai a nódoa, mas esta é calinada de grosso calibre. O Ephemera pode esclarece-lo.
Está a ser também o caso de gastar algum do meu tempo a ver pedaços de alguns dos jogos de ténis, no torneiro de Paris, no famoso Roland Garros.
A frase em sub - título é de lá.
E de facto a tenacidade do brasileiro Fonseca é impressionante. Um verdadeiro tomba gigantes.
E pensando nela estive a matutar em alguns políticos nacionais de todos os quadrantes e personagens = figuras e figurões.
Tudo por audácia e com audácia, por exemplo:
- o deputado Fabien deve ter-se inspirado nesta frase para tecer os seus últimos e inarráveis números na Assembleia da República
- a inarrável senhora do bichos também nela se terá inspirado para vomitar as suas mais recentes propostas quanto a alojamento para os bichinhos
- o deputado Rijo nela se inspirou certamente
- o ministro Luís Neves deve ter a frase à cabeceira da cama para o inspirar para os contactos com a comunicação social
- o PM nela se terá inspirado - as instituições a funcionar, disse
- a ver pelos super longos discursos que anda a fazer por todo o lado o Presidente da República não se inspirou numa frase tão curta e clara
- e parece-me óbvio que certos personagens que por aí andam com a PJ e MP no seu encalço nela se inspiraram tal a audácia com que prosseguiam as suas vidinhas
- de certeza que Mourinho nela se inspirou
- Berardo sempre nela se inspirou, esqueceu-se que o STA também
- Sócrates também deve ter a frase à cabeceira da cama tal o nível de audácia
- não tenho dúvidas que Brilhante a tem sempre na mente tal a escala planetária dos seus comentários
ETC.
Bom dia e bom início de semana
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida
Boa sorte
AC
domingo, 31 de maio de 2026
sábado, 30 de maio de 2026
quinta-feira, 28 de maio de 2026
ESTOU TÃO FARTO
Estou tão farto, tão saturado, tão cansado desta gente toda, há décadas, farto desta canalha que se apropriou e se apropria do que não lhes pertence, que faz negócios à margem da lei, CORRUPÇÃO PURA E DURA.
Estou tão farto, tão saturado, tão cansado desta gente toda, há décadas, farto desta canalha que vem para as TV declarar com o ar mais pungente lacrimoso e sério que cooperarão com as autoridades, que o partido nada tem a ver com os casos que aliás desconhecem.
Estou tão farto, tão saturado, tão cansado desta gente toda, há décadas, farto desta canalha que se serve de partidos, que nunca detecta as malfeitorias, como se algum do financiamento não viesse provavelmente de esquemas tortuosos.
Estou tão farto, tão saturado, tão cansado desta gente toda, há décadas, farto desta canalha que há décadas têm canalha por todo o lado, em ajustes directos, em desvios de dinheiro públicos para proveito próprio, com dinheiro em cofres ou atrás de livros em prateleira, etc.
Estou tão farto, tão saturado, tão cansado desta gente toda, há décadas, farto desta canalha dos partidos existentes como farto dos que procuram formar outros partidos, à direita ou ao centro ou á esquerda.
E o problema deste cidadão comum é que sei que não há democracia sem partidos políticos, sem comunicação social livre e independente e que não sirva outrem.
António Cabral (AC)
A PROPÓSITO,
DEVEMOS OLHAR BEM PARA OS NOSSOS POLÍTICOS, PARA TODOS, PARA TODOS SEM EXCEPÇÃO, OS NO ACTIVO, OS APARENTEMENTE REFORMADOS DA VIDA POLÍTICA, ESCRUTINÁ-LOS, VIGIAR A SUA ACÇÃO E INAÇÃO, POIS PODEMOS PERDER A NOSSA LIBERDADE TÃO FACILMENTE.
AC
segunda-feira, 25 de maio de 2026
É sempre interessante revisitar temas e textos antigos, sobretudo de personagens turbo comentadores que a espaços se indignam imenso. Indignam-se imenso, normalmente contra quem governa e não é da sua cor.
A proclamada Reforma da Administração Pública (AP) é um dos casos mais gritantes e que também tem angustiado muitos personagens, todos com vidas e carreiras muito difíceis mas sempre devotados ao bem comum.
importante instrumento na aplicação das políticas, para o desenvolvimento do país, e para o bem-estar das pessoas.
quinta-feira, 14 de maio de 2026
REPUBLICO
sábado, 31 de março de 2018
Todo aquele ou aquela que, tendo que indicar em determinada altura a sua residência, pensa um bocadinho, e dá uma ligeiramente longe, e que nada tem a ver com aquela onde mora de facto.
Uma questão de bom senso, nada mais, dizem alguns/ algumas,...................vigaristas.
Mas se a coisa aparecer nos jornais vai logo pressuroso/a corrigir a....................sua "piquena" distracção.
AC
segunda-feira, 11 de maio de 2026
terça-feira, 5 de maio de 2026
No País com cada vez mais imparidades
Houve primárias. E, vê-se por aí, o grande contentamento de muitos, como já se via nas últimas duas semanas. Agora é que é!
Agora é que é, pois afastado que está, e felizmente digo eu, a gelatina política cor de rosa, agora é que se vai (oxalá) começar a ver a reação dos portugueses, quanto a este novo (????) PS, quanto ao PSD, e quanto aos outros partidos, existentes, e os que se perfilam como novos salvadores do nosso sistema.
Não sou militante partidário, nem simpatizante rosa. Nem, aliás, de outras cores. Defendo simplesmente, como tenho procurado fazer ao longo da vida, que somos todos da mesma massa, devemos ser todos iguais perante a lei e oportunidades na vida, mas não somos todos iguais, não somos todos da mesma forma.
Não gostava de ter em Portugal mais maiorias absolutas de um só partido. Gostava de ter no meu desgraçado País, pactos de regime, duradouros e consistentes, qualquer coisa do mesmo género como se fez em Espanha anos atrás.
Mas as coisas são como são, e não como se ansiava fossem. E por mim falo. Aflige-me os argumentos ouvidos, quer de "comentadeiras", quer de vários dos que foram votar nestas primárias. Respeito, mas aflige-me muito. Há quem dê palmas entusiásticas porque a campanha mobilizou muita gente. Recordo todos os anteriores entusiasmos da nossa história, e fico esclarecido. Ah,.....a campanha teve confrontos, ....pois! Houve política........pois!
Na minha opinião, creio que se continua a confundir a falta de educação e a gritaria com nobre combate político. O que vejo e vi, será tudo menos nobre. Argumentos, ideias, definição clara de rumo? Sei que vejo pouca televisão, deve ter sido por isso.
Identifiquei com facilidade o falso tímido, a falsa vítima. Igualmente o arrogante, que passa por ter boa imagem. Parece que muitas "comentadeiras" anseiam por combate em cima do escudo do "Obelix", Costa - Rio. Tudo isto é para mim cada vez mais curioso. Pacto de regime entre esses dois profissionais da política?
Basta ver o que cada um fez ou não fez na autarquia respectiva, o que um esbanja e o outro se controla, o que um se borrifa para os buracos e as limpezas e outras coisas mundanas, e o outro menos, o que um tanto cuidado tem com os OCS e as listas para dar contínuos croquetes ao "pessoal" apoiante (sempre se poupa numas refeições), para manter em mim a convicção de a que a coisa não será fácil.
Além do mais, se alguma "gelatina" parece afastada, vejo por trás do novo líder PS, muita tralha gelatinosa do pós Cavaquismo, muita tralha dos apartamentos grátis por essa Europa fora.
O que verifico na vida nacional, de há décadas, é a criação de "ONGUES", de negociatas envolvendo figurões de todas as cores partidárias, fundações, a duvidosa acutilância do Ministério Público perante os diferentes "casos" no pós 25 de Abril.
Além do mais, adoro ouvir os da voz grossa que se ofendem com sugestões decorrentes do que está na CRP (mínimo de 180 deputados). Claro que Costa defenderá com unhas e dentes a manutenção da podridão actual. Ele e muitos, em todos os partidos. Como se não fosse possível arranjar uma forma de, acontecesse o que acontecesse, os pequenos partidos terem sempre uma voz na AR, reduzida em número, mas estar lá. Como devem estar, mas haja algum juízo de democrático e não transformem 8 em 80.
Os argumentos, os meus incluídos, podem sempre ficar pouco explicados, mas o que me confrange é esquecer-se muitas vezes o que está para trás. Tento sempre evitar esse pecadilho, mas por vezes falho. Isto a propósito do que a UGT faz, fez ou pode fazer na concertarão social. Fez acordo com o actual governo? Então, e nos governos PS, não fez? Santa paciência. Como se não se soubesse que a influência PS na UGT é maior que PSD. Ou estou mais uma vez enganado?
Costa melhor que Seguro. É bem provável. Pelo menos não parece gelatina. Mas, "we will see". Aguardemos pelas fidelidades, pelo peso e força das várias tralhas que o catapultaram.
Quero ver, muito, a reação do PCP e do PSD.
Os tempos nunca estiveram para brincadeiras, mas em Portugal muito se tem brincado. A mobilização das pessoas é um tema que me entusiasma. Mas angustia-me a inconsistência.
E tantos acreditam em milagres. Desculparão, eu não.
.........é que pintassilgos, não são pardais!
António Cabral (AC)
sexta-feira, 1 de maio de 2026
"NUNCA PERDER, COM PALERMAS, MAIS TEMPO QUE O ESTRITAMENTE NECESSÁRIO"
Lembrei-me disto a propósito dos imbecis que abusam dos seus poderes funcionais, mascarando os abusos com burocracias em que muitas nascidas de germes de Estado Novo e do respeitinho serôdio.
Tenham um bom feriado.
Saúde, o verdadeiro Euromilhões da vida. Boa sorte.
AC
sexta-feira, 24 de abril de 2026
sábado, 18 de abril de 2026
sábado, 11 de abril de 2026
Leio que - a criminalização atualmente em vigor existe desde 1 de Maio de 2023, desde que entregou em vigor a Agenda do Trabalho Digno, lançada pelo último Governo de António Costa.
Leio que o Governo actual - quer reduzir as penas a aplicar aos empregadores que omitam a contratação de trabalhadores à Segurança Social, acabando com a condenação de prisão e propondo que a multa máxima baixe de 180 mil euros para 40 mil.
Leio que a intenção do governo - faz parte de uma nova versão da proposta de alteração à legislação laboral entregue em Março à UGT e às quatro confederações empresariais antes da última ronda de reuniões realizada na última segunda-feira, 6 de Abril.
quinta-feira, 26 de março de 2026
Apercebi-me que o Presidente da AR falou à comunicação social sobre a questão da eleição para preenchimento de vacaturas no Tribunal Constitucional, no Conselho de Estado e outros.
Acho que os partidos da Assembleia da República deviam ter a responsabilidade de fazer uma indicação sem [esta] ser por partidos.
Classificou esta segunda-feira de "extremamente nocivo" partidarizar a escolha dos juízes a nomear pela Assembleia da República para o Tribunal Constitucional (TC), principalmente quando se trata de juízes de carreira.
Os juízes de carreira não têm filiação partidária. Esta vinculação ou uma indicação partidária, é extremamente inibidora para os juízes, ninguém gosta de ser [apontado como] "eu sou o juiz do Chega, ou o juiz do PS, os juízes não são de nenhum partido".
A maneira como é tratada a indicação de juízes para o Constitucional por parte do parlamento devia ser completamente diferente.
Ou seja, seria uma indicação genérica de juízes eleitos pela Assembleia da República e não juízes indicados por cada um dos partidos.
Esta discussão pública e indicação pública é extremamente inibidora de pessoas que querem ser juízes do Tribunal Constitucional.



